Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Diários: 23 junho, 2013

OS GOVERNOS DE LULA E DILMA ROUSSEFF E A ORIGEM DO ÓDIO DA CLASSE MÉDIA

SEM BASE

Por Guilherme Boneto
Especial para o Educação Política

A Classe média e Dilma

A Classe média e Dilma

Grande parte da classe média de São Paulo não pensa o Brasil. Trata-se de um fato lamentável, porém real e palpável: a média-elite crê piamente que a política deve beneficiá-la, e tão somente a ela. Vê como bom gestor apenas o governante que maquia, reforma locais públicos, deixa a cidade mais bonita, que afasta os viciados em crack da Estação da Luz e atira bombas de gás lacrimogêneo para liberar a Avenida Paulista à passagem de automóveis. A classe média é terrivelmente classista. Não se importa com a periferia, com os pobres, com a fome, com a exclusão social. Seus membros acreditam que tudo pode ser conquistado à base de muito trabalho, e trava esse diálogo horroroso no intervalo para o cafezinho de todas as manhãs no escritório. De igual modo, ela acha que as universidades públicas devem estar à disposição de quem estuda e se esforça para passar no vestibular, e se posiciona categoricamente contra cotas. Acredita ser a infeliz mantenedora dos programas sociais do governo federal, pagos com seus impostos tão duramente conquistados. E ao final de cada dia, assiste ao programa do Datena e ao Jornal Nacional, para se manter bem informada.

Cansa ser de classe média, paulista, e se posicionar à esquerda. É uma batalha travada a cada dia, e se perde muito. Torna-se necessário lutar contra uma convicção horrível, egoísta, preconceituosa e terrivelmente elitista, contra um pensamento sem base, espelhado numa reflexão sem visão de mundo, sem visão do que é o Brasil. Resumido em fatos, nosso país é uma imensa nação, que hoje, caminha para se tornar majoritariamente de classe média. Ao assumir a presidência, em 2003, Lula enxergou nos pobres a base de um desenvolvimento sólido, a ser construído no longo prazo. Criou programas de inclusão social reconhecidos em todo o mundo, exceto em São Paulo. Tornou lei as cotas para negros, pardos e alunos de escolas públicas, e criou o PROUNI – ambos são, hoje, uma porta de entrada para os pobres na universidade. Lula – e Dilma, em menor escala – tirou da pobreza nada menos que trinta milhões de brasileiros, um bando de vagabundos, sob a concepção da classe média.

São Paulo faz questão de não enxergar o que está diante do nariz. O Brasil não se parece com São Paulo, um Estado rico, onde há oportunidades para todos, salários melhores com qualidade de vida equiparável a determinadas nações europeias. O pensamento médio-classista crê que todos os brasileiros têm as mesmas chances dos paulistas, que graças às excelentes e sucessivas gestões do PSDB, assistem a uma sistemática piora em vários setores sociais, entre eles a educação e a segurança pública. Não há escritórios no sertão da Paraíba. Não há bons colégios nos confins do Maranhão. Nem computadores para distribuir currículos no extremo norte de Minas Gerais. Essas regiões precisam de incentivos. O que Lula fez, e o que Dilma segue fazendo, é alterar toda a estrutura social do Brasil, e isso é o que revolta a classe média em São Paulo. Não será preciso esperar muito mais para ver os resultados dessa política. Hoje, já é difícil encontrar trabalhadores braçais. Não há pedreiros, empregadas domésticas, encanadores, eletricistas, pintores. Quando se encontra um, o valor cobrado é alto e justo, por um trabalho difícil e custoso. Que horror! Onde estão as mocinhas dispostas a limpar a casa e cuidar das crianças por um salário mínimo? Agora querem estudar! Com o nosso dinheiro!

Essa gente odeia o Brasil de Lula e Dilma, porque a proposta dos governos do PT não é maquiar o país ou expulsar os viciados em crack do entorno da Estação da Luz, mas causar mudanças no conteúdo, e não na forma. As conquistas dos governos progressistas que o Brasil teve a felicidade de eleger estão aí, visíveis. A mesma classe média que sofria à época de FHC hoje pode comprar um automóvel próprio, viajar de avião, financiar o primeiro imóvel. Mas a classe média pode fazer isso mais do que os pobres. Porque ela trabalha duro nos escritórios aqui de São Paulo, e mexe o dia todo com papéis entre uma crítica a Lula e outra a Dilma. Críticas são louváveis, porém quando não há base para sustentá-las, elas se transformam nas mais escabrosas manifestações de raiva, como a que ocorreu recentemente em Brasília, na abertura da Copa das Confederaçõs, com as vaias direcionadas à presidente da República. Estão achando lindo. Mais lindo será daqui a dez ou quinze anos, quando a sociedade começar a colher os primeiros frutos do trabalho árduo que o PT vem realizando em nosso país. A ver.

