Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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EXÍLIO, CRIME, FANTASMAS: OS DEZ ANOS DA MORTE DE ROBERTO BOLAÑO RENOVAM O FASCÍNIO EM TORNO DA OBRA DO ESCRITOR CHILENO

"O detetive selvagem"

“O detetive selvagem”

Por Maura Voltarelli

Especial para o Educação Política

Há dez anos morria o escritor chileno Roberto Bolaño. Se hoje, Bolaño é um dos escritores latino-americanos mais importantes, mais estudados e comentados, não era assim na ocasião de sua morte e durante a sua vida. Como gostava de dizer a respeito da natureza do trabalho do escritor, Bolaño encarnou como ninguém a figura do escritor exilado, ao qual se impõe de alguma forma o exílio. Este sempre existiria quando se é escritor, segundo ele, mesmo sem sair de casa. Seriam os escritores sempre “exilados de si mesmos”.

Mesmo sendo cada vez mais estudado e lembrado, as imprecisões sobre a obra do chileno ainda persistem. “O suposto vício em heroína, o relevo indevido aos Estados Unidos como suposta instância fundamental para sua consagração literária, a incompreensão do caráter intrinsecamente inconcluso (infinito) de sua obra”.

Bolaño parece permanecer, e talvez fosse esse mesmo o propósito de sua literatura, cercado por sombras. Sombras que são inerentes à literatura, sempre a recriar e prolongar fantasmas em nossa imaginação que se projetam sobre a realidade. No caso de Bolaño, a sombra é reforçada pela metáfora do detetive, tão utilizada para falar do escritor.

Tão utilizada e tão pertinente. Bolaño encarna de fato a figura de um detetive que vasculha os crimes cometidos na América Latina e faz reverberar esses crimes numa escala mundial e cada vez mais ampla, enfrentando todos os fantasmas, sejam eles íntimos ou sociais. Sua literatura é uma denúncia dos horrores, mortes e perdas da ditadura, e é sempre uma esperança, embora seja essa esperança, como diz um belo título de um de seus livros, uma “estrela distante”.

Abaixo, um documentário sobre Bolaño, onde ele é comparado, pela vida e pelo tom de sua obra, aos escritores malditos.

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FACEPOPULAR, UM CONCORRENTE DE PESO PARA O FACEBOOK, PROMETE SER MAIS LIVRE E SEM O BIG BROTHER DOS ESTADOS UNIDOS

Logo do Facepopular

Logo do Facepopular

Um novo “facebook” surgiu na América Latina e pretende ser a grande rede social da região.  Diferente do Facebook, a nova rede social promete não passar informações para os espiões dos Estados Unidos, denunciados por Edward Snowden.

O nome “Facepopular” surge da sigla “Frente Alternativa Contra o Establishment”. Seus criadores buscam “gerar um canal de comunicação e interação comunitária sem as arbitrariedades e modelos impostos pelas demais redes sociais, desenhadas e operadas fora da América Latina por corporações multinacionais”, explica a própria página, segundo informações do portal Terra.

O “Facepopular” é semelhante ao Facebook, mas tem novidades como o botão “não curtir”

O novo “Facepopular” integra a chamada redpopular.net, grupo de mídia on-line, que busca orientar e difundir expressões populares que não encontram eco nas corporações e conglomerados de mídia a serviço dos centros de poder”, explicam seus criadores, de acordo com o portal.

Falta ainda uma versão em português. Por enquanto parece que é só em espanhol e inglês.

Visite o Facepopular.net

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HASTA SIEMPRE! HUGO CHÁVEZ ÉS UN DEMONIO?

hugo e cheHASTA SIEMPRE!

Eduardo Galeano

Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabían leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo. Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la “Venezuela Saudita” por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir “Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos”. Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo. Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres. En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.

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AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA SERÁ LIVRO BASE DE LEITURA PARA AS ESCOLAS DA BOLÍVIA

Atemporal, humano, social...

Da Agência Educação Política

Uma ótima notícia que valoriza não só a literatura, como a educação de forma geral. O Ministério da Educação boliviano decidiu adotar, a partir de 2011, a obra As Veias Abertas da América Latina como um livro base de leitura nas escolas do país. O livro do historiador, escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, além de muito bem escrito, desconstrói muitos dos estereótipos e falsas ideias relacionadas à colonização latino-americana difundidas pela cultura dos povos que ajudaram a explorar e descaracterizar a América Latina ao longo da sua história.

É exatamente pela quantidade de informações históricas e bem apuradas trazidas pelo livro e pela capacidade de fazer com que se entenda as raízes da nossa colonização e se expliquem muitos dos nossos problemas atuais; que o livro deve mesmo ser encarado como leitura obrigatória. Ao ler a obra, os bolivianos conhecerão melhor a sua história, entenderão o presente com base nas luzes lançadas sobre um passado que foi, na maior parte do tempo, dominado por sombras.

