Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: Chile

EXÍLIO, CRIME, FANTASMAS: OS DEZ ANOS DA MORTE DE ROBERTO BOLAÑO RENOVAM O FASCÍNIO EM TORNO DA OBRA DO ESCRITOR CHILENO

"O detetive selvagem"

“O detetive selvagem”

Por Maura Voltarelli

Especial para o Educação Política

Há dez anos morria o escritor chileno Roberto Bolaño. Se hoje, Bolaño é um dos escritores latino-americanos mais importantes, mais estudados e comentados, não era assim na ocasião de sua morte e durante a sua vida. Como gostava de dizer a respeito da natureza do trabalho do escritor, Bolaño encarnou como ninguém a figura do escritor exilado, ao qual se impõe de alguma forma o exílio. Este sempre existiria quando se é escritor, segundo ele, mesmo sem sair de casa. Seriam os escritores sempre “exilados de si mesmos”.

Mesmo sendo cada vez mais estudado e lembrado, as imprecisões sobre a obra do chileno ainda persistem. “O suposto vício em heroína, o relevo indevido aos Estados Unidos como suposta instância fundamental para sua consagração literária, a incompreensão do caráter intrinsecamente inconcluso (infinito) de sua obra”.

Bolaño parece permanecer, e talvez fosse esse mesmo o propósito de sua literatura, cercado por sombras. Sombras que são inerentes à literatura, sempre a recriar e prolongar fantasmas em nossa imaginação que se projetam sobre a realidade. No caso de Bolaño, a sombra é reforçada pela metáfora do detetive, tão utilizada para falar do escritor.

Tão utilizada e tão pertinente. Bolaño encarna de fato a figura de um detetive que vasculha os crimes cometidos na América Latina e faz reverberar esses crimes numa escala mundial e cada vez mais ampla, enfrentando todos os fantasmas, sejam eles íntimos ou sociais. Sua literatura é uma denúncia dos horrores, mortes e perdas da ditadura, e é sempre uma esperança, embora seja essa esperança, como diz um belo título de um de seus livros, uma “estrela distante”.

Abaixo, um documentário sobre Bolaño, onde ele é comparado, pela vida e pelo tom de sua obra, aos escritores malditos.

Leia mais em Educação Política:

CORPÓREA, INTELIGENTE, LIVRE: AS METAMORFOSES DE MARIA MARTINS
MARGARETHE VON TROTTA EM “ROSA LUXEMBURGO” MERGULHA NA VIDA DA MULHER E REVOLUCIONÁRIA CUJA GRANDE CAUSA FOI A DA LIBERDADE
O MISTICISMO DE HILDEGARD VON BINGEN
A IMAGEM COMO RESISTÊNCIA: JOÃO ROBERTO RIPPER EMOCIONA

GUERRA CONTRA A DEMOCRACIA: JOHN PILGER MOSTRA O ESTRAGO QUE OS EUA FIZERAM NAS DEMOCRACIAS DA AMÉRICA

John Pilger

John Pilger

O australiano John Pilger, experiente jornalista radicado em Londres, mostra a tragédia da política externa dos Estados Unidos nos últimos 50 anos na América Latina. É interessante que um jornalista australiano precisa vir a América para mostrar a nossa própria tragédia política.

Pilger, que já ganhou prêmios como jornalista na Inglaterra, ganha credibilidade porque entrevista os próprios autores da guerra contra a democracia. Ele vai aos EUA e entrevista um ex-agente da CIA que justifica as torturas e as mortes provocadas pela derrubada de regimes democráticos. São inúmeros golpes de Estado financiados pelos Estados Unidos nas últimas décadas, sustentados por torturas e morte, inclusive no Brasil.

Um dos momentos mais interessantes é quando Pilger entrevista um empresário venezuelano que reclama do chavismo, comparando o governo Chaves à revolução comunista da Rússia de 1917.  Pilger não se contém e dá risada do discurso do empresário. Vale a pena para entender a ação dos Estados Unidos do México ao Chile. Vídeo abaixo:

Veja mais:

DOUTRINA DO CHOQUE: LIVRO DA JORNALISTA E ESCRITORA NAOMI KLEIN ANALISA O LEGADO ECONÔMICO DA DESIGUALDADE

O legado miserável de Reagan, Thatcher e Pinochet

Paulo Nogueira

Naomi: a origem da brutalidade econômica foi no Chile

Naomi: a origem da brutalidade econômica foi no Chile

No livro “Doutrina do Choque”, a escritora Naomi Klein dá uma aula de mundo moderno

Uma aula brilhante de mundo moderno. É uma maneira sintética de definir o livro A Doutrina do Choque, da escritora, jornalista e ativista canadense Naomi Klein, 44 anos.

Vou colocar, no pé deste artigo, um documentário baseado na obra, com legenda em português. Recomendo que seja visto, e compartilhado.

Naomi, como é aceito já consensualmente, identifica em Reagan e Thatcher, cada um num lado do Atlântico, um movimento que levaria a uma extraordinária concentração de renda no mundo.

Ambos representaram administrações de ricos, por ricos e para ricos. Os impostos para as grandes corporações e para os milionários foram sendo reduzidos de forma lenta, segura e gradual.

Desregulamentações irresponsáveis feitas por Reagan e Thatcher, e copiadas amplamente, permitiram a altos executivos manobras predatórias e absurdamente arriscadas com as quais eles, no curto prazo, levantaram bônus multimilionários.

O drama se viu no médio prazo. A crise financeira internacional de 2007, até hoje ardendo mundo afora, derivou exatamente da ganância irresponsável e afinal destruidora que as desregulamentações estimularam nas grandes empresas e nos altos executivos.

No epicentro da crise estavam financiamentos imobiliários sem qualquer critério decente nos Estados Unidos, expediente com o qual banqueiros levantaram bônus multimilionários antes de levar seus bancos à bancarrota com as previsíveis inadimplências. (Ruiria, com os bancos, também a ilusão de que o reaganismo e o thatcherismo fossem eficientes.)

Tudo isso, essencialmente, é aceito.

O engenho de Naomi Klein está em recuar alguns anos mais para estudar a origem da calamidade econômica que tomaria o mundo a partir de 2007.

O marco zero, diz ela, não foi nem Thatcher e nem Reagan. Foi o general Augusto Pinochet, que em 1973 deu, com o apoio decisivo dos Estados Unidos, um golpe militar e derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende no Chile.

Foi lá, no Chile de Pinochet, que pela primeira vez apareceria a expressão “doutrina de choque”. O autor não era um chileno, mas o economista americano Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago.

Frieman dominou a economia chilena sob Pinochet

Um programa criado pelo governo americano dera, na década de 1960, muitas bolsas de estudo para estudantes chilenos estudarem em Chicago, sob Friedman, um arquiconservador cujas ideias beneficiam o que hoje se conhece como 1% e desfavorecem os demais 99%.

Dado o golpe, os estudantes chilenos de Friedman, os “Chicago Boys”, tomaram o comando da economia sob Pinochet e promoveram a “Doutrina do Choque” – reformas altamente nocivas aos trabalhadores, impostas pela violência extrema da ditadura militar.

Da “Doutrina do Choque” emergiria, no Chile, uma sociedade abjetamente iníqua que anteciparia, como nota Naomi Klein, o que se vê hoje no mundo contemporâneo.

O Brasil, de forma mais amena, antecipara o Chile: o golpe militar, também apoiado pelos Estados Unidos (e pelas grandes empresas de jornalismo, aliás), veio nove anos antes, em 1964. Tivemos nossos Chicago Boys, mas em menor quantidade, como Carlos Langoni, que foi presidente do Banco Central.

Com sua sinistra “Doutrina do Choque”, Friedman, morto em 2006, é o arquiteto do mundo iníquo tão questionado e tão merecidamente combatido em nossos dias.

Um dos méritos de Naomi Klein é deixar isso claro – além de lembrar a todos que situações de grande desigualdade são insustentáveis a longo prazo, como a guilhotina provou na França dos anos 1790.

Veja mais em Educação Política:

CAMILA VALLEJO FALA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NO CHILE E DOS PERIGOS DE UM MODELO QUE REPRODUZ DESIGUALDADES

Educação emancipadora, igualitária e libertadora

Camila Vallejo, considerada a principal figura de 2011 no Chile, seu país, pela atuação no Movimento Estudantil, escreveu, em texto publicado pelo Portal Vermelho sobre a contribuição e continuidade da luta estudantil, ser o atual sistema educacional chileno conscientemente perverso por perpetuar uma situação de desigualdade em que a fragmentação, causada por um modelo de competição, impede a formação de um real sistema educacional.

Além disso, na análise da líder estudantil, o privilégio dado a conteúdos considerados úteis para o mercado de trabalho, impede que o sujeito se forme como ser crítico, e o destina a servir ao aparelho produtivo como mão de obra barata ou profissional de mercado.

O fato da educação no país estar fortemente atrelada à condição de pagamento, também faz com que essa se revista de uma concepção neoliberal, esvaziando cada vez mais o caráter público do saber e, o que é ainda mais grave, transformando-o em mercadoria. Aliás, o modelo neoliberal perpassa o sistema educacional em suas características principais: “o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema”, diz Camila.

Diante de todas essas questões, ela lembra que o movimento estudantil no Chile tem uma enorme importância política por rediscutir o modelo educacional no país, projetando a discussão para outros países do mundo. O papel que a educação desempenha na sociedade, sua relação com o estado e com o mercado são colocados em cheque. E aí vem o ponto principal do movimento chileno, fazer com que a educação seja reconhecida como um Direito Social e um Investimento Social para que, como escreve Camila, a “sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social”.

A luta por uma educação como direito e investimento social que se paute mais por uma lógica crítico-social e não mercadológica é mais do que legítima, mas é também uma das lutas mais difíceis porque é a luta que realmente permite mudanças. Mudanças que essa mesma sociedade de mercado – integrada por boa parte da mídia de muitos países – que nos prepara para viver dentro dos limites das suas possibilidades aparentemente infinitas de escolha, não quer.

Veja trecho do texto de Camila:

Camila Vallejo: Contribuição sobre o movimento e sua continuidade

Este movimento, fruto de longos processos de acumulação, amadurecimento político e consolidação orgânica no seio do mundo educacional, não apenas conseguiu elaborar um diagnóstico que demonstra a triste realidade do sistema de educação chileno, como também constatou em sua origem e evolução uma causalidade funcional na reprodução e aprofundamento das desigualdades no nosso país.
Por Camilla Vallejo

Dado o papel que a educação desempenha, ao constituir-se dentro da super-estrutura social como ferramenta de transformação ou reprodução material e cultural das ideias de um modelo econômico, social e político determinado, hoje não restam dúvidas de que é um sistema conscientemente perverso.

Vimos como a educação no Chile contribui muitíssimo para a exclusão, a segregação e para a segmentação social. A competição como elemento mobilizador da qualidade educativa, ao fazer com que os atores compitam entre si, decide por eliminar toda possibilidade de que a rede de servidores possa se desenvolver como um verdadeiro sistema, e, pelo contrário, contribuiu para a sua fragmentação. A super valorização exacerbada dos métodos de avaliação padronizados impostos sobre os processos de formação, acabam evidenciando as enormes desigualdades de origem e permitindo a discriminação com base nisso. A compartimentação dos conteúdos em conhecimentos úteis apenas para o “empreendimento” não permite formar sujeitos integrais e com capacidade crítica. O viés deliberado na formação dos educandos os pré-destina a ser mão de obra barata do aparelho produtivo ou de profissionais para o mercado. A concepção de bem e de investimento individual – no lugar de pública – no momento de financiar a educação permite que o custo de educar recaia sobre cada família e que seja, no fim das contas, a sua capacidade de pagamento o que determina o exercício de seu direito à educação.

Este modelo se encarrega da geração de um imaginário sociocultural que promove princípios e valores próprios do neoliberalismo. Princípios anti-éticos como o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema, às custas das grandes massas de trabalhadores, moradores de comunidades diversas e estudantes que se vêm prejudicados e arrastados numa correnteza sem fim, onde são sempre eles que assumem os custos através do endividamento, da instabilidade de emprego, da sub-valorização profissional e do desemprego. Enquanto abundam os ingressos de empresas que, sem produzir ou inovar, lucram de maneira muito conveniente com aquilo que em qualquer outro país seria considerado um direito.

Diante de tão triste realidade, é que a demanda do movimento estudantil, que rapidamente ecoa no âmango do mundo social, torna-se uma questão eminentemente política. Coloca em cheque o papel que deve desempenhar a educação no seio da sociedade e consequentemente, sua relação com o mercado e com o Estado. Neste sentido, a recuperação da educação como um Direito Social e um Investimento Social, não é apenas por gerar mobilidade social, mas, sim, para que a sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social (Meller, P. “El problema no es el lucro, es el mercado”) a partir da democratização do conhecimento e da formação integral de todo o povo. Este último merece verdadeira atenção, considerando que frente à complexidade da nossa sociedade atual (injustiça social, aumento progressivo das desigualdades, diminuição generalizada da qualidade de vida, violência estrutural, deterioração ambiental, precarização laboral etc.) não podemos depender de profissionais e técnicos com uma visão fragmentada e restrita apenas aos conhecimentos úteis para o empreendimento individual ou coletivo, mas, sim, de sujeitos, gerações completas que tenham uma visão integral e ampla da realidade nacional e mundial. Só assim poderemos enfrentar a complexidade dos problemas sociais e ambientais que nos afetam. Definitivamente, trata-se de gerar dispositivos contra-hegemônicos ao modelo de mercado, porque é este que aliena a nossa sociedade e a condena à manutenção das desigualdades e injustiças atuais. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

CENAS DE VIOLÊNCIA PROTAGONIZADAS POR ALGUNS JOVENS NO CHILE PREOCUPAM A LIDERANÇA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
CAMILA VALLEJO: A IRRESISTÍVEL BELEZA REVOLUCIONÁRIA
ESTUDANTES E TRABALHADORES CHILENOS CONVOCAM GREVE GERAL PARA DIA 19 DE OUTUBRO EM PROTESTO CONTRA REPRESSÃO E MODELO DE CONDUÇÃO DO PAÍS
ESTUDANTES CHILENOS PEDEM MAIS INVESTIMENTO E MAIOR COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM A EDUCAÇÃO

CENAS DE VIOLÊNCIA PROTAGONIZADAS POR ALGUNS JOVENS NO CHILE PREOCUPAM A LIDERANÇA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL

Violência recíproca

Os protestos no Chile por melhorias no sistema educacional do país e mudanças no atual modelo econômico vigente continuam pelas ruas de Santiago. O movimento estudantil chileno tem reivindicações claras e as manifestações já protagonizadas por eles revelaram-se integralmente democráticas, tanto na forma como aconteceram, quanto pelo motivo em si que as motivaram: uma educação pública de qualidade para todos, o que não existe no Chile.

No entanto, quando um movimento vai aumentando em visibilidade e proporção perde-se um pouco o controle e cenas de violência começam a aparecer, rachando um pouco a base sólida inicial e embaçando as reais demandas do movimento. É isso o que vem acontecendo no Chile. Na última terça-feira, diversos grupos de jovens encapuzados saíram às ruas erguendo barricadas e acendendo fogueiras em onze pontos da capital chilena, até um ônibus foi incendiado, como mostra reportagem publicada pela Carta Maior.

A luta estudantil teme a repercussão desses protestos de cunho mais violento por dois motivos: o primeiro seria a própria apreensão da população em relação à escalada de violência envolvendo os jovens e a polícia, o segundo, e mais perigoso, seria o aproveitamento que a mídia, majoritariamente de direita no país, pode fazer dessas cenas visando deslegitimar o movimento junto à opinião pública, mascarando os motivos reais e autênticos de sua luta.

O discurso oficial que vem sendo propagado é: “o movimento foi sequestrado pelos grupos mais radicalizados”, entretanto, há algumas suspeitas em relação às cenas de violência que têm sido produzidas. Entre o movimento estudantil, há dúvidas de que os episódios de violência tenham vindo exclusivamente de seu setor.

Os jovens encapuzados, como são conhecidos, reagem da única forma como sempre foram tratados pelo estado, com violência. E, haja vista a última decisão do governo em invocar a Lei de Segurança do Estado para punir os responsáveis pelo ataque ao ônibus que foi incendiado, a possibilidade de diálogo já é quase uma miragem no país.

Veja texto com mais detalhes sobre o assunto publicado pela Carta Maior:

Governo chileno invoca lei de segurança do Estado contra protestos
Por Christian Palma – Correspondente da Carta Maior em Santiago do Chile

Santiago viveu uma nova manhã incandescente, terça-feira (19), na primeira das duas jornadas de mobilizações convocadas pelo movimento estudantil e pelos trabalhadores para exigir uma educação gratuita e de qualidade. Desde cedo, diversos grupos de jovens encapuzados saíram às ruas erguendo barricadas e acendendo fogueiras em onze pontos da capital chilena, em protesto contra o modelo educacional e o modelo político-econômico vigente no país. O fogo foi alimentado com pneus, placas de trânsito e lixo nas esquinas próximas às universidades e escolas públicas. Mas o fato mais quente ocorreu perto das 8 horas na Avenida Grécia, perto da sede da Universidade do Chile e a duas quadras do Estádio Nacional, onde um grupo de 20 jovens fez os passageiros descerem de um ônibus para, logo em seguida, colocar fogo no veículo de 22 metros de comprimento.

Os carabineiros finalmente entraram na Faculdade de Filosofia da principal universidade do país. Em outra região, na zona periférica de Maipú, outro grupo incendiou uma casa piloto de um conjunto habitacional, evidenciando dois aspectos que preocupam a luta estudantil: o temor de alguns setores da população pela escalada de violência urbana envolvendo jovens encapuzados e a política, e o aproveitamento midiático que o governo de Sebastian Piñera faz disso para tentar deslegitimar as demandas do movimento estudantil.

A imprensa, majoritariamente de direita no chile, destacou as fotografias de carabineiros lesionados, ônibus queimados e barricadas de fogo, deixando de lado o tema de fundo das demandas estudantis. O discurso oficial é: “o movimento foi sequestrado pelos grupos mais radicalizados”. No entanto, há dúvidas. A primeira diz respeito às suspeitas levantadas após reportagens de televisão que mostraram carabineiros infiltrados entre civis nas marchas anteriores. No movimento estudantil, duvida-se que a origem de alguns episódios de violência venha exclusivamente de seu setor, sobretudo após um ataque de encapuzados à sede da UDI, o partido de ultra-direita mais forte do governo.

Mas junto a isso há algo indesmentível e inevitável nos movimentos sociais latino-americanos: jovens que reagem com violência ao Estado em função da marginalização, não só em relação às demandas educacionais, mas pelo cansaço por outros abusos do mercado na saúde, na previdência social e por parte dos bancos, entre outras questões.(Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

A REVOLUÇÃO MUNDIAL ESTÁ VINDO: INDIGNADOS SE ESPALHAM PELO MUNDO E DIZEM NÃO A TODO UM MODELO DE FUNCIONAMENTO DA ECONOMIA MUNDIAL
A UTOPIA QUE NOS FAZ CAMINHAR: UM ELOGIO AO DELÍRIO, À IMPERFEIÇÃO E AO TEMPO PRESENTE, POR EDUARDO GALEANO
ESTUDANTES E TRABALHADORES CHILENOS CONVOCAM GREVE GERAL PARA DIA 19 DE OUTUBRO EM PROTESTO CONTRA REPRESSÃO E MODELO DE CONDUÇÃO DO PAÍS
CAMILA VALLEJO: A IRRESISTÍVEL BELEZA REVOLUCIONÁRIA

