Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: economia

Apenas 44 deputados votaram a favor do SUS e contra seus próprios interesses; veja lista

A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 10 de fevereiro, em segundo turno, a PEC do Orçamento Impositivo, que obriga a União a repassar cerca de 1,2% de sua receita corrente líquida às emendas parlamentares individuais (Mais)

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Dilma mantém no BNDES professor da Unicamp que concentrou ainda mais o mercado brasileiro

AG BRLuciano Coutinho continua no BNDES A Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto informou que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, vai permanecer More…

Brasil dos oligopólios: em 50 anos, país consolidou uma economia dominada por cartéis

Brasil dos oligopólios: 10 empresas dominam até 70% das vendas dos supermercados

Massa falida: 8,1% dos brasileiros são donos de quase 90% de toda a riqueza do país

Remédio de Aécio Neves para a economia será catastrófico, diz professor da Unicamp

‘Campinas é ilha que parou no tempo’, diz assessor de Marina Silva sobre economistas da Unicamp

Banco Central independente está na raiz da crise hipotecária dos EUA e da Europa

Assessor de Marina chama Unicamp de cria do regime militar e professores respondem

Em 10 anos, salário mínimo foi responsável por 70% da redução da desigualdade

Sabesp e Petrobrás devem ser as estrelas das próximas eleições

A Sabesp e a Petrobrás devem ser as estrelas das próximas eleições. As duas empresas representam, de certa forma, o modelo de administração pública na economia de PSDB (que comanda a estatal Sabesp há 20 anos) e do PT (que comanda a Petrobrás há 12 anos). Ambas empresas de economia mista. A diferença básica entre as duas empresas (Continue Lendo…)

A Bolsa de Valores e o mercado de capitais nos ajudam a decidir o voto para presidente

Multinacionais tomaram o Estado brasileiro após golpe de 64, diz pesquisa da Unicamp

PROTESTOS NO BRASIL AJUDARAM O GOVERNO DILMA ROUSSEFF A REDUZIR A INFLAÇÃO, QUE CAIU NO ITEM TRANSPORTE EM JULHO

Protesto Contra Aumento das Passagens de Onibu...Inflação oficial recua na prévia de julho e fica em 0,07%

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A prévia de julho deste ano da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), ficou em 0,07%. A taxa é inferior à de junho, 0,38%. O dado foi divulgado hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As principais contribuições para o recuo da inflação vieram dos grupos de despesas transportes (que passou de uma inflação de 0,1% na prévia de junho para uma queda de preços de 0,55% em julho) e alimentação (que passou de uma inflação de 0,27% para uma queda de preços de 0,18%).

Entre os itens que individualmente mais contribuíram para uma taxa menor em julho estão o tomate, que ficou 16,78% mais barato em julho, o etanol (-3,71%), a gasolina (-0,69%) e ônibus urbano (-1,02%).

No setor de transportes, também tiveram influência importante para a redução do IPCA-15 os itens seguro voluntário (-1,82%), ônibus intermunicipal (-0,91%), metrô (-2,02%) e trem (-1,15%). O IPCA-15 acumula taxas de 3,52% no ano e de 6,4% nos últimos 12 meses.

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LIBERDADE E IGUALDADE: DINAMARCA PODE SER O CAPITALISMO QUE DEU MAIS CERTO

Por que os dinamarqueses são o povo mais feliz do mundo

Diário do Centro do Mundo/Paulo Nogueira

Gunnar Myrdal

Gunnar Myrdal

NÃO SEI O GRAU DE precisão, de acurácia dos testes que supostamente determinam as taxas de felicidade dos países. Mesmo assim, com todo o ceticismo que se possa ter sobre o tema: este vídeo impressiona. Especificamente: o que ele mostra sobre como vive um lixeiro na Dinamarca.

Casa boa, inglês bom, vida boa. Modestamente, ele diz que de zero a dez, na escala da felicidade, fica com oito.

Não olha o repórter de baixo para cima, e tampouco é arrogante ou arredio. É um cidadão completamente integrado à sociedade. Não foi barrado na vontade de treinar o time feminino de handebol da escola de suas filhas  por ser lixeiro. Recebe em sua jornada bom dia, café e tudo aquilo que faz parte da rotina de profissionais de ramos nobres.

Nos países nórdicos, como a Suécia e a Dinamarca, vigora uma cultura igualitária. Como diz o cientista social no vídeo, ninguém é melhor que ninguém, a despeito da fortuna de cada um, ou da inteligência, ou do que for.

Não são países desenvolvidos apenas socialmente.  Um estudo do Fórum Econômico Mundial mostrou mais uma vez  um notável domínio nórdico na lista dos países mais avançados em tecnologia de informação.  O primeiro e o terceiro lugares são a Suécia e a Dinamarca. Entre os países emergentes, a China e a Índia conquistaram posições em relação ao ano anterior. O Brasil ficou parado na 61.a colocação. É uma lista que se deve olhar porque  revela o capital humano das nações.

Não estamos bem, mas melhoramos.

Vou à Escandinávia sempre que posso. No final de 2012, andei de bicicleta em Copenhague, vi em Oslo uma sessão do julgamento de Breivik e errei por Reiquijavique. A Escandinávia é uma quase utopia, e o mundo vai se dando conta disso agora. Raridade das raridades, grandes corporações e milionários pagam a justa cota de impostos, e aí repousa a base de uma sociedade em que a educação pública é admirável, e a saúde pública também — na qual, enfim, verdadeiramente impera o interesse público.

Vocês acompanharam os erros históricos da mídia brasileira nos últimos dias. Na Dinamarca, onde a fiscalização da mídia é feita por um órgão independente tanto do governo quanto das corporações jornalísticas, as retratações têm que ser feitas na primeira página. E multas podem ser elevadas para que o jornalismo seja menos irresponsável.

O jeito de ser nórdico deve muito a um pensador extraordinário, o sueco Gunnar Myrdal (1898-1987).  Nobel de Economia em 1974, Myrdal nos anos 40 teve uma influência comparável à de John Maynard Keynes na defesa de um capitalismo no qual o mercado não fosse visto como um deus que corrigiria todos os problemas automaticamente e, portanto, estava acima do bem e do mal. Keynes ganhou projeção maior não por ser melhor que Myrdal, mas por causa da língua inglesa.  Num momento em que o capitalismo em crise parecia confirmar a profecia de Marx de um mundo comunista, Myrdal, como Keynes, ofereceu uma saída dentro do próprio modelo capitalista.

Myrdal defendeu epicamente que o Estado desse aos cidadãos educação e saúde de alta qualidade.  Suas idéias triunfaram nos países nórdicos e explicam a vida do lixeiro do vídeo e a dominância na lista global na tecnologia da informação. (Texto integral)

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PASSE LIVRE É VIP! O QUE ACONTECERIA SE O TRANSPORTE PÚBLICO EM SÃO PAULO SE TORNASSE GRATUITO?

Ônibus de graça é um luxo!

Ônibus de graça é um luxo!

Aconteceriam muitas coisas, veja só:

1. A primeira seria a economia de quase todas empresas da cidade que têm empregados. Sem a necessidade de gastar com vale-transporte, o empresário aumenta a sua lucratividade.

2. As madames dos jardins e as pessoas que precisam de serviço doméstico também sairiam ganhando porque também economizariam em torno de 30% no custo do empregado. Seria uma ótima notícia para os bairros nobres,  ainda mais agora que o Brasil da Dilma Rousseff garantiu direitos trabalhistas para as empregadas domésticas.

3. Os trabalhadores em geral e os trabalhadores domésticos também sairiam ganhando porque não se anda de ônibus apenas de casa para o trabalho, mas para muitas outras coisas, inclusive para médicos, escola, lazer, etc. A população teria mais acesso à cultura.

4. Além disso, uma empresa com vários funcionários poderia contratar mais só com a economia do dinheiro do transporte. Bom para as empresas e para quem está desempregado.

5. Com a gratuidade, muita gente que tem carro poderá deixar o carro em casa. Como o sistema é muito ruim, isso com certeza levará algum tempo, mas logo se notará uma melhora no trânsito, com a diminuição do número de automóveis.

6. Diminuindo o número de automóveis, a velocidade aumenta e os congestionamentos diminuem, podendo até acabar. Isso geraria uma economia enorme para a cidade. Melhorando o fluxo, as madames dos jardins e áreas nobres não precisariam pegar o busão, mas andar tranquilamente com seu carrão, sem trânsito. Uau! Que luxo!

7. Isso sem contar com a facilidade e melhora na agilidade do atendimento de ambulâncias, policiais e do corpo de bombeiro.

8. Tudo lindo, mas quem vai pagar a conta? A conta deve ser paga por quem está ganhando. As empresas e os mais endinheirados. É, além de tudo, uma ótima forma de se fazer justiça social, cobrando uma taxa para o transporte público de quem anda de helicóptero, grandes empresas e áreas nobres.

9. Sendo gratuito, os cobradores não seriam mais necessários. Sim, isso geraria desemprego, mas poderá ser absorvido pelos novos empregos que serão gerados, inclusive como motorista de ônibus, visto que será necessário aumentar o número de ônibus com o aumento da demanda.

10. As empresas de ônibus ganhariam muito mais. O número de ônibus seria muito maior para atender a demanda.

11. E mais importante, o transporte público gratuito mudaria uma política que dá errado há mais de 50 anos. Por mais que se faça, o trânsito de São Paulo só piora, mesmo com gastos estratosféricos em ruas, avenidas, rodoanel, pontes, etc, etc. Então, faz muito sentido testar uma alternativa. E se não der certo? Bom, aí empatou.

12. Pensando bem, e por tudo isso, acho que essa proposta é vip e beneficiaria os mais ricos (rs…rs…), mesmo que eles paguem por essa mudança.

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MODELO NEOLIBERAL DE MILTON FRIEDMAN PODE TER CHEGADO AO FIM NO BNDES DE LUCIANO COUTINHO

Será o fim do neoliberalismo no BNDES?

Será o fim do neoliberalismo no BNDES?

Inflação resistente, concentração de capital, aumento dos juros e piora na balança comercial. Esse é o cenário que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ajudou a construir no Brasil nos últimos anos com sua política que parece ter saído do neoliberalismo do consenso de Washington. Enquanto os governos Lula/Dilma avançavam na distribuição de renda, o BNDES comandado por Luciano Coutinho, concentrava empresas e capital.

Nos últimos anos, o banco torrou dinheiro público para financiar a concentração do mercado, ao formar grandes grupos como os frigoríficos JBS e Marfrig, Fibria (papel), OI (telecomunicação), Brasil Foods (Sadia/Perdigão) e LBR (laticínios). A aposta, como já era de se esperar, foi um fiasco para o banco e para o Brasil. Apenas esses seis conglomerados pegaram do banco R$ 13 bilhões para concentrar renda e capital. E nesse valor não está computado o juro abaixo do mercado, conforme informação de Samantha Maia, em reportagem da Carta Capital.

A ilusão do banco era incentivar as exportações, mas obviamente deu tudo errado. O número de empresas exportadoras diminuiu com essa concentração e com problemas externos. O banco que teve um lucro via BNDESpar de R$ 4,3 bilhões em 2011 caiu para R$ 298 milhões no ano passado. Além disso, esses grandes conglomerados cresceram demais, se endividaram e o banco está correndo o risco de tomar enormes prejuízos junto com o povo brasileiro, que vai pagar a conta. Sem contar o número de demitidos que acontecem quando há concentração de capital. Se o BNDES fosse uma empresa, Luciano Coutinho, já teria sido demitido. Não é, e isso explica um pouco as dificuldades do governo Dilma Rousseff com a inflação, os juros e a balança comercial.

A reportagem de Samantha Maia diz que o banco decidiu mudar de rumo depois de tantos erros e pretende investir em empresas com potencial tecnológico. Essa ideia é um grande acerto, mas não deveria ser só isso. O BNDES deveria ser o cérebro da ação prática da política econômica do governo federal, atuando junto com o Banco Central no combate à inflação, na redução dos juros e dinamização da economia brasileira.

Com todo o arsenal de dados e informações disponíveis no governo, é possível fomentar investimentos em áreas de inflação resistente, multiplicando o número de empresas que produzem itens inflacionados ou itens de dependência tecnológica (e não o contrário, concentrando o mercado com o financiamento de fusões e aquisições).

Outra aposta de combate à inflação é a multiplicação de médias empresas que utilizam matéria-prima agrícola de consumo das famílias brasileiras ou financiando empresas e cooperativas de agricultores. Há uma infinidade de atuações que o banco poderia desenvolver com os dados presentes no próprio governo a fim de contribuir com o desenvolvimento não só econômico, mas também social do país.

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“ENGENHARIA SEM FRONTEIRAS”: PROFESSOR BRASILEIRO QUE TRABALHA NOS EUA APONTA AS FALHAS E O VIÉS CAPITALISTA DO PROGRAMA DO GOVERNO FEDERAL

A presidenta Dilma no lançamento do programa "Ciências sem fronteiras"

A presidenta Dilma no lançamento do programa “Ciências sem fronteiras”

Do Facebook de Idelber Avelar, professor na Tulane University (New Orleans, Louisiana).

Por Idelber Avelar

Aqui vão algumas observações, fruto de uns meses de reflexão e apuração sobre o Ciência sem Fronteiras. Esclareço aos amigos beneficiados pelo programa que se trata de observações sobre o CSF do ponto de vista de política pública, é óbvio. Quem competiu dentro de um edital legalmente constituído e conquistou a bolsa merece só os parabéns e os votos de que aproveite.

Sei que o CSF inclui a pós-graduação, mas os comentários que seguem se limitam à graduação.

1. O Ciência sem Fronteiras, assim como Belo Monte, é obsessão pessoal da Presidenta. Ele foi instituído da seguinte forma: Dilma convocou os Presidentes da Capes e do CNPq e comunicou-lhes que o Brasil enviaria 100 mil estudantes ao exterior. Assim, desse jeito. Não surpreende, então, para quem conhece o cotidiano autocrático do Palácio do Planalto, que a Capes tenha maquiado dados (http://bit.ly/17AZuOq) e incluído bolsas regulares como parte do CSF.

2. A qualidade do sistema universitário dos EUA, para onde está vindo um enorme naco dos alunos brasileiros, é fruto da relativa abundância de recursos, sua autonomia, a excelência de sua pós-graduação, os mecanismos impessoais de avaliação, promoção e contratação etc. MAS, se há uma coisa que NÃO diferencia as boas universidades dos EUA das boas universidades brasileiras é a qualidade das aulas de graduação. Há diferenças no acesso a material de pesquisa, por exemplo, mas não há significativa diferença na qualidade e aprofundamento nas aulas de graduação.

3. É sabido que o ensino superior nos EUA é extremamente caro. Quando nasce um moleque aqui, as famílias começam a poupar para mandá-lo à universidade. Em Tulane, onde leciono, a matrícula para o ano 2012-2013 custa US $45.240,00. Ou seja, quase cem mil reais pelo ano letivo. O que pouca gente sabe é que praticamente ninguém paga esse valor. Há uma série de programas de bolsas, ajuda de custo por mérito etc, sem contar os empréstimos. Qual é a diferença, então, entre os alunos que vêm do Brasil pelo CSF e os alunos regulares que recebemos aqui? O governo brasileiro paga a matrícula dos seus na íntegra, em dinheiro vivo. Para que – no caso dos alunos de graduação – eles tenham aulas de nível básico que não diferem significativamente das aulas às que teriam acesso nas melhores universidades brasileiras. Continuem acompanhando.

4. Como se sabe, o programa Ciência sem Fronteiras tem um nome bem sinedóquico. Não é “ciência” sem fronteiras. Nele não estão incluídas as ciências humanas. Não estão incluídas as ciências sociais. Não estão incluídas as artes, Letras, nada. Um nome muito mais honesto seria “engenharia sem fronteiras”, apesar de que uma ou outra área contemplada escapa da engenharia (sem jamais escapar da técnica). Dilma Rousseff, um belo dia, descobre que há bolsas de teatro e decreta que não se enviarão mais de alunos de ciências humanas ao exterior. Sim, foi dessa forma que aconteceu. O recado a estas áreas é óbvio: vocês não têm importância, quem importa são os técnicos. Na mesma levada, ela elimina as bolsas para países de língua portuguesa e espanhola. Ou seja, transforma uma ideia já ruim num Yázigi feito através aulas básicas de ciências exatas no exterior, pagas com enormes quantidades de dinheiro público brasileiro.

5. O Brasil deve enviar estudantes ao exterior? É evidente que sim. Mas esse envio só tem sentido no momento em que esses alunos já são pesquisadores, ou seja, quando são mestrandos ou doutorandos. Para a graduação, a política que faria sentido seria usar esse dinheiro para remunerar melhor os professores brasileiros, investir em infra-estrutura, equipar as bibliotecas brasileiras. Em vez disso, Dilma consegue: 1) enviar às ciências humanas e sociais o recado de que elas não importam; 2) estabelecer de forma autocrática uma meta irreal, que faz a Capes e o CNPq ficarem como loucos tentando atingi-la, chegando inclusive à maquiagem de estatísticas; 3) despejar gigantescas quantidades de dinheiro público para que alunos de graduação façam, no exterior, cursos básicos, não muito diferentes dos que existem por aí; 4) privilegiar, no processo, “convênios” com a iniciativa privada, que são nada mais que mercantilização capitalista do conhecimento. Que não vai reverter para benefício público coisa nenhuma, é óbvio.

Resumindo a ópera: graças à obsessão tecnocrática de Dilma Rousseff, vocês estão subsidiando o meu salário, que não precisa de subsídio brasileiro. E estão fazendo isso para que alunos de graduação tenham, aqui, aulas não muito diferentes das que teriam aí no Brasil. Não faz o menor sentido, a não ser para a iniciativa privada, brasileira e estrangeira, que lucrará com isso.

É a concepção mais capitalista de conhecimento que já vi no Brasil desde a ditadura militar.

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EFEITO NEOLIBERAL: IMPOSTO DO QUARTO VAZIO PROVOCA A MORTE DE UMA SENHORA DE 53 ANOS NA INGLATERRA

Ingleses protestam contra o "imposto do dormitório"

Ingleses protestam contra o “imposto do dormitório”

Esses são os resultados da política de austeridade neoliberal que vem sendo implantada na Europa.

Cobranças absurdas, como a do imposto do quarto vazio na Inglaterra, e cortes em serviços públicos essenciais, como saúde e educação, têm levado pessoas à morte.

Como mostra Cynara Menezes neste texto, os pobres são quem sempre acaba pagando a conta pela ambição de concentração de renda e enriquecimento irresponsável de poucos, baseado no desmantelamento do público em benefício do privado.

Horrores do neoliberalismo: avó inglesa se mata por não poder pagar “imposto do dormitório”

Por Cynara Menezes

(protesto contra o imposto do dormitório na Inglaterra)

Quem paga a conta da crise na Europa? Os pobres, claro. Assim como vem acontecendo na Espanha, onde tem gente se matando por conta dos despejos promovidos pelos bancos, agora é na Inglaterra que começam a aparecer suicidas por questões econômicas. No último dia 4 de maio, Stephanie Botrill, de 53 anos, deu fim à própria vida porque não podia pagar uma nova taxa instituída pelo governo conservador de David Cameron: o “imposto do dormitório” (bedroom tax). Trata-se de um imposto bizarro que vai atingir sobretudo os mais carentes, porque é direcionado às casas e apartamentos administrados pelas prefeituras, onde moram as famílias de baixa renda, pagando aluguel.

Com o novo imposto, as pessoas que vivem nestas casas terão de pagar uma taxa extra de 10 libras semanais por quarto desocupado. Ou seja, se seu filho saiu de casa, você precisa dar uma grana ao governo por isso. Estima-se que mais de 220 mil famílias serão atingidas pelos cortes impostos por Cameron nos benefícios sociais. O primeiro-ministro já passou o facão na educação, saúde e segurança e agora chega à moradia. Obviamente as novas regras têm provocado protestos no país. Sindicatos, oposição e até líderes religiosos se uniram sobretudo contra o malfadado imposto do dormitório, que começou a vigorar no dia 1 de abril.

Stephanie Botrill, que criou os dois filhos como mãe solteira, estava triste por ter que deixar a casa onde viveu durante 18 anos porque não tinha como pagar o imposto. Como os filhos cresceram e foram morar sozinhos, ela teria que pagar, pelos dois quartos vazios, 80 libras a mais por mês (cerca de 245 reais), algo impensável em seu apertado orçamento. Já tinha até empacotado as coisas para ir embora quando tomou a decisão de se matar. Em um bilhete ao filho, Steven, de 27 anos, Stephanie deixa muito claras as razões para o ato desesperado: “Não se culpe porque terminei com a minha vida. Os únicos responsáveis estão no governo”.

Como no Brasil, os jornais ingleses também têm a tradição de não noticiar suicídios, mas, neste caso, como envolvia políticas públicas, abriram uma exceção. Integrantes do gabinete de Cameron tentaram minimizar o caso. Um ministro lamentou a morte “trágica”, mas disse ser “errado” conectá-la às políticas do governo, como se a própria Stephanie não tivesse feito isso em sua carta suicida.

O que mais me impressiona, além da crueldade destas leis supostamente para “resolver” a crise (eu duvido), é a possibilidade de se instaurar no país uma sociedade policialesca a la 1984 de George Orwell –ou à moda do regime stalinista que o livro criticava. Quem vai denunciar os moradores que têm quartos sobrando? Haverá dedos-duros oficiais? Eles serão premiados? Se for feita pelo governo, como será esta vigilância? Todo mês irá um fiscal às casas para verificar quantas pessoas estão lá morando? E o que é pior: para onde irão as pessoas que não podem pagar o imposto do dormitório, como Stephanie? Tristes tempos. (Texto original)

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BYE BYE PIG: BRASIL VENDE UM COMPUTADOR POR SEGUNDO, DIZ PESQUISA DA FGV

Em 2013, Brasil deve vender 22 milhões de computadores

Em 2013, Brasil deve vender 22 milhões de computadores

Brasil tem três computadores para cada cinco habitantes, diz pesquisa da FGV

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A quantidade de computadores em uso no Brasil, somados os corporativos e os domésticos, chega a 118 milhões, aponta pesquisa do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada hoje (18). Isso significa que existem, no país, três computadores para cada cinco habitantes.

O estudo mostrou também que o número de computadores dobrou no período de quatro anos. Para este ano, a FGV estima que serão comercializados 22,6 milhões de unidades, o que equivale a uma unidade por segundo.

A projeção para daqui três anos é que o país tenha um computador por habitante, com 200 milhões de unidades. Esse crescimento será puxado, explica o professor Fernando Meirelles, coordenador da pesquisa, pelo aumento previsto nas vendas de tablets, também classificado como computador pela pesquisa.

O levantamento, que é feito há 24 anos e divulgado anualmente, consultou 5 mil grandes e médias empresas com 2,2 mil respostas válidas.

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FUTEBOL INTELIGENTE: MARGARETH THATCHER TINHA UM PENSAMENTO MUITO NOCIVO: “NÃO EXISTE SOCIEDADE”

FUNDAMENTALISTAS DO MERCADO E DO LUCRO FÁCIL PRESSIONAM GOVERNO E BANCO CENTRAL PARA AUMENTAR OS JUROS

Dilma sob pressão

Não é só de felicianos e de fundamentalistas religiosos que vive a política brasileira. Há também os fundamentalistas do mercado, que pressionam o governo Dilma Rousseff para o aumento dos juros, que lhes trará milhões de rendimentos.

Depois de décadas de lutas para baixar os juros, os fundamentalistas do mercado, impulsionados pela grande mídia, tentam a todo o custo fazer com que os juros voltem a patamares elevados, impedindo a produção e aumentando os gordos lucros dos financistas.

Notícias espalham o terror na população. É o preço do tomate, da cebola etc etc. É a inflação que subiu 0,5% etc etc. Isso vira um tsunami de informações, uma pressão arrasadora sobre o governo.

É lamentável ver a grande mídia fazendo esse papel sujo a serviço da economia financeira que desde os anos 80 vem destruindo mercados e economias. No entanto, esse serviço é bastante explicável pela partidarização que tomou conta da grande imprensa nos últimos anos.

Ao aumentar os juros, os rentistas ricos ficam mais ricos e o crescimento econômico também cai, enfraquecendo o governo para as próximas eleições. Dessa forma, os interesses econômicos, político-eleitorais das empresas de mídia e de setores conservadores da sociedade ganham mais fôlego para ficar mais à vontade no poder.

Com certeza existem outras medidas para baixar a inflação e o governo pode e deve investir em medidas alternativas, ainda mais em um momento em que os juros estão baixos no mundo inteiro.

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OS ‘VAGABUNDOS’ DO BOLSA FAMÍLIA

SEMENTE DO TUCUMÃ, PALMEIRA TOLERANTE A SOLOS POBRES E RESISTENTE À SECA, PRODUZ ÓLEO PARA GERAÇÃO DE ENERGIA

Pesquisas demonstram potencial energético da semente de tucumã

Por Paulo César Nascimento/ Jornal da Unicamp

Foto: Antonio ScarpinettiO tucumã-do-Amazonas é uma palmeira comumente encontrada na Amazônia central. Excepcionalmente tolerante a solos pobres e degradados, resiste a períodos de seca e também se espalha por toda a região amazônica, Guiana, Peru e Colômbia. Atinge até 20 metros de altura e suas folhas longas, semelhantes às do coqueiro, alcançam até 5 metros de comprimento. Encontrados em abundância ao longo do ano, os frutos são comestíveis ao natural e consumidos também na forma de sorvetes, sucos, licores e doces. A semente, um caroço duro e preto localizado no centro do fruto, é artesanalmente utilizada no preparo de anéis, brincos, pulseiras e colares, mas pode vir a ser uma promissora fonte energética sustentável para comunidades das regiões onde o tucumã floresce. É o que demonstra dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp pelo aluno Claudio Silva Lira. Orientado pela professora Araí Augusta Bernárdez Pécora, o estudo Pirólise rápida da semente de tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum): caracterização da biomassa in-natura e dos produtos gerados tem o mérito de constituir o primeiro trabalho acadêmico a abordar as características dos produtos da pirólise do vegetal amazônico.

De acordo com a orientadora, atualmente não existem estudos sobre a utilização dessa biomassa e seu potencial como matéria-prima em processos de conversão térmica. A proposta da pesquisa foi, portanto, verificar as propriedades dos produtos fornecidos na pirólise da semente do tucumã (resíduo hoje descartado em aterros), visando a aproveitá-los como fonte energética em comunidades isoladas do Amazonas. Os resultados mostraram que o bio-óleo produzido na pirólise do tucumã tem potencial para ser utilizado como biocombustível e o carvão vegetal, também gerado no processo, poderia ser fonte de melhoria do solo e aditivo para fertilizantes.

Comunidades presentes na floresta Amazônica (bem como em outras regiões de difícil acesso no Brasil) dependem de energia elétrica gerada por meio de usinas termelétricas e o combustível utilizado é o óleo diesel. Contudo, salienta Claudio em sua dissertação, as dificuldades de acesso a essas localidades em geral contribuem para comprometer o fornecimento de combustível, sobretudo no período de seca, já que todo o transporte é realizado exclusivamente por via fluvial. Outra desvantagem da geração de energia elétrica com combustível fóssil na região Amazônica reside em seu elevado custo, cita o pesquisador, que é natural de Manaus. Além disso, as termelétricas a diesel não contribuem para a economia local, pois não utilizam fontes regionais e exigem pessoal qualificado para sua operação, resultando em contratação de trabalhadores de fora da localidade.

Desse modo, a geração de energia a partir de biomassa disponível nas próprias comunidades representaria uma solução sustentável para o problema do suprimento de eletricidade para áreas isoladas. Adicionalmente, a conversão de biomassa sólida em combustível líquido (bio-óleo) por meio de pirólise teria a vantagem de simplificar o manuseio com transporte, armazenamento e utilização da biomassa, sem contar que o bio-óleo possui maior densidade energética do que a biomassa in-natura, enfatiza a pesquisa.

Segundo o autor, a semente de tucumã foi escolhida devido ao fato de ser um tipo de biomassa de fácil acessibilidade na região amazônica e com produtividade estável. O florescimento do tucumãzeiro (denominação da árvore de tucumã) ocorre entre os meses de março e julho, enquanto a frutificação normalmente ocorre entre janeiro e abril. No entanto, observa em seu estudo, sempre há frutos que podem ser encontrados fora de época, havendo comercialização do fruto durante todo o ano.(…)

Nas análises laboratoriais, Claudio constatou que o poder calorífico da semente de tucumã foi superior ao relatado na literatura para outras biomassas convencionalmente utilizadas em processos de conversão em biocombustível, como o bagaço de cana, o que demonstra o importante potencial de utilização da biomassa estudada como matéria-prima para produção de energia.

De acordo com ele, a pirólise de sementes de tucumã para produção de bio-óleo parece ser uma alternativa promissora para substituição aos combustíveis fósseis, em especial o diesel, que é o combustível mais utilizado nas unidades geradoras de energia elétrica em comunidades isoladas localizadas no estado do Amazonas. Devido ao alto poder calorífico superior que pode atingir valores da ordem de 30 MJ/kg (megajoule por quilo, unidade para medir energia térmica), teor de umidade de 18,5% e aproximadamente 55% de rendimento no processo, a fração líquida produzida a partir da pirólise de tucumã apresenta propriedades desejadas para geração de energia. (Texto Integral)

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IPEA: O PIB DOS BRASILEIROS ESTÁ MELHOR DO QUE O PIB DO BRASIL

Marcelo Neri, presidente do Ipea

Marcelo Neri, presidente do Ipea

Ipea: ‘O pibinho não chegou ao bolso do trabalhador brasileiro’

Estudo elaborado pelo instituto revela criação de 484 mil postos de trabalho no Brasil em 2012, em contraste com índices de crescimento econômico

Por: Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – “O pibinho não chegou ao bolso do trabalhador ou ao bolso do aposentado. Os brasileiros estão melhor do que o Brasil”. A definição, dada pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Néri, resume os resultados do boletim de conjuntura “Análise do Mercado de Trabalho”, elaborado pelo instituto e apresentado hoje (4) no Rio de Janeiro.

O estudo do Ipea, que abrange também o mês de janeiro de 2013, conclui que “o mercado de trabalho se comportou de maneira positiva em 2012”, mantendo uma tendência de crescimento iniciada nos últimos anos. A conclusão se apóia nos números positivos registrados em itens como as taxas de atividade e desocupação, a média dos níveis de ocupação e informalidade e o aumento da massa salarial e do rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro.

“O mercado de trabalho está surpreendendo há alguns anos, e talvez 2012 seja o ápice dessa surpresa” avalia Néri. O presidente do Ipea ressalta que o ano passado confirmou a tendência de crescimento do mercado de trabalho brasileiro, apesar dos resultados não tão bons obtidos em termos de crescimento da economia registrado pelo PIB, que cresceu 0,9% no ano passado. “A cada ano o desemprego vai caindo e a taxa de atividade vai crescendo no país. A formalidade continuou a aumentar. O salário, em particular, aumentou. É como se o Brasil estivesse crescendo sua massa per capita a 5,3% enquanto a economia registrada pelo PIB é zero”, diz.

Néri afirma ainda que a permanente entrada de novas pessoas no mercado de trabalho tem sido um fator preponderante para a redução das desigualdades sociais no Brasil. “O mercado de trabalho brasileiro continua o movimento de redução da desigualdade que beneficia aqueles com menor educação, que moram nas regiões mais pobres ou na periferia, os negros, as mulheres. Segmentos tradicionalmente excluídos têm tido um desempenho melhor”, diz. (texto integral)

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SÓ AGRICULTURA FAMILIAR SEGURA A INFLAÇÃO E DILMA ROUSSEFF DEVE CORRER ATRÁS DO PREJUÍZO E INVESTIR PESADO NO SETOR

Em bilhões de reais

Assim que aponta um suspiro na inflação, os analistas urubólogos e radicais do mercado financeiro aparecem na televisão para dizer que o governo deve aumentar os juros e alimentar a ciranda financeira do cassino mercantil.

Para as empresas que apostam na Bolsa de Valores, o único remédio para a inflação é o aumento dos juros. Somente esses lobistas (ou melhor, analistas) se transformaram nas fontes especializadas em inflação e sempre dizem a mesma coisa: “o Banco Central terá de aumentar os juros”.

Mas existe uma medida muito mais benéfica para o país, que nunca é lembrada. O investimento governamental em agricultura familiar. Esse sim é um santo remédio para a inflação. É a agricultura familiar que coloca a comida nos supermercados e na mesa do brasileiro.

No governo do ex-presidente Lula o que segurou a inflação foi em boa parte o forte investimento na agricultura familiar. Mesmo com o mercado internacional aquecido no período pré-crise bancária de 2008, a inflação ficou sob controle. Entre 2003 e 2008, em apenas cinco anos, o investimento no Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar), por exemplo, passou de R$ 2,3 bilhões para R$ 9 bilhões.

Mas somente isso não resolve, é preciso uma política nacional agressiva de incentivo à agricultura familiar. Se o governo tomar os produtores de alimentos da cesta básica como prioridade, a inflação fica sob controle. A alimentação é parte importante dos índices de preços e podem ajudar a conter a inflação de outros setores.

O governo Dilma Rousseff parece que acordou para o problema diante dos repiques de inflação, mas precisa ser criativo. O governo poderia, por exemplo, incentivar a produção de um trator popular, garantir produção próximas às cidades, compra municipal e outras medidas que façam com que a produção da agricultura familiar cresça bem acima do PIB.

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IMBECEO, A PRAGA DO NEOLIBERALISMO QUE FAZ A ALEGRIA DA GRANDE MÍDIA E DOS MERCADOS DE CAPITAIS

Imagem: latuffAs grandes empresas não têm mais hoje o presidente ou o dono da empresa. Com o mercado de ações e a pulverização das participações das grandes empresas, os controladores profissionalizam a gestão e contratam um executivo que será o presidente ou uma espécie de principal executivo. Ele é denominado atualmente de CEO (acrônimo de Chief Executive Officer). A função dele é aumentar a lucratividade dos acionistas, verdadeiros donos, que fazem parte do conselho de administração.

Nessa situação não é difícil o CEO se tornar um Imbeceo, que é a nova praga do capitalismo de mercado de capitais. O imbeceo é uma espécie de executivo ignorante, é o imbecil do neoliberalismo.  O Imbeceo faz a empresa crescer extraordinarimente em pouco tempo, mas provoca danos nos parceiros, trabalhadores e consumidores. Mais que isso, pode quebrar a economia dos países como ocorreu nos Estados Unidos e Europa em 2008. Protegido pela grande mídia, o imbeceo se prolifera nas grandes empresas.

Ele atua como uma erva daninha tentando prejudicar tudo e todos para tirar o maior lucro possível e impossível, independente das consequências. E isso pode ser feito massacrando funcionários e colaboradores, falsificando produtos, baixando a qualidade ao máximo, fazendo publicidade enganosa, alterando quantidade de produtos, comprando governos e funcionários públicos.

Tudo vale para se tornar o executivo que aumentou a lucratividade , ganhou enormes bônus e ficou conhecido no meio empresarial.  O problema são as consequências para a população e para as economias dos países. Produtos de baixa qualidade, recall, contaminações e todo tipo de degradação tendem a se intensificar com os imbeceos.

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DOUTRINA DO CHOQUE: LIVRO DA JORNALISTA E ESCRITORA NAOMI KLEIN ANALISA O LEGADO ECONÔMICO DA DESIGUALDADE

O legado miserável de Reagan, Thatcher e Pinochet

Paulo Nogueira

Naomi: a origem da brutalidade econômica foi no Chile

Naomi: a origem da brutalidade econômica foi no Chile

No livro “Doutrina do Choque”, a escritora Naomi Klein dá uma aula de mundo moderno

Uma aula brilhante de mundo moderno. É uma maneira sintética de definir o livro A Doutrina do Choque, da escritora, jornalista e ativista canadense Naomi Klein, 44 anos.

Vou colocar, no pé deste artigo, um documentário baseado na obra, com legenda em português. Recomendo que seja visto, e compartilhado.

Naomi, como é aceito já consensualmente, identifica em Reagan e Thatcher, cada um num lado do Atlântico, um movimento que levaria a uma extraordinária concentração de renda no mundo.

Ambos representaram administrações de ricos, por ricos e para ricos. Os impostos para as grandes corporações e para os milionários foram sendo reduzidos de forma lenta, segura e gradual.

Desregulamentações irresponsáveis feitas por Reagan e Thatcher, e copiadas amplamente, permitiram a altos executivos manobras predatórias e absurdamente arriscadas com as quais eles, no curto prazo, levantaram bônus multimilionários.

O drama se viu no médio prazo. A crise financeira internacional de 2007, até hoje ardendo mundo afora, derivou exatamente da ganância irresponsável e afinal destruidora que as desregulamentações estimularam nas grandes empresas e nos altos executivos.

No epicentro da crise estavam financiamentos imobiliários sem qualquer critério decente nos Estados Unidos, expediente com o qual banqueiros levantaram bônus multimilionários antes de levar seus bancos à bancarrota com as previsíveis inadimplências. (Ruiria, com os bancos, também a ilusão de que o reaganismo e o thatcherismo fossem eficientes.)

Tudo isso, essencialmente, é aceito.

O engenho de Naomi Klein está em recuar alguns anos mais para estudar a origem da calamidade econômica que tomaria o mundo a partir de 2007.

O marco zero, diz ela, não foi nem Thatcher e nem Reagan. Foi o general Augusto Pinochet, que em 1973 deu, com o apoio decisivo dos Estados Unidos, um golpe militar e derrubou o governo democraticamente eleito de Salvador Allende no Chile.

Foi lá, no Chile de Pinochet, que pela primeira vez apareceria a expressão “doutrina de choque”. O autor não era um chileno, mas o economista americano Milton Friedman, professor da Universidade de Chicago.

Frieman dominou a economia chilena sob Pinochet

Um programa criado pelo governo americano dera, na década de 1960, muitas bolsas de estudo para estudantes chilenos estudarem em Chicago, sob Friedman, um arquiconservador cujas ideias beneficiam o que hoje se conhece como 1% e desfavorecem os demais 99%.

Dado o golpe, os estudantes chilenos de Friedman, os “Chicago Boys”, tomaram o comando da economia sob Pinochet e promoveram a “Doutrina do Choque” – reformas altamente nocivas aos trabalhadores, impostas pela violência extrema da ditadura militar.

Da “Doutrina do Choque” emergiria, no Chile, uma sociedade abjetamente iníqua que anteciparia, como nota Naomi Klein, o que se vê hoje no mundo contemporâneo.

O Brasil, de forma mais amena, antecipara o Chile: o golpe militar, também apoiado pelos Estados Unidos (e pelas grandes empresas de jornalismo, aliás), veio nove anos antes, em 1964. Tivemos nossos Chicago Boys, mas em menor quantidade, como Carlos Langoni, que foi presidente do Banco Central.

Com sua sinistra “Doutrina do Choque”, Friedman, morto em 2006, é o arquiteto do mundo iníquo tão questionado e tão merecidamente combatido em nossos dias.

Um dos méritos de Naomi Klein é deixar isso claro – além de lembrar a todos que situações de grande desigualdade são insustentáveis a longo prazo, como a guilhotina provou na França dos anos 1790.

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JUSTIÇA TRIBUTÁRIA: IMPOSTO SOBRE GRANDE FORTUNA PODE ENTRAR EM VIGOR NOS ESTADOS BRASILEIROS, COM ALÍQUOTA ENTRE 1% E 8%

Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro poderá cobrar alíquota proporcional

Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro poderá cobrar alíquota proporcional

STF julga se Tarso Genro pode cobrar imposto sobre grandes fortunas

Enquanto no Congresso tramita proposta para criar um imposto específico sobre as heranças de grandes fortunas, os governadores já tem em mãos um imposto desta natureza, criado na Constituição de 1988. Trata-se do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD, também chamado de ITCD). No papel, a alíquota mais comum é 4% (a máxima permitida é 8%), mas poucos governadores se empenham em cobrar esse imposto com rigor, e em fazer justiça tributária.

O ITCMD é cobrado sobre transferências patrimoniais, mas é um imposto “esquecido” por vários governadores em muitas transações. Cartórios de imóveis costumam exigir a guia de recolhimento para registrar o herdeiro como novo dono, mas transferências em dinheiro, ações, cotas de empresas (inclusive empresas donas de imóveis), aplicações financeiras, veículos, iates, jatinhos, joias, obras de arte, trocam de mãos para herdeiros (e até “laranjas”) sob vista grossa do fisco de muitos estados.

Muitos governadores ou ex-governadores, como Aécio Neves (PSDB-MG), preferem choramingar mais repasses de impostos federais para os estados (tirando dinheiro de aposentados do INSS, servidores públicos federais civis e militares, programas sociais para os mais pobres) do que cobrar com afinco o ITCMD dos seus familiares e amigos milionários e bilionários, inclusive os que financiam suas campanhas eleitorais.

O Rio Grande do Sul instituiu este imposto em 1989, com alíquota única de 4%. Quando Olívio Dutra (PT-RS) foi governador implantou alíquotas progressivas. Isentou famílias e pessoas que detinham pequenos bens, e criou uma tabela que começa com alíquota de 1% e ia até 8% para quem tinha mais posses. A classe média, quanto menor o patrimônio, menos pagava. Quanto mais rico, maior a alíquota, pois maior é a capacidade contributiva.

Um contribuinte gaúcho “chiou” e entrou na justiça contra as alíquotas diferentes. O Tribunal de Justiça gaúcho deu ganho de causa contra o estado, declarando a inconstitucionalidade da tabela progressiva e determinando o pagamento, pasmem, da alíquota mínima de 1% (curiosamente, a maioria dos juízes e suas famílias devem ter patrimônio suficiente para pagar alíquotas maiores do que 1% deste imposto).

O estado do RS recorreu. Em 2007, a causa chegou ao STF, que reconheceu a existência de repercussão geral na matéria (afeta interesse geral e não apenas da pessoa que entrou na justiça), mas só hoje continuará o julgamento. Nesse meio tempo, em 2009, durante o desgoverno de Yeda Crusius, a tucana recuou para a alíquota única de 4%.

O relator, ministro Ricardo Lewandowski, manteve a decisão do TJ-RS (e dessa vez discordamos do ministro. Discordamos politicamente, é claro, sem entrar no mérito nem conhecer os motivos jurídicos que embasaram sua decisão). Eros Grau (aposentado), Menezes Direito (falecido), Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ayres Britto (aposentado) e Ellen Gracie (aposentada) divergiram do relator e votaram a favor da tabela progressiva. O ministro Marco Aurélio de Mello havia pedido vistas dos processo em agosto de 2011 e devolveu em junho de 2012 para continuar o julgamento. Ocupado demais em discutir se a Geiza Dias, que não tinha foro privilegiado, era “mequetrefe” ou não, só hoje o STF colocou em pauta.

Pela contagem de votos a favor, a tabela progressiva já é considerada constitucional, e os estados terão em mãos meios para tributar grandes fortunas em até 8%, sem sacrificar as famílias de classe média e baixa, fazendo justiça tributária.

Para dar um exemplo, ACM Neto e os outros herdeiros do finado ACM deveriam recolher aos cofres públicos do povo baiano cerca de R$ 40 milhões sobre a fortuna de R$ 500 milhões deixada pelo avô, segundo foi noticiado.

Se houver alguma reviravolta no STF que mude votos e “mele” o imposto estadual sobre grandes fortunas, caberá ao Congresso corrigir na forma de emenda Constitucional, se for preciso.

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INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA FAZ O BRASILEIRO GASTAR ATÉ O DOBRO DE COMBUSTÍVEL DO QUE GASTA O MOTORISTA EUROPEU

Foto: Rudolf Stricker - GNU

Punto é um dos carros que bebe no Brasil e é econômico na Europa

Apesar da modernização dos últimos anos, as carroças da indústria automobilística brasileira continuam sendo fabricadas. Mais do que isso, a população do Brasil paga mais, não só pelo automóvel, mas também pelo consumo de combusítvel.

O carro do brasileiro, seja trabalhador ou empresário, chega a consumir o dobro de combustível do que o mesmo modelo vendido na Europa.

Resumindo: o brasileiro paga mais caro por um carro pior e ainda polui mais. Mesmo descontando os impostos. É incrível!

Segundo matéria publicada recentemente na Carta Capital, sobre os incentivos do novo regime automotivo, que estimula a inovação, o repórter Samatha Maia anota:

“O nível de eficiência que as empresas devem alcançar em 2017, de 17,26 quilômetros rodados por litro de gasolina, por exemplo, é menor do que o praticado na Europa. De acordo com levantamento da consultoria IHS em 2010, um Fiat Punto 1.4 produzido no Brasil fazia 14,8 km/l de gasolina, enquanto o mesmo modelo fabricado na Inglaterra tinha rendimento de 22,2 km/l. A comparação realizada com modelos de outras marcas mostra a mesma desvantagem do automóvel brasileiro. O Ford Fiesta 1.0, que no Brasil rodava 10,8 km/l, na Inglaterra fazia 21,8 km/l, assim como o Fox, da Volkswagen, com rendimento de 15,5 km/l de gasolina no modelo brasileiro, enquanto seu similar inglês fazia 19,7 km/l.”

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