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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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“EU SOU UMA ESCRAVA DO FORA DO EIXO”: O RELATO DE DRÍADE AGUIAR, SOBRE BEATRIZ SEIGNER

Veja abaixo a resposta de uma das integrantes do Fora do Eixo a Beatriz Seigner, no texto Fora do Fora do Eixo.

Eu sou uma das escravas do Fora do Eixo

Fora do Eixo

Dríade Aguiar, ao centro

Você que vai ler este texto provavelmente não me conhece. Eu sou a Dríade Aguiar e tenho 23 anos. Sou negra e nasci na periferia de Cuiabá. Hoje moro na Casa de Brasília, vivendo o Fora do Eixo, grupo ao qual pertenço desde os 16. Por dois anos morei na Casa de São Paulo, onde conheci e convivi por quase um ano com a Beatriz Seigner. A quem eu já tive como uma amiga.

Faz vários dias que estou escrevendo este texto. E pensando se devo ou não publicá-lo. Depois de tudo que tenho visto nos últimos dias, decidi que não vou ficar mais com essa angústia guardada só pra mim.

Eu sou uma das escravas do Fora do Eixo. A Beatriz não, ela é alta, branca, bonita e vem de uma família de elite. Por isso ela pode escolher. Ela sabe o que quer. E por isso pode dizer que eu sou apenas uma escrava que segue ordens de um líder de uma seita. Por isso talvez em breve ela apareça na capa da Veja, como a moça corajosa que denunciou os bárbaros do Fora do Eixo. E salvou os escravos que agora poderão ser seus assalariados, no máximo assistentes de sua direção.

Tô impressionada como algumas pessoas passaram a nos atacar a partir de um relato repleto de invenções fraudulentas de alguém que eu ja achei que foi parceira. De alguém com quem trabalhei lado a lado por quase um ano de graça, sem receber nada dela, fazendo planos de comunicação pra divulgar seu filme e ajudando a agendar exibições. E ao mesmo tempo, quando ela ficava tempo o suficiente perto, dividindo pensamentos, ouvindo música, fazendo rango e planejando junto.

A Beatriz entrava na nossa casa na hora que bem entendia. E ficava o quanto desejava. Quem conhece nossas moradias coletivas sabem que elas são abertas, que tem sempre um monte de gente nelas. Que todos podem entrar e sair a qualquer momento.

Aliás, a Beatriz não fala no texto dela, mas ela teve uma relação com um dos moradores. Não era um namoro, era um outro status, mas teve. E agora ela e a Laís vêm dizer que quem mora na casa do Fora do Eixo só pode ficar com quem é de lá. Como assim? Ela não era da casa e ficava com um morador de lá. Mas isso não interessava dizer. O que importavam era nos transformar em monstros.

Como alguém pode ter guardado tanta mágoa e não se incomodar nem um pouco em mentir loucamente pra acabar com um projeto? Um projeto de vida. Sim, eu vivo no Fora do Eixo porque eu quero, porque gosto, porque tenho feito coisas que nunca faria se não estivesse nele.

Já li muitas vezes o seu texto Beatriz. Umas quinze, vinte vezes. E sempre paro no ponto onde você nos chama de escravos pós-modernos. Se alguém escravizou alguém nessa história foi você. Eu investi minha força de trabalho, trabalhei pra você sem cobrar nada pensando que éramos parceiras, que estava construindo algo pro cinema e pros cineclubes brasileiros.

Você tem coragem de dizer na minha cara que eu não dei um duro danado para divulgar o seu trabalho? Tem coragem de dizer na minha cara que não éramos parceiras? Tem coragem de dizer na minha cara que eu não fiz um plano de comunicação que levou o seu filme a ser exibido em lugares que ele nunca iria passar nem perto?

Eu adoraria poder te dizer um monte de coisas frente a frente. Se você é tão corajosa assim pra nos difamar, pra nos chamar de escravos, porque você não aceita um debate franco sobre o nosso projeto de cultura? Porque não expõe de forma clara sua lógica financista de cultura? Porque não diz claramente que se acha artista e que por isso tem que ganhar muito mais que eu pra manter seu status quo?

Beatriz, você poderia ser mais honesta. Poderia dizer que tudo que você decidiu “denunciar” não tem a ver só com o que fazemos ou com o que você diverge das nossas propostas. Tem a ver com outras questões subjetivas. E você misturou tudo pra tentar acabar com um projeto.

Você está sendo mimada e egoísta, Beatriz. Pense nisso. E como você tá dizendo que não debate com o Pablo, que tal debater comigo? Que sou apenas uma escrava. Uma escrava pós-moderna.

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MARGARETHE VON TROTTA EM “ROSA LUXEMBURGO” MERGULHA NA VIDA DA MULHER E REVOLUCIONÁRIA CUJA GRANDE CAUSA FOI A DA LIBERDADE

Imagem: DivulgaçãoPor Maura Voltarelli

Especial para o Educação Política

Em tempos de protestos pelas ruas do país, de insatisfações generalizadas e muitas vezes não tão distinguíveis entre si, certas personalidades revolucionárias de nossa cultura ocidental merecem ser lembradas, ou ao menos deveriam ser, por tudo que representam de clareza, força e vocação pela luta em prol de uma maioria quase sempre excluída socialmente, politicamente e culturalmente.

O filme “Rosa Luxemburgo” (Die Geduld der Rosa Luxemburg) da diretora alemã Margarethe von Trotta, que possui no seu currículo a filmografia de outras mulheres singulares da cultura alemã, como Hildegard von Bingen e Hannah Arendt, conta um pouco da história desta revolucionária de origem polonesa a partir, principalmente, das cartas de Rosa, algumas delas reunidas no volume “Rosa Luxemburgo: cartas. Vol. 3”, da Editora Unesp.

Conhecida por sua militância política de esquerda, pelo questionamento que realizou da própria teoria marxista, pelos discursos fortes e contundentes, e pela luta em prol daquilo que chamou de “social democracia” em favor de um governo que fosse realmente do proletariado, Rosa era muito mais do que a “rosa vermelha”, temida por muitos, entendida por poucos.

Complexa na sua vida política e pessoal, Rosa nunca deixava de questionar os sentidos da sua própria atividade, batendo muitas vezes de frente com os líderes do seu movimento, nunca aceitando a violência pela violência, o protesto pelo protesto. O sentido da causa deveria ser claro e esse sentido era eternamente o sentido da liberdade.

Seguindo esse impulso na direção da liberdade, Rosa foi contra a participação da Alemanha na 1º Guerra Mundial, rompendo com o Partido Social Democrata que, em certo momento, passa a apoiar o militarismo. Funda então com alguns amigos a “Liga Espartaquista”, um nome que, inspirado no grande líder da revolta dos escravos, já anuncia a questão central da liberdade e da luta contra o autoritarismo no qual vinha se convertendo parte da experiência socialista da época.

Imagem: Divulgação

Além de todas essas questões políticas, inspirado nas suas cartas de tom fortemente pessoal, o filme busca mostrar uma Rosa mais íntima entre um discurso e outro, uma Rosa onde, do começo ao fim, transborda justamente o sentimento de liberdade e o espírito revolucionário: confiante e alegre.

Rosa era a menina que, quando criança, queria ver o instante em que o botão de rosa iria desabrochar, não queria perder o tempo do milagre. A menina que ensinava a empregada de sua casa a ler e a escrever, pois estas eram (ou deveriam ser) as coisas mais importantes na vida de alguém.

Quando mulher, Rosa era a moça apaixonada, sempre forte, de irretocável caráter, dividida entre a causa e a vida pessoal (de mãe, esposa), entre a cidade em convulsão e o campo calmo e constante. A mulher que, de prisão em prisão, mesmo sendo privada constantemente de sua liberdade, nunca desanimou da promessa de uma vida mais libertária, protegida de todo e qualquer autoritarismo.

Morta de forma covarde, por militares da extrema direita alemã, precursores daquela que viria a ser futuramente a experiência nazista, Rosa, de certa forma, sobreviveu. Pois não há como falar em liberdade, luta contra qualquer tipo de opressão, e em mais “sentido de coletividade” nos dias de hoje, sem lembrar daquela que nos mostrou, de inúmeras formas, como essa luta é difícil, mas como também vale a pena cultivá-la a cada dia, ainda que seja pelos subterrâneos, transformando cada instante em um espaço de construção, afinal, como ela diz em uma de suas cartas, devemos viver a beleza de cada dia, pois este dia jamais voltará.

Abaixo, o filme completo:

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A VOZ QUE VEM DO LAGO: O MUNDO ENCANTADO DA CIVILIZAÇÃO INDIANA

Imagem: moiseslima.wordpress.comPor Maura Voltarelli

Como disse Roberto Calasso no seu livro A Literatura e os deuses, o mundo, embora muitos não acreditem, está longe de desencantar-se. Os deuses não só renascem com toda força, invadindo a civilização moderna ocidental, como estão por toda parte, demonstrando que a razão não responde a todas as perguntas.

