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PESQUISADORES FAZEM NANOTUBO TORCIDO DEZ MIL VEZES MENOR DO QUE FIO DE CABELO E 100 VEZES MAIS RESISTENTE DO QUE O AÇO

Supermúsculos de carbono e cera

Nanotubos recheados com parafina podem ser a base de fibras artificiais potentes e velozes

MARCOS PIVETTA | Edição Online 16:28 19 de novembro de 2012

Nanotubo torcido

Nanotubo torcido

Uma equipe internacional de pesquisadores, com participação destacada de cinco brasileiros, produziu fios retorcidos feitos de nanotubos de carbono e recheados de parafina de vela que podem ser a base para o desenvolvimento de músculos artificiais extremamente potentes e velozes.  “Se compararmos um músculo de nanotubos de carbono com um músculo humano da mesma espessura, o primeiro consegue exercer 400 vezes mais força”, diz o engenheiro de materiais Márcio Lima, pesquisador associado do NanoTech Institute da Universidade do Texas em Dallas, principal autor do trabalho, que sai na revista científica Science com data de 16 de novembro. “Esses músculos se contraem por completo em apenas 25 milésimos de segundo.”

Nanotubos de carbono são folhas de apenas um átomo de espessura enroladas em torno de si mesmas, como um canudo. O diâmetro de um nanotubo é dez mil vezes menor do que o de um fio de cabelo e 100 vezes mais resistente que o aço. A estrutura composta de fios entrelaçados de nanotubos de carbono e infiltrados com cera é capaz de levantar um objeto equivalente a 100 mil vezes o seu próprio peso ou fazer girar uma pá a uma velocidade média de 11.500 rotações por minuto. (Texto Completo)

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PESQUISA TRAZ NOVOS CAMINHOS PARA PRODUÇÃO DE MATERIAIS PLÁSTICOS BIODEGRADÁVEIS A PARTIR DA CANA-DE-AÇÚCAR

Conversão de bagaço da cana abre frente para produção de polímero verde

Jornal da Unicamp/ SílvioAnunciação

Pesquisa da Unicamp obtém um microrganismo eficiente para converter os açúcares presentes no bagaço da cana em ácido lático, um composto químico com alto valor agregado e com versatilidade em aplicações. A produção biotecnológica do ácido lático abre perspectiva, no futuro, para o desenvolvimento de um polímero totalmente biodegradável, o polilactato (PLA), capaz de substituir os plásticos derivados do petróleo. A biotecnologia é a manipulação ou modificação de organismos vivos para a obtenção de produtos específicos.

O polilactato poderia, por exemplo, ser empregado na produção de garrafas para água mineral, copos e sacolas descartáveis, tecidos, fibras para preenchimento de estofamento, utensílios plásticos em geral e, até mesmo, em próteses e enxertos ósseos. Além de utilizar uma fonte renovável – no caso o bagaço da cana-de-açúcar, o processo tem a vantagem de não competir com a produção de alimentos, que explora amplamente o ácido lático.

O estudo foi conduzido na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp em parceria com o Instituto Leibniz de Engenharia Agrícola da cidade de Potsdam na Alemanha. O trabalho é fruto de pesquisa de doutorado de Giselle de Arruda Rodrigues, que atua no Laboratório de Engenharia Bioquímica, Biorrefinaria e Produtos de Origem Renovável (Lebbpor) da FEQ. O Lebbpor é coordenado pela docente Telma Teixeira Franco, orientadora do estudo no Brasil. Pelo lado alemão, o pesquisador Joachim Venus, do Departamento de Bioengenharia do Leibniz, coorientou a pesquisa.

O ácido lático foi descoberto pelo químico sueco Carl Wilhelm Scheele (1742-1786) no século XVIII a partir de pesquisas com o leite talhado. Na indústria, a sua produção é comumente obtida com microrganismos que atuam na fermentação dos açúcares presentes no leite e seus derivados. As propriedades acidulantes, capazes de deixar certos alimentos com gostos azedos, tornaram o ácido lático indispensável na indústria alimentícia, principalmente para os queijos, iogurtes, refrigerantes, sucos artificiais e cervejas. Os seres vivos também produzem ácido lático, que é liberado durante a realização de atividades físicas.

“Recentemente o ácido lático tem sido utilizado também para a produção do biopolímero polilactato (PLA), um poliéster bastante versátil. Este polímero possui muitas vantagens do ponto de vista de processos industriais. Ele possui atributos como transparência, brilho, resistência mecânica, termorresistência e biodegradabilidade”, enumera a pesquisadora e engenheira de alimentos Giselle Rodrigues.

Para a produção de PLA, o ácido lático é frequentemente obtido a partir de açúcares de seis carbonos encontrados no melaço da cana-de-açúcar no Brasil e no amido do milho nos Estados Unidos. É a primeira vez, no entanto, que se obtém o ácido lático a partir de açúcares de cinco carbonos presentes no bagaço da cana.

“O desafio é não usar o melaço da cana ou o amido do milho nesta produção. Fica difícil pensar em produzir, por exemplo, sacolas plásticas destas de supermercados a partir de uma matéria-prima que pode servir na alimentação humana. O ácido lático obtido do bagaço – uma fonte renovável – não irá competir com o fornecimento de alimentos e pode, ao mesmo tempo, ser utilizado para a produção de materiais biodegradáveis”, reforça a engenheira de alimentos. (Texto integral)

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BANCO DE CÉLULAS TRONCO VAI SER DESENVOLVIDO PELA USP E, NO FUTURO, PODE SERVIR COMO UMA POPULAÇÃO BRASILEIRA “IN VITRO”

Uma equipe de 17 pesquisadores vai desenvolver na Universidade de São Paulo (USP) um banco de células-tronco de pluripotência induzida. É o que mostra notícia divulgada pela Agência Brasil. Segundo a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance) da USP, Lygia Vieira Pereira, as primeiras pesquisas com o banco poderão começar a ser desenvolvidas em dois ou três anos.

O banco será formado a partir de amostras de sangue e a saúde de 15 mil pessoas será monitorada ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas. Com as células de uma parcela significativa da população, a expectativa é que elas possam servir, no futuro, como uma população brasileira in vitro onde uma nova droga, por exemplo, poderia ser testada antes de ser lançada, avaliando previamente seus riscos.

Além disso, de posse das células, os pesquisadores também trabalham com a possibilidade de estudar como se desenvolvem as doenças crônicas. A partir da observação do material celular, por exemplo, seria possível prever que as pessoas teriam uma certa doença?

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

USP vai desenvolver banco de células tronco para pesquisar doenças crônicas e novas drogas
Por Daniel Mello

São Paulo – Uma equipe de 17 pesquisadores vai desenvolver na Universidade de São Paulo (USP) um banco de células-tronco de pluripotência induzida. São células adultas que são induzidas artificialmente para reproduzir a capacidade de formar qualquer tecido do corpo. Segundo a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance) da USP, Lygia Vieira Pereira, as primeiras pesquisas com o banco poderão começar a ser desenvolvidas em dois ou três anos. O sistema só deverá funcionar plenamente em aproximadamente cinco anos.

O banco será formado a partir de amostras de sangue coletadas pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa). A iniciativa do Ministério da Saúde vai monitorar, com entrevistas e exames clínicos, a saúde de 15 mil pessoas ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas.

Com isso, além das células de uma amostra significativa da população, estarão disponíveis dados clínicos relativos ao material. “Isso vai acabar servindo, em um futuro bem próximo, como uma população brasileira in vitro”, diz Lygia. “Então, no caso de uma nova droga, antes dela ser lançada, tem que ser testada na população brasileira para ver se ela é tóxica. A gente poderia antes de ir para as pessoas, testar nas células, na população brasileira in vitro”, exemplifica a pesquisadora.

Outra utilização, prevista por Lygia, diz respeito ao próprio estudo de como se desenvolvem as doenças crônicas. “A gente pega os dados clínicos dessas pessoas e vemos quantas têm depressão. Será que a gente consegue enxergar isso nas células delas? A gente conseguiria prever que essas pessoas teriam depressão?”diz. (Texto completo)

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ENTIDADE PRODUZ VÍDEO SOBRE ABORTO E SAÚDE PÚBLICA
APESAR DAS VANTAGENS DO USO DA BICICLETA NAS CIDADES, O CICLISTA AINDA É UM DOS USUÁRIOS MAIS VULNERÁVEIS NO TRÂNSITO
APESAR DOS DADOS POSITIVOS DA DENGUE ESSE ANO, SURTO DA DOENÇA AINDA AMEAÇA 91 CIDADES
AÇÃO DA POLÍCIA MILITAR NA CRACOLÂNDIA É VISTA POR ESPECIALISTAS COMO “HIGIENISTA”, DESPREZANDO A QUESTÃO SOCIAL E DE SAÚDE PÚBLICA

EMPRESAS DESENVOLVEM TECNOLOGIA PARA FAZER CASA DE PLÁSTICO PVC

Evanildo Silva/Revista Fapesp

Casa de PVC

Descoberto em 1872, o policloreto de vinila, conhecido como PVC, começou a ser produzido industrialmente na década de 1920 nos Estados Unidos e na de 1930 na Europa. Feito a partir do sal de cozinha (cloreto de sódio) e de derivados de petróleo, hoje é um dos plásticos mais usados no mundo em tubos, conexões e tapetes de banheiro, brinquedos, bolsas de sangue e soro. Mais recentemente ele passou a ser usado para substituir tijolos e outros materiais. É o caso de uma tecnologia para construção de casas com paredes de PVC desenvolvida em parceria pela Braskem, Dupont e Global Housing, empresa brasileira com sede em Santa Catarina.

Batizado de sistema construtivo em concreto PVC, ele emprega perfis ou módulos desse tipo de plástico encaixados uns nos outros e preenchidos com concreto. As vantagens são que a casa pode ficar até 20% mais barata, comparando-se com as de alvenaria, e é construída de forma mais rápida, levando oito dias para ficar pronta ante três meses de uma residência convencional de 40 metros quadrados (m2).

São 10 tipos de perfis, cada um com uma função específica. O mais usado em uma construção é o chamado módulo I, que tem 20 centímetros (cm) de largura e 8 cm de espessura e altura variável de acordo com o pé-direito da casa. Há ainda o módulo multifuncional, de 8 por 8 cm, empregado nos cantos e nas divisórias. O único que fica visível depois da moradia pronta é o perfil de acabamento, que encobre os outros, tanto no interior como no exterior, e tem a mesma função do reboco.

O presidente da Global Housing, Gilberto Fernandes, conta que a ideia de desenvolver o concreto PVC surgiu há seis anos, inspirada numa tecnologia semelhante existente no Canadá, onde há pelo menos duas empresas do ramo. Existem ainda outras similares na Austrália, México e Venezuela. “Num primeiro momento, nós desenvolvemos a ideia, aprimorando e adaptando a tecnologia às condições ambientais e climáticas brasileiras”, explica. “O segundo passo foi criar uma formulação, para fabricar os módulos.” É aí que entram a Braskem e a Dupont. A primeira fornece a resina de PVC e a segunda o dióxido de titânio, que são usados na composição da fórmula que dá origem aos perfis.

De acordo com o responsável pelo desenvolvimento de negócios de PVC da Braskem, Marcello Cavalcanti, a empresa fornece o produto, em forma de pó, que depois é fundido na fábrica da Global Housing com os outros componentes da formulação. São cerca de 300 toneladas por mês. Além do reboco, o PVC dispensa pintura e revestimento. A cor branca é dada pelo PVC e pelo dióxido de titânio, substância que também protege contra os raios ultravioleta do sol, evitando microrrachaduras e escamações do plástico, preservando o desempenho mecânico e aumentando a durabilidade do produto. “Mas se o dono da casa quiser pintá-la de outra cor, pode”, garante Fernandes. “Assim como aplicar ladrilhos, azulejos ou grafiato [revestimento decorativo]. Na verdade, é tudo como numa casa convencional.” (texto integral)

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Revista “Pública” de Saúde Pública cobrará R$ 1.500,00 para publicar artigo

Por Felipe Cavalcanti, médico sanitarista e doutorando em Saúde Coletiva

A tendência de elitização no campo acadêmico brasileiro e, em particular, na Saúde Coletiva se
confirma: a Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (RSP/USP) passará a cobrar R$
1.500,00 por artigo publicado (clique aqui e veja o comunicado da revista).

Não foi por acaso que justamente esta revista decidiu introduzir essa cobrança entre os periódicos
brasileiros do campo da Saúde Coletiva. Na avaliação da Capes (Coordenação de Aprimoramento
de Pessoal de Nível Superior) (que gera um ranking de “qualidade”), apenas dois periódicos
brasileiros situam-se no estrato mais alto (avaliados como A1 e A2) e a Revista de Saúde Pública é
um deles. Fosse um periódico B2, certamente não se arriscaria a fazer essa cobrança, sob o risco de
sumir do mapa.

Veja o comunicado aos autores:

A partir de Janeiro de 2012, a RSP instituirá uma taxa por artigo publicado. Esta taxa será paga por todos os autores que tiverem seus manuscritos aprovados para publicação, excetuadas situações excepcionais devidamente justificadas. Manuscritos submetidos antes de Janeiro de 2012 estarão isentos do pagamento da taxa. A taxa de publicação será utilizada para complementar os recursos públicos que a Revista obtém

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da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e de órgãos de apoio à pesquisa do Estado de São Paulo e do Brasil. Esta complementação é essencial para assegurar a qualidade, impacto e agilidade do periódico, em particular para manter várias melhorias introduzidas na RSP nos últimos anos.Tais melhorias incluem  sistema eletrônico de submissão e avaliação de manuscritos,  revisão da redação científica por especialistas com pós-graduação em Saúde Pública e  tradução para o Inglês de todos os manuscritos não submetidos originalmente naquele idioma. Este último procedimento passou a permitir a leitura no idioma Inglês de todos os artigos publicados pela RSP sem prejuízo da opção pela leitura em Português dos artigos originalmente submetidos neste idioma. A taxa será de R$ 1.500,00 (US$ 850.00) para artigos Originais, Comentários e Revisões e de R$ 1.000,00 (US$ 570.00) para Comunicações Breves. Assim que o manuscrito for aprovado, o autor receberá instruções de como proceder para o pagamento da taxa, bem como para, quando couber, solicitar isenção da cobrança. A RSP fornecerá aos autores os documentos necessários para comprovar o pagamento da taxa perante instituições empregadoras, programas de pós-graduação ou órgãos de fomento à pesquisa.

Nada contra os editores que tomaram esta decisão, eles devem ter vários motivos bastante
supostamente razoáveis para explicá-la. Apesar disso, a Revista de Saúde Pública está sediada em
uma instituição pública com acesso a recursos públicos e etc. e não deveria, na minha humilde
opinião, tomar este caminho aparentemente mais fácil para resolver eventuais problemas financeiros
que ameacem sua sustentabilidade. Pelo contrário, deveria, isso sim, juntar-se às outras revistas do
campo – bem avaliadas ou não pelos critérios atuais – e fazer algum movimento no sentido de
garantir a sustentabilidade dos periódicos que fazem circular o conhecimento produzido no campo.
Nu e cru, essa cobrança significa simplesmente que os mortais pesquisadores, além de se
submeterem à via crúcis que é publicar um artigo nas renomadas e imortais revistas qualificadas
pelo Qualis da Capes como “padrão-ouro”, agora terão, como cereja do bolo, que pagar 1.500,00
reais. Isto, é claro, se o artigo for aprovado (provavelmente após cerca de 2 anos de idas e vindas).
Cada um de nós implicados com o direito à saúde, a Abrasco (Associação Brasileira de Pósgraduação em Saúde Coletiva) e os programas de pós-graduação (em especial o Fórum de
Programas de Pós) precisam se posicionar urgentemente em torno disso. Se a moda pega, a Saúde
Coletiva dará mais um passo na passagem de um campo militante, engajado na luta pelo direito à
saúde, para um grupo de elite da ciência.
Para os pesquisadores participantes de programas com conceito 6 e 7 da Capes, provavelmente esse
será um problema menos importante, pois esses programas recebem mais recursos da Capes, tem
mais acesso a editais de pesquisa, etc. Assim, além de dispor de mais recursos, esses programas
acabam por ter maior maleabilidade no uso dos mesmos, e provavelmente bancarão o valor cobrado
pelas revistas (os programas 6 tem recursos específico para custear publicação de seus
participantes). Como para um programa de pós-graduação ter conceito alto na Capes é necessário
que alunos e professores do programa tenham pontuação alta no que diz respeito à produtividade,
esta é uma ótima maneira de manter as coisas como estão: quem tem conceito 6 junto à
Capes continuará com 6 (ou eventualmente 7), quem tem 7 continuará 7 e os outros mortais
programas de pós nunca conseguirão ascender ao “panteão dos deuses”. Salvo, é claro, por esforço
sobre-humano dos seus profissionais e alto investimento da instituição que sedia o programa,
dependendo fortemente de recursos próprios, sem contar com um apoio mais sustentado da Capes
(como os que recebem os programas 6 e 7).
A idéia é “quase” a mesma da equidade inscrita na constituição e que funda o Sistema Único de
Saúde: fortalecer ainda mais quem já é forte. Ou seja, é o avesso do avesso. Mas “tudo bem”,
voltaremos a isso daqui a pouco.Como funciona o sistema de avaliação da Capes?
Pra quem não conhece, o sistema funciona mais ou menos assim: a Capes faz um ranking dos
periódicos científicos nacionais e internacionais. Segundo os representantes do sistema da
avaliação, este ranking serve apenas para avaliar os programas de pós-graduação a partir das
publicações realizadas por seus professores e alunos, ou seja, sua produção e a qualidade dela. O
programa que tiver maior pontuação terá maior Conceito junto à Capes e, portanto, receberá mais
recursos (mais bolsas, acesso a mais editais de pesquisa, etc.).
O ranking da Qualis gera pontuações diferentes de acordo com o períodico onde o artigo é
publicado. Assim, se os professores de uma pós-graduação publicarem num periódico considerado
A1 (para a área específica do programa, ex.: Saúde Coletiva), o programa “ganha” 120 pontos. Se
publicar num A2, 100 pontos. No B1, 80; no B2, 50 pontos. Já nos B3, B4 e B5 meros 5 pontos
(Não sei se os valores estão corretos, se alguém souber ao certo me corrija, mas a lógica é por aí).
Desse modo, quanto mais os alunos e professores de um programa tiverem artigos publicados em
periódicos tidos pela Capes como de “alta qualidade”, mais o programa será bem avaliado (há
outros critérios, mas este é um dos mais importantes).
Acontece que nenhum programa quer ser mal avaliado, certo? Isso procede na maioria dos casos, e
aí vão se reproduzindo os absurdos nas formas mais utilitaristas possíveis: alguns programas de
pós-graduação passam a fazer uma espécie de seleção daqueles que podem compor o corpo docente
permanente do programa. E o critério utilizado não é se o professor orienta bem, se ensina bem,
nada disso. O principal critério é se as publicações por ele realizadas atingem uma quantidade
mínima de pontos para não “prejudicar o conceito do programa”. Se não atingir, ou ele vira
“professor colaborador” ou é excluído da pós-graduação (a mesma lógica serve para saber se um
professor entra ou não na pós-graduação).
Desse modo, o sistema de ranking acaba servindo para muito mais do que avaliar os programas, ao
contrário do que querem fazer crer a Capes e os que falam por ela. Este sistema de avaliação finda
sendo também adotado por algumas universidades na avaliação das publicações em concursos e,
sobretudo, estabelecem uma grande hierarquia nas publicações. Assim, alguns poucos periódicos
são fortalecidos e, como quase todo pesquisador quer publicar em periódicos que lhe permitam
posteriormente ter boa pontuação em concursos, assim como tem interesse em integrar programas
de pós-graduação, etc. etc., todos passam a querer publicar naqueles periódicos com maior
pontuação junto à Capes. Acaba-se então por criar um grande gargalo nas publicações,
pouquíssimos periódicos recebem a maior parte dos artigos do campo, o processo de publicação
demora muitíssimo e a publicização e circulação do conhecimento produzido (que deveria ser o
mais importante) acabam sendo prejudicadas. De quebra, o sistema cria uma dinâmica circular, em
que o periódico é mais bem avaliado porque tem mais publicações (sendo mais citado) e tem mais
publicações porque é bem avaliado. Nessa entropia aí, dificilmente um periódico consegue ascender
no sistema de classificação, inclusive porque para compor as bases de dados (ser indexado) existem
uma série de exigências que um periódico sem apoio da Capes (por não ser bem avaliado)
dificilmente consegue cumprir. Isso só reforça a dinâmica circular e a iniquidade.
Como os periódicos são classificados?
Entre os periódicos qualificados como A1 na Saúde Coletiva, não há um só periódico brasileiro.
Dentre os A2, temos apenas 2: Cadernos de Saúde Pública e Revista de Saúde Pública. Será que os
artigos publicados em português, nas revistas brasileiras são piores do que os outros? São ruins? Se
não, por que devem “valer” menos? Pra tentar compreender um pouco isso, vale a pena entender a
mecânica do sistema classificatório dos periódicos (Blog SaudecomDilma).

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MODELO BUROCRÁTICO DA ACADEMIA BRASILEIRA, VALORIZAÇÃO DA QUANTIDADE E NÃO DA QUALIDADE ESTÃO ENTRE OS ENTRAVES PARA O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO NO BRASIL, DIZ NICOLELIS
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Nicolelis falou de forma otimista, mas lembrou o país de seus desafios

Aos 50 anos, Miguel Nicolelis já foi considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo pela revista Scientific American, uma gigante na área. Ele se formou pela Universidade de São Paulo (USP), onde fez a graduação e o doutorado e onde também bateu de frente com alguns professores que, segundo ele, tinham uma visão feudal das coisas e não deixavam que a ciência avançasse de fato.

Exilado na Filadélfia, Nicolelis desenvolveu uma carreira brilhante, onde o sonho de produzir conhecimento científico aliado ao desenvolvimento social de uma região carente sempre esteve presente, orientando seus projetos. Sobre a situação da ciência e da pesquisa atualmente no Brasil, o cientista que coordena o projeto de interface entre cérebro e computador mais próximo de fazer um ser humano paraplégico voltar a andar, diz que ainda há muitos entraves que impedem o país de realmente ser visto como uma nação desenvolvida.

Ele cita a estrutura burocrática, engessada e hierárquica da academia brasileira – coisa que não existe mais em outros lugares – como um dos problemas, ao lado do modelo de funcionamento dos institutos apoiadores da pesquisa nacional que consideram a quantidade dos trabalhos produzidos pelo pesquisador e não a qualidade. Também diz que o pesquisador deveria apenas fazer pesquisa, e não ter que dar aulas ou ser administrador e chama atenção para a falta de ênfase nos programas de pós-doutorado que são o que realmente movimenta a ciência lá fora.

E diz que o pesquisador deve ser treinado para ser independente: ” você não valoriza o cara que responde o que está escrito no livro. Você não valoriza aquele cara que diz amém, você valoriza o cara que está pensando independentemente”.

Veja trecho da entrevista publicada pela Revista Carta Capital:

Na primeira parte da entrevista, o cientista Miguel Nicolelis relata os problemas burocráticos que encontrou quando fez graduação e doutorado em Medicina na USP, nos anos 1980. Diz que o Brasil melhorou de lá para cá, mas a estrutura engessada da academia brasileira ainda é muito refratária à boa prática científica. Não há mais espaço para o mestrado, acredita. E critica o atual sistema do CNPq, que prioriza a quantidade e não qualidade dos trabalhos. “Einstein só teve cinco teses até 1905. Assim não seria considerado um pesquisador top no CNPq”, diz.

CartaCapital: Como era fazer ciência no Brasil na época em que o senhor estava na faculdade, nos anos 1980?
Miguel Nicolelis: Era muito difícil porque, no Brasil daquela época, tudo tinha que passar pelos chefes de departamento, que eram professores titulares (na Faculdade de Medicina da USP, onde se graduou). Não havia como fazer nada sem estar sob a tutela ou sob a proteção de algum dos catedráticos. E isso era muito difícil, porque a maioria deles era de médicos, alguns muitos bons médicos, mas sem formação cientifica. E o espírito era muito feudalista. Eu bati de frente com um dos professores, que foi o motivo de eu sair do Brasil. Tornei-me pessoa non grata do departamento. Tive a sorte de, no primeiro ano de pós-doc lá fora, ter um trabalho publicado na revista Science. E isso causou uma reação em cadeia oposta do que eu esperava…

CC: Ciumeira?
MN: A mensagem era “nem volte, porque você não vai ter espaço nenhum aqui”. E então decidi ficar nos Estados Unidos. Se eu voltasse, ficaria no “closet” (gíria da academia para designar profissionais sem função).

CC: O que exatamente houve para sua saída da USP?
MN: Eu não vou entrar em detalhes porque não vale a pena, são disputas acadêmicas. Nós estávamos criando uma nova disciplina dentro da faculdade e claramente fomos considerados, eu e mais alguns, uma ameaça. Ameaça de progressão na carreira, estávamos fazendo algo muito novo, uso de computadores em medicina. Estou falando de vinte tantos anos atrás. Mas eu senti o peso que era você realmente conseguir fazer alguma coisa. Quando comecei a publicar alguma coisa de peso, na universidade que eu estava (a Hahnemann, da Filadélfia), meu orientador de pós-doutorado me disse: “Não te querem lá (no Brasil) mas nós te queremos”. Foi lá que desenvolvi o primeiro passo nessas interfaces cérebro-máquina. E seis meses depois eu recebi a oferta da Universidade de Duke (Carolina do Norte, EUA), onde eu estou até hoje. (Texto completo)

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Pensando soluções para o mundo de amanhã: recursos naturais em debate

Evento promovido pela Unicamp em parceria com USP, Unesp e UFSCar trará quatro vencedores do prêmio Nobel de Química para o Brasil como parte das comemorações do Ano Internacional da Química. Cerca de 14 palestrantes discutirão o tema “Produtos Naturais, Química Medicinal e Síntese Orgânica”, abordando questões como o uso de recursos naturais brasileiros para a produção de medicamentos.

A vinda de pesquisadores importantes mundialmente, ajuda a inserir o Brasil no campo das discussões e inovações tecnológicas não só na química, como nas mais diferentes áreas do conhecimento, além de incentivar a pesquisa, aumentando investimentos e  valorizando cada vez mais o saber humano em tudo aquilo que ele pode produzir para melhorar o cotidiano prático e também reflexivo dos cidadãos.

Veja trecho de notícia publicada sobre o evento, que ocorre entre os dias 15 e 18 de agosto, no site da revista Carta Capital:

Unicamp traz vencedores do Nobel de Química
Redação da Carta Capital

Evento promovido pela Unicamp em parceria com USP, Unesp e UFSCar trará quatro vencedores do prêmio Nobel de Química para o Brasil. A iniciativa, que terá cerca de 14 palestrantes, faz parte das atividades do Ano Internacional da Química.

O tema “Produtos Naturais, Química Medicinal e Síntese Orgânica” deverá direcionar os seminários para a discussão da química aplicada, abordando, inclusive, com usar os recursos naturais do país para a síntese de medicamentos.

Os nobéis Ei-ichi Negishi (2010), Ada Yonath (2009), Richard Schrock (2005) e Kurt Wuthrich (2002) desenvolveram projetos nos mais diversos campos da Química. Todos eles possuem algum grau de inovação na aplicação da química.  Kurt Wüthrich, por exemplo, desenvolveu a técnica de ressonância magnética nuclear, que possibilitou implementar o diagnóstico em medicina e Richard Schorock desenvolveu catalisadores para acelerar processos na indústria. (Texto completo)

Mais informações na página da Unicamp

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No topo do Índice estão seis países europeus, dois asiáticos e dois americanos

Do Inovação Unicamp

Brasil avança 21 posições e ocupa 47º lugar em ranking de inovação
Por Guilherme Gorgulho

O Brasil subiu 21 posições no Índice Global de Inovação 2011 da instituição de ensino de negócios e de pesquisa INSEAD, ocupando a 47ª colocação, mas ainda figura atrás de países como Malásia (31ª), Chile (38ª) e Costa Rica (45ª). Em 2009, o País ocupava a 50ª posição, mas caiu no ano seguinte para a 68ª posição. Na lista dos dez países mais inovadores estão seis europeus, dois asiáticos e dois americanos: Suíça (1ª), Suécia (2ª), Cingapura (3ª), Hong Kong (4ª), Finlândia (5ª), Dinamarca (6ª), Estados Unidos (7ª), Canadá (8ª), Holanda (9ª) e Reino Unido (10ª).

A 4ª edição do ranking levantou dados sobre 125 países, que compreendem 93,2% da população e 98% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo. O estudo foi desenvolvido em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), a consultoria Booz & Company, a empresa de telecomunicações Alcatel-Lucent e a Confederação da Indústria da Índia. Segundo a INSEAD, o Índice foi calculado por meio de uma média de pontos que incluem “insumos” (referentes ao ambiente propício à inovação) e “produtos” (mensurando os resultados reais da inovação). No fator “insumos” estão incluídos: instituições, capital humano e pesquisa, infraestrutura, excelência do mercado e excelência de empresas. O fator “produtos” subdivide-se em dois: produtos científicos e produtos criativos. (Texto completo)

 

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LÖWY: INTERESSE, CAPACIDADE E CONSCIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA DEVEM GUIAR O PESQUISADOR NA SUA BUSCA PELA VERDADE

Sociólogo Michael Löwy: por uma sociologia crítica do conhecimento

Do ponto de vista de uma sociologia crítica do conhecimento, a formulação que nos parece mais interessante entre os sociólogos franceses contemporâneos é (no domínio que nos ocupa) a de Pierre Bourdieu, segundo qual as chances de contribuir na produção da verdade dependem de dois fatores principais: “o interesse que se tem em saber e em fazer saber a verdade ( ou inversamente, em ocultá-la ou ocultá-la de si) e a capacidade que se tem de produzi-la”. Em outros termos: “o sociólogo está mais armado para descobrir o oculto quanto mais armado cientificamente, quando ele utiliza melhor o capital de conceitos, de métodos, de técnicas acumulado por seus predecessores, Marx, Durkheim, Weber, e como outros, é quando é mais ‘crítico’, quando a intenção consciente ou inconsciente que o anima é mais subversiva, quando tem mais interesse em desvendar o que é censurado, contido, no mundo social”.
Quanto a nós, pensamos que o ponto de vista potencialmente mais crítico e mais subversivo é o da última classe revolucionária, o proletariado. Mas não há dúvida de que o ponto de vista do proletário não é de forma alguma uma garantia suficiente do conhecimento da verdade social: é somente o que oferece a maior possibilidade objetiva de acesso à verdade. E isso porque a verdade é para o proletariado uma arma indispensável à sua auto-emancipação. As classes dominantes, a burguesia ( e também a burocracia, em um outro contexto) têm necessidade de mentiras e ilusões para manter seu poder. Ele, o proletariado, tem necessidade de verdade… (LÖWY, p. 208 e 209).

Michael Löwy em As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen. São Paulo: Busca Vida, 1987

Somente a verdade é revolucionária….(Gramsci, no lema de seu jornal Ordine Nuovo)

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MALEITA MOBILIZA CIENTISTAS NA AMAZÔNIA EM BUSCA DE RESPOSTAS PARA O ENIGMA DO MOSQUITO TRANSMISSOR

Esfinge contemporânea

Amplo projeto reúne na Amazônia cientistas brasileiros, peruanos e norte-americanos em uma iniciativa que busca compôr um quadro detalhado de como a malária se propaga pela região. O objetivo do grupo é descobrir formas mais eficientes de controle e até de erradicação de uma doença que ainda faz vítimas pelo Brasil e desafia a ciência.

Da Unesp Ciência

Decifra-me ou te devoro
Por Giovana Girardi

São seis da tarde quando três pesquisadores paulistas sentamse nas cadeiras da varanda de uma casa na zona rural de Acrelândia (AC), tiram os tênis e as meias, arregaçam as calças até os joelhos e esperam. De quando em quando, iluminam as próprias pernas com lanternas para checar se as demais convidadas para o encontro não chegaram sorrateiras. Finas, escuras e com inconfundíveis “botinhas” brancas, elas têm o hábito de se aproximar na perpendicular junto à pele exposta, como um prego.

Mas tão logo o fazem, são interpeladas pela equipe e conduzidas ao local reservado para elas – pequenos potes de plástico cobertos com uma redinha. A rapidez da ação é fundamental para que o resultado do encontro não seja muito doloroso. Afinal, a expectativa daqueles cientistas, numa literal doação de sangue pela ciência, era atrair naquela noite de abril, e nas muitas outras que vão se seguir periodicamente pelos próximos anos, fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles, vetores do parasita causador da malária.

O trabalho visa capturar especificamente os insetos que chegam até as casas dos moradores de áreas onde a doença
é endêmica. E é uma das etapas de um amplo projeto que pretende compor um quadro detalhado de como a malária se
propaga na Amazônia. A iniciativa reúne um time multidisciplinar de pesquisadores brasileiros (de universidades como USP, Unesp e Federal do Acre), peruanos e americanos, sob coordenação geral do patologista Joseph Vinetz, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

É um esforço para fornecer subsídios para a elaboração de mecanismos mais eficientes de controle da doença. E, quem sabe, sua erradicação. No Brasil, a partir do início da década de 1990, a malária se estabilizou em cerca de 500 mil casos por ano – a maciça maioria na Amazônia Legal –, experimentando uma queda para pouco mais de 300 mil em 2008 e 2009 (último ano com dados fechados), de acordo com o Ministério da Saúde. Também houve redução na mortalidade: de 3 em 10 mil habitantes, em 1999, para 1,5 em 10 mil, em 2008, ainda segundo o ministério. O órgão credita esses resultados à ampliação da rede de diagnóstico e tratamento na região amazônica.(Texto completo)

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ELETRICIDADE DE GARAPA: CALDO DE CANA JÁ PODE SER UTILIZADO PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
CÉLULAS-TRONCO JÁ PODEM SER CRIADAS A PARTIR DE CÉLULAS EXTRAÍDAS DO DENTE DE LEITE
PARA SÉRGIO REZENDE, GOVERNO LULA FOI O MELHOR MOMENTO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO BRASIL

ELETRICIDADE DE GARAPA: CALDO DE CANA JÁ PODE SER UTILIZADO PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Caldo de cana na biocélula: açúcares como combustível

O caldo de cana, também conhecido como garapa, já é ingrediente comum na alimentação de muitos brasileiros. A novidade agora é que ele é um forte candidato a produzir energia elétrica em uma pequena caixa plástica para funcionar como baterias de celulares, tocadores de MP3 ou mesmo notebooks, como mostra notícia publicada no Portal da FAPESP.

A tecnologia que viabiliza a produção de energia elétrica a partir do caldo de cana é conhecida como biocélula, um dispositivo onde os açúcares da garapa agem como combustível. A biocélula constitui uma das promessas mais recentes no campo das fontes energéticas alternativas. Além do açúcar, outros combústiveis podem ser utilizados para produção de energia, como etanol e até água de esgoto.

A primeira demonstração de produção de eletricidade a partir do caldo de cana foi feita por um grupo de pesquisa da Universidade Federal do ABC (Ufabc), em Santo André, na Região metropolitana de São Paulo. Os estudos desse grupo, e de outros grupos de pesquisa espalhados pelo Brasil que mantêm parcerias com universidades estrangeiras, têm crescido a cada dia e contribuído para aumentar a importância científica e social da biocélula a combústivel.

Sem dúvida, a biocélula representa uma interessante alternativa para produção de energia elétrica capaz de suprir algumas necessidades básicas da sociedade. O único problema desse tipo de tecnologia é que a potência de energia elétrica gerada ainda é muito baixa em comparação com a quantidade gerada por dispositivos tradicionais, como pilhas e baterias comuns. Mesmo assim, já há alternativas sendo pensadas e testadas para contornar esse problema.

Notícias como essa mostram que o investimento em pesquisa e produção de conhecimento deve ser prioridade em qualquer país realmente preocupado em equilibrar o bem estar social e ambiental, pois apenas os caminhos do saber conduzem o homem ao verdadeiro desenvolvimento!

Veja trecho de notícia publicada no Portal da Fapesp com mais detalhes sobre o assunto:

Caldo de cana em biocélulas
Alternativa energética para produzir eletricidade
Por Marcos de Oliveira

O caldo de cana, companheiro de pastéis em feiras livres, é um forte candidato a produzir energia elétrica em uma pequena caixa plástica para funcionar como baterias de celulares, tocadores de MP3 ou mesmo notebooks. O dispositivo onde os açúcares da garapa agem como combustível, chamado de biocélula, é uma das promessas mais recentes no campo das fontes energéticas alternativas. Em 2007 a Sony mostrou um desses protótipos – existem vários no mundo – para suprir um pequeno tocador de música alimentado com glicose. Além dos açúcares, outros combustíveis podem ser utilizados como etanol, metanol e água de esgoto. Em relação ao caldo de cana, a primeira demonstração foi de um grupo de pesquisa da Universidade Federal do ABC (Ufabc), em Santo André, na Região metropolitana de São Paulo. A produção de eletricidade a partir do caldo foi possível com a síntese de uma enzima em laboratório que potencializa a reação química responsável por converter o açúcar em eletricidade.

As biocélulas a combustível têm apresentado uma crescente importância científica e tecnológica nos últimos anos. Os estudos que envolvem esses dispositivos, desde o início dos anos 1990, pularam de cinco artigos publicados em revistas científicas em 1989 para 240 em 2010, segundo levantamento da professora Adalgisa de Andrade, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). São estudos normalmente feitos em parceria com várias instituições. Adalgisa, por exemplo, que desenvolve biocélulas que utilizam o etanol como combustível, mantém colaboração com a professora Chelley Minteer, da Universidade de Utah, Estados Unidos, coordenadora de um grupo que já produziu vários trabalhos nessa área. Frank Nelson Crespilho, coordenador do Grupo de Materiais e Métodos Avançados da Ufabc que utiliza o caldo de cana em suas biocélulas, possui parcerias com a Universidade da Coreia do Sul, a Universidade de Grenoble, na França, e, dentro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Eletrônica Orgânica (Ineo), a Universidade Federal do Piauí. (Texto Completo)

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O melhor da ciência é o ponto onde ela desempenha, de fato, um papel social!

O Instituto Butantan em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) trouxe uma boa notícia para a comunidade científica de forma geral e também para o Brasil e a população brasileira. As células-tronco, utilizadas na cura de muitas doenças, agora podem ser obtidas a partir de células do dente de leite, ou seja, os embriões passam a não ser tão necessários como têm sido até agora.

Além de representar um avanço para a ciência brasileira, equiparando-a com o que há de mais moderno em pesquisa genética no mundo, a descoberta resolve muitos problemas éticos ocasionados pelo uso de embriões que são destruídos para gerar uma célula-tronco no modelo tradicional.

Sem falar que a nova descoberta “abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças motoras, imunológicas, de regeneração de ossos e nervos, na reconstrução de células dos músculos, cartilagem e outros tecidos, além de enfermidades psiquiátricas”, como diz notícia publicada pela Agência Brasil.

Veja trecho:

Instituto Butantan desenvolve técnica para obtenção de células-tronco
Por Flávia Albuquerque

São Paulo – O Laboratório de Genética do Instituto Butantan, desenvolveu uma técnica que faz com que as células extraídas do dente de leite tornem-se células embrionárias. Com essa técnica, os embriões não são mais necessários para a criação de células-tronco. O estudo vem sendo desenvolvido desde 2004 em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças motoras, imunológicas, de regeneração de ossos e nervos, na reconstrução de células dos músculos, cartilagem e outros tecidos, além de enfermidades psiquiátricas.

“Como se sabe a criação de células-tronco com embriões implica na destruição dos embriões e não se sabe quem é o dono dessas células embrionárias. Nesse caso, quando a célula é induzida, quer dizer que você pode produzir do seu próprio organismo uma célula igual a embrionária. Com essa célula se contornam muitos problemas éticos”, afirmou a geneticista responsável pela pesquisa Irina Kerkis. (Texto Completo)

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"Não há comparação"

“Não dá nem para comparar”, essas são as palavras do ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, ao falar da situação da pesquisa e do investimento em tecnologia no governo FHC e no governo Lula. Segundo o ex-ministro, a ciência viveu um de seus melhores momentos com o governo Lula. Pela primeira vez, o orçamento destinado ao setor não foi vítima de cortes para estabilizar outras áreas do governo, como aconteceu com o governo Fernando Henrique durante os primeiros anos do Plano Real.

Além disso, o CNPq que durante a era FHC diminuiu consideravelmente o número de bolsas e o apoio à pesquisa de forma geral e viveu momentos críticos, hoje atravessa uma ótima fase na qual o investimento em pesquisa só cresce junto com a oferta do número de bolsas de mestrado e doutorado, como já noticiado aqui no Educação Política.

Rezende lembra que o CNPq nunca teve tantos recursos como agora e ganhou até uma nova sede em Brasília que contribuiu para mudar e aperfeiçoar toda a estrutura física de trabalho do Centro. ” Eu diria que o CNPq, pelos programas que tem, pelo orçamento, vive o auge de sua história até aqui”, diz o ex-ministro em entrevista publicada pela Rede Brasil Atual.

O fato é que o salto de investimentos na área científica que ocorreu do governo FHC para o governo Lula foi muito grande, segundo Rezende, e esse aumento de investimentos se deu nas mais diferentes áreas que englobam a pesquisa e a tecnologia, desde a espacial até o incremento de recursos de fundos como o Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado por Fernando Henrique, mas efetivamente potencializado com o governo Lula que, aos poucos, foi aumento a quantidade de recursos disponíveis no fundo, até então liberado em apenas uma parte por FHC.

Com tantos dados ótimos, a comunidade científica tem muito o que comemorar e o país como um todo também, afinal, o caminho da ciência e da tecnologia, da pesquisa e geração de conhecimento é também o caminho do desenvolvimento econômico, humano e social!

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Investindo em conhecimento

Para os jovens que querem estudar e para aqueles que zelam pelo incentivo e apoio ao conhecimento em um país que frequentemente deixa o saber de lado e valoriza apenas o trabalho físico, considerando o intelectual como algo menor, o CNPq vem com uma ótima notícia para 2011.

No próximo ano serão  2 mil bolsas a mais de mestrado e doutorado em comparação com o ano passado em um valor que varia de R$1,2 mil a R$ 2 mil reais, válidas somente para estudantes que não mantenham qualquer outro vínculo empregatício.

A novidade representa um aumento de cerca de 10% no número de bolsas nessas modalidades, já que atualmente 19.765 estudantes são beneficiados no total. O CNPq concede mais de 93 mil bolsas em diversos cursos, apoiando desde jovens pesquisadadores até pesquisadores altamente qualificados.

Sem dúvida, é uma forma de valorizar aqueles que escolhem estudar para, futuramente, no exercício da docência universitária, formarem outros profissionais capacitados e conscientes da sua função no mundo e na sociedade.

Que em 2012 sejam concedidas ainda mais bolsas, pois o caminho para que a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico cheguem no lugar por eles merecido ainda é bastante longo no Brasil.

Veja notícia publicada pela Agência Brasil:

CNPq ofertará 2 mil bolsas de mestrado e doutorado em 2011

Carolina Pimentel

Brasília – A partir de março de 2011, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ofertará 2 mil bolsas de mestrado e doutorado. Os interessados devem solicitar a bolsa de estudos à coordenação do curso na universidade onde estuda.

O prazo de validade das bolsas é de dois anos para o mestrado, e de quatro anos para o doutorado, sem direito a prorrogação. O valor da ajuda financeira varia de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil mensais, além do pagamento das taxas escolares.

Para solicitar a bolsa de estudo, o candidato precisa atender aos requisitos exigidos pelo CNPq, como estar matriculado em curso de pós-graduação e não ter vínculo de emprego.

Do total das novas bolsas, 30% foram reservados aos candidatos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Atualmente, o CNPq tem 19.765 bolsistas de mestrado e doutorado. As informações sobre as bolsas podem ser obtidas na página do CNPq na internet.

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Pela causa ambiental, econômica e humana

Substância considerada cancerígena pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o amianto, utilizado na produção de telhas e caixas d’água, já teve seu uso proibido em diversos países desenvolvidos, mas ainda continua alimentando um pujante mercado aqui no Brasil, enquanto ameaça a saúde de milhares de trabalhadores.

Diversos são os pretextos e justificativas para não se abolir o uso dessa substância no Brasil, a maioria deles ligados a interesses privados, leia-se, ameaça aos lucros dos empresários do setor. No entanto, a maior parte destes argumentos é frágil como um cristal, quebrando-se frente a qualquer análise mais atenta e sensata da realidade social e econômica do país.

Dois pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a professora do Insituto de Economia, Ana Lucia Gonçalves e o professor da Faculdade de Ciências Aplicadas, Carlos Raul Etulain, fizeram tal análise e mostraram que, na realidade, a proibição do uso do amianto não terá impactos negativos na economia brasileira, muito pelo contrário, além de representar um incontestável benefício à saúde do trabalhador e da população de forma geral, a proibição do amianto abrirá espaço para o crescimento de outros setores que investem em fibras alternativas que não causam danos à saúde ou ao meio ambiente.

Os dois lados da história em torno da polêmica sobre o uso do amianto estão neste artigo produzido pelo pesquisadores da Unicamp que segue logo abaixo. Nele, eles revelam, com muita propriedade e clareza, baseand0-se em fatos e dados da realidade, a necessidade de proibir o uso do amianto, já que a proibição representa a vitória da saúde pública e da preocupação com o ser humano, enquanto a utilização da substância representa a continuidade de um modelo de privatização dos lucros e socialização dos prejuízos, neste caso, não só financeiros.

Veja artigo dos pesquisadores publicado no Jornal da Unicamp:

O amianto é uma substância considerada cancerígena pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda substituir essa fibra mineral por materiais alternativos. A Resolução 162 (da qual o Brasil é signatário) aprovada em 1986 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) fez a mesma recomendação, além de prescrever medidas de prevenção e controle dos riscos para a saúde. Em 2006, nova resolução da OIT avançou no sentido de promover a eliminação de todas as formas de amianto. Atualmente, 58 países proíbem a utilização dessa fibra mineral. Apesar da reconhecida patogenicidade de todos os tipos de amianto, não havendo limite seguro para seu uso, a variedade conhecida como crisotila ainda é utilizada no Brasil e em outros países, boa parte na fabricação de artefatos de fibrocimento, como telhas e caixas d´água.

No Brasil, em 2004, o governo federal instituiu uma comissão interministerial para rediscutir o uso da crisotila, impulsionado pela determinação da União Europeia (Diretiva 1999/77/CE) de excluir a partir de 1o/1/05 o uso do amianto em todos os países que ainda não haviam adotado tal providência. Embora uma nova política nacional não tenha sido apresentada, dando margem à interpretação de que é ainda permitido o uso da variedade crisotila, vários Estados e municípios brasileiros tomaram a iniciativa de legislar para atender às recomendações da OIT no sentido do banimento de todos os tipos de amianto. As iniciativas estaduais são contestadas pelo Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC) ou pelo governo de Goiás (Estado que sedia, no município de Minaçu, a única mina de crisotila em operação no país, explorada pela empresa Sama, do Grupo Eternit). Atualmente, por exemplo, encontra-se em julgamento no Supremo Tribunal Federal ação de inconstitucionalidade de lei estadual restritiva ao uso de amianto no Estado de São Paulo.

Os defensores da continuidade do uso do amianto apoiam-se nos seguintes argumentos econômicos:

a) Os preços das telhas sem amianto seriam maiores que os das telhas com o produto. Segundo o IBC, os produtos de fibras artificiais seriam 30% a 40% mais caros e a suspensão da produção de telhas com amianto ampliaria essa diferença.

b) Haveria pressão sobre a balança comercial decorrente da ampliação de importação de fibras sintéticas. Para o IBC, o prejuízo seria de US$ 180 milhões/ano, valor claramente superdimensionado, uma vez que o Brasil já atende com importações 31% do consumo interno de amianto e para tanto gasta apenas US$ 14 milhões/ano.

c) Haveria efeito negativo sobre emprego e renda em toda a cadeia produtiva do amianto. Os adeptos do amianto enfatizam que se trata de um setor gerador de 170 mil empregos (abrangendo as atividades de mineração, fabricação, transporte, distribuição e revenda), ao mesmo tempo em que dão a entender que os efeitos recairiam sobre a totalidade da cadeia produtiva. Mesmo se considerarmos os empregos diretos e indiretos, esta estimativa é inconsistente. Por lei, as empresas que manipulam o amianto (seja na produção, no transporte ou na prestação de serviços) têm que se cadastrar no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e, segundo este cadastro, em fevereiro de 2005 estas empresas empregavam 16.863 trabalhadores, dos quais 3.893 no setor de fibrocimento e 453 na mineração.

d) Quanto à perda de arrecadação de impostos, a empresa Sama recolhe R$53 milhões/ano em impostos anuais (federais, estaduais e municipais), sendo R$9 milhões em ICMS. Acrescenta-se que o município de Minaçu, o Estado de Goiás e a União recebem R$3,3 milhões/ano de royalties via CFEM (compensação financeira pela exploração de recursos minerais).

e) Por fim, haveria o efeito negativo sobre o município goiano de Minaçu, pela relevância local da atividade de mineração do amianto.

Além de supor diferenciais de preços que não são confirmados (as pesquisas consultadas mostram que os preços dos produtos de fibrocimento com e sem amianto praticamente não apresentam diferenças) e de partir da hipótese radical de que a proibição do uso do amianto se daria de forma abrupta e total, a avaliação dos impactos econômicos pelos defensores do amianto tem se apoiado em outros supostos incorretos: i) o país não contaria com tecnologia e produto similar de qualidade; ii) as empresas não estariam preparadas para atender a demanda ampliada decorrente da corrida a produtos alternativos; iii) a suspensão da produção da fibra de amianto impediria a atividade econômica em toda a cadeia a jusante; iv) a elevação da demanda por fibras alternativas não estimularia investimentos no país para atendê-la (sendo canalizada para importações).

Os resultados das pesquisas desenvolvidas pela Unicamp permitem sustentar argumentos contrários e refutar estas hipóteses incorretas:

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COP-16 COMEÇA MORNA EM CANCUN E APONTA PARA UM CENÁRIO PREOCUPANTE EM RELAÇÃO AOS PROBLEMAS AMBIENTAIS

A causa ambiental não pode esperar

Começou nesta segunda-feira, dia 29 de novembro, em Cancun, no México, a 16ª Conferência da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP-16). Este ano, ao contrário do ano passado, em que a Conferência aconteceu em Copenhague (Dinamarca), as discussões estão bastante frias, enquanto o clima mundial segue cada vez mais quente.

Um dos sinais desse esfriamento nas discussões está na pequena quantidade de líderes políticos que confirmaram participação no encontro esse ano. Além disso, tudo indica que algumas questões decisivas como desbloquear as discussões sobre a segunda fase do Protocolo de Kyoto não sairão do papel. Isso em razão do impasse entre países desenvolvidos e em desenvolvimento a respeito das metas de diminuição das emissões de CO² e demais gases do efeito estufa; e dos impactos provocados nas economias pela recente crise financeira mundial.

O fato é que enquanto as discussões apenas resvalam em protocolos, reuniões, metas e boas intenções, as mudanças climáticas vão se acelerando e se agravando a cada dia. Pesquisas já mostraram que 2010 é o ano mais quente da história e que a média das promessas de cada país no que diz respeito à redução de gases poluentes apontam uma redução nos próximos dez anos de 16% a 18%  em comparação com 1990. Índice tido como insuficiente pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) para manter o aquecimento global sob controle (abaixo de dois graus celsius) em um nível que evite o acontecimento de catástrofes climáticas nos próximos anos.

A situação é preocupante e a vontade de resolver ou  fazer algo efetivo é bastante pequena. A impressão é que as questões climáticas que outrora estavam no centro de todas as discussões estão atualmente sendo deixadas em banho maria ou, pelo menos, não estão mais entre as preocupações dos líderes mundiais e da população de forma geral.

Aí mora o perigo. Não se pode confundir períodos de calmaria com uma situação de total estabilidade. Enquanto se acostuma com o calor e se acredita na imensidão do espaço e do tempo, a natureza prepara suas próximas surpresas e, neste momento, já será tarde demais para tomada de decisões. Um encontro como o de Cancun jamais poderia passar em branco como sendo apenas mais um dos milhares de eventos diplomáticos que ocorrem todo ano! Ele, assim como todas as reuniões destinadas a discutir a situação climática mundial, é carta decisiva no jogo entre progresso e equilíbrio ambiental e todos sabem que cartas decisivas não devem ser desperdiçadas.

Veja texto sobre o assunto publicado no site da Rede Brasil Atual.

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Lula iniciou o movimento de valorização das riquezas nacionais!

