Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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RADIOGRAFIA DO INSTITUTO MILENIUM E PÉROLAS DA DIREITA: ‘HITLER TINHA DEFEITOS E QUALIDADES’ E ‘FUI COMUNISTA, MAS SOU UM CASO RARO’

Vanguarda popular: a direita sai do armário (com roupas de esquerda)

O que pretendem os jovens brasileiros de direita, liderados pelo Instituto Millenium

por Alex Solnik, da revista Brasileiros, via Vi o Mundo

Camiseta do Endireitar: o nonsense chegou na política

Camiseta do Endireitar: o nonsense chegou na política

É didático assistir à palestra de Helio Beltrão Filho postada no site do Instituto Mises Brasil, do qual é o presidente. Ele fala em perfeito inglês na sede do Mises americano, em Auburn, Alabama, mostrando entusiasmo e alegria. “Hoje é carnaval no meu País, o Brasil”, diz ele, esbanjando simpatia. “Os brasileiros estão gozando do seu sagrado direito à felicidade… Eu digo no sentido bíblico…”

Risos discretos pontuam sua observação. O jovem Helio Beltrão Filho vai em frente: “Com toda a festa que ocorre hoje no meu País, escolhi estar aqui porque a minha festa é aqui”.

Ele é a face mais visível e, ao mesmo tempo, menos assustadora da articulação de direita que grassa no Brasil desde 2005. Assustador é o brasão do Instituto Mises Brasil que lembra, por tudo, a TFP (Tradição, Família e Propriedade). O lema do instituto é “Propriedade, Liberdade e Paz”.

O rosto do brasão é do “patrono” do instituto, o economista conservador austríaco de origem judaica Ludwig von Mises, de frente e de perfil. A imagem de perfil guarda uma profunda semelhança com o general Costa e Silva. Talvez seja uma menção proposital. Helio Beltrão, pai do jovem Helio, foi ministro dos presidentes Costa e Silva e João Figueiredo. Presidiu a Petrobras e foi acionista do Grupo Ultra. Com sua morte, as ações foram herdadas pelo filho.

O brasão é medieval, mas sua utilização é moderna. Ele aparece estampado em camisetas, bonés, chaveiros, moletons, adesivos, todos os tipos de acessórios familiares aos jovens. Até mesmo em shapes de skate. Acompanhado de frases como “Inimigo do Estado”, “Privatização Total” e “Imposto é Roubo”, o busto de Von Mises também aparece isolado em camisetas, fora do brasão. Talvez uma tentativa de transformá-lo em Che Guevara da direita. Todos os produtos são vendidos na loja virtual do instituto.

Guevara de Mickey Mouse

A direita se modernizou, essa é a verdade. (“E a esquerda ficou velha”, comenta um amigo, guerrilheiro dos anos 1970). Helio Beltrão Filho é um importante articulador da aliança de direita no Brasil, mas não é o único a utilizar as mesmas armas da esquerda para outros fins.

O Movimento Endireitar, por exemplo, comercializa uma coleção de camisetas com nome muito sugestivo: Vanguarda Popular. Vanguarda Popular Revolucionária é o nome do grupo de guerrilha em que atuou, na juventude, a presidenta Dilma Rousseff. Faz parte da coleção de estampas uma montagem em que um Che Guevara aparvalhado aparece vestindo orelhas de Mickey Mouse. Em outros modelos, há inscrições como Enjoy Capitalism, grafada com as letras da Coca-Cola.

Há dezenas de blogs de direita explícita rolando na internet. Mas o mais importante deles é um portal que se chama Instituto Millenium. É um senhor portal. Perdão, ele não se assume de direita. Mas nem precisava se assumir. O flerte com a direita é explícito. Basta conhecer a lista dos institutos associados, OSCIPs ou ONGs criados depois do Millenium – Movimento Endireita Brasil, Mises Brasil, Instituto Ling, Instituto Liberal, Instituto Liberdade, Instituto de Estudos Empresariais…

Dez ao todo. Ou consultar a lista de livros indicados com destaque para Por que Virei à Direita, assinado por Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho e Denis Rosenfield. O curioso é que o contraponto a esse lançamento da Editora Três Estrelas (de propriedade do grupo Folha de S. Paulo) – A Esquerda que Não Teme Dizer seu Nome, de Vladimir Safatle da mesma editora – é tacitamente ignorado.

Por trás de um nome solene, Millenium, não poderia haver menos solenidade no organograma. Os dirigentes fazem parte do Conselho de Governança, há Câmaras de Doadores, de Mantenedores, o linguajar remete aos tempos dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Pedro Bial é fundador

Mas não importa. O portal é grandioso. Não podia ser diferente, se dois de seus pilares são Roberto Civita e Grupo Abril e João Roberto Marinho, sem Rede Globo, porque os dois outros irmãos não estão no jogo. Roberto e João Roberto são mantenedores e integram o Conselho de Governança. Nomes de alta estirpe comandam a operação, como Jorge Gerdau Johannpeter, Armínio Fraga, Helio Beltrão Filho (novamente) e outros rostos conhecidos da TV também estão lá. Pedro Bial, por exemplo, é fundador e curador. Saiba mais

VÍDEO SENSACIONAL: GLOBO NO BRASIL E CLARÍN NA ARGENTINA MOSTRAM QUE O PIG TEM IRMÃO GÊMEO UNIVITELINO

Ditadura de expressão 237

Pendurado no estado argentino com 237 empresas

Uma das informações mais importantes da mídia Argentina, além de todas essas que aparecem no vídeo abaixo, é a quantidade de concessões do Estado que foram dadas para o grupo Clarín.

São 237 concessões do estado argentino.  Veja, um único grupo de comunicação na Argentina possui 237 concessões do estado!!! É a barbárie!! Não é liberdade de expressão, é ditadura de expressão.

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INACREDITÁVEL: MINISTRO DA SUPREMA CORTE, RESPONSÁVEL POR GARANTIR O ESTADO DE DIREITO, JUSTIFICA DITADURA E GOLPISTAS

“O PASQUIM: A REVOLUÇÃO PELO CARTUM” CONTA A HISTÓRIA DESTE MOMENTO DE HUMOR POLÍTICO E RENOVAÇÃO DA LINGUAGEM JORNALÍSTICA EM PLENA DITADURA MILITAR

Está é a primeira das quatro partes em que está dividido o primeiro volume – “O Pasquim: A Revolução pelo Cartum” – do documentário que conta, em tom descontraído, as histórias do tabloide O Pasquim. Criado em 1969, durante a Ditadura Militar, ele reuniu os melhores nomes do humor político no Brasil.

O segundo volume do documentário traz o título “Humor com Gosto de Pasquim”. Realizado em 1999, o documentário, em especial o primeiro volume, aborda o nascimento do jornal em Ipanema, os aspectos formais do cartum ao ser empregado no jornal e a sua relevância cultural no então contexto político do país.

Dirigido e montado por Louis Chilson com pesquisa de Gualberto Costa e roteiro de José Alberto Lovetro.

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PROFESSORES, ESTUDANTES E FUNCIONÁRIOS QUEREM COMISSÃO DA VERDADE NA USP, ONDE RESQUÍCIOS AUTORITÁRIOS DA DITADURA PERMANECEM
PROJETO DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE FIRMA PARCERIAS COM SINDICATOS E ENTIDADES DE CLASSE PARA REFORÇAR ATUAÇÃO DA COMISSÃO DA VERDADE
BRASIL TEVE SEU HOLOCAUSTO DURANTE A DITADURA MILITAR: MILITANTES FORAM INCINERADOS EM FORNO DE USINA DE AÇÚCAR
MOMENTO DE LIVRE EXPRESSÃO E DESABAFO, O ESCRACHO GANHA AS RUAS PARA IMPEDIR QUE OS ANOS DE CHUMBO SEJAM ESQUECIDOS E GARANTIR JUSTIÇA

MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS E CARTAZES SOBRE OS ANOS DE DITADURA É REALIZADA PELO INSTITUTO VLADIMIR HERZOG

A cultura pelo esclarecimento

Como forma de lembrar os 75 anos de nascimento de Vladimir Herzog e também o poder que a cultura muitas vezes tem de ativar a busca pelo esclarecimento por meio dos panoramas e discussões que ela estabelece, chegando muitas vezes à frente das decisões políticas, o Instituto Vladimir Herzog sedia agora no mês de junho uma mostra de documentários políticos latino-americanos e também de cartazes sobre os nossos “anos de chumbo”: “Memória e transformação: o documentário político na América Latina ontem e hoje”.

A mostra ocupará as salas da Cinemateca Brasileira e do Cinesesc, em São Paulo, e ao ser realizada no ano em que Vlado – jornalista que dá nome ao Instituto e que foi torturado e assassinado em 1975 pela ditadura em São Paulo – completaria 75 anos de idade, pretende não só homenageá-lo, mas também homenagear as diversas formas de resistência aos governos totalitários, ditadoriais e opressivos que se instalaram na América Latina de 1950 até os dias atuais.

São 49 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens documentais, vindos de 13 países latino-americanos, de exibição rara no Brasil e definidos pela curadora da mostra, Marina Dias Weis, socióloga e cineasta formada na EICTV, escola de cinema fundada por Fernando Birri e Gabriel García Márquez em Cuba, como “um olhar no espelho: a memória como ponte para o presente”.

A ideia é justamente relacionar a herança desse passado de autoritarismo e violência, com cenas igualmente violentas vividas no contexto atual. É o que faz, por exemplo, a brasileira Beth Formaginni em “Memória para uso diário”, construindo uma ponte por justiça dos familiares de desaparecidos políticos e das mães de jovens executados nos dias de hoje pela polícia que atua nas favelas do Rio de Janeiro.

Paralela à mostra de filmes, também acontece desde 31 de maio na Cinemateca Brasileira, uma Exposição de Cartazes sobre a Anistia, com 60 trabalhos. A mostra de cartazes e também dos documentários segue até 08 de julho.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Brasil de Fato com mais informações:

Eventos lembram 75 anos do nascimento de Vladimir Herzog
Por Camila Moraes, do Opera Mundi

Os processos formais ligados à restauração da memória e ao direito à justiça, nos países latino-americanos que viveram décadas de ditadura, demoraram bastante a se estabelecer. É o caso do Brasil, que só em 2012, longos anos após a queda do poder ditatorial, vê estampadas com maior frequência na imprensa nacional manchetes sobre as chamadas Comissões da Verdade.