ESTUDANTES E TRABALHADORES CHILENOS CONVOCAM GREVE GERAL PARA DIA 19 DE OUTUBRO EM PROTESTO CONTRA REPRESSÃO E MODELO DE CONDUÇÃO DO PAÍS

Se o lema do governo chileno é a repressão e ausência de diálogo, no lenço de Camila Vallejo podia-se ler na marcha da última quinta-feira "Unidos com + força"

O governo chileno continua a afirmar que a educação no Chile não pode ser gratuita, deixando de mostrar qualquer possibilidade de entendimento e acordo com os estudantes. Estes se veem obrigados, neste sentido, a sair das mesas de negociação e se organizar como podem nas ruas e nas praças do Chile. Mesmo assim, o governo ainda quer complicar mais as coisas. Os últimos protestos dos estudantes têm sido recebidos com muita violência e repressão por parte do poder público o que faz lembrar, segundo alguns, os piores anos da ditadura Pinochet.

Se a negociação não acontece e a repressão é a única resposta dada pelo governo, a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), representada pelos porta-vozes Camila Vallejo e Camilo Ballesteros, juntamente com o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), Arturo Martínez, e o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, anunciaram uma greve geral para o próximo dia 19 de outubro e chamam a ela toda a sociedade, pois o que está em jogo no Chile não é apenas a educação, mas todo um modelo de desenvolvimento do país.

Veja trecho de reportagem sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

Forte repressão no Chile. Nova greve geral é convocada
Por Christian Palma

A pesar de não terem sido autorizados pela prefeitura para marchar pela capital chilena, os estudantes se reuniram assim mesmo, quinta-feira, na Praça Itália, tradicional ponto de encontro nestes cinco meses de ocupações e greves, para iniciar uma nova caminhada denunciando a intransigência do governo de Sebastian Piñera, sobretudo na última reunião entre ambas as partes, que culminou com a saída dos estudantes da mesa de diálogo, após o Ministério da Educação reafirmar que a educação no Chile não pode ser grátis.

A líder universitária, Camila Vallejo, junto com um grupo de dirigentes e estudantes, encabeçava a marcha portando um lenço com a frase “Unidos com + força”. No entanto, poucos minutos após o início da marcha, os manifestantes foram reprimidos por um carro com jatos d’água, dos carabineiros, que acabou com a manifestação que estava apenas começando.

Esse fato deu início a duros enfrentamentos entre estudantes e carabineiros em diferentes pontos de Santiago, sobretudo em frente à Universidade Católica, à Universidade do Chile, ao Instituto Nacional (colégio secundário mais importante do Chile) e nas cercanias do Palácio de La Moneda, em pleno centro de Santiago, onde um grupo de jovens com o rosto coberto (encapuzados) instalaram barricadas na principal avenida da capital, a Alameda, provocando a aparição imediata da polícia que os esperava para entrar em ação. E fez isso com força. A polícia reprimiu a todos por igual, aos que faziam desordens, aos estudantes inocentes e as pessoas comuns que passavam pelo lugar naquele momento. Foram cinco horas de luta contínua que deixou 150 detidos e vários feridos, entre civis e policiais.

A ruptura da mesa de diálogo pela educação, que não apresentou nenhum avanço na direção de uma educação gratuita e de qualidade, segue unificando os jovens que ontem também rechaçaram a repressão aplicada pelo governo contra os manifestantes.

Neste cenário, a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), representada pelos porta-vozes Camila Vallejo e Camilo Ballesteros, juntamente com o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), Arturo Martínez, e o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, anunciaram que continuarão com as mobilizações e convocarão uma nova greve nacional para o dia 19 de outubro. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

CAMILA VALLEJO: A IRRESISTÍVEL BELEZA REVOLUCIONÁRIA
ESTUDANTES CHILENOS PEDEM MAIS INVESTIMENTO E MAIOR COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM A EDUCAÇÃO
VÍDEO: JOVENS ACORDAM DO PESADELO REPUBLICANO DO MEDO E PROTESTAM NOS EUA
MAIS DE 400 MIL ISRAELENSES SAEM ÀS RUAS PEDINDO JUSTIÇA SOCIAL E MUDANÇAS NA POLÍTICA ECONÔMICA DO PAÍS

CAMILA VALLEJO: A IRRESISTÍVEL BELEZA REVOLUCIONÁRIA

Camila Vallejo, a jovem estudante chilena, que é uma das líderes do movimento estudantil, personifica a beleza revolucionária.

De uma estética arrebatadora, das palavras de Camila pulsa a beleza de lutar por uma educação gratuita e pública, por um Chile mais justo, por sonhos de um mundo melhor.

Camila Vallejo  é a atual presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH) e combate a privatização do ensino que aconteceu no país vizinho. Uma privatização que o PDSB/DEM queria implantar no Brasil durante o governo FHC.

Camila Vallejo nos diz que beleza e inteligência podem estar lado a lado na construção de um país!

Agora veja o vídeo:

Vi no Contexto Livre

Leia mais em Educação Política:

ESTUDANTES CHILENOS PEDEM MAIS INVESTIMENTO E MAIOR COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM A EDUCAÇÃO
EX-MORADOR DE RUA CRIA UMA BIBLIOTECA AMBULANTE E FAZ COM QUE OS LIVROS CHEGUEM A MORADORES DE RUA EM SÃO PAULO
IRONIAS DA VIDA: RACISTAS DE SÃO PAULO DEVERIAM AGRADECER AO EX-PRESIDENTE LULA, O NORDESTINO
SIMPLES ASSIM: LEI DAS LICITAÇÕES DEVERIA BANIR ADITIVOS EM CONTRATOS E EXIGIR SEGURO NAS CONCORRÊNCIAS PÚBLICAS

ESTUDANTES CHILENOS PEDEM MAIS INVESTIMENTO E MAIOR COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM A EDUCAÇÃO

Educação em debate no Chile!

Depois de meses de protestos e manifestações, o impasse envolvendo os estudantes universitários e professores chilenos parece estar caminhando para mais um momento tenso. A Confederação de Estudantes Universitários do Chile confirmou para o próximo dia 9 uma greve geral em protesto ao plano destinado à educação definido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera.

Os estudantes, apoiados por professores e por várias categorias profissionais do país pedem mais investimentos no ensino superior e maior comprometimento do governo com a causa da educação, já que o ensino superior no país é controlado pela iniciativa privada.

Além da possibilidade de paralisação,  no próximo dia 05, estudantes e professores se manifestarão sobre a proposta apresentada na segunda-feira (1º) pelo Ministério da Educação. Uma das medidas previstas na proposta elaborada pelo governo prevê como garantia constitucional o direito a uma educação de qualidade assegurada pelo Estado.

Enquanto isso, o presidente Sebastián Piñera convida a população a se unir em torno da causa educacional, tentando, com isso, unir o próprio país que cada vez mais se divide entre aqueles que concordam com o governo e aqueles que desejam mudanças.

Veja dois textos sobre o assunto publicados na página do Brasil de Fato:

Impasse entre governo do Chile e estudantes pode chegar ao fim
Na próxima sexta-feira (5), estudantes e professores se manifestarão sobre a proposta apresentada pelo Ministério da Educação
Por Renata Giraldi da Agência Brasil

O impasse envolvendo o governo do presidente do Chile, Sebastián Piñera, estudantes e professores pode estar próximo do fim. Na próxima sexta-feira (5), estudantes e professores se manifestarão sobre a proposta apresentada na segunda-feira (1º) pelo Ministério da Educação. A decisão foi anunciada pela porta-voz da Confederação dos Estudantes do Chile, Camila Vallejo.

Para estudantes e professores, é essencial uma reforma no sistema educacional do país. Professores e estudantes reivindicam mais investimentos no ensino superior e o fim da municipalização do ensino básico e fundamental.

Depois de meses de protestos e manifestações, o ministro da Educação do Chile, Felipe Bulnes, preparou a proposta com 21 medidas que incluem como garantia constitucional o direito a uma educação de qualidade assegurada pelo Estado. Também há definições para aumento de investimentos em subsídios escolares, com ênfase para os alunos mais vulneráveis. (Texto completo)

No Chile, estudantes organizam greve geral para o próximo dia 9
A Confederação de Estudantes Universitários do Chile confirmou paralisação em Santiago para o próximo dia 9
Da Agência Telam

Em menos de uma semana, o Chile viverá um dia de paralisação intensa. A Confederação de Estudantes Universitários do Chile confirmou para o próximo dia 9 uma greve geral em protesto ao plano destinado à educação definido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera. Os estudantes contam com o apoio dos professores e também de várias categorias profissionais do país.

Segundo os estudantes, eles se manterão mobilizados. A presidenta da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, Camila Vallejo, disse que a iniciativa “é um estado de alerta”. “Queremos ressaltar que estamos mobilizados”, disse.

A concentração da manifestação no dia da greve geral será em Santiago, capital chilena. O protesto é liderado pelos universitários que defendem mais investimentos para o ensino superior no Chile. No país, o ensino superior é controlado pela iniciativa privada. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

EX-MORADOR DE RUA CRIA UMA BIBLIOTECA AMBULANTE E FAZ COM QUE OS LIVROS CHEGUEM A MORADORES DE RUA EM SÃO PAULO
FELICIDADE COMO POLÍTICA PÚBLICA: GARANTIA DE BEM-ESTAR É VISTA COMO FERRAMENTA DE DESENVOLVIMENTO DOS PAÍSES
PROFESSORES QUE CONTINUAREM EM GREVE NO RIO DE JANEIRO TERÃO O PONTO CORTADO A PARTIR DE 1º DE AGOSTO
INDIGNADOS ACAMPAM EM MADRID E PROTESTAM CONTRA A ATUAL POLÍTICA SOCIOECONÔMICA ADOTADA PELOS PAÍSES EUROPEUS

POR QUE O CHILE TEM UM DESEMPENHO BEM SUPERIOR AO DO BRASIL EM TODOS OS TESTES INTERNACIONAIS DE AVALIAÇÃO DO ENSINO BÁSICO?

O sucesso da educação só será alcançado se houver uma aliança entre pais, alunos, professores e gestores do sistema

Por Nilva Carla Maia Venturine

O sucesso da educação só será alcançado se houver uma aliança entre pais, alunos, professores e gestores do sistema. Por este caminho, Nova York fez uma reforma no seu sistema de ensino básico que deu bons resultados. Lá, escolas que não alcançaram as metas desejadas foram fechadas, após terem novas chances e fracassarem nos seus objetivos.

É preciso ter coragem para que sejam enfrentados todos os problemas estruturais da educação brasileira e deve se feito um esforço para a construção de um amplo consenso entre todos os agentes do sistema e da sociedade. Sem isto, estaremos enxugando gelo. Sempre jogaremos mais dinheiro na Educação, mas os resultados continuarão sendo medíocres.
È preciso dar uma resposta a uma pergunta simples:Por que o Chile, um país com uma economia bem menos pujante do que a nossa, tem um desempenho bem superior ao nosso, em todos os testes internacionais de avaliação do ensino básico de diversos países?

Alguma coisa está errada no sistema brasileiro e isto não deve ser jogado para debaixo do tapete.

Nilva.

Leia mais em Educação Política:
POLÍTICOS DEVEM MATRICULAR SEUS FILHOS EM ESCOLAS PÚBLICAS; PROJETO DE CRISTÓVAM BUARQUE TEM UM PRINCÍPIO REPUBLICANO
PROJETO DE SERRA PARA A EDUCAÇÃO ISENTA O ESTADO, JOGA A RESPONSABILIDADE EM CIMA DO PROFESSOR E CRIA O PROFESSOR-VESTIBULANDO
POEMA DO DIRETOR: OS DRAMAS DA ESCOLA PÚBLICA DE SÃO PAULO EM VERSO
SALÁRIO DO PROFESSOR DA ESCOLA PÚBLICA (MUNICIPAL E ESTADUAL) AUMENTA 53% NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS, DIZ MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
%d blogueiros gostam disto: