Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: classe média

Panelaço: o antropólogo Darcy Ribeiro mostra as panelas da ‘corrupção senhorial’

O antropólogo Darcy Ribeiro, o realizador ao lado de Leonel Brizola do projeto de escola integral inspirado no educador Anísio Teixeira, definiu como ‘corrupção senhorial’ uma contradição presente nas classes dominantes brasileiras e que está exposta nessa atual cruzada conservadora das elites brasileiras, seja no Congresso ou nas More…

Enquanto classe média baba, evangélicos conservadores tomam o poder no Brasil

A briga alimentada pela grande mídia entre PT e PSDB já dura 12 anos. A grande mídia e setores conservadores acreditam a cada eleição que vencerão os laços petistas na sociedade brasileira e comprometem assim uma discussão mais ampla sobre a política.
Destilam rancor com colunistas e fazem todo tipo de malabarismo jornalístico para recuperarem o poder. Enquanto isso (continue lendo…)

Educação e classe média: a pirita de Aécio Neves

Quando Aécio Neves iniciou seus movimentos na campanha eleitoral deste ano (2014), decidiu recuperar o PSDB que não esconde suas políticas neoliberais. Diferente dos últimos dois candidatos do partido à presidência, que esconderam durante a campanha Fernando Henrique Cardoso (FHC) e sua política agressiva de privatizações e Estado mínimo, Aécio corajosamente resolveu (Continue lendo…)

CLASSE MÉDIA SOFRE: UMA MELÔ PARA QUEM NÃO QUER MÉDICOS ESTRANGEIROS

OS GOVERNOS DE LULA E DILMA ROUSSEFF E A ORIGEM DO ÓDIO DA CLASSE MÉDIA

SEM BASE

Por Guilherme Boneto
Especial para o Educação Política

A Classe média e Dilma

A Classe média e Dilma

Grande parte da classe média de São Paulo não pensa o Brasil. Trata-se de um fato lamentável, porém real e palpável: a média-elite crê piamente que a política deve beneficiá-la, e tão somente a ela. Vê como bom gestor apenas o governante que maquia, reforma locais públicos, deixa a cidade mais bonita, que afasta os viciados em crack da Estação da Luz e atira bombas de gás lacrimogêneo para liberar a Avenida Paulista à passagem de automóveis. A classe média é terrivelmente classista. Não se importa com a periferia, com os pobres, com a fome, com a exclusão social. Seus membros acreditam que tudo pode ser conquistado à base de muito trabalho, e trava esse diálogo horroroso no intervalo para o cafezinho de todas as manhãs no escritório. De igual modo, ela acha que as universidades públicas devem estar à disposição de quem estuda e se esforça para passar no vestibular, e se posiciona categoricamente contra cotas. Acredita ser a infeliz mantenedora dos programas sociais do governo federal, pagos com seus impostos tão duramente conquistados. E ao final de cada dia, assiste ao programa do Datena e ao Jornal Nacional, para se manter bem informada.

Cansa ser de classe média, paulista, e se posicionar à esquerda. É uma batalha travada a cada dia, e se perde muito. Torna-se necessário lutar contra uma convicção horrível, egoísta, preconceituosa e terrivelmente elitista, contra um pensamento sem base, espelhado numa reflexão sem visão de mundo, sem visão do que é o Brasil. Resumido em fatos, nosso país é uma imensa nação, que hoje, caminha para se tornar majoritariamente de classe média. Ao assumir a presidência, em 2003, Lula enxergou nos pobres a base de um desenvolvimento sólido, a ser construído no longo prazo. Criou programas de inclusão social reconhecidos em todo o mundo, exceto em São Paulo. Tornou lei as cotas para negros, pardos e alunos de escolas públicas, e criou o PROUNI – ambos são, hoje, uma porta de entrada para os pobres na universidade. Lula – e Dilma, em menor escala – tirou da pobreza nada menos que trinta milhões de brasileiros, um bando de vagabundos, sob a concepção da classe média.

São Paulo faz questão de não enxergar o que está diante do nariz. O Brasil não se parece com São Paulo, um Estado rico, onde há oportunidades para todos, salários melhores com qualidade de vida equiparável a determinadas nações europeias. O pensamento médio-classista crê que todos os brasileiros têm as mesmas chances dos paulistas, que graças às excelentes e sucessivas gestões do PSDB, assistem a uma sistemática piora em vários setores sociais, entre eles a educação e a segurança pública. Não há escritórios no sertão da Paraíba. Não há bons colégios nos confins do Maranhão. Nem computadores para distribuir currículos no extremo norte de Minas Gerais. Essas regiões precisam de incentivos. O que Lula fez, e o que Dilma segue fazendo, é alterar toda a estrutura social do Brasil, e isso é o que revolta a classe média em São Paulo. Não será preciso esperar muito mais para ver os resultados dessa política. Hoje, já é difícil encontrar trabalhadores braçais. Não há pedreiros, empregadas domésticas, encanadores, eletricistas, pintores. Quando se encontra um, o valor cobrado é alto e justo, por um trabalho difícil e custoso. Que horror! Onde estão as mocinhas dispostas a limpar a casa e cuidar das crianças por um salário mínimo? Agora querem estudar! Com o nosso dinheiro!

Essa gente odeia o Brasil de Lula e Dilma, porque a proposta dos governos do PT não é maquiar o país ou expulsar os viciados em crack do entorno da Estação da Luz, mas causar mudanças no conteúdo, e não na forma. As conquistas dos governos progressistas que o Brasil teve a felicidade de eleger estão aí, visíveis. A mesma classe média que sofria à época de FHC hoje pode comprar um automóvel próprio, viajar de avião, financiar o primeiro imóvel. Mas a classe média pode fazer isso mais do que os pobres. Porque ela trabalha duro nos escritórios aqui de São Paulo, e mexe o dia todo com papéis entre uma crítica a Lula e outra a Dilma. Críticas são louváveis, porém quando não há base para sustentá-las, elas se transformam nas mais escabrosas manifestações de raiva, como a que ocorreu recentemente em Brasília, na abertura da Copa das Confederaçõs, com as vaias direcionadas à presidente da República. Estão achando lindo. Mais lindo será daqui a dez ou quinze anos, quando a sociedade começar a colher os primeiros frutos do trabalho árduo que o PT vem realizando em nosso país. A ver.

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CONFLITO DE GERAÇÕES: O DIÁLOGO IMPERTINENTE E REVELADOR ENTRE PAI E FILHO SOBRE POLÍTICA E MÍDIA NO BRASIL

Quais são as vozes da classe média?

Essa é uma história real e reveladora da relação entre política e mídia no Brasil. Os nomes das pessoas que viveram essa situação e também alguns detalhes serão preservados porque não faz sentido revelar e também não acrescenta nada ao contexto. O importante é a incrível situação que reflete bem o que acontece no Brasil atualmente.

Temos uma geração de jovens por volta dos 20 anos que vive na internet, mas seus pais na casa dos 40 e 50 sentem um pouco de dificuldade, principalmente aqueles cuja profissão não exigiu conhecimento razoável em informática e computação.

Esse é o caso de Roberto, que tem cerca de 50 anos, e é dono de um pequeno, mas bastante lucrativo mercado em uma cidade média do estado de São Paulo. Além desse mercado, herança dos pais, Roberto administra outros negócios da família, como imóveis e uma loja. Como único filho homem, que nunca quis estudar muito, logo acabou assumindo os negócios da família e, com a morte do pai, acabou tendo responsabilidade sobre as atividades, que não são poucas. Apesar de desistir da faculdade, Roberto nunca se negou ao trabalho, gosta de fazer. Acorda cedo e toca o mercado e outros negócios até à noite.

Roberto há muito tempo assinava a Revista Veja, mas cancelou a assinatura há cerca de três anos quando um dos filhos, Pedro, entrou na faculdade e logo nas primeiras férias em casa disse ao pai que deveria cancelar a assinatura da revista. “Essa revista é idiota, manipula a informação”, disse. Aquele período era um momento especial para a revista Veja, que estava sendo pautada pela relação com Carlinhos Cachoeira, mas ninguém ainda sabia. Roberto, que tinha orgulho do filho na faculdade, resolveu cancelar a revista. E manteve a assinatura da Folha de S.Paulo que não sofreu restrições do filho.

Isso aconteceu há dois ou três anos mais ou menos. Até hoje Roberto recebe a revista Veja em casa, desde que deixou de pagar. “Já liguei duas ou três vezes para a revista para dizer que não precisam mais mandar, mas eles continuam mandando”, disse Roberto, resignado, ao filho no último final de semana.

Isso aconteceu no meio de uma discussão política, quando Roberto decidiu perguntar ao filho em quem ele iria votar nesse segundo turno.

“Vou votar no PT, o candidato é muito melhor que o do PSDB”, disse Pedro.

“Mas como você vai votar no PT? Eu não gosto do PT. Olha a sujeirada do Mensalão, tá todo o dia no jornal, na TV”. Você vai votar no PT ainda?”

“Vou sim pai. O PSDB é muito pior”.

“Eu não vejo nada de errado com o PSDB”

“O José Serra, candidato em São Paulo, é horrível”

“Como horrível? Não existe nada contra ele”, arguiu Roberto.

“Você já ouviu falar do Mensalão tucano, da Privataria Tucana?”

“Não, o que é isso? Não vi nada nos jornais, nem na TV. Mas sei muito bem desses petistas aí que você vai votar”

“É porque todos os jornais que você lê são ruins”

“A é? E qual é bom então? Você reclama de tudo”

“A Carta Capital é uma revista séria”

“Carta o quê? O que é isso? Nunca ouvi falar dessas coisas que você está falando”

“É, mas existem pai!”

“Vocês ficam inventando coisas…”, disse Roberto e encerrou a discussão se afastando. Apesar do final de semana, ele tinha mais o que fazer do que ficar discutindo com o seu filho rebelde.

ps: parece ficção, mas aconteceu esse final de semana.

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PARA O PRESIDENTE DO IPEA, MARCIO POCHMANN, QUE DISPUTARÁ AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS EM CAMPINAS, AINDA NÃO HÁ UMA NOVA CLASSE MÉDIA NO PAÍS

“O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmos erros”.

O economista Marcio Pochmann, atual presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e futuro candidato às eleições municipais de Campinas, publicou um novo livro, pela editora Boitempo, chamado A Nova Classe Média?, em que questiona se a mudança social ocorrida nos últimos oito anos realmente originou uma nova classe média no país.

No livro, que deve ser lançado no próximo dia 29, Pochmann delineia uma resposta negativa. O Brasil não teria ganho uma nova classe média no real sentido de classe, ou seja, minimamente consciente e cidadã. Para o economista, “os empregos gerados nos últimos anos criaram uma classe trabalhadora consumista, individualista e despolitizada”, diz em entrevista à revista Carta Capital.

Pochmann reconhece certo despreparo das instituições para lidar com essa nova classe em ascensão que, segundo ele, possivelmente liderará o processo político brasileiro. O problema é que ela já nasceu envolvida nos valores de mercado, e o número de afiliados a sindicatos, associações de bairro e mesmo ao movimento estudantil nas universidades não aumentou, ele explica. Ou seja, temos uma classe que consome, mas não participa das decisões, nem vê necessidade disso e, por outro lado, instituições que não sabem lidar com ela.

O fato da classe trabalhadora ser consumista não é apontado como algo necessariamente negativo por Pochmann. Ele diz que é um sintoma natural, mas se não for acompanhado de um processo de conscientização “essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente”.

Além disso, Pochmamm ressalta que esse movimento de ascensão da classe trabalhadora já dá sinais de esgotamento e que o governo deve buscar outras maneiras de gerar empregos. A geração de empregos com rendimento mais baixo e as consequentes políticas de aumento do salário mínimo são consideradas pelo economista uma ótima opção tomada pelo governo, pois se fossem gerados empregos de classe média, essa classe que ascendeu não teria ascendido. No entanto, ele diz que agora a prioridade deve ser a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva e aí sim, a inovação tecnológica que deve acompanhar o aumento da produção vai exigir maior qualificação e gerar salários melhores.

Sobre o fato de estar tentanto sua primeira eleição, Pochmann diz que em virtude das mudanças específicas que o Brasil vem atravessando nos últimos anos “existe uma necessidade de renovação do PT, especialmente quando o partido está no auge ainda”. E à respeito da recente crise política na cidade de Campinas, onde ele deve disputar as próximas eleições para prefeito, ele diz que quer “ser um candidato do futuro, ter respostas para a sociedade. O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmos erros”.

Veja trecho da entrevista que Pochmann concedeu a Piero Locatelli na Carta Capital:

Marcio Pochmann: ‘Ascensão da classe trabalhadora dá sinais de esgotamento’
Por Piero Locatelli

CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?

Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje.

Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.

Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.

Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.

Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.

CC: Há uma explicação para isso?

MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.

CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?

MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.

Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.

CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…

MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.

CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?

MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores. (Texto Completo)

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