Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Mensais: junho 2013

O MISTICISMO DE HILDEGARD VON BINGEN

Iluminura: as visões de Hildegard

Iluminura: as visões de Hildegard

Por Maura Voltarelli

A Idade Média, período que teve início por volta do século V e se estendeu até meados do século XV, não foi, como já se sabe, apenas um período de trevas e obscuridade para o conhecimento humano. Pelo contrário, a Idade Média foi um período decisivo para o conhecimento humano, de amadurecimento da vasta cultura grega que o precedeu e de preparação de um dos maiores movimentos artísticos da história do homem: o renascimento.

Impregnada por um extenso controle religioso da vida, dos hábitos, da moral, a Idade Média guarda histórias incríveis que não cessam de ser descobertas. Não se sabe muita coisa sobre elas e isso aumenta ainda mais o mistério das histórias medievais. Mistério que é também potencializado pelo misticismo do período, pelo cenário das catedrais silenciosas, dos cantos religiosos, dos cultos pagãos que resistiam. Para a mística, a Idade Média é um lugar farto, pois nenhum período esteve tão próximos dos gregos e, ao mesmo tempo, tão distante deles.

O interdito, o proibido, a ideia do pecado e, não obstante, o desejo de liberdade, de conhecimento que continuava a sussurrar nas fendas das catedrais, fez com que histórias como a de Abelardo e Heloísa, por exemplo, fascinassem gerações.

Assim como a imagem de Heloísa, filósofa e escritora, mulher com vocação para a liberdade que foi vítima das inúmeras repressões do período, uma outra mulher, da qual se sabe menos ainda, fascina pelo talento da inteligência, da perspicácia, da vontade de independência da mulher em uma época onde as correntes eram tão apertadas.

Hildegard von Bingen teria nascido em 1098 e foi uma escritora, compositora, abadessa beneditina, visionária e profundamente ligada às vertentes místicas do cristianismo. Conhecida por suas visões, algumas resultantes de fortes dores de cabeça, Hildegard teria escrito além de textos de botânica e medicina, cartas, sons litúrgicos e poemas que eram transformados em belíssimas iluminuras, produção artística de grande importância no contexto da arte medieval. Muitas iluminuras mostram Hildegard recebendo alguma visão e ditando-a a um escriba.

Sua atividade junto às outras mulheres da época também foi bastante expressiva, tendo ela, inclusive, fundado um monastério do qual só as mulheres faziam parte. A vida monástica de Hildegard é cheia de sombras, zonas misteriosas e indeterminadas, como muito do que se conta sobre o período medieval. Mas, justamente por isso, é tão fascinante, fascínio que só aumenta diante do fato de poucos conhecerem a sua história ou sequer já terem ouvido falar dela.

Nestes vídeos segue um pouco da música mística de Hildegard:

Há também um filme, dirigido pela Margarethe Von Trotta, sobre Hildegard. Segue o trailler:

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POPULARIDADE DE DILMA ROUSSEFF: NÃO ADIANTA CRITICAR A MÍDIA EM PÚBLICO E ENCHER O SACO DE DINHEIRO DA GLOBO NO PRIVADO

Mire-se no exemplo de outras mulheres. Cristina enfrentou e venceu

Mire-se no exemplo de outras mulheres. Cristina enfrentou e venceu

A hora é de distensão e a queda nas pesquisas do Datafolha mostra isso. É uma queda que pode ser recuperada facilmente. É um momento. Mas não vai ser criticando a mídia em público e enchendo o saco de dinheiro da Globo (Abril e outros) no privado que Dilma Rousseff conseguirá vencer o impasse social dos protestos. A metodologia do Datafolha pode ser criticada, mas será necessário?

A decisão do Plebiscito foi a medida mais acertada até agora do governo Dilma Rousseff. Ela provocou de imediato uma reação grande da oposição (PSDB, DEM, PPS) e da mídia.  Dilma teria acertado o alvo. A ideia de plebliscito obriga a mídia e a oposição a se colocarem contra o povo. Isso desmascara o discurso. A irritação da oposição e da mídia está na necessidade de terem de assumir novas palavras de ordem: “não queremos povo, isso não é democracia, democracia é sem povo”.

Mas isso não basta, é preciso distender o processo e enfatizar o discurso de avanços de democracia direta, de democratização da mídia e do dinheiro da comunicação do governo. Mais que isso, é preciso inverter o processo do governo de atender ao mercado financeiro da especulação e dos juros. É preciso por em pauta projetos de distribuição de renda, inclusive da verba publicitária do governo.

É preciso deslocar ainda mais o dinheiro que beneficia os ricos em direção à população.

Se não fizer isso, se ficar criticando a mídia em público e dando dinheiro para a Globo no privado, a reeleição pode até não estar ameaçada, mas para que se reeleger?

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A COPA DO MUNDO, DA DITADURA À DEMOCRACIA: 43 ANOS COM AS MESMAS FIGURAS NA LINHA DO TEMPO

Linha do Tempo

Por Luís Fernando Praguinha
Especial para o Educação Política

Rodrigo Lobo1970 – Brasil campeão do mundo no México com possivelmente a melhor seleção de futebol de todos os tempos. Eu dava meus primeiros chutes e já trazia no sangue, ainda intrauterino, a aptidão pra perna de pau que me acompanharia a vida toda.

Tínhamos como lemas, “Pra frente Brasil” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”

Tínhamos também Pelé, Tostão, Rivelino, Gerson e outros cabeças de bagre.

Só pra lembrar, faz 43 anos… vou lembrar mais uma vez, faz 43 anos.

João Havelange era o presidente da CBF, Zagalo era o técnico da amarelinha, porque o bobo do João Saldanha não queria que generais escalassem seu time, Carlos Alberto Parreira era o preparador físico, José Maria Marin era nosso excelentíssimo deputado estadual, José Sarney era senador da república, então uma ditadura militar presidida pelo generoso general Médici, mas alguns subversivos afirmam que ele mandava torturar as pessoas. Eu não vi nada disso. O estudante Eike Batista faria 14 anos em 1970, que belo rapazola, mas não era coleguinha de um outro estudante comunista chamado Aldo Rebelo que tinha a mesma idade. Dilma Rousseff e meu avô, um jornalista subversivo, estavam na cadeia onde recebiam muitos presentes.

Falando em jornalista subversivo, em 1975, Vladmir Herzog foi encontrado suicidado na sede do DOI-CODI, mas isso não tem nada a ver com os militares nem com o Marin.

