Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos Mensais: agosto 2013

QUE HORROR: VEJA O NÍVEL DA COMENTARISTA MARISTELA BASSO NO JORNAL DA TV CULTURA

O vídeo é longo. Mas posicione nos 35 minutos para ver o comentário sobre a Bolívia da professora de Direito Internacional da USP.

TV Cultura Tucana: Maristela Basso atinge o fígado

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O BRASIL ENVERGONHA O MUNDO: MÉDICOS CUBANOS SÃO HOSTILIZADOS EM FORTALEZA

VÍDEO: COMO VAI FICAR A INTERNET PARA O USUÁRIO SEM A NEUTRALIDADE DA REDE

DA SÉRIE OBRA-PRIMA: KATE BUSH, SUA INSUPERÁVEL WUTHERING HEIGHTS E ALGUMAS INTERPRETAÇÕES

COMEDIANTE CHRISTINA BIANCO IMITA 19 DIVAS DA MÚSICA COM A CANÇÃO ‘TOTAL ECLIPSE OF THE HEART’

VÍDEO: MARCO CIVIL E NEUTRALIDADE NA INTERNET SÃO FUNDAMENTAIS PARA GARANTIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

LEGISLAÇÃO FEDERAL DEVERIA GARANTIR QUE SÓ PARLAMENTARES QUE ASSINAM A CRIAÇÃO DE CPI POSSAM INTEGRÁ-LA

Protesto Rio

CPI amigo da onça

É necessária uma legislação federal para garantir que somente os vereadores, deputados e senadores que assinam a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) possam ser indicados em cargos na comissão.

Não é possível que parlamentares que tentam bloquear uma CPI e não conseguem, passam a ser indicados para cargos da comissão que combateram, ainda mais para cargos como o de presidente e relator. Eles não deveriam participar nem como membros.

Legislação federal deveria garantir que: caso nenhum deputado de determinado partido político tenha assinado, esse partido ficaria impedido de indicar membros, independente da quantidade de representantes no parlamento.

Essa nova legislação poderia impedir situações realmente esdrúxulas como as da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em que parlamentares que não assinaram a CPI dos Ônibus e que têm ligações com as empresas do setor, ocuparam cargos na CPI.

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UM MILHÃO DE ACESSOS NO BLOG EDUCAÇÃO POLÍTICA: OBRIGADO LEITORES, COLABORADORES E INTERNAUTAS

Educação Política

Números de hoje à tarde

O Blog Educação Política atingiu hoje a marca, pode-se dizer histórica, de 1 milhão de acessos.

E esses números só foram possíveis com a participação especial e importante de colaboradores, leitores, comentaristas e compartilhadores nas redes sociais.

O blog Educação Política nunca se pautou pela audiência fácil e sensacionalista e, por isso, essa marca é muito importante.

E pretendemos continuar assim, muitas vezes nadando contra a corrente, principalmente quando temos a convicção de que a corrente está na vereda equivocada.

Procuramos manter a abordagem independente, apartidária, mas nunca apolítica, reconhecendo e mostrando as diferenças de resultados de políticas públicas.

 

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PARA AQUELES QUE (NÃO) ENTENDERAM ULISSES

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Por Maura Voltarelli
Especial para o Educação Política

Ulisses, de James Joyce, é um dos romances mais importantes da literatura moderna. Talvez por isso também seja um dos mais difíceis. A jornada de Leopold Bloom pelas ruas de Dublin que começa de manhã, quando ele está saindo para o trabalho, e termina à meia noite do mesmo dia 16 de junho de 1904, surge diante dos leitores como uma epopeia complexa, onde os fluxos de consciência, as mudanças de espaço e tempo, as experimentações com a linguagem, atuam em conjunto para reforçar a densidade da narrativa.

