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ARTISTAS DEFENDEM PARTICIPAÇÃO DO ESTADO NO ECAD. MEMBROS DO ESCRITÓRIO CONSIDERAM CRÍTICAS “INFUNDADAS”

Ecad: de portas fechadas para a autêntica experiência cultural

Falta de transparência, ausência de fiscalização por parte do estado, abusos diversos na gestão dos bens culturais que de públicos tornam-se cada vez mais privados sob a gerência do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Essas são algumas das críticas levantadas durante uma atividade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no escritório por artistas que criticaram o seu modelo de funcionamento e a distancia estabelecida com eles próprios, artistas, e com o restante da sociedade.

Já os artistas ligados ao escritório ou integrantes do Ecad, consideram as críticas infundadas e alegam que a intervenção do estado no órgão provocaria um engessamento do mercado. Ao que parece, os mecenas contemporâneos da cultura, querem continuar onde estão: transformando a cultura em simples moeda de troca, retirando-a de seu berço genuíno e universal, em outras palavras, da própria sociedade, o que inclui os autênticos artistas que a constroem e todas as pessoas e hábitos que a inspiram.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação:

Artistas acusam Ecad de perseguição
Por André Vieira, do Observatório do Direito à Comunicação

Em mais uma atividade da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), os senadores Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e Lindenberg Farias (PT-RJ), respectivamente presidente e relator da CPI, ouviram artistas e representantes do órgão arrecadador em audiência pública realizada nesta sexta-feira, 30, na cidade do Rio de Janeiro.

Com um tom de insatisfação com o órgão, o diretor do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, Tim Rescala, acusou o Ecad de perseguir artistas que criticam o modelo de arrecadação e distribuição de direitos autorais no Brasil e que não existe diálogo com os artistas. “Não há diálogo com os compositores, e os que se colocam contra são considerados inimigos”, criticou Tim.

Tim lembrou também, que a entidade que se encontra em investigação já foi alvo de outras CPIs, que mesmo apontando irregularidades, não indiciou nenhum envolvido nas fraudes. Ainda segundo o sindicalista, é fundamental a presença do Estado nesse processo de recolhimento do direito autoral para que as irregularidades não continuem. “Defendemos a participação do Estado dentro da gestão do Ecad. Somente com a participação da sociedade civil e do Estado, teremos de volta o respeito à entidade”, concluiu.

Outra artista ouvida durante a audiência foi a cantora e compositora Fernanda Abreu. Para ela, que também defende a presença do Estado na gestão do órgão, o Ecad precisa ser reformulado para dar mais transparência ao processo de recolhimento dos direitos autorais. Fernanda apontou como exemplo o caso dos Jogos Panamericanos ocorridos em 2007 na cidade do Rio de Janeiro, onde teve uma de suas composições tocada. “Demorei seis meses para saber qual foi a negociação que houve entre o Ecad e o Comitê Olímpico Brasileiro. É muito difícil o autor participar”, problematizou a cantora.

A credibilidade do Ecad foi contestada pelo compositor Dudu Falcão, participante da audiência. “Não sou contra o Ecad. Não posso ser contra um prédio, mas me sinto incomodado pelos que ocupam esse prédio. Defendo a moralização, modernização (do órgão). Hoje não tenho a quem recorrer quando preciso debater direito autoral”. Falcão questionou ainda a forma utilizada para calcular o valor a ser recolhido com as composições. “Eu não sei qual o critério usado na avaliação dos valores dos montantes recolhidos com o meu dinheiro”, indagou o compositor. (Texto completo)

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EXPOSIÇÃO EM HOMENAGEM À MULHER NO PALÁCIO DO PLANALTO TEM COMO DESTAQUE O QUADRO ABAPORU, DE TARSILA DO AMARAL

Abaporu, Tarsila do Amaral

O Palácio do Planalto ganhará cores e estéticas artísticas nos próximos dias em virtude da exposição Mulheres Artistas e Brasileiras – Produção do Século 20, que reunirá cerca de 80 obras, entre telas e esculturas, de 49 artistas brasileiras. A mostra será aberta ao público e ocupará o Salão Oeste, no primeiro andar do Palácio.

Entre os nomes que compõem a exposição estão o de artistas consagradas como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, além de outros mais contemporâneos como o de Beatriz Milhazes e Mariannita Luzzati. O Abaporu, de Tarsila, é um dos destaques da exposição. O quadro estava no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba) e foi cedido para a exposição pelo seu dono, o colecionador argentino Eduardo Costantini.

Símbolo do movimento modernista brasileiro, o quadro é um dos mais conhecidos de Tarsila revelando seus estilo, sua temática e sua originalidade. As cores vivas e fortes, o homem e a natureza como personagens centrais, a estética ousada e única, a conquista de um estilo próprio fizeram de Tarsila um dos expoentes da geração modernista de 22.

Criar uma arte nacional que superasse, mas não deixasse de incorporar as influências estrangeiras, e ajudasse a descobrir o nacional, o Brasil, o povo brasileiro, era um dos principais objetivos de um grupo de artistas paulistanos que encabeçava o movimento. Abaporu quer dizer, justamente, “o homem que come gente”, uma referência à proposta de “deglutir” a cultura estrangeira sem, no entanto, deixar de considerar os elementos nacionais.

