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SEMENTE DO TUCUMÃ, PALMEIRA TOLERANTE A SOLOS POBRES E RESISTENTE À SECA, PRODUZ ÓLEO PARA GERAÇÃO DE ENERGIA

Pesquisas demonstram potencial energético da semente de tucumã

Por Paulo César Nascimento/ Jornal da Unicamp

Foto: Antonio ScarpinettiO tucumã-do-Amazonas é uma palmeira comumente encontrada na Amazônia central. Excepcionalmente tolerante a solos pobres e degradados, resiste a períodos de seca e também se espalha por toda a região amazônica, Guiana, Peru e Colômbia. Atinge até 20 metros de altura e suas folhas longas, semelhantes às do coqueiro, alcançam até 5 metros de comprimento. Encontrados em abundância ao longo do ano, os frutos são comestíveis ao natural e consumidos também na forma de sorvetes, sucos, licores e doces. A semente, um caroço duro e preto localizado no centro do fruto, é artesanalmente utilizada no preparo de anéis, brincos, pulseiras e colares, mas pode vir a ser uma promissora fonte energética sustentável para comunidades das regiões onde o tucumã floresce. É o que demonstra dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp pelo aluno Claudio Silva Lira. Orientado pela professora Araí Augusta Bernárdez Pécora, o estudo Pirólise rápida da semente de tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum): caracterização da biomassa in-natura e dos produtos gerados tem o mérito de constituir o primeiro trabalho acadêmico a abordar as características dos produtos da pirólise do vegetal amazônico.

De acordo com a orientadora, atualmente não existem estudos sobre a utilização dessa biomassa e seu potencial como matéria-prima em processos de conversão térmica. A proposta da pesquisa foi, portanto, verificar as propriedades dos produtos fornecidos na pirólise da semente do tucumã (resíduo hoje descartado em aterros), visando a aproveitá-los como fonte energética em comunidades isoladas do Amazonas. Os resultados mostraram que o bio-óleo produzido na pirólise do tucumã tem potencial para ser utilizado como biocombustível e o carvão vegetal, também gerado no processo, poderia ser fonte de melhoria do solo e aditivo para fertilizantes.

Comunidades presentes na floresta Amazônica (bem como em outras regiões de difícil acesso no Brasil) dependem de energia elétrica gerada por meio de usinas termelétricas e o combustível utilizado é o óleo diesel. Contudo, salienta Claudio em sua dissertação, as dificuldades de acesso a essas localidades em geral contribuem para comprometer o fornecimento de combustível, sobretudo no período de seca, já que todo o transporte é realizado exclusivamente por via fluvial. Outra desvantagem da geração de energia elétrica com combustível fóssil na região Amazônica reside em seu elevado custo, cita o pesquisador, que é natural de Manaus. Além disso, as termelétricas a diesel não contribuem para a economia local, pois não utilizam fontes regionais e exigem pessoal qualificado para sua operação, resultando em contratação de trabalhadores de fora da localidade.

Desse modo, a geração de energia a partir de biomassa disponível nas próprias comunidades representaria uma solução sustentável para o problema do suprimento de eletricidade para áreas isoladas. Adicionalmente, a conversão de biomassa sólida em combustível líquido (bio-óleo) por meio de pirólise teria a vantagem de simplificar o manuseio com transporte, armazenamento e utilização da biomassa, sem contar que o bio-óleo possui maior densidade energética do que a biomassa in-natura, enfatiza a pesquisa.

Segundo o autor, a semente de tucumã foi escolhida devido ao fato de ser um tipo de biomassa de fácil acessibilidade na região amazônica e com produtividade estável. O florescimento do tucumãzeiro (denominação da árvore de tucumã) ocorre entre os meses de março e julho, enquanto a frutificação normalmente ocorre entre janeiro e abril. No entanto, observa em seu estudo, sempre há frutos que podem ser encontrados fora de época, havendo comercialização do fruto durante todo o ano.(…)

Nas análises laboratoriais, Claudio constatou que o poder calorífico da semente de tucumã foi superior ao relatado na literatura para outras biomassas convencionalmente utilizadas em processos de conversão em biocombustível, como o bagaço de cana, o que demonstra o importante potencial de utilização da biomassa estudada como matéria-prima para produção de energia.

