Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: aparelhamento

CRIAÇÃO DA “TV FOLHA” EVIDENCIA O APARELHAMENTO DA TV CULTURA QUE ESTÁ CADA VEZ MENOS PÚBLICA E MAIS TUCANA

Parceria oficial

Uma televisão pública, por definição, é sustentada pelo contribuinte e deve responder a ele antes de qualquer outra pessoa, respeitando, portanto, o interesse público que é, por sua vez, um interesse plural e democrático. Essa lógica simples e fácil de demonstrar vem sendo totalmente invertida na esteira da confusão do público e do privado e, o que parece ser ainda pior, na mistura já quase inseparável entre comunicação e política.

Não é novidade a associação entre o tucanato e os principais grupos de mídia nacionais. A grande imprensa está praticamente toda aparelhada pelos tucanos e, não satisfeitos, eles agora dão cada vez mais forma ao projeto que já se iniciou há algum tempo de aparelhamento da TV Cultura.

O resultado de todo esse processo não pode ser bom. Passa por produção de pensamento único, parcialidade total nas informações e evidente manipulação destas últimas para atender aos interesses de quem hoje controla a sua produção. O público fica neste sentido cada vez mais sem opções. Não que um dia elas foram múltiplas e capazes de deixar o leitor ou telespectador com dor no coração caso deixasse de ler ou ver algo na televisão, no entanto, agora, sequer se tem vontade de ligar a televisão, tal a “pobreza” e visível  direcionamento ideológico do que é dito, escrito, mostrado.

Como escreve Mino Carta na Carta Capital, “estamos é assistindo ao natural conluio entre herdeiros da casa-grande. -Nada de muito elaborado, entenda-se. Trata-se apenas de agir com a soberana prepotência do dono da terra e da senzala”. A última do tucanato foi a criação de uma certa TV Folha, uma nova opção para as noites de domingo na TV. O canal? Não poderia ser outro: a TV Cultura. Atrás da Folha, o canal também abre espaço para Estadão, Valor e Veja.

E a tv pública para onde foi? Neste caso de desaparecimento, é melhor desligar a tv, mesmo porque, agora sim é que não há opções.

Veja trecho do texto sobre o assunto escrito por Mino Carta e publicado na Carta Capital:

A TV Cultura não é pública. Ela é tucana
Por Mino Carta

Uma tevê pública é uma tevê pública, é uma tevê pública e é uma tevê pública, diria a senhora Stein. Pública. Um bem de todos, sustentado pelo dinheiro dos contribuintes. Uma instituição permanente, acima das contingências políticas, dos interesses de grupos, facções, partidos. A Cultura de São Paulo já cumpriu honrosamente a tarefa. Nas atuais mãos tucanas descumpre-a com rara desfaçatez.

A perfeita afinação entre a mídia nativa e o tucanato está à vista, escancarada, a ponto de sugerir uma conexão ideológica entre nossos peculiares social-democratas e os barões midiáticos e seus sabujos. A sugestão justifica-se, mas, a seu modo, é generosa demais. Indicaria a existência de ideias e ideais curtidos em uníssono, ao sabor de escolhas de vida orientadas no sentido do bem-comum. De fato, estamos é assistindo ao natural conluio entre herdeiros da casa-grande. -Nada de muito elaborado, entenda-se. Trata-se apenas de agir com a soberana prepotência do dono da terra e da senzala.

E no domingo 11 sou informado a respeito do nascimento de uma TV Folha. Triunfa nas páginas 2 e 3 da Folha de S.Paulo a certidão do evento, a prometer uma nova opção para as noites de domingo na tevê, com a jactanciosa certeza de que no momento não há opções. E qual seria o canal do novo programa? Ora, ora, o da Cultura. Ocorre que a tevê pública paulista acaba de oferecer espaço não somente à Folha, mas também a Estadão, Valor e Veja. Por enquanto, que eu saiba, só o jornal da família Frias aproveitou a oportunidade, com pífios resultados, aliás, em termos de audiência na noite de estreia.

Até o mundo mineral está em condições de perceber o alcance da jogada. Trata-se de agradar aos mais conspícuos barões da mídia, lance valioso às vésperas das eleições municipais no estado e no País. E com senhorial arrogância, decide-se enterrar de vez o sentido da missão de uma tevê pública. Tucanagens similares já foram cometidas em diversas oportunidades nos últimos anos, uma delas em 2010, o ano eleitoral que viu José Serra candidato à Presidência da República. Ainda governador, antes da desincompatibilização, Serra fechou ricos contratos de assinatura dos jornalões destinados a iluminar o professorado paulista. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

GREVE NACIONAL DOS PROFESSORES TERMINA HOJE E REIVINDICA O CUMPRIMENTO DA LEI DO PISO
O BRASIL NEGRO DA TORTURA SEGUE SENDO REVELADO POR RELATOS DE AMOR E REVOLUÇÃO, COMO OS CONTIDOS NA CADERNETA DE NORBERTO
SETE MULHERES VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR SÃO ANISTIADAS, RELEMBRAM SUAS HISTÓRIAS E PEDEM POR JUSTIÇA
RODA VIVA VIROU UMA SALA DA HEBE APARELHADA PELO PSDB; AGORA É RODA MORTA

RODA VIVA VIROU UMA SALA DA HEBE APARELHADA PELO PSDB; AGORA É RODA MORTA

Roda Viva ou Ressuscita-me?

