Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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A impressionante semelhança entre o mapa de restrição do aborto e de homicídios no mundo

Nos anos 2000, o economista norte-americano Steven Levitt, pai de vários filhos e que conhece a dor de perder um filho, fez um estudo sobre economia e comportamento humano e notou uma incrível relação entre taxa de criminalidade e proibição do aborto. Os estudos de Levitt demonstram de forma evidente, que as taxas de criminalidade caíram após a aprovação de leis que descriminalizaram as mulheres e o aborto. O estudo se transformou no (Continue lendo…)

DEPOIS DA LEGALIZAÇÃO, URUGUAI NÃO REGISTRA MORTE DE MULHERES E TEM UMA DAS MAIS BAIXAS TAXAS DE ABORTO DO MUNDO

Ativistas em campanha pela legalização do aborto no final do ano passado

Ativistas em campanha pela legalização do aborto no final do ano passado

Do Sul 21

Em seis meses de legalização, Uruguai não registra mortes de mulheres que abortaram
Da Redação

O subsecretário do Ministério da Saúde Pública do Uruguai, Leonel Briozzo, apresentou nesta semana os dados oficiais sobre interrupções voluntárias de gravidez dos primeiros seis meses desde a sua legalização no país. Entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registrada a morte de nenhuma mulher que abortou de forma regulamentada no Uruguai.

Foram realizados 2.550 abortos legais, aproximadamente 426 por mês. O Uruguai é um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo. Briozzo explicou que desde o novo marco legal para o aborto, o país os pratica de forma segura, com a consolidação de serviços de saúde para este fim.

A política pública do governo tem o objetivo de diminuir a prática de abortos voluntários a partir da discriminalização, da educação sexual e reprodutiva, do planejamento familiar e uso de métodos anticoncepcionais, assim como serviços de atendimento integral de saúde sexual e reprodutiva.

Segundo esses dados, o MSP atesta que 10 em cada mil mulheres entre 15 e 44 anos abortam no Uruguai atualmente. Esses números cituam o país entre um dos que têm menores indicadores, ao lado dos estados da Europa Ocidental.

Com informações da United Press International

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VAI PENSANDO AÍ

MULHER NO LIXO: ESTATUTO DO NASCITURO É A PROTEÇÃO DO ESTADO PARA O ESTUPRO E PARA OS PASTORES ESTUPRADORES

Por Clara Averbuck

É preciso barrar partidos religiosos no Brasil

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Hoje (5/06/13) o Estatuto do Nascituro foi aprovado na Comissão de Finanças.

Ainda falta ser aprovado na Comissão de Justiça a no Plenário. Mas não duvido nada que seja. Nunca ouviu falar do Estatuto do Nascituro? Basicamente é o seguinte: um ÓVULO FECUNDADO vai ter mais direitos do que eu, do que a sua mãe, do que a sua irmã e do que a minha filha e todas as outras mulheres do Brasil. Se, digamos, minha filha de nove anos fosse estuprada e engravidasse, não teria direito a fazer um aborto; teria de manter o filho do agressor. Se caso não tivesse recursos para sustentar a criança (!!!), o Estado se responsabilizaria com a apelidada BOLSA ESTUPRO até os 18 anos do filho – isso caso o estuprador não fosse identificado e RESPONSABILIZADO. Aborto de anencéfalo? Esquece. Risco de vida pra mãe? Foda-se a mãe. Trauma? Foda-se a mãe. 

O aborto ilegal já causa 22% das mortes maternas. Com essa monstruosidade aprovada, é provável que esse número dobre, triplique. Criminalizar o aborto não é solução. Já falei sobre isso aqui

Mas isso é muito, muito pior. Até o “aborto culposo” querem inventar. Sabe homicídio culposo, onde a pessoa não tem a intenção de matar? Então. Vai ser a mesma coisa se a mulher abortar acidentalmente. Ela será investigada. Imagina só perder um filho e ainda ser suspeita disso? 

Se a mãe correr risco de vida e precisar de um tratamento que coloque em perigo a vida do feto, ela será proibida de se tratar. Afinal, a vida de um amontoado de células que ainda não nasceu, não tem personalidade, não tem consciência, é evidentemente mais importante do que a de uma mulher formada. 

 

Vejamos alguns dos artigos dessa aberração: 

 

Art.1º Esta lei dispõe sobre a proteção integral ao nascituro.

O embrião, você quer dizer. O amontoado de células.

 

Art. 2º Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido.