No entanto, o clássico de James Joyce segue fascinante e instigante por diversos motivos. Mesmo complexo, o romance atrai os leitores pela ousadia de compor uma “odisseia moderna”, onde os capítulos fazem referência aos cantos do clássico texto atribuído a Homero, e também pela beleza das cenas narradas, pela estética totalmente original da obra, e pelo belíssimo último capítulo onde o monólogo de Molly Bloom, a nova Penélope, ganha forma em níveis altíssimos de expressividade do feminino e do humano em suas angústias e esperas.

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Por tudo isso, e para aqueles que compreendem e não compreendem o Ulisses, de Joyce, mas, principalmente, para continuar colocando essa obra literária em movimento, o norte-americano Robert Berry adaptou, com a ajuda de Josh Levitas, para a graphic novel Seen a obra joyceana. Seen foi desenvolvida para ser uma plataforma exclusivamente on-line. O objetivo do criador da versão em quadrinhos do romance é fazer com que ela acompanhe a leitura da obra, servindo de guia, de facilitador ou simplesmente de complemento.

Dessa forma, para os que leram o romance, para os que não leram, ou para aqueles que abandonaram a leitura, a versão em quadrinhos surge sempre como uma alternativa que não substitui a obra, mas que a recria em diferentes suportes sempre bem vindos.

Até agora quatro capítulos foram lançados na internet. O trabalho deve estar completo até 2022, totalizando 2300 páginas de quadrinhos. Depois de tantos desenhos, o mistério de Ulisses ainda deve persistir, no entanto, ele ao menos estará contaminado de uma boa dose de humor e novos símbolos, de modo que teremos um Bloom ainda mais múltiplo e uma Molly ainda mais fascinante!

Confira nesta link os capítulos já publicados:

http://jamesjoyce.ie/category/ulysses-seen-graphic-novel/

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UM BOM TROTE NA PRIMEIRA AULA DO CURSO DE DIREITO

sala de aula

Primeira aula

Primeiro dia de aula, o professor de ‘Introdução ao Direito’ entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
– Qual é o seu nome?
– Chamo-me Nelson, Senhor.
– Saia de minha aula e não volte nunca mais! – gritou o desagradável professor.
Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
– Agora sim! – vamos começar .
– Para que servem as leis? Perguntou o professor – Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
– Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
– Não! – respondia o professor.
– Para cumpri-las.
– Não!
– Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
– Não!
– Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
– Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.
– Até que enfim! É isso, para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo:
– Para salvaguardar os direitos humanos…
– Bem, que mais? – perguntava o professor .
– Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem…
– Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:
“Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?”
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
– Quero uma resposta decidida e unânime!
– Não! – responderam todos a uma só voz.
– Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
– Sim!
– E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais!
Vá buscar o Nelson – Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.(Do facebook de Abimael Costa)

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‘MOENDO GENTE’, ESPECIAL JORNALÍSTICO QUE MOSTRA A INDÚSTRIA DA CARNE, ESTÁ ENTRE OS FINALISTAS DE PRÊMIO NA ALEMANHA

Do Repórter Brasil

FrigoríficoO especial Moendo Gente, investigação jornalística produzida pela Repórter Brasil sobre cadeias produtivas e condições de trabalho nos principais frigoríficos brasileiros, ficou entre os cinco finalistas na categoria América Latina do prêmio German Development Media Awards (em inglês), um dos mais tradicionais da Alemanha. O trabalho dos jornalistas André Campos e Carlos Juliano Barros revelou problemas nas cadeias produtivas de algumas das maiores redes globais de alimentos, incluindo redes de fast food como McDonald’s, Yum! Brands, Subway e Burger King, e distribuídores globais como Walmart, Carrefour, Tesco, Metro, Kroger, Lidl, Costco, Walgreens, Aldi e Target, estádisponível também em inglês. A investigação aborda problemas na produção dos grupos BRF, JBS e Marfrig, os principais exportadores de carne do Brasil.