Além disso, a obra de Galeano tem um peculiar poder catártico. Ela faz com que o leitor se transforme, com que amadureça as suas impressões, com que saia, por alguns minutos, de dentro de si mesmo, e veja a realidade em todo seu espectro complexo de causas e consequências, interesses e ambições, desigualdade e exploração de muitos em benefício de poucos.

Um livro social, atemporal, leitura urgente e obrigatória que nunca se extinguirá na historiografia literária ou no conjunto das obras essencialmente jornalísticas pelo seu engajamento que se faz, no mesmo movimento, humano e social! Vale dizer que a postura do Ministério da Educação da Bolívia deveria se estender aos demais países da América Latina já que, é consenso dizer que para mudar o presente, é indispensável conhecer a VERDADE, sobre o passado!

Galeano será leitura básica na Bolívia
A partir de 2011, o livro “As veias abertas da América Latina” deverá ser adotado por todas as escolas do país

Brasil de Fato
Vinicius Mansur

O anúncio foi feito pelo vice-ministro de Descolonização, Félix Cárdenas, durante o 1º Encontro Nacional do Processo de Descolonização, realizado durante esta semana na cidade de La Paz.

Em entrevista ao jornal boliviano Cambio, Cárdenas afirmou que, “a partir de 2011, o Ministério de Educação estabelecerá que a obra de Galeano deve ser necessariamente assumida como um livro base de leitura (…) O livro ‘As Veias abertas da América Latina’ permite ter uma outra visão, já que desestrutura a história colonial da região”, disse Cárdenas. De acordo com o vice-ministro, outros livros serão incluídos, como os do sociólogo Zavaleta Mercado, “que inspiraram a revolução de 52”.

O livro do historiador, escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano foi publicado em 1971. A obra analisa a história da América Latina desde a colonização européia, com crônicas e narrativas do constante saqueio de recursos naturais da região, divididas em duas partes: “A pobreza do homem como resultado da riqueza da terra” e “O desenvolvimento é uma viagem com mais náufragos que navegantes”. (Texto Completo)

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BRASIL CONTINUA CAMPEÃO EM DESIGUALDADE SOCIAL, DIZ ESTUDO DA COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA (CEPAL)

A cara do Brasil: uma face incrustada na alma brasileira

As melhorias econômicas do governo do presidente Lula foram insuficientes para retirar do Brasil o título de campeão da desigualdade na América Latina. É o que mostra um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), revelado pela coluna de Maurício Dias,  na última edição da revista Carta Capital.

Isso só demonstra que o Brasil precisa de um governo mais dedicado ao combate à desigualdade social. Esse é um grande nó do Brasil. Quem vai ser o candidato, que será eleito no final deste ano, capaz de promover o debate sobre a desigualdade?

Veja trecho do texto de Maurício Dias:

O Brasil, no entanto, é colocado sob foco em alguns momentos. E se sai muito mal em alguns casos, como mostra a tabela de desigualdade, utilizado o coeficiente de Gini, em que o número “zero” corresponde à igualdade perfeita e “1” representa a desigualdade perfeita. O gigante do continente vem em último lugar com 0,58, quando a média é 0,53. (Texto integral na Carta Capital)

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Embargo é melhor que ajuda dos Estados Unidos?

A pequena ilha de Cuba, que sofre há quase 50 anos embargo da maior potência mundial (os Estados Unidos) terá em 2010 um PIB (Produto Interno Bruto) per capita maior que o da Colômbia, parceira estratégica dos norte-americanos na América Latina e país que recebe dos EUA ajuda financeira e base militar.

Os dados são Economist Intelligence Unit (The Economist), e publicado recentemente pela Carta Capital. Cuba terá em 2010 um PIB per capita de 5.220 dólares enquanto a Colômbia, de 5.110. A diferença é mínima, mas é essa a situação da Colômbia.

O Brasil aparece com um PIB per capita de 8.480 dólares, a frente da Argentina, com 7.230 dólares, mas bem abaixo da Venezuela (11.660), Uruguai (10.220) e Chile (9.950).

A Bolívia, que durante séculos foi dominada pelos ruralistas de Santa Cruz, tem previsão de PIB per capita de apenas 1.940 dólares. O Paraguai aparece um pouco melhor, 2.140.

É difícil entender a economia e mais difícil ainda é entender porque um país que sofre embargo da maior potência mundial consegue ter um PIB (Produto Interno Bruto) per capita maior do que o parceiro estratégico da maior potência mundial.