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“VANDALIZE-SE”: SOBRE A VIOLÊNCIA CATÁRTICA DOS PROTESTOS

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Por Maura Voltarelli

Especial para o Educação Política

Desde o início dos protestos que tomaram as ruas do Brasil e mudaram a rotina dos brasileiros, diversos foram os discursos da mídia e diversos foram os tons do protesto. O MPL (Movimento Passe Livre) formado por jovens, com propostas de esquerda que buscavam reduzir as desigualdades e promover a conquista do espaço urbano pela população da periferia, fizeram a aposta inicial na insatisfação da população e atraíram multidões às ruas pedindo a revogação do aumento da passagem de ônibus na cidade de São Paulo.

Foi assim que tudo começou. Os começos são essenciais para entender qualquer grande movimento político e histórico e este começo que contamos aqui, brevemente, foi marcado por uma postura bastante elitista e superficial da grande mídia. Os manifestantes (MPL e adeptos das pautas de esquerda, veja, falamos esquerda, não de um ou outro partido, mas de esquerda, e isso deve ficar claro) eram vândalos, baderneiros, inimigos da ordem, obstáculos ao trânsito daqueles com dinheiro para comprar um carro, que não precisam andar de ônibus, obviamente.

Esses manifestantes foram violentamente reprimidos pela polícia paulistana, herdeira em quase tudo das práticas da ditadura militar no Brasil. Mas, a essa altura, o MPL ultrapassou o próprio MPL. Muita gente se indignou, se identificou, e aí o movimento teve belos momentos porque plurais e livres. A mídia já começou a mudar o discurso. A maioria pacífica e uma pequena minoria violenta, cheia de vândalos, foi a fórmula, exaustivamente repetida, encontrada pela grande mídia para (tentar) definir  (e de certa forma controlar) os protestos.

Imagem: Divulgação

Depois disso, MPL tendo conquistado a sua reivindicação, a esquerda do início se retirou e quem sobrou nas ruas foram aqueles que na fase mais bonita já começavam a aparecer mas ainda não eram maioria. Agora eles são. E há que se dizer, são de direita, pois defendem pautas conservadoras, de manutenção das desigualdades e medidas historicamente totalitárias como o fim dos partidos políticos, o que significa também o fim da democracia.

Esse tipo de protesto que tem se visto agora pelas ruas facilmente se deixa rotular pela grande mídia, pois eles se parecem muito com ela. Desses protestos não se salva nada, nem a insatisfação pois ela jamais existe à serviço de uma coletividade. Tudo acontece com o fim em si mesmo.

Já os protestos anteriores, que não tinham um partido específico mas tinham uma ideologia, coisa que os atuais não possuem, eram escorregadios e incrivelmente sedutores. Os vândalos lá eram magníficos e as depredações de bancos e grandes empresas multinacionais que transbordam exploração por todos os poros eram no mínimo catárticos.

Imagem: Divulgação

E, embora apareça só agora, foi esse o objetivo deste texto. Dizer que o Brasil viveu um momento catártico graças aos jovens do MPL e graças a toda uma população que ainda é utópica, que ainda consegue ser realmente de esquerda, e isso não é nada fácil.

Essa crítica insistente da mídia ao vandalismo do início dos protestos foi um sinal de medo, apavoramento. Isso porque as verdadeiras insurreições assustam, pela expressão da sua força. Todas as grandes revoluções têm atos de violência catártica, o que é diferente da violência pela violência que vemos agora, onde não há mais a ideologia autêntica do começo.

A revolução precisa alterar o espaço, intervir nele, encher os muros de símbolos para que, no outro dia, sob a luz do novo, o mundo seja literalmente outro e o universo tenha mudado, tenha cedido em sua incrível mudez, tenha ele também se vandalizado!!

Imagem: Divulgação

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