Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: cotas

HÁ ALGO DE COMUM ENTRE O DANIEL ACUSADO DE ESTUPRO E O DANIEL NEGRO QUE É CONTRA A COTA PARA NEGROS?

Todos estão em condições de igualdade

Daniel, o mesmo indivíduo que se pronunciou contra a cota para negros, foi acusado no BBB (Big Brother Brasil) de estupro. Tudo parece marketing, mas se não for, vale a pena pensar sobre esses dois fatos.

Há algo em comum entre os dois casos, isto é, entre o possível estupro e a negação da cota para negros?  Pode ser que não, mas provavelmente um indivíduo pensa e age de acordo com suas convicções. Acredito que coisas tão díspares podem ter um fundo próximo.

O que levaria um negro a ser contra a cota para negros? Pode ser uma opção política, visto que cota é um processo polêmico em qualquer situação. Particularmente, acho que as cotas são importantes como reparação histórica e devem ter um prazo determinado para se encerrar, talvez uma ou duas gerações.

No entanto, um negro contra as cotas normalmente é um negro em boa condição financeira. Dificilmente um negro em condição social desfavorável, que teve péssimas condições de estudo apesar de esforçado,  será contra a possibilidade de obter uma ascensão social por meio de cota, ainda que isso possa ocorrer. Afinal, o ideal seria o processo igual para todos se todos fossem iguais.

Mas quando diz que é contra cota. Daniel também diz que não há necessidade de reparação por 400 anos de escravidão de seus antepassados.  Ou seja, diz que não devemos colocar nas contas atuais o holocausto da escravidão negra.

 É um tipo de pensamento bastante liberal, defendendo que não há necessidade de compensação e que renega a história. É um pensamento que afirma que  não se deve se preocupar com outros negros em situações piores provocadas pela escravidão de antepassados.

Esse pensamento não deixa de ter um tom individualista, visto que os melhores (em condições históricas totalmente diferentes) devem competir como iguais. Ou seja, cada um que se vire.

Assim é também o pensamento liberal individualista em relação às mulheres. Um pensamento que vai questionar os direitos conquistados das mulheres e que impede novos avanços em defesa da mulher. Afinal, todos estamos em condições iguais: os negros, os homossexuais, as mulheres, as crianças, os anestesiados pela bebida e os espertos.

Leia mais em Educação Política:

TUCANODUTO DE FURNAS JÁ TEM ATÉ GRÁFICO COM AS PORCENTAGENS DOS GRUPOS DE SERRA, AÉCIO E ALCKMIN, QUE DISPUTAM A HEGEMONIA DO PARTIDO
CORREGEDORA DO CNJ, ELIANA CALMON, ABALOU AS ESTRUTURAS DO CENTRO IRRADIADOR DA DESIGUALDADE SOCIAL E ECONÔMICA

PESQUISA DA UERJ DESMITIFICA MUITAS DAS QUESTÕES LIGADAS ÀS POLÍTICAS AFIRMATIVAS DE ACESSO À UNIVERSIDADE

Durante o modernismo, a ideia de raça adquiriu uma função importante e foram plantadas algumas históricas divisões

Da Agência Educação Política

Dentre outras coisas, a pesquisa realizada pela UERJ, por meio de uma ampla radiografia das ações afirmativas nas 70 universidades públicas federais e estaduais, desmonta a crítica de que as cotas beneficiam majoritariamente negros de classe média. Dados da pesquisa mostram que das 40 universidades que adotaram critérios raciais na seleção de alunos, apenas quatro não possuem nenhum tipo de corte socioeconômico associado. Ao passo que 90% delas incluíram a necessidade de o estudante ser egresso de escola pública, possuir renda baixa ou ambos os critérios combinados.

Ou seja, o argumento de que as cotas são um tipo de medida racista que serve ainda mais para aumentar a divisão entre brancos e negros, cai por terra diante do fato de que as universidades levam em consideração muito mais os fatores socioeconômicos do que a cor da pele. As medidas afirmativas revelam-se assim sociais e não raciais.

A pesquisa também revela que 40 das 70 universidades públicas estaduais e federais adotaram ações afirmativas para incluir determinadas etnias. Há, neste sentido, uma evidente preocupação em fazer com que na universidade, espaço público e universal por excelência, convivam pessoas de diferentes culturas e tradições que possam, em última instância, trocar valores e experiências e não, como dizem os mitificadores das ações afirmativas, gerar conflito ou ódio racial por parte de alunos brancos que se sentem prejudicados com as cotas.

Pesquisas como a da UERJ vão aos poucos desmontando muitos dos estereótipos que existem em relação às ações afirmativas de inclusão nas universidades. O importante é pensar que a desigualdade entre os diferentes grupos étnicos que compõem o povo brasileiro sempre existiu e foi gestada e estimulada durante anos por diferentes teorias, práticas e discursos.

Tal desigualdade não será erradicada naturalmente. É preciso que algumas atitudes sejam tomadas para corrigir esse erro histórico, daí a legitimidade das ações afirmativas. No entanto, sempre é bom lembrar que não se deve perder de vista a necessidade de criar as mesmas oportunidades para todos, brancos ou negros, mestiços ou índios, ricos ou pobres, de ter uma educação de qualidade e lutar com as mesmas armas por seus próprios sonhos!

A inclusão desmitificada
Carta Capital
Rodrigo Martins

Pesquisa da Uerj desmonta os argumentos de quem se opõe às políticas afirmativas

Está previsto para o segundo semestre deste ano o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da legalidade da reserva de vagas nas universidades por critérios raciais. Diversas audiências públicas foram realizadas no plenário da Corte em março deste ano. Todas as cartas de quem defende ou critica a medida foram apresentadas, mas um estudo recente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) lança luzes sobre a questão e desmitifica vários aspectos relacionados às ações afirmativas que têm sido levantados por quem é contra esse tipo de política.

A pesquisa, na realidade, não aborda somente o sistema de cotas. Faz uma ampla radiografia das ações afirmativas nas 70 universidades públicas federais e estaduais. Revela, por exemplo, que não se tratam de políticas desconhecidas, uma vez que 71,4% das instituições possuem medidas para facilitar ou garantir o acesso de negros e pobres ao ensino superior. E essas políticas estão distribuídas por todo o território nacional de maneira bastante homogênea (gráfico ao lado).

“Nas regiões mais populosas do País, mais de 80% das universidades possuem alguma ação afirmativa. Apenas o Sul tem uma participação menor, ainda assim mais da metade das instituições sulistas abraçaram a ideia. No caso da Região Norte, com cerca de 40%, é preciso levar em conta o reduzido número de universidades. Se uma ou duas delas aderirem às cotas, por exemplo, o porcentual de instituições com políticas afirmativas cresce muito”, explica João Feres Júnior, coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa da Uerj, responsável pela pesquisa. “Há muitas experiências testadas e as universidades podem apresentar à sociedade seus resultados.” (Texto Completo)

Leia mais em Educação Política:

AUSÊNCIA DE BIBLIOTECAS NO BRASIL MOSTRA O DESLEIXO E O DESCASO DE ESTADOS E MUNICÍPIOS COM A EDUCAÇÃO
PROFESSORA: EDUCAÇÃO NÃO MELHORA PORQUE HÁ QUEM SE BENEFICIA DA ESCOLA RUIM NO BRASIL
CARTA MAIOR: BOLSA FAMÍLIA MANTÉM ALUNO NA ESCOLA E DIMINUI O TRABALHO INFANTIL
PARA O BRASIL MELHORAR, JOVENS DEVEM ESTUDAR MAIS, ATÉ OS 25 ANOS, E SÓ DEPOIS ENTRAR NO MERCADO DE TRABALHO

DEM, PARCEIRO DOS TUCANOS, ENTRA ATÉ NA JUSTIÇA CONTRA AS COTAS EM UNIVERSIDADE AFIM DE CONCENTRAR MAIS A RENDA NO BRASIL

O Dem não quer negros na UnB

O DEM não quer negros na UnB

O DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab, que tenta concentrar mais renda em São Paulo, impedindo que pequenas e médias empresas de ônibus fretados circulem pelo centro da cidade, também quer concentrar renda em todo o Brasil.

Inconformado com a política de cotas da UnB (Universidade de Brasília), que reserva 20% de vagas para negros, o partido entrou na justiça para impedir essa política afirmativa.

A atitude do DEM é a forma mais fácil de se entender política no Brasil. Não adianta sentar na frente da televisão nas campanhas eleitorais. São os atos praticados no período entre uma eleição e outra que mostram a cara de uma agremiação política. Durante as eleições, todos os políticos são santinhos, honestos e querem o melhor para o Brasil.

Por sorte, o novo  Procurador-geral da República, Roberto Gurgel, desmontou a argumentação do DEM  e ainda mostrou a incompetência da peça jurídica com alguns SICs (assim mesmo). Ou seja, ressaltando que a peça jurídica do DEM foi escrita daquele jeito mesmo.

Em um dos SICs, o procurador destaca que os advogados do DEM usaram o termo, vejam só, “racialistas”.  Vai saber o que é isso. Em outro quando o DEM e seus representantes afirmam que a UnB teria criado um “Tribunal Racista, ressuscitando ideais nazistas”.  É realmente uma pérola.

Veja no site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, a boa estréia de Roberto Gurgel

Veja o parecer no site da Procuradoria com os SICs

Leia mais em Educação Política:
TRABALHADORES INFORMAIS PODERÃO SE TORNAR FORMAIS QUASE SEM PAGAR IMPOSTO E, COM ISSO, VENDER PARA EMPRESAS E PREFEITURAS
BRASIL ENFRENTA DIFICULDADE PARA ERRADICAR O ANALFABETISMO E CUMPRIR META DA UNESCO
DIPLOMA DE JORNALISTA: O BRASIL GOSTA DE DISTRIBUIR A MISÉRIA E CONCENTRAR RENDA
EDUCAÇÃO RUIM E DESIGUALDADE SOCIAL SÃO FACILITADORES DA PEDOFILIA; SEM COMBATER A POBREZA NÃO HÁ COMO REDUZIR A PEDOFILIA
%d blogueiros gostam disto: