Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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CARTA DE SNOWDEN: OS ESTADOS UNIDOS TEMEM UMA SOCIEDADE INFORMADA E QUE EXIGE GOVERNO CONSTITUCIONAL

Barack Obama

Carta de Snowden à opinião pública internacional

“Faz uma semana que fugi de Hong Kong depois que ficou claro que a minha liberdade e a minha segurança estavam ameaçadas por ter revelado a verdade. A minha liberdade só se manteve graças aos esforços dos meus novos e antigos amigos, familiares, e outras pessoas, às quais nunca conheci e provavelmente nunca conhecerei. Confiei-lhes a minha vida e eles confiaram em mim, algo pelo que sempre lhes ficarei agradecido.

Obama (foto) é uma decepção

Na quinta-feira (4), o presidente Obama declarou diante de todo o mundo que não iria permitir que qualquer diplomata “entrasse em ditos e manobras” sobre o meu caso. No entanto, soube-se agora que depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou ao seu vice-presidente que pressionasse os líderes das nações às quais solicitei proteção para recusarem as minhas petições de asilo.

Este tipo de mentira de um líder mundial não é correta, nem corresponde a uma sanção ilegal por expatriação. Esta é, na realidade, a antiga má prática da agressão política. O seu propósito consiste em assustar não a mim, mas sim aos que se dispuserem a seguir o meu exemplo.

Durante décadas, os Estados Unidos foram um dos mais enérgicos defensores do direito humano a solicitar asilo. Lamentavelmente este direito, gizado e aprovado pelos Estados Unidos no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, está sendo atacado pelo atual governo do meu país. A administração Obama adotou pela estratégia de utilizar a nacionalidade como arma.

Mesmo sem me terem acusado de nada, revogaram unilateralmente o meu passaporte, convertendo-me num apátrida sem qualquer tipo de ordem judicial e, além disso, a administração pretende também agora privar-me de um direito fundamental. Um direito que pertence a todos: o direito a solicitar asilo.

Concluindo, o governo de Obama não teme os denunciantes como eu, ou Bradley Manning ou Thomas Drake. Somos apátridas, ou presos ou inofensivos. Não, a administração Obama não tem medo de nós. Tem medo de uma sociedade informada, enojada, que exige o governo constitucional que lhe foi prometido e que deveria ter.

Estou firme nas minhas convicções e estou impressionado pelo esforço e ajudas empreendidos por muitos”.

Edward Joseph Snowden

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MORTE DE OSAMA BIN LADEN DÁ TRUNFO PARA BARACK OBAMA, MAS ELE PARECE SEGUIR A LINHA REPUBLICANA DA EXTREMA DIREITA

Por Martín Granovsky – Página/12/ Carta Maior

Trunfo de Obama contra direita, mas para quê?

O novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), que acaba de ser proposto por Barack Obama, o general David Petraeus, será confirmado pelos senadores. Se restava alguma dúvida, seu último posto foi o chefe das forças da OTAN no Afeganistão. Assumirá como diretor da CIA com o troféu de Osama Bin Laden morto e as mãos livres para reforçar as operações militares encobertas.

Petraeus foi o arquiteto das operações de George Bush no Iraque e, nos últimos anos, apoiou os ataques contra bases da Al Qaeda não só no Afeganistão, mas também no Paquistão, onde Bin Laden foi morto. A morte de Bin Laden ocorre alguns meses antes de se completarem dez anos do atentado que destruiu as Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Em termos práticos e simbólicos, a operação da CIA confirma que Washington se aproxima do ponto de deixar o lugar de primeira potência econômica nas mãos da China, mas segue sendo a primeira, longe de qualquer outra, em capacidade de uso da força, incluindo aí operações de contrainsurgência.

Por isso, Obama, no discurso realizado na noite de domingo, lembrou que o ataque foi dirigido contra as Torres Gêmeas e também contra o Pentágono, na primeira agressão externa contra território norteamericano em sua história. Por isso, também, recordou que deus instruções a Leon Panetta definindo que a missão principal da CIA era encontrar Bin Laden vivo ou morto. Uma mensagem de gratificação e, ao mesmo tempo, de respaldo: Panetta foi designado e está por assumir como ministro da Defesa, onde deverá diminuir brutalmente o gasto militar e reorientá-lo. Também é chave no discurso a menção aos oficiais encarregados de operações encobertas: “Ninguém conhece seus nomes, mas o povo norteamericano deve estar agradecido a eles”, disse o presidente que assumiu no dia 20 de janeiro de 2009, e no final do ano que vem lutará para ser reeleito e iniciar outro mandato em 2013.

