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MINO CARTA LEMBRA O TALENTO PECULIAR DE MILLÔR FERNANDES E CHICO ANYSIO, CAPAZES DE FAZER RIR PENSANDO

"Já não se fazem a alegria e a melancolia de antigamente, diria Millôr. A energia criativa, a santa ironia. À espera, então, de um futuro feliz para todos".

Além de relembrar e salientar o talento que tanto Millôr Fernandes, quanto Chico Anysio tinham, cada um à sua maneira, de provocar o riso sem deixar de solicitar o pensamento, a crítica, a percepção ativa e não apenas passiva do que se vê ou ouve, Mino Carta toma como tema neste editorial publicado na Carta Capital a questão dos nossos heróis representativos de uma época perdida: “entre o imediato pós-guerra e o golpe de 1964. O Brasil do futuro que nunca chegou”, escreve Mino.

O futuro de então tinha uma concepção mais harmônica, digamos mais justa e razoável do que seria “ser futuro”. “Moderno sem mania de grandeza, como escreve Mino, independente porque livre de qualquer forma de colonização. Já hoje, o Brasil ainda continua sendo visto por alguns como “o país do futuro”, mas esse futuro não é mais o mesmo. Sonha-se com o crescimento econômico forte, potente, ignorando os abismo da desigualdade social e cultural do Brasil em relação ao mundo.

Não só o ideal da época não existe mais, como sua figuras, seus tipos próprios. Os novos tempos já estão produzindo os seus. Longe de nostalgia ou romantismo puro e simples (o ideal de volta ao passado), o texto é muito mais uma reflexão sobre o presente a partir do momento em que este presente vai sendo esvaziado das poucas vozes lógicas, coerentes, que ainda lhe restam.

Veja trecho do texto:

Heróis de um Brasil perdido
Por Mino Carta

Quando cheguei ao Brasil, agosto de 1946, a revista semanal chamava-se O Cruzeiro, da frota dos Diários Associados do almirante Chatô. Tratava-se de uma publicação provinciana na forma e no conteúdo, mas algumas de suas páginas nada tinham de provinciano. Aquelas ilustradas por uma equipe de excelentes fotógrafos, entre os quais se destacava Jean Manzon. Outra, sorrateiramente ocupada pelo Amigo da Onça, a maligna criatura do humorista Péricles. E as duas entregues ao “Pif-Paf” de Millôr Fernandes encantariam Saul Steinberg, honrariam a melhor New Yorker.

Encantaram também a família Carta, que se passou à disputa acirrada do exemplar do Cruzeiro, da sala aos aposentos. Mas quem era este Millôr? Descobrimos um jovem de 23 anos, capaz de um humor que não desdenhava desatar o riso, embora, com naturalidade, fizesse pensar. De resto “livre pensar é só pensar”. Não é mesmo?

Dez anos depois fui para a Itália e lá fiquei por mais de três. De regresso a São Paulo no começo da década de 60, capturou-me no vídeo um comediante de 30 anos chamado Chico Anysio, capaz de encarnar dezenas de personagens que faziam rir sem deixar de convocar a inteligência dos espectadores. Millôr e Chico, talentos extremos, morreram nos últimos dias, depois de vidas bem vividas a bem da graça e da leveza, na sua função de elevar o espírito, sem descurar da consistência e da densidade. Ambos produziram muito e sem tropeços, aprumados e certeiros.

Conheci os dois, com Chico estive ralas vezes, de Millôr fui bom amigo e com ele cheguei a trabalhar. Não é disso, porém, que pretendo falar agora, e sim de como as duas figuras são representativas de um Brasil perdido. Entre o imediato pós-guerra e o golpe de 1964. O Brasil do futuro que nunca chegou. (Texto completo)

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