De acordo com ele, a pirólise de sementes de tucumã para produção de bio-óleo parece ser uma alternativa promissora para substituição aos combustíveis fósseis, em especial o diesel, que é o combustível mais utilizado nas unidades geradoras de energia elétrica em comunidades isoladas localizadas no estado do Amazonas. Devido ao alto poder calorífico superior que pode atingir valores da ordem de 30 MJ/kg (megajoule por quilo, unidade para medir energia térmica), teor de umidade de 18,5% e aproximadamente 55% de rendimento no processo, a fração líquida produzida a partir da pirólise de tucumã apresenta propriedades desejadas para geração de energia. (Texto Integral)

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MAIS DE 70 MIL PESSOAS FORAM AFETADAS PELA CHEIA DOS RIOS DO AMAZONAS, 40 MUNICÍPIOS ESTÃO EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Rio Negro atinge níveis máximos

As chuvas na região norte do país e a consequente cheia dos rios do Amazonas têm agravado a situação dos moradores de 40 municípios que já se encontram em situação de emergência, segundo notícia divulgada pela Agência Brasil. Estima-se que mais de 70 mil pessoas já tenham sido afetadas, o que levou o governo federal a destinar recursos e diferentes tipos de ajuda (alimento, medicamento, produtos de higiene) visando amezinar os efeitos das chuvas. O estado do Amazonas já contabiliza R$ 17,5 milhões recebidos do governo federal.

Além da ajuda humanitária, o próprio ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, visitou a região depois de determinação da presidente Dilma Rousseff para ver de perto a situação no local. De fato, as cenas registradas em Manaus, que sofre com a cheia do Rio Negro, um dos afluentes do Amazonas, e em outros municípios, exigem uma atenção próxima por parte das autoridades.

Os problemas sociais gerados pelo movimento da natureza afetam as pessoas em diferentes níveis que vão desde o econômico, até o íntimo, pessoal, por isso a questão tem a sua seriedade que, vale lembrar, existe também quando se dá o movimento inverso, ou seja, quando problemas ambientais são gerados na natureza pelo movimento do homem.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Ministro da Integração vai a Manaus anunciar medidas de ajuda às vítimas da cheia dos rios do Amazonas
Por Yara Aquino

Brasília – O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, vai amanhã (10) a Manaus anunciar medidas do governo federal para atender às vítimas da cheia nos rios do Amazonas. O estado tem 40 municípios em situação de emergência, e mais de 70 mil pessoas foram afetadas, de acordo com balanço da Defesa Civil local.

Por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, hoje (9), o Ministério da Integração Nacional destinou R$ 7 milhões ao governo do Amazonas para a execução de ações de socorro, assistência às vítimas e aquisição de produtos de higiene, limpeza, medicamentos e alimentos. Com esse recurso, o estado contabiliza R$ 17,5 milhões recebidos do governo federal para auxílio às vítimas das chuvas e da cheia.

A determinação para que Fernando Bezerra vá a Manaus partiu da presidenta Dilma Rousseff após reunião, hoje (9). Estavam na reunião o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, técnicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Defesa Civil, da Casa Civil e do Gabinete de Segurança Institucional. O governador do Amazonas, Omar Aziz, também participou das discussões por meio de videoconferência.

Mais de 130 toneladas de itens de ajuda humanitária já foram distribuídos à população de 26 municípios, pela Defesa Civil do Amazonas. As demais cidades ainda receberão o material, composto por cestas básicas, kits de higiene pessoal, de medicamentos, de limpeza, kits dormitório e hipoclorito de sódio. (Texto completo)

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O TERROR NO JOGO POLÍTICO DO AMAZONAS E A IMPRENSA BRASILEIRA ACOBERTANDO

Tudo começou com a taxa do lixo

O blog de Luís Nassif publica uma série de textos sobre o terror no estado do Amazonas, em que blogueiros e tuiteiros foram aterrorizados e perseguidos.

Isso com a atuação da CBN local, retrasmissora da Rede Globo. A CBN precisa se explicar.

A democracia chegou à política, mas não chegou aos meios de comunicação no Brasil. Ali, nas concessões públicas de rádio e televisão, é que está o cerne do novo coronelismo, a sustentação do país mais desigual do mundo e o horror da extrema-direita.

 Veja abaixo um texto pessoal de Ismael Benigno sobre o assalto em sua casa na véspera das eleições. (entenda o Caso)

Do Blog o Malfazejo

De Ismael Benigno, um dos líderes do Movimento Manaus de Olho

Violência ou Castigo?

Não há teste melhor para avaliar a natureza humana do que perguntar às pessoas o que elas acham da menininha do vestidinho curto, estuprada no beco da esquina.

38 horas se passaram. Estou sentado na varanda de um apartamento alheio. Num dos quartos, repousam uma pequena mala de viagem, dois pares de sapatos, uma sacola com xampu, uma mulher e uma criança de 3 anos. Não há tevê ligada, conversas pela casa. Só o som do trânsito lá embaixo. É assim que decidi tentar, depois de poucas horas de sono, escrever sobre as eleições no Amazonas.

A lógica sussurra aqui do lado, desde a madrugada de domingo, me lembrando de separar as coisas, mas a tentação de misturar tudo é grande. Nunca fui de espalhar pequenas notas ao longo do dia, friamente separando assuntos, como se alguns deles não me fossem caros. Quando falo, falo do que penso e sinto. E o que ocorreu nas últimas 38 horas tem tudo misturado, o terror de um drama familiar ocorrido exatamente num dia de eleição. Política é do que venho falando há tempos, mas minha vida é o que venho vivendo há mais tempo ainda. Não consegui separar a gema da clara, o que vivemos quase nunca é algo diferente de um omelete. Saiba mais

PELA PRIMEIRA VEZ PREFEITOS DE ORIGEM INDÍGENA SÃO ELEITOS NO AMAZONAS

Amazonas elege seus primeiros prefeitos indígenas

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Manaus – O resultado das eleições municipais de 2008 passará a ter um significado especial para os povos indígenas do Amazonas. É que, pela primeira vez na história das eleições brasileiras, uma cidade escolheu prefeito e vice-prefeito indígenas: São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do estado. Outro município, Barreirinha, no Baixo Amazonas, também vai ser administrado a partir de janeiro de 2009 por prefeito indígena.

São Gabriel da Cachoeira, que fica a 858 quilômetros da capital, Manaus, elegeu para prefeito Pedro Garcia, da etnia tariana, e para vice-prefeito, André Baniwa, da etnia Baniwa. Foram 12.319 votos válidos, e eles tiveram 51,68% da preferência do eleitorado. No município, nove de cada dez habitantes são comprovadamente indígenas. É o município com maior número de índios no país.

O vice-prefeito eleito André Baniwa disse que a vitória eleitoral é resultado do amadurecimento político do povo indígena. Segundo ele, saúde e educação serão prioridade na próxima administração.

“Há necessidade de reconhecimento e legalização das escolas indígenas, formação de professores e qualificação dessa categoria. Terão prioridade no município saúde, infra-estrutura e segurança, além de ações que busquem alternativas de renda para a população”, informou Baniwa.

Em Barreirinha, a 331quilômetros de Manaus, Mecias Satere Mawe, foi eleito prefeito com 33,1% dos votos válidos (3.666).

Para o diretor do Centro Amazônico de Formação Indígena e presidente do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas, Domingo Sávio Camico, o resultado das eleições nos dois municípios é uma conquista histórica para os povos indígenas. Ele disse que a participação das populações indígenas na política é coisa recente no Amazonas, onde, tradicionalmente, esse envolvimento se dava por meio das organizações que os representam e de movimentos sociais.

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