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APESAR DE QUEDA COM RELAÇÃO A SETEMBRO PASSADO, ÁREA DESMATADA DA AMAZÔNIA AUMENTA NA COMPARAÇÃO COM AGOSTO

A grande vilã

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse, na última semana, que o desmate de 253,8 quilômetros quadrados (km²) na área da Amazônia Legal registrado no mês de setembro foi o menor para o mês desde 2004 e registrou que a atividade que mais contribui para o desmatamento da região é a agropecuária.

No entanto, em relação ao mês de agosto desse ano, o desmatamento em setembro aumentou, como mostra notícia da Agência Brasil. Passou de 164 km² para 253,8 km² de área derrubada em setembro. Agora, com a entrada do mês das chuvas, o desmatamento tende a diminuir, mas a ministra enfatiza que a fiscalização do Ibama deve continuar.

Sobre a votação do Código Florestal, a ministra disse que há alguns avanços no texto, como a definição dos manguezais como áreas de preservação ambiental.

No entanto, o novo código sinaliza que a fiscalização e o cuidado com as áreas de vegetação deve ser ainda maior, já que os grandes beneficiados com o novo código até agora são os ruralistas que, como a ministra mesmo disse, são os grandes vilões do desmatamento já que coordenam a atividade agropecuária, definida por ela como a principal contribuinte da diminuição das áreas florestais.

Veja textos sobre o assunto da Agência Brasil:

Desmatamento na Amazônia aumenta e chega a 253,8 km² em setembro
Por Roberta Lopes

Brasília – A Amazônia perdeu uma área de 253,8 quilômetros quadrados (km²) de floresta em setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram registrados 448 km² de desmate, houve queda de 43%. Na comparação com o mês de agosto, entretanto, quando foram contabilizados 164 km² de derrubadas, houve aumento da área desmatada.

O estado onde foram registrados mais desmatamentos, em setembro, foi Mato Grosso, com 110 km². Em seguida está o estado de Rondônia, com 49,88 km² e em terceiro, o Pará, com 46,94 km². O estado onde houve o menor registro de desmatamento foi Tocantins, com 2,24 km². No estado do Amapá não foi detectado desmate.

Segundo o Inpe, apenas 5% da região não foram monitoradas por causa das nuvens. (Texto completo)

Desmatamento é o menor para setembro desde 2004, diz ministra
Por Roberta Lopes

Brasília – A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse hoje (31) que o desmate de 253,8 quilômetros quadrados (km²) na área da Amazônia Legal registrado no mês de setembro foi o menor para o mês desde 2004, quando o levantamento do sistema de detecção do desmatamento em tempo real começou a ser feito. A redução, na comparação com o mês de setembro do ano passado, foi de 43%. Segundo ela, a agropecuária ainda é a maior vilã do desmatamento.

“Há uma forte pressão da agropecuária, chama a atenção que esses dados estão associados muitas vezes à supressão autorizada de vegetação. Isso nós só poderemos verificar no final do ano.”

A ministra disse ainda que a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) não vai parar por causa do período de chuvas. “Agora, estamos entrando no período de chuvas, que usualmente tende a reduzir o desmatamento, mas vamos manter a força do Ibama em campo. O Ibama e os órgãos federais vão manter a fiscalização. Temos 25 frentes de homens trabalhando na Amazônia monitorando as áreas críticas”.

Ela comentou ainda sobre a votação do Código Florestal, que teve o relatório apresentado nas comissões de Agricultura e de Ciência e Tecnologia do Senado Federal. Segundo Izabella, o ministério está fazendo uma avaliação do relatório e identificou avanços, principalmente no que diz respeito às áreas de manguezais. (Texto completo)

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COMUNIDADE INDÍGENA ISOLADA NA FRONTEIRA COM O PERU É ATACADA POR SUPOSTOS NARCOTRAFICANTES PERUANOS

Aldeia de índios isolados do Igarapé do Xinane: ameaçados e vulneráveis

Vulnerabilidade e abandono das comunidades indígenas isoladas, somados à impunidade com relação a madeireiros, narcotraficantes e toda sorte de exploradores que agem na região da floresta amazônica, desenham um cenário de violência e injustiça que há mais de dez anos faz parte da paisagem local.

Do Brasil de Fato

Dia Internacional do Índio é marcado por ataque a povos isolados
O episódio ocorreu nos últimos dias de julho e os indícios dão conta de que um massacre ocorreu contra índios isolados do Igarapé do Xinane
Por Renato Santana

Em pleno Dia Internacional do Índio, nesta terça-feira (9), o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, desembarcou no Acre (AC) para tratar daquilo que se caracteriza como mais um ataque aos povos em situação voluntária de isolamento na selva amazônica – com ele, a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki.

O episódio ocorreu nos últimos dias do mês passado, a 32 quilômetros da fronteira com o Peru, e os indícios dão conta de que um massacre ocorreu contra índios isolados do Igarapé do Xinane – região da cabeceira do Alto Rio Envira, distante 600 quilômetros de Rio Branco, capital acreana. Conforme notícias veiculadas pela imprensa, os dois funcionários da Funai que atuam na Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira falam em “correrias” (massacre) empreendidas sobre os indígenas isolados.

Pontas de flechas foram encontradas por eles e agentes da Polícia Federal (PF) em acampamentos abandonados por supostos narcotraficantes peruanos, autores dos ataques. Mesmo sem a confirmação das mortes entre os indígenas, fica evidente a situação de vulnerabilidade em que se encontram tais comunidades – seja em face da ação de madeireiros, narcotraficantes e toda sorte de exploradores.

“Querem tocar no assunto como se fosse novidade, mas há mais de 10 anos ocorrem com frequência assassinatos e ataques aos povos isolados. São traficantes, madeireiros, grileiros e a compreensão de desenvolvimento de Brasil, Bolívia e Peru que contribuem para a ameaça aos isolados”, denuncia o missionário Lindomar Dias Padilha – que atua pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na região há quase 14 anos.(Texto completo)

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Esfinge contemporânea

Amplo projeto reúne na Amazônia cientistas brasileiros, peruanos e norte-americanos em uma iniciativa que busca compôr um quadro detalhado de como a malária se propaga pela região. O objetivo do grupo é descobrir formas mais eficientes de controle e até de erradicação de uma doença que ainda faz vítimas pelo Brasil e desafia a ciência.

Da Unesp Ciência

Decifra-me ou te devoro
Por Giovana Girardi

São seis da tarde quando três pesquisadores paulistas sentamse nas cadeiras da varanda de uma casa na zona rural de Acrelândia (AC), tiram os tênis e as meias, arregaçam as calças até os joelhos e esperam. De quando em quando, iluminam as próprias pernas com lanternas para checar se as demais convidadas para o encontro não chegaram sorrateiras. Finas, escuras e com inconfundíveis “botinhas” brancas, elas têm o hábito de se aproximar na perpendicular junto à pele exposta, como um prego.

Mas tão logo o fazem, são interpeladas pela equipe e conduzidas ao local reservado para elas – pequenos potes de plástico cobertos com uma redinha. A rapidez da ação é fundamental para que o resultado do encontro não seja muito doloroso. Afinal, a expectativa daqueles cientistas, numa literal doação de sangue pela ciência, era atrair naquela noite de abril, e nas muitas outras que vão se seguir periodicamente pelos próximos anos, fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles, vetores do parasita causador da malária.

O trabalho visa capturar especificamente os insetos que chegam até as casas dos moradores de áreas onde a doença
é endêmica. E é uma das etapas de um amplo projeto que pretende compor um quadro detalhado de como a malária se
propaga na Amazônia. A iniciativa reúne um time multidisciplinar de pesquisadores brasileiros (de universidades como USP, Unesp e Federal do Acre), peruanos e americanos, sob coordenação geral do patologista Joseph Vinetz, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

É um esforço para fornecer subsídios para a elaboração de mecanismos mais eficientes de controle da doença. E, quem sabe, sua erradicação. No Brasil, a partir do início da década de 1990, a malária se estabilizou em cerca de 500 mil casos por ano – a maciça maioria na Amazônia Legal –, experimentando uma queda para pouco mais de 300 mil em 2008 e 2009 (último ano com dados fechados), de acordo com o Ministério da Saúde. Também houve redução na mortalidade: de 3 em 10 mil habitantes, em 1999, para 1,5 em 10 mil, em 2008, ainda segundo o ministério. O órgão credita esses resultados à ampliação da rede de diagnóstico e tratamento na região amazônica.(Texto completo)

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GRÁFICOS, UMA BOA FORMA FORMA DE SE ENTENDER O DESMATAMENTO, A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E OS PARTIDOS POLÍTICOS

Veja o gráfico abaixo e entenda uma diferença importante na política brasileira em relação ao desmatamento na Amazônia.