Antes, em 74, tivemos o carrossel holandês que a Alemanha brecou e nosso glorioso Havelange foi eleito presidente da FIFA, quanta honra!

Em 78 a Argentina, na Argentina, que também gostava das mesmas coisas que o Brasil, na época, ganhou uma copa que foi mesmo do Peru.

Em 82 vi jogar a melhor seleção que vi jogar, era um tempo em que ficávamos tristes quando a seleção perdia. Tinha também outro subversivo que se chamava Sócrates, e acho que foi por isso que perdemos.

Em 83 algumas pessoas quiseram eleições diretas, veja que desplante, mas não deu certo e em 85 o senador Sarney (incrível que ele ainda era senador, não?) virou presidente, o único civil durante o estado de exceção.

Em 86 perdemos outra copa e tive pena do Telê.
Em 89 o Ricardo Teixeira Genro do Havelange foi eleito presidente da CBF, elegemos também, finalmente, por meio do voto popular, um legítimo representante do povo, o Collor e logo mais, em 90, fizemos feio de novo com o Lazaroni.

Em 1992 as pessoas pararam de gostar do Collor e enxotamos ele de lá de uma vez por todas, mais ou menos.

Em 94, o Parreira virou técnico e o Zagalo assistente técnico e provamos que é possível ser campeão jogando feio e mal, mas com o Romário. Também elegemos Fernando Henrique Cardoso presidente, com uma história de militância esquerdista, mais ou menos, vejam vocês.

Em 98 o Ronaldo teve problemas e o subversivo Lula também, então elegemos o FHC novamente, com uma história de militância de extremo centro e o Havelange foi eleito presidente de honra da FIFA, quanta honra, e Joseph Blatter assumiu a presidência da entidade, preservando o mesmo jeitinho Havelange presidir.

Em 2002 os problemas do Ronaldo já tinham passado, graças ao Rivaldo, São Marcos e toda a família Felipão, aí ganhamos o penta, que honra. Nesta época Havelange e Ricardo Teixeira com muito esforço, trabalho e dedicação, já tinham conseguido engordar em muito seu patrimônio, administrando empresas sem fins lucrativos. Meu avô morreu pouco antes da final da copa. Neste ano o Lula conseguiu, graças ao meu voto, ser eleito presidente da república, desta vez sim, um legítimo representante do povo, uma mudança real, por isso, tudo mudou tanto assim.

Em 2006, interessante, acabo de notar que ano de copa é sempre ano eleitoral, coisas do destino, bem, em 2006, o Lula ganhou de novo, não graças ao meu voto, e o Brasil perdeu a copa na Alemanha com um elenco gordo de gordos salários, mas o que de pior aconteceu na copa da Alemanha foi a morte do gordo de humor, Bussunda. Também neste ano as pessoas se esqueceram de novo e o Fernando Collor voltou na figura de um voluptuoso senador.

Em 2010 perdemos na África do Sul, o Lula elegeu a Dilma, que já tinha saído da cadeia, o Romário, é, o Romário, foi eleito deputado federal para infernizar as defesas da CBF, mas o que de pior aconteceu naquela copa foi a vuvuzela e o estilo ditatorial militar do Dunga, quem diria, em plena democracia, mais ou menos.

Em 2012 Ricardo Teixeira renuncia à presidência da CBF por motivo de força maior que a transparência, e o José Maria Marin, aquele que mamava nas tetas da ditadura mas que não tem nada a ver com o assassinato de ninguém, entrou em seu lugar.

2013, quarenta e três anos depois, Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange, o João, renunciou à presidência de honra da FIFA sob acusação de receber propina junto com seu genro Teixeira, mas acho que eles jamais fariam isso, mas aí a própria FIFA divulgou documentos que provavam a corrupção, aí eu não digo mais nada, coitados.

Recentemente, olha que bacana, houve convocação para a seleção. Parreira e Marin lado a lado na bancada para a coletiva. O Parreira falava sobre a impossibilidade de liberar Dante e Luiz Gustavo, do Bayer de Munique, para jogarem a final da copa da Alemanha, pois o amistoso do Brasil contra a Inglaterra no Maraca… Maracu…, naquele estádio novo que eu não lembro o nome, de propriedade daquele estudante Eike Batista, era mais importante, afinal é o Brasil, ame-o ou deixe-o, Dante e Luiz Gustavo.

O Sarney continua senador, mas agora com o Collor junto. O estudante Aldo Rebelo virou ministro dos esportes da Dilma e ambos parecem compactuar com essa inércia.

Eu amo futebol, que lástima, hoje só não temos mais aqueles cabeças de bagre do terceiro parágrafo, o resto ainda temos. Eu amo o Brasil, não vou deixá-lo, fazer o que? Mas quem ama o Brasil não precisa amar a seleção da CBF, não precisa amar o Fuleco nem a caxirola, não deve amar o Parreira, quem ama o Brasil deve se decepcionar com o Aldo, com o Lula e com a Dilma, se quiser pode até ter medo deles, deve ter medo do Eike Batista, do Marin, do Havelange, do Teixeira, do Sarney, do Collor, mas aquele medo que só faz querer enfrentar sem subestimar, porque teremos que enfrentar.

Quem ama o Brasil tem nojo dessa cortina de fumaça que encobre podres tão evidentes. São 43 anos mandados pelas mesmas figuras nefastas que fazem de tudo para manter uma legião de miseráveis, ignorantes, incultos, iletrados que gostam muito de futebol.

Imagina na Copa. Pense na Eleição. Cogite a Revolução.

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CALAR A BOCA, NUNCA MAIS: O POVO NOVO QUER MUITO MAIS, COM TOM ZÉ

Povo Novo

A MINHA DOR ESTÁ NA RUA
AINDA CRUA
EM ATO UM TANTO BEATO, MAS
CALAR A BOCA, NUNCA MAIS! (BIS)
O POVO NOVO QUER MUITO MAIS
DO QUE DESFILE PELA PAZ
MAS
QUER MUITO MAIS.
QUERO GRITAR NA
PRÓXIMA ESQUI NA
OLHA A MENI NA
O QUE GRITAR AH/OH
O QUE GRITAR AH/OH
OLHA, MENINO, QUE A DIREITA
JÁ SE AZEITA,
QUERENDO ENTRAR NA RECEITA
DE GOROROBA, NUNCA MAIS (BIS)
JÁ ME DEU AZIA, ME DEU GASTURA
ESSA POLÍTICARADURA
DURA,
QUE RAPA-DURA!
QUERO GRITAR NA…

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LEI FEDERAL PODERIA EXIGIR CONSULTA PÚBLICA PARA AS PLANILHAS DE CUSTO DO TRANSPORTE PÚBLICO

Bota pessão que tem muita gordura para queimar!

