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VÍTIMA DA DITADURA CHILENA, MARCIA SCANTLEBURY, FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DE RECONTAR A HISTÓRIA DAS DITADURAS LATINO-AMERICANAS

As recentes discussões em torno da Comissão da Verdade no Brasil servem como bom pano de fundo para a visita da jornalista chilena Marcia Scantlebury, diretora do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile, que esteve no Brasil na última semana para participar do Ciclo de Debates “Direitos Humanos, Justiça e Memória”, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Marcia falou sobre o terror promovido pelo Estado chileno, quando o ditador Augusto Pinochet esteve no poder após o golpe contra Salvador Allende, além de compartilhar sua experiência particular de ter sido presa pelo regime autoritário que se instalava e levada para o que ela chama de “antessala do inferno”. “Eu me sentia suja, vazia e humilhada”, diz ela em notícia publicada pela Carta Maior.

Discutir e relembrar as histórias de épocas difíceis, apesar de duro, é importante para a democracia de um país e para a história de seu povo. A aprovação da Comissão da Verdade no Brasil vem, neste sentido, reparar, até certo ponto, a injustiça cometida contra a própria história nacional que é a de não lhe dar direito à memória.

Afinal, como diz Marcia, “não podemos mudar o passado, mas sim aprender com o vivido”, acrescentaríamos, desde que esse vivido seja conhecido por todos, sem o manto do disfarçe e do silêncio para que possa assim ser lembrado e, como se pode ler no Memorial da Resistência em São Paulo, “enquanto lembrarmos tudo é possível”.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

‘Não podemos mudar o passado, mas sim aprender com o vivido’
A jornalista Marcia Scantlebury, diretora do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile foi vítima do terror promovido pelo Estado chileno, quando o ditador Augusto Pinochet esteve no poder após o golpe contra Salvador Allende. Em junho de 1975, ela estava com os filhos em casa, quando chegou uma patrulha da polícia política e a levou, vendada, para o que ela chama de “antessala do inferno”. “Eu me sentia suja, vazia e humilhada”.

Por Daniel Fonseca

Rio de Janeiro – A jornalista Marcia Scantlebury, diretora do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile, esteve no Brasil na última semana e, sob o silêncio atento de um auditório lotado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que acompanhava o primeiro seminário do Ciclo de Debates “Direitos Humanos, Justiça e Memória”, ilustrou com a sua própria experiência a importância de recontar a história da ditadura militar na América Latina. Marcia foi vítima do terror promovido pelo Estado chileno, quando o ditador Augusto Pinochet esteve no poder após o golpe contra Salvador Allende.

Em junho de 1975, ela estava com os filhos em casa, quando chegou uma patrulha da polícia política e a levou, vendada, para o que ela chama de “antessala do inferno”. “Eu me sentia suja, vazia e humilhada”. Era Tres Álamos, um dos centros de torturas mais famosos do Chile naquele período. “Este é o meu testemunho; só um de milhares de homens e mulheres que estiveram na resistência contra a tirania”.

Ela lembra que, assim como ocorreu no Brasil em relação à Comissão da Verdade – apesar de o projeto ter sido apresentado ainda no governo do ex-presidente Lula –, foi uma presidenta mulher e também ex-militante política perseguida pela ditadura que teve a iniciativa de criar o museu, que é visitado mensalmente por milhares de pessoas. “Não podemos mudar o nosso passado, mas podemos aprender com o vivido. Este é o nosso grande desafio”, ensina, citando a ex-presidenta chilena Michele Bachelet, quando lançou a pedra fundamental do museu em dezembro de 2008. Foi concluído em 2009. “A criação do museu deixou em descoberto o que antes permanecia silenciado”, resume a diretora.

Em um país ainda dividido, a presidenta Bachelet sabia das dificuldades de erguer o Museu. “A memória se constitui num território de disputa cultural e política. Se alguns têm a conveniência passar a página para uma hipotética conciliação nacional, a impossibilidade de estabelecer uma visão única [sobre a ditadura] não podia ser pretexto para dar respaldo ao ocorrido. O desafio era enfrentar o passado de violação sistemática de direitos humanos por parte do Estado chileno”, reconstrói Marcia Scantlebury, numa aproximação com o debate que ainda está sendo amadurecido no Brasil, mesmo após 26 anos do início do primeiro governo civil após a ditadura. (Texto completo)

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