EDUCAÇÃO POLÍTICA VOCÊ FAZ

Por Chico Cerrito

*Em resposta ao comentário postado pelo leitor Antonio a respeito do post Lei do petróleo precisa ser mudada para beneficiar o Brasil

Não procede a afirmação que pagamos o maior preço pelos derivados de petróleo do mundo.
A população da grande maioria dos países da Europa paga mais, por exemplo, pela gasolina, que o povo brasileiro, tais como, Inglaterra, França, Alemanha ou Itália. E vários países da Ásia.
No gráfico abaixo, preços em dólar por galão:

http://www.irintech.com/x1/images/jean/gasprices.jpg

Alguns neo-liberais sensibilizados com a derrota por mais de 10 milhões de votos nas urnas e inconformados pela não entrega da exploração do pré-sal para as multinacionais, tem até esquecimentos de que no governo passado, aquele que promoveu os maiores e os mais frequentes aumentos nos combustíveis, ante qualquer variação cambial ou de preços do petróleo no mercado internacional, existia uma corrida aos postos de combustíveis, formando aquelas filas de automóveis de que parecem estar saudosos.

Tanto aumento até comentado em publicações especializadas da época:

“A base ideológica para a implementação do processo de abertura e desregulamentação do
setor está intimamente ligada à adoção no Brasil das orientações internacionais sobre a necessidade de que a economia seja regulada pelos mecanismos de mercado, e não mais através da ação do Estado.”
(…)
“A liberação de preços e sua correspondência com os preços praticados internacionalmente fazem com que o mercado possa se movimentar mais livremente, apesar do setor petróleo conter especificidades tais que não o caracterizam como um mercado de bens comuns.
Todavia, a despeito desse cenário positivo, o que a prática de liberação de preços já realizada
no país, efetivamente a partir da promulgação da Portaria Interministerial nº 3 em 1998, tem mostrado é que inúmeros problemas emergiram no setor, fruto de uma abertura acelerada e de o país não contar com um estrutura de planejamento eficaz que pudesse contemplar os possíveis impactos negativos advindos com a nova sistemática de preços.
O impacto da desvalorização cambial ocorrida em 1999, aliado ao aumento expressivo do preço
do petróleo no mercado internacional, ainda perdurando até finais do ano 2000, de certa forma, têm sido os grandes responsáveis pela elevação significativa dos preços no mercado interno.”*

* fonte: Revista Brasileira de Energia, Vol. 8 | N o 1, da SBPE

A auto-suficiência do petróleo, alcançada recentemente é mais uma vitória da Petrobrás e do Brasil.

O pré-sal foi descoberto exclusivamente pela Petrobrás, com investimentos próprios, por seu mérito, e por sua incontestável experiência e tecnologia em exploração de petróleo off-shore, não pela concorrência, muito menos pelos que queriam desmembrá-la osso por osso, como o ex- primeiro genro e ex-presidente da ANP em dias infelizes ao país ou por outras viúvas do neo-liberalismo.

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CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO BRASIL TÊM COR

Por uma ciência de várias cores...

A frase que está no título desta postagem foi dita por Ernane José Xavier Costa, pesquisador do Departamento de Ciências Básicas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP de Pirassununga (SP). Ao dizer que a ciência no Brasil tem cor, o pesquisador complementa: “E é branca, feita por brancos e para brancos”.

A constatação do pesquisador de fato tem se verificado na realidade. Se olharmos para as grandes universidades e centros de pesquisas tecnológicos no Brasil, dificilmente encontraremos um negro. Este fato, longo de querer incitar qualquer argumento ou atitude racista, apenas mostra como se materializam as divisões históricas plantadas na constituição social e racial brasileira.

Matéria publicada no site da Rede Brasil Atual mostra que enquanto a pesquisa científica deu um salto nos últimos anos, os negros não foram contemplados por esse crescimento permanecendo à margem dos processos de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.

Quando se pensa que invenções como telefone celular, ar-condicionado, elevador e geladeira são descobertas de cientistas negros e quando se depara com o fato de que 82% dos 705 negros entrevistados para uma pesquisa da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros têm formação em ciências humanas (ciências sociais, história, letras), fica evidente um certo muro que tem barrado o ingresso de begros em carreiras que concentram as pesquisas em tecnologia e, portanto, são as mais valorizadas pelo mercado e também aquelas que recebem mais investimento por parte do poder público por meio dos órgãos de incentivo à pesquisa (CNPq).

Não se trata de desmerecer as pesquisas desenvolvidas nas áreas das ciências humanas, no entanto, a realidade é que estas não correspondem ao grande cerne da pesquisa científica brasileira. E aí surge o problema, pois este cerne está cada vez mais distante dos estudantes negros. Segundo eles, isso acontece por racismo, ausência de políticas públicas, dificuldade de acesso à educação pública de melhor qualidade e baixa autoestima.

Desenha-se assim mais um muro racial que precisa ser transposto para que a ciência nacional seja tão múltipla e colorida como se faz o Brasil!

Veja trecho da matéria publicada no site da Rede Brasil Atual:

A cor da ciência
A pobreza, a ausência de políticas públicas e o racismo impedem o acesso dos negros a cursos de maior prestígio, à pós-graduação e à carreira científica

elefone celular, ar-condicionado, elevador, geladeira. Indispensáveis, esses itens são parte de uma extensa lista de invenções e descobertas de cientistas negros. São tantas que a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência, resolveu promover algumas delas no estande montado na Esplanada dos Ministérios, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em outubro.

De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, nos últimos dez anos a produção científica nacional cresceu 200%, passando de 10 mil para mais de 30 mil estudos publicados em revistas especializadas internacionais. Mas a população afrodescendente não é contemplada por esse salto. (Texto Completo)

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O que exatamente é um doutorado?

Você já pensou exatamente no que significa um doutorado? Matt Might, professor de Ciências da Computação na Universidade de Utah, explica perfeitamente nesta apresentação gráfica que começa com um simples círculo.

Sempre que as aulas começam, eu explico para uma nova fornada de estudantes atrás de um título de doutorado o que isso realmente significa.

É difícil de explicar em palavras, então eu uso desenhos para me ajudar.

Imagine um círculo que contém todo o conhecimento humano:

Quando você completa o ensino básico, você sabe um pouco:

Quando você completa o ensino médio, sabe um pouquinho mais:

Com uma graduação no ensino superior, você sabe um pouco mais e ganha uma especialização: Saiba mais

PESQUISA MOSTRA QUE LODO DE ESGOTO AUMENTA A PRODUTIVIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR EM 12%

Lodo de esgoto substitui adubo mineral na cana-de-açúcar

Da Agência USP

Uma solução para o lodo gerado no tratamento de esgoto

A utilização de lodo de esgoto na adubação de cana-de-açúcar pode substituir em 100% o uso do adubo mineral nitrogenado necessário para a cultura da planta. Além dos benefícios ambientais e ecológicos, a técnica pode aumentar a produtividade e diminuir custos. Essas são as conclusões da pesquisa coordenada pelo professor Cassio Hamilton Abreu Junior, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba.

Segundo o professor, a atividade humana nas cidades gera dois importantes resíduos: lixo urbano e lodo de esgoto (oriundo do tratamento dos esgotos domésticos). “Lembrando que os solos brasileiros são pobres em matéria orgânica, a utilização de composto do lixo para fins agrícolas vem sendo difundida por estudos acadêmicos porque, além de rica fonte de matéria orgânica, elimina ou minimiza o uso de adubos minerais”, destaca. “No caso do uso agrícola do lodo de esgoto doméstico, sua aplicação é controlada por autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). “Apesar de o lodo possuir matéria orgânica e nutrientes importantes para o crescimento das plantas como nitrogênio e fósforo, também pode conter patógenos, metais pesados e compostos orgânicos”, explica. Saiba mais

MÉTODO USADO PARA BLOQUEAR SPAM PODE AJUDAR EM TRATAMENTO PARA COMBATER O HIV, VÍRUS CAUSADOR DA AIDS

Pesquisadores estão tentando bloquear a ação do HIV, vírus causador da Aids, com um método semelhante ao usado pelos filtros anti-spam dos e-mails. Veja trecho da matéria abaixo, publicada na revista Fapesp.

Convergência virtual
Microsoft Research usa lógica de filtros anti-spam para encontrar pontos vulneráveis do vírus HIV

Cientístas precisam de um signo para bloquear HIV

A mesma estratégia utilizada para criar os filtros que barram os spams, as mensagens eletrônicas não solicitadas que invadem as nossas caixas de e-mails, está sendo usada pela equipe do pesquisador David Heckerman, diretor sênior do Grupo de Pesquisa em eScience  da Microsoft Research, para desenvolver uma vacina contra o HIV, o vírus da aids. “Percebemos que para ter sucesso em uma vacina seria necessário atacar pontos específicos do vírus, da mesma forma que os filtros anti-spam fazem quando selecionam os e-mails”, disse Heckerman, durante conferência no Faculty Summit 2010 da América Latina.

Médico de formação com doutorado em ciência da computação, Heckerman foi um dos responsáveis pela criação do primeiro programa de detecção e filtragem de spam em 1997. “Assim como os spammers mudaram os seus e-mails para passar pelos nossos filtros, o HIV também passa por mutações para enganar o sistema imunológico e conseguir se reproduzir livremente”, comparou. A grande dificuldade em desenvolver uma vacina para o vírus que causa a aids é que ele muda constantemente. “Mas acreditamos que existam algumas regiões do genoma do HIV que seriam vulneráveis à mutação”, disse o pesquisador.

Encontrar essas regiões é uma tarefa bastante complexa, porque é preciso mapear todas as possíveis mutações do vírus e das configurações da proteína HLA (antígenos de leucócitos humanos, na sigla em inglês), que é a ferramenta usada pelo sistema imunológico para impedir a reprodução do HIV. A HLA invade o vírus e retira o epitopo, um fragmento de proteína responsável pela informação genética do HIV. “Estamos procurando essas regiões chamadas de epitopos vulneráveis”, disse Heckerman. “O nosso objetivo é desenvolver uma vacina que ensine o sistema imune a reconhecer apenas os pontos vulneráveis ao longo da sequência do material genético do HIV.”

Para isso, mais de uma centena de pesquisadores no mundo todo está usando uma ferramenta chamada PhyloD, desenvolvida pelo grupo de Heckerman, para avaliar como o HIV se comporta a partir do momento em que infecta uma pessoa. Computadores cruzam os dados do sistema imunológico das pessoas e da evolução e mutação do HIV em seus corpos, indicando assim quais características genéticas ajudam a combater o vírus. As estatísticas geradas até agora resultaram na criação de uma vacina experimental, que deverá começar a ser testada dentro de seis meses. “Se tudo der certo, talvez tenhamos um resultado efetivo em dois anos.” (Texto Integral)

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Pedidos de patente quintuplicam nos anos 2000; 52% do total são
de São Paulo; Unicamp é quem licencia mais; USP cresce em volume

Janaína Simões/ Inovação Unicamp

Apesar do crescimento de registro de patentes, quantidade é pequena para o país

O número de pedidos de patentes apresentados por universidades brasileiras ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) praticamente quintuplicou durante a última década quando comparado ao período de 1990 a 1999, mostra o estudo “Patentes Acadêmicas no Brasil: Uma Análise Sobre as Universidades Públicas Paulistas e Seus Inventores”, de Rodrigo Maia de Oliveira, doutorando do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, e Léa Velho, professora titular do departamento. O artigo que sistematiza os resultados da pesquisa foi publicado na edição 14 da revista Parcerias Estratégicas, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). O grande destaque são as universidades estaduais e federais de São Paulo, responsáveis por 1.085 dos 1.644 depósitos feitos pelas universidades brasileiras de 2000 a 2007, período detalhado pelos pesquisadores.

Apesar desse crescimento importante, os autores do estudo destacam que a participação da universidade brasileira como usuária do sistema de propriedade intelectual ainda é “incipiente”. (Texto Integral)

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Droga em desenvolvimento pela Unicamp e laboratório Aché vai bem em testes com animais; custo alto de fabricação pode ser entrave

Por Guilherme Gorgulho/Inovação

Dificuldade de colocar ciência nas prateleiras

Os testes pré-clínicos da nova droga para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 em desenvolvimento pelo Aché Laboratórios Farmacêuticos e pelo Laboratório de Sinalização Celular da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp mostraram que a molécula base do novo fármaco, criada pelo pesquisador Lício Velloso, apresenta o efeito esperado em animais. Esses testes são importantes porque, sem eles, nenhuma pesquisa pode chegar à fase de experimentação em seres humanos. No entanto, um obstáculo apareceu no caminho do desenvolvimento conjunto: o Aché calculou que o custo médio mensal por paciente do futuro medicamento chegaria a cerca de R$ 800 — ante um valor entre R$ 300 e R$ 400 do tratamento atualmente empregado contra a doença, que utiliza duas drogas associadas.

A base da nova droga é uma molécula de DNA alterada de forma a inibir a produção da proteína PGC-1 alfa — que, por sua vez, atua (não somente) na produção da insulina pelo pâncreas. A obtenção de grandes quantidades do oligonucleotídeo — designação técnica da molécula — requer tecnologia industrial complexa, não disponível no País. “Nós desenhamos o composto e enviamos para síntese em uma empresa norte-americana”, contou Lício a Inovação. A matéria-prima para a fabricação é o ácido nucleico; para sintetizar o composto, o DNA sofre um processo de polimerização, caro e complicado, segundo o pesquisador, dado o alto grau de pureza necessário para a sua administração a seres humanos. (Texto Integral)

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Tecnologia da Informação
Estudo sobre empresas do setor em Minas demonstra que mais da metade do crescimento delas se deve à decisão de investir em P&D

Do site Inovação/Unicamp

Investir em tecnologia gera lucro

Um estudo ainda não publicado sobre 83 empresas de Tecnologia da Informação de Minas Gerais mostra estreita correlação entre o crescimento das companhias e seus investimentos em inovação, de produto ou de processo. Segundo cálculos feitos pelos autores do estudo, 58,1% do crescimento dessas empresas se explica pela decisão de investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Além disso, as empresas que estabeleceram parcerias com universidades, centros de tecnologia e de capacitação cresceram mais do que as outras.

Os resultados desse estudo serão apresentados no livro “Inovação Tecnológica e Seus Impactos no Desempenho de Empresas do Setor de Tecnologia da Informação: Um Estudo Empírico em Minas Gerais”, coordenado por Ian Campos Martins, Cid Gonçalves Filho, Gustavo Quiroga Souki e Kamila Torres Madureira. Martins é presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – Regional Minas Gerais (Assespro-MG). A edição do livro está sendo finalizada para lançamento.

Inovação obteve acesso a uma versão preliminar do estudo, cujo objetivo, explicam os autores na introdução, é “conhecer melhor a questão da inovação de processos e produtos no setor de Tecnologia da Informação em Minas Gerais, tentando identificar o que gera inovação”. (Texto completo)

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Brasil pode ser a primeira potência ambiental

Por Juarez Tosi/SBPC Ecoagência

O Brasil tem condições de se tornar a primeira e, por um longo tempo, a única potência ambiental do mundo, devido a sua grande biodiversidade e por já possuir um sistema de ciência e tecnologia maduro. Para tanto, é preciso aplicar esse conhecimento científico adquirido para utilizar os recursos naturais do País com vistas à geração de trabalho e riqueza, na intensidade correta e sem permitir que eles se esgotem. A avaliação foi feita pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, na abertura da 61ª Reunião Anual da Sociedade, ontem (12/07), em Manaus (AM).

“Com essa condição de potência ambiental, resolveríamos, ao mesmo tempo, duas importantes questões. A primeira diz respeito às populações da Amazônia, que é sua independência econômica. E também poderíamos responder ao mundo que conhecemos, convivemos e cuidamos da Amazônia”, indicou Raupp.

Raupp afirmou que a SBPC propõe a conservação da Amazônia, possibilitando uma interação dinâmica e sustentada com os diversos biomas da floresta. “No nosso entendimento e da comunidade científica brasileira, o modelo de desenvolvimento para a Amazônia terá de ser construído com base no conhecimento científico e tecnológico, de preferência, produzido na região”, ressaltou.
Há três semanas, Raupp entregou ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, um documento elaborado com a participação de 25 sociedades científicas associadas à SBPC, com sugestões para desatravancar a ciência no Brasil. Uma delas é permitir o acesso à pesquisa e ao uso da biodiversidade brasileira.

Presente na sessão de abertura do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que o documento já foi apresentado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou que as ações propostas sejam executadas. “Estamos fazendo avanços e vamos mostrar alguns deles nas próximas semanas. Alguns são mais complicados e envolvem até mudanças na Constituição. Mas vamos resolver essa questão do acesso à biodiversidade, que é fundamental para o País como um todo e muito importante para a Amazônia”, antecipou Rezende. (Texto integral na Ecoagência)

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LEI DE INOVAÇÃO E NÚCLEOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA FAZEM BRASIL DAR UM SALTO NA PARCEIRIA ENTRE UNIVERSIDADE E EMPRESA

 

Expansão de núcleos de universidades e institutos que são porta de entrada para empresa faz disparar receita vinda de parcerias

Do Inovação Unicamp

Em 2006, o licenciamento de tecnologias, as parcerias em projetos de pesquisa, a inovação e a prestação de serviços geraram receitas de R$ 810 mil para universidades e institutos públicos e privados no Brasil. Em 2008, o número pulou para R$ 13,1 milhões. Para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a razão do aumento está na expansão dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), de 19 em 2006, para 75 em 2008. Os NITs são estruturas que a Lei de Inovação (10.973/2004) obriga as instituições de ensino e pesquisa públicas a criar, como porta de entrada para a empresa. É de responsabilidade do NIT atuar na política de propriedade intelectual das instituições científicas e tecnológicas (ICTs) do setor público e na realização das parcerias destas com a iniciativa privada. Esses números se referem às 43 instituições que enviaram seus relatórios para o ministério em 2006 e às 101 que fizeram o mesmo em 2008, em um universo de 300 existentes no País. Nem todas as ICTs que enviaram relatórios (outra obrigação estabelecida pela Lei de Inovação) já formaram seus núcleos de inovação. Os dados foram apresentados por Reinaldo Danna, coordenador geral de inovação tecnológica do MCT, no segundo dia do III Encontro do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec), que aconteceu na última semana de abril em Campinas (SP). O encontro discutiu os cinco anos da existência da Lei de Inovação. O Fortec reúne os profissionais das ICTs responsáveis pelas políticas de inovação e as iniciativas relacionadas a propriedade intelectual e transferência de tecnologia. Conta com 120 associados nas cinco regiões brasileiras. A previsão da Lei de Inovação Segundo o artigo 17 da Lei de Inovação, as ICTs devem preencher e enviar um relatório que traga informações sobre sua política de propriedade industrial, criações desenvolvidas, proteções adquiridas e concedidas e contratos de licenciamento ou transferência tecnológica firmados. O balanço apresentado tem base nesses relatórios. Dana apresentou dados que discriminam o tipo de licenciamento e o recurso obtido em cada um. Com os licenciamentos feitos com exclusividade, ou seja, em que a empresa parceira é a única que pode explorar a tecnologia licenciada, as ICTs conseguiram R$ 595 mil em 2006; e R$ 4,5 milhões em 2008. Os licenciamentos sem exclusividade mobilizaram menos recursos: R$ 100 mil em 2006 e R$ 933 mil em 2008. No balanço, há também a categoria “outras formas de licenciamento”, que trata de projetos feitos em parceria com as empresas e da prestação de serviços. Essa categoria ganhou maior importância ao longo dos anos. Em 2006, as ICTs conseguiram R$ 115 milhões com essas formas de cooperação. Em 2008, foram R$ 7,7 milhões. “Essa informação mostra que as empresas não dão tanta prioridade ao licenciamento exclusivo como se imagina”, destacou ele. As patentes das ICTs Danna também mostrou o número de patentes pedidas e concedidas às ICTs em 2008. Das 101 ICTs que informaram sobre suas atividades em 2008 ao MCT, 67 pediram proteção intelectual para suas tecnologias e 31 obtiveram patentes nesse ano. Foram feitos 1.035 depósitos de patentes no ano passado, 987 no Brasil e 88 no exterior. No mesmo período, 148 patentes foram concedidas às ICTs, 128 no País e 20 no exterior. (Texto integral no site Inovação Unicamp)

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Fibra de futuro
Sisal, já utilizado em polímeros, poderá ser usado na produção de etanol
sisal poderá produzir álcool combustível

Sisal poderá produzir álcool combustível

Líder mundial no segmento de biocombustíveis, com a produção de bilhões de litros de etanol da cana-de-açúcar e biodiesel, o Brasil terá uma possível opção, dentro de alguns anos, de produzir etanol a partir do sisal, uma fibra vegetal abundante no país, muito resistente e usada para confecção de cordas, tapetes e peças artesanais. Além disso, móveis, estantes, peças para barcos e componentes automotivos, como painéis e revestimentos internos, podem utilizar como matéria-prima essa mesma fibra. Estudos nesse sentido são conduzidos pela química Elisabete Frollini, professora do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), no interior paulista. A equipe que ela coordena desenvolve placas poliméricas com fibras vegetais e está conquistando bons resultados na hidrólise do sisal, processo relativo à primeira etapa da produção de etanol, quando a glicose e outros açúcares fermentáveis usados na fabricação de álcool são obtidos a partir da celulose e de outros componentes das fibras vegetais.

O trabalho da pesquisadora está centrado na valorização das chamadas fibras lignocelulósicas e de seus três principais macrocomponentes: lignina, celulose e hemicelulose. Sisal e cana-­-de-açúcar são exemplos desse tipo de fibra. O interesse pelo sisal, segundo a pesquisadora, se deu porque o Brasil é o maior produtor e exportador global da fibra. Em 2007, a produção mundial atingiu 240,7 mil toneladas, das quais quase metade (113,3 mil toneladas) foi cultivada no país, que pode facilmente dobrar sua produção em curto espaço de tempo. Originária do México, o sisal (Agave sisalana) é uma planta cultivada em países em desenvolvimento e no Brasil as plantações estão concentradas nos estados da Paraíba e da Bahia. Depois de beneficiado, o sisal é exportado principalmente para os Estados Unidos, Canadá, Europa, Irã e países do Leste Europeu. China e México são os principais compradores da fibra virgem. A cultura do sisal tem uma área plantada de 154 mil hectares no país, com produtividade próxima a 800 quilos por hectare.

Outros dois aspectos vantajosos da fibra do sisal são o fato de ela não ser usada como fonte de alimento e, ao mesmo tempo, apresentar alto teor de celulose, cerca de 10% a mais do que o bagaço de cana. Considerando também a hemicelulose, a fibra de sisal tem cerca de 90% de material gerador de açúcares fermentáveis, que formam etanol a partir do processo de fermentação. “Esses açúcares são gerados a partir da hidrólise, que de forma simplificada pode ser considerada como uma reação em que são rompidas as ligações que unem muitas unidades de glicose na celulose e também unidades de outros açúcares na hemicelulose”, explica Elisabete. “No Brasil, os processos de hidrólise visando à produção de etanol estão centrados na utilização de cana-de-açúcar. Nosso trabalho está demonstrando que é possível usar o sisal para esse fim. Queremos contribuir para que o Brasil continue se destacando no setor de biocombustíveis e acreditamos que o sisal possa ser também uma matéria-prima importante.” (Texto Integral na Revista Fapesp)

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Condomínio de 24 blogs de ciência vira braço nacional do portal americano ScienceBlogs

Em agosto do ano passado, dois jovens biólogos formados pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), Carlos Hotta e Atila Iamarino, resolveram montar um pequeno portal reunindo blogs sobre ciência. Nascia o Lablogatórios, que rapidamente chegou à marca de 24 blogs abrigados debaixo de seu guarda-chuva. No último dia 17,  o condomínio de blogs, para usar um termo apreciado pela dupla, mudou de nome e ganhou um empurrão internacional em sua recente trajetória: virou o braço brasileiro do ScienceBlogs, uma rede com mais de 60 blogs de ciência em inglês criada nos Estados Unidos em 2006 que faz parte do Seed Media Group, também dono da revista Seed, de divulgação científica. “Passamos a ser uma franquia deles”, diz Hotta, 29 anos, que estuda a biologia da cana-de-açúcar em seu pós-doutorado na USP e escreve no blog Brontossauros em meu Jardim. “Ninguém vive dos blogs, mas queremos ser mais profissionais”, afirma Iamarino, que faz doutorado na USP sobre a genética evolutiva do vírus da Aids e mantém o blog Rainha Vermelha.

Banner do Scienceblogs Brasil

Banner do Scienceblogs Brasil


A dupla diz que os blogueiros do portal trocam muita informação e que um ajuda o outro a dirimir dúvidas sobre temas espinhosos da ciência. Eles acreditam que esse intercâmbio de ideias diminui a possibilidade de haver erros grosseiros em textos publicados pelos blogs, embora frisem que não há censura a ninguém. O objetivo do ScienceBlogs Brasil é difundir a ciência no país. Não é preciso ser pesquisador para montar um site pessoal e pleitear seu ingresso por portal, mas boa parte dos donos de blogs é formada por jovens cientistas ou pessoas que têm ao menos uma boa formação na área em que escrevem. O blog Geófagos, por exemplo, é tocado pelo engenheiro agrônomo Ítalo Moraes Rocha Guedes, pesquisador da Embrapa Hortaliças, do Distrito Federal, e abordas temas da área de ciências agrárias. O RNAm é escrito por Rafael Soares, biólogo formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) que faz doutorado em biotecnologia na USP.  O Ciência à Bessa – Pensamentos científicos e clichês pessoais é uma criação do zoólogo Eduardo Bessa, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso e especialista em comportamento animal.”Tentamos selecionar blogs de qualidade, com um alto apuro científico e que publiquem textos ao menos uma vez por semana”, diz Hotta. “De uns 60 blogs de ciência que encontramos na internet, selecionamos cerca de 20 que eram mais confiáveis”, explica Iamarino.

Há também blogs mantidos por entusiastas das ciências que não podem ser rotulados de pesquisadores. O blog 42 é mantido por Igor Santos, um engenheiro que trabalha num cartório e mantém um blog “para compartilhar o amor pela ciência”.  O blog Universo Físico tem como autor o  físico de formação e jornalista de profissão Igor Zolnerkevic, que trabalha na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp. Paula Signorini, uma biológa que trabalha como editora e divulgadora de ciências, escreve sobre práticas sustentáveis no Rastro de Carbono – Por um futuro verde. Como se vê, há uma certa diversidade de tipos e temas por trás dos blogs. Mas as ciências humanas ainda não estão nem de leve cobertas pelo ScienceBlogs Brasil. “Precisamos ter blogs dessa área”, afirma Hotta.

A ascensão dos blogs – A audiência de todos os blogs do ScienceBlogs Brasil ainda é modesta, mas crescente, segundo seus administradores.  Está na casa dos 150 mil visitantes por mês, que navegam por cerca de 250 mil páginas. Frequentemente apontado como o blog feito por um cientista com maior influência no planeta, o Pharyngula – criado pelo biólogo Paul Myers, da Universidade de Minnesota,  que fala sobre evolução e desenvolvimento – exibe números colossais para a realidade brasileira.  Semanalmente, suas páginas são vistas meio milhão de vezes por milhares de internautas.

Para quem acha que manter um site pessoal sobre ciência, que mescla opinião e informação, é apenas um passatempo sem muita importância, é recomendável ler uma reportagemconteúdo restrito a assinantes) publicada na edição de 19/03 da revista científica Nature, uma das mais prestigiadas do mundo. O texto defende a ideia de que o jornalismo científico está em declínio, sobretudo depois da eclosão da crise econômica em setembro do ano passado, e que estão em ascensão os blogs de ciência e as ações de divulgação científica mantidas por universidades, institutos de pesquisa e agência de fomento a pesquisa. Uma  questão central abordada na reportagem é se os tais blogs de ciência, sejam eles mantidos por jornalistas, cientistas ou amantes da pesquisa, serão capazes de tomar o lugar do jornalismo científico produzido pelos meios de comunicação mais tradicionais.  A reportagem não esgota o assunto, tampouco dá uma reposta definitiva sobre a questão.

Seja qual for o desfecho desse embate, a Nature, em editorial (conteúdo restrito a assinantes) publicado na mesma edição, recomenda aos cientistas um olhar mais contemporâneo sobre o tradicional jornalismo científico e também sobre os novíssimos blogs de ciência. Depois de lembrar que a face gráfica da internet, o popular www, foi inventada por cientistas num dos templos da pesquisa mundial, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), nos arredores de Genebra; depois de falar da crise mundial que se abate sobre a imprensa internacional e diminui os postos de trabalho nas editorias de ciência, deixando talvez um vazio no setor; depois de mencionar a pouca atenção (desprezo em alguns casos) que muitos pesquisadores mais velhos ainda dão à divulgação de seus trabalhos pela imprensa ou pelos blogs, preferindo apenas comunicar seus estudos em revistas científicas com peer-review (revisão por pares), a Nature conclui assim seu editorial: “Ainda que se mostrem relutantes eles mesmos em falar com a imprensa, (os cientistas) deveriam encorajar colegas que fazem isso de forma responsável. Os cientistas estão totalmente aptos a atingir mais pessoas do que nunca, mas apenas se eles abraçarem a mesma tecnologia que eles desenvolveram”.

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PEQUENA EMPRESA BRASILEIRA DESENVOLVE SUBSTÂNCIA QUE PODE ATUAR NO TRATAMENTO DA TUBERCULOSE

Composto 227 é aposta para entrar no mercado de medicamentos para tuberculose; pedido de patente, com USP, está em preparação

Lívia Komar/ da Inovação Unicamp

Uma empresa pequena com potencial gigante. Assim o farmacêutico Fábio Cícero de Sá Galetti define a Farmacore Pesquisa & Desenvolvimento em Biotecnologia, de Ribeirão Preto (SP), fundada por ele e pela administradora de empresas Helena Faccioli Lopes em 2005. A declaração do jovem empresário, de 30 anos, não é ilusória. Com a ajuda do PIPE, o programa da Fapesp que apóia as pequenas inovadoras, a Farmacore descobriu uma substância que poderá revolucionar o tratamento da tuberculose: o composto 227, que já demonstrou alto potencial terapêutico em testes com camundongos. Embora a comercialização do composto dependa da realização de testes em seres humanos — o que pode levar anos para acontecer —, Galetti se diz esperançoso. “Trata-se de uma droga com boa eficácia, de fácil síntese, muito barata e de pouca toxicidade”, afirma. “Então, realmente é um produto em potencial.”

Se tudo der certo, a Farmacore terá um grande mercado diante de si. Reconhecida como emergência global em 1993 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a tuberculose ainda mata muita gente em todo o mundo — só no Brasil, que oscila da 13ª à 15ª colocação entre os países com maior incidência da doença, são pelo menos 6 mil pessoas por ano, a maior parte delas carentes e desnutridas — e seu tratamento é demorado. De acordo com Galetti, o paciente precisa tomar um coquetel de fortíssimos antibióticos, que não pode ser interrompido em hipótese alguma, durante seis meses no mínimo. “Uma das drogas no mercado atualmente foi descoberta em 1952”, conta. “Há mais de meio século se utiliza esse composto para o combate à doença. Existia a necessidade mais que urgente da descoberta de novas classes de compostos que pudessem auxiliar no processo de cura da doença com mais rapidez.”

A Farmacore já está se preparando para pedir a patente da ação antimicobacteriana do composto 227. O pedido será depositado juntamente com a Universidade de São Paulo (USP), que também participou da descoberta da substância. “A concorrência nesse setor existe com muita força”, enfatiza Galetti, justificando a necessidade do patenteamento. “Várias frentes de trabalho de grandes indústrias farmacêuticas também estão buscando novas moléculas para o mercado da tuberculose.” (Texto integral)

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