Bota pressão que tem muita gordura para queimar!

Uma medida muito simples pode mudar bastante a qualidade e o custo dos transportes públicos. E sem nenhuma grande revolução.

Basta o Congresso Nacional aprovar uma lei que exija a publicação para consulta pública das planilhas de custos das empresas de ônibus, trêns e metrôs que prestam serviço público.

Antes de qualquer aumento do valor da passagem, as prefeituras colocariam durante 30 ou 60 dias, em consulta pública, as planilhas apresentadas pelas empresas.

Após a consulta pública, os questionamentos poderiam ser feitos pelos vereadores e pela própria sociedade, pedindo os esclarecimentos necessários às empresas.

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PORTA DOS FUNDOS: REUNIÃO DE EMERGÊNCIA POR CAUSA DOS PROTESTOS PELO BRASIL

PARLAMENTARES PODEM ENQUADRAR MANIFESTAÇÕES POPULARES EM LEI DE CRIMES DE TERRORISMO

Protestos apressam votação da lei de crimes de terrorismo no Brasil

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Rachel Duarte/Sul 21

Incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado poderá ser enquadrado como terrorismo no Brasil. Está prevista para esta quinta-feira (27) a votação do projeto de lei 728/2011 que tipifica o crime de terrorismo, ainda não regulamentado no país. O texto será colocado em pauta em pleno contexto de sucessivos protestos nos estados brasileiro que estão sendo respondidos de forma repressiva pelo braço armado do estado. O motivo da urgência na aprovação, segundo a Comissão Mista que discute o tema no Congresso Nacional é a proximidade da Copa do Mundo de 2014. Especialistas avaliam como temerária a proposta, uma vez que aponta para os problemas da segurança urbana soluções com base na Lei de Segurança Nacional. “Isto é retroceder ao estado de exceção”, critica o professor de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Eduardo Pazinato.

A Constituição Federal prevê o crime de terrorismo, mas não estabelece pena nem tipifica as ações. Apenas a Lei de Segurança Nacional, editada na década de 1980, menciona o terrorismo, mas ainda com redação feita durante o regime militar. Porém, a minuta do texto em iminente aprovação no Congresso tem referência no texto da reforma do Código Penal e outros 43 projetos de lei, além de nove tratados, protocolos e convenções internacionais. Os crimes de terrorismo serão imprescritíveis, com pena cumprida em regime fechado, sem benefício de progressão e devem variar de 24 a 30 anos de cadeia.

Será considerado terrorismo ainda as ações que provoquem pânico generalizado praticadas por motivos ideológicos, políticos, religiosos e de preconceito racial, o que abre brecha para classificar como terroristas integrantes de movimentos sociais que cometerem crimes durante protestos públicos, acredita o coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da UFSM, Eduardo Pazinato. “Este texto acompanha a tendência internacional de lei e ordem que propõem mais leis penais para resolver problemas contemporâneos. Por meio do discurso da pacificação, se aumenta a criminalização das pessoas e os encarceramentos. Utilizar o paradigma da segurança nacional para regular a segurança urbana proporcionará a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que parte de um movimento de massa poderá ser entendida como terrorismo”, explica.

Ou seja, se a nova lei já estivesse em vigor, os manifestantes que invadiram as ruas do país nos últimos dias contra o aumento da passagem e a postura repressiva da polícia militar poderiam ser enquadrados como terroristas em razão de algumas práticas excessivas. “Isto é temerário nesta conjuntura de grandes eventos no país, em que inúmeras reivindicações populares surgem nas ruas. Está se preconizando mais uma vez um novo tipo penal para aumentar penas e reduzir direitos de minorias que serão enquadradas como praticantes de delitos, ao invés de buscar resposta para as cobranças da sociedade que não sejam por meio da criminalização”, avalia Pazinato. (Texto integral)

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E AÍ COXINHA: EMPRESAS PODEM PRATICAR CORRUPÇÃO NO BRASIL E LEI PARA PUNI-LAS DORME NO CONGRESSO HÁ QUATRO ANOS

A pressão popular precisa estar aqui.

A pressão popular precisa estar aqui.

Nas manifestações pelo Brasil tem muita gente criticando a corrupção da forma mais tosca possível. É a velha e batida lenga-lenga dos programas humorísticos populares, que insistem que o político é o corrupto. E acreditam que o problema do Brasil é o político corrupto. Não é. Se o problema fosse o político corrupto, o Brasil seria uma Suíça.

Imaginem um político bem corrupto. Para cada obra, ele cobra de 5% a 10% do contrato. Ainda que condenável, isso não afeta em nada o desenvolvimento do Brasil. Em construção civil essas diferenças são normais mesmo em construções privadas. O dono de uma empresa que faz apartamentos ou construções comerciais pode ter perdas bem superiores na compra de material, furtos da obra, mudança de empregados etc.

O problema do Brasil são as empresas que não fazem a obra como deveria ser feita, mas sim com péssima qualidade. Veja as escolas, asfaltos, hospitais com material de péssima qualidade e mal feitos, mesmo com projeto definindo padrões mínimos de qualidade. Essa é a corrupção que destrói o Brasil. A obra da empresa corruptora em poucos anos precisa ser refeita ou reformada. Então, em uma obra de R$ 10 milhões, o povo perde 10% para o político e 100% com o empresário. E tem coxinha gritando com bandeira do Zorra Total e da Praça é Nossa, que o problema do Brasil é o político corrupto.

E o inacretitável é que há quatro anos está parado no Congresso um projeto que pune empresas corruptoras. E os manifestantes não vão lá brigar para que seja aprovada. Veja matéria abaixo:

Projeto contra corrupção esbarra em empresários no Congresso

por Nicolau Soares, especial para a RBA

Relator de projeto em tramitação há quase quatro anos avalia que alta presença do empresariado no Legislativo é principal foco de resistência à primeira medida para punir corporações

São Paulo – Uma das respostas da presidenta Dilma Rousseff às reivindicações contra a corrupção que aparecem difusamente nas manifestações pelo Brasil deverá acelerar a tramitação da Lei Anticorrupção. Enviada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso em 2010, a proposta ataca uma das pontas mais escondidas das denúncias de corrupção: as empresas. O projeto permite punir pessoas jurídicas envolvidas em crimes contra a administração pública, e não apenas seus funcionários, como normalmente ocorre hoje.

Se aprovado, o projeto corrigirá uma lacuna histórica na legislação brasileira, pois pela primeira vez o país terá meios mais efetivos para punir diretamente as empresas – e seus proprietários – envolvidas em atos de corrupção ou outras práticas criminosas. Se transformado em lei, o texto permitirá a responsabilização das empresas e não apenas de seus funcionários ou de políticos envolvidos em casos de corrupção. Assim, prevê a aplicação de multas e o ressarcimento de recursos desviados pelas pessoas jurídicas, muitas vezes as maiores beneficiárias de processos de corrupção. “Não existe corrupto sem corruptor. A lei coloca o Brasil no patamar dos países mais desenvolvidos em termos de combate à corrupção”, lembra o deputado Carlos Zarattini, relator da proposta na Câmara e responsável por apresentar um substitutivo ao texto original. (Texto Integral)

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IMPOSTO SOBRE GRANDE FORTUNA DE APENAS 997 PESSOAS PODERIA COLOCAR R$10 BILHÕES NA SAÚDE

Contando Dinheiro

Contando Dinheiro (Photo credit: Jeff Belmonte)

O Projeto de Lei Complementar 48/11, de autoria do deputado Dr. Aluizio (PV-RJ), que trata da Contribuição Social das Grandes Fortunas, tem como relatora Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que pretende vinculá-lo à saúde. O imposto poderia gerar cerca de R$ 15 bilhões e atingiria apenas 40 mil brasileiros com patrimônio acima de R$ 4 milhões. Apenas 997 contribuintes, que são os mais ricos do país, poderiam contribuir com R$ 10 bilhões por ano.

O imposto sobre as fortunas está previsto no inciso VII do artigo 153 da Constituição de 1988, nunca regulamentado. As alíquotas teriam variação de 0,40% a 2,1%. (Ver texto integral)

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OS GOVERNOS DE LULA E DILMA ROUSSEFF E A ORIGEM DO ÓDIO DA CLASSE MÉDIA

SEM BASE

Por Guilherme Boneto
Especial para o Educação Política

A Classe média e Dilma

A Classe média e Dilma

Grande parte da classe média de São Paulo não pensa o Brasil. Trata-se de um fato lamentável, porém real e palpável: a média-elite crê piamente que a política deve beneficiá-la, e tão somente a ela. Vê como bom gestor apenas o governante que maquia, reforma locais públicos, deixa a cidade mais bonita, que afasta os viciados em crack da Estação da Luz e atira bombas de gás lacrimogêneo para liberar a Avenida Paulista à passagem de automóveis. A classe média é terrivelmente classista. Não se importa com a periferia, com os pobres, com a fome, com a exclusão social. Seus membros acreditam que tudo pode ser conquistado à base de muito trabalho, e trava esse diálogo horroroso no intervalo para o cafezinho de todas as manhãs no escritório. De igual modo, ela acha que as universidades públicas devem estar à disposição de quem estuda e se esforça para passar no vestibular, e se posiciona categoricamente contra cotas. Acredita ser a infeliz mantenedora dos programas sociais do governo federal, pagos com seus impostos tão duramente conquistados. E ao final de cada dia, assiste ao programa do Datena e ao Jornal Nacional, para se manter bem informada.

Cansa ser de classe média, paulista, e se posicionar à esquerda. É uma batalha travada a cada dia, e se perde muito. Torna-se necessário lutar contra uma convicção horrível, egoísta, preconceituosa e terrivelmente elitista, contra um pensamento sem base, espelhado numa reflexão sem visão de mundo, sem visão do que é o Brasil. Resumido em fatos, nosso país é uma imensa nação, que hoje, caminha para se tornar majoritariamente de classe média. Ao assumir a presidência, em 2003, Lula enxergou nos pobres a base de um desenvolvimento sólido, a ser construído no longo prazo. Criou programas de inclusão social reconhecidos em todo o mundo, exceto em São Paulo. Tornou lei as cotas para negros, pardos e alunos de escolas públicas, e criou o PROUNI – ambos são, hoje, uma porta de entrada para os pobres na universidade. Lula – e Dilma, em menor escala – tirou da pobreza nada menos que trinta milhões de brasileiros, um bando de vagabundos, sob a concepção da classe média.

São Paulo faz questão de não enxergar o que está diante do nariz. O Brasil não se parece com São Paulo, um Estado rico, onde há oportunidades para todos, salários melhores com qualidade de vida equiparável a determinadas nações europeias. O pensamento médio-classista crê que todos os brasileiros têm as mesmas chances dos paulistas, que graças às excelentes e sucessivas gestões do PSDB, assistem a uma sistemática piora em vários setores sociais, entre eles a educação e a segurança pública. Não há escritórios no sertão da Paraíba. Não há bons colégios nos confins do Maranhão. Nem computadores para distribuir currículos no extremo norte de Minas Gerais. Essas regiões precisam de incentivos. O que Lula fez, e o que Dilma segue fazendo, é alterar toda a estrutura social do Brasil, e isso é o que revolta a classe média em São Paulo. Não será preciso esperar muito mais para ver os resultados dessa política. Hoje, já é difícil encontrar trabalhadores braçais. Não há pedreiros, empregadas domésticas, encanadores, eletricistas, pintores. Quando se encontra um, o valor cobrado é alto e justo, por um trabalho difícil e custoso. Que horror! Onde estão as mocinhas dispostas a limpar a casa e cuidar das crianças por um salário mínimo? Agora querem estudar! Com o nosso dinheiro!

Essa gente odeia o Brasil de Lula e Dilma, porque a proposta dos governos do PT não é maquiar o país ou expulsar os viciados em crack do entorno da Estação da Luz, mas causar mudanças no conteúdo, e não na forma. As conquistas dos governos progressistas que o Brasil teve a felicidade de eleger estão aí, visíveis. A mesma classe média que sofria à época de FHC hoje pode comprar um automóvel próprio, viajar de avião, financiar o primeiro imóvel. Mas a classe média pode fazer isso mais do que os pobres. Porque ela trabalha duro nos escritórios aqui de São Paulo, e mexe o dia todo com papéis entre uma crítica a Lula e outra a Dilma. Críticas são louváveis, porém quando não há base para sustentá-las, elas se transformam nas mais escabrosas manifestações de raiva, como a que ocorreu recentemente em Brasília, na abertura da Copa das Confederaçõs, com as vaias direcionadas à presidente da República. Estão achando lindo. Mais lindo será daqui a dez ou quinze anos, quando a sociedade começar a colher os primeiros frutos do trabalho árduo que o PT vem realizando em nosso país. A ver.