O prêmio existe desde 1975 e conta com apoio do Ministério Alemão para Economia, Cooperação e Desenvolvimento. Sua realização é feita pela rede de mídia alemã Deutsche Welle. Na página especial sobre a premiação (em inglês), há links para o trabalho de todos os finalistas e os vencedores das diferentes categorias.

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GERALDO ALCKMIN SENSACIONAL: DISSE QUE IA SE INFORMAR EM 2011 E PROCESSA UMA ÚNICA(?) EMPRESA POR CARTEL(?) EM 2013

“EU SOU UMA ESCRAVA DO FORA DO EIXO”: O RELATO DE DRÍADE AGUIAR, SOBRE BEATRIZ SEIGNER

Veja abaixo a resposta de uma das integrantes do Fora do Eixo a Beatriz Seigner, no texto Fora do Fora do Eixo.

Eu sou uma das escravas do Fora do Eixo

Fora do Eixo

Dríade Aguiar, ao centro

Você que vai ler este texto provavelmente não me conhece. Eu sou a Dríade Aguiar e tenho 23 anos. Sou negra e nasci na periferia de Cuiabá. Hoje moro na Casa de Brasília, vivendo o Fora do Eixo, grupo ao qual pertenço desde os 16. Por dois anos morei na Casa de São Paulo, onde conheci e convivi por quase um ano com a Beatriz Seigner. A quem eu já tive como uma amiga.

Faz vários dias que estou escrevendo este texto. E pensando se devo ou não publicá-lo. Depois de tudo que tenho visto nos últimos dias, decidi que não vou ficar mais com essa angústia guardada só pra mim.

Eu sou uma das escravas do Fora do Eixo. A Beatriz não, ela é alta, branca, bonita e vem de uma família de elite. Por isso ela pode escolher. Ela sabe o que quer. E por isso pode dizer que eu sou apenas uma escrava que segue ordens de um líder de uma seita. Por isso talvez em breve ela apareça na capa da Veja, como a moça corajosa que denunciou os bárbaros do Fora do Eixo. E salvou os escravos que agora poderão ser seus assalariados, no máximo assistentes de sua direção.

Tô impressionada como algumas pessoas passaram a nos atacar a partir de um relato repleto de invenções fraudulentas de alguém que eu ja achei que foi parceira. De alguém com quem trabalhei lado a lado por quase um ano de graça, sem receber nada dela, fazendo planos de comunicação pra divulgar seu filme e ajudando a agendar exibições. E ao mesmo tempo, quando ela ficava tempo o suficiente perto, dividindo pensamentos, ouvindo música, fazendo rango e planejando junto.

A Beatriz entrava na nossa casa na hora que bem entendia. E ficava o quanto desejava. Quem conhece nossas moradias coletivas sabem que elas são abertas, que tem sempre um monte de gente nelas. Que todos podem entrar e sair a qualquer momento.

Aliás, a Beatriz não fala no texto dela, mas ela teve uma relação com um dos moradores. Não era um namoro, era um outro status, mas teve. E agora ela e a Laís vêm dizer que quem mora na casa do Fora do Eixo só pode ficar com quem é de lá. Como assim? Ela não era da casa e ficava com um morador de lá. Mas isso não interessava dizer. O que importavam era nos transformar em monstros.

Como alguém pode ter guardado tanta mágoa e não se incomodar nem um pouco em mentir loucamente pra acabar com um projeto? Um projeto de vida. Sim, eu vivo no Fora do Eixo porque eu quero, porque gosto, porque tenho feito coisas que nunca faria se não estivesse nele.

Já li muitas vezes o seu texto Beatriz. Umas quinze, vinte vezes. E sempre paro no ponto onde você nos chama de escravos pós-modernos. Se alguém escravizou alguém nessa história foi você. Eu investi minha força de trabalho, trabalhei pra você sem cobrar nada pensando que éramos parceiras, que estava construindo algo pro cinema e pros cineclubes brasileiros.

