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EM 2011, 2,7 MILHÕES DE BRASILEIROS MIGRARAM PARA A CLASSE C, DA QUAL JÁ FAZ PARTE MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO NACIONAL

Maioria da população já está na classe C

Em 2011, a classe C passou a representar mais da metade da população brasileira (54%). Isso porque no último ano, 2,7 milhões de brasileiros saíram das classes D e E e migraram para a classe C, como mostra notícia publicada pela Agência Brasil. Além disso, 230 mil pessoas deixaram a classe média e entraram nas classes mais ricas (A e B).

Com isso, o desenho da distribuição dos brasileiros pelas classes sociais foi reconfigurado e a maioria da população não se encontra mais nas classes D e E, como acontecia até então. A renda familiar do brasileiro também cresceu, principalmente na classe C, já que nas classes A e B ela se manteve relativamente estável. No entanto, a renda disponível teria aumentado em todas as classes de forma geral, o que significa uma maior contenção de gastos segundo especialistas.

Com o crescimento da renda dos brasileiros o principal desafio continua sendo o da distribuição de renda, junto com a oferta de oportunidades visando pelo menos diminuir um pouco a imensa desigualdade social brasileira. E é aí que mora a parte mais complicada da questão.

Veja notícia sobre o assunto:

Classe C passou a ser maioria da população em 2011
Por Marli Moreira

No ano passado, 2,7 milhões de brasileiros mudaram o perfil de renda, saindo das classes D e E para integrar a classe C. Além disso, 230 mil pessoas deixaram a classe média e entraram nas classes mais ricas (A e B).

Com isso, em 2011, a maior da parte da população (54%) já fazia parte da classe C. Isso representa uma mudança em relação ao verificado em 2005, quando a maioria (51%) estava nas classes D/E. É o que mostra a sétima edição da pesquisa Observador Brasil 2012, feita pela empresa Cetelem BGN, do Grupo BNP Paribas, em parceria com o instituto Ipsos Publics Affairs.

O levantamento também revela um aumento, em comparação a 2005, da porcentagem de brasileiros na classe A/B. Hoje a porcentagem é de 22%, em 2005, era de 15%.

Consumo e renda

A pesquisa indica ainda que a capacidade de consumo do brasileiro aumentou. A renda disponível, ou o montante de sobra dos ganhos, descontando-se as despesas, subiu pouco mais de 20% (de 368 reais, em 2010, para 449 reais, em 2011) . Na classe C, houve um aumento de 50% (de 243 reais para 363 reais). (Texto completo)

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ENTRE QUIMERAS E CONTRADIÇÕES SAI A OPOSIÇÃO EM BUSCA DA NOVA CLASSE MÉDIA

Na nova pirâmide social classe C tem lugar de destaque

A maioria é formada por jovens que frequentam a universidade à noite e trabalham durante o dia, cujo grau de escolaridade vem subindo graças às oportunidades criadas nos últimos anos e também às características da sociedade da informação e do conhecimento, com renda mensal variando de mil a cinco mil reais e grande poder de influência nas suas comunidades. É assim que se desenha o perfil da nova classe média brasileira: a classe C.

Justamente nela tem se concentrado as atenções dos dois maiores partidos políticos brasileiros: PT e PSDB. Qual deles conquistará esse novo eleitorado que cresce em número e consciência política e social? Na corrida em direção aos corações e mentes da nova classe média dois fatos não podem deixar de ser notados. São eles o atual estado de declínio da oposição e a herança dos oito anos do governo Lula.

Sobre o primeiro deles, é mais do que evidente o processo de erosão político-partidária pelo qual passa a oposição que um dia pretendeu se eternizar no poder e realmente achou que essa previsão se confirmaria. O PSDB perdeu o rumo durante o governo Lula e perdeu por responsabilidade própria. A oposição desnorteou-se ao renegar seus feitos, ao tentar apagar um passado, ao fingir para si mesma que as privatizações nunca existiram enquanto privatizações, seriam elas qualquer outra coisa menos diminuição do patrimônio público em benefício do capital externo devido aos seus peculiares métodos.

O que esperar de uma legenda que renega a própria identidade? Ou melhor, será que ela tem mesmo alguma identidade? Reside aí, exatamente aí, a causa de todo desmoronamento da oposição. O interessante é que ela ainda se anima alertando a opinião pública em relação a uma possível ditadura de um partido único que o PT estaria em vias de instaurar no Brasil. E mais interessante ainda é que essa crítica à oposição entra em total contradição com o amparo máximo da oposição: os votos conquistados por Serra na eleição passada, como se estes fossem dela e ninguém mais tasca. Desconhecimento da personalidade humana ou afirmação de uma suposta realidade para suprir a falta de outra?

Enquanto a oposição vive de quimeras e ilusões, o governo Lula deixou ao PT uma ótima imagem. O partido agora pode carregar as conquistas de um governo de tirou muitos da pobreza, que incluiu outros tantos na universidade, que fez o país crescer com estabilidade, conquistas que em parte foram as responsáveis pelo surgimento desta nova classe média que agora se disputa.

Ela tem consciência de que chegou aonde chegou em parte pelas oportunidades oferecidas pelo último governo, mas também tem consciência de que no país ainda há muito o que se fazer. Portanto, aquele que afirmar sua identidade por meio de boas e necessárias ideias, tem mais chance de conquistar essa nova classe média.

Sobre o assunto, duas notícias, publicadas pela revista Carta Capital, ajudam a ampliar a discussão:

O declínio da oposição
Por Mauricio Dias

Com a vitória do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, em 1994, a embriaguês provocada pelo sucesso do Plano Real levou Sergio Motta, então ministro das Comunicações, a prever que o PSDB ficaria no poder por 20 anos (para isso não poupou forças e atropelou limites éticos). Preparou a emenda da reeleição de FHC e passou como um trator sobre a oposição ao catar votos a qualquer preço.

Elogiado como operador político e financeiro das campanhas eleitorais tucanas, Motta falhou no papel de oráculo. O planejado império tucano durou oito anos. Empurrado para o papel de principal opositor do governo petista o PSDB e, mais ainda, seus aliados sofreram um impacto ameaçador ao longo dos oito anos do operário Lula no governo. A vitória de Dilma acelerou o processo e o DEM (ex-PFL), por exemplo, vive um perigoso minguante.

O que explica a erosão político-partidária da oposição?

Reflexões mais profundas levariam à conclusão de que, sem enraizamento social, ela perdeu-se ao deixar o poder. Mas há circunstâncias contingenciais.

Os adversários do PT ficaram sem o norte, dizem em coro. É mais grave, porém, do que isso. Eles se desnortearam ao se apresentarem nas eleições tentando esconder o que fizeram: as privatizações que pressupunham a destruição das bases do “Estado brasileiro” para soerguimento de um “Estado mínimo”, globalizado e sem soberania. (Texto Completo)

O poder da maioria
Por Soraya Aggege
Em 2014, a classe C vai concentrar 57% do eleitorado. Quem tem mais chances de conquistá-la?

Vanessa Antonio, a garota da capa, é o novo alvo típico das pretensões eleitorais dos partidos hegemônicos no cenário político: PT e PSDB. E também de grande parte das empresas. Aos 20 anos, ela integra a porção jovem dos 31 milhões de brasileiros recém-instalados no meio da pirâmide social, com renda familiar mensal entre 1,5 mil e 5 mil reais. Vanessa e outros milhões de jovens das periferias começam a desempenhar o papel de principais formadores de opinião da chamada “nova classe média”. Os efeitos desse fenômeno ainda não foram totalmente medidos, mas os especialistas não têm dúvida: as mudanças na pirâmide social, com a consolidação da hegemonia da classe C, já começaram a alterar velhas tendências, do consumo e das eleições. A estimativa é de que, em 2014, esse estrato represente 57% do eleitorado obrigatório (de 18 a 69 anos), ou 71 milhões de votos. Desse total, 44% terão entre 18 e 34 anos e níveis de escolaridade e renda em rápida ascensão, o que aumentará a sua interlocução e influência nas comunidades.

Não foi à toa que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva travaram nos últimos dias uma guerra verbal acerca da conquista desse eleitorado. O PT e o PSDB têm gastado tempo e dinheiro em pesquisas, análises e projetos que os ajudem a entender melhor o que quer essa multidão emergente que acorda cedo para trabalhar, lota as faculdades à noite, come macarronada com
frango aos domingos ao som de Ivete Sangalo e ainda reserva uma parcela da renda para o dízimo, principalmente aquele cobrado por igrejas neopentecostais. (Texto Completo)

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