O governo de Fernando Henrique (PSDB) foi marcado por duas coisas aparentemente incompatíveis (recessão e aumento do desmatamento) e o governo Lula também, só que foi ao contrário (crescimento econômico e diminuição de desmatamento).

A política no Brasil parece ter entrado em um novo patamar administrativo. Esperamos que o governo Dilma continue nesse processo. Veja o gráfico e a notícia abaixo.

vi gráfico no Com Texto Livre

Desmatamento na Amazônia cai 14% e alcança menor taxa em 22 anos

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Entre agosto de 2009 e julho de 2010, a Amazônia perdeu 6.450 quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa anual de desmate registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento, em 1988.

A área desmatada equivale ao tamanho do Distrito Federal ou a quatro vezes o da cidade de São Paulo. O número foi divulgado hoje (1°) pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara, e representa uma queda de 14% em relação ao ano passado, quando o desmatamento atingiu 7,6 mil km² da Amazônia Legal.

“É um número auspicioso, é uma redução de 14% em relação ao ano anterior, que já teve uma redução significativa”, avaliou Câmara.

A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso.

O desmatamento anual ficou acima do esperado pelo governo, que projetava uma taxa de 5 mil km².

Segundo Câmara, o Inpe registrou redução significativa do desmatamento nos três estados que tradicionalmente lideram o ranking de derrubadas: Mato Grosso, Pará e Rondônia.

Com a taxa de anual de 6 mil km², o Brasil se aproxima da meta de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020. Pelo cronograma, assumido em compromisso internacional, daqui a dez anos, o país chegará a uma taxa anual de 3,5 mil km² de desmate. O governo já cogita antecipar o cumprimento da meta para 2016.

De acordo com o Inpe, a margem de erro da estimativa anual de desmatamento é de 10%, ou seja, pode resultar em uma variação de 645 km² para ou mais ou para menos quando os dados forem consolidados.

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CAATINGA É O BIOMA MENOS ESTUDADO E ESTÁ MAIS AMEAÇADO DO QUE A AMAZÔNIA

Caatinga está sendo destruída mais rápido do que a Amazônia, diz Minc

Lisiane Wandscheer
Repórter da Agência Brasil

Governo lança mapa das unidades da Caatinga

Governo lança mapa das unidades da Caatinga

Brasília – O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse hoje (29), no lançamento do Mapa das Unidades da Caatinga em Terras Indígenas, que o bioma é um dos mais ameaçados, menos estudados e menos protegidos do país.

Na ocasião, foi assinado um plano de ação entre o Ministério do Meio Ambiente, a Fundação Chico Mendes e a organização não-governamental The Nature Conservancy (TNC) para promover a criação e a consolidação de unidades de conservação na caatinga, a seleção de áreas prioritárias à conservação desse bioma e a elaboração da lista de regiões onde serão feitos estudos até dezembro de 2010.

“O mundo inteiro se preocupa com a Amazônia, nós também nos preocupamos com a Amazônia, mas a caatinga e o cerrado têm pouca proteção. A caatinga está sendo destruída num ritmo mais acelerado que a Amazônia. Eu não quero que daqui a alguns anos o que restou de caatinga vire deserto”, afirmou Minc, referindo-se ao dado de que 62% das áreas com tendência à desertificação estão em zonas originalmente ocupadas pela caatinga.

O ecossistema, exclusivamente brasileiro, ocupa 11% (844.453 quilômetros quadrados) do território nacional, abrangendo parte dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais. Esse bioma é responsável por grande riqueza de ambientes e espécies, com 932 tipos de plantas, 148 mamíferos e 510 aves.

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