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“VANDALIZE-SE”: SOBRE A VIOLÊNCIA CATÁRTICA DOS PROTESTOS

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Por Maura Voltarelli

Especial para o Educação Política

Desde o início dos protestos que tomaram as ruas do Brasil e mudaram a rotina dos brasileiros, diversos foram os discursos da mídia e diversos foram os tons do protesto. O MPL (Movimento Passe Livre) formado por jovens, com propostas de esquerda que buscavam reduzir as desigualdades e promover a conquista do espaço urbano pela população da periferia, fizeram a aposta inicial na insatisfação da população e atraíram multidões às ruas pedindo a revogação do aumento da passagem de ônibus na cidade de São Paulo.

Foi assim que tudo começou. Os começos são essenciais para entender qualquer grande movimento político e histórico e este começo que contamos aqui, brevemente, foi marcado por uma postura bastante elitista e superficial da grande mídia. Os manifestantes (MPL e adeptos das pautas de esquerda, veja, falamos esquerda, não de um ou outro partido, mas de esquerda, e isso deve ficar claro) eram vândalos, baderneiros, inimigos da ordem, obstáculos ao trânsito daqueles com dinheiro para comprar um carro, que não precisam andar de ônibus, obviamente.

Esses manifestantes foram violentamente reprimidos pela polícia paulistana, herdeira em quase tudo das práticas da ditadura militar no Brasil. Mas, a essa altura, o MPL ultrapassou o próprio MPL. Muita gente se indignou, se identificou, e aí o movimento teve belos momentos porque plurais e livres. A mídia já começou a mudar o discurso. A maioria pacífica e uma pequena minoria violenta, cheia de vândalos, foi a fórmula, exaustivamente repetida, encontrada pela grande mídia para (tentar) definir  (e de certa forma controlar) os protestos.

Imagem: Divulgação

Depois disso, MPL tendo conquistado a sua reivindicação, a esquerda do início se retirou e quem sobrou nas ruas foram aqueles que na fase mais bonita já começavam a aparecer mas ainda não eram maioria. Agora eles são. E há que se dizer, são de direita, pois defendem pautas conservadoras, de manutenção das desigualdades e medidas historicamente totalitárias como o fim dos partidos políticos, o que significa também o fim da democracia.

Esse tipo de protesto que tem se visto agora pelas ruas facilmente se deixa rotular pela grande mídia, pois eles se parecem muito com ela. Desses protestos não se salva nada, nem a insatisfação pois ela jamais existe à serviço de uma coletividade. Tudo acontece com o fim em si mesmo.

Já os protestos anteriores, que não tinham um partido específico mas tinham uma ideologia, coisa que os atuais não possuem, eram escorregadios e incrivelmente sedutores. Os vândalos lá eram magníficos e as depredações de bancos e grandes empresas multinacionais que transbordam exploração por todos os poros eram no mínimo catárticos.

Imagem: Divulgação

E, embora apareça só agora, foi esse o objetivo deste texto. Dizer que o Brasil viveu um momento catártico graças aos jovens do MPL e graças a toda uma população que ainda é utópica, que ainda consegue ser realmente de esquerda, e isso não é nada fácil.

Essa crítica insistente da mídia ao vandalismo do início dos protestos foi um sinal de medo, apavoramento. Isso porque as verdadeiras insurreições assustam, pela expressão da sua força. Todas as grandes revoluções têm atos de violência catártica, o que é diferente da violência pela violência que vemos agora, onde não há mais a ideologia autêntica do começo.

A revolução precisa alterar o espaço, intervir nele, encher os muros de símbolos para que, no outro dia, sob a luz do novo, o mundo seja literalmente outro e o universo tenha mudado, tenha cedido em sua incrível mudez, tenha ele também se vandalizado!!

Imagem: Divulgação

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QUEM VÊ MÁSCARA NÃO VÊ CARA: NÃO DÁ PARA FAZER PROTESTO AO LADO DO INIMIGO

anonymousNas manifestações recentes do Brasil muita gente não entendeu nada, mas também tem muita gente se aproveitando atrás de máscaras. E quem vê máscara não vê cara.

As lutas das ruas começaram como um movimento social para baixar tarifas e foram condenadas pela grande mídia. Mas depois tudo virou, receberam o apoio da grande mídia e tornaram-se uma luta fascista, com intolerância e com a participação de partidos e dos próprios movimentos sociais.

Houve muita infiltração nas passeatas e um clima de intolerância que lembra o nazismo. Hitler, em vídeo, já dizia que o chamavam de intolerante. E assim ele realmente se entendia e acabou com os partidos políticos.  Veja vídeo: é muito instrutivo e histórico.

Há muitos protestos e manifestações sendo chamadas por quem usa máscara. Mas quem está por trás dessas máscaras? No protesto chamado de Greve Geral para dia 01 de julho, por exemplo, é organizado por Felipe Chamone, que  tem um perfil armamentista e militarista. Atrás de máscaras, direita e esquerda ou reacionário e progressistas são a mesma coisa. E você, como fica?

As bandeiras de partidos, as organizações sociais precisam ser vistas, precisam ter a liberdade de aparecer e se mostrar. As pessoas precisam saber ao lado de quem estão caminhando. Não dá para sair em passeata ao lado do inimigo.

Será que vale a pena por a sua cara para bater em nome de quem está atrás de máscaras?

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VÍDEO BOMBA! VEJA O GRANDE LÍDER DO PESSOAL QUE NÃO GOSTA DE PARTIDO POLÍTICO; ELES TÊM HISTÓRIA

GLOBO E OS PROTESTOS: VÍDEO EXPLICATIVO E DIVERTIDO PARA QUEM ESTÁ MUITO PERDIDO

HÁ UM RECADO CLARO DAS RUAS: É PRECISO APROFUNDAR A DEMOCRACIA DIRETA E ENTREGAR ALGUNS ANÉIS

9077182828_243aa3a29aApesar de vivermos o período mais longo de democracia no Brasil, o sistema representativo atual, que surgiu sem fissura alguma de um sistema de privilégios da ditadura (e isso pode ser visto na Justiça, na distribuição de renda, na empáfia de alguns políticos, etc), precisa de avanços.

É premente estabelecer uma maior participação política da sociedade. É preciso dar mais transparência ao sistema de governo de prefeituras e isso precisa ser estabelecido no âmbito da câmara federal. Como pode, por exemplo, termos planilhas de custos das empresas de ônibus sob sigilo?