Você tem coragem de dizer na minha cara que eu não dei um duro danado para divulgar o seu trabalho? Tem coragem de dizer na minha cara que não éramos parceiras? Tem coragem de dizer na minha cara que eu não fiz um plano de comunicação que levou o seu filme a ser exibido em lugares que ele nunca iria passar nem perto?

Eu adoraria poder te dizer um monte de coisas frente a frente. Se você é tão corajosa assim pra nos difamar, pra nos chamar de escravos, porque você não aceita um debate franco sobre o nosso projeto de cultura? Porque não expõe de forma clara sua lógica financista de cultura? Porque não diz claramente que se acha artista e que por isso tem que ganhar muito mais que eu pra manter seu status quo?

Beatriz, você poderia ser mais honesta. Poderia dizer que tudo que você decidiu “denunciar” não tem a ver só com o que fazemos ou com o que você diverge das nossas propostas. Tem a ver com outras questões subjetivas. E você misturou tudo pra tentar acabar com um projeto.

Você está sendo mimada e egoísta, Beatriz. Pense nisso. E como você tá dizendo que não debate com o Pablo, que tal debater comigo? Que sou apenas uma escrava. Uma escrava pós-moderna.

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TEM SOLUÇÃO? ESTADOS BRASILEIROS AINDA RESISTEM EM CUMPRIR A LEI DO PISO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

TABELA COM O PISO DO MAGISTÉRIO POR ESTADO.

 Saiba quais estados brasileiros não respeitam a Lei do Piso
tabela piso salarial maio 2013
Uma das principais lutas dos trabalhadores da educação brasileira, a Lei Nacional do Piso do Magistério, promulgada em 2008 (Lei 11.738/08), ainda não é respeitada por 07 estados brasileiros. E outros 14 estados não cumprem integralmente a lei, o que inclui a hora-atividade, que deve representar no mínimo 1/3 da jornada de trabalho do professor.
Apenas Acre, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco e Tocantins cumprem a lei na totalidade.
Confira a tabela.
Não pagam o piso:
Alagoas, Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul. 
Não cumprem a lei na íntegra: Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, São Paulo, Santa Catarina e Sergipe. 
Cumprem a lei na totalidade: Acre, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco e Tocantins. 
Não informado: Rio de Janeiro.
Abaixo, a tabela de salários do magistério nos estados atualizada.
Em relação à tabela acima, importante destacar:
1. O piso nacional do magistério corresponde à formação de nível médio do/a professor/a, e sua referência encontra-se localizada na coluna “Vencimento” da tabela.
2. Os valores estabelecidos para a formação de nível superior são determinados pelos respectivos planos de carreira (leis estaduais).
3. A equivalência do piso à Lei 11.738, nesta tabela, considera o valor anunciado pelo MEC para 2012 (R$ 1.451,00). Para a CNTE, neste ano, o piso é de R$ 1.937,26, pois a Confederação considera (i) a atualização monetária em 2009 (primeiro ano de vigência efetiva da norma federal), (ii) a aplicação prospectiva do percentual de reajuste do Fundeb ao Piso (relação ano a ano); e (iii) a incidência de 60% para pagamento dos salários dos educadores, decorrente das complementações da União feitas através das MPs nº 484/2010 e 485/2010.
4. Nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais, as remunerações correspondem ao subsídio implantado na forma de uma segunda carreira para os profissionais da educação. Os valores integram vantagens pessoais dos servidores, e os sindicatos da educação cobram a aplicação correta do piso na carreira do magistério.
5. Na maioria dos estados (e também dos municípios), a aplicação do piso tem registrado prejuízos às carreiras do magistério, ofendendo, assim, o dispositivo constitucional (art. 206, V) que preconiza a valorização dos profissionais da educação por meio de planos de carreira que atraiam e mantenham os trabalhadores nas escolas públicas, contribuindo para a melhoria da qualidade da educação.
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AS NOITES BRANCAS DE DOSTOIÉVSKI NO MUSEU LASAR SEGALL

Imagem: Divulgação

Lasar Segall (1891-1957). Dostoiévski, c. 1927. Xilogravura sobre papel. Coleção Museu Lasar Segall/Ibram/Minc

Por Maura Voltarelli
Especial para o Educação Política

As palavras escritas muitas vezes precisam se completar em imagens. Talvez por um movimento natural de ganharam plasticidade, vida, uma certa materialidade para além do infinito da imaginação.

