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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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DIRETOR DA REVISTA VEJA DEVERÁ DEPOR NA CPMI DO CACHOEIRA APÓS JUIZ DENUNCIAR TENTATIVA DE CHANTAGEM DE ANDRESSA MENDONÇA

CPMI do Cachoeira convocará jornalista da Veja para depor

Najla Passos – Carta Maior

Policarpo Jr deverá depor na CPMI do Cachoeira

Brasília – O diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, o jornalista Policarpo Junior, será convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investiga os crimes cometidos pela organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Já iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”, afirmou à Carta Maior o vice-presidente da Comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Nesta segunda (30), a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, foi detida sob a acusação de tentar chantagear o juiz da 11ª Vara Federal de Goiânia, Alderico Rocha Santos, com base em dossiê produzido por Policarpo Junior, no qual o magistrado apareceria ao lado de políticos e empresários. O juiz relatou a chantagem ao Ministério Público Federal (MPF), que pediu a prisão da mulher do contraventor. Andressa foi detida pela Polícia Federal (PF) e liberada após firmar compromisso de pagar fiança.

“Isso demonstra que esta organização criminosa está ativa, buscando corromper e constranger autoridades públicas. E que Andressa não é apenas esposa de Cachoeira, mas um membro atuante desta quadrilha, que precisa ser desarticulada”, disse o vice-presidente da CPMI. Segundo ele, a acusada está convocada para depor na CPMI no dia 7. Já Policarpo, ainda terá data agendada.

Indústria de dossiês
Desde o início dos trabalhos da CPMI do Cachoeira, são muitas as denúncias que indicam relações entre a revista Veja e a organização criminosa, que seriam intermediadas por Policarpo. (Carta Maior)

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ANDRESSA MENDONÇA, MULHER DE CACHOEIRA, ESTÁ INDIGNADA PORQUE A DOUTRINA GILMAR MENDES NÃO ESTÁ SENDO ACATADA

Andressa: “é discriminatório”

A entrevista de Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, é exemplar de como a certeza da impunidade já faz parte do planejamento das ações criminosas da corrupção do Estado. Essa certeza de impunidade está baseada na concepção da doutrina de Gilmar Mendes, que prevê a prisão do acusado somente após o julgamento do último recurso, ou seja, o julgamento pelo próprio Supremo Tribunal Federal. 

Andressa deixa claro na entrevista que Cachoeira está tendo um tratamento diferente dos outros acusados de corrupção nos últimos anos. E ela tem razão. Em todos os outros prevaleceu a doutrina de que ninguém vai preso até a última instância recursiva. Ou seja, isso pode demorar 20 ou 30 anos e o acusado pode até morrer nesse período.

Andressa sente, por isso, que Cachoeira está sendo injustiçado. Ela fala de uma forma tão clara e mostra que a corrupção é tolerada pela justiça brasileira, visto que não é um crime hediondo. Diferente de Cachoeira, os outros acusados de corrupção ficaram apenas dias ou semanas na cadeia. E isso fazia parte dos riscos. Mas ficar preso já por cinco meses estava completamente fora do programado. Ela diz: “ele está sendo perseguido, é discriminatório”.

A doutrina Gilmar Mendes parece estar com as mãos amarradas, até o momento. Veja logo abaixo trecho da entrevista de Andressa Mendonça, com destaques em vermelho:

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Fantástico – A gente está conversando com você já tem oito semanas para fazer essa entrevista. Por que agora você aceitou?

Andressa – Eu aceitei porque tivemos uma derrota difícil no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e me senti, assim, injustiçada. Acho que o caso do Carlos já está se tornando um absurdo mesmo e ele não tem direito a nada, tudo para ele é negado, é muito difícil. Sinto muito que ele tá sendo perseguido, acho discriminatório. Sabe, acho que ele é um bode expiatório. Então…

Fantástico – Bode expiatório de quem?