O cenário é ainda mais complicado quando o assunto são crimes de estado isolados ou jamais investigados e, especialmente, os que são cometidos no presente. É o que acontece em países como a Colômbia, nos esforços de contenção (ou de maquiagem) de uma guerra interna envolvendo exército, guerrilha e paramilitares, que já dura quase 60 anos.

A cultura não garante o direito à vida ou faz justiça, mas muitas vezes é mais rápida do que os interesses governamentais. Através dela, podem ser estabelecidos panoramas e discussões que ativem a busca por esclarecimento. Com esse objetivo, foi idealizada uma mostra de documentários políticos latino-americanos que ocupará as salas da Cinemateca Brasileira e do Cinesesc, em São Paulo, a partir de junho.

Quem está por trás do projeto é o Instituto Vladimir Herzog, que contou com o apoio do Ministério da Cultura para realizá-lo no ano em que Vlado – jornalista que dá nome ao Instituto e que foi torturado e assassinado em 1975 pela ditadura em São Paulo – completaria 75 anos de idade. Seu objetivo é fazer um repasso, de 1950 aos dias atuais, pelo cenário sócio-político latino, com foco em obras que tratam das lutas de resistência às ditaduras militares, governos totalitários e outras formas de opressão do poder contra o povo, grupos étnicos ou minorias. (Texto completo)

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“É HORA DE O ESTADO ASSUMIR SUAS RESPONSABILIDADES”, DIZ FRANCISCO FOOT HARDMAN SOBRE A COMISSÃO DA VERDADE

Por Maura Voltarelli

A recém-instalada Comissão da Verdade vem para investigar os crimes cometidos durante a Ditadura Militar no Brasil e esclarecer o destino de muitas pessoas vítimas de tortura e demais violações aos direitos humanos, classificados internacionalmente como “crimes contra a humanidade”. Além de ser uma comissão da “verdade”, a comissão também é da Memória, o que por si só já garante espaço para que não só os crimes cometidos como também as diversas ações de resistência sejam enfim lembradas, discutidas e conhecidas.

Esse conhecimento é necessário para entender o que foi o Estado brasileiro durante esse período violento da história recente. Episódios brutais como o da Guerrilha do Araguaia, em que 3 mil soldados foram enviados para dizimar a vida de 79 militantes, ainda estão sem investigação. Mais de 60 guerrilheiros foram mortos neste que é considerado o primeiro movimento que enfrentou o exército durante o regime militar e muitos corpos ainda estão desaparecidos.

Quando há um compromisso em investigar essas passagens quase trágicas da história brasileira, é possível entender melhor o estado de violência no qual vive a sociedade atual e fazer justiça à história e ao processo de construção da democracia.

“As coisas ficam muito tempo no limbo, em um esquecimento relativo e, para os que dizem que já é tarde, eu prefiro o antes tarde do nunca”

Em entrevista ao blog Educação Política, o professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, Francisco Foot Hardman, fala sobre o atual momento político vivido pelo Brasil com a Comissão da Verdade e das contradições de um Brasil signatário de acordos internacionais que condenam a tortura, mas que ainda não investigou seus próprios crimes. Foot também discute outros movimentos da sociedade civil que lutam pelo direito à Memoria, fala sobre um mundo que já mede a felicidade e lembra uma revolucionária que, ao seu modo e no seu tempo, lutou pelas mesmas causas que, “antes tarde do que nunca”, nós, brasileiros, seguimos buscando: liberdade e justiça!

Agência Educação Política: O escracho é um movimento de protesto que ocorre nas ruas, de forma livre, espontânea e quer denunciar, escrever, fazer ver os nomes dos torturadores da ditadura no Brasil e em outros países da América Latina onde ele ocorre. O caráter de extra-oficialidade do escracho convive com outro movimento, agora de caráter oficial, que também quer resgatar a memória dos anos de chumbo: a Comissão da Verdade. Como você vê esses dois movimentos que lutam pelo direito à memória, pelo direito de ver reconhecida a própria história, seja nas ruas, pela via essencialmente pública, seja pela via política? Qual a importância de ambos?
Francisco Foot Hardman: Existe uma relação estreita, temática, entre o “movimento dos escrachos” e a Comissão da Verdade. A comissão é uma ação, uma iniciativa do estado brasileiro. Vale lembrar que o projeto da Comissão não é exclusivo do governo Dilma. Obviamente, há um mérito de efetivamente dar início às atividades, mas as ações em torno de uma comissão que investigasse os crimes cometidos durante a Ditadura Militar começou ainda com o governo Fernando Henrique Cardoso com a Comissão dos Desaparecidos, depois tivemos a Comissão de Anistia, enfim, são aí quase duas décadas em que várias ações foram feitas. Outros países já fizeram a sua Comissão da Verdade como África do Sul, Chile, Argentina, Uruguai, Peru, entre outros, onde o estado se propõe a fazer uma investigação livre de qualquer censura sobre crimes contra a humanidade perpetrados em regimes ditatoriais por agentes do próprio estado. Neste ponto, surge justamente uma questão que vem sendo colocada a respeito da necessidade da Comissão investigar os crimes cometidos por militantes de esquerda. Na minha opinião, não seria bem essa a função da Comissão. O mais importante é que o estado assuma a responsabilidade e esclareça o destino dessas pessoas, bem como as condições em que elas foram eliminadas. Também não acho pertinente a questão que se coloca de que os familiares de presos políticos deveriam fazer parte da Comissão. O estado é que tem que se colocar, a Comissão tem que ser da sociedade e do estado brasileiro. Indiretamente, os familiares vão acabar participando, como aliás já tem acontecido.

Guerrilheiros do Araguaia

Os agentes de todos os crimes cometidos deveriam ser responsabilizados, mas aí também entra outro problema com a Lei de Anistia, que anistiou também os agentes de estado. O Supremo Tribunal Federal confirmou essa Lei, mas vale lembrar que há neste ponto uma contradição com as determinações de cortes internacionais e tratados dos quais inclusive o Brasil é signatário. Se pensarmos que o direito internacional prevalece sobre as leis nacionais, tem-se então um problema sério. O próprio Gilson Dipp, coordenador da Comissão da Verdade recém-instalada, representou o Brasil no julgamento da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA sobre a Guerrilha do Araguaia. O estado brasileiro foi condenado pela Corte e considerado responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas, ocorrido entre 1972 e 1974. A Comissão precisa resolver essas contradições. Já o escracho é um movimento da sociedade civil, não tem nada a ver com o Estado, que tem como modelo movimentos do Uruguai, da Argentina e Chile. No Brasil, ele nasceu a partir de um outro movimento, o Levante Popular, e as primeiras manifestações começaram no Rio Grande do Sul (RS). Em geral são jovens que não têm relação direta, em sua maioria, com os desaparecidos ou os familiares das vítimas da ditadura, é uma geração posterior, de 20 anos, mas que vem fazendo esse movimento de protesto. Curiosamente, eles têm também outras finalidades além de “apontar os agentes da tortura e da repressão”. Trabalham com sem tetos e populações excluídas das grandes regiões metropolitanas. Vale lembrar que uma coisa não substitui a outra, as duas são importantes, tanto os movimentos oficiais quanto os da sociedade civil. Eles vão se ajudar mutuamente.
O interessante é que a Comissão produz na consciência das pessoas o desejo de ver esclarecidas essas questões, estimula a atitude de lembrar e decidir falar em oposição ao movimento contrário que é o do esquecimento, do silenciamento, alimentado pela enorme resistência das forças armadas.

AEP: A Comissão da Verdade vem desencadeando outros movimentos de luta pelo reconhecimento da própria história em diversos setores da sociedade brasileira. A USP já quer a sua Comissão para investigar os crimes cometidos contra estudantes e professores da época, muitos deles assassinados nos porões da tortura. Há um movimento também junto aos sindicatos, também para investigar os crimes cometidos contra os trabalhadores na Ditadura Militar. Um agente do DOPS, Claudio Guerra, recentemente também decidiu publicar um livro, ‘Memórias de uma guerra suja’, contando alguns crimes cometidos na ditadura, como o episódio em que os corpos de desaparecidos políticos teriam sido incinerados em um forno de uma usina de açúcar. Seria esse um momento político e social “favorável à verdade”?
Foot: Acho que sim. Meus colegas historiadores criticam esse conceito de verdade no singular porque não existira, segundo eles, uma única verdade. O processo de busca da verdade não é linear, é conflituoso, são diferentes versões e interesses em jogo, mas o historiador está sempre, de qualquer maneira, a favor da verdade, perseguindo a verdade, tem-se aí uma conexão com o jornalista inclusive, com o bom jornalista. Algumas coisas são mais difíceis de serem esclarecidas por falta de provas, documentos. No caso da Guerrilha do Araguaia, por exemplo, a investigação para apurar o que realmente aconteceu não vai ser fácil, a não ser que se encontrem as ossadas ou outras evidências do tipo que ajudem a elucidar a questão. No entanto, ainda que seja difícil, há um comprometimento que se instala com a Comissão e isso é importante. O interessante é justamente que a Comissão não é apenas uma Comissão da Verdade, é também uma Comissão da Memória que vai permitir que se fale do assunto. A interpretação será feita à luz dos documentos, dos indícios disponíveis, esclarecer 100% é difícil, mas há a recuperação da memória, do direito à memória. Não podemos esquecer que ainda há um problema de bloqueio de acesso a muitos documentos da Marinha, da Aeronáutica, o que parece mesmo uma manobra para evitar o acesso, mas, de qualquer maneira, as pessoas começam a esboçar ações, é de fato um momento em que a sociedade pode pesquisar e voltar a esse tipo de indagação: o que aconteceu? As coisas ficam muito tempo no limbo, em um esquecimento relativo e, para os que dizem que já é tarde, eu prefiro o “antes tarde do nunca”.
No que diz respeito a fatos tão impressionantes quanto o do incineramento de cadáveres dos desaparecidos no forno de uma usina de açúcar, lamentavelmente, são verdade. O Claudio Guerra dá muitos detalhes do episódio no seu livro, nomes, enfim… Ele vai ser possivelmente ouvido pela Comissão apesar da Lei de Silêncio da hierarquia militar que permite ao coronel Ustra, por exemplo, que acompanhava todas as seções de tortura no DOPS, dizer que não sabia das torturas. Qualquer agente que resolve falar traz à tona coisas impressionantes e importantes como fonte histórica.