Grandes escritores, com densos romances, repletos de personagens ambíguos e fascinantes, são capazes de gerar representações únicas. É o caso do escritor russo Dostoiévski que teve algumas de suas histórias ilustradas por grandes nomes do expressionismo alemão e também por artistas brasileiros como Oswaldo Goeldi e Lasar Segall.

Uma exposição chamada “Noites Brancas: Dostoiévski ilustrado”, com curadoria do professor de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, Samuel Titan, ficou em cartaz no Museu Lasar Segall, em São Paulo, com o objetivo de aproximar do público diversas gravuras e desenhos feitos a partir da obra do autor de Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov.

Foram reunidas 44 obras de 22 artistas que não se centram apenas nos romances mais conhecidos de Dostoiévski. Lasar Segall e Otto Möller, por exemplo, retratam em seus desenhos a novela Uma criatura dócil, de 1876.

Em todos os desenhos, apesar das especificidades de cada um, o curador lembra ser constante a presença do preto e do branco, por isso o nome para a exposição, “noites brancas”. Ao mesmo tempo, noites brancas parece ser uma inteligente metáfora para a obra do escritor russo, que mergulha nas trevas da sociedade e do homem, da espiritualidade e do amor, para depois trazê-las à tona.

As figuras são noturnas, dão a impressão de conduzir para regiões de sombra, não muito distantes das recordações, dos crimes, do subsolo, das criaturas sem nome que Dostoiévski coloca diante de nós e que agora podemos ver em novas representações de artistas que viram em sua literatura diversos motivos para continuar recriando-a.

Xilogravura de Oswaldo Goeldi

Xilogravura de Oswaldo Goeldi

Oswaldo Goeldi também reforça o tom noturno da exposição com gravuras das quatro edições ilustradas – O idiota, Recordações das casas dos mortos (1862), Humilhados e ofendidos (1861) e Memórias de um subsolo – que o artista fez em 1944 para a editora José Olympio, no Rio de Janeiro.

Entre artistas alemães e brasileiros, as gravuras parecem nos revelar outros detalhes, elementos e tons do escritor russo de interpretações inesgotáveis.Uma forma de lê-lo além das páginas da literatura e da crítica.

O ciclo Dostoiévski e o cinema, que conta com a exibição dos longas Os irmãos Karamazov (1958), de Richard Brooks, Crimes e pecados (1989), de Woody Allen, Partner (1968), de Bernardo Bertolucci, Nina (2004), de Heitor Dhalia, entre outros, continua aberto ao público até 25/08.

Serviço:

Dostoiévski e o cinema
Onde:
Museu Lasar Segall – Rua Berta, 111 – São Paulo (SP)
Quando: 03/08 a 25/08, sábados e domingos, às 14h
Quanto: gratuito
Info.: (11) 2159.0400 ou http://www.museusegall.org.br/


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polícia e tráfico

O vício da guerra

Não há lei nas delegacias de polícia do Brasil. E também raramente há leis nas abordagens policiais.

Nas últimas semanas, com a cobertura da grande imprensa, forçada pela cobertura da internet, o Brasil assiste aos métodos de tortura e assassinato da polícia que se iniciaram na ditadura e até hoje persistem.

Paraná, São Paulo, Rio, Minas Gerais, etc. Por todo Brasil há casos de tortura e assassinato na mãos de policiais, mesmo após mais de duas décadas depois do fim do regime criminoso que durou até a eleição de Fernando Collor de Mello.

Certa vez, um amigo foi abordado por um policial militar na linha vermelha do Rio de Janeiro, tentou conversar. Ao citar uma legislação que conhecia, o policial ficou enlouquecido com um discurso de que “o policial também é a lei, o juiz não está na rua”. Esse é o slogan de regimes fascistas, mas é o que se ouve ainda hoje. Meu amigo se calou porque não sairia vivo se continuasse a argumentar.

Policiais honestos e democratas, quando denunciam colegas, são fuzilados, assim como são fuzilados pobres, pretos e prostitutas pelas periferias de São Paulo e do Brasil.

A guerra do tráfico impede que os policiais ajam de forma mais civilizada. Eles estão o tempo todo em guerra, percorrendo ruas, enfrentando um inimigo em qualquer canto. É quase impossível ter uma polícia mais democrata e respeitadora do cidadão na situação de rua em que são colocados os policiais. Eles agem com o cidadão comum, muitas vezes, em estado de guerra. Na periferia é a própria guerra. Daí as “justificativas” do sequestro e da tortura que deveriam ser atividades exclusivas de “foras da lei”.

A guerra contra as drogas alimenta a ideologia do Estado de violência, que funciona como um narcótico. Quanto mais viciado, mais violência policial precisa. E assim, esse estado vai produzindo, em cada esquina, os Amarildos da vida e a execução das famílias de policiais.

É uma overdose e o vício aumenta. Os grupos de poder alimentam a necessidade de mais armas, mais munição, mais prisões, como uma droga sem fim. Na base, o soldado que vai para a rua é o grande viciado e sem luz no fim do túnel.

As consequências desse estado de guerra, provocado pela desigualdade perversa e pela criminalização das drogas, é uma polícia que não consegue e nunca vai chegar ao Estado de Direito.

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PROTESTOS PODEM TIRAR DA MÃO DE PARTIDOS CONSERVADORES OS DOIS PRINCIPAIS ESTADOS DO BRASIL, SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO

Sérgio Cabral HelicoperoMuita gente se assustou com os protestos de junho e muita gente tentou se aproveitar deles.

Depois de dois meses, a poeira baixou um pouco e parece que os dois principais estados do país, São Paulo e Rio de Janeiro, estão com os protestos mais intensos e com alvos mais definidos: os governos conservadores e autoritários de Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral.

O governo Alckmin foi a pólvora dos protestos, com um discurso beligerante e a brutalidade com que reprimiu os protestos em junho; e Sérgio Cabral, com suas estripulias com empreiteiros em Paris, o abuso, privilégios e violência policial no estado.

Essa estabilização dos protestos, além dos escândalos desses governos tanto na questão policial (sumiço de Amarildo no Rio de Janeiro e o descalabro da segurança pública em São Paulo), deve facilitar a troca de poder nos dois estados.

Os governos do Rio e São Paulo poderão ter governos mais progressistas nas próximas eleições se esses protestos se concentrarem nesses dois estados, ainda mais em São Paulo diante dos escândalos de corrupção tucano no Metrô.

PT no Rio e em São Paulo e Psol  no Rio podem ter reais chances de vitória.

Se isso acontecer, essa será a maior derrota do pensamento conservador desde a ascensão de Lula ao poder. Os governos progressistas estariam nos principais centros econômicos.

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MÍDIA NINJA NO RODA VIVA É UM EXEMPLO DA DIFICULDADE DOS JORNALISTAS DE ENTENDER A REALIDADE PÓS-PROTESTOS

Mídia NinjaA entrevista de Bruno Torturra e Pablo Capilé no Roda Viva é um exemplo vergonhoso de como é feito o jornalismo da grande mídia. No início houve uma tentativa de entender a Mídia Ninja e o Fora do Eixo.

Depois, sem entender, começaram as perguntas persecutórias porque o movimento teve algum financiamento de edital público.

