Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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ALTERCOM DIZ QUE MÍDIA FAZ UMA CAMPANHA ARDILOSA COM BASE NOS ARQUIVOS DA DITADURA PARA ATINGIR DILMA

Nem Dilma esperava por um terceiro turno

A velha mídia não desiste. Ao ver que sua estratégia para levar ao segundo turno as eleições desse ano deu certo, o oligopólio midiático conservador brasileiro agora parece estar fazendo campanha para um terceiro turno. A estratégia usada para tal feito já vem sendo colocada em prática e se baseia, principalmente, em desestabilizar a candidata eleita Dilma Rousseff, colocando em cheque a sua credibilidade e caráter enquanto cidadã brasileira.

Para tanto, a velha mídia vem transformando cada fato em uma tempestade, cada problema localizado em uma infecção generalizada, haja vista caso recente envolvendo o ENEM, e baseando-se em arquivos da ditadura militar para impor uma biografia de Dilma que não pode ser tida como a mais crua realidade.

Ao expor os arquivos da ditadura militar que tomam Dilma como terrorista e assaltante de bancos, encarando-os como prova credível da verdade dos fatos, a velha mídia não faz outra coisa que não seja legitimar o discurso autoritário e mesquinho de um dos períodos mais negros da história brasileira. Legitimando esse discurso, ela se aproxima dele e se faz ela também autoritária, leviana e totalmente alheia ao real interesse público.

Em uma espécie de reedição da tortura sofrida por Dilma Rousseff durante os anos de chumbo, a velha mídia brasileira apenas contribui para trazer ainda mais à tona a verdade escura e nefasta de um país governado por homens que torturaram uma menina de apenas 19 anos por dias seguidos, e repetiram o mesmo procedimento em milhares de outras pessoas.

Não se trata de redimir Dilma de qualquer erro que todos estão sujeitos a cometer ao longo da vida, trata-se de fazer justiça com a própria história e circunstância dos fatos. Nenhum veículo em sã consciência tomaria como prova irrefutável da verdade informações reveladas sob intensa e contínua tortura. Esta constitui uma situação de exceção em que o indivíduo é submetido ao nível mais degradante da condição humana por outro indivíduo.

Usar deste tipo de argumento e situação para atingir a candidata eleita não se justifica de forma alguma e apenas mostra em que bases se sustentam as opiniões e alegações da velha mídia. Ao fazê-lo a mídia conservadora e distante do real exercício da informação além de desrespeitar a história e a memória de muitas pessoas que sofreram as consequências do autoritarismo e cerceamento de todas as liberdades coletivas e individuais, iguala-se aos antigos torturadores, escondendo-se sob o manto da liberdade de expressão enquanto na verdade torturam a opinião pública.

Veja texto publicado no site da AlterCOM (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação):

“Mídia tortura Dilma mais uma vez”, diz Altercom
A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) reunida nesta sexta-feira (19), em São Paulo, além de tratar de interesses da entidade, decidiu divulgar uma nota oficial criticando a campanha ardilosa da grande mídia comercial em torno dos arquivos da ditadura militar sobre a presidente eleita Dilma Rousseff. A nota afirma:

“MAIS UMA VEZ, A MÍDIA HEGEMÔNICA TORTURA DILMA”

Passados 19 dias desde a vitória de Dilma Rousseff sobre Serra, por uma vantagem de 12 milhões de votos, a oposição e seu dispositivo midiático não recolheram as garras um só minuto.

Cinco dias após o revés nas urnas, o candidato derrotado estava em Biarritz levando um ‘por que no te callas’, em resposta a tentativa de armar o palanque da oposição em território francês.

O jornalismo que lhe dá apoio irrestrito não deixa por menos e cumpre escancaradamente uma agenda de terceiro turno. Dia sim, dia não, uma crise produzida e maquiada ganha as manchetes da mídia conservadora numa escalada ao mesmo tempo sôfrega e frívola.

Não escapa ao observador mais criterioso que os temas são apenas um ornamento do estandarte antecipadamente empunhado. A intenção, clara, é minar a autoridade da Presidente eleita antes mesmo de sua posse.

Agora, o dispositivo midiático da oposição reedita o “pau-de-arara” e empenha-se em dar legitimidade ‘jornalística’ a um relatório produzido pela ditadura militar sobre a militância revolucionária de Dilma Rousseff nos anos 70.

O que se promove nessa espiral é a reprodução simbólica das sessões de tortura perpetradas durante 22 dias seguidos contra uma jovem de 19 anos pelo regime de fato.

É aberrante do ponto de vista do fazer jornalístico emprestar credibilidade ao que foi transcrito por um Estado terrorista, concedendo força de prova ao que uma mulher declarou sob tortura.

Ademais, é um agravo à ética jornalística que uma mídia comercial ainda atue como aliada do extinto regime ditatorial, ao tomar seus documentos como válidos e legais. (Texto Completo)

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ALTERCOM PODE SER O EMPURRÃO QUE FALTA PARA O INÍCIO DE UM PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA NO BRASIL

Imagine uma nova associação de empresários e jornalistas de perfil mais democrático em busca de espaço midiático, audiência e capaz de brigar política e economicamente com os grandes grupos de mídia. Isso seria um empurrão na porta da democratização da mídia no Brasil.  É isso o que imagino que pode vir a ser a Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação). Há uma esperança democrática no ar.

O que o Brasil precisa é pluralidade de mídia, diálogo e contra-argumentação para que possamos escapar desse pensamento monolítico (como dizia Otávio Ianni) presente na mídia brasileira. Veja abaixo trecho da entrevista de Venício de Lima ao Instituto Humanitas Unisinos  sobre essa nova associação.

Há cerca de 15 dias, empresários e empreendedores da área de comunicação, representantes de pequenas mídias, ou mídias alternativas, reuniram-se para efetivar um projeto pensado durante o processo da 1º Conferência Nacional de Comunicação. A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação – Altercom é uma associação feita para representar aqueles que estão por trás das produções das mídias alternativas e que não têm interesses defendidos por outras organizações semelhantes, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Saiba mais

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