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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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NA COMEMORAÇÃO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL, O LEGADO DE UM PAÍS SEM SUPERAÇÃO DIANTE DE UM MUNDO QUE BUSCA POR ELA

Onde está o povo?

No dia em que comemoramos a Proclamação da República no Brasil, mais uma dessas mudanças que vêm sem trazer superação de nossas estruturas coloniais, é interessante olhar e refletir sobre a situação econômica mundial.

Os protestos, as manifestações recentes de jovens e trabalhadores na Europa e até no centro do capitalismo mundial, estas sim feitas pelo povo, ao contrário de nossa República, tinham é claro seus interesses e motivações pessoais, mas queriam mudar um sistema financeiro mundial, mesmo sem saber, porque era este sistema que lhes roubava os empregos e a dignidade.

E foi esse mesmo sistema financeiro que transformou o mundo, concentrando ainda mais a renda e diluindo os já escassos benefícios sociais de uma economia que quer existir sem estado, sem guia. Agora, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelados por reportagem da Carta Maior, serão necessário, no mínimo, 80 milhões de empregos para retornar aos níveis pré-crise.

Estima-se que a recuperação econômica, se vier, só aconteça por volta de 2016, isso se esses 80 milhões de empregos forem gerados. As contas deixadas por essa economia jogada ao vento são 16 milhões de desempregados na Europa, diluição do Estado do Bem-Estar-Social e rendição da social-democracia ao neoliberalismo.

Indignados na Espanha

Saídas para a atual crise são justamente aquelas que o Brasil nunca encontrou: formação e fortalecimento de um legítimo e consciente movimento de protesto popular que se torne alternativa para a regressividade em marcha, não só dos governos e sistemas econômicos democráticos e sociais, como também da mídia, cada vez mais dependente dos donos do poder e distante da população.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

OIT: faltam 80 milhões de empregos para o mundo retornar aos níveis pré-crise
Por Saul Leblon

A recuperação da economia mundial está mais distante do que se imaginava. Do ponto de vista do emprego, pelo menos, a superação da crise só ocorrerá por volta de 2016. Isso, desde que se cumpra o requisito da geração de 80 milhões de vagas para que os níveis de ocupação retornem ao patamar anterior ao colapso neoliberal. É o que diz o informe da OIT divulgado nesta 2ª feira.

Os sumidouros do crescimento e das vagas estão claros; as responsabilidades são inequívocas. A grande façanha dos 30 anos de finanças desreguladas foi, grosso modo, aviltar a oferta e a qualidade do emprego pela sua flexibilização e deslocamento a zonas de ‘baixo custo’; reduzir a participação do trabalho na renda e isentar o capital rebaixando receitas fiscais dos governos.

Promoveu-se em troca a grande era do endividamento. Famílias, governos e Estados soberanos tornaram-se mais e mais dependentes do capital a juro, cuja liberdade foi lubrificada pela eliminação das salvaguardas regulatórias instituídas após a crise de 29. Embora o diagnóstico seja reconhecido até por segmentos dos ‘mercados’, ele carece ainda de consequências políticas coerentes.

A mídia tem cumprido seu papel de guarda-sol a sombrear o debate das alternativas à superação desse modelo, em meio a uma crise de insolvência das dívidas públicas e privadas. Na Europa, corroída por 16 milhões de desempregados, em meio ao assalto final aos pilares do Estado do Bem-Estar Social, essa película protetora é reforçado pela opacidade de um quadro ideológico feito de rendição social-democrata ao neoliberalismo. (Texto completo)

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FILME E ESTUDO REVELAM QUE MAIORIA DA POPULAÇÃO NÃO TEM BENEFÍCIO SOCIAL E SE ILUDE COM AS “EXCEÇÕES” DA SOCIEDADE BURGUESA

Cena do filme "Trabalhar Cansa"

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois terços da população mundial, ou seja, 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile. O estudo ainda afirma que se os benefícios sociais fossem concedidos à população, as tensões sociais seriam aliviadas e o avanço econômico aconteceria de fato.

Essas considerações têm sua pertinência. Para constatá-la nem precisamos ir muito longe. Basta olhar para os recentes protestos que tomam conta de muitos países da Europa e que se levantam contra um sistema financeiro que oprime a maioria dos cidadãos apoiado por governos e que, por essas e outras, também enfrenta crise profunda e expressiva. Os direitos, a que 99% da sociedade têm direito, estão nas mãos de apenas 1% e era contra essa desigualdade e contra o abandono a que estão submetidos que jovens e trabalhadores se revoltam.

A atual situação da classe média brasileira não é diferente da situação de boa parte da população mundial. Ela está tão abandonada quanto eles e foi isso que o primeiro longa-metragem da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, com o sugestivo título de “Trabalhar Cansa”, se propõe a mostrar.

Como mostra reportagem publicada pela Carta Capital, o filme é “um exemplo raro de como boas ideias não precisam de grandes frufrus para serem originais” e mostrarem uma realidade que está bem em frente aos nossos olhos, mas que fingimos ou insistimos em não ver, iludidos pelas férias de final de ano, pelos curtos dias de feriado ou idiotizados mesmo pela cultura burguesa que anula o indivíduo, sem que ele sequer perceba.

Ainda bem que, como diz o texto da revista, de vez em quando alguém se dispõe a nos revelar um pouco de nós mesmos e gritar por meio das formas primitivas e essenciais da arte o que a sociedade tem feito de cada um de nós, ou, o que ela sequer precisa fazer!

Veja trecho de duas reportagens sobre o assunto e logo abaixo o trailler do filme:

2/3 da população não têm benefícios
Da Agência Brasil

rasília – A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois terços da população mundial, ou seja 5,1 bilhões de pessoas, não dispõem de benefícios sociais trabalhistas. Apenas 15% dos desempregados no mundo recebem seguro-desemprego. A análise faz parte de um estudo feito pela responsável pela ONU-Mulher, Michelle Bachelet, ex- presidenta do Chile.

Bachelet pretende apresentar o estudo completo durante as discussões da cúpula do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias mundiais), em Cannes, na França, nos dias 3 e 4. O relatório Uma Proteção Social por uma Globalização Justa e Inclusiva destaca que, por meio da garantia dos benefícios sociais, é possível avançar economicamente e atenuar as tensões sociais. (Texto completo)

A classe média sofre
Por Matheus Pichonelli

Não se sabe quando teve início nem quando se banalizou. Mas o processo de idiotização da classe trabalhadora está de tal maneira incorporado nas ruas das nossas cidades que, de vez em quando, alguém precisa falar sobre o assunto e lembrar que a coisa está feia. No cinema, as duas principais tragicomédias que conheço sobre a crise – não só da economia, mas de ideias para se encarar a crise – são “O Grande Chefe”, de Lars Von Trier, e “A Era da Inocência”, de Denys Arcand. Dois filmaços sobre como fingir estar tudo certo mesmo quando tudo desmorona, e um prato cheio para quem já se tocou que, diferentemente dos guias de auto-ajuda, ninguém vai mudar nada no mundo pensando positivo, criando métodos de motivação ou repetindo mantras sobre como podemos ser felizes trabalhando cada vez mais por menos. Ou disfarçando nossa vida de vassalo, de quem come lama e agradece, buscando distração com as viagens no fim de ano.

Mais ou menos na mesma linha vão os também ótimos “Amor sem Escalas” (apesar do título) e “Ilusões Óticas”. Pois no meio da entressafra de filmes brasileiros, que pareciam picados pela mosca da preguiça com títulos insossos (de “Salve Geral” a “Meu País”, passando pelos longas inspirados no espírito de André Luiz) acaba de sair uma pérola. “Trabalhar Cansa”, o primeiro longa-metragem da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, é um exemplo raro de como boas ideias não precisam de grandes frufrus para serem originais. O filme, que transita o tempo todo entre a comédia, o drama e o terror, parece beber no realismo fantástico que fez da literatura latina referência na ficção. Só parece: porque tudo ali é idiotamente real. (Texto completo)

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TÍMIDA QUEDA DAS TAXAS DE DESEMPREGO PODE SER REFLEXO DA DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA, SEGUNDO SEADE E DIEESE

O setor industrial foi um dos que mais fechou vagas em comparação com o ano passado. São 28 mil vagas a menos

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (27) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade, de São Paulo) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que em comparação com o ano passado a taxa de desemprego ficou praticamente estável nas sete regiões do país. Apenas em São Paulo passou de 10,7% no mês de maio para 11% no mês de junho.

Apesar de não configurarem um cenário negativo, a timidez dos dados surpreendeu os pesquisadores, pois esperava-se uma diminuição maior das taxas de desemprego. A pouca diminuição somada ao crescimento praticamente nulo da população economicamente ativa (PEA) que foi de 0,1% de maio para junho, são um sintoma, segundo os pesquisadores, da desaceleração da economia. Esta termina por  provocar certo arrefecimento do mercado de trabalho que, por sua vez, atravessa um cenário de  incerteza que apenas diminui contratações e investimentos.

Da Rede Brasil Atual

Desemprego não cai, e Dieese vê sinais de preocupação no mercado de trabalho
Seade e Dieese esperavam resultados melhores. Comparação anual ainda é positiva, mas mostra desaceleração

Por Vitor Nuzzi

São Paulo – Os resultados de pesquisa divulgada nesta quarta-feira (27) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade, de São Paulo) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) preocuparam os técnicos. A taxa média de desemprego de junho não diminuiu como o esperado para este período. Pelo contrário, registrou leve alta na região metropolitana de São Paulo, a maior das sete áreas pesquisadas.

Pode ser um ajuste, depois de dados relativamente positivos de maio, mas a explicação mais apropriada parece ser a dos reflexos da desaceleração da economia no mercado de trabalho. “Ainda é positivo, mas bem menos do que a gente observou em 2010”, afirmou o economista Sérgio Mendonça, técnico do Dieese.

Na média das sete regiões, a taxa de desemprego ficou praticamente estável, passando de 10,9% em maio para 11% no mês passado, bem menor do que em junho de 2010 (12,7%). Em São Paulo, passou de 10,7% para 11%. “Normalmente se espera queda em junho. São Paulo foi a região que apresentou o movimento mais inesperado”, observou Mendonça. De positivo, os 11% de junho representaram a menor taxa para o mês desde 1989 (9,7%).

Mas os indicadores revelam um mercado de trabalho fraco. De maio para junho, a população economicamente ativa (PEA) praticamente não cresceu (0,1%), com 26 mil pessoas a mais em um universo de 22,1 milhões. A ocupação ficou estável, com apenas 8 mil pessoas a mais. Com isso, o número de desempregados teve pequeno acréscimo de 0,7%, com 17 mil a mais. (Texto completo)

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