Insistem no dinheiro do Fora do Eixo. É a lógica do pensamento mais reacionário e cínico que se resume ao lema: “ha…ha… vocês também gostam de dinheiro”. É algo bem baixo, mas é um espelho vergonhoso do nosso conceitual de jornalismo.

Assista o vídeo abaixo e perceba a dificuldade presente nos conceitos dos entrevistadores. Em certo momento, o apresentador, Mário Sérgio Conti diz que a resposta dos integrantes do Mídia Ninja é evasiva porque ele, entrevistador, não conseguiu enquadrá-la nos seus conceitos. Outro diz que o sistema deles é muito sofisticado, que tem algo por trás disso….

No entanto, vale a ousadia do Roda Viva, que ganhou algum ar nos últimos tempos de jornalismo. No entanto, o programa tende a se tornar medíocre com a saída de Mário Sérgio Conti e a entrada do franco atirador da Veja, Augusto Nunes.

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Português: Dilma Rousseff faz o primeiro pronu...

Paloccização de Dilma Rousseff

Depois de dois anos e meio repassando dinheiro sem fim para empresas de mídia que agem como partidos oposicionistas, Dilma Rousseff enfrenta uma queda na aprovação governamental de forma vertiginosa.

A revelação do site Vi o Mundo, de que há um tucano em cargo estratégico da Secom (Secretaria de Comunicação) apontam para as dificuldades futuras do governo de Dilma Rousseff.

Durante dois anos e meio, o governo de Dilma Rousseff manteve a obscena distribuição de verba para os grupos controladores de mídia e que fazem oposição ao seu governo. A verba para esses grupos poderia ter a intenção de evitar ataques mais duros, mas de nada adiantou. As manifestações de junho e a manipulação midiática dos protestos fizeram as bases frágeis da comunicação minarem e a aprovação do governo despencar.

Sem construir uma pluralidade de informação mínima e sem democratizar a verba publicitária, o governo Dilma Rousseff se viu refém de sua própria gestão de comunicação, ainda que tenha obtido grande sucesso na área econômica.

Segundo matéria do próprio Estadão, o govenro Lula/Dilma  reduziu a desigualdade em 80% das cidades nos últimos 10 anos . É um feito espantoso diante da própria situação da década anterior, governada pelo PSDB, quando a desigualdade vinha aumentando.

Mesmo assim, com esses índices grandiosos, o governo se tornou frágil após as manifestações de junho. É possível que se recupere, mas veja que contradição essa fragilidade.

Dilma não entendeu que não basta a infraestrutura.

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ONDE ESTÁ AMARILDO? E AGORA DEMOCRACIA?

Imagem: Coletivo Projetação (Redes Sociais)
Por Maura Voltarelli
Especial para o Educação Política

Nos últimos dias, uma pergunta passou a ser feita, inicialmente pelos moradores da Rocinha, favela no Rio de Janeiro, depois por pessoas que não moram na favela, depois pela mídia nacional, que acabou por repercutir a questão tamanha a proporção que esta última atingiu.

Onde está Amarildo? Dizem cartazes, vozes, projeções… E Amarildo tornou-se um nome bastante falado nos jornais, sem que, muitas vezes, as pessoas soubessem direito por que se falava tanto em Amarildo. Era difícil mesmo saber o porquê, já que um dos elementos centrais nessa história de Amarildo, que mais parece história de literatura fantástica, é o mistério.

O fato é que Amarildo, um ajudante de pedreiro que gostava de pescar, morador da Rocinha, pai de seis filhos, casado há mais de 20 anos, com um pagamento de meio salário mínimo por mês, que carregava sacos de areia aos sábados para aumentar a renda da família, o menino que com onze anos salvou o sobrinho de 4 anos de um incêndio, tornou-se famoso não por sua coragem e gentileza para com os outros, e sim por simplesmente ter desaparecido nas mãos da polícia do Rio de Janeiro.