Os dados, em um projeto multimídia bem feito, podem ser acessado no site da The Economist, ao clicar em Word in 2010.

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DEPOIS DE CUBA E VENEZUELA, BOLÍVIA É O TERCEIRO PAÍS DA AMÉRICA LATINA A ERRADICAR O ANALFABETISMO; BRASIL AINDA PATINA E FICA PARA TRÁS

Fernanda Chaves

Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)

Evo Morales anuncia o fim do analfabetismo na Bolivia

Evo Morales anuncia o fim do analfabetismo na Bolívia

A Bolívia se tornou o terceiro país da América Latina a erradicar o analfabetismo ontem, 20 de dezembro. O primeiro foi Cuba, em 1961. Depois, foi a vez da Venezuela, em 2005. E, justamente com a ajuda de cubanos e venezuelanos, o governo do presidente Evo Morales, em menos de três anos, pôde ensinar 820 mil pessoas a ler e escrever. O método utilizado foi o “Yo, sí puedo”, criado pela Revolução Cubana, que também contribuiu com assessores e equipamentos.

Na entrevista a seguir, o cubano Javier Labrada Rosabal e o boliviano Pablo Quisber, ambos coordenadores do programa de alfabetização, explicam o método e contam como o projeto se desenvolveu e foi implementado na Bolívia.

Brasil de Fato – Como funciona o programa Yo, sí puedo? Como foi aplicado na Bolívia?

Javier Labrada Rosabal: Na Bolívia, foi uiniciativa do presidente eleito. Em Havana, antes de tomar posse, Evo Morales firmou um convênio com o então presidente cubano Fidel Castro para o projeto de desenvolvimento do programa nacional de alfabetização em seu país. No último dia da campanha presidencial de Evo, um jornalista perguntou a ele: “para que o senhor quer ser presidente?”. Ele respondeu: “para muita coisa, mas, principalmente, valorizar o meu povo”. Essa era sua máxima aspiração. Então, em Cuba, em dezembro de 2005, em sua primeira viagem como presidente eleito, o governo cubano se comprometeu a desenvolver e enviar todo material didático necessário e também a assessoria para a implementação. Um mês depois, na Bolívia, junto com Evo, desenvolvemos, a partir de suas orientações, os moldes do programa, que foi lançado em março de 2006.

Quais sãos os fatores fundamentais dessa campanha?

Javier: Em primeiro lugar, a vontade política do presidente. Em mais de 500 anos de existência da Bolívia e quase 200 de Bolívia republicana, nunca nenhum governo havia implantado, como política, uma campanha de alfabetização. Aqui, houve algumas tentativas, inclusive através de ONGs, mas nunca se consolidou uma verdadeira política como agora.

E as particularidades da Bolívia?

Javier: Em relação àVenezuela e à Bolívia, que são casos mais recentes , o trabalho é fruto de presidentes comprometidos com seu povo. A maneira como o povo boliviano se assumia na campanha permitiu a conformação das comissões de alfabetização em todos os níveis. É um fenômeno social muito complexo que não aconteceria sem a força de muitos. Desse modo, a Bolívia está enfrentando o analfabetismo, com 60 mil bolivianos atuando como facilitadores e supervisores. Aí está o protagonismo principal. A força é dos bolivianos. Nós trazemos o método, ajudamos metodologicamente, organizativamente, através da experiência que já temos, mas o recurso humano principal é o boliviano. Aqui somos 128 cubanos e 47 venezuelanos ajudando a implementar o programa. Somente nós não teríamos como promover a alfabetização. Impossível.

O êxito do projeto se deve claramente à inclusão cidadã e também à adesão de todos os municípios, incluindo seus prefeitos, que apóiam o programa – até mesmo os que não simpatizam com o governo. Isso é muito importante dizer. É um programa humano, educativo, que não tem a ver com assuntos políticos internos.

Em quantos países se desenvolve o método Yo, sí puedo?

Javier: O programa está presente em 28 países do mundo. Nós temos o método “Yo, sí puedo” em vários idiomas: em inglês, em mauí (para a Nova Zelândia), em português (estamos aplicando em alguns lugares do Brasil, como Piauí).

Geralmente, quais dificuldades são enfrentadas?

Javier: O maior inimigo do programa é a pobreza. O problema número um do analfabeto não é não saber escrever, é ter que dar o sustento para sua família.

Como, se é por televisão?

Javier: Com a cooperação de Venezuela e Cuba, instalamos 8.350 painéis de energia solar, num esforço tremendo, atravessando rios, estradas… esse país é imenso. Tem altiplano, vales, amazônia, é muito diverso. Mesmo assim, triunfamos na diversidade, adaptamos o método às características das regiões, obviamente com toda a ajuda dos facilitadores e das próprias comunidades.