AEP: A Comissão da Verdade de certa forma vem para dizer que as versões já apresentadas e a tentativa de “enterrar” o passado já não funcionam. Na sociedade atual, não parece ser apenas essas versões tradicionais que não mais convencem. Um índice muito curioso que vem ganhando espaço atualmente é o FIB (Felicidade Interna Bruta) que busca medir a felicidade da população. É interessante ver como no contexto das crises econômicas, o PIB (Produto Interno Bruto) parece um tanto desacreditado, as pessoas agora querem medir a felicidade. Mas como medir a felicidade? Como quantificar, objetivar algo essencialmente subjetivo? Seria mais um sinal da tendência contemporânea de mercantilizar tudo e, ao mesmo tempo, da falência dos nossos tradicionais índices que não respondem mais ao que quer, ao que deseja a humanidade?
Foot: De um lado, nos países capitalistas, a economia funciona basicamente a partir do PIB (Produto Interno Bruto). De outro, esse índice começou a ser questionado. Quem começou essa história do FIB (Felicidade Interna Bruta) foi o Butão. Curiosamente, um país budista, que prega justamente que a felicidade seja associada ao desprendimento das coisas materiais, a um modelo de vida mais espiritual e baseado na meditação, é que começou a pensar em medir a felicidade. Aparentemente, não existe no país miséria extrema e desigualdade social, assim podemos entender essa criação do FIB também como um reconhecimento de que as estatísticas como hoje estão são limitadas, apenas descrevem certos índices, números, mas não dão conta de uma série de questões, como a desigualdade social, por exemplo. A ideia de poder imaginar que a felicidade é algo que pode ser mensurado é bastante complicada, mas parece fazer uma espécie de contraponto a esses modelos já consagrados. O desafio é pensar em quais seriam os critérios. As necessidades básicas preenchidas, alimentação, moradia, mas aí também aparece o lazer e, mais delicado ainda, o inefável que permanece fora de qualquer medida: o amor, o afeto. De qualquer forma, o FIB mostra as limitações da ciência econômica, tomada de forma muito rígida, exata. A história dos marxismos neste ponto é complicadíssima. O bem estar de todos, o ideal de felicidade comum. O problema é que como a própria Rosa Luxemburgo advertiu tudo se transformou em uma simples ditadura do partido e não mais do operariado. Nos países que se disseram socialistas houve avanços inegáveis, mas eles ainda têm e terão muitas demandas.

“O mundo é tão belo, com todo o seu horror, e seria ainda mais belo se não houvesse nele os fracos e covardes”.

AEP: Já que falamos aqui em Rosa Luxemburgo, gostaria de pedir que comentasse esse pensamento dela: “Então cuide de permanecer sendo um ser humano. Ser humano é o mais importante de tudo. E isso significa: ser firme, claro e alegre, sim, alegre apesar de tudo e de todos, pois choramingar é ocupação para os fracos. Ser humano significa atirar com alegria sua vida inteira “na grande balança do destino” se for preciso, mas ao mesmo tempo se alegrar a cada dia claro, a cada bela nuvem, ah, eu não sei dar uma receita de como ser humano, eu só sei como se pode sê-lo […] O mundo é tão belo, com todo o seu horror, e seria ainda mais belo se não houvesse nele os fracos e covardes”. Rosa Luxemburgo em carta a Mathilde Wurm, 28 de dezembro de 1916, enquanto estava presa na fortaleza de Wronke na Posnânia.
Foot: Podemos localizar na Rosa, algo que inclusive eu acho muito verdadeiro, esse humanismo mais radical, que parece hoje um tanto fora de moda. Um humanismo visceral realmente baseado na ideia de que a humanidade pode ter um destino de transformação que passa pelo esclarecimento, pelo conhecimento, pela solidariedade, pelo desejo de mudança, ou seja, o humano significa justamente o não conformismo com as condições que nos são dadas, impostas, ou de que somos herdeiros, na nossa cultura, sociedade, economia. A Rosa tem essa questão da inconformidade muito viva, ela tinha isso de acreditar nos movimentos, na capacidade que as pessoas tinham de se mobilizar. É libertária, nisso ela se aproxima um pouco mais dos anarquistas, embora ela achasse que tinha que existir uma organização sim, tanto que depois ela própria fundou a liga Espartaquista inspirada em Espártaco, o escravo romano que liderou uma revolta contra o sistema escravista que praticamente sustentava a economia romana. Antes, ela era do Partido Social Democrata, do qual foi expulsa por, entre outras coisas, não concordar com a entrada da Alemanha na guerra. Essa ideia de ligação com a vida, com as coisas, é também a ideia do socialismo que, de alguma maneira, buscava restituir a relação do homem com a natureza. Rosa foi uma mulher de força muito grande, pessoa fantástica, pena que foi morta de forma tão violenta. Do ponto de vista político ela perdeu, diria que não só ela. Ocorreu uma revolução, era um processo revolucionário que, se não tivesse sido abortado, poderia ter levado a uma transformação, ao surgimento de um novo estado socialista que talvez tivesse dado um outro curso ao socialismo europeu. Infelizmente, como disse, esse processo foi abortado e a própria história tal como se deu preparou os governos autoritários que se seguiram, os movimentos fascistas, por exemplo. Aqui é importante separar as ideias da Rosa e dos outros revolucionários, que sobrevivem até hoje sem dúvida, e a realidade política dos movimentos. Politicamente Rosa foi derrotada, mas ideologicamente ela sobreviveu à violência a que foi submetida.

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PROFESSORES, ESTUDANTES E FUNCIONÁRIOS QUEREM COMISSÃO DA VERDADE NA USP, ONDE RESQUÍCIOS AUTORITÁRIOS DA DITADURA PERMANECEM

Para Shecaira, um dos professores que participa do movimento,  “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”

Por ser uma das universidades onde os trabalhadores e estudantes foram amplamente perseguidos durante a Ditadura Militar no Brasil e por ainda guardar resquícios desse período, haja vista a forma autoritária e na maioria das vezes conservadora com que a USP tem tratado as questões sociais dentro do seu campus, funcionários, professores e estudantes pedem uma Comissão da Verdade na universidade para investigar e trazer à tona todos os crimes cometidos durante o governo repressivo e autoritário dos militares no espaço da Universidade de São Paulo.

Um abaixo-assinado foi lançado na última semana pedindo a instalação da Comissão da Verdade na universidade. A ação, encabeçada por juristas, que culminou no Fórum Aberto pela Democratização da USP, pretende “somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário”, diz notícia publicada pela Carta Maior.

A discussão na USP evidencia como a Comissão da Verdade em nível nacional está influenciando a formação de comissões estaduais, municipais e inclusive no espaço da universidade o que soa como positivo quando se pensa que a periferia vem para reforçar o movimento central em uma relação onde ambos se alimentam e se fortaleçem.

Além disso, investigar e trazer à tona os crimes da ditadura cometidos na USP, faz total sentido já que a primeira ação de todo e qualquer regime autoritário e regressivo, no sentido negativo da palavra, é calar o conhecimento, tornar muda a consciência crítica, por isso a USP foi tão perseguida naqueles anos e o fato de ela ainda se mostrar autoritária talvez seja justamente um sinal de que a liberdade e o conhecimento para alguns ainda continua sendo nem um pouco interessante.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Professores, estudantes e funcionários pedem Comissão da Verdade na USP
Fórum Aberto pela Democratização lembra que USP foi uma das universidades em que trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos na ditadura, e que, por guardar resquícios daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência. “Professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, defendeu Fábio Konder Comparato.

Por Fábio Nassif

São Paulo – O Pátio das Arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi palco do ato de lançamento de um abaixo-assinado para instalação da Comissão da Verdade na universidade. A atividade encabeçada por juristas nesta quinta-feira (25) lembrou que a USP foi uma das universidades em que os trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos durante a ditadura, e que, por guardar resquícios regimentais daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência diante dos movimentos lá organizados.

A ideia do Fórum Aberto pela Democratização da USP, que reúne representações dos três setores, organizações políticas e entidades de direitos humanos, é somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário.

Formado na USP, Fábio Konder Comparato disse que a Comissão da Verdade nacional deve ser ajudada por comissões estaduais, municipais ou setoriais, como é o caso da universidade. Em sua opinião, a comissão da USP deve trabalhar com total independência. “Os professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, disse o professor.

“É preciso que nós saibamos enfrentar esta verdade difícil que é a verdade do desrespeito sistemático à dignidade da pessoa humana”, afirmou Comparato, que também criticou a repressão na USP dos dias atuais. “O regime disciplinar da universidade que continua em vigor foi estabelecido em 1972. Para os jovens isso pode não significar nada. Para nós que vivemos aquele período, significa o período mais sangrento do regime empresarial-militar. Era o Governo do general Médici”, disse, reforçando o papel da memória para não repetição do passado.

O professor de direito penal, Sérgio Salomão Shecaira, afirmou que “a Comissão da Verdade propiciará, no âmbito da USP, sabermos quem é que foi cassado pelo AI-5 e por que o decreto 477 permitia afastamento de estudantes”. “Esse decreto tem ainda um entulho autoritário que é uma cópia – me perdoem – cuspida e escarrada do 477, que é de 72, e que permite os detentores da USP processarem alunos da nossa universidade”, disse. Atualmente, 51 estudantes estão sofrendo processos administrativos e podem ser “eliminados”, de acordo com o regimento da USP.

O atual reitor da universidade, João Grandino Rodas, foi diretor da Faculdade de Direito antes de assumir o atual posto. Shecaira acredita que “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”, e repetiu aos jovens presentes na plateia que “para nós, o Magnífico reitor será sempre persona non grata”. (Texto completo)

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PROJETO DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE FIRMA PARCERIAS COM SINDICATOS E ENTIDADES DE CLASSE PARA REFORÇAR ATUAÇÃO DA COMISSÃO DA VERDADE

Os trabalhos da Comissão da Verdade devem se iniciar em breve, tão logo os nomes sejam escolhidos pela presidente Dilma Rousseff, mas diversos projetos paralelos acontecem para reforçar a importância da Comissão e envolver diversos setores da sociedade com o intuito de garantir que os seus resultados promovam de fato o resgate da memória e da justiça.

Um desses projetos é o Direito à Memória e à Verdade que pretende criar “comissões da verdade” em todos os sindicatos e entidades de classe interessadas, à exemplo do que já vem sendo feito em assembleias legislativas, câmaras de vereadores e entidades de direitos humanos de todo o país, para resgatar a memória dos trabalhadores brasileiros vítimas da Ditadura Militar.

O projeto pretende, neste sentido, que os diversos setores assumam a responsabilidade pelo seu passado e estejam envolvidos nas discussões a serem desencadeadas pela Comissão. Gilney Viana, coordenador do projeto, lembra em notícia publicada pela Carta Maior, que a expectativa em torno da Comissão da Verdade já está fazendo com que novas denúncias e fatos à respeito do período ditadorial apareçam com potencial para alterar a forma com que boa parte da sociedade brasileira encara o seu passado.

Isso porque a Ditadura Militar no Brasil até hoje não é vista em sua crueldade e autoritarismo por setores da sociedade ainda influenciados pela ilusão do milagre econômico, distantes de toda tortura e desrespeito aos direitos humanos praticados nos porões do DOI/CODI e, na época, mascarados pela censura.

Mas a Comissão e os projetos que caminham de forma paralela a ela estão aí para dar ao peso da história a sua real dimensão.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

SDH firma parcerias para criar comissões da verdade em sindicatos
Por Najla Passos

Brasília – A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência está firmando parcerias com sindicatos e entidades de classe para resgatar a memória dos trabalhadores brasileiros vítimas da ditadura militar. De acordo com Gilney Viana, coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, a proposta é criar “comissões da verdade” em todas as entidades interessadas, à exemplo do que já vem sendo feito em assembleias legislativas, câmaras de vereadores e entidades de direitos humanos de todo o país. “Os sindicatos têm que assumir a responsabilidade pelo seu passado”, afirma.

Viana avalia que a efervescência social suscitada pela expectativa de instalação da Comissão da Verdade, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em outubro e que, agora, aguarda a indicação dos seus sete membros para começar a atuar, tem provocado o surgimento de novas denúncias sobre violações de direitos, que podem alterar drasticamente a forma com que o país e o mundo encaram o mais sangrento período da história recente brasileira. “Essas denúncias reforçam a tese de que o número de vítimas é muito superior do que o já reconhecido”, afirma.

Para o eterno militante que ficou preso nos porões da ditadura por quase 10 anos, nem a Comissão de Mortos e Desaparecidos, criada de 1995, e nem a Comissão de Anistia, de 2001, foram capazes de dar conta do grau de impacto da ditadura na vida dos brasileiros. “A Comissão de Mortos e Desaparecidos, por exemplo, reconhece apenas 17 camponeses vítimas do período. E os relatos já sistematizados indicam que pelo menos 450 vítimas. Além disso, há as perdas institucionais que também foram enormes. A Universidade de Brasília (UnB), para citar a mais prejudicada, perdeu cerca de 80% do quadro docente”, reforça.

Gilney acredita que, neste contexto, o apoio dos sindicatos e entidades de classe é fundamental para o resgate da história. Ele explica que a SDH oferecerá todo o suporte para a efetivação das parcerias, mas que cada entidade terá total autonomia para decidir como encaminhará seus trabalhos. (Texto completo)

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Do site Carta Maior

Desaparecidos políticos: incinerados em forno de usina de açúcar

Em troca de créditos e facilidades junto à ditadura, uma usina de açúcar do Rio de Janeiro teria cedido seu forno para incinerar cadáveres de presos políticos mortos nas mãos do aparato repressivo. O acordo teria sido feito no final de 1973. A informação, divulgada pelo site iG, consta do livro de um dos protagonistas da barbárie, o agente do DOPS, Claudio Guerra, que mediou os serviços da usina e acaba de publicar um relato desse e de outros crimes.

Em ‘Memórias de uma guerra suja’, um depoimento a Rogério Medeiros e Marcelo Netto, Guerra afirma que a partir de então 11 desaparecidos políticos brasileiros foram reduzidos a cinzas no imenso forno da Usina Cambahyba, localizada no município fluminense de Campos. Seu proprietário, um anti-comunista radical, Heli Ribeiro, era amigo pessoal de Guerra.

As vítimas desse Auschwitz tropical, segundo o livro, seriam: João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;– Ana Rosa Kucinsk e seu marido, Wilson Silva, “a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”; – David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB; – Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).

Informado hoje sobre a versão, o irmão de Ana Rosa Kucinski, jornalista e escritor Bernardo Kucinski, não descarta a hipótese: “Nunca tinha ouvido antes, mas é verossímel: os precursores desse método foram os nazistas’, diz Bernardo, autor de um romance que leva o leitor a percorrer o outro lado igualmente cruel da tragédia: a labiríntica procura de um pai pela filha tragada no sorvedouro do aparato repressivo. “K”, publicado no ano passado pela Editora Expressão Popular, está na segunda edição com lançamentos previstos na Inglaterra e Espanha.

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Comissão da Verdade deve começar a funcionar no fim de maio

Cinco meses depois da aprovação da lei que criou a Comissão da Verdade, a presidente Dilma Rousseff começa a a escolher os nomes que a integrarão e promete que os trabalhos da Comissão começarão o mais breve possível, no final de maior ou, no mais tardar, início de junho.

A presidente recebeu uma lista com dezenas de indicações de possíveis nomes. Todos, de certa forma ligados à militância política ou aos direitos humanos, alguns inclusive, tendo sido perseguidos durante a Ditadura Militar, como Nilmário Miranda, ex-ministro dos Direitos Humanos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e um militante histórico, que foi perseguido e preso pela ditadura.

Também estão na relação Clarice Herzog, viúva de Vladimir Herzog, e Vera Paiva, filha de Rubens Paiva. Depois de instalada, a Comissão terá o prazo de dois anos para funcionar e concluir seus trabalhos. De tal conclusão dependem a reparação histórica que o Brasil deve a si e aos brasileiros e também o resgate da memória, do direito de lembrar, conhecer e distinguir os diferentes agentes de nosso passado!

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo jornal O Globo:

Dilma Rousseff escolhe nomes da Comissão da Verdade

BRASÍLIA – Cinco meses depois da sanção da lei que criou a Comissão da Verdade, a presidente Dilma Rousseff iniciou o processo de escolha dos sete integrantes desse colegiado. O propósito é fechar esses nomes até o final deste mês, como informou neste domingo a coluna “Panorama Político”, do GLOBO, e iniciar os trabalhos até o final de maio. No mais tardar, em junho. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou, semana passada, que a instalação da comissão será ainda neste primeiro semestre.

Dezenas de indicações estão sobre a mesa da presidente Dilma, que já teria iniciado essas consultas. Um dos nomes cotados para integrar a comissão é o de Nilmário Miranda, ex-ministro dos Direitos Humanos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e um militante histórico, que foi perseguido e preso pela ditadura. Nilmário preside até outubro a Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, e também é um dos primeiros suplentes de deputado federal por Minas Gerais. Mas o petista diz que não foi oficialmente sondado pelo governo.

— Não tenho notícia. Não fui consultado — disse neste domingo Nilmário, que também integra a Comissão de Anistia, onde vai cuidar da criação do Memorial da Anistia, que ficará em Belo Horizonte.

Chegaram várias listas com indicações às mãos da presidente. Uma relação de 50 nomes elaborada por comitês da Memória e da Verdade e Justiça de todo o país foi protocolada na Presidência da República. A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, tentou agendar encontro desses grupos com Dilma, mas a reunião não aconteceu. (Texto completo)

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Juntando as peças do quebra-cabeça do passado

O livro Arquivo, Memória e Resistência dos Trabalhadores no Campo e na Cidade já está disponível para consulta na internet por meio dos portais do Centro de Documentação e Memória Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Arquivo Nacional e do Centro de Referência Memórias Reveladas.

A obra contém 18 artigos sobre experiências de organização de trabalhadores a partir de arquivos sindicais, arquivos rurais, da Justiça trabalhista, e sobre a memória da resistência ao regime de exceção que o Brasil vivenciou de 1964 a 1985, diz notícia da Agência Brasil, e revela como os arquivos e documentos são extremamente importantes para reconstituir a história dos trabalhadores e, também, a história do Brasil em um contexto específico como foi o da Ditadura Militar.

O livro sem dúvida será uma ótima fonte de informação para quem se interessa pela memória e lutas trabalhistas e por esse fragmento da história recente do Brasil.

Veja trecho da notícia:

Livro eletrônico reúne documentação sobre organizações de trabalhadores e sua resistência a regime de exceção
Por Paulo Virgilio

Brasília – Está disponível para consulta na internet, a partir de hoje (30), o livro Arquivo, Memória e Resistência dos Trabalhadores no Campo e na Cidade, lançado nesta sexta-feira, no salão nobre do Arquivo Nacional, no centro do Rio de Janeiro. Com versão apenas eletrônica, a obra pode ser acessada nos portais do Centro de Documentação e Memória Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Arquivo Nacional e do Centro de Referência Memórias Reveladas.

