Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Tragédia anunciada: estudo da Unesp mostra que política de segurança do PSDB disseminou a violência no estado de São Paulo

EXCLUSIVO! Um estudo, feito por pesquisadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/Unesp), e apresentado em evento More…

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Educação e classe média: a pirita de Aécio Neves

Quando Aécio Neves iniciou seus movimentos na campanha eleitoral deste ano (2014), decidiu recuperar o PSDB que não esconde suas políticas neoliberais. Diferente dos últimos dois candidatos do partido à presidência, que esconderam durante a campanha Fernando Henrique Cardoso (FHC) e sua política agressiva de privatizações e Estado mínimo, Aécio corajosamente resolveu (Continue lendo…)

Quase a metade dos alunos do estado de SP afirma que passou de ano sem aprender

JUNHO DE 2013, O MÊS QUE NÃO TERMINOU: POR TODO BRASIL OCUPAÇÕES E LUTAS DA POPULAÇÃO PERSISTEM

brasildefato

O mês de Junho de 2013 pode ter ficado para a história como Maio de 68. E parafraseando o grande jornalista Zuenir Ventura, junho de 13 é o mês que não terminou. Por todo o Brasil há localizados protestos e ocupações, ainda que a cobertura seja centrada no Rio e em São Paulo.

Havia no Brasil, antes de junho, uma vida muito fácil para os políticos. Bastava se eleger, trabalhar nos gabinetes sofrendo pressão apenas dos lobbies econômicos, e tentar se reeleger depois de 4 anos. Mas parece que há uma mudança, uma insistência em protestos com ocupações e paralisações. E isso vai exigir, esperamos, um pouco mais dos políticos.

E isso já está aparecendo quando obriga políticos a tomar posições, sejam mais democráticas (dialogar com os protestos, reformular propostas etc) ou sejam mais autoritárias (mandar a polícia resolver e calar os manifestantes). Antes de junho, todos os políticos eram pardos. Agora, com os protestos, tendem a mostrar o lado.

No cerne dos protestos, há o abismo entre o mundo que controla o dinheiro (seja poder público de todos os níveis ou empresariado) e uma massa da população. Esse abismo é uma desigualdade persistente e perversa. E é essa desigualdade, refletida nos péssimos serviços de saúde, educação e transporte, que parece agora ter emergido desde junho de 13.

Ou retrocedemos com a pancadaria e repressão policial ou avançamos com distribuição de renda e investimentos que façam da educação, saúde e transporte serviços públicos de qualidade.

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TEM SOLUÇÃO? ESTADOS BRASILEIROS AINDA RESISTEM EM CUMPRIR A LEI DO PISO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

TABELA COM O PISO DO MAGISTÉRIO POR ESTADO.

 Saiba quais estados brasileiros não respeitam a Lei do Piso
tabela piso salarial maio 2013
Uma das principais lutas dos trabalhadores da educação brasileira, a Lei Nacional do Piso do Magistério, promulgada em 2008 (Lei 11.738/08), ainda não é respeitada por 07 estados brasileiros. E outros 14 estados não cumprem integralmente a lei, o que inclui a hora-atividade, que deve representar no mínimo 1/3 da jornada de trabalho do professor.
Apenas Acre, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco e Tocantins cumprem a lei na totalidade.
Confira a tabela.
Não pagam o piso:
Alagoas, Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul. 
Não cumprem a lei na íntegra: Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, São Paulo, Santa Catarina e Sergipe. 
Cumprem a lei na totalidade: Acre, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco e Tocantins. 
Não informado: Rio de Janeiro.
Abaixo, a tabela de salários do magistério nos estados atualizada.
Em relação à tabela acima, importante destacar:
1. O piso nacional do magistério corresponde à formação de nível médio do/a professor/a, e sua referência encontra-se localizada na coluna “Vencimento” da tabela.
2. Os valores estabelecidos para a formação de nível superior são determinados pelos respectivos planos de carreira (leis estaduais).
3. A equivalência do piso à Lei 11.738, nesta tabela, considera o valor anunciado pelo MEC para 2012 (R$ 1.451,00). Para a CNTE, neste ano, o piso é de R$ 1.937,26, pois a Confederação considera (i) a atualização monetária em 2009 (primeiro ano de vigência efetiva da norma federal), (ii) a aplicação prospectiva do percentual de reajuste do Fundeb ao Piso (relação ano a ano); e (iii) a incidência de 60% para pagamento dos salários dos educadores, decorrente das complementações da União feitas através das MPs nº 484/2010 e 485/2010.
4. Nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais, as remunerações correspondem ao subsídio implantado na forma de uma segunda carreira para os profissionais da educação. Os valores integram vantagens pessoais dos servidores, e os sindicatos da educação cobram a aplicação correta do piso na carreira do magistério.
5. Na maioria dos estados (e também dos municípios), a aplicação do piso tem registrado prejuízos às carreiras do magistério, ofendendo, assim, o dispositivo constitucional (art. 206, V) que preconiza a valorização dos profissionais da educação por meio de planos de carreira que atraiam e mantenham os trabalhadores nas escolas públicas, contribuindo para a melhoria da qualidade da educação.
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A MILITÂNCIA ARROGANTE NO MOVIMENTO FEMINISTA REFORÇA O MACHISMO E EXCLUI GRUPOS POTENCIAIS PARA O DEBATE, CONTRADIZENDO A NATUREZA DA LUTA CONTRA A OPRESSÃO

