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DADOS REVELAM DISPARIDADE REGIONAL NA TRANSMISSÃO DE MÃE PARA FILHO DO VÍRUS HIV

Nas regiões Norte e Nordeste cresceu o número de crianças portadoras do vírus HIV

A AIDS ainda é um desafio a ser enfrentado no Brasil, principalmente a chamada transmissão vertical da doença, ou seja, aquela que se dá de mãe para filho. A transmissão vertical além de ser uma das formas mais preocupantes de transmissão, já que ela gera um número considerável de crianças portadoras do vírus, é também uma das que exigem maior competência e abrangência de programas de universalização da saúde no Brasil.

Não é por acaso que as regiões onde o número de crianças com até 5 anos de idade portadoras da doença mais cresceu foram as regiões norte e nordeste. Lá, muitas mulheres não são submetidas aos exames obrigatórios durante a gestação e deixam de fazer testes simples como o teste do HIV que detecta em poucos minutos a existência do vírus ou não.

A meta do ministério da Saúde é realizar o teste do HIV em 100% das grávidas em 2012, a universalização consta do programa Rede Cegonha, como mostra notícia publicada pelo Folha.com. Tais programas, se aplicados corretamente, têm potencial para diminuir a disparidade regional da transmissão da AIDS que segue, assim como outras diferenças, dividindo o país.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

HIV avança entre crianças nas regiões Norte e Nordeste
Por JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

Enquanto a transmissão vertical –mãe-bebê– do HIV vem caindo no Brasil, a tendência é de alta nas regiões Norte e Nordeste, segundo dados reunidos pelo Ministério da Saúde.

A taxa nacional de incidência da Aids em menores de cinco anos passou de 5,4 casos por 100 mil habitantes em 2000 para 3 em 100 mil em 2009. Nesse período, a taxa passou de 1,9 para 4 em 100 mil no Norte e de 1,4 para 2,3 por 100 mil no Nordeste.

A incidência do HIV entre crianças de até 5 anos é usada pelo governo como espelho da chamada transmissão vertical –principal causa de infecção nessa faixa etária. Esse tipo de contaminação pode ser evitado, com tratamento médico.

Os dados são preocupantes, diz Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do ministério. “Temos de dar um desconto porque melhoramos a detecção [do HIV], mas não há a tendência de redução que percebemos nos outros lugares. Em um país que oferece acesso universal ao antirretroviral, a gente espera a redução”, afirma.

O Sul segue a tendência de queda, mas manteve a maior taxa de incidência em menores de 5 anos –de 9,4 em 2000 para 5,8 em 2009.

A feminilização da Aids, pré-natal malfeito e falta da teste de HIV em gestantes podem explicar o maior registro da transmissão vertical do HIV nessas duas regiões. (Texto completo)

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MÉTODO USADO PARA BLOQUEAR SPAM PODE AJUDAR EM TRATAMENTO PARA COMBATER O HIV, VÍRUS CAUSADOR DA AIDS

Pesquisadores estão tentando bloquear a ação do HIV, vírus causador da Aids, com um método semelhante ao usado pelos filtros anti-spam dos e-mails. Veja trecho da matéria abaixo, publicada na revista Fapesp.

Convergência virtual
Microsoft Research usa lógica de filtros anti-spam para encontrar pontos vulneráveis do vírus HIV

Cientístas precisam de um signo para bloquear HIV

A mesma estratégia utilizada para criar os filtros que barram os spams, as mensagens eletrônicas não solicitadas que invadem as nossas caixas de e-mails, está sendo usada pela equipe do pesquisador David Heckerman, diretor sênior do Grupo de Pesquisa em eScience  da Microsoft Research, para desenvolver uma vacina contra o HIV, o vírus da aids. “Percebemos que para ter sucesso em uma vacina seria necessário atacar pontos específicos do vírus, da mesma forma que os filtros anti-spam fazem quando selecionam os e-mails”, disse Heckerman, durante conferência no Faculty Summit 2010 da América Latina.

Médico de formação com doutorado em ciência da computação, Heckerman foi um dos responsáveis pela criação do primeiro programa de detecção e filtragem de spam em 1997. “Assim como os spammers mudaram os seus e-mails para passar pelos nossos filtros, o HIV também passa por mutações para enganar o sistema imunológico e conseguir se reproduzir livremente”, comparou. A grande dificuldade em desenvolver uma vacina para o vírus que causa a aids é que ele muda constantemente. “Mas acreditamos que existam algumas regiões do genoma do HIV que seriam vulneráveis à mutação”, disse o pesquisador.

Encontrar essas regiões é uma tarefa bastante complexa, porque é preciso mapear todas as possíveis mutações do vírus e das configurações da proteína HLA (antígenos de leucócitos humanos, na sigla em inglês), que é a ferramenta usada pelo sistema imunológico para impedir a reprodução do HIV. A HLA invade o vírus e retira o epitopo, um fragmento de proteína responsável pela informação genética do HIV. “Estamos procurando essas regiões chamadas de epitopos vulneráveis”, disse Heckerman. “O nosso objetivo é desenvolver uma vacina que ensine o sistema imune a reconhecer apenas os pontos vulneráveis ao longo da sequência do material genético do HIV.”

Para isso, mais de uma centena de pesquisadores no mundo todo está usando uma ferramenta chamada PhyloD, desenvolvida pelo grupo de Heckerman, para avaliar como o HIV se comporta a partir do momento em que infecta uma pessoa. Computadores cruzam os dados do sistema imunológico das pessoas e da evolução e mutação do HIV em seus corpos, indicando assim quais características genéticas ajudam a combater o vírus. As estatísticas geradas até agora resultaram na criação de uma vacina experimental, que deverá começar a ser testada dentro de seis meses. “Se tudo der certo, talvez tenhamos um resultado efetivo em dois anos.” (Texto Integral)

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TECNOLOGIA EM TERAPIA GENÉTICA ABRE NOVA PERSPECTIVA PARA CURA DA AIDS

A terapia genética pode ser um caminho importante no tratamento da Aids. Uma notícia do The Wall Street Journal, da última sexta-feira, assinada por Mark Shchoofs, dá conta de que um paciente com leucemia e HIV soropositivo foi submetido a transplante de medula óssea e desenvolveu resistência ao vírus.

Mas nada aconteceu por acaso. O médico Gero Hutter buscou entre os doadores da medula alguém que tivesse uma mutação genética chamada CCR5, que segundo estudos médicos conhecidos, está presente em pessoas que não desenvolvem a doença. Aparentemente, a terapia deu certo e abre novos caminhos para a pesquisa genética na cura da AIDS. O vírus HIV não é detectado no organismo do paciente há 600 dias, mesmo sem tomar o coquetel de medicamentos antiviral.

Notícia completa em inglês no The Wall Street Journal

Veja abaixo uma arte sobre a mutação CCR5.

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Brasil poderá ter primeiro medicamento nacional para combate à aids

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Cientistas brasileiros descobriram três substâncias que poderão ser usadas para a elaboração de um anti-retroviral nacional, ou seja, um medicamento que inibe a reprodução em células do vírus HIV causador da aids. O anúncio foi feito hoje (29) pelo chefe da equipe responsável pela pesquisa, o imunologista Luiz Roberto Castello Branco.

O estudo vem sendo conduzido há 13 anos por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz; Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) e Universidade Federal Fluminense (UFF) e contou com investimentos de US$ 1,5 milhão. O projeto é apoiado pelo Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde.

Os pesquisadores analisaram 22 compostos naturais obtidos de algas marinhas encontradas no litoral do Brasil e selecionaram três substâncias, cujos testes deram resultados “bastante bons”, segundo Luiz Roberto Castello Branco. Ele é o chefe do Laboratório de Imunologia Clínica do IOC e diretor científico da FAP.

De acordo com o imunologista, o interesse primordial dos cientistas “é fazer um microbicida, isto é, um fármaco, que seria utilizado principalmente pelas mulheres para a prevenção da doença”. Seria uma espécie de creme ou espuma vaginal que seria usado pelas mulheres para evitar a contaminação pelo HIV.

O Brasil não tem até o momento nenhum medicamento nacional para a aids. As descobertas representam os primeiros medicamentos brasileiros em fase de estudos pré-clínicos. A idéia é ter, em 2010, um medicamento pronto para estudo clínico em humanos.

Para o paciente brasileiro, essas substâncias podem significar algumas vantagens. Castello Branco apontou, por exemplo, o fato de ser um medicamento mais barato, que poderá ser disponibilizado a preço de custo quando chegar ao mercado – o que está previsto para 2015.

O imunologista também apontou o fato de o medicamento ser feito à base de algas, que representa toxicidade mais baixa em relação aos que se encontram disponíveis no mercado. Os resultados obtidos na fase pré-clínica indicam ainda outra vantagem: o medicamento poderá ser associado a outros no tratamento da aids, ou como microbicida, fazendo a prevenção da doença.

Os pesquisadores realizaram testes em células humanas, em tecidos retirados de seres humanos e também em animais. A conclusão dos estudos demandará financiamento de R$ 10 milhões. Os recursos incluem a construção de um centro único das três instituições de pesquisa que participam do projeto para que seja feito o teste das substâncias extraídas das algas e das que estão sendo estudadas e modificadas.

Para Castello Branco, a descoberta de um produto nacional para combater o HIV poderá representar uma economia de cerca de R$ 1 bilhão para o Brasil – valor gasto anualmente com a compra de medicamentos no exterior e o pagamento de royalties.

O imunologista afirmou que as algas que forneceram as substâncias em estudo foram extraídas com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Entretanto, os cientistas estão desenvolvendo métodos alternativos para evitar a retirada das algas do meio ambiente, por meio do cultivo ou uso de química para sintetização desses medicamentos.

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