A obra contém 18 artigos sobre experiências de organização de trabalhadores a partir de arquivos sindicais, arquivos rurais, da Justiça trabalhista, e sobre a memória da resistência ao regime de exceção que o Brasil vivenciou de 1964 a 1985. Os artigos resultam de comunicações apresentadas no 2º Seminário Internacional O Mundo dos Trabalhadores e Seus Arquivos, promovido pelo Arquivo Nacional e pela CUT, realizado no ano passado, no Rio de Janeiro. (Texto completo)

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Espionagem, mais uma herança maldita da ditadura

A retomada da democracia brasileira com a eleição presidencial em 1989, quando Fernando Collor de Mello tornou-se presidente, é também o período em que se começa a perceber o estrado causado na sociedade brasileira pela ditadura que se abateu no país nos anos 60, 70 e 80.  Foram mais de 20 anos de arbitrariedade, violência e bárbarie, provocada pela associação entre a elite econômica, a elite midiática e seus operadores da violência, os militares.

A violência policial nas ruas da cidade é uma delas, mas há outra que se torna nos dias atuais ainda mais indigesta. A presenção de espiões trabalhando para empresas, partidos políticos e até, como se percebe no escândalo de corrupção do Senador Denóstenes Torres (DEM), para a grande mídia. Veja abaixo trecho de J.Carlos Assis, na Carta Maior. Assim como o fim do regime totalitário da URSS, que liberou uma grande quantidade de agentes da polícia secreta russa, o Brasil democrático deixou uma gama de espiões sem emprego, o que tem gerado um mercado barato e sofisticado de espionagem.

No Brasil, estamos assistindo estupefatos ao descortinamento do conúbio inacreditável entre mídia e crime organizado: gravações feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça revelam que a maior revista do pais, “Veja”, teria sido regularmente pautada por bandidos que usam espiões privados, alguns egressos do antigo SNI, para muitas vezes forjar escândalos. Note-se que o SNI, Serviço Nacional de Informações, foi extinto por Collor anos atrás, e seus espiões, assim como os soviéticos, foram deixados à solta no mundo para quem pagasse melhor.

Em relação à “Veja” havia outros indícios de utilização de espiões, como tem sido bem documentado pelos jornalistas Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim. Com minha experiência de mais de 30 anos de jornalismo ativo, e tendo eu próprio sido um dos introdutores do jornalismo econômico investigativo na área econômica no início dos anos 80 – portanto, ainda sob a ditadura -, desconfio de reportagens com excesso de detalhes cronológicos, minuto a minuto – como recentemente fizeram com José Dirceu. Nenhum repórter consegue esses detalhes relativamente a fatos passados a não ser pela mão de um espião. Alguém os colhe, e a maioria que os colhe, colhe-os para vender.(Carta Maior)

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CRESCE A NECESSIDADE DE INTERVENÇÃO DO OCIDENTE NA SÍRIA, ONDE A VIOLÊNCIA ESTÁ FORA DE CONTROLE

Revolução está lançada

A luta dos manifestantes na Síria contra o regime ditadorial de Assad não é mais pela liberdade, e sim pelas suas próprias vidas, diz texto do The Observer, publicado pela revista Carta Capital. A violência atingiu níveis extremos aos quais o mundo ocidental não pode deixar de reagir, sob pena de que o incêndio já deflagrado por extremistas se espalhe ainda mais.

É justamente isso que os defensores de ditaduras e regimes autotários, como é o caso da Síria, querem, que o incêndio se espalhe, sufocando vidas humanas e possibilidades de diálogo e liberdade política.

O mundo ocidental sabe disso e, mais por temer que o incêndio também o sufoque do que por motivos propriamente humanitários, já começa, timidamente, a se mexer, afinal, como lembra o texto de Nick Cohen “as notícias que escapam ao controle dos censores sírios nos lembram todos os dias: os que dizem que não devemos fazer nada também têm sangue nas mãos”.

Veja trecho do texto:

O Ocidente tem o dever de intervir na Síria
Por Nick Cohen

A revolução síria é uma criança sem mãe. A “comunidade internacional”, tão vigorosa em suas declarações de apoio aos direitos humanos, nada faz para protegê-la. Os terroristas estatais de Assad têm liberdade irrestrita para assassinar, estuprar e lançar bombas de pregos contra os manifestantes, violentar e castrar crianças.

Para compreender a escala da barbárie, basta escutar Hamza Fakher, um ativista pró-democracia que é uma das fontes mais confiáveis sobre os crimes ocultos pelo blecaute do regime à imprensa. “A repressão é tão severa que os detidos são amontoados em contêineres de navios e despejados em pleno mar”, ele me disse. “A coisa está tão ruim que inventaram uma nova forma de tortura em Alepo, na qual aquecem uma placa de metal e forçam o detido a ficar de pé sobre ela até confessar; imagine a carne derretida atingindo o osso antes que o detido caia sobre a placa. É tão ruim que todos os manifestantes optaram pela resistência armada. Eles sabem que agora se trata de sobrevivência, não mais de liberdade. É preciso salientar isto: os sírios hoje estão lutando por suas vidas, e não por liberdade.”

A Liga Árabe age como o representante da “comunidade internacional” na região, e não acho que “desprezível” seja uma palavra forte demais para descrever seu comportamento. O chefe de sua missão de observadores na Síria é o general Mohammad Ahmed Mustafa al-Dabi, um defensor do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio e crimes contra a humanidade em Darfur. Dabi não é apenas um seguidor. Seus adversários o acusam de responsabilidade pessoal pelos massacres em Darfur. (Texto completo)

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Dilma sancionou a Comissão da Verdade

A instalação da Comissão da Verdade, que pretende esclarecer o que aconteceu na história recente do país, poderá trazer mais constrangimentos para a imprensa, ou seja, grandes grupos de mídia consolidados durante a ditadura militar.  Isso porque já há muita coisa e muita informação que mostra a relação espúria da associação entre torturadores e empresas de comunicação.

Para os militares que estão na ativa, depois de 40 anos, não há muito o que se preocupar. Quem se preocupa entre os militares são um pequeno grupo de aposentados e alguns que ainda vivem a paranóia da guerra fria. A verdade não afetará em nada a instituição militar e nem os militares que hoje estão nos postos de comando.

No entanto, poderá afetar muito a credibilidade de empresas de comunicação se vier à tona as relações entre jornalistas, torturadores e proprietários de meios de comunicação.

Talvez seja por isso  que a cobertura da mídia sobre a Comissão da Verdade é de uma má vontade inacreditável. Parece que vamos ter um outro golpe militar se a história for esclarecida; há por trás das pautas uma suspeição, um medo, um tom que diz: “é melhor deixar pra lá”.  Mas o melhor mesmo é resgatar essa história para que nunca mais aconteça.

Vale a pena ouvir a entrevista de Beatriz Kushnir, no blog do Azenha.

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Jair Bolsonaro pode ser considerado o patrono do que se convencionou chamar de PIG. Na última semana, afirmou no plenário da Câmara que Dilma deveria assumir que gosta de homossexuais. Às vezes fico em dúvida se é estratégia de marketing ou se esse sujeito é desse jeito mesmo…

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TORTURADOR DA DITADURA É ANISTIADO E ESTUDANTES DA USP SÃO ENQUADRADOS

Faixas e cartazes colocados na entrada da Reit...

Será que não há diferença entre protesto estudantes e ação do crime organizado?

Os alunos da USP que ocuparam a reitoria em protesto contra ações da PM no campus não tiveram uma atitude muito racional, mas deveriam ser anistiados.

Claro que não se deve quebrar patrimônio público nem privado, mas é preciso uma legislação para distinguir as ações de bandidos de ações políticas.

Além disso, é preciso verificar se foram os estudantes ou os policiais que quebraram  a reitoria. Há relatos de que os policiais chegaram no estilo capitão Nascimento, detonando.

Para se ter uma ideia das prioridades de segurança, o governo de São Paulo mandou centenas de policiais para retirar estudantes e não consegue esclarecer 10% dos homicídios. É uma coisa estupenda.

Não é possível uma democracia que criminalize movimentos sociais e políticos da mesma forma que trata o crime organizado.

O que nossos deputados estão fazendo? Há a necessidade urgente de separar ações políticas de ações criminais, ainda que haja reparação quando há excessos, que sejam identificados os depredadores.

Não é possível continuar como no tempo da ditadura em que ações políticas eram enquadradas como criminais. As motivações são diferentes e devem ter tratamento legal diferenciado.

Soa até estranho dizer tamanha a diferença entre dois atos, mas há uma diferença abissal entre os ataques do PCC em São Paulo e a ocupação da reitoria por estudantes em protesto.

Não é possível termos as mesmas leis para uma quadrilha de criminosos e para os jovens que ocupam uma reitoria em protesto?

Não é possível torturadores ficarem livres, que atuaram covardemente resguardados pelo Estado, enquanto estudantes são enquadrados como criminosos.

O que nossos deputados estão fazendo? É preciso uma legislação que impeça a criminalização de movimentos sociais, que impeça que agentes do Estado ajam sobre movimentos políticos da mesma forma como agem contra o crime organizado.

Aliás, o crime organizado vai muito bem no Estado de direita. Tem um banqueiro condenado que teve dois habeas corpus em 48 horas no Supremo Tribunal Federal.

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DITADURA E INTOLERÂNCIA: GRANDE MÍDIA BRASILEIRA CRIA MONSTROS E DEPOIS FICA SEM CONTROLE SOBRE ELES

Veja e o presidente que a maioria dos brasileiros escolheu. Quem criou o ódio? Quem apoiou a ditadura?

Em menos de 50 anos, a mídia brasileira cria dois monstros e depois se assusta com eles. A surpresa de Gilberto Dimenstein, da Folha, sobre os comentários intolerantes sobre Lula mostra que a mídia não aprendeu a lição da ditadura.

O primeiro monstro foi a própria ditadura. Quando o jornalista Vladimir Herzog morreu nos porões  do Doi-codi, a imprensa se deu conta do monstro que tinha apoiado e criado e que há muito tempo ele já estava sem controle.

“A água bateu na…”, como diz o ditado popular. A partir da morte de Herzog, qualquer um nas redações e em suas empresas poderia ser atacado por esse monstro. Deu medo! E a partir daquele momento, a sociedade começou a reagir com o apoio de setores da imprensa.