Pff.

 

Parágrafo único. O conceito de nascituro inclui os seres humanos concebidos “in vitro”, os produzidos através de clonagem ou por outro meio científica e eticamente aceito.

 Quer dizer, ATÉ UM CLONE é mais importante do que a vida da mãe.

 

Art. 4º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, a expectativa do direito à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

SENHORES, NÃO SEI SE VOCÊ SABEM, MAS ELE AINDA NÃO NASCEU.

 

Art. 9º É vedado ao Estado e aos particulares discriminar o nascituro, privando-o da expectativa de algum direito, em razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, da deficiência física ou mental ou da probalidade de sobrevida.

E a mãe que se foda.

 

Art. 10º O nascituro deficiente terá à sua disposição todos os meios terapêuticos e profiláticos existentes para prevenir, reparar ou minimizar sua deficiências, haja ou não expectativa de sobrevida extra-uterina.

E a mãe que se foda, depois de ter passado uma gestação inteira sabendo que o filho não sobreviveria. 

 

Art. 13 O nascituro concebido em um ato de violência sexual não sofrerá qualquer discriminação ou restrição de direitos, assegurandolhe, ainda, os seguintes:

I – direito prioritário à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da gestante;

II – direito a pensão alimentícia equivalente a 1 (um) salário mínimo, até que complete dezoito anos;

III – direito prioritário à adoção, caso a mãe não queira assumir a criança após o nascimento.

Parágrafo único. Se for identificado o genitor, será ele o responsável pela pensão alimentícia a que se refere o inciso II deste artigo; se não for identificado, ou se for insolvente, a obrigação recairá sobre o Estado.

 Quer dizer: se uma menina for estuprada pelo próprio pai e engravidar, ela vai ter que carregar o filho/irmão, parir, criar e ainda ter que lidar com o pai de ambos, ou colocar o filho para adoção, como se os orfanatos fossem lugares bacanérrimos, como se o processo de adoção fosse algo fácil, como se isso tudo tivesse alguma conexão com a realidade. Se uma mulher for estuprada por desconhecido, até parece que vão caçar o cara para que ele dê pensão. Não sei o que é pior, o Estado oferecer a pensão ou sugerirem que o ESTUPRADOR pague pensão. Ele deveria estar preso, não deveria? Se encontrado, o estuprador não seria preso, mas obrigado a sustentar um filho? Vão querer visita obrigatória também? É completamente fora da realidade. Completamente. É de uma falta de empatia que eu nunca vi nessa vida. Obrigar uma mulher a carregar o fruto de uma violência é acabar com a vida dela. Ou seja, mais uma vez: FODA-SE A MÃE.

É basicamente isso que diz o Estatuto do Nascituro: foda-se a mãe, foda-se a mulher que sofreu violência, foda-se a vida delas. O que importa é a vida que foi gerada. 

E isso é baseado em que, mesmo?

Crenças. Crenças de que DEUS mandou essa vida. Gente, olha só, eu sou atéia, eu não tenho DEUS ALGUM. Se você tem um deus e ele não quer que você aborte, apenas NÃO ABORTE. Mas tire as suas idéias, as suas crenças e essa violência toda do corpo das outras mulheres. Das mulheres. De todas as mulheres. 

O Estado não pode mandar em nossos corpos. 

Aqui tem um post da Lola a respeito.

Aqui tem um do queridíssimo Pedro Munhoz.

E aqui tem essa MONSTRUOSIDADE na íntegra.

 

Não podemos aceitar. Não podemos nos calar. Não podemos deixar que os fundamentalistas religiosos tomem assim esse país.

O

ESTADO

DEVE

SER

LAICO.

Se não lutarmos por isso, se não fizermos barulho, retrocederemos mais e mais e mais até, sei lá, não podermos usar energia elétrica ou remédios. 

Conto com vocês pra fazer um escarcéu. 

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SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES TEM NOVA MINISTRA, MAS QUESTÃO DO ABORTO CONTINUA SENDO UM TABU

Tarefa difícil

Um jogo de gangorra vai se desenhando entre o Executivo e o Legislativo quando o assunto é aborto. A nova ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, assumiu recentemente o cargo e já se encontra no meio da tempestade.

Isso por que quando o assunto é aborto, os interesses ficam cada vez mais complexos e delicados. A presidente Dilma Rousseff, que durante sua campanha eleitoral enfrentou o obscurantismo de certos setores ao falar sobre o aborto, joga a questão no colo do Legislativo, e este, por sua vez, não consegue resolver a questão, pois encontra-se sob fogo cruzado diante da bancada religiosa, que há anos trava a discussão na Casa, e das exigências feitas pelos movimentos sociais que, ao contrário desta última, querem a legalização do aborto e o seu reconhecimento enquanto um problema de saúde pública, independente de todas as questões religiosas ou morais.

Enquanto o Executivo vai se desvencilhando da questão, o obscurantismo avança. Há, inclusive, projetos que querem proibir até mesmo os casos de aborto já permitidos no Código Penal, como os casos de estupro ou que a mãe corre risco de vida com o nascimento, lembra notícia publicada pela Carta Capital. Entre esses projetos está o famoso Estatuto do Nascituro que prevê direitos legais para o ser humano que já está concebido, mas que ainda não nasceu.

Entre outros absurdos, o projeto prevê prisão de até três anos para mulheres que praticarem o aborto e, ainda tem mais, compensa a mulher vítima de agressão com uma “bolsa-estupro” de quem a violentou, paga pelo estuprador ou pelo próprio estado, caso este não seja identificado. Quanta generosidade!

O nome da nova ministra foi bem recebido por militantes feministas, mas há a percepção de que sozinha, Eleonora Menicucci não poderá fazer muita coisa. Nesse jogo entre Executivo e Legislativo o que falta mesmo é um real entendimento sobre as questões sociais brasileiras que não esteja contaminado por preconceitos históricos e ideologias vazias.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Nova ministra, velho tabu
Por Clara Roman

Mal assumiu o cargo e a nova ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, já foi colocada entre a cruz e a espada. De um lado, a gritaria de parte da opinião pública, representada sobretudo pela bancada religiosa do Congresso, que há anos trava a discussão sobre a descriminalização do aborto no País. De outro, a militância assídua de movimentos sociais que lutam no sentido oposto – e cobram avanços na discussão.

Ao mesmo tempo em que a presidenta Dilma Rousseff, vítima do medievalismo do debate desde a campanha eleitoral, relega o debate para o Legislativo, resoluções da sociedade civil tiradas na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, no fim de 2011, exigem uma postura do Executivo.

“Desde a primeira Conferência, a pauta da descriminalização do aborto é votada pelas mulheres como uma das diretrizes a ser implantadas”, diz Rosângela Talib, da ONG Católicas pelo direito de decidir.

Mas, desde 2005, quando a Secretaria de Políticas para as Mulheres elaborou um projeto de lei e encaminhou para o Congresso Nacional propondo a descriminalização do aborto, o governo se eximiu de novas tentativas.

“Nunca se conseguiu que o projeto avançasse lá [no Congresso]”, explica ela.

“O abortamento é uma questão de saúde pública, para além da questão ideológica e moral. Mulheres estão morrendo por fazer abortamento inseguro. Favorecer a possibilidade das mulheres continuarem vivas é uma pauta do Ministério da Saúde”, acredita Rosângela. (Texto completo)

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Tampores a rufar pela causa da mulher

As mulheres são as que mais utilizam os serviços do Sistema Único de Saúde, o SUS, como usuárias ou para ajudar a cuidar da saúde de filhos e parentes. No entanto, estão longe de receber o tratamento ideal. Por isso, na 14ª Conferência Nacional de Saúde, a Batucada Feminista dos Tambores de Safo, de Fortaleza (CE) decidiu chamar a atenção do poder público para as condições em que se encontra a saúde da mulher no país.

De acordo com notícia publicada pela Rede Brasil Atual, “há falhas de informação sobre o funcionamento dos serviços, racismo, lesbofobia, desrespeito, humilhações e maus-tratos na hora do parto e, principalmente, em situação de abortamento”. Um dos principais problemas que envolvem a saúde da mulher no Brasil é a mortalidade materna, agravada, dentre outros fatores, pelo aborto inseguro que ainda não é visto como um problema de saúde pública, e sim como um reduto de preconceito e falso moralismo.

Por falar em preconceito, as mulheres negras, segundo a notícia, são as que mais sofrem. A taxa de morte é três vezes maior entre elas.

O fato é que enquanto a situação da mulher não vai sendo descriminalizada, o aborto clandestino provoca 25% dos casos de esterilidade, 602 internações diárias por infecção e 9% dos óbitos maternos.

Serão precisos mais quantos números para que o país saia do atraso quando à questão não só da saúde da mulher, mas quanto ao feminino (social, político e cultural) de forma geral?

Veja trecho da notícia:

Mulheres exigem melhor acolhimento pelo SUS
Por Cida de Oliveira

Brasília – Em cortejo, a Batucada Feminista dos Tambores de Safo, de Fortaleza (CE), atrai a atenção de todos por onde passa na 14ª Conferência Nacional de Saúde. O objetivo é esse mesmo: despertar para a mulher, ou melhor, para a saúde da mulher, que não vai tão bem assim.

“As históricas condições de desigualdades são determinantes no adoecimento e morte, o que exige atenção especial do SUS sobre esta população”, explica a cientista política Kauara Rodrigues, assessora técnica da Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), do Distrito Federal, e da Articulação Brasileira de Mulheres.

Segundo ela, as mulheres são as que mais utilizam o serviço público de saúde, seja como usuária ou para ajudar a cuidar da saúde de filhos e parentes. Mas nem por isso são bem tratadas. Há falhas de informação sobre o funcionamento dos serviços, racismo, lesbofobia, desrespeito, humilhações e maus-tratos na hora do parto e, principalmente, em situação de abortamento. “Queremos maior acesso ao SUS, sem filas, acolhimento com dignidade e cidadania.”

Kauara diz que são muitas as prioridades para o setor. Tanto que a redução das taxas de mortalidade materna é o único dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas, que o Brasil não conseguirá atingir até 2015. O aborto inseguro é uma das principais causas de morte. Na média, em todo o país, ocupa a quarta colocação, mas em alguns estados, como Bahia, é a principal.

As mulheres negras são as que mais sofrem. A taxa de morte é três vezes maior entre elas. O aborto clandestino provoca 25% dos casos de esterilidade, 602 internações diárias por infecção e 9% dos óbitos maternos. “Para mudar isso precisamos melhorar a cobertura e descriminalizar a mulher, que é vítima desse problema de saúde pública”, ressalta. Segundo ela, preocupa o fato de que, embora haja projetos de lei tramitando nesse sentido, os que querem endurecer ainda mais a legislação são em maior número, aumentando a ameaça de retrocesso. (Texto completo)

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FOLHA: SHEILA RIBEIRO, QUE É FILHA DE MILITANTE DO PSDB, DIZ QUE SUA EX-PROFESSORA, MÔNICA SERRA, FEZ ABORTO NO CHILE

Serra não tem limites

A máscara caiu

A que nível chegou a campanha de José Serra.

A Folha de S.Paulo traz uma notícia estarrecedora, que também foi publicada no Correio do Brasil e no Conversa Afiada.

A dançarina Sheila Canevacci Ribeiro, ex-aluna de Mônica Serra e filha de uma ex-militante do próprio PSDB,  Majô Ribeiro, ficou indignada com a campanha de Serra e publicou depoimento em que fala sobre o aborto praticado por Mônica Serra, quando morava no Chile.

Seguramos essa informação até que realmente nos parecesse bastante verdadeira. As informações trazidas pela Folha de S.Paulo, inclusive sobre o fato de Sheila ser filha de Majô Ribeiro e casada com o antropólogo, Massimo Canevacci, do qual já li livro, são bastante consistentes.

Que a partir de agora a campanha tome o rumo da discussão política e não religiosa ou espiritual. Serra passou dos limites. A Folha de S.Paulo tenta recuperar a credibilidade.

Veja trechos da reportagem da Folha de S.Paulo:

Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna

Reportagem tentou ouvir mulher de candidato tucano por dois dias, sem sucesso

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por “valores cristãos”, que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.
Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de “matar criancinhas”.
Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.
Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se mudou para os Estados Unidos.

OUTRO LADO
A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.
Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para “deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra” em relação ao tema.
Ela escreveu que Serra não respeitava “tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto”.
“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático”, escreveu Sheila no Facebook. “Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?”

….

Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).  Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A socióloga disse à Folha estar “preocupada” com a filha, mas afirma que a criou para “ser uma mulher livre” e que ela “agiu como cidadã”.
Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.
A Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.
Contou que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, Monica explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.
Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.
Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.
Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável. (Texto completo para assinantes)

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Vista essa camisa!

Agência Educação Política

O aborto tem servido perfeitamente às pretensões conservadoras e manipulativas da velha mídia brasileira. O tema tem dominado as discussões eleitorais, sendo explorado até a última gota e, enquanto isso, questões importantes para o Brasilque envolvem a real discussão de projetos e programas de governo, têm sido deixadas de lado. Mais uma vez, a lógica que vale é a do interesse privado e partidário em prejuízo do interesse público.

