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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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O conflito de um país inteiro: impressionante diálogo entre filho e o pai que tenta tirá-lo dos protestos

É uma das cenas mais impressionantes se olharmos sem os simplismos políticos de ser contra ou a favor de protestos, da Copa e do raio que o parta.  De um lado um pai com medo do que (Leia Mais…)

HÁ ALGO DE ESTRANHO NA LAVAGEM CEREBRAL QUE A GLOBO FEZ NA SOCIEDADE COM A MORTE DE CINEGRAFISTA

As imagens mostradas durante a semana do autor de lançar o rojão são muito diferentes da pessoa (Caio Silva de Souza) que foi presa como autora do acidente(Continue lendo…)

BLACK BLOC PÕE EM CHEQUE O ESTADO DE DIREITO POLICIAL, NÃO O ESTADO

Os Black Bloc e os protestos em geral estão colocando em cheque o Estado de Direito Policial, não o Estado de Direito. O Estado Policial é o estado em que a polícia é a própria lei.

As ações dos Black Blocs e as manifestações estão expondo de forma vergonhosa as obscenidades do Estado de Direito Policial que se firmou no Brasil com a Ditadura de 64 e vive impunemente no interior da democracia.

A democracia foi reestabelecida, mas a herança do horror da ditadura permanece no cotidiano das ruas, das favelas, da periferia.

O aparelho do Estado Policial que torturava e matava militantes políticos não foi destruído com a volta das eleições democráticas.

O aparelho do Estado Policial foi transferido para o combate nas periferias, matando e torturando pobres e negros, principalmente, e chantageando jovens brancos da classe média. Esse Estado se mantém em permanente guerra civil contra as drogas. O mesmo soldado que é jogado nessa guerra do tráfico é o que atende a população. É um Estado que coloca o soldado em estado de guerra permanente.

O Estado de Direito Policial está presente no cotidiano, na existência aberrante de uma Justiça Militar, na dificuldade de se apurar os crimes da ditadura, nas torturas de inocentes em delegacias, no discurso vazio e sem contexto do “vandalismo”, no discurso da “ordem”, na criminalização de movimentos sociais.

Quem já não sentiu na pele um policial dizendo que a polícia também é a lei para jogar a lei na lata do lixo e estabelecer a barbárie. Ou seja, o Estado Policial persiste desde a Ditadura, mas estava restrito à periferia.

Quantos jovens, negros, trabalhadores, inocentes não foram mortos nesses últimos 30 anos por policiais nas periferias? Quem se lembra da Favela Naval e tantos outros casos de assassinatos?

Talvez o filme mais idiota da cinematografia brasileira, O Tropa de Elite, expõe de forma evidente esse Estado Policial e sua filosofia.

Os Black Blocs trouxeram esse Estado Policial para o centro da cidade, o colocaram em contato com a classe média, expuseram suas entranhas e sua violência por meio de celulares.

O PT, partido que surgiu e lutou contra esse Estado Policial, está hoje em um impasse. Uns, mais governistas e preocupados exclusivamente com as eleições do ano que vem, estão se filiando ao discurso bélico da extrema direita; outros, tentam encontrar uma saída. Nos protestos de Junho, o governo Dilma Rousseff conseguiu avançar, mas conseguirá agora ou vai retroceder e reforçar o Estado Policial?

É hora de rever o Estado Policial e a desigualdade social que se mantém sob a mira da bala e do cassetete. A polícia não pode ser a lei, ela deve cumprir a lei. É bom lembrar que tudo começou com uma ação criminosa da Polícia Militar de São Paulo em Junho deste ano.

BLACK BLOC OU MAHATMA GANDHI: A REALIDADE PARECE MAIS COMPLICADA DO QUE SER A FAVOR OU CONTRA

black blocLonge do discurso da ordem da mídia brasileira e dos governantes que classificam os black blocs simplesmente como vândalos, “minoria que estraga a manifestação” etc, há uma certa dialética que impede de se pensar simplesmente em ser contra ou a favor.

Ora, governos e grande mídia satanizam os black blocs porque o discurso jornalístico e o discurso político de Estado são discursos de poder, que necessitam manter a ordem vigente. Vândalos, nos termos usados são definições para violência gratuita, sem sentido, estúpida. Na verdade, há muitas razões para a violência dos black blocs, diferente de muitas outras atitudes violentas como, por exemplo, brigas em campos de futebol.

Também é difícil ser a favor de black blocs quando as imagens os mostram destruindo pontos de ônibus, lixeiras e outros espaços que servem a população.

Mas os black blocs, inevitavelmente, falam a língua do sistema, a língua do poder. Uma manifestação pacífica, no limite, é uma manifestação de carneirinhos. E isso não traz resultado algum de imediato, talvez não traga nenhum resultado a longo prazo. Seria preciso ter milhares de pessoas com a tenacidade de Mahatma Gandhi. Parece impossível.

Já as manifestações com certa dose de violência, principalmente o exemplo daquela quinta-feira de junho, quando fez acender uma luz de emergência na sonolenta burocracia de poder, dão resultado. Ainda que pequenos, os resultados podem ser vistos:  votações de projetos parados na Câmara e Senado, redução do preço das passagens e urgência no programa Mais Médicos são alguns exemplos.

Isso não significa apoiar ou não apoiar os black blocs, mas qual a saída diante do país mais desigual do mundo? Como votar em eleições compradas por corporações privadas por meio do financiamento de campanha? Como reagir diante da informação de que uma empresa que explora uma concessão pública sonega R$ 1 bilhão? Afinal, onde estão os vândalos?

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