O Roda Viva, programa da TV Cultura,  já foi muito importante para o Brasil.  Num período de renascimento da democracia, era praticamente o único espaço de debate político, econômico e cultural da tv brasileira. Na versão original, a quantidade de entrevistadores, ainda que dentro de um espectro ideológico limitado, dava ao programa certa legitimidade.

Recentemente, o programa havia se transformado numa espécie de sala da Hebe aparelhada pelo PSDB.  O programa perdeu importância e perdeu espaço de mediação.  Tornou-se um bate papo de comadres sempre dentro da perspectiva estilística da sala São Paulo, que fica ao lado da cracolândia (quer coisa mais tucana?).  O Roda Viva se transformou num programa a serviço do nada. Vale pouco jornalisticamente.

Esta semana o programa tentou se recuperar com a saída de Marília Gabriela. Aliás, o  programa De frente com Gabi, do sbt, é mais jornalístico que o Roda Viva apresentado por ela, porque é mais verdadeiro e cumpria o que se propunha a fazer. Já o Roda Viva viveu uma faze de controle ideológico agonizante.

O programa da semana, que entrevistou o Cabo Anselmo, conhecido como delator (traidor) dos seus próprios companheiros  que foram mortos e torturados pela ditadura militar, é uma tentativa de reabilitar o programa. Cabo Anselmo foi uma espécie de jogada de marketing de péssimo gosto para a memória da democracia brasileira.

Quem comanda o programa  agora é Mário Sérgio Conti;  basta ler  Notícias do Planalto para conhecê-lo. O livro é um primor de bajulação aos empresários da mídia brasileira, dos Marinhos aos Civitas, sem escapar um.

Ultimamente o Roda Viva se tornou uma Roda Morta, mas quem sabe melhore ao voltar ao formato original. Mas começou da pior maneira possível.

Leia mais em Educação Política:
ESTADÃO CRUCIFICA JUÍZA ELIANA CALMON QUE QUER BOTAR NA CADEIA BANDIDOS DE TOGA
A SABEDORIA DE DARCUS HOWE E OS CONFLITOS EM LONDRES
PILANTRAGEM INACREDITÁVEL DA MÍDIA: MERCADO QUER INTERFERIR NOS JUROS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO E O POVO QUE SE EXPLODA
GOVERNO DILMA SE ENROSCA NO POSITIVISMO ENSANDECIDO DA GRANDE MÍDIA; AUGUSTE COMTE É O PATRONO DA IMPRENSA BRASILEIRA

PSDB APARELHA A TV CULTURA HÁ 16 ANOS E O ÚLTIMO APARELHAMENTO FOI A RETIRADA DE HERÓDOTO BARBEIRO DO RODA VIVA

O PSDB é o grande partido do aparelhamento do Estado brasileiro. Veja o caso do jornalista Heródoto Barbeiro, que sempre foi funcionário do próprio PSDB em São Paulo, na TV Cultura.

A TV Cultura é uma ótima emissora, mas está jornalisticamente aparelhada pelo PSDB há 16 anos. Bastou o Heródoto fazer uma pergunta honesta e verdadeira a José Serra no Roda Viva que ele já foi posto para fora. A nova apresentadora será Marília Gabriela, como informa o site da Cultura.

Não por acaso, o candidato José Serra tem dito que o PT aparelhou o estado, ou seja, colocou pessoas em funções públicas com maior interesse no partido político do que o estado brasileiro. Na verdade, é provavel que o PT tenha feito o contrário e desaparelhado o Estado. Um Estado que ficou 500 anos nas mãos dos aliados do PSDB.

Veja a pergunta que desencadeou o aparelhamento ainda maior da TV Cultura no vídeo do Tijolaço

Leia mais em Educação Política:
GUINNESS WORLD RECORDS: JOSÉ SERRA VAI PARA O GUINNESS BOOK COM TRÊS PEDÁGIOS EM 18 MINUTOS
A PARTIDARIZAÇÃO DA JUSTIÇA É O MAIOR PERIGO À DEMOCRACIA BRASILEIRA PORQUE A ORDEM JURÍDICA SE TORNA JUSTIFICATIVA PARA O GOLPE

A CAMPANHA POLÍTICA SÓ VAI ESQUENTAR QUANDO MARINA SILVA DESCOBRIR QUE JOSÉ SERRA TOMOU O ESPAÇO POLÍTICO DELA
ASCENSÃO DE DILMA NO PLANO NACIONAL COLOCA A DISPUTA EM SÃO PAULO NO OLHO DO FURACÃO
%d blogueiros gostam disto: