Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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CRONISTA MUNDANO E JORNALISTA DE RUA: JOÃO DO RIO RETRATOU EM CRÔNICA, CONTO E ROMANCE A REALIDADE SOCIAL DE SUA ÉPOCA

Orna Levin, autora de “As figurações do dandi”

Paulo Barreto, mais conhecido como João do Rio, foi jornalista, cronista, escreveu contos, peças de teatro, romances, andou pelos salões elegantes da sociedade carioca, retratando seus costumes, e também pelas ruas do Rio de Janeiro, mostrando a realidade que pulsava nas periferias e regiões mais pobres.

Marcado por essa atividade múltipla e pela atuação como jornalista, a realidade social, seja das ruas, seja dos costumes da aristocracia da época, nunca abandonou suas produções literárias e João do Rio fez história nas letras nacionais como o “cronista mundano” que frequentava as festas e escrevia sobre a sociedade elegante do Rio de Janeiro, mas também como o jornalista de rua, atento às transformações de sua época e que mantinha uma postura excêntrica diante de um mundo em mudança.

João de Rio, de certa forma, incorporava a figura do dandi, como diz a professora doutora ( e não “doutorna”! veja vídeo) da Unicamp Orna Messer Levin, estudiosa da obra do escritor e autora de livros sobre ele como As figurações do dandi e Teatro de João do Rio.

Em entrevista à TV Educação Política (abaixo), Orna fala sobre o dandi como aquele que adota uma postura excêntrica, seja na maneira de se vestir, seja no comportamento, com o objetivo de fazer uma crítica à ascensão da burguesia e ao processo de massificação da cultura e da arte que esta ascensão representa. O dandi se pautaria, antes de tudo, por uma filosofia da arte, buscando, na sua forma de se diferenciar da uniformidade restante, guardar o lugar da nobreza do conhecimento estético.

Como dandi, João do Rio seria essa voz excêntrica, evitando ser arrastada pela massificação burguesa e fazendo-se presente  no território das ruas, presença que reverbera em toda sua obra.

Veja a segunda parte da entrevista

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