É preciso avançar em consultas populares e referendos, aumentando a participação e legitimando mais os caminhos da democracia. É preciso dar mais transparência às atividades públicas. Isso talvez possa ajudar a entender os recados das ruas.

O ar fascista que tomou as últimas manifestações nas ruas brasileiras, promovido por skinheads e pela extrema direita (evidenciada pela intolerância com manifestantes com bandeiras de partidos políticos), demonstra que parte da população foi capturada por essa oposição à política. Virou uma guerra contra as instituições políticas.

Os jovens, com consciência política e que há vários anos lutam no Brasil, devem desembarcar nos próximos dias desse tipo de atuação. As passeatas de rua devem se transformar em novas formas de atuação.

Mas não se pode olhar o que acontece apenas pelo ar fascista que tomou conta do movimento.  Há um recado claro das ruas: é preciso aprofundar caminhos democráticos e participação popular.

Mais que isso. O que se viu não foi só um ar fascista, mas a chegada nos centro e áreas nobres da mesma violência que o Estado cotidianamente provoca na periferia. É preciso investir na população e não deixar o dinheiro público apenas nas mãos dos sócios do poder público.

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O RECADO JÁ FOI DADO: É HORA DE MUDAR AS ESTRATÉGIAS E SAIR DAS RUAS

Existem inúmeras formas de atuação política. A manifestação nas ruas, em passeata, é uma delas.

Existem estratégias de avanço e recuo. É hora de refletir e abrir novos caminhos.

O ar fascista que tomou as manifestações, com a destruição de bandeiras de partidos políticos, precisa ser negado por quem já está acordado faz tempo, por quem tem bandeira de luta, ainda que não erga em praça pública.

Não é possível participar de manifestações intolerantes com os próprios manifestantes.

O importante é que os recados já foram dados:

1. a democracia representativa brasileira precisa de avanços, com maior consulta e participação popular.

2. É preciso avançar na distribuição de renda e investimento em saúde e educação.

3. A população quer participar mais do relativo sucesso econômico do Brasil dos últimos anos.

4. Não dá para ter uma democracia sem povo.

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MOVIMENTO PASSE LIVRE ENCERRA MANIFESTAÇÕES PELO PAÍS POR CAUSA DA VIOLÊNCIA CONTRA MANIFESTANTES DE PARTIDOS

MPL  acusa direita por “ar fascista” de protesto

Do site 247

Em nota, Movimento Passe Livre anunciou que deixou a manifestação na noite desta quinta-feira em São Paulo e criticou o oportunismo no ato: “O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial”

247 – Depois de convocar o Brasil todo para se unir à onda de manifestações pelo país, o Movimento Passe Livre (MPL) deixou o protesto no meio da noite desta quinta-feira na capital paulista.

Em nota divulgada na rede social Facebook na madrugada desta sexta-feira (21), criticam a violência contra grupos que não pertencem ao MPL e que também participaram da marcha de quinta (20) nas ruas de São Paulo.Segundo o professor Lucas Monteiro, 29 anos, integrante do MPL, o movimento “não abandonou” os manifestantes. “A gente saiu porque a manifestação cumpriu com a obrigação dela, que era de comemorar a redução da tarifa.”Pedro criticou alguns grupos que estavam na manifestação. “Militantes de extrema direita querem dar ares facistas a esse movimento”, afirmou. Para Lucas, “a hostilidade sempre existiu”.Leia o texto publicado no perfil do MPL no Facebook:O Movimento Passe Livre (MPL) foi às ruas contra o aumento da tarifa. A manifestação de hoje faz parte dessa luta: além da comemoração da vitória popular da revogação, reafirmamos que lutar não é crime e demonstramos apoio às mobilizações de outras cidades. Contudo, no ato de hoje presenciamos episódios isolados e lamentáveis de violência contra a participação de diversos grupos.
O MPL luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos que lutam por um mundo para os debaixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. Essa é uma defesa histórica das organizações de esquerda, e é dessa história que o MPL faz parte e é fruto.
O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.
Toda força para quem luta por uma vida sem catracas.
MPL-SP

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VEJA COMO SÃO FEITAS AS PLANILHAS DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS QUE PRESTAM SERVIÇO PÚBLICO

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Como as empresas de ônibus maquiam custos

Ex-analista de crédito de banco revela sinais de fraude contábil, uso de “laranjas” e formação de máfias por parte do cartel que controla transporte público 

Por Fernando Souto, no blog do Nassif

Não vou comentar muito sobre as falas do meu xará Haddad. Vou me concentrar no que sei e que vi, para dizer que em grande parte dos estudantes estão sim certos.

Fui analista de crédito num banco privado em 2006/7 em São Paulo, e neste banco, muitas empresas de ônibus eram clientes. muitas mesmo. e havia um jeito bem especial de lidar com elas.

Ocorre que para uma empresa ganhar empréstimo, ela tem de ter fundamentos econômico financeiros – ou seja capacidade de pagar.  E aí é que o bicho pega: pelas demonstrações contábeis oficiais, praticamente nenhuma empresa de ônibus teria condição de pegar empréstimos. E por que? Porque são estas são as demonstrações (balanços e dres) exibidas para os governos, a partir das quais geram-se as planilhas de custo e, em seguida, as tarifas.

Havia coisas estranhas, das quais dois pontos eu me lembro com maior atenção: O ativo imobilizado era muito baixo (ativo imobilizado é o que a empresa tem de propriedade, portanto seriam frotas de ônibus e propriedades das empresas). Muitas, mas muitas, apresentavam patrimônio liquido negativo – ou seja acumulavam, por anos consecutivos, prejuízos que superavam o capital social da empresa. As contas nunca fechariam — as receitas seriam baixas perante as despesas. Além disto, as empresas possuem passivos muito maiores que ativos, e como ativo tem de ser igual ao passivo mais patrimônio liquido, este tinha de ser negativo.

Com uma situação financeira dessas, uma empresa não toma emprestado. E aí vai o pulo do gato (que dá medo de contar): é óbvio que estas informações estão deturpadas (sendo gentil), e vou explicar como. Tanto era assim que nós tínhamos uma planilha em excel que fazia o calculo do real balanço destas empresas.

