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SETE MULHERES VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR SÃO ANISTIADAS, RELEMBRAM SUAS HISTÓRIAS E PEDEM POR JUSTIÇA

Para os que realmente merecem

Por trás dos nomes das sete mulheres vítimas da ditadura militar que foram anistiadas e indenizadas pela Comissão da Anistia na última sexta-feira (09/03) estão as histórias de sonhos interrompidos, medo, dor, angústia e humilhação que marcam a vida de quem foi submetido, de alguma forma, ao autoritarismo dos regimes ditadoriais.

Hilda Alencar Gil, Ida Schrage, Dulce Maia, Maria Angélica Bacellar, Maria Nadja, Maria Niedja Leite de Olivera, Darci Toshiko Miyaki e Gilda Fioravante foram vítimas de tortura e perseguição política durante a Ditadura Militar. Mesmo com as particularidades de cada história, todas sofreram na pele o desrespeito constante à integridade humana, às liberdades civis e se viram no meio da tempestade que se levantava contra a construção da democracia brasileira.

No reencontro, algumas delas relembraram as histórias, os momentos de dor em que procuravam se ajudar como podiam, a prisão no Dops, as diversas perseguições, e não deixaram de pedir justiça em nome dessa mesma memória que elas compartilhavam e que não pode ser perdida. Entre as homenageadas do julgamento estavam as “mães de maio” (movimento formado por mães que perderam seus filhos na reação aos ataques de facções criminosas em maio de 2006).

Elas enfatizaram a necessidade de se fazer justiça tanto no passado quanto no presente, já que os crimes que acontecem hoje são, segundo elas, sustentados pela mesma herança autoritária e impune que vem do passado. “Exigimos deste país a memória, a justiça e a verdade do que aconteceu em maio e do que aconteceu na ditadura. Exigimos a abertura dos arquivos da ditadura”, disse Débora Maria da Silva, representante das mães de maio.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pelo jornal O Globo:

Mulheres perseguidas na ditadura conseguem anistia e indenização
Secretário nacional de Justiça pediu desculpas para cada uma das sete brasileiras
Por Tatiana Farah

SÃO PAULO – Lágrimas e reencontros marcaram nesta sexta-feira o “julgamento” de sete mulheres vítimas da ditadura militar. Em sessão especial de homenagem às mulheres, a Comissão da Anistia julgou e anistiou mulheres que sofreram torturas e perseguições políticas.

– Quero, em nome do Estado, pedir desculpas por todas as perseguições, prejuízos e dores que a senhora sofreu – disse o secretário nacional de Justiça e presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, a cada uma das mulheres, entre elas Hilda Alencar Gil, que reivindicou o direito de voltar a estudar Ciências Sociais na USP, já que teve de abandonar o curso devido a perseguições políticas.

Integrante do grupo Polop (Política Operária), Hilda foi mulher do jornalista Pedro Ferreira de Medeiros. Pedro escreveu um artigo histórico na extinta revista O Cruzeiro, sobre o famigerado Comando de Caça aos Comunistas (CCC). No texto intitulado “Comando do Terror”, de 1968, o jornalista dava nomes e conta histórias de integrantes do CCC, o que deflagrou uma perseguição ao casal que não teve parada, mesmo com Pedro e Hilda no exílio.

– A verdade é que ele (Pedro) sempre se recusou a desmentir qualquer uma daquelas afirmações – disse Hilda, que passou a receber uma pensão de R$ 2 mil e uma cota de R$ 222 mil em relação aos pagamentos retroativos desde que correu o processo de anistia.

Planos de estudos e empregos adiados

Militante da Ação Popular (AP) nos anos 60, Ida Schrage teve de viver na clandestinidade , mas acabou presa em 1969. Ficou quatro meses no Dops, onde sofreu tortura física e psicológica. Foi condenada pelo tribunal militar a seis anos de prisão. Na Alemanha, onde se abrigou, dedicou-se a apoiar as mulheres vítimas de violência do Estado de diversos países: (Texto completo)

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HERANÇA DA DITADURA, TORTURA PRATICADA POR POLICIAIS É LEGITIMADA PELO SUPREMO

Supremo pode absolver torturadores

A violência policial é muito presente na vida dos brasileiros em todas as classes sociais. Ninguém escapa, mas é a população negra e que mora em favela ou na periferia que sente na pele a herança da ditadura militar. Os exemplos saltam nos jornais todos os dias. Veja o mais recente caso de tortura e morte praticado por policiais em São Paulo.

A violência e tortura policial, que ainda resiste após 20 anos de democracia, mostram que esse legado da ditadura está consolidado como prática constante no Brasil. Acontece com jovens que fazem pequenos furtos, mas a maioria dos torturados e mortos é de trabalhadores sem passagem pela polícia, inocentes. Há uma cultura, gerada pelos torturadores da ditadura militar no Brasil, que é a cultura do temor à autoridade, temor policial.

A pacificação gerada pela Lei da Anistia é uma grande falácia. A violência dos torturadores militares ou a serviço de militares durante a ditadura escapou ao controle do Estado e da sociedade. Claro que não são todos os policiais, assim como não foram todos os militares que torturaram. É preciso saber quem são e puni-los.

O Supremo Tribunal Federal, ao legitimar a Lei da Anistia, acabou por legitimar a tortura que acontece atualmente no Brasil.

Se historicamente não punimos torturadores, continuaremos a ser lenientes com essa prática horrenda.

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ESTADO BRASILEIRO RECONHECE QUE EDUCADOR PAULO FREIRE FOI PERSEGUIDO PELA DITADURA

Educador Paulo Freire é anistiado

Por Raquel Júnia/Fazendo Média

Ana Maria Freire, viúva do eduador

“Hoje, Paulo, você pode descansar em paz. Sua cidadania plena sem vazios e sem lacunas foi restituída como você queria. Tome, Paulo, o diploma é seu”. Com essas palavras, a viúva de Paulo Freire, Ana Maria Freire, emocionou os presentes durante a sessão de julgamento do pedido de anistia política ao educador, realizado na última quinta-feira, em Brasília. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça declarou por unanimidade Paulo Freire como anistiado e concedeu a Ana Maria Freire uma reparação financeira de 100 mil reais pelos danos que a ditadura causou ao professor. Saiba mais

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