Obama sublinhou a palavra “eu” quando disse que ele mesmo deu a ordem de lançar o ataque contra o santuário onde Bin Laden estava refugiado no Paquistão. Ele transformou-se no presidente que liquidou o inimigo número um da superpotência. “Não vamos tolerar que nossa segurança seja ameaçada”, disse Obama.

O Washington Post anunciou, antes da notícia do assassinato de Bin Laden e ao comentar a nomeação de Petraeus, o começo de um período com “uma CIA cada vez mais militarizada”. Petraeus dirigiu a guerra do Iraque, um país governador pela tirania de Saddam Hussein que não era albergue de terroristas nem defendia o fundamentalismo islâmico. Logo em seguida, dirigiu a guerra do Afeganistão. O Washington Post assinalou que ser diretor da CIA significa, para Obama, liderar a terceira guerra: o combate, mediante operações encobertas ou dirigidas contra alvos específicos no Paquistão. Desde que o atual presidente assumiu, houve 192 ataques com mísseis em solo paquistanês, com um registro de 1890 terroristas ou suspeitos de sê-lo mortos.

Uma volta da história parece ir se completando. Obama acaba de anunciar o corte de impostos para os mais ricos, uma medida que vai no sentido inverso de sua promessa de voltar à sociedade menos desigual dos anos 60. E, com a morte de Bin Laden, obteve uma vitória no campo que parecia o seu flanco mais débil: o militar. Nesta madrugada, conservadores e liberais, direitistas e progressistas dos EUA, festejavam nas ruas a vitória do “comandante Obama”.

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TRAGICÔMICO: POLÍCIA DO RIO DE JANEIRO REPRIME ATÉ PROTESTO EM FORMATO DE MISSA NA VISITA DE BARACK OBAMA

A cena do vídeo abaixo é trágica e ao mesmo tempo tem uma certa comicidade. No vídeo, manifestantes ficam numa espécie de missa contra a visita de Obama ao Brasil. Ao final, uma violenta ação da polícia contra a “oração política”.

O vídeo me lembrou uma cena do filme Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, em que trabalhadores rurais viram uma massa de manobra na mão de alguns líderes.

Para variar, a polícia do Rio reprime até manifestação em formato missa. Polícia do Rio foi subserviente.

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Brasileiro é "tom bomzinho"

O que Barack Obama veio fazer no Brasil? Passear, tratar de negócios? Uma visita com cara de vazio porque não avançou na economia e fez pouco na relação bilateral. Parece que os EUA estão correndo atrás de um espaço perdido na geopolítica do mundo.

Obama veio ao Brasil por causa do sucesso impressionante da política externa da dupla Celso Amorim/Lula. Por isso, Obama sabe o que diz quando afirmou que o Brasil é exemplo para os países árabes. E esse é o problema de Obama, o crescimento do Brasil como um modelo de democracia. O modelo Brasil é hoje um combustível para as pressões da população árabe contra as ditaduras. Um país da América Latina que não era nada se tornou a grande sensação emergente em menos de uma década. Os árabes querem ser como o Brasil e o Brasil pode não querer ser mais como os EUA, que tem uma direita que afundou o país concentrando renda nas últimas décadas. E isso explica um pouco essa visita meio sem sentido de Obama.

A diplomacia norte-americana trouxe um Obama simpático, feliz, com mulher e filhas, um exemplo. Os EUA querem ser um exemplo para o Brasil, querem um alinhamento cego do Brasil e, por isso, essa simpatia toda. Talvez seja tarde de mais. O que se percebe é que os EUA ainda não acreditam no Brasil.

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ENQUANTO AVIÕES AMERICANOS ATACAM FORÇAS DE KHADAFI NA LÍBIA, OBAMA DEFENDE NO BRASIL A SOBERANIA DOS POVOS

Como os discursos são sempre mais bonitos!

A situação na Líbia vem se agravando cada dia mais. Depois da onda de protestos contra o regime do ditador Muammar Khadafi, no poder há quase 42 anos – que praticamente evoluiu para uma guerra civil, devido à intensa repressão por parte das forças de segurança do governo – protestos de diversos países do ocidente surgiram exigindo a saída imediata do ditador que, no entanto, recusa-se a deixar o posto, dizendo que dali só sai morto, como um mártir.

A situação saiu do controle e o Conselho de Segurança da ONU autorizou a invasão do país por tropas estrangeiras para tentar controlar a situação. As operações militares, com EUA, Reino Unido, França, Itália e Canadá à frente, começaram logo depois. Ontem, 20 de março, novo ataque de aviões americanos contra as forças do ditador líbio foi detectado e, enquanto isso, o regime de Muammar Khadafi resiste e declara que a guerra será longa e extensa, sem limites. “Vamos lutar palmo a palmo”, declarou o líder líbio.

Diante dessa realidade em que nenhum dos lados cede e sequer vê interesses em fazê-lo, quem sai perdendo é sempre a população que se surpreende mergulhada em um clima de medo, morte e insegurança constante. Se o que ela queria no início dos protestos era paz e democracia, agora assiste a uma realidade bem distante disso.

No entanto, se a situação vai mal na Líbia, o presidente Obama, em visita ao Brasil, declarou também ontem, em discurso realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que a democracia deve ser defendida e preservada sempre, incluindo neste ponto a soberania dos países e o direito destes últimos em não sofrer qualquer tipo de intervenção. O presidente citou o Brasil e alguns aspectos da cultura brasileira como um exemplo de democracia consolidada.

O interessante é analisar o discurso do presidente americano tendo como referência o contexto dos acontecimentos que vêm se desenrolando na atualidade. A onda de protestos no mundo árabe por liberdade e maior dignidade social e humana é o maior exemplo concreto que se pode ter do que vai pela essência da democracia. É o povo lutando por essa soberania que Obama diz ser preciso preservar e respeitar.

Entretanto, o recente caos na Líbia leva a pensar se os fins de fato justificam os meios. É possível lutar por um fim que antes de ser atingido já está sendo sacrificado pelos próprios meios? A situação na Líbia estava de fato insustentável, mesmo assim, é preciso pensar em quais são os limites desta intervenção? Quais as estratégias para realmente garantir a paz sem sacrificar tantas vidas, sem afastar de forma tão amarga o sonho da democracia e da verdadeira revolução, aquela que vem com ideias e não com bombas e sangue? Boa pauta para um próximo discurso de Obama em terras brasileiras!

Veja trecho de duas notícias sobre o assunto publicadas pela Agência Brasil:

Coalizão volta a atacar forças de Khadafi na Líbia
Da BBC Brasil

Brasília – Aviões americanos voltaram a lançar ataques hoje (20) contra posições das forças de segurança de Muammar Khadafi na Líbia, após uma noite de ofensivas por terra e ar. Um porta-voz das Forças Armadas americanas disse que 18 aeronaves, incluindo aviões “invisíveis” B-2, conduziram a operação.

Durante a noite, os B-2 lançaram 40 bombas convencionais em alvos em território líbio, enquanto navios de guerra americanos e britânicos dispararam pelo menos 110 mísseis teleguiados contra a defesa aérea líbia. Pelo menos 20 posições de defesa aérea foram alvejadas na capital, Trípoli, e na cidade de Misrata, no Oeste do país.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, disse que a zona de exclusão aérea autorizada na quinta-feira (17) por uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) está de fato em vigor na Líbia. (Texto Completo)

Obama cita Brasil como exemplo de democracia e diz que países são soberanos
Por Renata Giraldi

Brasília – No momento em que uma coalizão internacional lança mísseis sobre a Líbia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje (20), em discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que os países são soberanos e não podem sofrer intervenções. Ele defendeu a democracia como princípio e direito de todos os cidadãos do mundo. Obama mencionou vários aspectos da cultura brasileira e o Brasil como exemplo de democracia consolidada.

“Nenhuma nação poderá se impor sobre outra nação”, afirmou Obama, sendo aplaudido pela plateia. “Onde a luz da liberdade estiver acesa, o mundo estará mais iluminado, este é o exemplo do Brasil”, disse ele. “A democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia oferece oportunidades para que todos os cidadãos sejam tratados com respeito”, acrescentou.

Em seguida, o presidente reiterou que os Estados Unidos têm condições de falar sobre as conquistas a partir da consolidação dos sistemas democráticos. “Sabemos, por meio da nossa experiência nos Estados Unidos, que é importante trabalhar juntos até mesmo quando discordamos. Pode ser que o nosso modo de trabalhar seja lento e meio devagar, meio bagunçado, mas é preciso.” (Texto Completo)

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LULA E AMORIM DEVEM PROPOR UM ENCONTRO ENTRE BARACK OBAMA E RAUL CASTRO NO BRASIL

O presidente Lula e o ministro das relações exteriores, Celso Amorim, podem oferecer o Brasil para um encontro histórico de realinhamento das Américas, um encontro histórico entre Estados Unidos e Cuba, entre Barack Obama e Raul Castro.

O Brasil como um território neutro para selar a paz nas Américas.

O Brasil como um ator global e construindo o sonho de uma América mais justa e livre.

Veja texto de Azenha sobre as possibilidades do fim do embargo econômico.

Veja abaixo, em dois vídeos, o discurso de Martin Luther King num momento memorável da história política norte-americana. A política só é verdadeira se pode ser construída com sonhos.

Primeira Parte

Segunda Parte

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