Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: Arábia Saudita

SITE QUE DIVULGAVA VIOLÊNCIA COMETIDA PELOS POLICIAIS É BLOQUEADO PELO GOVERNO FRANCÊS

Não é só na China que o cerceamento à liberdade de expressão na rede ocorre. A internet vem incomodando cada vez mais governos ocidentais que, teoricamente, vivem sob o regime da democracia e da liberdade de expressão. Recentemente, foi a vez do governo francês tirar do ar um site que permitia a divulgação de vídeos mostrando abusos cometidos pelos policiais. A decisão foi aplaudida pelo sindicato da política francesa para quem o site incitava a violência contra os policiais e ameaçava a integridade da classe.

Já na Arábia Saudita, outro caso semelhante aconteceu com o blogueiro Feras Bugnah que produziu uma série reveladora da pobreza urbana e da desigualdade social em seu país. A série de Bugnah, juntamente com ele e sua equipe, foram detidos pela Associação Saudita para Direitos Políticos e Civis.

De comum em ambos os casos, uma realidade que vem à tona e parece incomodar governos e seu discurso oficial e que, por isso, é simplesmente desconectada, tirada do ar. Pelo visto, a internet está cada vez mais no olho do furacão, sendo ameaçada naquilo que ela tem de mais essencial: a liberdade.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Carta Capital:

Não é só na China
Por Felipe Marra Mendonça

As liberdades civis continuam a ser cerceadas na Europa. Um tribunal francês ordenou na sexta-feira 14 que os provedores de internet do país bloqueassem imediatamente o acesso ao site Copwatch Nord-Paris I-D-F (http://copwatchnord-idf.org/), criado para permitir que pessoas divulgassem vídeos de abusos cometidos por policiais.

Um texto no site, ainda acessível na quarta-feira 19, explicava que os criadores tinham se inspirado nos cidadãos americanos de Cincinnati e Los Angeles, que passaram a filmar abusos policiais durante os distúrbios ocorridos nas duas cidades nos anos 1990. O site contém dados de ocorrências em Lille, Calais e na região da capital francesa, Paris, além de guias legais e sugestões do que fazer em caso de prisão.

Um porta-voz de uma organização francesa que promove a neutralidade na internet, a La Quadrature du Net (http://www.laquadrature.net/), disse que a ordem era uma “óbvia instrução do governo francês para controlar e censurar a nova esfera pública online dos cidadãos”.

A decisão do tribunal foi aplaudida pelo sindicato da polícia francesa, a Alliance Police Nationale (http://www.alliancepn.com/), que sustentou perante o tribunal que o site incitava a violência contra policiais. Jean-Claude Delage, secretário-geral do sindicato, apoiou a decisão judicial e afirmou que o Copwatch era “uma ameaça à integridade da polícia”. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

O HAITI É AQUI: BANDA LARGA NO BRASIL É PIOR DO QUE NO HAITI, ETIÓPIA E IGUAL À DO IRAQUE, PAÍS DESTRUÍDO PELA GUERRA
CRIANÇAS BRASILEIRAS ESTÃO ENTRE AS QUE ENTRAM MAIS CEDO NAS REDES SOCIAIS
OLIGOPÓLIO TOTAL: APENAS QUATRO EMPRESAS CONTROLAM 90% DA BANDA LARGA DO BRASIL
SEGUNDO A TELEBRASIL, NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2011, A CADA DOIS SEGUNDOS UM NOVO BRASILEIRO PASSOU A TER ACESSO À INTERNET BANDA LARGA

VÉUS AO VOLANTE: MULHERES SAUDITAS TENTAM MUDAR A REALIDADE DE UM DOS PAÍSES MAIS CONSERVADORES DO PLANETA

Na direção da revolução!

Ao contrário das grandes manifestações e protestos que têm acontecido no mundo árabe, reunindo multidões e mais multidões na luta por democracia, dessa vez, o oriente foi palco de um protesto silencioso, quase imperceptível de tão discreto, mas não menos importante e legítimo que o primeiro.

Na última sexta-feira, 17 de junho, várias mulheres sauditas portadoras de carteira de habilitação internacional saíram às ruas dirigindo seus carros como sinal de protesto contra a prisão de uma mulher no mesmo país alguns dias antes justamente por dirigir seu próprio carro.

Na Arábia Saudita, um dos países mais conservadores do mundo, não há nenhuma lei civil que proíba as mulheres de dirigir, mas como a prática não é bem vista pela religião, não são concedidas carteiras de habilitação a elas, o que as leva a conseguir as carteiras no exterior. Mesmo assim, Manal al-Sharif, de 33 anos, acabou presa por algo como “apologia ao crime”, depois de colocar um vídeo no YouTube mostrando a sua atitude.

O protesto das mulheres sauditas por melhorias na sua condição social, política e cidadã é importante por representar a possibilidade de que mudanças efetivas aconteçam em um dos países mais conservadores do mundo. Este prostesto feminino representa a consciência das mulheres mulçumanas que, mesmo formadas no seio de outra cultura, aspiram pela liberdade e pelo direito de dirigir a própria vida, não apenas um carro. Enfim, elas se mostram, mesmo por trás dos véus!

Véus ao volante, perigo para o rei
Redação Carta Capital

Há anos, as sauditas são frustradas por promessas não cumpridas de melhora em sua condição. Há seis anos, quando das primeiras eleições municipais no país, o governo prometeu que da próxima vez elas participariam – mas há eleições este ano e não lhes foi permitido registrar-se como eleitoras. Também em 2005, o rei prometeu autorizá-las a dirigir, o que também não aconteceu.

Cansada de esperar, Manal al-Sharif, de 33 anos, saiu com seu carro em maio, o que a rigor não é ilegal, apesar de condenado pelas autoridades religiosas wahabitas. Nenhuma lei civil proíbe explicitamente as mulheres de dirigir. Apenas não lhes são concedidas habilitações – mas ela conseguira uma carteira internacional no exterior.

Mesmo assim, ela foi presa e acusada de -“perturbação social” por postar um vídeo de sua façanha no YouTube. “Apologia ao crime”, como diriam, por aqui, desembargadores paulistas e blogueiros conservadores. Mas, em vez de intimidar, a ação policial indignou as compatriotas. A campanha Women2Drive ganhou corpo no Facebook e convocou mulheres com habilitações internacionais a dirigir na sexta-feira 17 de junho, em protesto contra a proibição, que foi a primeira ação desde novembro de 1990, quando 47 sauditas dirigiram 15 carros por Riyadh antes de serem presas. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

DIFERENTE DO EGITO E DA TUNÍSIA, REVOLTA NA SÍRIA SE APROXIMA DA LUTA ARMADA E MERGULHA O PAÍS NO CAOS
A REVOLUÇÃO AGORA É TUITADA
A REVOLUÇÃO NO MUNDO ÁRABE ESTÁ SÓ COMEÇANDO, DEPOIS DOS PROTESTOS É HORA DE MATERIALIZAR A MUDANÇA
EGITO: POPULAÇÃO DESCOBRE A FORÇA QUE TEM E FAZ A HISTÓRIA
%d blogueiros gostam disto: