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PROBLEMA SILENCIOSO: GOVERNO DE SÃO PAULO BUSCA APRIMORAR A BUSCA POR CRIANÇAS DESAPARECIDAS NO ESTADO, MAS MEDIDAS ADOTADAS AINDA SÃO INSUFICIENTES

Nos balões, fotos de crianças desaparecidas

“No Brasil, atualmente, cerca de 40 mil crianças e adolescentes desaparecem a cada ano. Desse total, 9 mil são crianças e adolescentes que desaparecem em São Paulo”. Esses são dados divulgados em notícia publicada pela Agência Brasil sobre novas medidas adotadas pelo governo de São Paulo para aprimorar as buscas por crianças desaparecidas.

As principais mudanças estão na exigência de identificação por fotografia digitalizada de crianças e adolescentes que se matricularem ou renovarem a matrícula nas instituições de ensino. Com isso, uma foto atualizada das crianças e adolescentes sempre estaria à disposição, o que muitas vezes as famílias não têm. A tecnologia de progressão de idade ou de envelhecimento digital, também vai ser utilizada pelo governo.

Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse à Agência Brasil que apesar de aprovar as medidas ainda as considera insuficientes.

Primeiro porque a campanha deixou de lado a divulgação das fotos das crianças em locais públicos. Para ele, seria essencial que as fotos aparecessem em todas as edições do Diário Oficial, por exemplo, e também nos transportes públicos. Também não houve a preocupação, segundo ele, em criar delegacias especializadas no assunto e em aperfeiçoar um sistema interligado de informações para lidar com o problema. “Precisaríamos realmente ter um cadastro estadual de pessoas desaparecidas, o que ainda não foi lançado”, diz ele.

Enquanto isso, os dados vão aumentando e os governos, tanto estaduais quanto federal, ainda parecem estar distantes de um método eficiente em tornar visível o que, por causas sociais e familiares, se torna invisível. Em oposição ao aparente silêncio dos desaparecidos é preciso fazer mais barulho.

Veja trecho da notícia:

Governo de São Paulo adota medidas para aprimorar busca de crianças desaparecidas no estado
Por Elaine Patricia Cruz

São Paulo – A exigência de identificação por fotografia digitalizada de crianças e adolescentes que se matricularem ou renovarem a matrícula nas instituições de ensino é uma das medidas previstas e faz parte da campanha do governo paulista, lançada na semana passada, para melhorar o sistema de busca de crianças e adolescentes desaparecidos no estado.

A campanha, que envolve as secretarias de Segurança Pública, Justiça e Defesa da Cidadania; Educação; Saúde, Desenvolvimento Social; e dos Direitos das Pessoas com Deficiência, também pretende conscientizar a população sobre a importância da comunicação rápida do desaparecimento, sem a necessidade de aguardar o prazo de 24 horas para que a notificação seja feita.

“Muitas vezes, uma dificuldade que ocorre com relação a desaparecimento de crianças e adolescentes é que a família sequer tem uma foto atualizada da criança. Se todo ano isso for um requisito, e as escolas já tiverem uma foto da criança e esta foto estar sempre atualizada no banco de dados da escola, isso vai colaborar com relação às famílias que não têm fotos atualizadas das crianças”, disse Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O governo paulista também anunciou que vai utilizar a tecnologia de progressão de idade ou de envelhecimento digital, que faz uma simulação de como estas crianças desaparecidas estariam nos dias atuais. É um processo semelhante ao que já vem sendo usado há alguns anos pela Polícia Civil no Paraná.

Apesar de elogiar estas ações, Alves disse ainda considerar as medidas insuficientes. Uma de suas reclamações é que a campanha deixou de lado a divulgação de fotos dos desaparecidos em locais públicos.(Texto completo)

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ROBERTO SAMPAIO MONTOU UMA BIBLIOTECA COM 23 MIL LIVROS E SONHA COM UM PAÍS ONDE O CONHECIMENTO CHEGUE A TODOS

Cultura e cidadania!

Por Maura Voltarelli

Em meio aos tensos anos do regime militar, Roberto teve que morar na Argentina aos 10 anos de idade com os irmãos. Do período, guarda lembranças de uma educação cuidadosa – na qual sentiu pela primeira vez o cheiro dos livros – e da saudade de seu país, dos amigos, da escola.

A distância apenas aumentou seu sentimento de pertencer à nação brasileira e a esperança de um dia voltar ao Brasil e lutar por ele. Hoje, Roberto Carlos Sampaio se angustia ao ver como certos “representantes do povo brasileiro” menosprezam a democracia e todas as formas de liberdade e respeito entre as pessoas; e segue lutando como cidadão para que o acesso à cultura e ao conhecimento chegue a todos, pois acredita que apenas o saber tem a força de transformar a realidade social.

Como parte da construção de seu sonho, Roberto montou uma biblioteca em sua casa, em Taquara, no Rio Grande do Sul, que hoje conta com 23 mil livros, a biblioteca comunitária Amigos do Livro. Como ele diz, “sou pintor de paredes, mas sei da minha responsabilidade social como cidadão”. E os sonhos de Roberto ainda não terminaram. Ele pretende inaugurar dentro de dois anos um teatro para 90 pessoas no fundo da sua casa.

O pintor de paredes, que poderia muito bem ser chamado de pintor de corações, não esqueceu o passado difícil, mas não quer sacrificar as promessas do futuro nem com as lembranças de ontem, tampouco com as decepções e tristezas de hoje. “Mas que passei maus bocados isso passei”, diz ele.

Roberto concedeu uma entrevista ao blog Educação Política na qual conta um pouco mais sobre a sua história de vida e fala a respeito dos desafios que o Brasil ainda tem que enfrentar, dentre eles, fazer com que o conhecimento e a educação sejam mais atrativos para os jovens do que a violência e o crime por exemplo. Ele também revela qual o seu sonho para o país, algo como uma realidade em que todos possam experimentar de fato a oportunidade e a sensação de ter, ou melhor, adquirir conhecimento, isso por que, para Roberto, duas coisas são sempre verdade e nunca podem ser tiradas de alguém: os sonhos e o saber; e só por elas vale a pena lutar!

Agência Educação Política: Uma fase da sua vida foi determinada por acontecimentos ligados ao Golpe Militar em 1964. Como exatamente a ditadura militar mudou a sua vida? Como foi ficar afastado do seu próprio país ainda tão jovem? A vontade de voltar era maior do que o medo?
Roberto: Na época do regime militar uma mudança brusca aconteceu comigo. Tudo começou com a separação dos meus pais. Meu pai era militar na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná e por conta disso a minha mãe ficou comigo e meus dois irmãos. Nós nos  mudamos para a cidade de Marmeleiro, também no Paraná.  Então, começaram as ameaças e minha mãe foi aconselhada  a se mudar para a fronteira com a Argentina  no ano de 1967. Pensando em nos proteger do exército que passava na fronteira todas as semanas, minha mãe nos abrigou com uma família na Argentina. Como havíamos ficado sem documento (eu só voltei a tê-los aos 13 anos)  não era possivel ir sequer à escola. Sofri muito com isso. Eu ganhara um caderno de um padrinho aos 4 anos de idade mas não podia  ir à aula, não podia usá-lo, tudo aquilo parecia não ter  fim.   Um dia,  pedi para a familia com a qual eu morava me levar  para ver o desfile de 7 de setembro  do ano 1971, não aguentava mais ficar longe.  Foi o desfile mais lindo de que me lembro,  mas agora, só de recordar novamente, me doem os ossos dos braços.  Na época, tocava muito uma música  que dizia , eu te amo meu brasil eu te amo, meu coração é verde amarelo branco azul marinho eu te amo….
De tudo isso que vivi tenho quinze diários,  um dia, quero completar meu livro nem que seja só para deixar para os netos lerem. Quando voltei a morar no Brasil, a primeira semana foi um pouco dificil. Lembro-me de um dia em que minha mãe não teve como dar café antes de irmos para a escola, e bem nesse dia  eles inauguraram uma quadra de piso de futebol de salão.  Foi um dos dias mais importantes da minha vida por ser a primeira vez que eu voltava a brincar com as crianças do Brasil. Mesmo com as dificuldades que passei, acredito que as coisas tinham que ter sido assim.  Confesso que não consigo ouvir o Hino Nacional sem que lágrimas escorram dos meus olhos, pois tudo aquilo de que me privaram na minha infância doeu demais, mas a votade de voltar ao meu país  sempre foi mais forte. No entanto, sou muito grato a todos com quem tive contato na querida Argentina. Sei que muito de minha vida poderia ter sido diferente, mas, apesar de todos os problemas,  os ensinamentos da vida,  os amigos que tenho, a leitura, tudo isso fez de mim um cidadão de bem. Hoje  sou pintor de paredes, mas um dia quero fazer faculdade de história,  mas isto ja é outra coisa, outra história…

Roberto Carlos Sampaio: o sonhador de livros

AEP: O que especificamente te despertou ao longo da sua história de vida para o exercício da cidadania? Em outras palavras, o que te motivou a fazer uma biblioteca na sua casa com 23 mil livros e a ter planos de inaugurar um teatro? De onde vem essa vontade de viabilizar a cultura e o conhecimento colocando-os ao alcance de todos?
Roberto: Essa vontade vem do desejo de que todos tenham a felicidade que eu tive na minha infância quando vi um cidadão abrir as portas de uma livraria para que eu pudesse  ler, sem nunca pedir pra que eu varresse a livraria, por exemplo. Ele me deixava ler gratuitamente.  Nunca mais esqueci o cheiro daqueles livros. Na Argentina,  um amigo tinha um livro infantil com histórias hispânicas que me encantava. Um dia, ele pediu que eu falasse sobre Monteiro Lobato, eu passei a maior vergonha pois não sabia nada de Monteiro Lobato. Foi quando pensei, “um dia quero ter tantos livros na minha casa para que as crianças do lugar onde eu more tenham sempre gibis e livros ao alcance das mãos, sem qualquer custo e sem que seja necessário um adulto autorizar.   Todos têm os mesmos direitos e deveres e na minha biblioteca são as crianças que levam os livros para os pais lerem e não o contrário.  A lição que eu quero deixar para estas crianças é que o poder aquisitivo pode te privar de várias coisas, mas os teus sonhos ninguém tem o direito de te tirar e jamais diga a uma criança que os sonhos não são verdade, eles são.

AEP: Como funciona a sua biblioteca? As pessoas têm acesso aos livros, retiram e devolvem como em uma biblioteca normal? Vocês fazem alguns projetos para incentivar a leitura, como se organiza a sua biblioteca?
Roberto: A biblioteca abre às 7h  e fecha às 22 h, sem parar ao meio dia durante os 365 dias do ano. Por ser comunitária, ela funciona com o método do auto-atendimento, as pessoas têm a liberdade de ler ali ou levar o livro pra casa, como acharem melhor.  Quanto aos projetos para aumentar o número de leitores, são vários. Nós temos saraus, música, teatro, alfabetização para adulto, além de confiar e dar oportunidade aos nossos leitores. Com as crianças, por exemplo, nós damos oportunidade delas mesmas serem responsáveis por devolver e cuidar do livro sem a autorização de um adulto, e acreditamos na boa conversa, no diálogo para lidar com esses pequenos leitores, o que acaba incentivando a leitura desde cedo.

AEP: O Brasil ainda é um país com muitos desafios pela frente. O acesso à cultura e ao conhecimento deve chegar a todos, assim como a segurança e o verdadeiro sentimento de um bem-estar social, de estar inserido em um contexto onde há respeito pelos brasileiros e onde ele realmente se sinta amparado por instituições de fato democráticas. Para você qual seria o maior e mais importante desafio que o nosso país tem pela frente e qual seria o caminho para resolvê-lo?
Roberto: Moro num lugar muito violento. Minha cidade é a trigézima quinta mais violenta do estado do Rio Grande do Sul  e o bairro onde moro é considerado o pior lugar para se viver, mas é preciso fazer alguma coisa e logo para que estas crianças que moram aqui vejam que o mundo é maior do que estes problemas que nos rodeiam.  Considero primordial para mudar a mentalidade de um jovem e de uma criança  o teatro, por exemplo. Além da importância da comunicação e da amizade, ele  tem o poder de mudar o ser humano, criar um cidadão mais politizado, ciente de seus atos e da importancia de ter um bom estudo, afinal, a informação  é o x da questão  e o medo que senti quando criança  é  hoje  meu combustível  de vida para tentar mudar a realidade do lugar onde vivo e, em última instância, do meu país.

AEP: O escritor português José Saramago diz no seu romance O Memorial do Convento que “além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu”. Qual é hoje, depois de ter montado em sua casa uma biblioteca com 23 mil livros, o seu sonho para as pessoas e para o seu país?
Roberto: Ainda quero ver se consigo montar uma mini-biblioteca a cada dois anos em outros bairros para não deixar livros parados em caixas.  Só vou procurar parcerias ou pessoas que saibam o quanto é importante a leitura para uma criança , este é o meu sonho para o meu país:  ter, ou melhor, adquirir conhecimento.

Todo o trabalho desenvolvido por Roberto e também mais detalhes sobre a sua história de vida podem ser vistos na página Amigos do Livro ou pelo blog http://bibliotecamigosdolivro.blogspot.com/

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NEM TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI

Brasil: uma democracia de desiguais também nos direitos civis

Neste final de semana, três notícias sobre a desigualdade entre cidadãos brasileiros diante de integrantes do sistema judiciário; um sistema que está corroído pela prepotência de seus membros. Os privilégios atuais para membros do judiciário são abusivos.

Se a juíza não está no tribunal, é uma cidadã; se o delegado não está a serviço, é um cidadão; se a procuradora está dirigindo o carro, deveria ser uma cidadã.

Na democracia, deveria ser assim, mas esses funcionários públicos têm privilégios inaceitáveis em relação ao cidadão comum. E o abuso virou uma pandemia, herança da ditadura militar.

Por isso, nesta democracia, nem todos são iguais perante a lei.

Veja as notícias desse final de semana:

Juiz dá voz de prisão a agente da Operação Lei Seca no Rio

O juiz João Carlos de Souza Correa, da 1ª Vara de Búzios (RJ), deu voz de prisão, na madrugada deste domingo, a uma agente de trânsito que trabalhava na Operação Lei Seca, na Lagoa (zona sul).

O magistrado que dirigia um Land Rover preto disse que foi desacatado ao ser parado na blitz pela agente Luciana Tamburini. O juiz passou no teste do bafômetro, mas estava sem carteira de habilitação e o carro sem placa. A funcionária constatou na nota fiscal do veículo que o prazo para o emplacamento já estava vencido e ordenou que o carro fosse rebocado.

Segundo Luciana, o juiz disse que não sabia do prazo de 15 dias para o emplacamento e lhe deu voz de prisão quando questionou o fato de um juiz “desconhecer a lei”.

Policiais que trabalham na operação, Luciana e o magistrado foram para a 14ª DP, no Leblon, também na zona sul. Ele no próprio carro que estava retido. (Texto integral na Folha)

A Procuradora e a Empregada

Era uma noite de segunda-feira. Há um mês, a procuradora do Trabalho Ana Luiza Fabero fechou um ônibus, entrou na contra mão numa rua de Ipanema, no Rio de Janeiro, atropelou e imprensou numa árvore a empregada doméstica Lucimar Andrade Ribeiro, de 27 anos. Não socorreu a vítima, não soprou no bafômetro. Apesar da clara embriaguez, não foi indiciada nem multada. Riu para as câmeras. Ilesa, ela está em licença médica. A empregada, com costelas quebradas e dentes afundados, voltou a fazer faxina.

Na hora do atropelamento, Ana Luiza tinha uma garrafa de vinho dentro da bolsa. Em vez de sair do carro, acelerava cada vez mais, imprensando Lucimar. Uma testemunha precisou abrir o carro para que Ana Luiza saísse, trôpega, como mostrou o vídeo de um cinegrafista amador.

Rindo, Ana Luiza disse, para justificar a barbeiragem: “Tenho 10 graus de miopia, não enxergo nada”. E, sem noção, tentou tirar os óculos do rosto de um rapaz. A doutora fez caras e bocas na delegacia do Leblon. Fez ginástica também, curvando e erguendo a coluna. Dali, saiu livre e cambaleante para sua casa, usando um privilégio previsto em lei: um procurador não pode ser indiciado em inquérito policial. Não precisa depor. Não pode ser preso em flagrante delito. Não tem de pagar fiança. A mesma lei exige, porém, de procuradores um “comportamento exemplar” na vida. Se Ana Luiza dirigia bêbada, precisa ser afastada. Se estava sóbria, também, pela falta de decoro.

Foi aberta uma investigação disciplinar e penal contra ela em Brasília, no Ministério Público Federal. Levará cerca de 120 dias. Enquanto seus colegas juízes a julgam, Ana Luiza Fabero está em “férias premiadas” no verão carioca. Ela não respondeu a vários e-mails e a assessoria de imprensa da Procuradoria informou que o procurador-chefe não falaria nada sobre o assunto porque “o processo está em Brasília”.

Lucimar está traumatizada, com medo de se expor, porque a atropeladora tem poder. Não procurou um advogado. Nasceu na Paraíba e acha que nunca vai ganhar uma ação contra uma procuradora do Trabalho. Lucimar recebe R$ 700 por mês, trabalha em casa de família, tem um filho de 6 anos e é casada com Aurélio Ferreira dos Santos, porteiro, de 28 anos. Aurélio me contou como Lucimar vive desde 10 de janeiro, quando foi atropelada na calçada ao sair do trabalho: “Minha mulher anda na rua completamente assustada e traumatizada. Estou tentando ver um psicólogo, porque ela não dorme direito, acorda toda hora com dor. É difícil até para ela comer, porque os dentes entraram, a boca afundou. Estamos pagando tudo do nosso bolso, particular mesmo, porque no hospital público tem muita fila”. (Texto integral no Nassif, por Maxwell Barbosa Medeiros)

Abuso de autoridade? Delegada prende vendedoras por não trocar mercadoria

A simples tentativa de trocar uma peça de roupa em uma loja de departamentos acabou com três funcionárias detidas no Presídio Feminino de Tucum, em Cariacica. A cliente era a delegada Maria de Fátima Oliveira Gomes, titular da Delegacia de Polícia de Novo México, Vila Velha, que deu voz de prisão para as funcionárias ao ser contrariada.

onfusão começou na noite de quinta-feira (11), na Loja Riachuelo, no shopping Praia da Costa, quando a delegada chegou ao local acompanhada de um familiar para trocar uma bermuda jeans. A peça – que já não tinha etiqueta e estava em bom estado – havia sido comprada há cerca de três meses na loja.

O prazo de troca de 30 dias oferecido pela Riachuelo já havia expirado e a atendente de caixa comunicou à cliente Maria de Fátima que não era mais possível efetuar a troca da roupa.

Inconformada, a cliente exigiu a presença de um responsável. A líder de departamento, Kelem Almeida Roncetti, 28 anos, atendeu a delegada. “Me dirigi até o local e ela se identificou como delegada. Tentei explicar que o procedimento era padrão mas ela não entendeu”, contou.
Maria de Fátima deu voz de prisão para a atendente de caixa e para Kelem sob acusação de desacato à autoridade. A fiscal de loja Juscilene Cavalcante e a supervisora de loja Jeane Ruckdeschel, 28 anos, também acabaram detidas ao tentar conversar com a delegada e amenizar a situação.

O grupo foi encaminhado para o Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha. Na unidade policial, o advogado da Riachuelo, Fabiano Cabral, e o gerente da loja, Ricardo Ambrózio, compareceram ao local dando assistência as funcionárias. Eles tentaram negociar com a autoridade a respeito da prisão das funcionárias, mas não teve jeito. (texto integral na Gazeta On line)

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FAVELA DO MOINHO FOI PALCO DE AÇÃO CULTURAL QUE LEVOU FOTOGRAFIA, MÚSICA E GRAFITE AO CENTRO DE SP

 

A vida é um moinho, ela roda, roda, infinita, é ela toda um ciclo!

 

Da Agência Educação Política

A Favela do Moinho, assim como tantas outras favelas espalhadas pelo país, tem tudo que as outras costumam ter: esgoto a céu aberto, barracos de madeira, falta de água e um disseminado estado de violência. A diferença em relação às outras, no entanto, está na localização. A favela do Moinho fica em pleno centro da cidade de São Paulo, a três quilômetros da Praça da Sé e da Prefeitura Municipal, ou seja, bem debaixo do “nariz do poder público” que insiste em se fazer tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante da realidade do local.

Na última semana do mês de julho, uma jornalista de apenas 22 anos reuniu um grupo de artistas e promoveu uma semana cultural na favela com muita música, pintura e arte de forma geral. Foi a oportunidade que muitas crianças tiveram de pintar alguns de seus sonhos com o grafite, de ouvir uma música social que retrata um pouco dos seus problemas, de sentir que existem outras coisas pelas quais a vida vale a pena ser vivida!

Um exemplo de cidadania que mostra como, na realidade, é o povo que se solidariza com o próprio povo. O governo continua ali, a apenas alguns quilômetros de distância física e a um infinito de distância humana e social, fingindo que não vê!

Ação cultural leva fotografia, grafite e rap a uma favela em pleno centro de São Paulo
Rede Brasil Atual
Por Gisele Coutinho

Uma favela com 900 famílias, cerca de 4.500 pessoas. Barracos de madeira em meio a prédios abandonados, espremidos entre duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O esgoto é a céu aberto, falta água, energia elétrica, faltam condições básicas de saneamento.

A favela do Moinho tem todos os problemas típicos da periferia da capital paulistana – a diferença é que está em plena região central, no Bom Retiro, embaixo do viaduto Orlando Murgel, a três quilômetros da Praça da Sé e da sede da prefeitura.

Esse foi o palco de uma ação de cidadania que a jornalista e produtora Yara Morais, de 22 anos, produziu na última semana de julho para chamar atenção sobre o problema da falta de água.

Com ingressos na forma de alimentos e roupas, Yara reuniu artistas, jornalistas, fotógrafos, integrantes do movimento hip hop, grafiteiros e rappers como Kamau, Du Bronx, Emicida, Crônica Mendes, Sandrão do RZO, o grupo Consciência Humana e o poeta Sergio Vaz.

Nem o frio, muito frio, atrapalhou as crianças do Moinho. Com ajuda dos grafiteiros, elas desenharam seus sonhos nos muros de um terraço de prédio abandonado, local da festa-protesto. Na escadaria que dava acesso à festa, muita fumaça vinha do prédio inacabado e abandonado, das fogueiras que serviam tanto para cozinhar como para tornar o frio mais suportável. (Texto Completo)

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UMA NOVA PÁGINA SOBRE LIVROS NO EDUCAÇÃO POLÍTICA

A partir de agora temos a nova página LIVROS (nos botões superiores) que contém dois livros em que participo como co-autor e autor. Os livros podem ser adquiridos a preço de custo.

A nova página do Educação Política surge em função do lançamento do livro Comunicação e Cidadania, organizado por Amarildo Carnicel e Márcia Fantinatti no próximo dia 1 de outubro, às 19 horas, na Saraiva Mega Store (Shopping Center iguatemi – Campinas)

Comunicação e Cidadania – Possibilidades e Interpretações (CMU Publicações) reúne dez artigos produzidos por pesquisadores e professores universitários da PUC-Campinas, Unicamp e USP que fazem do binômio comunicação-cidadania seu campo de reflexão. Além dos artigos produzidos pelos organizadores, o livro conta com textos dos pesquisadores Ana Paula Silva Oliveira, Carlos Gilberto Roldão, Cíntia Liesenberg, Denise Tavares, Glauco Cortez, Ivete Cardoso do Carmo-Roldão, Lindolfo Alexandre de Souza e Reginaldo Moreira.

Os artigos apresentados mostram a maneira como o termo cidadania vem sendo aplicado – algumas vezes indevidamente – na mídia impressa, no cinema, na fotografia, no rádio, no jornalismo on-line etc. Segundo os organizadores, é possível perceber que se consolidam e se ampliam inúmeras iniciativas autenticamente voltadas à valorização da participação transformadora nas mais diferentes áreas de atuação. Lembram que não basta ao cidadão ser conhecedor de seus direitos e deveres. Defendem que o verdadeiro cidadão é aquele que, consciente dessas premissas, torna-se um agente transformador da sociedade da qual é integrante.

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