Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

REDAÇÃO EM PROVA DO ENEM, QUE TEM 6 MILHÕES DE INSCRITOS, SÓ COMPLICA E DEVERIA SER TROCADA POR QUESTÕES DE LITERATURA

fOTO: WIKIPEDIA ENEMAs últimas notícias sobre a prova de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em que alunos escreveram receitas de miojo e o hino do Palmeiras só reforçam a ideia de que a prova de redação é desnecessária.

É evidente que a avaliação de produção de texto é importante, mas essa opção deveria ser reavaliada em uma prova ampla, que tem abrangência nacional e conta com 6 milhões de inscritos.

Desde o início do Enem, a prova de redação é usada por interessados em destruí-lo. Além disso, a redação tem sido um foco de problemas, inclusive jurídicos, para o exame, que é de fundamental importância para o país e estabelece igualdade entre jovens ricos e pobres, de norte a sul do país.

A prova de redação é provavelmente o item mais caro para a correção, visto que exige um batalhão de corretores para avaliar 6 milhões de redações. E qual é realmente sua eficácia? A avaliação da escrita deve ser feita nas escolas, em salas com poucos alunos, em que o professor acompanha de forma individualizada cada aluno.

Num grande exame nacional, essa avaliação poderia ser substituída por respostas curtas ou por uma boa prova de literatura, em que o aluno deveria demonstrar conhecimento de romances e poesia brasileira, com livros pré-estabelecidos. Se o aluno tem uma bola leitura, certamente ele também terá uma boa escrita. Isso é um conhecimento redundante na prática educacional. Quem não lê, não escreve, diz o ditado.

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8 Respostas para “REDAÇÃO EM PROVA DO ENEM, QUE TEM 6 MILHÕES DE INSCRITOS, SÓ COMPLICA E DEVERIA SER TROCADA POR QUESTÕES DE LITERATURA

  1. Rodrigo 25 março, 2013 às 5:41 pm

    Pelo amor de Deus, “né” Glauco?
    Desculpe a pergunta, que chega a ser uma exclamação, mas não é razoável supor que um vestibulando não tenha a capacidade de organizar suas idéias em um texto, nem mesmo que não saiba escrever respeitando minimamente as regras da nossa língua. Afinal, qualquer curso superior demandará do universitário a organização de suas idéias, seja no papel, seja virtualmente.
    Você é professor universitário e conhece essa necessidade melhor do que eu; meu irmão cursa Administração na PUCCAMP e eu só tenho a louvar o método de ensino que instiga o aluno ao ensino, por meio de trabalhos, apresentação de seminários etc.
    No meu caso, não cursei faculdade de tanto renome e tinha professores, em sua maioria, que cobravam nas provas o que constava da lousa… Mas busquei sanar de alguma forma as deficiências via estágio (mesmo voluntário, em repartições públicas, e posteriormente remunerado, em escritório de Advocacia), estudando com alunos mais interessados. E via colegas meus com severos problemas para redigir textos em provas – erros crassos, como no ENEM.
    Não temos de ficar sempre a buscar um “jeitinho”. Isso o time pré-Lula fazia e o do Lula continua a fazer. O último absurdo, pois, caso proceda como noticiado inicialmente, é a afirmada proposta de ser retirada a língua estrangeira inglesa do currículo escolar, de um petista (http://www.implicante.org/noticias/petista-quer-retirar-ensino-de-lingua-inglesa-do-curriculo-escolar/) – só espero que proceda a retratação do deputado (http://portaldalinguainglesa.blogspot.com.br/2013/03/lingua-inglesa-pode-ser-retirada-do_24.html), pois eu tive severas dificuldades com matemática, em trigonometria, mas nem por isso liderei movimento para abolir o ensino da matéria.
    Então ficamos assim? Se é mostrada a deficiência do ensino, que grande influência tem na deficiência no aprendizado, basta abolir a matéria?
    E a proposta de “substituir” por questões de Literatura, partiu de um raciocínio surgido num dia frio, um bom lugar pra ler um livro, ou é fundado em estudos e discussões sérias entre educadores? Não presciso desta resposta, pois estou sendo irônico e a questão é meramente retórica.
    Eu fiz o primeiro ENEM e só tenho elogios a essa primeira edição. O nível deve ser no mínimo mantido, mas não piorado.
    Educação não é brincadeira e nem o tucano, nem o petista, têm salvo-conduto para por ainda mais em risco o nível dos alunos brasileiros.

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    • glaucocortez 26 março, 2013 às 12:21 am

      Pelo amor de Deus! Interpretação de texto deveria ser outra prova importante.

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      • Rodrigo 26 março, 2013 às 2:42 am

        Apoiado! Só não vale voltar atrás quando os alunos mostrarem sua deficiência (levando-se em conta por volta de 13 anos passados em bancos escolares, os atuais vestibulandos iniciaram seus deficientes estudos com FHC, passaram por Lula e Dilma) também nesta área.

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  2. Evandro Castro 26 março, 2013 às 12:27 am

    KKKK. O Alckmin eliminou a Geografia e a história, agora ninguém mais de são Paulo vai saber a onde fica a Bahia. Além disso, o cara não entendeu o texto, visto que o argumento é para melhorar a prova com questões de literatura. KKKK. Dá-lhe miojo.

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    • Rodrigo 26 março, 2013 às 3:46 pm

      Evandro, fiz o primeiro Enem – a prova era centrada em compreensão de texto, raciocínio lógico e na demonstração de capacidade de estruturação de idéias em texto, respeitando as normas da língua portuguesa. Fiquei muito satisfeito, inclusive quando passou a ser utilizado como forma de seleção para ingresso em faculdades públicas.
      Meu ponto, pois, em que pese o raciocínio de vocês, é que a demonstração de o aluno saber estruturar suas idéias em um texto, respeitando normas da Língua Portuguesa, é imprescindível para o próprio curso universitário e para a vida profissional, não cabendo a abolição. Depois, frente ao mercado de trabalho, o prejuízo ao graduado será de difícil reparação.
      Mas, tudo bem, vamos seguir “dando um jeitinho”. E quem fizer uma crítica positiva, querendo o melhor não apenas para o ENEM, mas para a educação em si, especialmente a pública, que seja prontamente um integrante da turma do contra, que quer “destruir o ENEM” – é mais fácil lutar contra a pessoa do que contra argumentos, não?
      Só fiquei na dúvida quanto às demais questões do ENEM, pois também elas tratam como iguais todos os alunos do Brasil. Valendo-me do raciocínio de vocês, como fazer? Colocamos uma prova inteira de literatura, sempre abolindo disciplinas em que os alunos tenham desempenho insuficiente ou pela qual não demonstrem interesse?

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