Imagem: Creatice Commons (gaelx)Por Marília Moschkovich, do site Outras Palavras

A síndrome da militância arrogante

A situação não é nada nova: mulheres reforçando o machismo. Isso sempre existiu e existirá, enquanto houver machismo. Ser mulher não torna ninguém automaticamente revolucionária, feminista. Estar na condição de oprimido não torna ninguém necessariamente contra a opressão. Aqueles que lutaram e lutam pelo socialismo no mundo todo sabem bem disso. Se essa condição fosse suficiente para derrubarmos as opressões, definitivamente não teríamos saído da guerra fria como majoritariamente capitalistas, no mundo todo. Quem eram (e quem são) os soldados estadunidenses nas guerras contra “o comunismo”? Donos de empresas? A classe que tem os meios de produção? (eu realmente preciso responder essas perguntas pra vocês?)

A lógica é relativamente simples: existe uma forma dominante de pensar, que defende sempre os interesses de quem domina. Marx chamou isso de ideologia, Gramsci foi mais longe e pensou numa hegemonia, Althusser explicou que esse negócio se difunde por “aparelhos ideológicos” responsáveis em transmitir essas maneiras de pensar e reforçá-las (e, depois, dirá Foucault, a coagir e controlar as pessoas para que as executem). Essa é, substancialmente, a maneira pela qual quem concentra poder mantém o poder concentrado e a sociedade funciona como funciona. As opressões de classe, raça e gênero têm ainda uma série de ferramentas próprias para que se mantenham.

Por isso, não é de se espantar que mulheres reforcem o machismo, ou que pessoas negras reforcem o racismo, ou que pessoas mais pobres defendam os interesses de pessoas mais ricas, e daí em diante. Como militantes, porém, temos duas formas de lidar com essa situação.

A primeira forma é um tanto contraditória, mas extremamente popular entre militantes de diversas causas, infelizmente. Frustrados com essa contradição gerada pelos próprios sistemas de opressão, muitos de nós acabam descontando a frustração nas pessoas que, em tese, estaríamos defendendo. Há algumas semanas, várias companheiras feministas compartilharam no Facebook uma imagem que apontava alguns motivos pelos quais as mulheres deveriam reconhecer o feminismo. No fim da imagem, um pequeno asterisco estragava todo o propósito de militância, com os seguintes dizeres: “Mas se você prefere continuar lavando louça, provavelmente você deve ser mais útil na cozinha. Então fique lá, enquanto outras lutam por você. Não precisa expor sua ignorância para toda a rede”.

Ai. Essa me doeu na alma.