Imagem: www.ebc.com.br

Amarildo desapareceu. Como um objeto que desaparece de um dia para o outro e não lembramos mais onde o deixamos ou o vimos pela última vez. Mas Amarildo não é um objeto, ao menos para as pessoas que o amam e conviveram com ele, ao menos para as pessoas que ainda têm a capacidade de se indignar diante de um absurdo desses.

Amarildo desapareceu após uma operação da polícia intitulada (pasmem!) “Paz Armada”, que mobilizou cerca de 300 policiais e entrou na Rocinha entre os dias 13 e 14 de julho para prender suspeitos sem passagem pela polícia depois de um arrastão ocorrido próximo à favela. Amarildo foi abordado na porta de um bar quando já estava indo para casa. O policial teria exigido seus documentos. Ele entregou e, segundo uma testemunha, o policial fingiu que ia checar pelo rádio, mas quase que imediatamente se virou para ele e disse que Amarildo tinha que ir com eles.

Amarildo foi levado para a base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no Parque Ecológico. Assim que soube que o marido tinha sido levado pela polícia, sua mulher foi à UPP e chegou a ver o marido, mas a orientaram de que ele logo seria liberado e de que ela deveria esperá-lo em casa. Desde então, Amarildo não voltou mais para casa.

É apenas isso o que se sabe. No entanto, já é o bastante para revelar muito sobre o atual estado de coisas em que vivemos. Amarildo poderia ser o pior dos criminosos, nada justifica o seu desaparecimento depois de ter sido levado pela polícia. Nada justifica os atos autoritários e ditatoriais de nossa polícia que favorece o caos no lugar de garantir o que chamam de “segurança”.

Onde está a nossa democracia? Qual a esperança de democracia para um país onde pessoas desaparecem sem que se saiba como ou porquê? O caso poderia passar impune, como tantos outros, como tantos que desaparecem todos os dias, como tantos que já desapareceram na ditadura militar e até hoje não se sabe como, sem tampouco lhes fazer justiça.

Mas Amarildo não foi, como esperava a polícia, apenas mais um “favelado”, Amarildo agora está por todos os lados e, junto com ele, nossa indignação e nosso grito por uma cada vez mais tardia democracia que, definitivamente, não há de ser uma democracia da “paz armada”.

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PROMOTOR QUE ACUSOU FILHO DE LULA NÃO ACHOU INTERESSANTE INVESTIGAR SONEGAÇÃO DE R$ 615 MILHÕES DA REDE GLOBO

Promotor não chamou a Globo a depor, mas acusou filho de Lula

Do tijolaço/Fernando Brito

Fui atrás da dica preciosa de uma amiga ainda mais preciosa e bingo!

Um dos designados pelo Ministério Público Federal para atuar no caso do sumiço dado ao processo de sonegação fiscal da Globo é o mesmo que acusou o filho do ex-presidente Lula, Fábio, no caso do contrato da empresa que este mantinha, a Gamecorp, e a Telemar.

Naquela ocasião, Rodrigo Poerson – este é o nome do cavalheiro – achou que o contrato, cujo valor era de R$ 4,9 milhões – 125 vezes menor que o valor da autuação da Globo – era um ”desproporcional aporte de recursos financeiros (que) estaria sendo direcionado à empresa Gamecorp, única e exclusivamente em razão de contar com a participação acionária de Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva”.

Mas, no caso do desaparecimento de um processo de sonegação – não simples suposições e notas de imprensa, como daquela vez, mas documentado e analisado, já, por vários auditores da Receita – o Dr.Poerson não achou necessário nem chamar a Polícia Federal, como fez no caso do filho de Lula, nem chamar a Globo a depor. A emissora diz até, em sua nota oficial, que só ficou sabendo que a funcionária Cristina Maris Meirick Ribeiro agora, seis anos depois! (Texto Integral)

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