A velha mídia usa o aborto como forma de atingir de forma negativa a candidata petista à presidência da república Dilma Rousseff e o faz sem o menor escrúpulo. Sobre o aborto e Dilma a questão é uma só: a candidata prefere ver o tema como um problema de saúde pública que de fato atinge uma em cada cinco mulheres brasileiras. Ou seja, o aborto é uma realidade que vai além de proselitismo religioso ou político. Dilma sintetizou muito bem a questão no último debate exibido na Rede Bandeirantes entre os presidenciáveis. Ela disse: “Entre prender e atender a mulher que faz um aborto, eu fico com atender”.

A fala de Dilma é suficiente, ela sustenta e define muito bem a questão, no entanto, há uma velha mídia que insiste em mostrar a realidade à sua maneira, em criar coisas que não existem de fato. O mais impressionante é que, em matéria de ser favorável ao aborto, Serra sai bem à frente de Dilma, poderia, portanto, ser o mais atingido por esse tipo de preconceito que a sociedade fabrica. No entanto, não sai uma linha sobre Serra e o aborto na velha mídia. Já sobre Dilma…

Aborto é armadilha da direita

A mídia evita tratar dos grandes temas para impor uma pauta carregada de ignorância, preconceitos e dogmas religiosos

Brasil de Fato

Por Altamiro Borges

Nas manchetes dos jornalões e nos monólogos da televisão, a direita tenta forçar a candidatura Dilma Rousseff a discutir unicamente o tema do aborto. A mídia evita tratar dos grandes temas nacionais, das diferenças abissais de projetos entre os dois concorrentes no segundo turno e se esforça para impor uma pauta carregada de ignorância, preconceitos e dogmas religiosos.

A armadilha é visível. Na campanha, Dilma tratou o tema como uma questão de saúde pública, evitando visões simplistas. Já o demotucano Serra até poderia ser mais facilmente prejudicado pelos preconceitos. Como ministro da Saúde de FHC, ele liberou o uso da “pílula do dia seguinte”. Em 1998, ele também foi demonizado pela cúpula da Igreja Católica por normatizar a realização do aborto nos casos previstos em lei. Agora, ele simplesmente foi poupado pela direita e sua mídia.

A demonização de Dilma

Entre as baixarias da campanha da direita, muitos avaliam que este tema foi um dos responsáveis pelas surpresas nos últimos dias do primeiro turno – queda de Dilma Rousseff, identificada com as lutas  feministas, e crescimento de Marina Silva, evangélica e conservadora. Serra, blindado pela mídia, acabou se beneficiando da polêmica travada entre as duas candidatas mulheres. (Texto Completo)

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Está faltando uma Mírian Cordeiro na campanha de José Serra

Na política, quando não há mais argumentos, o melhor é apelar.

O tema do aborto aparece quando o nível da política começa a ficar bem mais abaixo do que recomenda o tom civilizado.

Nós conhecemos essa história.

A questão do aborto também foi usada  a eleição de 1989. Nos faz lembrar o jogo sujo da velha mídia (Globo, Veja, Estadão, Folha) na campanha de Fernando Collor de Mello contra Lula.

A velha mídia estava deslumbrada com Collor, o caçador de marajás. O herói da democracia da grande mídia e da classe média. Deu no que deu.

Collor, com o apoio da velha mídia, mas principalmente Veja e Globo, jogou sujo e foi no limite, acusando Lula de sugerir o aborto da filha Lurian. A acusação partiu de um depoimento falso da ex-mulher de Lula. A história se repete com Serra, agora em várias frentes.

Foi profundamente triste ver Lula abatido, ao lado de sua filha, no horário eleitoral, tentando desmentir a baixaria da campanha. A cena de Lula ao lado da filha,  os dois assustados,  foi uma das cenas mais marcantes de todas as eleições presidenciais que acompanhei na vida.

Agora, a velha mídia volta a carga em busca de seus interesses econômicos e na manutenção do país com maior desigualdade social do mundo.  José Serra aceita o jogo sujo, assim como Collor.

Depois da eleição, a velha mídia volta a ser civilizada, se o seu candidato ganhar.

Tudo se acalma. E os ricos ficam mais ricos. E o aborto só voltará como tema de campanha quando a extrema-direita se sentir ameaçada pela democracia.

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