A exposição terá duração de um mês e meio e será inaugurada pela presidenta Dilma Rousseff no próximo dia 23. Ótimo início para tempos que hão de ser cada vez mais justos com as mulheres, com seus direitos, seu talento cultural, artístico, humano; e com o seu lugar na construção de uma realidade social melhor para o país.

A Mulher e Sua Sombra, Maria Martins

Veja trecho de notícia publicada pela Agência Brasil:

Abaporu chega amanhã para ser exposto no Palácio do Planalto
Por Luciana Lima

Brasília – Começaram a chegar na manhã de hoje (15) as obras que farão parte da exposição em homenagem às mulheres que será realizada no Palácio do Planalto. A obra mais esperada, o Abaporu, de Tarsila do Amaral, deve chegar amanhã para a mostra Mulheres Artistas e Brasileiras – Produção do Século 20.

Símbolo dos mais representativos da pintura modernista brasileira, o quadro Abaporu estava no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba) e foi cedido para a exposição pelo seu dono, o colecionador argentino Eduardo Costantini.

A presidenta Dilma Rousseff se empenhou pessoalmente nas conversas para que a obra fizesse parte da exposição. Quando foi arrematado por Constantini, em um leilão em Nova Iorque, em 1995, o valor pago pela obra foi US$ 1,5 milhão. A pintura em óleo sobre tela foi cedida pelo colecionador para ficar no Brasil durante um mês e meio, tempo que durará a exposição a ser inaugurada pela presidenta no próximo dia 23. (Texto Completo)

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PELO SONHO É QUE VAMOS…

Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Leonardo Boff...

Da Agência Educação Política

Mais de mil artistas, intelectuais e militantes reuniram-se ontem (18/10) no Rio de Janeiro em um ato de apoio à candidata do PT à presidência da república Dilma Rousseff. Os intelectuais repetiram o clima da campanha pelas eleições de 1989, quando apoiaram Lula na então disputa com Collor. Era a primeira eleição direta para presidente da república depois de anos de autoritarismo e censura com o Regime Militar.  A classe artística e os intelectuais, amantes da beleza, da expressão, da liberdade, do sonho, viram em Lula, naquela época, a promessa efetiva de mudança, o começo da construção de uma tão desejada utopia de viver em um Brasil livre, igual e democrático.

Vinte e um anos mais tarde, eles agora veem em Dilma não mais o começo da construção de uma utopia, mas a promessa de continuação e aperfeiçoamento daquela utopia que antes eles sonhavam e que Lula fez começar a virar realidade. O sonho, à priori inatingível, de um país melhor, onde se luta contra a miséria humana, econômica e social de um povo historicamente reprimido e onde se busca a liberdade de direitos e de participação viu a luz do dia no seio desta terra tropical.

Agora o tempo é outro, mas a utopia ainda é a mesma. Os artistas antes queriam o sonho, agora querem que ele continue, não querem acordar. Não querem que um projeto atrasado e conservador interrompa um projeto dinâmico e empreendedor que lutou muito para chegar ao lugar que chegou!

Pode parecer idealista demais falar em utopia, em igualdade, erradicação da miséria, plena democracia, vigor público. Mas as utopias que, por definição significam aquilo que não se realiza, o não-lugar, onde não se chega, onde não se pode habitar, sempre fascinaram e moveram o homem. Há nelas um horizonte que atrai, um sonho que acalenta e é aí que o não-lugar de repente vira lugar.

Uma coisa é importante dizer. O governo Lula não é um reduto da perfeição. Há sim muitas coisas que ainda precisam ser feitas, melhoradas. Mas o importante é ver que muito já foi feito, que muito já foi melhorado, que a mudança de fato começou. Esses artistas e intelectuais que apoiam Lula reconhecem tudo isso.

Eles tomam a realidade feito terra do chão. Na terra, veem algumas sementes já crescendo e dando frutos. Também veem outras que ainda não germinaram, e outras que ainda nem foram plantadas, mas que estão apenas esperando a chegada da nova estação. Enquanto isso, vão regando essa terra, não deixando que ela seque, que os frutos morram e que as sementes que esperam sejam levadas pelo vento. Eles regam e acreditam, mais do que isso, eles lutam! Se pararem de regar a terra seca. As vidas secam, tudo murcha e se liquefaz!

Dilma, repito, é a continuação e o aperfeiçoamento de uma mudança, de um sonho e por que não de uma utopia. Intelectuais, artistas e grande parte do povo brasileiro sabem disso e mais do que saber, eles sentem. Do mais, é preciso continuar essa utopia que nasceu. Mesmo que falar em utopia seja sonhar demais, como diria um poeta “pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos”.*

Fotos do encontro podem ser vistas na página do jornal O Estado de S.Paulo

Também vale a pena ver esse bonito vídeo publicado no blog do Nassif com depoimentos de alguns artistas e intelectuais que participaram do ato pró-Dilma no Rio:


*Os versos ao final do texto são do poeta português Sebastião da Gama

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