Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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HUMOR DO PORTA DOS FUNDOS: ATORES RETRATAM A LÁSTIMA DO JORNALISMO BRASILEIRO NA ATUALIDADE

WALMOR CHAGAS E EVA WILMA TÊM PAPÉIS MARCANTES EM SÃO PAULO SOCIEDADE ANÔNIMA, UMA OBRA-PRIMA DE LUIZ SÉRGIO PERSON

Walmor Chagas

Walmor Chagas

Em homenagem ao ator Walmor Chagas, que morreu ontem, vale rever a interpretação memorável no filme São Paulo Sociedade Anônima (1965), uma obra-prima do diretor Luiz Sérgio Person. No filme, tudo parece ter sido bem elaborado e encaixado para mostrar a mudança social provocada pela urbanização e, principalmente, pela industrialização dos anos 50 e 60.

São Paulo SA traz um tom amargo e existencilista no personagem Carlos, de Walmor Chagas, que conduz a narrativa. Mas, ao lado de Walmor, Eva Wilma também mostra todo seu talento como atriz. Os dois atores dão ainda mais valor à obra de Person. Uma película preto e branco que vale a pena.

Abaixo filme completo:

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CURSO LIVRE DE TEATRO É UMA EXPERIÊNCIA PARA ALÉM DA DRAMATURGIA

Imagem creative commom por Tostoini

Imagem creative commom por Tostoini

O Curso Livre de Teatro, que é realizado atualmente no Barracão Teatro em Campinas, foi uma das experiências mais apaixonantes que já vivi. Não só pela experiência dramatúrgica, não só pelas pessoas que conheci e nem pelos professores-atores que tratam o curso de uma forma séria e profissional, ao mesmo tempo em que tratam os alunos com respeito e afeto.  O Curso Livre de Teatro, turma 2008,  permitiu a mim, mas também a todos os outros alunos, descobrir o que estava na nossa cara, na frente do nosso nariz, sob os nossos pés. A poesia da vida. E é muito bom.

As inscrições para a Turma 2009 estão abertas. Se houver algum leitor interessado, o e-mail do curso livrre é: cursolivredeteatro@yahoo.com.br

E segue abaixo um texto que escrevi e que a idéia dele ajudou, junto com os textos de outros atores e de grandes escritores, a construir o trabalho que resultou na peça Sob meus pés, apresentada no final do ano passado.

 

Vim para dizer apenas que eu sou ator. Sim, um ator.
Mas não me venhas com julgamentos estéticos,
Não me venhas com comentários sobre minha performance
Não adianta falar que sou um canastrão, que faço apenas clichês da representação
Não adianta falar que ajo como na televisão: caras, bocas e expressões repetidas ao infinito.
Não falo disso, não falo da arte. Falo que sou um ator. Minha condição, ator

Por isso estou aqui a vos narrar esta história.
Sempre quis ser ator. Sempre sonhei com isso.
Mas esperem… Não pensem nos motivos que me fizeram ser ator
Vocês nunca descobrirão, podem tentar, chutar, palpitar
Não…. Nunca pensei em ser galã de telenovela Nem estrelar um grande filme
Está certo, vou abrir uma exceção, posso ter imaginado beijar uma bela atriz, contracenar, seduzir.
Mas são todos pensamentos fugazes, pequenos, fantasiosos
Eu sou ator…não porque dramatizo falas banais, nem porque faço rir pela falta de criatividade cênica, pelo erro.
Não é o avesso da arte.

Acho que vocês querem os fatos, vejo que estão ansiosos.
Sou ator porque posso abrir meus braços, fazer movimentos, correr, brincar, pular
Ah, como era bom brincar o Carnaval na infância.
Ah, como era bom jogar futebol naquele campinho de várzea.
São esses momentos que me fazem lembrar porque sou hoje um ator.
Vocês não me entendem. Sei que não expliquei completamente
Desculpem, mas eu precisava falar, ator também precisa se expressar, não basta representar.

Mas não se angustiem, eu vou revelar agora:
Olhem para mim! Vejam! meus braços, meu corpo. Sim, meu corpo está vivo!
Sou ator porque resgatei um corpo morto no porão da sala de televisão
Resgatei um corpo morto em frente a um computador
Resgatei um corpo morto dentro de quatro paredes de um escritório
Estava lá, imóvel, entravado, prensado, domesticado
Sendo chicoteado e maltratado por um cérebro narcisista que mal sabe pensar,
Mas se acha a obra-prima na natureza, um privilegiado conhecedor, filósofo, pensador.
Mas um pensador sôfrego se tens o corpo enjaulado, atrofiado.
Sou ator porque ressuscitei meu corpo que estava entregue, desfalecido
Eu precisava da natureza, da natureza do meu corpo, da natureza do ator. Acorda!

 

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