Andressa – Não sei. Eu considero o meu marido um preso político, né? Eu, Andressa, considero o Carlos um preso político depois da ditadura e…

Fantástico – Mas as acusações contra ele são contravenção, lavagem de dinheiro. São várias acusações relacionadas a crime, a formação de quadrilha. Ele está sendo investigado por contrabando, relacionado às máquinas caça-níqueis…

Andressa – São acusações…

Fantástico – Mas como é que isso o transforma em preso político?

Andressa – Acusações. Meu marido é inocente, ele pode responder em liberdade, não cometeu crime hediondo, ele não matou ninguém, não fez tráfico de armas, de drogas, não existe prostituição no processo. Considero ele um preso político porque na CPI do Cachoeira, onde leva o nome dele, ficou muito clara a briga do PT com o PSDB, um parlamentar querendo aparecer mais que o outro e, infelizmente, a gente tem que passar por isso, né?

Fantástico – Ele se considera inocente das acusações que são feitas contra ele?

Andressa – Ele se considera inocente e com o direito de responder em liberdade, das acusações. Ele tem o direito de provar que é inocente e responder em liberdade. (Texto Integral no 247)

REDE GLOBO É GRAMPEADA TENTANDO LIGAR O EX-PRESIDENTE LULA E AGNELO QUEIROZ AO ESQUEMA DE CARLINHOS CACHOEIRA

Todo cuidado é pouco quando se vai entrevistar a esposa de alguém que é considerado o maior grampeador do Brasil. A Globo não tomou todos os cuidados e ao entrevistar Andressa Mendonça (foto ao lado), mulher de Carlinhos Cachoeira, teve a entrevista grampeada, ou melhor, filmada por um celular na íntegra.

O que se constatou depois foi que a Rede Globo tentou ligar o ex-presidente Lula e o governador do Distrito Federal, Agnelo Querioz, ao esquema de Carlinhos Cachoeria. Andressa Mendonça negou e a informação não foi ao ar. A entrevista foi publicada na íntegra no site 247. Veja abaixo trecho da entrevista:

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Num dos trechos, a mulher de Cachoeira é questionada sobre o suposto pagamento de uma aeronave para o que médium João de Deus, que realiza cirurgias espirituais em Abadiânia (município goiano bem no meio do caminho entre Goiânia e Brasília), visitasse Lula em São Paulo. À época o ex-presidente realizava seu tratamento contra o câncer na Laringe no hospital Sírio Libanês.

Veja o trecho:

Fantástico – Quando o médium João de Deus… Você conhece João de Deus?

Andressa – Já o vi aqui, na casa do meu sogro. Ele vinha orar para a minha sogra, que faleceu.

Fantástico – Quando ele foi visitar o presidente Lula, em São Paulo, foi o Carlos quem arranjou a visita, cedeu o avião?

Andressa – Não sei te responder.

Fantástico – Mas vocês têm contato com o João de Deus? A família é espírita?

Andressa – Acho que não. Não sei. Acredito que não. Mas ele é uma pessoa que mora em Anápolis, é uma figura fácil aqui. Ele ora pelas pessoas que estão doentes. Ele veio orar pela minha sogra algumas vezes.

Em outro trecho, Andressa é questionada sobre uma suposta viagem dela, de Cachoeira e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiróz, aos Estados Unidos. Ela nega, mas a repórter insiste:

Fantástico – E este encontro que vocês tiveram com o governador Agnelo Queiroz nos Estados Unidos? Vocês discutiram política ou foi um encontro social?

Andressa – Desculpa, com quem? 

Fantástico – Com o governador Agnelo Queiroz.

Andressa – Nos Estados Unidos?

Fantástico – É.

Andressa – Eu não conheço o governador do Distrito Federal.

Fantástico – Vocês não se encontraram nos Estados Unidos?

Andressa – Não, não nos encontramos.

Fantástico – Vocês nunca se encontraram? Você, junto com o Carlos, nunca se encontraram com ele?

Andressa – Não, nunca vi.

Fantástico – Nunca teve um contato…

Andressa – Nunca. (texto integral)


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