Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 17 junho, 2013

EI, REAÇA, VAZA DESSA MARCHA!

Ei, reaça, vaza dessa marcha!

Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil… Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas.
Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso…

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ACORDA GOVERNISTA: HADDAD SEGURA BATATA QUENTE PORQUE QUER; ÁLVARO DIAS APROVEITA PARA VAIAR E ALCKMIN, PARA BATER

Pobres vaiam Dilma em Brasília

Pobres vaiam Dilma em Brasília

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, segura a batata quente da insatisfação popular e da juventude porque quer. Ele pode rapidamente, com o corpo técnico que tem e com a experiência do PT desde a gestão Luiza Erundina, elaborar um belo projeto de transporte público gratuito, com uma taxa para as classes privilegiadas bancar parte dos custos, e mandar para a Câmara de Vereadores.

Isso acabaria a conversa com ele. A briga agora seria na Câmara. É quase certo que os vereadores, na composição atual, não aprovariam o projeto, mas a pressão seria grande em cima deles. E se aprovassem? Sensacional, Haddad poderia fazer uma verdadeira revolução nos transportes públicos de São Paulo. Será que Haddad teria cacife para isso? Provavelmente não. O PT se tornou muito burocrático e menos utópico nos últimos anos.

Tem até petista chamando os manifestantes de vândalos, assim como os piores nomes do tea party brasileiro. Álvaro Dias aproveita para vaiar Dilma Rousseff junto com os privilegiados do DF enquanto Geraldo Alckmin solta a borracha em São Paulo. Cada um lida com a insatisfação como pode ou como quer. Talvez o PT não possa fazer mais o que um dia já fez.

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SENSACIONAL: ENTREVISTA COM LÚCIO GREGORI SOBRE A VIABILIDADE E NECESSIDADE DO TRANSPORTE PÚBLICO GRATUITO

Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes de São Paulo

Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes de São Paulo

Bons tempos aqueles que o PT tinha utopia e tentava colocar em prática essa utopia.

A entrevista de Lúcio Gregori, apesar de longa, é essencial para entender o Movimento Passe Livre. Lúcio Gregori foi secretário de Transporte de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, na virada dos anos 80 para 90. Naquela ocasião, tentou implantar um sistema gratuito, mas Lúcio estava muito além do seu tempo. A pressão contra a prefeitura foi enorme. O governo de Luiza Erundina foi atacado de todas as formas pela mídia, por juristas conservadores e pelas empresas de ônibus.

Naquele momento faltava o apoio popular, manifestações de rua, o povo pedindo para mudar. Agora talvez seja a hora e o momento para mudar totalmente, tentar, inovar, criar, mas a utopia pode ter morrido dentro do reformismo do PT.

A Erundina não tem bola de cristal, mas se tivesse um pouco mais de tolerância, seria a vice-prefeita da cidade com o histórico de Lúcio Gregori.

Veja a entrevista de Lúcio Gregori para o documentário Impasse, mas deveria se chamar Lúcido Gregori.

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