Nesta cena de um épico da literatura indiana, o Mahabharata (“A Grande História dos Bharatas”, em tradução literal), dirigida por Peter Brook e pelo dramaturgo Jean-Claude Carriére, as divindades e lendas que atravessam a cultura oriental estão representadas nos personagens da mitologia hindu, em noções filosóficas como a busca da iluminação, o karma e o dharma, e na proposta do que seria um bom modo de vida.

Na cena que reproduzimos abaixo o que transparece é o máximo encantamento da situação, a maturidade das respostas, a vulnerabilidade do ser humano, leviano, diante das divindades imersas no lago da sabedoria.

Mahabharata traz o profundo misticismo do oriente, terra de cores, círculos, superstições, cosmo, e nos lembra de uma relação que persiste pelos séculos, a relação entre homens e deuses, entre os mortais, para quem cada momento pode ser o último, e os imortais, banhados de eternidade.

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LEITOR DA REVISTA VEJA É RIDICULARIZADO EM CENA DO FILME ‘O SOM AO REDOR’, QUE ESTÁ EM CARTAZ NAS TELAS DE CINEMA DO BRASIL

Lapso de cena do filme O som ao redor

Lapso de cena do filme O som ao redor

Já virou chacota nacional. Até nas telas de cinema os leitores da revista Veja, da editora Abril, estão sendo ridicularizados. É caso do filme O som ao redor, que está em cartaz pelo Brasil e que foi lançado este mês de janeiro.

O filme, que trata do cotidiano da classe média, tem uma cena hilariante sobre uma reunião de condomínio. Nela, uma das moradoras reclama do porteiro e diz que sua revista Veja “está chegando sem o plástico”.  A personagem, que esbanja arrogância e petulância, faz a plateia rir da situação. Muita coragem do diretor, Kleber Mendonça Filho, que pode em breve ser uma vítima dos assassinatos de reputação que existem na imprensa brasileira.

O filme é honesto e foge do tempo e da estética presentes nos filmes da Globo ou norte-americanos. Recheado de suspenses e humor, o tempo chega a se arrastar próximo ao final, mas nada que atrapalhe a boa experiência de sair do lugar comum dos filmes demasiadamente comerciais. Além disso, o diretor traz momentos ricos quando joga em signos e imagens referências ao próprio cinema, ao mesmo tempo em que retoma lembranças e saudades dos personagens da trama. Destaque para a angústia, o vazio e a tormenta sensual nas cenas da atriz Maeve Jinkings.

Abaixo a atriz Maeve Jinkings convida para o filme:

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WALMOR CHAGAS E EVA WILMA TÊM PAPÉIS MARCANTES EM SÃO PAULO SOCIEDADE ANÔNIMA, UMA OBRA-PRIMA DE LUIZ SÉRGIO PERSON

Walmor Chagas

Walmor Chagas

Em homenagem ao ator Walmor Chagas, que morreu ontem, vale rever a interpretação memorável no filme São Paulo Sociedade Anônima (1965), uma obra-prima do diretor Luiz Sérgio Person. No filme, tudo parece ter sido bem elaborado e encaixado para mostrar a mudança social provocada pela urbanização e, principalmente, pela industrialização dos anos 50 e 60.

São Paulo SA traz um tom amargo e existencilista no personagem Carlos, de Walmor Chagas, que conduz a narrativa. Mas, ao lado de Walmor, Eva Wilma também mostra todo seu talento como atriz. Os dois atores dão ainda mais valor à obra de Person. Uma película preto e branco que vale a pena.

Abaixo filme completo:

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MOBILIZAÇÃO BUSCA APOIO PARA CONTAR A HISTÓRIA DOS MALUCOS DE ESTRADAS, OS CONHECIDOS MOCHILEIROS DE TRADIÇÃO HIPPIE

O BANHEIRO DO PAPA É UMA REPRESENTAÇÃO POÉTICA DA RELAÇÃO TRÁGICA E CÔMICA ENTRE A GRANDE MÍDIA E O POVO

Cena do filme O banheiro do Papa

O sonho é realidade em O banheiro do Papa

O banheiro do Papa, filme de 2007, foi consagrado como melhor filme em vários festivais e com toda a razão. O filme é belíssimo e conjuga em personagens, em  interpretações impecáveis, o fantástico do sonho e o trágico do cotidiano. O banheiro do Papa é um bom título, mas o filme também poderia se chamar  O mundo de Beto, que é o personagem principal. Isto porque o banheiro do papa parece ser apenas mais uma criação da fantástica mente desse personagem, interpretado de forma incrível por Cesar Troncoso.

Mas não só ele, a interpretação de Virginia Méndes, como uma mulher vivendo o mundo real, é de uma beleza crua estarrecedora. Há no casal uma relação mítica entre o feminino racional, apolíneo, e o masculino imaginário (dionisíaco).  E esse conflito entre dois mundos, o real e o fantástico, parece povoar todas as imagens do filme, que se estabelecem a partir das notícias veiculadas pelo jornal e pelo rádio. E isso acomete de forma mágica em todas as interpretações, num impressionante trabalho de conjunto. Os personagens parecem viver um documentário sobre suas próprias vidas.

A história, nesse sentido, tem como pano de fundo uma relação perversa, mas que é tratada na maioria das vezes de forma poética e cômica, entre a população mais pobre e os meios de comunicação de massa, a grande mídia, principalmente a televisão. Essa relação faz com que o filme saia da condição primorosa de enredo e belas imagens para se traduzir em uma história imaginária. O real captado pela câmera é o ingresso para a viagem da mente humana.

Ao final do filme, que é baseado em uma história real, os diretores César Charlone e Enrique Fernández colocam alguns números estatísticos da visita do Papa João Paulo II à cidade de Melo, no Uruguai, onde se passa a história. Nesse momento, percebe-se o tamanho da relação entre mídia e imaginário popular, o tamanho da tragédia, o tamanho do destino humano.

Veja trailer:

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O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO, DE JOÃO DO RIO, EM ADAPTAÇÃO MUITO LOUCA E FUTURISTA DO DIRETOR CARLOS CANELA

CELSO BODSTEIN DIZ QUE CINEMA É A FORMA DE SINTETIZAR REFLEXÕES DE ORDEM FILOSÓFICA, SOCIOLÓGICA E ESTÉTICA

Nesta segunda parte da entrevista à TV Educação Política, o professor Celso Bodstein fala sobre a importância da sua formação cultural cinematográfica.

Para ele, essa formação não se dá no campo da diversão, mas quando o cinema é capaz de abordar as questões filosóficas, antropológicas, sociológicas e estéticas.

Alem disso, Bodstein fala, em um segundo momento da entrevista, sobre o cinema que fala do próprio cinema. Acompanhe:

Veja também a primeira parte da entrevista sobre o cinema brasileiro atual e o documentário.

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APESAR DA RETOMADA, A CINEMATOGRAFIA BRASILEIRA SE DESFAZ QUANDO A GLOBO JOGA NA TELA GRANDE A ESTÉTICA DA TV, DIZ BODSTEIN

O professor Celso Bodstein, da PUC-Campinas e da Unicamp, em entrevista à TV Educação Política, afirma que o cinema feito a partir da estética televisiva tem pouco a acrescentar ao cinema brasileiro. Para ele, esse tipo de produção costuma dar grande bilheteria, mas faz as pessoas se envolverem com a sétima arte apenas no campo da diversão.

O professor também fala do renascimento do documentário, que vive um momento diferente da ficção, com uma produção mais livre e esteticamente mais forte. Veja abaixo:

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CAIO BLAT, OU MELHOR: COMO O MONOPÓLIO NAS COMUNICAÇÕES DESTRÓI A CULTURA E A ARTE DE UM PAÍS INTEIRO

SENSACIONAL, FILME PAREDES NUAS DE UGO GIORGETTI TRATA DA QUEDA DE UM GRANDE CORRUPTO E DO VÍCIO PELO DINHEIRO

O prazer do dinheiro é tema de Paredes Nuas

Paredes Nuas, de Ugo Giorgetti, é um belo exemplar de como um bom texto e ótimos atores transformam um pequeno filme em um grande cinema. Giorgetti trata da queda de um corrupto e das consequências que essa queda provoca na vida das pessoas que sobrevivem em torno dele.

O melhor do filme, que tem duração de apenas 52 minutos, é o elenco, que segura o filme com interpretações de forte intensidade teatral e muita experiência profissional. No roteiro, o que chama a atenção é, ao final da história, a associação entre a vida de luxo propiciada pela corrupção como um vício provocado pelo dinheiro. Esse vício pelo dinheiro, essa idolatria pelo luxo e marcas, é tratado como análogo às consequências provocadas pelas drogas químicas mais pesadas em viciados. 

Para se chegar ao dinheiro, de forma mais rápida, tem-se a corrupção como algo inevitável, como algo entendido moralmente pelo viciado como natural na sociedade, ou seja: “todo mundo faz” e “se ele não fizer, outros farão”. E é principalmente na corrupção que o dinheiro precisa ser gasto com luxo e extravagâncias, visto que não pode ser declarado sem uma devida lavagem financeira. Da mesma forma, o mercado do vício e dos preços absurdos são sustentados pela capacidade de grandes empresas de burlar o sistema de pagamento de impostos. Muitos indivíduos, que giram em torno de políticos e governos, pagam qualquer preço para ter o prazer provocado pelo excesso de dinheiro. Eles sabem que há riscos, mas se deleitam no êxtase do consumo e do status.

A diferença é que o vício não destrói o corpo do indivíduo que consome o dinheiro em excesso orgiástico, mas os corpos dos indivíduos que partilham com ele a vida na mesma sociedade. O dinheiro deixa de ser aplicado em benefício de toda a comunidade e passa a ser utilizado por um viciado e seus dependentes familiares e funcionários. Em nome da liberdade individual, o vício pelo dinheiro tornou-se sem limites e destrói a vida de milhares de pessoas que ficam sem acesso a boas condições de moradia, saúde, educação e cultura.

No filme, a atriz Juliana Galdino, vive a esposa do corrupto preso e é nela que se expressa a incapacidade de se viver sem a possibilidade de ter as doses diárias da extravagância provocada no ego pelo poder financeiro. Essa pequena película torna-se assim um filme essencial no Brasil de hoje. Veja trailler abaixo:

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“O PASQUIM: A REVOLUÇÃO PELO CARTUM” CONTA A HISTÓRIA DESTE MOMENTO DE HUMOR POLÍTICO E RENOVAÇÃO DA LINGUAGEM JORNALÍSTICA EM PLENA DITADURA MILITAR

Está é a primeira das quatro partes em que está dividido o primeiro volume – “O Pasquim: A Revolução pelo Cartum” – do documentário que conta, em tom descontraído, as histórias do tabloide O Pasquim. Criado em 1969, durante a Ditadura Militar, ele reuniu os melhores nomes do humor político no Brasil.

O segundo volume do documentário traz o título “Humor com Gosto de Pasquim”. Realizado em 1999, o documentário, em especial o primeiro volume, aborda o nascimento do jornal em Ipanema, os aspectos formais do cartum ao ser empregado no jornal e a sua relevância cultural no então contexto político do país.

Dirigido e montado por Louis Chilson com pesquisa de Gualberto Costa e roteiro de José Alberto Lovetro.

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MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS E CARTAZES SOBRE OS ANOS DE DITADURA É REALIZADA PELO INSTITUTO VLADIMIR HERZOG

A cultura pelo esclarecimento

Como forma de lembrar os 75 anos de nascimento de Vladimir Herzog e também o poder que a cultura muitas vezes tem de ativar a busca pelo esclarecimento por meio dos panoramas e discussões que ela estabelece, chegando muitas vezes à frente das decisões políticas, o Instituto Vladimir Herzog sedia agora no mês de junho uma mostra de documentários políticos latino-americanos e também de cartazes sobre os nossos “anos de chumbo”: “Memória e transformação: o documentário político na América Latina ontem e hoje”.

A mostra ocupará as salas da Cinemateca Brasileira e do Cinesesc, em São Paulo, e ao ser realizada no ano em que Vlado – jornalista que dá nome ao Instituto e que foi torturado e assassinado em 1975 pela ditadura em São Paulo – completaria 75 anos de idade, pretende não só homenageá-lo, mas também homenagear as diversas formas de resistência aos governos totalitários, ditadoriais e opressivos que se instalaram na América Latina de 1950 até os dias atuais.

São 49 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens documentais, vindos de 13 países latino-americanos, de exibição rara no Brasil e definidos pela curadora da mostra, Marina Dias Weis, socióloga e cineasta formada na EICTV, escola de cinema fundada por Fernando Birri e Gabriel García Márquez em Cuba, como “um olhar no espelho: a memória como ponte para o presente”.

A ideia é justamente relacionar a herança desse passado de autoritarismo e violência, com cenas igualmente violentas vividas no contexto atual. É o que faz, por exemplo, a brasileira Beth Formaginni em “Memória para uso diário”, construindo uma ponte por justiça dos familiares de desaparecidos políticos e das mães de jovens executados nos dias de hoje pela polícia que atua nas favelas do Rio de Janeiro.

Paralela à mostra de filmes, também acontece desde 31 de maio na Cinemateca Brasileira, uma Exposição de Cartazes sobre a Anistia, com 60 trabalhos. A mostra de cartazes e também dos documentários segue até 08 de julho.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Brasil de Fato com mais informações:

Eventos lembram 75 anos do nascimento de Vladimir Herzog
Por Camila Moraes, do Opera Mundi

Os processos formais ligados à restauração da memória e ao direito à justiça, nos países latino-americanos que viveram décadas de ditadura, demoraram bastante a se estabelecer. É o caso do Brasil, que só em 2012, longos anos após a queda do poder ditatorial, vê estampadas com maior frequência na imprensa nacional manchetes sobre as chamadas Comissões da Verdade.

O cenário é ainda mais complicado quando o assunto são crimes de estado isolados ou jamais investigados e, especialmente, os que são cometidos no presente. É o que acontece em países como a Colômbia, nos esforços de contenção (ou de maquiagem) de uma guerra interna envolvendo exército, guerrilha e paramilitares, que já dura quase 60 anos.

A cultura não garante o direito à vida ou faz justiça, mas muitas vezes é mais rápida do que os interesses governamentais. Através dela, podem ser estabelecidos panoramas e discussões que ativem a busca por esclarecimento. Com esse objetivo, foi idealizada uma mostra de documentários políticos latino-americanos que ocupará as salas da Cinemateca Brasileira e do Cinesesc, em São Paulo, a partir de junho.

Quem está por trás do projeto é o Instituto Vladimir Herzog, que contou com o apoio do Ministério da Cultura para realizá-lo no ano em que Vlado – jornalista que dá nome ao Instituto e que foi torturado e assassinado em 1975 pela ditadura em São Paulo – completaria 75 anos de idade. Seu objetivo é fazer um repasso, de 1950 aos dias atuais, pelo cenário sócio-político latino, com foco em obras que tratam das lutas de resistência às ditaduras militares, governos totalitários e outras formas de opressão do poder contra o povo, grupos étnicos ou minorias. (Texto completo)

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EM ZABRISKIE POINT, DE ANTONIONI, A IMAGINAÇÃO DE UMA EXPLOSÃO SURGE COMO UMA METÁFORA DA VIDA

Em Zabriskie Point, clássico de Michelangelo Antonioni, desenha-se ao longo do filme a oposição entre momentos e sentimentos simples e realmente essenciais, representados de forma belíssima, e a futilidade de certas coisas e pessoas do cotidiano que convivem conosco e são incapazes de ver além delas mesmas.

Uma das personagens do filme, Daria, sofrendo pela morte de um recente, curto e de todas as formas intenso amor, ao ser posta diante de um mundo frívolo e tão distante de tudo que ela sentia, imagina uma explosão, onde tudo simplesmente se desintegra nos ares e deixa de existir. Um sutil sorriso se desenha no rosto de Daria no fim desta cena bela pelos efeitos visuais e pela forte linguagem musical, mostrando quão frágil é tudo aquilo que se considera tão sólido.

A cena não deixa de ser uma grande metáfora da vida, sempre prestes a se desfazer no ar, com todos os seus livros, com todoas as suas roupas…De tudo parece só restar o real sentido do amor.

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DANÇA E MÚSICA: NEW YORK CITY BALLET INTERPRETA AGON, COM MÚSICA DE IGOR STRAVINSKY E COREOGRAFIA DE GEORGE BALANCHINE

CINEMA BRASILEIRO FOI O GRANDE HOMENAGEADO DA 65ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES QUE TERMINA HOJE

Quem ilustrou o cartaz desta edição do Festival foi a atriz Marilyn Monroe, morta há 50 anos.

O cinema brasileiro foi o principal homenageado deste 65ª edição do Festival Internacional de Cannes, na França. Convidado de honra, o cinema brasileiro garantiu espaço com o filme A Música Segundo Tom Jobim, que foi exibido em sessão especial, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, de 84 anos, que também foi homenageado no evento.

Como mostrou notícia publicada pela Agência Brasil, o Brasil também foi destaque no Festival com “o longa metragem de Walter Salles, Na Estrada, baseado no livro On the Road, de Jack Kerouac, e Glauber Rocha, com Terra em Transe e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”.

O filme de Nelson Pereira dos Santos conta um pouco da trajetória musical de Tom Jobim e fala sobre seu processo de criação, mas tudo através da música. O inesquecível e peculiar ritmo que consagrou Tom Jobim como um dos criadores da Bossa Nova é o que dá o tom do filme em belíssimas interpretações. Veja texto em que comentamos sobre o filme aqui no Educação Política.

Veja techo de notícia da Agência Brasil contando os primeiros momentos desta 65ª edição de Cannes:

Começa Festival de Cannes, que faz homenagem especial ao cinema brasileiro
Por Renata Giraldi

Brasília – A 65ª edição do Festival Internacional de Cannes, na França, começou ontem (16) e vai até o dia 27. O cinema do Brasil será o principal homenageado, como convidado de honra. O cineasta Nelson Pereira dos Santos, de 84 anos, deverá receber uma homenagem durante o festival. O filme A Música segundo Tom Jobim, de Santos, será exibido em sessão especial.

Em abril, a decisão foi anunciada pelo diretor do festival e responsável pela programação de filmes do evento, Thierry Frémaux. Segundo ele, o filme A Música segundo Tom Jobim é uma “homenagem” ao compositor, que chamou de “criador da bossa nova”.

O filme de Santos conta a trajetória e a forma de criar de Antonio Carlos Jobim por meio da música e do pensamento do compositor. Frémaux citou ainda diretores brasileiros, como Cacá Diegues, que representa o chamado Cinema Novo com fillmes clássicos – Xica da Silva e Quilombo -, além de Ruy Guerra, que dirigiu Ópera do Malandro e Os Deuses e os Mortos, entre outros.

No Festival de Cannes, o Brasil será destaque com o longa metragem de Walter Salles, Na Estrada, baseado no livro On the Road, de Jack Kerouac, e Glauber Rocha, com Terra em Transe e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro.

Ontem (16), a abertura do festival foi dedicada ao filme Moonrise Kingdom, do norte-americano Wes Anderson. A atriz francesa Bérénice Béjo, que se tornou mais conhecida por sua atuação no filme O Artista, fez a apresentação do evento. Em seguida, o cineasta italiano Nanni Moretti, vencedor da Palma de Ouro em 2001 e diretor do júri do festival, elogiou a França pelo evento. (Texto completo)

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O DOCE DESESPERO DO AMOR E A SEDUÇÃO DESTRUIDORA DA MULHER EM “SETE DIAS COM MARILYN” E “EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DE SEUS LINDOS LÁBIOS”

Um texto interessante de Matheus Pichonelli, publicado na revista Carta Capital, fala de dois filmes com estéticas cinematográficas próprias, completamente distintos à primeira vista mas que, em sua particularidade, se unem por um tema comum: o doce desespero causado pelo primeiro amor e, ao mesmo tempo, o poder de sedução e destruição que têm algumas mulheres capazes de marcar um homem e mudar sua história.

O primeiro filme de que fala Matheus é Sete Dias com Marilyn, de Simon Curtis. Dispensável falar do que Marilyn desempenhou e ainda desempenha no imaginário masculino. Muito bem comparada pelo autor do texto à personagem Remédios Beundía, de Gabriel Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, que provocava um “insuportável estado de íntima calamidade” à sua passagem, Marilyn também possuía esse dom raro, sendo uma espécie de caminho para a destruição, como escreveu o escritor colombiano. Mas Marilyn, diferentemente de Remédios, era consciente “da aura inquietante em que se movimentava” e tal poder afetava não só os homens ao seu redor, mas ela própria.

Um dos personagens do filme é justamente o terceiro assistente de direção, o inglês Colin (Eddie Redmayne), com quem Marilyn vive breves e intensos dias de amor que marcarão para sempre a sua vida. Colin a conhece de perto, sem maquiagem, e a intimidade faz com seu encanto e fascínio aumentem ainda mais. No entanto, a distância entre a mulher que Marilyn gostaria de ser e aquela que ela foi realmente, a grande atriz do cinema americano é revelada pelo filme e Colin termina condenado apenas às suas lembranças, entregue ao doce desespero renovado a cada vez que tivesse que vê-la de novo.

O outro filme é brasileiro, dono de um título único e belo, que chama a atenção logo de cara. Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca, é inspirado no romance de mesmo nome de Marçal Aquino, e tem como paisagem o sul do Pará, quente e chuvoso, ao contrário da fria Londres de Marilyn, e a mulher destruidora de agora é a misteriosa Lavínia, interpretada por Camila Pitanga.

Ex-prostituta, esposa de um pastor, Lavínia também protagoniza um caso de amor com Cauby (Gustavo Machado), um fotógrafo que vai à Amazônia “conhecer o seu país mais profundo”. As questões nacionais latentes no sul do Pará, seus conflitos, sua violência, sua fé e suas traições, são marcas externas do filme que ecoam na violência de Lavínia como mulher e na violência do próprio amor.

O grande material dos filmes parece ser o amor, refletido na paisagem brasileira ou arrastando-se desesperado por uma Londres mais “dura”, mas o mesmo amor que, quando provocado por lindos lábios, é sempre uma ferida doce!

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PINA, DE WIN WENDERS, EXPÕE NA ARTE DA DANÇA UMA ALEMANHA AFETIVA E HETEROGÊNEA EM CORES E RAÇAS

Pina: uma Alemanha do amor e da tolerância

O filme Pina, de Win Wenders, sobre a bailarina e coreógrafa Pina Bausch, é de um amor intenso que se constrói a arte da dança.

É o cinema de um alemão (Wenders) sobre uma coreógrafa e bailarina alemã (Pina) que exulta sentimentos de afeto e beleza estética. A heterogeneidade dos bailarinos, que parecem representar um mundo inteiro em cores, fisionomia e olhares, expõe de forma avassaladora uma Alemanha fora dos padrões esterotipados.
Ao fazer, de forma muito feliz uma adaptação da dança ao cinema, Win Wenders permitiu que a companhia, que foi montada por Pina e seus bailarinos mais próximos, fizesse explodir uma Alemanha da tolerância, da integração, da heterogeneidade, da igualdade e da liberdade poética.

Isso não é dito em nenhum momento do filme, nem a Alemanha tem qualquer relação, exceto tomadas urbanas de Wuppertal. Mas é justamente nessa arte afetiva e miscigenada que está a beleza e a força do filme.

No corpo de Pina e no olhar de Win Wenders tem-se uma multiplicidade de bailarinos com força estética de alto padrão. Negros, brancos, asiáticos, ameríndios estão iguais, homens e mulheres, em um sonho de dança e vida.

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MEIA-NOITE EM PARIS PODE NÃO SER O FAVORITO AO OSCAR, MAS SEM DÚVIDA É UM DOS FILMES QUE MAIS GEROU POLÊMICA EM 2011

Meia-Noite em Paris é mais um dos filmes de Woody Allen que deu o que falar. Para alguns, a fórmula revisitada da Cinderela foi simplista demais e mostrou um Woody Allen acomodado que, sem dúvida, poderia fazer e já fez melhor. Para outros, a proposta do filme ao realizar uma espécie de digressão rumo ao passado trazendo novamente à tona a atmosfera da Paris dos anos 20, foi como um suspiro de alívio em meio ao mundo burguês, muitas vezes sufocante, em que vivemos e, se não gerou essa consciência, proporcionou, no mínimo, uma boa dose de diversão.

Entre as críticas positivas e negativas, alguns méritos do filme não podem deixar de ser lembrados, assim como alguns detalhes que se ausentes poderiam fazer o filme melhor.

O cenário construído pelo diretor é o de um jovem escritor – Gil (Owen Wilson) – cercado por futilidades que vão desde a esposa (que ele não consegue descrever de outro modo a não ser como “gostosa”) até o marido de uma amiga que se diz “especialista” em todos os assuntos relativos a Paris. Além destes, há o sogro e a sogra que a todo momento lhe dirigem olhadelas cortantes como a repetir freneticamente “incapaz” e que, inclusive, mandam-no vigiar para ver o que o genro tanto faz nas noites em que fica andando pelas ruas de Paris.

É justamente andando pelas ruas de Paris que Gil é surpreendido, à meia-noite, por um Ford T que o leva em uma viagem à Paris dos anos 20, onde ele encontra alguns de seus ídolos da época como Dalí, Picasso, Buñuel, Scott e Zelda Fitzgerald e o escritor Ernest Hemingway. A nostalgia em relação a uma época que já passou e que não volta mais invade o personagem e é reforçada pelo ambiente cheio de futilidade e afetação com o qual ele convive durante o dia à espera de que o carro novamente volte a buscá-lo à meia-noite em ponto.

Se na Cinderela, portanto, a magia terminava à meia-noite, aqui ela começa. O filme assim vai se consturando de forma divertida, encadeando surpresas, mas, muitas vezes, é superficial e didático demais, acomodando-se em fórmulas já existentes e que poderiam ter “se deixado ousar um pouco mais”. São detalhes que fazem com que Meia-Noite em Paris não esteja entre os grandes filmes de Woody Allen, mas também são detalhes que fazem dele um momento cinematográfico extremamente agradável.

Fora o prazer e a supresa em ver surgir e em reconhecer diante da tela as personalidades artísticas com que muitos de nós convivemos em nosso dia-a-dia por meio dos seus quadros, filmes, livros e demais heranças artísticas, o filme nos lembra que as realidades mais fantásticas podem se realizar por meio da arte e que esta pode tanto nos levar ao passado, quanto nos trazer de volta ao futuro, fazendo-nos perceber em toda sua extensão e valor o tempo presente.

Tempo presente que às vezes se contamina pelo vazio, pela superficialidade, pela falta de espírito, pelos rituais burgueses de autoaclamação, pelos indivíduos insuportáveis que são sempre campeões em tudo, como já dizia Fernando Pessoa, que estão por aí cheios de certezas.

Tempo presente que às vezes pode ser dissolvido pela página de um livro – como fazia Machado de Assis com suas costumeiras digressões nas quais ele não perdoava qualquer fatia da sociedade carioca de sua época –  ou por um carro que nos faça voltar no tempo, e reside aí, em traduzir esse potencial da arte – não talvez da forma mais ousada, intensa e criativa possível – o grande mérito deste Meia Noite em Paris.

Veja trecho de uma crônica sobre o assunto, de Matheus Pichonelli, publicada na Carta Capital:

Azarão’ do Oscar é um tapa na afetação
Por Matheus Pichonelli

Imagine a cena. Toda vez que seu tio fala do quanto gastou com a reforma da casa, o cunhado volta a defender a pena de morte, a cunhada dá detalhes sobre seu mestrado em poodles anêmicos da Austrália, a irmã cita as virtudes financeiras e a viagem MA-RA-Vi-LHO-SA com o novo namorado ou a prima desembesta a narrar a próxima cirurgia plástica, um sujeito de óculos, magrelo, aparece desembestado olhando para a câmera com o polegar para trás dizendo: “deprimente, não?”.

Não sei se vocês perceberam, mas a humanidade dá cada vez mais sinais de cansaço e preguiça. Não bastassem as tragédias que temos de engolir todos os dias sobre acidentes evitáveis, guerras desnecessárias, bombardeios intencionais e cinismos publicados em Diários Oficiais, ainda temos de conviver, a poucos metros, com as ninharias mais fúteis que o ser humano pode produzir.

Nos últimos tempos, temos visto e ouvido de tudo em rodas de conversas que reúnem dois ou mais bípedes numa mesma mesa. Todos os campeões em tudo desfilam a olhos vistos como no Poema em Linha Reta do Fernando Pessoa (“Nunca conheci quem tivesse levado porrada”).

O fato é que entendo cada vez mais os adolescentes que abandonam conversas de adultos e mergulham em fones de ouvido para fugir de conversas sobre temas lamentáveis. “Rapaz, o fulano tá lavando a égua com aquela firma, viu?”; “Comprei o meu em Nova York por muito menos”; “Tá tão difícil arrumar empregada hoje em dia”; “Meu currículo fala por si só”; “Meu cartão de crédito não tem limites”; “O lugar anda muito mal frequentado”… (Texto completo)

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“A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM” ESCOLHE O CAMINHO DO SOM E DA IMAGEM PARA FALAR DE UM DOS NOMES MAIS EXPRESSIVOS DA MÚSICA NACIONAL

O cineasta Nelson Pereira dos Santos, já famoso pela sua inclinação em retratar e inspirar-se em nomes como o do escritor Jorge Amado, agora usa de toda sua sensibilidade para tentar reproduzir em filme um pouco do que foi a trajetória de um dos nomes mais expressivos de nossa música popular brasileira: Tom Jobim.

Ao lado de Ana Jobim, viúva do músico, Nelson produz um documentário onde as palavras não bastam para falar da obra musical de Jobim. Sendo assim, elas constituem um mero acessório em um roteiro basicamente montado a partir de imagens e som. Montar aliás parece ser um dos desafios propostos pelo jogo cênico do documentário.

Ao contrário do que ocorre com a maioria dos documentários, o crédito das pessoas que aparecem e das músicas que vão sendo por elas interpretadas não aparece no filme de Nelson e Ana, o espectador é convidado a adivinhar quem é quem, qual seria a época em que certa canção foi interpretada, dentre outras interrogações. E assim, a vida de Jobim vai se abrindo como um quebra-cabeça de sons e imagens, livre, dotado de sua ordem e tom natural, exatamente como suas músicas e sua história musical.

Para aqueles que gostam de informações diretas e direcionamentos claros, dados em um documentário por meio da presença de um narrador e depoimentos, por exemplo, A Música Segundo Tom Jobim, apareceria como um produto bastante aquém das expectativas. No entanto, para aqueles que apreciam as diferentes formas de contar e a exploração das possibilidades narrativas, o documentário é um presente que, inclusive, faz jus à sua proposta desde o título.

Este é claro ao dizer que a música ali será apresentada “segundo Tom Jobim”, ou seja, será ele, seus amigos e intérpretes e a paisagem do Rio de Janeiro que tanto o inspirou e que não somente se reflete na sua obra, como também é refletora desta, que dirão um pouco da vida do admirador da garota de ipanema e que, assim como ela, também deixa o mundo mais lindo e cheio de graça a cada vez que passa…

Nesse ritmo, o documentário musica a sensibilidade e, se as imagens não fossem tão belas e raras, poderíamos apenas ouvi-lo de olhos fechados, já que, como diz o maestro, “a linguagem musical basta”.

Veja o trailler do filme:

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Cena de O Artista - "nostalgia do silêncio"

Processos silenciosos permitem ao indivíduo perceber a si mesmo e o mundo ao seu redor. O silêncio sempre foi bastante explorado pelos filmes de arte e foi durante muito tempo o principal material do cinema com os filmes mudos. É interessante perceber como atualmente, em uma época onde os efeitos especiais e a exploração sonora de todos os tipos e em diversos níveis é tão expressiva, o silêncio volta a ganhar espaço juntamente com os roteiros que abordam histórias pessoais.

As biografias silenciosas estão em alta em Hollywood que viveria uma espécie de nostalgia da era muda, segundo reportagem do The Observer publicada pela Carta Capital. Tudo teria começado com o sucesso do filme mudo O Artista, que promete ser uma das surpresas do Oscar para esse ano. O filme se passa na Hollywood dos anos 20, e conta a história de George Valentin (Jean Dujardin), uma das maiores estrelas do cinema mudo.

A partir daí, uma série de produções não só de filmes mudos, como também de peças de teatro e filmes que homenageiam as estrelas da época passaram a surgir, como um musical baseado na vida de Charles Chaplin, que estreará na Broadway este ano e um filme baseado no astro romântico da era silenciosa Rudolph Valentino e que se concentra na morte precoce do ator, aos 31 anos.

O filme revela que o astro apenas compreende sua vida através de uma sequência silenciosa e onírica em que tem fama e glória, mas é privado das coisas mais prezadas na vida. Tem-se assim a combinação entre silêncio e percepção pessoal, entre silêncio e limite ou ponto chave da existência.

E é essa a receita que tem feito sucesso: a inspiração na era muda somada a uma boa história, por isso, críticos e comentadores de cinema norte-americanos dizem que não se surpreenderiam se muitos filmes baseados na vida de Chaplin não começassem a surgir por aí. Explorar as potencialidades do silêncio e das boas histórias parece ser, neste sentido, a grande lição que O Artista dá ao cinema contemporâneo.

Veja texto completo aqui.

E trecho com o trailer de Os Artistas:

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LUCIANO COUTINHO, DO BNDES, PRECISA VER O FILME TRABALHO INTERNO (Inside job), DE CHARLES FERGUSON, SOBRE A CRISE DE 2008

O filme fala sobre a crise que afeta o mundo até hoje. No começo é um pouco pesado, mas o documentário cresce e explica a receita dos Estados Unidos para aumentar a desigualdade social e gerar uma crise mundial: tirar do pobre e dar para o rico. Fantástico.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) deveria assistir para ver o que acontece quando se cria mega empresas. É o fim.

Veja abaixo versão integral, legendado em português.

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FILME “JESUS ERA COMUNISTA” FAZ SUCESSO EM FESTIVAIS, GERA POLÊMICA NOS EUA E CITA DOM HELDER CÂMARA

Cartaz do filme

Vi no blog do Saraiva

Quando os tempos estão difíceis, parece que a religião volta a ficar popular. Enquanto o mundo está em turbulência, com os mercados econômicos parecendo entrar em colapso e o meio-ambiente degradado, Jesus volta a ser o centro da atenção.

O premiado ator Matthew Modine já participou de filmes de sucesso no cinema e de séries televisivas. No momento ele está envolvido nas gravações do novo filme sobre Batman. Entre uma filmagem e outra, ele produziu um curta-metragem de 15 minutos que mostra o Filho de Deus como um líder socialista, oferecendo um argumento convincente em favor dos pobres.

Modine escolheu um título polêmico: “Jesus era um comunista”. Seu filme  oferece uma discussão das mensagens do Novo Testamento no contexto da pobreza, da poluição e da agitação política.

Selecionado para participar de vários festivais de cinema em todo o mundo, a discussão que o veterano ator propõe já está chamando atenção. O movimento político direitista Tea Party tem usado a Bíblia como seu “cabo eleitoral e justificativa para mudanças na política”. Sites cristãos como o Truth Vanguard já fizeram pesadas críticas ao curta metragem.

O filme de Modine parece ter um endereço certo. Algumas semanas atrás, o movimento “Ocupar Wall Street” iniciou um debate sobre a relação entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade. Rapidamente iniciativas similares se espalharam por vários lugares do mundo.

Vários meios de comunicação compraram a iniciativa com o início do Cristianismo, quando a igualdade entre todos os homens ajudou a desfazer a estrutura social do antigo Império Romano. Imediatamente líderes religiosos e teólogos começaram a debater o tema. Enquanto alguns apoiaram a ideia dizendo que Jesus estaria ao lado dos que ocuparam Wall Street, outros criticaram veementemente, afirmando que a revolução que Jesus queria nada tinha a ver com distribuição de renda.

Embora o filme não tenha sido exibido comercialmente, o site do filme traz a seguinte mensagem: “Sua revolução implicava em uma mudança dramática na forma como as pessoas pensavam. O pensamento progressista e liberal de Jesus se espalhou por todo o Império dominante. Sem exército e sem armas, Ele levou as pessoas a uma nova direção e uma forma mais humana de pensar, com sua filosofia de amor e perdão. Estas são as ideias defendidas neste exato momento pelos protestos em Nova York e por milhares de norte-americano através dos Estados Unidos”.

Falando sobre o curta, Modine explica: “Embora o título seja propositadamente provocativo, é importante às pessoas entenderem que o filme não é um ataque a Jesus ou à fé cristã e nem mesmo uma apologia ao comunismo. Trata-se de um filme com uma mensagem muito positiva, de responsabilidade e de esperança”.

Durante uma entrevista, no lançamento do filme semana passada, Modine foi mais longe: “O movimento Ocupar Wall Street não tem uma só voz, um líder. Essa é uma extraordinária demonstração de liberdade civil e de democracia. Mas acho que se houvesse um homem barbudo, de pés descalços falando sobre paz, liberdade, amor e virasse a mesa dos especuladores de Wall Street acabou ele seria crucificado pela mídia. O prefeito exigiria sua prisão. [Alguns meios de comunicação] iria incitar o ódio contra ele e declará-lo uma ameaça para o capitalismo”.

Vindo de uma família muito religiosa, o diretor explica porque os ensinamentos de Jesus o motivaram: “Estou preocupado com os eventos que ocorrem em todo o mundo. A população chegou aos 7 bilhões. Existe muita fome no mundo. Há escassez de água potável. A poluição ameaça o meio-ambiente. Vemos os dos resíduos nucleares. Mudanças climáticas em todo o mundo… Há tanta confusão, culpa e falta de responsabilidade no mundo de hoje. Muitas guerras e assassinatos usam como justificativa o nome de Deus. Não foi isso o que Jesus ensinou”

Confira um trailer do filme que curiosamente inicia com a declaração do teólogo brasileiro Dom Elder Câmara “Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista”.

Mais informações sobre o filme no site www.jesuswasacommiefilm.com (do Gospel Prime)

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FILME E ESTUDO REVELAM QUE MAIORIA DA POPULAÇÃO NÃO TEM BENEFÍCIO SOCIAL E SE ILUDE COM AS “EXCEÇÕES” DA SOCIEDADE BURGUESA

Cena do filme "Trabalhar Cansa"

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois terços da população mundial, ou seja, 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile. O estudo ainda afirma que se os benefícios sociais fossem concedidos à população, as tensões sociais seriam aliviadas e o avanço econômico aconteceria de fato.

Essas considerações têm sua pertinência. Para constatá-la nem precisamos ir muito longe. Basta olhar para os recentes protestos que tomam conta de muitos países da Europa e que se levantam contra um sistema financeiro que oprime a maioria dos cidadãos apoiado por governos e que, por essas e outras, também enfrenta crise profunda e expressiva. Os direitos, a que 99% da sociedade têm direito, estão nas mãos de apenas 1% e era contra essa desigualdade e contra o abandono a que estão submetidos que jovens e trabalhadores se revoltam.

A atual situação da classe média brasileira não é diferente da situação de boa parte da população mundial. Ela está tão abandonada quanto eles e foi isso que o primeiro longa-metragem da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, com o sugestivo título de “Trabalhar Cansa”, se propõe a mostrar.

Como mostra reportagem publicada pela Carta Capital, o filme é “um exemplo raro de como boas ideias não precisam de grandes frufrus para serem originais” e mostrarem uma realidade que está bem em frente aos nossos olhos, mas que fingimos ou insistimos em não ver, iludidos pelas férias de final de ano, pelos curtos dias de feriado ou idiotizados mesmo pela cultura burguesa que anula o indivíduo, sem que ele sequer perceba.

Ainda bem que, como diz o texto da revista, de vez em quando alguém se dispõe a nos revelar um pouco de nós mesmos e gritar por meio das formas primitivas e essenciais da arte o que a sociedade tem feito de cada um de nós, ou, o que ela sequer precisa fazer!

Veja trecho de duas reportagens sobre o assunto e logo abaixo o trailler do filme:

2/3 da população não têm benefícios
Da Agência Brasil

rasília – A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois terços da população mundial, ou seja 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. Apenas 15% dos desempregados no mundo recebem seguro-desemprego. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex- presidenta do Chile.

Bachelet pretende apresentar o estudo completo durante as discussões da cúpula do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias mundiais), em Cannes, na França, nos dias 3 e 4. O relatório Uma Proteção Social por uma Globalização Justa e Inclusiva destaca que, por meio da garantia dos benefícios sociais, é possível avançar economicamente e atenuar as tensões sociais. (Texto completo)

A classe média sofre
Por Matheus Pichonelli

Não se sabe quando teve início nem quando se banalizou. Mas o processo de idiotização da classe trabalhadora está de tal maneira incorporado nas ruas das nossas cidades que, de vez em quando, alguém precisa falar sobre o assunto e lembrar que a coisa está feia. No cinema, as duas principais tragicomédias que conheço sobre a crise – não só da economia, mas de ideias para se encarar a crise – são “O Grande Chefe”, de Lars Von Trier, e “A Era da Inocência”, de Denys Arcand. Dois filmaços sobre como fingir estar tudo certo mesmo quando tudo desmorona, e um prato cheio para quem já se tocou que, diferentemente dos guias de auto-ajuda, ninguém vai mudar nada no mundo pensando positivo, criando métodos de motivação ou repetindo mantras sobre como podemos ser felizes trabalhando cada vez mais por menos. Ou disfarçando nossa vida de vassalo, de quem come lama e agradece, buscando distração com as viagens no fim de ano.

Mais ou menos na mesma linha vão os também ótimos “Amor sem Escalas” (apesar do título) e “Ilusões Óticas”. Pois no meio da entressafra de filmes brasileiros, que pareciam picados pela mosca da preguiça com títulos insossos (de “Salve Geral” a “Meu País”, passando pelos longas inspirados no espírito de André Luiz) acaba de sair uma pérola. “Trabalhar Cansa”, o primeiro longa-metragem da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, é um exemplo raro de como boas ideias não precisam de grandes frufrus para serem originais. O filme, que transita o tempo todo entre a comédia, o drama e o terror, parece beber no realismo fantástico que fez da literatura latina referência na ficção. Só parece: porque tudo ali é idiotamente real. (Texto completo)

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LIMITE, DE MÁRIO PEIXOTO, PODE SER VISTO COMO UMA GRANDE METÁFORA DO BRASIL

À deriva, cena de Limite

O cinema mudo brasileiro atinge sua expressão máxima quando, em 1931, Mario Peixoto (então um jovem com pouco mais que vinte anos) lança sua obra-prima, o longa-metragem Limite, que acabaria sendo seu único filme concluído. Sob todos os pontos que se olhe, Limite é uma obra de vanguarda, que traz à tona uma estética completamente diferenciada seja no ritmo, na fotografia ou na montagem.

O próprio nome do filme e todo o conteúdo que nele se desenrola parece dialogar com um regime das formas que operam no limite e que estão em obras capitais do cinema, das artes pláticas e da literatura nacional. Poderíamos pensar em limite como “o momento infinistesimal e inapreensível onde o mesmo passa no outro e o ser passa no não ser”. Seria o limite o instante mortal, o inefável por excelência posto que não pode ser exprimido, a evanescência infinita, o momento onde tudo se volatiza e converge para o nada, onde impera o regime do transe, do adormecimento, onde oscila-se eternamente entre o eu e o outro.

No filme de Mário tudo parece habitar esse instante mortal. A desolação das personagens impossibilitadas de possuir e encontrar a si mesmas, sempre projetadas no outro, nos seus desejos ou na própria água sobre a qual navegam. A canoa, a nau (dos loucos), o barco aparentemente sem destino, faz-nos lembrar de outras canoas como a do velho do conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa, o habitante do limite por execelência, o que se muda para uma terceira margem inexistente e ali fica sem nunca aportar.

A estética do filme se constitui por reflexos, por duplos, o que mais uma vez nos remete a esse universo do limite onde se está sempre entre uma coisa e outra, a habitar o limiar, a fronteira. Da mesma forma, a atmosfera parece quase como uma névoa, que permite a distinção, mas não permite ao mesmo tempo. Tudo oscila perpetuamente em delirante transe, em fugaz adormecimento.

Poeta Paulo em Terra em Transe

Falando em transe, não há como não lembrar do clássico Terra em Transe, de Glauber Rocha. Apesar de Glauber ter dito, em 1963, que Peixoto estava “longe da realidade e da história” e que seu filme (sem tê-lo visto) era “incapaz de compreender as contradições da sociedade burguesa”, a estética de Terra em Transe ao expor as especificidades e ambivalências de um país frustrado nas suas tentativas de mudança e revolução. Um país eternamente a oscilar entre a violência e a ternura, sem nunca alcançar a síntese de sua própria história, em um perpétuo estado de transe, aproxima-se das formas fluídas e hipnóticas de Limite.

Além disso, a morte, figura central em Terra em Transe, parece rondar os personagens deste Limite, de Peixoto, que dão sempre a impressão de precipitar-se para ela, assim como o herói trágico por influência da desmedida (Hybris) precipita-se na perdição, experenciando o limite e rompendo a fronteira entre cultura e natureza em busca de estados outros.

E pode-se ir ainda mais longe pensando que os desejos e as impossibilidades das personagens são as impossibilidades da própria história nacional, cuja ambivalência específica só pode ser traduzida sob as formas que operam no limite. Se qualquer obra de arte, seja ela um filme, um livro ou um quadro quiser de fato dizer algo sobre o Brasil, ela não o fará a partir de uma base sólida, exprimível, pois assim ela perderá totalmente a eterna precipitação nacional, daí talvez os motivos para a ironia de Machado, para a metafísica de Guimarães, para os ectoplasmas de Clarice, para a loucura de Glauber, para a ousadia de Peixoto.

Abaixo, cenas iniciais do filme:

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“O DIA EM QUE EU NÃO NASCI”, FILME DO DIRETOR FLORIAN COSSEN, MOSTRA COMO A DITADURA APAGA PARTE DA MEMÓRIA DAS PESSOAS AFETADAS POR ELA

A quase inexistência de um período da vida daqueles que são vítimas das ditaduras, aumenta ainda mais a importância de um projeto como a Comissão da Verdade, em discussão no Brasil

Da Carta Capital

Eles têm o direito de saber
Por Matheus Pichonelli

Há uma pergunta recorrente ouvida por Maria durante sua estadia forçada em Buenos Aires em “O Dia Em Que Eu Não Nasci”, filme do diretor Florian Cossen que acaba de entrar em cartaz em São Paulo. “Lembra-se?”, perguntam tia, tio e amigos sobre episódios da infância da personagem interpretada por Jéssica Schwarz. Um passado que ela nem sonhava que existia.

Maria se esforça, mas não se lembra. Nadadora alemã, ela faz uma conexão na capital argentina durante uma viagem rumo a Santiago, no Chile, quando perde o voo e se vê obrigada a estender sua passagem pela cidade. Ainda no aeroporto, ela ouve uma mulher ao seu lado ninar o filho com uma canção em espanhol. Pode parecer um detalhe. Mas o som do que acontece ao lado só é captado após retirar os fones do iPod dos ouvidos. Quase no mesmo instante, a música transporta Maria a algum canto da primeira infância que a leva a uma crise de choro que, a princípio, não entende – como era possível saber de cor a letra de uma música numa linguagem que ela não domina?

Essa é apenas uma das muitas perguntas que a levam a permanecer na cidade até começar a desvendar o mistério: Maria, na verdade, não é alemã, mas uma argentina cujos pais desapareceram durante a mais sangrenta ditadura da história do País.

A partir de então, uma série de questionamentos passa a ser levantada: quem são seus verdadeiros pais? Como viviam? Quem é sua verdadeira família? Como foi parar na Alemanha? Como os pais adotivos entraram na história?

A passagem por Buenos Aires, que mudaria pra sempre sua vida (ou a antiga projeção de vida) a leva a conhecer a família dos verdadeiros pais, e parte de uma infância que desconhece. Numa casa simples de subúrbio, caixas com pertences, áudios e fotos são guardadas em memória de uma sobrinha que desaparecera nos anos 1970, na mesma época em que os pais foram sequestrados, e de quem nunca mais se teve notícias. Os tios que sobreviveram à ditadura contam a ela detalhes sobre sua vida anterior: os brinquedos, músicas e lugares favoritos. A cada episódio, Maria é perguntada: “Lembra-se?”. (Texto completo)

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QUANDO SENTIDOS E DESEJOS VIRAM MERCADORIA: 1,99 UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS

As tradicionais lojas de 1,99 vendem inúmeros produtos, nem sempre por 1,99, mas por valores relativamente mais baixos do que encontramos em supermercados ou lojas tradicionais. Em uma loja de 1,99 há um pouco de tudo. Geralmente, a porta de entrada é pequena, estreita, mas, à medida que os passos avançam, os corredores se multiplicam, as entradas formam-se umas à partir das outras, desenha-se um labirinto de consumo, variedade, onde cabe um pouco de tudo e onde se tem a ilusão de ali encontrar tudo.

A descrição de uma loja de 1,99 talvez se pareça muito com o retrato do mundo contemporâneo. Um lugar que, à primeira vista, parece simples, dominável, mas que depois vai se multiplicando, abrindo muitos caminhos e formando um labirinto lotado de opções, abarrotado de coisas, vozes, pessoas, apelos, marcas e, de repente, vazio, sem nada.

O que falta nesse mundo? Talvez sentido? O que acreditamos ser capaz de nos dar todas as respostas e todos os sentidos? As palavras? Então, porque não um desses 1,99, cheios e misteriosos, mas, dessa vez, de palavras. Um lugar onde elas esperam nas prateleiras por mãos ávidas em tomar posse daquele sentido representado por elas, daquele desejo que elas prometem realizar, daquela memória que elas prometem clarear.

Isso mesmo um mundo claro, iluminado, branco. A mesma luz do renascimento, do iluminismo, da idade do saber, da razão e do conhecimento (obtidos por meio da palavra), em oposição a um mundo escuro, onde reinam as trevas da ignorância, a vertigem do caos. Cores formando significados, o mundo da palavra incorporando as suas múltiplas significações textuais, o homem consumindo o último reduto de sua suposta identidade.

A palavra tornando-se, de fato, um produto! Vale a pena ver os dois trechos iniciais do filme de Marcelo Masagão que, assim como grande parte de suas produções, mantém a linha de ácida crítica à sociedade atual, seus valores e opções comportamentais, sempre com um requinte estético e artístico que começa no musical e evolui para a exploração semiótica do mundo.

Em 1,99 Um supermercado que vende palavras, contrapõem-se o mundo das luzes e o mundo das palavras ao mundo da escuridão e do caos. Cabe a quem reparar, refletir se talvez não fosse o inverso, afinal, haveria claridade de saber em um mundo onde as palavras e os desejos são vendáveis? Ou, na verdade, a claridade que ele coloca seria de entorpecimento, cegueira e ilusão?

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TRÊS PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS BASEADAS NA OBRA DE RENATO RUSSO PROMETEM REVELAR UMA BRASÍLIA CONTESTADORA QUE MUDOU A HISTÓRIA DO ROCK NACIONAL

Renato Russo em entrevista para o documentário Rock Brasília – Era de Ouro

A bela poesia de Renato Russo em breve ganhará a tela dos cinemas brasileiros. Três produções baseadas na sua obra musical estão em fase de produção e devem ser lançadas ainda este ano. A primeira delas, o longa-metragem do cineasta brasiliense René Sampaio, Faroeste Caboclo, é baseada na clássica canção do Legião Urbana do mesmo nome que conta a história do “bandido temido destemido” João de Santo Cristo, apaixonado pela menina linda Maria Lúcia, que tenta a sorte no Distrito Federal.

O segundo longa Somos Tão Jovens é dirigido por Antonio Carlos da Fontoura e fala sobre a adolescência de Renato Russo, um período onde foram gestadas grande parte de sua futuras composições. E, por fim, o documentário Rock Brasília – Era de Ouro, do cineasta Vladimir Carvalho, capta por meio de imagens, documentos e depoimentos um dos momentos mais instigantes da história do rock nacional, os anos 1980, onde bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, surgiram no solo da capital federal e logo espalharam seu som crítico, poético e social por todo Brasil conferindo, de fato, um novo tom à música nacional.

Toda uma geração espelhou suas histórias nas aventuras de João de Santo Cristo, seus amores, sonhos, medos e angústias nas belas composições de um ídolo que com ótimas letras e um inconfundível som de violão falou como poucos de um país, de uma cidade, de um tempo traduzido por ele em forma de canção. Agora, temos a chance de assistir a algumas de suas histórias, de relembrar ou conhecer muitas delas pela primeira vez e, principalmente, temos a chance de divisar uma Brasília cheia de música e vibração, uma Brasília que ia além da política, fazendo desta última uma delicada forma de arte.

Um pouco mais sobre os filmes baseados na obra de Renato Russo pode ser visto em texto publicado pela Carta Capital de Alex Rodrigues, da Agência Brasil.

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5ª MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS NO RIO ENVOLVERÁ DE FORMA DIRETA A COMUNIDADE

A comunidade invade as telas!

Fazer com que a cultura chegue até onde o povo está. Fazer com que jovens que nunca refletiram sobre a realidade política, histórica e social do seu país tal como ela aparece nas telas do cinema possam, enfim, realizar este movimento. Parece ser esse o objetivo principal da 5ª edição da Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Rio de Janeiro. Além do Rio, a Mostra também acontece em 20 capitais brasileiras, mas especificamente em solo carioca ela terá um diferencial: a inserção direta da comunidade por meio de debates em torno dos temas abordados nos filmes que compõem o evento.

Os filmes que farão parte da edição desse ano no Rio contemplam uma diversidade de temas divididos em dois núcleos principais: Retrospectiva Histórica – Direito à Memória e à Verdade, que reúne títulos sobre fatos e consequências das ditaduras militares nas décadas de 60 a 80 na América do Sul; e Contemporâneos, que traz produções inéditas sobre uma ampla variedade de temas, como direito à terra e ao trabalho, diversidades étnica e religiosa, direitos dos povos indígenas, dos afrodescendentes, das pessoas com deficiência, cidadania LGBT e refugiados.

Estudantes e moradores de três comunidades carentes que contam com a presença das UPP’s (Unidade de Política Pacificadora) terão transporte gratuito para chegar até os locais do evento e os que comparecerem aos debates e assitirem a pelo menos 30% dos filmes exibidos também terão direito a um certificado acadêmico emitido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), uma das organizadoras dos debates juntamente com o Grupo de Pesquisa Direito e Cinema.

Sem dúvida alguma, uma ótima iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e da Cinemateca Brasileira, responsáveis pelas realização e produção do evento respectivamente. A participação efetiva das comunidades e, especialmente dos jovens, faz com que os filmes exibidos e as discussões feitas não se restrinjam aos mesmos grupos de sempre, ampliando a dimensão e o alcançe da arte, inserindo-a dentro do prisma de possibilidades daqueles que nunca a divisaram em seus horizontes.

Sucesso!

Veja trecho de matéria publicada no site da Agência Brasil:

Mostra Cinema e Direitos Humanos no Rio terá debates e participação de moradores de comunidades
Por Paulo Virgílio

Rio de Janeiro – A programação carioca da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, que acontece este ano em 20 capitais brasileiras, terá um diferencial em relação à de outras cidades. Paralelamente à exibição de 41 filmes, entre clássicos, premiados e inéditos, de 30 de novembro a 5 de dezembro, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, serão realizados debates sobre temas abordados em alguns dos títulos da mostra. Moradores e estudantes de comunidades que vivenciaram uma história de violência poderão assistir aos filmes e debates, como resultado de um trabalho de mobilização da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.

A mostra é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira, patrocínio da Petrobras e apoio local da secretaria estadual. Na abertura, às 19 horas do dia 30, será exibido o documentário Perdão, Mister Fiel, de Jorge Oliveira, premiado como melhor filme pelo júri da Câmara Legislativa no Festival de Brasília do ano passado. O filme aborda a morte sob tortura do operário Manoel Fiel Filho, nos porões da ditadura, em 1976, em São Paulo, e discute o apoio dos Estados Unidos aos regimes militares da América do Sul, naquele período. (Texto Completo)

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Explosivo! Não há outra palavra que defina melhor Tropa de Elite 2. O filme é uma combinação de fatores que levam ao sucesso. Não há como não sair da sala de cinema sem dizer algo do tipo “faz tempo que não vejo um filme tão bom assim”! Tropa de Elite 2 não é apenas bom, é um retrato urgente, bem feito e essencial da realidade social do nosso país.

Estrelado por Wagner Moura, que vive uma de suas melhores atuações, e muito bem dirigido por José Padilha, o filme estremece logo nas primeiras batidas da música tema deste sucesso de público e bilheteria que, felizmente, não fica só no sucesso comercial. De vez em quando, aparece na indústria cinematográfica esse tipo peculiar de filme que lota salas de cinema com todos os tipos de pessoas, de todas as classes sociais, de todos as ideologias e idades e que bate recordes de arrecadação sem precisar sacrificar o conteúdo, a relevância social da obra.

O filme é, de fato, social e humano do início ao fim sem cair em um discurso politicamente correto. As cenas rápidas e bem enquadradas, a narração em off bastante próxima e precisa do Coronel Nascimento, a trilha sonora que pulsa e desperta, os tiros que explodem no fundo da tela de cinema e de repente caem mudos na alma de quem os observa, a combinação de fatos sociais e políticos externos à narrativa dos dramas pessoais do personagem principal unidos pelo mesmo elo da violência, tudo isso faz desta sequência nada menos do que imperdível.

Tropa de Elite 2 é ainda melhor que o primeiro. Neste, ainda havia a novidade, a exposição crua da violência nas favelas, no coração dos morros, na corrupção dos homens. Agora, passada a primeira impressão, a sensação é que os temas sociais puderam ser ainda mais aprofundados e o filme ganhou em relevância política e social sem ter que apelar para cenas e falas julgadas demasiado autoritárias na primeira edição. Parece que agora há mais história pra contar.

Não deixe de ver!

Prova disso está no fato de que Tropa de Elite 2 disseca de forma muito mais sutil e inteligente do que o primeiro tudo aquilo que escorre pelas vielas podres do poder público brasileiro, ou seja, o filme não expõe apenas a polícia carioca, seus vícios, sua corrupção, e sim todo um sistema de poder e interesses que sai das delegacias nas favelas e vai até os gabinetes do poder no Estado e em Brasília. Daí a abrangência da temática, o sucesso do enredo.

São vários os temas deste Tropa de Elite 2. Logo nas cenas iniciais, o filme mostra a realidade de um presídio de segurança máxima no Brasil, a tensão dos interesses, a iminência da morte, o desrespeito à vida humana. Surge uma camiseta com escritos em defesa aos direitos humanos manchada de sangue e a partir daí o filme parece mostrar por trás de cada ato de corrupção praticado pela polícia e pelo poder público como quem sempre paga a conta são os inocentes ou, simplesmente, o homem!

Depois, o enredo vai se desenrolando de forma muito natural e bem construída até chegar na formação das milícias nas favelas cariocas. O espectador acompanha tudo, desde a formação dessas verdadeiras máfias que, como bem diz Fraga, o intelectual de esquerda do filme, assim chamado pelo Capitão Nascimento, servem apenas para defender os moradores delas mesmas! É impressionante ver como o bem aparente apenas é o melhor caminho para fazer o mal ou esconder a sujeira debaixo do tapete.

O filme acerta ao dissecar a milícia e sua forma de organização, pois, se pensarmos bem, grande parte do poder público brasileiro segue a mesma lógica de funcionamento destas organizações. Liberta enquanto na verdade sufoca, protege enquanto na verdade condena, faz festa enquanto na verdade faz cofre! Além disso, ao falar das milícias, o filme ironiza quase tudo que vai pela sociedade e faz parte dos jogos de poder.

Os políticos são expostos em todo o ridículo de sua cara de pau e falsidade. A mídia aparece como a única coisa que o poder respeita e, ao mesmo tempo como um vil e desumano instrumento desse mesmo poder. Dispensa comentários a cena em que um editor, depois de ter uma jornalista assassinada pelos policiais que comandavam uma milícia, simplesmente se nega a noticiar o fato e dá como justificativa estar a jornalista apenas cumprindo o seu trabalho e ser o jornal dependente do governo. Uma cena rápida que resume a situação da velha mídia brasileira. Partidária e covarde.

E as críticas à mídia não param por aí. Elas se estendem a um apresentador de um típico programa sensacionalista que de tão ridículo e exagerado contribui para dar o tom humorístico do filme. O apresentador faz rir enquanto se pensa nos modelos que formam a população brasileira por meio da televisão. Modelos prontos, sem nenhum conteúdo, que gritam por justiça enquanto andam em cima de corpos queimados.

No tempo em que  os dramas de desenrolam, as armas disparam e as mortes se sucedem, somos apresentados a um Capitão Nascimento que expulso do Bope passa a integrar o serviço de inteligência do sistema de segurança do Rio de Janeiro, convive com a separação da mulher, os conflitos com o filho, a morte de um amigo, as inquietações que rondam a sua profissão, a dificuldade em se manter inteiro e honesto em meio aos escombros que restaram da polícia e da política do Rio de Janeiro e a vontade de enteder e vencer o dito “sistema”.

O filme tem vários momentos fortes, mas, sem dúvida alguma, um dos mais emocionantes é o depoimento de Nascimento na CPI aberta por Fraga, que torna-se deputado, para investigar a corrupção nas milícias cariocas. O depoimento, que acontece ao mesmo tempo em que seu filho encontra-se no hospital vítima de uma bala de pistola, como ele mesmo diz, é o momento em que ele se interroga diante da pergunta do filho “pai, por que você mata as pessoas”? e também se interroga, interrogando a todos nós, “quem sustenta todo o sistema”?

Para a primeira pergunta ele diz não ter resposta. O que fala é apenas o silêncio mudo de alguém que sofre e sonha. Para a segunda, ao certo existe uma resposta, embora essa existência não seja sinal de que a resposta realmente fale e transponha o silêncio que a mascara enquando a mudança demora.

Mudos ou explodidos, é urgente assistir a este belo e forte filme. Fazendo juz ao nome deste espaço de comunicação, ele não deixa de ser uma Educação Política em todos os níveis e sentidos!

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