Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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AS CORES DA ARTE DO SERGIPANO ISMAEL PEREIRA

BIENAL DE ARTE NAÏF EM SUA 10ª EDIÇÃO MOSTRA UMA ARTE PARA ALÉM DOS RÓTULOS E DEFINIÇÕES

Beija Flor

Da Agência Educação Política

Arte Naïf é conhecida como a arte primitiva contemporânea, produzida por artistas que não necessariamente tenham formação nessa área e que, portanto, deixam de lado alguns aspectos acadêmicos, bem como alguns rigores formais que acompanham as artes plásticas de forma geral.

No entato, para além dessas divisões, a arte naif, também chamada de ingênua, vem construindo um estilo próprio marcado justamente pela simplicidade da representação, pelo desequilíbrio no uso das formas, pelo uso das cores primárias e fortes, pela obra feita sem muitas nuances ou sutilezas que se aproxima de um retrato mais livre da realidade que, nem por isso, faz-se de qualidade inferior. Pelo contrário, as obras são de uma beleza plástica surpreendente. Trazem uma delicadeza misturada a uma estética expressiva que lembra a graça peculiar ao produto artesanal.

Conversa de Compadre

A Bienal Naïfs do Brasil, promovida pelo SESC Piracicaba, chega à sua 10ª edição e apresenta 111 obras de 80 artistas diferentes que privilegiam a poética do popular e suas possíveis significações, valorizando as representações que caracterizam aspectos naïfs.

Resistindo a modernidade

O evento, sem dúvida alguma, contribui para mostrar um outro estilo de se fazer arte que mistura a liberdade impressionista com a simplicidade do concretismo, criando algo completamente diferente de ambos os estilos a partir de uma forma de fazer arte que, sem muito compromisso com a forma, acabou por criar sua própria forma.

E assim é o mundo da arte. Nele as coisas se inspiram e se criam, mesmo sem sabê-lo. Faz parte do ser artístico e como o popular o completa de forma tão democrática e bela!

BIENAL NAÏFS DO BRASIL 2010
SESC Piracicaba
Quando: 19/08 a 12/12.
Terça a sexta, das 13h30 às 21h30. Sábado, domingo e feriados, 9h30 às 17h30.
Mais informações: Portal do SESC – Bienal Naif

Bíblia

Tatu

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ESCOLA PÚBLICA RESERVA UM TEMPO PARA O APRENDIZADO DA CULTURA POPULAR BRASILEIRA POR MEIO DA TRADIÇÃO ORAL

Em defesa da oralidade!

Da Agência Educação Política

Nos tempos atuais, é um fenômeno comum ver, por parte de alguns pensadores e críticos, certa desqualificação da linguagem oral em detrimento da linguagem escrita. Esta última, passa por um processo de valorização que é muito bem vindo e essencial, no entanto, não pode vir sozinho, esquecendo-se de que tão importante quanto a escrita é a fala, já que ambas, apesar de distintas, se completam, se relacionam, se interpenetram. Uma não vive sem a outra, elas fazem parte de um mesmo movimento de representação e entendimento crítico e artístico da realidade.

Indo na contramão da tendência contemporânea e da maioria das escolas brasileiras que têm como foco de aprendizado a língua escrita e não a língua falada, uma escola da rede pública de São Paulo decidiu reservar um tempo para que os alunos tenham contato com a nosssa cultura popular através das tradições da linguagem oral que estão bastante esquecidas pelos educadores atuais.

O trabalho é realizado pelo Ponto de Cultura Amorim Rima e Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira (Ceaca), que atua dentro da escola. Comandado por Alcides Lima, o ponto de cultura atende cerca de 300 crianças de 1ª a 4ª série. As aulas sobre a cultura popular ministradas pelo ponto de cultura fogem dos padrões do ensino formal das escolas brasileiras e são baseadas na técnica da repetição que faz parte da tradição oral, além de contarem com atividades como capoeira com coco, ciranda, puxada de rede, maculelê e samba de roda.

A valorização da cultura popular brasileira e da tradição oral, sem dúvida alguma, é uma forma de complementar o ensino formal que vigora na maioria das escolas brasileiras e de tornar o aprendizado mais completo e efetivo. Quando as crianças tomam contato com a oralidade, além de falar melhor, elas passam a escrever melhor, uma coisa deriva da outra, uma faz parte da outra e, no caso do modelo adotado por esta escola de SP, elas ainda saem com um conhecimento maior sobre a cultura popular brasileira, que encontra cada vez menos espaço dentro da lógica da indústria cultural.

Na ação deste grupo que faz parte de um projeto maior, a Ação Griô Nacional, uma rede que integra 130 pontos de cultura em todo o país e que, através de seus mestres, busca fortalecer a identidade cultural de crianças e adolescentes, segundo a tradição de cada comunidade, está um importante resgate de uma tradição que nunca deve se perder: a oralidade. São exemplos e ações como essa que fazem com que tal frase que vem logo abaixo, dita por um conhecido escritor latino-americano, não ganhe muita repercussão. É ótimo ver as conquistas de uma sociedade letrada, mas a educação se faz com voz e palavra, na mesma proporção!

“Uma comunidade sem literatura escrita se exprime com menos precisão, riqueza de nuances e clareza do que outra cujo instrumento principal de comunicação, a palavra, foi cultivado e aperfeiçoado graças aos textos literários. Uma humanidade sem romances, não contaminada pela literatura, se pareceria com uma comunidade de tartamudos e afásicos, atormentada por problemas terríveis de comunicação causados por uma linguagem ordinária e rudimentar”. (Mario Vargas Llosa, desmerecendo a oralidade e tomando a escrita como positiva por si própria)

Leia mais sobre essa iniciativa de incorporar a oralidade na educação escolar em reportagem publicada no Brasil de Fato.

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