É uma missão, sobretudo?

Javier: Nós, professores cubanos e venezuelanos, estamos numa missão internacional, aprendemos muito com o povo boliviano e ainda há muito o que aprender sobre a Bolívia. Nos sentimos honrados de estar aqui agora, de auxiliar esse desenvolvimento, sobretudo por cumprirmos o sonho de Che Guevara, que deu seu sangue por esta terra, para que não houvesse analfabetos. Se o Che tivesse triunfado há 40 anos, as coisas estariam bem diferentes. Mas temos agora essa oportunidade com o Evo no governo. Eu particularmente estou muito emocionado. São 820 mil pessoas alfabetizadas. O Evo é o impulsionador máximo, o animador máximo desse programa.

O programa é apoiado até por prefeitos que não são da “base” do Evo? Como é isso?

Pablo: Isso é a fortaleza do programa e estamos muito orgulhosos disso. Os governos municipais recebem recursos de muitas fontes. Temos 327 municípios, cada um com seu governo.  O programa de alfabetização é um projeto ideal para os municípios, não importa seus tamanhos. Trabalhamos em municípios totalmente opositores a Evo. Houve um caso no departamento de Pando, por exemplo, em Bolpebra, uma cidade bem pequena, na fronteira com Brasil e Peru, e onde não havíamos entrado ainda. Mas era o único na região. As autoridades eram muito desrespeitosas com o pessoal de Cuba e da Venezuela, desconfiavam da gente, não nos queriam lá, até com escopetas nos ameaçaram… Não ingressamos nesse município até que o prefeito viesse nos pedir! Ele se deu conta que os municípios vizinhos, Cobija, El Porvenir, avançaram. Estavam se beneficiando do programa, com televisores, painéis solares… e também com os professores. E iam os médicos cubanos, para fazer exames de vista de aprendizado, eram distribuídos óculos. Exames de saúde eram feitos, e a população satisfeita. E o município “dele” era o único ainda da região que não tinha acesso a esses benefícios. Prefeitos totalmente opositores se dão conta que vale a pena. O caminho do desenvolvimento, seja por qualquer via, socialismo ou o capitalismo, passa pela educação das pessoas.

Qual é o custo financeiro para se implementar o Yo, sí puedo?

Pablo: Até agora, estamos fechando com 35 ou 36 milhões de dólares. Isso inclui tudo, tudo, tudo. O grosso desse custo não vai pro governo boliviano. O governo aportou 8 milhões de dólares, que sai dos contribuintes bolivianos. O restante, 28 milhões de dólares, é produto de doação em recursos como equipamentos e assessores, de Cuba e da Venezuela. Há os 8.350 painéis solares, que foram todos doados pelos dois países, e cada um custa 1,3 mil dólares. Esses 36 milhões parecem uma cifra grande, mas, se dividirmos pelo conjunto de pessoas que foram alfabetizadas, não dá mais que 40 dólares por pessoa. O cálculo mais realista fica em torno de 150 dólares por participante. (Texto Integral no Brasil de Fato)

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Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em um ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para monitorar o cumprimento de metas pelos países para melhorar a educação, o Brasil ocupa a 80ª posição em uma lista de 129 países estudados. Fica atrás de países latino-americanos como o Paraguai, a Venezuela e Argentina, além do Kwait, Azerbaijão, Panamá e outros. O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos foi lançado hoje (25), em Genebra, pela instituição. O compromisso Educação Para Todos, firmado durante a Conferência Mundial de Educação em Dacar, no ano 2000, estabelece metas que devem ser cumpridas pelos países até 2015. Entre elas estão expandir e melhorar a educação na primeira infância, garantir ensino de qualidade e melhorar em 50% as taxas de alfabetização de adultos. Segundo o relatório, o Brasil está no grupo dos países intermediários que caminham para atingir as metas. Entres os países da América Latina e do Caribe, da Argentina, do México e Uruguai estão no grupo “perto de cumprir as metas”. Entre os problemas do Brasil, o relatório destaca as altas taxas de reprovação, a evasão escolar, o analfabetismo e o baixo desempenho dos alunos brasileiros em avaliações internacionais. “A América Latina e do Caribe são responsáveis por 3,5% das crianças do mundo inteiro que estão fora da escola. O Brasil é o único país com mais de 500 mil crianças fora da escola”, aponta o estudo. Todavia, o relatório afirma que esse problema não impedirá o país de cumprir as metas até 2015. “Acho que tivemos evolução e vamos cumprir as metas. Nós temos hoje um Plano de Desenvolvimento da Educação [PDE] que é muito estruturado e que tem inclusive suas próprias metas. A situação está melhorando”, avaliou a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar.

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