Até hoje, a sociedade é vítima das violências e abusos do período ditatorial, seja na postura da justiça, nas delegacias, seja na formação de milícias, violência da polícia militar etc. Mas isso parece ter pouca importância jornalística…

Atualmente, a mídia parece ter criado outro monstro, o ódio contra Lula e o PT, o ódio contra nordestino, que se manifestou desde a época da eleição, no Twitter e outras redes sociais. José Serra, por exemplo, só extrapolou e andou de mãos dadas com os ideais da extrema-direita porque teve total apoio da grande mídia.

Durante 8 anos do governo Lula, ele foi atacado de forma torpe pela revista Veja, pelo Estadão, pela Folha e por outros meios de comunicação. As ofensas não eram políticas, mas pessoais, invasivas e agressivas. Acusaram Lula de ter derrubado um avião!!!!!! Existe até um colunista da Veja que já fugiu do Brasil de tanto ódio que destilou em suas páginas.

O problema é que essa atitude não resultou em efeito político, visto que Lula saiu com mais de 80% de aprovação, mas criou o ódio em setores da classe média.

Agora esse desrespeito e intolerância estampados durante uma década poderá ter um efeito  imprevisível, assim como foi a ditadura. O ódio ficou fora de controle.

Parabéns à revista Veja, mentora intelectual desse novo monstro.

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MORTE DE KADDAFI ALERTA PARA O MOMENTO DELICADO DE TRANSIÇÃO NA LÍBIA E INTERROGA O PAÍS QUANTO AO FUTURO

Como dizem os árabes: maktub (estava escrito)

Durante todo o período de conflito atravessado pela Líbia nos últimos meses, o ditador Muammar Kaddafi sempre afirmou que só sairia de seu governo morto. E, realmente, é só assim que ele deixa sua ditadura de mais de 40 anos e entrega o país aos seus próprios conflitos internos e aos interesses internacionais.

Mais do que nunca, a realidade na Líbia é de uma delicada transição, esperemos que democrática. O país pede a ajuda da comunidade internacional, inclusive do Brasil, para retirar as minas terrestres espalhadas em vários locais por ordem de Kaddafi, e que continuam fazendo estragos em diversas cidades.

Mas as minas são apenas mais um indício da instabilidade em que se encontra o país. A celebração da morte do ditador acontece na Líbia, mas, ao mesmo tempo, essa mesma morte, por alguns festejada, interroga o país em relação ao seu futuro.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Carta Capital:

Kaddafi está morto, diz cônsul líbio
Redação Carta Capital

O Conselho Nacional de Transição (CNT) e a emissora de televisão Líbia Livre afirmaram nesta quinta-feira 20 que o ditador do país, Muammar Kaddafi, foi capturado esta manhã junto com seu filho Mouatassim, antigo chefe dos serviços de segurança Mansour Daou e o ex-chefe dos serviços secretos Abdallah Senoussi. Segundo informações iniciais, ele estaria com as duas pernas feridas por tiros. Uma televisão pró-Kaddafi desmentiu no seu site a informação de que o ex-líder teria sido capturado.

No Brasil, cônsul-geral da Líbia, Mohammed Ninfat, disse à Agência Brasil que obteve informações confirmando a morte do presidente líbio, Muammar Khadafi. Mas ele disse que está com dificuldades de falar com integrantes do Conselho Nacional de Transição (CNT). Ninfat é o chefe da Embaixada da Líbia em Brasília, pois a representação está sem embaixador. O clima na representação diplomática é de comemoração e festa. A bandeira da oposição a Khadafi está hasteada no local.

“O momento é de celebração. Mas precisaremos da ajuda da comunidade internacional. O Brasil, por exemplo, pode nos ajudar para a retirada de minas terrestres, colocadas por ordem de Khadafi em vários locais da Líbia”, disse o cônsul, lembrando que as cidades que mais sofrem por causa das minas são Brega e Zliten.

Nem Estados Unidos nem a OTAN confirmam ou negam a captura do coronel. Mas em conversa ao telefone com a agência de notícias Reuters, o líder do CNT Mustafa Abdel Jalil teria confirmado a captura.

Kaddafi estava desaparecido desde que o CNT assumiu o comando da capital, Trípoli, e das principais cidades líbias. (Texto completo)

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Democracia é antídoto contra corrupção

As marchas contra a corrupção só podem acontecer em uma democracia. Só a democracia expõe a corrupção, só a democracia expõe o poder judiciário.

Democracia é antídoto contra corrupção e é por isso que as falcatruas podem ser expostas como estão atualmente. Isso é sinal de que a democracia brasileira está dando certo.

Manifestantes contra a corrupção que são simpatizantes de regimes autoritários são na verdade a favor da corrupção. O autoritarismo e as ditaduras são as formas mais eficazes de  se praticar a corrupção.

Os regimes ditatoriais só são implantados porque grupos poderosos não estão conseguindo corromper o Estado. Então, usam armas para se apropriarem dos recursos públicos. Chile, Argentina, Brasil, Líbia, Egito, todos os regimes autoritários nesses países significaram e significam a instalação da corrupção.

Somente na democracia é possível tirar a corrupção que está debaixo do tapete.

Atualmente há muito menos corrupção no Brasil e se ela aparece é porque a nossa democracia está conseguindo combatê-la, expô-la, ainda que o poder judiciário não se dê conta que vivemos uma democracia.

O poder judiciário age como se estivéssemos sobre um regime autoritário, visto que não dá satisfação à nenhuma instituição democrática. Falta à democracia brasileira uma prestação de conta do poder judiciário.  O  CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que está combatendo a corrupção no judiciário,  é uma criação da democracia. A liberdade de expressão e de imprensa é uma criação da democracia, então não há combate à corrupção sem democracia.

No atual estado da sociedade brasileira e mundial, essas marchas de leitores da Veja e da Folha, como anotou Eduardo Guimarães, só tendem a ter um efeito inverso ao que teve nos anos que precederam a ditadura militar.  Essas manifestações tendem, mesmo que eles não tenham esse interesse, em fortalecer ainda mais a democracia. A ferida da ditadura ainda está aberta no Brasil.

Não podemos ter receio da marcha contra a corrupção, mas é preciso evitar que o discurso autoritário e reacionário tome para si o discurso moralista de combate a corrupção. Só a democracia combate a corrupção.

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“O DIA EM QUE EU NÃO NASCI”, FILME DO DIRETOR FLORIAN COSSEN, MOSTRA COMO A DITADURA APAGA PARTE DA MEMÓRIA DAS PESSOAS AFETADAS POR ELA

A quase inexistência de um período da vida daqueles que são vítimas das ditaduras, aumenta ainda mais a importância de um projeto como a Comissão da Verdade, em discussão no Brasil

Da Carta Capital

Eles têm o direito de saber
Por Matheus Pichonelli

Há uma pergunta recorrente ouvida por Maria durante sua estadia forçada em Buenos Aires em “O Dia Em Que Eu Não Nasci”, filme do diretor Florian Cossen que acaba de entrar em cartaz em São Paulo. “Lembra-se?”, perguntam tia, tio e amigos sobre episódios da infância da personagem interpretada por Jéssica Schwarz. Um passado que ela nem sonhava que existia.

Maria se esforça, mas não se lembra. Nadadora alemã, ela faz uma conexão na capital argentina durante uma viagem rumo a Santiago, no Chile, quando perde o voo e se vê obrigada a estender sua passagem pela cidade. Ainda no aeroporto, ela ouve uma mulher ao seu lado ninar o filho com uma canção em espanhol. Pode parecer um detalhe. Mas o som do que acontece ao lado só é captado após retirar os fones do iPod dos ouvidos. Quase no mesmo instante, a música transporta Maria a algum canto da primeira infância que a leva a uma crise de choro que, a princípio, não entende – como era possível saber de cor a letra de uma música numa linguagem que ela não domina?

Essa é apenas uma das muitas perguntas que a levam a permanecer na cidade até começar a desvendar o mistério: Maria, na verdade, não é alemã, mas uma argentina cujos pais desapareceram durante a mais sangrenta ditadura da história do País.

A partir de então, uma série de questionamentos passa a ser levantada: quem são seus verdadeiros pais? Como viviam? Quem é sua verdadeira família? Como foi parar na Alemanha? Como os pais adotivos entraram na história?

A passagem por Buenos Aires, que mudaria pra sempre sua vida (ou a antiga projeção de vida) a leva a conhecer a família dos verdadeiros pais, e parte de uma infância que desconhece. Numa casa simples de subúrbio, caixas com pertences, áudios e fotos são guardadas em memória de uma sobrinha que desaparecera nos anos 1970, na mesma época em que os pais foram sequestrados, e de quem nunca mais se teve notícias. Os tios que sobreviveram à ditadura contam a ela detalhes sobre sua vida anterior: os brinquedos, músicas e lugares favoritos. A cada episódio, Maria é perguntada: “Lembra-se?”. (Texto completo)

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Câmara durante a votação

Foi por meio de um acordo entre governo e oposição que a Comissão da Verdade foi aprovada pela Câmara e segue agora para o Senado. A Comissão deve ser composta por sete membros indicados pela presidente da República e terá um prazo de dois anos para investigar violações de direitos humanos promovidas pelo Estado no período de 1946 a 1988, ou seja, durante o regime ditadorial.

Embora muitos digam que não se deve mexer no passado, a Comissão, caso venha de fato a ser aprovada, tem uma importância social, histórica e humana indiscutível para o país, além de ser o mínimo que o estado brasileiro dito democrático pode fazer por aqueles que perderam suas vidas e foram violados em sua integridade física e moral para defender, justamente, a democracia que hoje graça em alto e bom som nos discursos políticos e é tida como uma das principais conquistas brasileiras.

Outros países vizinhos como a Argentina, por exemplo, já deram à história a chance que ela precisava de ser enfim conhecida. No entanto, há um receio de que as alterações realizadas no projeto da Comissão para que ela pudesse ser aprovada possam comprometer seus resultados efetivos. Um ponto de polêmica entre alguns deputados é uma Comissão negociada com os militares, por exemplo, que não responsabilizaria de fato os culpados, já que, por esses últimos, a Comissão sequer existiria.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Rede Brasil Atual:

Câmara faz acordo e aprova projeto que cria Comissão da Verdade
Governo e oposição fizeram acerto para incorporar emendas. Texto segue para o Senado
Por Virginia Toledo

São Paulo – Votada em regime de urgência, a Comissão da Verdade foi aprovada pela Câmara Federal no fim da noite desta quarta-feira (21). A votação do projeto foi possível graças a um acordo entre o governo e os partidos de oposição para incorporar emendas ao texto. A matéria segue agora para apreciação do Senado.

Uma das emendas, do líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), prevê que qualquer cidadão interessado em esclarecer situação de fato revelada ou declarada pela comissão terá a prerrogativa de solicitar ou prestar informações para esclarecer a ocorrência.

A comissão, composta por sete membros indicados pela presidente da República, terá dois anos para investigar violações de direitos humanos promovidas pelo Estado no período de 1946 a 1988. Outros 40 países, como Argentina e África do Sul, por exemplo, já tiveram experiências similares para permitir que a história fosse conhecida.

De acordo com o projeto, a comissão poderá requisitar informações a órgãos públicos, convocar testemunhas, promover audiências públicas e solicitar perícias. As atividades serão públicas e os resultados da apuração serão encaminhados à Justiça. Nenhum poder de responsabilização penal ou criminal competirá aos membros do órgão.

Não poderão ser escolhidos para integrar a Comissão da Verdade pessoas que exerçam cargos executivos em partidos políticos, exceto se for de natureza honorária; os que não tenham condições de atuar com imparcialidade; e os que estejam no exercício de cargo em comissão ou função de confiança em qualquer esfera do poder público.

Toda a documentação que for apurada pelos trabalhos do grupo será enviada para o Arquivo Nacional e deverá posteriormente ser aberta para livre consulta. (Texto completo)

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Democracia é o melhor remédio contra corrupção

Há muita confusão até mesmo nos setores mais avançados da sociedade brasileira. É claro que não se pode deixar as alas mais conservadoras se apropriarem de um discurso que poderia gerar uma repetição da história do golpe de 64.

A condenação das manifestações contra a corrupção são válidas enquanto reflexão histórica sobre os períodos pré-ditadura de 64, quando o discurso udenista se utilizou desse bordão pra abrir caminho para a ditadura.

Mas a luta contra a corrupção não pode ser uma bandeira da direita mais retrógrada do país. Mesmo porque é essa direita mais retrógrada que condena a democracia e que se beneficia da corrupção. É estranho ver gente alinhada aos pensamentos mais progressistas condenarem de forma integral qualquer manifestação contra a corrupção. Acredito que precisamos ter ponderação para não nos alinharmos ao sistema de corrupção.

A luta contra a corrupção tem de ser uma bandeira também das alas mais progressistas. Mas deve ser uma bandeira fundada na história e nos aspectos mais técnicos para o aperfeiçoamento da democracia, nunca contra a democracia. Contra a corrupção, mas com democracia. Só a democracia pode diminuir a corrupção. A ditadura é a institucionalização da corrupção; é a corrupção sem limites.

Não é possível continuarmos como uma das principais economias do mundo e o país mais desigual do mundo. E, com certeza, a corrupção é um fator importante para manter a desigualdade social e econômica. Se o dinheiro que vai para o Ministério dos Transportes ou para o Ministério da Saúde e não chega a uma parte da população, a desigualdade persiste.

Por isso, o voto secreto para parlamentar só é importante em regimes autoritários. Assim, a Constituição 1937, que rompe com o voto secreto do parlamentar, é na verdade a inauguração da ditadura. Isso ocorre, obviamente, porque é uma ditadura. A mesma realidade acontece com a ditadura militar, no episódio em que parlamentares da Arena votaram contra a ditadura, que tentava processar Márcio Moreira Alves, graças ao voto secreto. Ou seja, voto secreto para parlamentar só na ditadura.

Já na democracia o voto secreto serve para desestabilizar o governo, minar a base governamental e abandonar totalmente a ideia de representatividade e relação com o eleitor.

Em uma democracia, é inaceitável que o parlamentar possa esconder seu voto, seja do governo, seja da sociedade. É preciso ter caráter político. Ninguém vai ser perseguido numa democracia. Não podemos pensar a democracia com cabeça de ditadura.

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NA LÍBIA, REBELDES ASSUMEM CONTROLE DA CAPITAL DO PAÍS COM APOIO DA OTAN E AUMENTAM PRESSÃO SOBRE KHADAFI

Tomada de Trípoli: bombardeio e saldo de vítimas variando de 1.300 a 3 mil

Os 42 anos do governo ditadorial do líder líbio Muammar Khadafi parecem estar com os dias contados. O amplo apoio internacional à queda do ditador somado à proporção que vêm alcançando os protestos dentro do país reforçam essa impressão.

Com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os grupos rebeldes assumiram o controle da capital do país, Trípoli, até então o último reduto importante de forças leais a Khadafi e encontraram pouco resistência, segundo agências de notícias. Um dos filhos de Khadafi foi feito refém durante a operação e o presidente do Conselho Nacional de Transição, principal organização dos rebeldes, promete que ele só será liberado quando Khadafi deixar efetivamente o poder.

O ditador, no entanto, promete resistir até o fim, mesmo estando cada vez mais fragilizado internamente, do ponto de vista militar com o avanço dos rebeldes; e externamente, do ponto de vista geopolítico, já que países como Estados Unidos, Alemanha, França e Grã-Bretanha consideram que o governo do ditador já chegou ao fim. O presidente Hugo Chávez é o único que continua apoiando o líder líbio, alegando que a ação dos países europeus e dos EUA apenas impede que o regime e o povo do país vivam em paz.

No entanto, o caminho para a paz parece cada vez mais delicado no caso líbio. Duas violências se chocam no país: a dos protestos, agora reforçados pela Otan, e a da longa ditadura de Khadafi.  E violência, seja ela qual for, parece não ser o melhor dos caminhos para se chegar à paz!

Veja notícia sobre o assunto publicada pela Rede Brasil Atual:

Rebeldes líbios alcançam Trípoli e detêm filho de Khadafi
Por Redação da Rede Brasil Atual

São Paulo – Após um fim de semana de ações coordenadas entre grupos rebeldes e bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os insurgentes alcançaram a capital líbia, Trípoli, e teriam encontrado pouca resistência, segundo agências de notícias. Um dos sete filhos e sucessor de Muammar Khadafi, Saif Al Islam, teria se rendido aos rebeldes de acordo com informações do Tribunal Penal Internacional (TPI).

Os relatos foram publicados ainda na noite de domingo (21) e na madrugada desta segunda-feira (22). O canal da emissora estatal do país foi tirado do ar, bem como a rede Al-Libiya, que pertence a Saif al-Islam.

O presidente do Conselho Nacional de Transição, principal organização dos rebeldes – e reconhecido por países europeus e pelos Estados Unidos como um regime legítimo –, Mustafa Mohammed Abdul Jalil, sustenta que o movimento será encerrado apenas quando Khadafi renunciar. Jalil promete manter o filho capturado do “em um local seguro até que seja entregue ao Judiciário”.

Horas depois de os insurgentes terem assumido o controle da maior parte da capital, último reduto importante de forças leais a Khadafi, aconteceram embates violentos na área em volta do quartel-general do líder, onde ele reside desde maio. Segundo a rede britânica BBC, rebeldes admitem que forças favoráveis ao líder líbio ainda controlam de 15% a 20% de Trípoli. O regime líbio afirma possuir 65 mil soldados sob seu comando.

Apesar de a resistência ter sido menor do que a esperada, o porta-voz e ministro das Comunicações de Khadafi, Moussa Ibrahim, disse que 1.300 pessoas foram mortas na cidade de sábado para domingo. Outras fontes sustentam que o saldo trágico dos embates alcançaria 3 mil vítimas fatais. (Texto completo)

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Anistia ampla, geral e justa!

A revisão da atual Lei de Anistia que inocenta tanto os opositores do regime militar quanto os agentes de estado que o financiaram às custas de diversos crimes contra o ser humano e contra o processo democrático segue indefinida. O Projeto de Lei 573 que pede a interpretação autêntica da Lei de Anistia enviado ao Congresso pela deputada federal por São Paulo Luíza Erundina no início desse ano, pede que ela seja interpretada no contexto atual, não levando em consideração a sua aprovação pelo Congresso Nacional em 1979, uma outra época, onde justamente eram os militares e agentes do estado – os maiores beneficiados pelos atuais termos da Lei – que estavam no poder.

No entanto, o PL continua parado mudando de comissão em comissão e as previsões em relação à efetiva revisão da Lei solicitada por ele tornam-se cada vez mais pessimistas. Se elas vierem a se concretizar, sem dúvida, isso representará uma mancha no processo de redemocratização brasileiro, afinal, a revisão da Lei permitiria que os crimes relacionados à ditadura fossem punidos ou, ao menos, revelados, além de reforçar a necessidade da criação da Comissão da Verdade, outro ponto de discussão.

De qualquer forma, se interesses particulares continuarem esbarrando nos interesses históricos e democráticos, o Brasil dificilmente poderá render homenagens a uma democracia que, na verdade, é apenas de faz de conta.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Carta Capital:

A revisão da Lei de Anistia segue em banho-maria
Por Ricardo Carvalho

Em meados de 2010, frente a uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Supremo Tribunal Federal (STF) optou por manter a anistia política tanto para os opositores do regime militar (1964-1985) quanto para os agentes do estado que cometeram crimes de lesa-humanidade, como tortura e ocultação de cadáver. Em novembro do mesmo ano, a Corte Interamericana de Direitos Humanos também condenou a Lei de Anistia brasileira, que, de acordo com a corte, impede a “investigação e punição de graves violações de direitos humanos”. Diante desse histórico, a deputada federal por São Paulo, Luiza Erundina, enviou ao Congresso Nacional, no início de 2011, o Projeto de Lei 573, que “dá interpretação autêntica à aplicação da Lei da Anistia política”. Segundo a deputada, uma vez que o então relator do julgamento do STF, Eros Grau, arguiu “que a Lei da Anistia foi aprovada pelo Congresso Nacional em 1979, cabe ao poder legislativo corrigir suas contradições”.

O principal ponto do PL é que, ao contrário do estabelecido pelo STF, a Lei da Anistia não deve contemplar os crimes conexos, cometidos por agentes públicos ou civis contra pessoas que praticaram crimes políticos. Até junho, o PL estava sob análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, quando, a pedido do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), passou para a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, a qual preside. Como relator, foi designado o deputado pelo Piauí Hugo Napoleão (DEM).

Em entrevista a CartaCapital, Erundina criticou a mudança de comissão. “Não havia necessidade da mudança. Não se sabe por quanto tempo o projeto tramitará lá (na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional) e o relator é de uma força política que deu sustentação ao regime militar”. Na prática, diz a deputada, há também o risco de que o projeto saia da Comissão de Relações Exteriores e Defesa com um parecer contrário a revisão da Lei da Anistia. (Texto completo)

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Já passa da hora de fazer justiça aos que por ela lutaram

Se com o passar do tempo o próprio país não consegue resolver seus problemas e corrigir injustiças sociais e históricas, não demora muito para que a solução venha de fora. A ONU (Organização das Nações Unidas) apela para que o Brasil inicie de forma imediata uma investigação em torno da tortura e violações de direitos humanos ocorridas durante os anos da ditadura e puna os responsáveis, como mostra reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Os crimes cometidos durante a ditadura militar parecem incomodar muita gente. As desculpas para não apurá-los são várias e vão desde frases como “não se deve mexer na história, é preciso resguardá-la, o passado deve ficar onde está”, até coisas do tipo, “são feridas que não devem ser reabertas”. Eufemismos que traduzem o medo que muitas pessoas têm da verdade que, uma hora ou outra, sempre aparece. Tarda, mas não falha como já diria o ditado.

Para os que dizem que o governo da presidente Dilma desistiu de abrir as portas do passado militar e apoia o sigilo eterno de documentos, como destaca reportagem do Estadão, um post publicado no Conversa Afiada esclarece melhor o fato mostrando que a presidente (também ela torturada durante a ditadura) apenas retiraria o regime de urgência e permitiria que a Comissão de Relações Exteriores tivesse mais tempo para discutir o projeto. Mas a decisão pela não abertura das caixas pretas da ditadura não foi tomada em nenhum momento.

No entanto, o apelo da ONU bem como a devolução pela entidade de documentos que listam 242 centros de torturas no Brasil nos anos da ditadura, além de revelar 200 tipos de tortura aplicadas sobre os brasileiros, afetando 444 pessoas, ajudam a lembrar como é importante um país ter coragem de encarar a própria história, para depois poder ter reais condições de se dizer um país democrático.

Veja trechos de notícias sobre o assunto publicadas no Estadão e no Conversa Afiada:

ONU devolve documentos de 444 brasileiros torturados
Por Paulo Henrique Amorim

No Estadão, o ex-presidente Sarney diz que é preciso manter trancados os documentos do regime militar, para não reabrir feridas: o país não pode permitir um WikiLeaks, ele disse.
O senador e ex-presidente Collor também decidiu trancar o projeto que abre os documentos do regime militar com o argumento de que é preciso resguardar a História.

Este Conversa Afiada está desconfiado de que a preocupação do ex-presidente Collor não seja com a História, mas com o assassinato do P.C. Farias.
Talvez, o ex-Presidente Sarney esteja mais preocupado em preservar seu Ministro da Guerra, General Leônidas Pires Gonçalves, que garantiu: sob seu comando não houve tortura.
Segundo Leônidas, Vladimir Herzog morreu porque era psicologicamente instável. (Texto completo)

ONU faz apelo para que Brasil inicie investigação imediata sobre a tortura nos anos da ditadura
Para instituição, devolução de caixas com dados de 242 centros de tortura no Brasil deve ser aproveitada; entidade também mostrou insatisfação com apoio do governo a sigilo eterno de documentos
Por Jamil Chade / GENEBRA

A ONU apela para que o Brasil inicie de forma imediata uma investigação em torno da tortura e violações de direitos humanos ocorridas durante os anos da ditadura e puna os responsáveis. Para as Nações Unidas, a devolução das caixas com informações sobre a existência de pelo menos 242 centros de tortura no Brasil pelo Conselho Mundial de Igreja deve ser aproveitada para rever a posição do País em relação a como lidar com o seu passado. A ONU não esconde sua insatisfação com a decisão da presidente Dilma Rousseff de manter fechados os arquivos nacionais.

“A esperança que temos agora é de que essa ação de devolução dos arquivos leve o governo brasileiro a agir “, disse o relator da ONU contra a tortura, Juan Mendez. ” O Ministério Público brasileiro e juízes precisam honrar esses documentos, abrindo processos contra torturadores e revelando o que de fato ocorreu naqueles anos para que toda a sociedade brasileira saiba do seu passado “, disse. (Texto completo)

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Sbt faz a novela que a Globo esqueçeu de fazer ao som de Chico Buarque de Holanda

Quem diria, o Sbt do Silvio Santos lança hoje uma novela, Amor e Revolução, que deve mostrar que ditadura foi ditadura. É isso que prometeu o making of apresentado ontem à noite, com frases como: “ditadura nunca mais!”

Veja bem como o mundo gira. Roda moinho, roda-gigante, Sbt é mais democrata que a Folha que se vangloriava da cobertura das Diretas já.

Para o Sbt, ditadura não é ditabranda como pensa a Folha de S. Paulo.

O Sbt  parece ter acordado para a democracia brasileira e para um ambiente de competição criativa.  Se temos democracia e liberdade, vamos fazer novelas. A emissora de Silvio Santos pode fazer a novela que a Globo não fez.

A novela pode se tornar um marco na dramaturgia brasileira, assim como foi Pantanal (da antiga Manchete) e outras novelas da Globo que abocanharam temas que dialogavam diretamente com dramas e angústias da sociedade.

No Sbt de Sílvio Santos tudo é imprevisível, mas é ver para crer.

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Veja vídeo:

JAIR BOLSONARO, DO PP, E ALI KAMEL, DA REDE GLOBO, PROVAM QUE NÃO SOMOS RACISTAS; VEJA ENTREVISTA DO DEPUTADO AO CQC

O mentor ideológico e funcionário da Rede Globo, Ali Kamel,  escreveu um livro para dizer que nós brasileiros não somos racistas.

E Bolsonaro, do PP, é representante de parte do eleitorado brasileiro.

Kamel e Bolsonaro são as duas faces de uma mesma moeda. A moeda da tragédia e da desigualdade brasileira.

Há duas monstruosidades no vídeo com a entrevista do Bolsonaro no CQC: a primeira é defender a ditadura e, a segunda, é a resposta à Preta Gil. Além de outras infâmias.

Preta Gil promete processar Bolsonaro .

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CORTE INTERAMERICANA MOSTRA CLARAMENTE QUE O PROBLEMA DA DEMOCRACIA BRASILEIRA ESTÁ NO JUDICIÁRIO, NA MAIS ALTA CORTE

O Brasil é um país da cordialidade como estereótipo e tortura como prática e ideologia. A condenação do Estado Brasileiro pela Corte Interamericana em relação aos crimes da ditadura é uma condenação da justiça brasileira: cara, irresponsável, arrogante, empolada, injusta, parte corrupta e atrelada a setores conservadores. O Supremo recentemente legitimou a tortura herdada na ditadura. A Corte Interamericana tenta reverter essa injustiça.

Até hoje o Brasil é o único país sulamericano que não apurou e verificou a fundo os crimes cometidos durante a ditadura, um regime apoiado por meios de comunicação em defesa de seus interesses econômicos, que violentou a soberania do povo brasileiro e saiu do controle da sociedade civil.

A ditadura brasileira se transformou em poucos anos em um regime de extermínio e tortura, legitimado pelo Estado e por parte da sociedade civil que depois se arrependeu.

Na última eleição, no entanto, voltaram à tona. A extrema-direita e setores mais conservadores da sociedade brasileira, os mesmos setores que legitimaram a tortura e um Estado criminoso, saíram do armário durante a campanha hedionda de José Serra. A campanha do PSDB conseguiu tirar do armário o que há de pior na sociedade brasileira, o que persiste como pilar de privilégios e violência há 500 anos. A xenofobia contra nordestinos e outras vilanias.

Veja abaixo os vídeos da OAB-RJ a favor da apuração dos fatos criminosos ocorridos na ditadura militar. É preciso saber a verdade.

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HERANÇA DA DITADURA, TORTURA PRATICADA POR POLICIAIS É LEGITIMADA PELO SUPREMO

Supremo pode absolver torturadores

A violência policial é muito presente na vida dos brasileiros em todas as classes sociais. Ninguém escapa, mas é a população negra e que mora em favela ou na periferia que sente na pele a herança da ditadura militar. Os exemplos saltam nos jornais todos os dias. Veja o mais recente caso de tortura e morte praticado por policiais em São Paulo.

A violência e tortura policial, que ainda resiste após 20 anos de democracia, mostram que esse legado da ditadura está consolidado como prática constante no Brasil. Acontece com jovens que fazem pequenos furtos, mas a maioria dos torturados e mortos é de trabalhadores sem passagem pela polícia, inocentes. Há uma cultura, gerada pelos torturadores da ditadura militar no Brasil, que é a cultura do temor à autoridade, temor policial.

A pacificação gerada pela Lei da Anistia é uma grande falácia. A violência dos torturadores militares ou a serviço de militares durante a ditadura escapou ao controle do Estado e da sociedade. Claro que não são todos os policiais, assim como não foram todos os militares que torturaram. É preciso saber quem são e puni-los.

O Supremo Tribunal Federal, ao legitimar a Lei da Anistia, acabou por legitimar a tortura que acontece atualmente no Brasil.

Se historicamente não punimos torturadores, continuaremos a ser lenientes com essa prática horrenda.

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