Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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AARON SWARTZ: EU CRESCI E PERCEBI QUE O DISCURSO DE QUE NADA PODE SER MUDADO E QUE AS COISAS SÃO COMO SÃO É FALSO

Aaron Swartz, ativista digital suicidado recentemente

Aaron Swartz, ativista digital “suicidado” recentemente

Eu sinto fortemente que não é suficiente simplesmente viver no mundo como ele é e fazer o que os adultos disseram o que você deve fazer, ou o que a sociedade diz o que você deve fazer. Eu acredito que você deve sempre estar questionando. Eu levo muito a sério essa atitude científica de que tudo que você aprende é provisional, tudo é aberto ao questionamento e à refutação. O mesmo se aplica à sociedade. Eu cresci e através de um lento processo percebi que o discurso de que nada pode ser mudado e que as coisas são naturalmente como são é falso. Elas não são naturais. As coisas podem ser mudadas. E mais importante: há coisas que são erradas e devem ser mudadas. Depois que eu percebi isso, não havia como voltar atrás. Eu não poderia me enganar e dizer ‘Ok, agora vou trabalhar para uma empresa’. Depois que percebi que havia problemas fundamentais os quais eu poderia enfrentar, eu não podia mais esquecer isso“.

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RICHARD STALLMAN MOSTRA EM ‘OS PERIGOS DOS E-BOOKS’ QUE LIVRO DE PAPEL E LIVRO DIGITAL SÃO DUAS TECNOLOGIAS TOTALMENTE DIFERENTES

O Perigo dos Ebooks – Richard Stallman

Para Stallman, e-book é uma espécie de Big Brother

Com livros impressos:
· Você pode comprar um com dinheiro anonimamente.
· Então você se torna proprietário dele.
· A você não é exigido assinar uma licença que restringe seu uso.
· O formato é conhecido, e nenhuma tecnologia proprietária é exigida para você ler o livro.
· Você pode doar, emprestar ou vender o livro para alguém.
· Você pode, fisicamente, escanear e copiar o livro, e isso será legal em alguns casos, considerado o copyright.
· Ninguém tem o poder de destruir o seu livro.

Compare isso com os ebooks da Amazon (que são bastante típicos)

· A Amazon exige que os usuários se identifiquem para obterem um livro.
· Em alguns países, a Amazon afirma que o usuário não é o proprietário do livro.
· A Amazon exige que o usuário aceite uma licença restritiva para utilizar o livro.
· O formato do livro é secreto, e somente um software proprietário e restritivo para o usuário pode permitir sua leitura.
· Um tipo de “empréstimo” é permitido para alguns livros, por um tempo limitado, e somente para usuários especificados pelo nome, que utilizem o mesmo leitor de ebooks. Doações e vendas não são permitidas.
· Copiar um ebook é impossível devido às restrições impostas pelo Gerenciamento de Restrições Digitais (DRM) no sistema e proibido pela licença concedida, o que é mais restritivo que a lei de copyright.
· A Amazon pode remotamente deletar o ebook do usuário utilizando um artifício de software que se encontra no ebook. Isso aconteceu em 2009 quando deletou milhares de copias do livro de George Orwell, 1984.

Basta apenas um desses itens acima para tornar esses ebooks um retrocesso em relação aos livros impressos. Nós devemos rejeitar ebooks que nos negam liberdade.

As companhias de ebooks dizem que nos negar nossas liberdades tradicionais é necessário para que possam continuar a ter recursos para pagarem aos autores. O sistema atual de copyright tem um papel lamentável em relação a isso, é muito mais voltado para apoiar as companhias do que o usuário. Nós podemos dar apoio aos autores de outras formas que não imponham restrições à nossa liberdade, e que também legalizem o compartilhamento de livros. Dois métodos que eu sugeri, são os seguintes:

· Distribuir recursos dos impostos para os autores com base na raiz cúbica de suas popularidades (http://stallman.org/articles/internet-sharing-license.pt.html).
· Projetar leitores de ebooks de tal maneira que os leitores possam enviar anonimamente pagamentos voluntários.

Ebooks não precisam ameaçar a nossa liberdade (os ebooks do projeto Gutemberg não a ameaçam). Mas eles ameaçarão se as companhias assim o decidirem. Depende de nós evitarmos isso. A luta já começou. (Economia  e Informação)

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