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VÍDEO: MESTRES DO RENASCIMENTO ITALIANO

MOSCAS E MEL CONSTROEM UMA INCRÍVEL METÁFORA ARTÍSTICA PARA O NASCIMENTO E O DESAPARECIMENTO DO MUNDO NA OBRA DE RIVANE NEUENSCHWANDER

Por Maura Voltarelli

O experimentalismo inusitado é o que se vê nessa obra da artista plástica brasileira Rivane Neuenschwander. Comparada internacionalmente com Lygia Clark e Hélio Oiticica, Rivane utiliza materiais corriqueiros e efêmeros para compor a sua obra, onde sempre transparece uma percepção e olhar crítico peculiar sobre a realidade.

Nas bordas do surrealismo e da arte sensorial e interativa, Rivana está atenta aos detalhes, ao que passa despercebido para muitos, menos para os bons artistas. Além deste trabalho que destacamos, a artista também ficou conhecia pelo filme “Quarta-feira de cinzas/Epilogue”, que realizou com Cao Guimarães, onde formigas transportam os confetes deixados no chão depois dos quatro dias de folia do carnaval em uma espécie de epílogo melancólico, mas também de renovação.  O experimentalismo e o olhar original são marcas do filme que se deixam ver também na sua trilha sonora composta digitalmente pelo duo O Grivo.

Abaixo, deixamos um mapa mundi feito e desfeito pela efervescência das moscas em uma metáfora que revisita o passado e já se lança sobre o por vir, deixando no final apenas um branco nada juntamente com a sensação de que o mundo como o conhecemos, depois de fartas as moscas, pode um dia não existir mais. Seguem também algumas cenas do filme que citamos mostrando o trabalho das formigas sobre o que restou de todo delírio e descanso do carnaval.

Cena do filme "Quarta-feira de cinzas/Epilogue"

Cena do filme “Quarta-feira de cinzas/Epilogue”

Cena do filme "Quarta-feira de cinzas/Epilogue"

Cena do filme “Quarta-feira de cinzas/Epilogue”

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EU QUE SE REALIZA NA OBRA: EXPOSIÇÃO DE IBERÊ CAMARGO DEIXA VER ARTISTA POR TRÁS DA TELA

Carreteis, 1959

Da Agência Educação Política

A exposição Iberê Camargo, Os Meandros da Memória, em cartaz na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, até o dia 3 de abril de 2011, tem algumas peculiaridades que fazem dela especial. A começar pela sensibilidade de seu curador, o filósofo, sociólogo e diretor da Associação Internacional dos Críticos de Arte, Jacques Leenhardt. Jacques decidiu fazer das lembranças de Iberê Camargo o grande fio condutor das 52 obras selecionadas para a exposição.

Na mais perfeita associação entre a obra de arte e o ser do artista, entre memória e criação, entre imaginação e realização, Iberê traduziu a sua vida, deixando cair um pouco o peso de seu passado, bem como os fantasmas de algumas lembranças, em cada uma de suas obras plásticas.

O movimento realizado pelo pintor gaúcho ao fazer da sua obra uma espécie de canal por onde escoava parte do que ia em sua própria alma, pode ser relacionado com o que diz o filósofo francês Gaston Bachelard ao relacionar alma e poesia. “O objeto poético, devidamente dinamizado por um nome cheio de ecos, será, a nosso ver, um bom condutor do psiquismo imaginante” (BACHELARD, 1990).

Gasômetro, 1942

Parafraseando Bachelard, a obra plástica, sem dúvida alguma, parece ser uma boa condutora do psiquismo imaginante de Iberê. A exposição na Fundação Iberê Camargo percebeu isso e optou mais pelos desenhos e gravuras do que pelas pinturas do artista gaúcho, justamente pelo fato de que os desenhos e gravuras parecem revelar mais o eu do artista e trazem uma visão total da obra que não se vê nas pinturas, segundo o curador Jacques.

Modelo e Manequim, 1986

Como imagens recorrentes na obra de Iberê Camargo, na exposição também pode ser notada a presença constante dos carretéis que, de claramente percebidos, passam a protagonizar uma existência mais velada que depois se converte em imagens de ciclistas e equilibristas. Sobre essa constante em sua obra que os críticos não sabem claramente de onde vem, Iberê declarou certa vez: “Sou um andante. Carrego comigo o fardo do meu passado. Minha bagagem são os meus sonhos. Como meus ciclistas, cruzo desertos e busco horizontes que recuam e se apagam nas brumas da incerteza”.

Nesta frase em que o pintor gaúcho deixar ver um pouco de si mesmo, fica claro um outro talento do artista: o de pintar belas cenas por meio do uso exato e limpo da palavra. Em vários escritos de Iberê, fica evidente todo seu talento literário que estabelece um diálogo poético com as gravuras, desenhos e telas. Quem tiver o prazer de visitar a exposição será presenteado com trechos de intensa e rara sensibilidade, como o seguinte:
“Na memória, o antigo permanece. No passar vertiginoso do tempo, o instante quer ficar. O pintor é o mágico que imobiliza o tempo”.

Sem título, 1966

Quando: até 3 de abril de 2011
Horários: terça a domingo, das 12h às 19h; quinta, das 12h às 21h
Onde: Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre
Entrada Franca
Mais informações: http://www.iberecamargo.org.br

Vi no site da Revista Cult

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Perambulando" (Wandering/Wandern; 2008; óleo sobre tela; 605 x 283 x 5 cm), de Franz Ackermann

Da Agência Educação Política

A exposição ‘Se Não Neste Tempo – Pintura Alemã Contemporânea: 1989-2010’ traz 83 obras de 26 artistas produzidas em diversas cidades da Alemanha. A exposição tem dois objetivos principais: mostrar a arte produzida na Alemanha depois da unificação (pós-Muro de Berlim) e valorizar a pintura como uma das formas de arte por excelência.

Sobre o último objetivo da exposição, vale dizer que a pintura vem ganhando cada vez mais espaço e sendo valorizada no que diz respeito à sua estética e realidade própria, mesmo em um contexto onde o virtual parece ser quase onipresente. Embora a pintura tenha sido condenada por muitos ao desaparecimento em razão da vinda da era digital e das imagens em infinitas dimensões, a mais espiritual e imaterial das artes, como diz Hegel, soube usar dessa avalanche de modernidade sem perder suas características próprias. Ela integrou-se sem desintegrar-se e, com isso, conseguiu mais popularidade e visibilidade do que tinha antes.

Entre os artistas que têm trabalhos expostos na mostra estão alguns já consagrados, como Gerhard Richter e A. R. Penck, e talentos de gerações mais jovens, como Jonathan Meese, Tim Eitel, Albert Oehlen e Werner Büttner.

Figura Danificada" (Damaged Figure/Angeschlagene Figur; 2004; óleo sobre tela; 240 x 190 cm), de Werner Büttner

Olhando as obras que estão reunidas na exposição que fica no MASP até janeiro de 2011, o que se percebe é de fato como a pintura contemporânea tem se apropriado dos símblos da modernidade, do capitalismo, da sociedade globalizada e midiatizada, para produzir uma arte moderna que não busca romper com um passado e sim compor juntamente com ele.

"Um Belo Domingo" (A beautiful Sunday/Ein schöner Sonntag; 1967; óleo sobre eucatex; 94,5 x 118,7 cm), de Wolfgang Mattheuer

A pintura alemã e a pintura no mundo, como um todo, vem esboçando um movimento interessante no qual os pincéis olham para o mundo ao seu redor e depois redescobrem-se na história das artes plásticas ou dentro de si mesmos!!

Aviso aos navegantes:
Se Não Neste Tempo – Pintura Alemã Contemporânea: 1989-2010
Onde: Masp, Av. Paulista, 1.578, São Paulo (SP)
Quanto: R$ 15 e grátis às terças para todos os visitantes
Quando: até 9/1/2011

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