Os pontos são os seguintes: o ativo imobilizado não está declarado nestes balanços. É como se a ideia do pequeno empresário que não distingue o próprio bolso do caixa da empresa fosse levada às alturas. Donos de empresas têm parte da frota em nome próprio (ou de laranjas). Ou, então, compram em nome da empresa e depois “revendem”  para terceiros (sócios), após quitados os financiamentos. Os terrenos nos quais estão as garagens das empresas são de propriedade dos sócios e também não aparecem no balanço. Por fim, essas empresas não pagam encargos trabalhistas, adiando-os ao máximo, para aproveitar, quando aparece, uma renegociação. Fazem isso para aumentar muito o exigível de longo prazo, propositalmente, além de ganhar caixa extra pago pelo governo.

Cientes dessas informações, para fazer a análise consolidávamos o patrimônio dos sócios (que na verdade seriam das empresas) com o das empresas. É claro que elas davam lucro na realidade – afinal estes empresários seriam tão idiotas de continuar pra sempre num setor com altos fluxos de dinheiro se tivessem sempre prejuízos? Mas tem mais…

Àquela época, e ainda hoje, existem várias empresas que atendem o transporte urbano – em São Paulo, Rio de Janeiro e outras tantas cidades –, mas são poucas famílias que controlam de fato esta estrutura. Fazem isso indiretamente, através de sociedades.  Em São Paulo, se não me engano, eram cinco famílias, que tomaram o setor na privatização da CMTC. Quando estas empresinhas começam dar muitos problemas, elas fecham e abrem outro CNPJ, com outros sócios. Fornecedores e especialmente funcionários ficam a ver navios. Por falar em funcionários, lembram do que falei sobre os direitos? Pois bem, deixem-me explicar uma coisa que acontecia até com os gerentes do banco, quanto mais com os funcionários. No dia a dia, esses empresários são representados por “gerentões” armados. Se eles não querem atender alguém, e no contato comum todos os funcionários, são esses representantes que cuidam da negociação. Então, por exemplo — isso já ouvi próprios motoristas comentando no Rio — quem vai entrar na justiça pra cobrar direitos, na melhor das possibilidades nunca mais trabalhara em qualquer outra empresa de ônibus. Se encher muito o saco, vai buscar o direito e não volta.

Para quem acha que eu estou exagerando, ficam 2 dicas: procurem noticias sobre assassinatos de sindicalistas de onibus. de vez em quando tem um. E outra: no final do debate de 2004 na rede globo, naquela eleição fatídica em que marta perdeu do josé serra, ela comenta que teve de entrar com colete a provas de balas numa reuniao com empresas de onibus (trabalhei com um cara da alta cupula do governo dela, e ele comentava que ela e o secretario sempre iam de colete, e que os empresarios levavam seguranças armados e que sempre tinham de passar detectores de metais para tirar as armas dos caras).

Enfim, o que eu queria dizer é o seguinte: sei que o Haddad fez mestrado na minha faculdade de Economia, portanto não é de todo inábil com números e devia abrir as tais planilhas de custo. Seria bom puxar um bom auditor pro lado dele, e usar as críticas como legitimação pra rever esse lamaçal todo. Seria uma forma de aproveitar esta pressão contra estas empresas. A não ser que realmente seja só o apoio de financiamento em época de eleição que valha a pena… Em suma, é uma grande máfia, e não vai ser fácil desarmá-la – só que também, se for pra defendê-las, poder-se-ia ter mantido o Serra, certo?

E realmente não são só vinte centavos. Acho que a força desta garotada que está na rua – e que une Istambul, Occupy wallstreet, 15m na Espanha e todos os outros – vem do cansaço de ver todas as decisões importantes de intresse público serem dominadas por grandes interesses de pequenos grupos privados – e em todos os casos, defendidos na porrada por um Estado policialesco.

E pra não dizer que não falei das flores, fiquem com essa pequena pérola de genialidade empreendedora baronesca do imperadores do transporte publico do Brasil. Na Veja, claro, em 1998. (se o setor não dá lucro, porque eles estão tão ricos?)

http://veja.abril.com.br/280198/p_064.html

E sobre um barao especifico (um dos mais poderosos), no Rio de Janeiro. (ps1: parece que é o sogrão do Paes. ps2: vejam quantos sócios ele tem três como em outro baronato, a família comprou uma empresa de aviação).

http://www.milbus.com.br/revista_portal/revista_cont.asp?1448

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0881/noticias/a-dificil-decolagem-do-cla-barata-m0116513

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PASSE LIVRE É VIP! O QUE ACONTECERIA SE O TRANSPORTE PÚBLICO EM SÃO PAULO SE TORNASSE GRATUITO?

Ônibus de graça é um luxo!

Ônibus de graça é um luxo!

Aconteceriam muitas coisas, veja só:

1. A primeira seria a economia de quase todas empresas da cidade que têm empregados. Sem a necessidade de gastar com vale-transporte, o empresário aumenta a sua lucratividade.

2. As madames dos jardins e as pessoas que precisam de serviço doméstico também sairiam ganhando porque também economizariam em torno de 30% no custo do empregado. Seria uma ótima notícia para os bairros nobres,  ainda mais agora que o Brasil da Dilma Rousseff garantiu direitos trabalhistas para as empregadas domésticas.

3. Os trabalhadores em geral e os trabalhadores domésticos também sairiam ganhando porque não se anda de ônibus apenas de casa para o trabalho, mas para muitas outras coisas, inclusive para médicos, escola, lazer, etc. A população teria mais acesso à cultura.

4. Além disso, uma empresa com vários funcionários poderia contratar mais só com a economia do dinheiro do transporte. Bom para as empresas e para quem está desempregado.

5. Com a gratuidade, muita gente que tem carro poderá deixar o carro em casa. Como o sistema é muito ruim, isso com certeza levará algum tempo, mas logo se notará uma melhora no trânsito, com a diminuição do número de automóveis.

6. Diminuindo o número de automóveis, a velocidade aumenta e os congestionamentos diminuem, podendo até acabar. Isso geraria uma economia enorme para a cidade. Melhorando o fluxo, as madames dos jardins e áreas nobres não precisariam pegar o busão, mas andar tranquilamente com seu carrão, sem trânsito. Uau! Que luxo!

7. Isso sem contar com a facilidade e melhora na agilidade do atendimento de ambulâncias, policiais e do corpo de bombeiro.

8. Tudo lindo, mas quem vai pagar a conta? A conta deve ser paga por quem está ganhando. As empresas e os mais endinheirados. É, além de tudo, uma ótima forma de se fazer justiça social, cobrando uma taxa para o transporte público de quem anda de helicóptero, grandes empresas e áreas nobres.

9. Sendo gratuito, os cobradores não seriam mais necessários. Sim, isso geraria desemprego, mas poderá ser absorvido pelos novos empregos que serão gerados, inclusive como motorista de ônibus, visto que será necessário aumentar o número de ônibus com o aumento da demanda.

10. As empresas de ônibus ganhariam muito mais. O número de ônibus seria muito maior para atender a demanda.

11. E mais importante, o transporte público gratuito mudaria uma política que dá errado há mais de 50 anos. Por mais que se faça, o trânsito de São Paulo só piora, mesmo com gastos estratosféricos em ruas, avenidas, rodoanel, pontes, etc, etc. Então, faz muito sentido testar uma alternativa. E se não der certo? Bom, aí empatou.

12. Pensando bem, e por tudo isso, acho que essa proposta é vip e beneficiaria os mais ricos (rs…rs…), mesmo que eles paguem por essa mudança.

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HILARIANTE: DATENA TOMA INVERTIDA DA POPULAÇÃO COM SEU JORNALISMO DEPRIMENTE

NÃO TENHA MEDO, ESSES VÂNDALOS NÃO VÃO MATAR SEU FILHO POR UM CELULAR

9071158927_18b7a09b20Não tenha medo dos protestos, mesmo os mais violentos, com confrontos e quebra-quebra.

Esses vândalos não vão matar seu filho por um celular ou por um par de tênis.

Esses vândalos são de outra ordem, não escolheram o crime individualista e dentro da lógica da acumulação.

Esses vândalos estão aí porque as coisas precisam mudar e numa velocidade maior.

Esses vândalos podem salvar seu filho dos futuros crimes que essa desigualdade enorme produz.

Ninguém é a favor de depredações, destruição, confronto, mas também não dá para aguentar esse discurso patético na televisão de que são uma minoria de vândalos.

Não dá para ter uma manifestação de carneirinhos, seguindo os caminhos e as orientações de quem controla o poder e de seu aparelho repressor.

Um protesto de carneirinhos e nada é a mesma coisa.

As depredações e conflitos muitas vezes são revolta, não crime.

Exceto se tiverem policiais infiltrados como se suspeita em São Paulo.

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ATÉ CACO BARCELLOS, UM DOS MELHORES PROFISSIONAIS DA REDE GLOBO, É EXPULSO SEM TRÉGUA DA MANIFESTAÇÃO

LÍDERES DO MOVIMENTO PASSE LIVRE DIZEM NO RODA VIVA QUE ESTÃO NO CAMPO DA ESQUERDA E QUEREM UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA

Captura de tela de 2013-06-18 11:23:42A entrevista com dois dos líderes do Movimento Passe Livre (MPL) no Roda Viva da TV Cultura foi marcada por uma postura comedida dos entrevistados. O programa entrevistou a estudante de direito Nina Cappello e o professor de História Lucas Monteiro de Oliveira. Lucas deixou claro que o MPL está no campo das esquerdas e que o movimento busca uma sociedade igualitária.  Para Nina, o MPL é um movimento social que luta pelo transporte público. Semelhante à estrutura de organização do MST (Movimento dos Sem Terra), eles dizem que não tem liderança e procuram atuar de forma horizontal.

Apesar de muitas perguntas sofríveis por parte dos jornalistas da grande mídia, foi possível perceber que os integrantes estavam bastante cautelosos e bem preparados com algumas perguntas mal intencionadas. Eles também afirmaram que a cidade precisa de uma transformação, para que não impeça a circulação das pessoas da periferia. O movimento tem um projeto de lei, de iniciativa popular, propondo o transporte público com tarifa zero, para que as pessoas (da periferia) possam se apropriar da cidade.

Veja vídeo abaixo:

MANIFESTANTES GRITAM: ‘GLOBO FASCISTA, SENSACIONALISTA!’ NA PRÓPRIA REDE GLOBO

RICARDO BOECHAT: ‘VANDALISMO É O CACETE! VANDALISMO É MATAR MEU FILHO NUM HOSPITAL PÚBLICO’

REDE GLOBO RETIRA LOGO DA EMPRESA DE MICROFONES COM MEDO DE HOSTILIZAÇÕES DURANTE PROTESTOS PELO BRASIL

Do Vi o Mundo/ dica do Gustavo Costa

O Jornal Nacional noticiou nesta segunda-feira que os manifestantes gritaram palavras de ordem contra a TV Globo ao longo da marcha.

Eles se concentraram na ponte estaiada, sobre a marginal do rio Pinheiros, frequentemente mostrada nos estúdios da Globo localizados nas proximidades.

Aparentemente por precaução, repórteres da emissora não usaram o cubo que identifica a TV quando estavam próximos dos manifestantes.

A transmissão ao vivo foi feita a partir de um helicóptero.

Veja explicações de Patrícia Poeta no JN aos protestos contra a Globo:

Veja mais:

 

 

REPÓRTER DA REDE GLOBO TEM DE IR EMBORA, APÓS MAIS PROTESTOS CONTRA A EMISSORA

EI, REAÇA, VAZA DESSA MARCHA!

Ei, reaça, vaza dessa marcha!

Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil… Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas.
Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso…

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ACORDA GOVERNISTA: HADDAD SEGURA BATATA QUENTE PORQUE QUER; ÁLVARO DIAS APROVEITA PARA VAIAR E ALCKMIN, PARA BATER

Pobres vaiam Dilma em Brasília

Pobres vaiam Dilma em Brasília

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, segura a batata quente da insatisfação popular e da juventude porque quer. Ele pode rapidamente, com o corpo técnico que tem e com a experiência do PT desde a gestão Luiza Erundina, elaborar um belo projeto de transporte público gratuito, com uma taxa para as classes privilegiadas bancar parte dos custos, e mandar para a Câmara de Vereadores.

Isso acabaria a conversa com ele. A briga agora seria na Câmara. É quase certo que os vereadores, na composição atual, não aprovariam o projeto, mas a pressão seria grande em cima deles. E se aprovassem? Sensacional, Haddad poderia fazer uma verdadeira revolução nos transportes públicos de São Paulo. Será que Haddad teria cacife para isso? Provavelmente não. O PT se tornou muito burocrático e menos utópico nos últimos anos.

Tem até petista chamando os manifestantes de vândalos, assim como os piores nomes do tea party brasileiro. Álvaro Dias aproveita para vaiar Dilma Rousseff junto com os privilegiados do DF enquanto Geraldo Alckmin solta a borracha em São Paulo. Cada um lida com a insatisfação como pode ou como quer. Talvez o PT não possa fazer mais o que um dia já fez.

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