Doeu porque é uma postura muito comum: o militante, ou a militante, sente-se de alguma maneira superior porque consegue enxergar além do véu da ideologia dominante (como diria o barbudo alemão). Esse ar de superioridade faz com que ele ou ela sinta-se no direito de falar por grupos dos quais muitas vezes ele/ela não fazem parte e, muito pior que isso, excluir as próprias pessoas em situação de opressão da luta contra essa opressão. Acham-se no direito de determinar que sua luta “serve” apenas para algumas pessoas – aquelas iluminadas como ele/a, que enxergam os mesmos grilhões. Que raio de militância é essa? (Texto completo)

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O HORROR INDESCRITÍVEL DA DITADURA BRASILEIRA: TORTURADORES COLOCARAM BARATA NA VAGINA DE CINEASTA
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O MUNDO SEGUNDO AS CRIANÇAS: DICIONÁRIO TRAZ UMA PARTICULAR VISÃO DA REALIDADE QUE OS ADULTOS MUITAS VEZES JÁ ESQUECERAM

Universo: casa das estrelas

Universo: casa das estrelas

Da Catraca Livre

Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram
Por Redação

Um professor colombiano passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

A Feira do Livro de Bogotá, que aconteceu no final de abril, teve como maior sucesso um livro chamado “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”. Mais especificamente, uma parte dele: um dicionário feito por crianças que traz cerca de 500 definições para 133 palavras, de A a Z.

Apesar de lançado originalmente em 1999, o livro foi reeditado neste ano. Javier Naranjo, o autor, conta que compilou as informações durante dez anos enquanto trabalhava como professor em diferentes escolas do estado de Antioquía, região rural do leste do país.

A ideia surgiu quando, em uma comemoração do Dia das Crianças, ele pediu que seus alunos definissem a palavra “criança”. O resultado encantou o professor – uma das definições era “uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo”. A partir daí foram surgindo novas definições, que eram sempre anotadas e guardadas.

Para ele, as crianças têm uma lógica diferente, uma maneira própria de entender o mundo e de revelar muitas coisas que os adultos já esqueceram. É assim que, no peculiar dicionário, o adulto é uma “pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e a Colômbia é “uma partida de futebol”.

Confira no box ao lado alguns dos verbetes encontrados no livro.

Com informações da BBC Mundo.

Veja alguns verbetes:

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

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“ENGENHARIA SEM FRONTEIRAS”: PROFESSOR BRASILEIRO QUE TRABALHA NOS EUA APONTA AS FALHAS E O VIÉS CAPITALISTA DO PROGRAMA DO GOVERNO FEDERAL

A presidenta Dilma no lançamento do programa "Ciências sem fronteiras"

A presidenta Dilma no lançamento do programa “Ciências sem fronteiras”

Do Facebook de Idelber Avelar, professor na Tulane University (New Orleans, Louisiana).

Por Idelber Avelar

Aqui vão algumas observações, fruto de uns meses de reflexão e apuração sobre o Ciência sem Fronteiras. Esclareço aos amigos beneficiados pelo programa que se trata de observações sobre o CSF do ponto de vista de política pública, é óbvio. Quem competiu dentro de um edital legalmente constituído e conquistou a bolsa merece só os parabéns e os votos de que aproveite.

Sei que o CSF inclui a pós-graduação, mas os comentários que seguem se limitam à graduação.

1. O Ciência sem Fronteiras, assim como Belo Monte, é obsessão pessoal da Presidenta. Ele foi instituído da seguinte forma: Dilma convocou os Presidentes da Capes e do CNPq e comunicou-lhes que o Brasil enviaria 100 mil estudantes ao exterior. Assim, desse jeito. Não surpreende, então, para quem conhece o cotidiano autocrático do Palácio do Planalto, que a Capes tenha maquiado dados (http://bit.ly/17AZuOq) e incluído bolsas regulares como parte do CSF.

2. A qualidade do sistema universitário dos EUA, para onde está vindo um enorme naco dos alunos brasileiros, é fruto da relativa abundância de recursos, sua autonomia, a excelência de sua pós-graduação, os mecanismos impessoais de avaliação, promoção e contratação etc. MAS, se há uma coisa que NÃO diferencia as boas universidades dos EUA das boas universidades brasileiras é a qualidade das aulas de graduação. Há diferenças no acesso a material de pesquisa, por exemplo, mas não há significativa diferença na qualidade e aprofundamento nas aulas de graduação.

3. É sabido que o ensino superior nos EUA é extremamente caro. Quando nasce um moleque aqui, as famílias começam a poupar para mandá-lo à universidade. Em Tulane, onde leciono, a matrícula para o ano 2012-2013 custa US $45.240,00. Ou seja, quase cem mil reais pelo ano letivo. O que pouca gente sabe é que praticamente ninguém paga esse valor. Há uma série de programas de bolsas, ajuda de custo por mérito etc, sem contar os empréstimos. Qual é a diferença, então, entre os alunos que vêm do Brasil pelo CSF e os alunos regulares que recebemos aqui? O governo brasileiro paga a matrícula dos seus na íntegra, em dinheiro vivo. Para que – no caso dos alunos de graduação – eles tenham aulas de nível básico que não diferem significativamente das aulas às que teriam acesso nas melhores universidades brasileiras. Continuem acompanhando.

4. Como se sabe, o programa Ciência sem Fronteiras tem um nome bem sinedóquico. Não é “ciência” sem fronteiras. Nele não estão incluídas as ciências humanas. Não estão incluídas as ciências sociais. Não estão incluídas as artes, Letras, nada. Um nome muito mais honesto seria “engenharia sem fronteiras”, apesar de que uma ou outra área contemplada escapa da engenharia (sem jamais escapar da técnica). Dilma Rousseff, um belo dia, descobre que há bolsas de teatro e decreta que não se enviarão mais de alunos de ciências humanas ao exterior. Sim, foi dessa forma que aconteceu. O recado a estas áreas é óbvio: vocês não têm importância, quem importa são os técnicos. Na mesma levada, ela elimina as bolsas para países de língua portuguesa e espanhola. Ou seja, transforma uma ideia já ruim num Yázigi feito através aulas básicas de ciências exatas no exterior, pagas com enormes quantidades de dinheiro público brasileiro.

5. O Brasil deve enviar estudantes ao exterior? É evidente que sim. Mas esse envio só tem sentido no momento em que esses alunos já são pesquisadores, ou seja, quando são mestrandos ou doutorandos. Para a graduação, a política que faria sentido seria usar esse dinheiro para remunerar melhor os professores brasileiros, investir em infra-estrutura, equipar as bibliotecas brasileiras. Em vez disso, Dilma consegue: 1) enviar às ciências humanas e sociais o recado de que elas não importam; 2) estabelecer de forma autocrática uma meta irreal, que faz a Capes e o CNPq ficarem como loucos tentando atingi-la, chegando inclusive à maquiagem de estatísticas; 3) despejar gigantescas quantidades de dinheiro público para que alunos de graduação façam, no exterior, cursos básicos, não muito diferentes dos que existem por aí; 4) privilegiar, no processo, “convênios” com a iniciativa privada, que são nada mais que mercantilização capitalista do conhecimento. Que não vai reverter para benefício público coisa nenhuma, é óbvio.

Resumindo a ópera: graças à obsessão tecnocrática de Dilma Rousseff, vocês estão subsidiando o meu salário, que não precisa de subsídio brasileiro. E estão fazendo isso para que alunos de graduação tenham, aqui, aulas não muito diferentes das que teriam aí no Brasil. Não faz o menor sentido, a não ser para a iniciativa privada, brasileira e estrangeira, que lucrará com isso.

É a concepção mais capitalista de conhecimento que já vi no Brasil desde a ditadura militar.

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GOVERNADOR ALCKMIN, O SR. COLOCARIA SEU FILHO EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE SÃO PAULO DEPOIS DE 17 ANOS DE GOVERNO DO PSDB?

PARA PEDRO TOURINHO, BRASIL NÃO FEZ REFORMA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CAPAZ DE GARANTIR ATENDIMENTO PÚBLICO DE QUALIDADE

Pedro Tourinho, médico e vereador de Campinas

Pedro Tourinho, médico e vereador de Campinas

Nesta segunda parte da entrevista à TV Educação Política, o médico sanitarista e vereador de Campinas, Pedro Tourinho (PT), fala sobre a gestão pública em áreas fundamentais como saúde e educação.

Para ele, não há receita para o desafio de garantir o que está previsto na Constituição brasileira, que é saúde e educação de qualidade. “Tanto o setor público quanto o setor privado têm problemas”, diz. Segundo Tourinho, devemos pensar em um  horizonte político em que os serviços públicos sejam de qualidade”, afirma.

Veja primeira parte da entrevista.

Veja abaixo a segunda parte da entrevista:

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EDUCAÇÃO É TUDO MESMO: PESQUISA REVELA QUE EDUCAÇÃO FAZ VIVER MAIS, SER MAIS FELIZ E TER MAIOR CONSCIÊNCIA SOCIAL E POLÍTICA

Educação é tudo

Educação é tudo

Uma pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e realizado em 15 países membros da organização – do qual o Brasil não faz parte, explica porque o Brasil não investe em educação.

