Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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PORTAL VERMELHO É O SITE DE PARTIDO POLÍTICO MAIS AVANÇADO NA CONCEPÇÃO DE ESPAÇO DE MEDIAÇÃO CULTURAL

Símbolo do Portal Vermelho O Portal Vermelho, do PCdoB, demonstra que o partido é um dos mais avançados no entendimento do que chamo de espaço mediador cultural. Esse é o tema que tenho trabalhado em pesquisas acadêmicas, desde que terminei minha tese de doutoramento no IFCH/Unicamp. Os artigos podem ser vistos na página Artigos Científicos deste blog.

De forma resumida, o espaço mediador cultural é um espaço de produção social intrínseco à sociedade, ou seja, que faz parte da sociedade, que a integra. Por isso, poderíamos enxergá-lo em outros períodos históricos. Se olharmos a história antiga e medieval, podemos conceber espaços mediadores culturais na ágora ateniense e na praça pública medieval. Basicamente, esses espaços físicos são mediadores culturais porque continham em seu interior uma polissemia de vozes, de ideias, de atos, de pensamentos, uma certa multiplicidade de ideologias, concepções e entendimentos da realidade sobre diversos e variados temas como, por exemplo, cultura, política, comportamento, economia, esporte etc.

Nas sociedades contemporâneas, a partir do desenvolvimento do capitalismo, expansão das cidades, da educação e da industrialização, esse espaço que era geograficamente determinado, por exemplo, uma praça ou uma casa de café, sofreu grande transformação.  Esses espaços foram substituídos (gosto de dizer capturados ou absorvidos) pela produção da indústria gráfica. Ou seja, todo aquele universo cultural presente no espaço físico da praça pública passou a ser contido em jornais, revistas, livros e, posteriormente, rádio e televisão.

O jornalismo é base teórica e histórica que permitiu essa transposição do espaço físico para o técnico, ainda que a imprensa não tenha conseguido se livrar de toda carga ideológica presente na linguagem. A imprensa, via jornalismo,  almejou ser um espaço como a praça pública medieval. Esse é um processo nascido dentro das energias utópicas presentes na Revolução Francesa de 1789, visto que era necessário à nova classe ascendente reter os anseios de todas as outras classes sociais. O jornalismo busca, para se legitimar perante as diferenças ideológicas sociais, ser um espaço mediador.

Quando falo do avanço do Portal Vermelho, estou dizendo que não basta diferenciar dois tipos de comunicação: opinativa (excessivamente ideológica, partidária) da informativa (menos ideológica, mais cultural no sentido amplo de cultura).  É preciso produzir essa diferença em espaços diferenciados.  O portal Vermelho ainda não faz isso, mas ele se livrou da exclusividade das matérias partidárias e, com isso,  começou a produzir espaços de comunicação.  Ainda que esteja tudo muito misturado dentro do portal, é uma diferenciação importante, porque montou uma estrutura jornalística de produção de conteúdo que vai além das questões ideológicas. O portal Vermelho começa a produzir incipientemente espaço de mediação cultural.

Para que fique mais claro como se dá essa diferenciação, podemos usar a TV Record. A Record está intimamente ligada a uma organização social religiosa, a Igreja Unirvesal do Reio de Deus, mas ela evita temas religiosos dentro da programação principal, ou seja, tenta produzir espaço com jornalismo, novelas, filmes, programas de auditório etc. Para as concepções religiosas, a Record usa outros espaços ou horários menos nobres. A Universal produz em duas instâncias de comunicação: a que trabalha interesses explicitamente da igreja e a que trabalha interesses diversificados com os recursos históricos engendrados pela imprensa e pelo  jornalismo.

Somente em momentos de conflito explícito como no caso da briga com a Rede Globo, há uma defesa das questões ligadas à religião,  mas esse é um momento excepcional da programação.

Da mesma forma se pode diferenciar a atuação do jornalista Paulo Henrique Amorim na Record e no blog Conversa Afiada. Amorim produz as duas instâncias da comunicação: a que trabalha interesses opinativos explícitos no blog e a que trabalha interesses diversificados e mediadores na Record.

A democratização da comunicação no Brasil talvez seja mais difícil pelo centro (política) do que pela beirada (conhecimento técnico e histórico). O dia em que movimentos sociais e organizações da sociedade civil começarem a produção de espaços de mediação cultural como uma nova instância social, ficará muito mais próxima a democratização da comunicação.

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