As pessoas que estudam tendem a ter maior consciência política e participação social. Além disso, são mais felizes e vivem mais. Ora, isso é tudo que parte da elite brasileira não quer e, com certeza, é por isso não temos boas escolas públicas.

Vale a pena lutar por educação porque ela é tudo mesmo.

Veja trecho sobre a pesquisa a seguir:

“Segundo o estudo, as pessoas que estudam mais são mais felizes porque tem maior satisfação em diferentes esferas de sua vida. Esse nível de satisfação pessoal é de, em média, 18% a mais para que têm nível superior em relação àquelas que pararam no ensino médio.

Em relação ao aumento da expectativa de vida, o estudo mostra que um homem de 30 anos, por exemplo, pode viver mais 51 anos, caso tenha formação superior, enquanto aquele que cursou apenas o ensino médio viveria mais 43, ou seja, oito anos menos. Essa disparidade é mais acentuada na República Tcheca, onde os graduados podem viver 17 anos a mais.

Participação política

Em outro capítulo desse mesmo levantamento, realizado com um grupo de 27 países, a OCDE chegou à conclusão de que 80% dos jovens com ensino superior vão às urnas, enquanto o número cai para 54% entre aqueles que não têm formação superior. Os adultos mais escolarizados também são mais engajados quando o assunto é voluntariado, interesse político e confiança interpessoal. (Texto Completo)

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NO LIMITE: ESTRUTURA ESCOLAR ADOECE PROFESSORES, QUE ACABAM ABANDONANDO A PROFISSÃO, REVELA PESQUISA

A discussão sobre a necessidade de uma grande reformulação na escola, que segue ainda os moldes da revolução industrial, já está bem formalizada por pesquisadores de todo o mundo, inclusive essas mudanças já estão presentes em diversas práticas isoladas. É preciso que o governante tenha coragem política e capacidade pedagógica para fazer profundas mudanças nessa estrutura centenária. Veja abaixo trecho de reportagem sobre o adoecimento de professores.

Pesquisador afirma que estrutura das escolas adoece professores

Priscilla Borges – iG Brasília

Esturtura escolar adoece professores

Esturtura escolar adoece professores

“O ambiente escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de vômito. Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu sempre tive muita paciência, mas me esgotei.”

O relato é da professora Luciana Damasceno Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia há 15 anos, Luciana é um exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e há anos, se afastam das salas de aula e desistem da profissão por terem adoecido em suas rotinas.

Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de professores e alunos nos colégios é “insuportável”. “Eles revelam, mesmo que de forma oblíqua e trágica, o contraste entre as abstrações de nossas utopias pedagógicas e a prática muitas vezes intolerável do cotidiano escolar”, afirma.

O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Na dissertação O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores , Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento de professores.

Camargo percebeu que a “epidemia” de doenças ocupacionais dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. “Tentei mapear o problema do adoecimento e da deserção dos professores não pela via da vitimização, mas pela forma como esses problemas estão ligados à forma naturalizada e invariável da forma escolar na modernidade”, diz. (TextoCompleto)

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RUBEM ALVES: O PAPEL DO PROFESSOR NÃO É ENSINAR CONTEÚDOS QUE JÁ ESTÃO EM TODOS OS LUGARES, MAS ENSINAR O ALUNO A PENSAR

MARCIO POCHMANN AFIRMA QUE MÉTODO DE ENSINO ESTÁ SUPERADO E QUE BRASIL LEVOU 100 ANOS PARA TORNAR REPUBLICANA A ESCOLA

Pochmann: educação se tornou necessária a vida toda

A TV Educação Política estreia hoje com uma entrevista com o candidato a prefeito de Campinas, Marcio Pochmann (PT), que fala sobre educação e informatização.

A TV  Educação Política aproveita a campanha eleitoral municipal para discutir alguns temas importantes para as cidades com os candidatos. Em breve teremos entrevistas com outros candidatos

A entrevista com Marcio Pochmann está dividida em duas partes. Na primeira, ele fala sobre educação em três pequenos vídeos que estão abaixo.
 Veja também a segunda parte da entrevista, sobre informatização

Modelo da educação está superado

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Brasil levou 100 anos para tornar republicana sua escola

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Os prédios públicos estão nos piores lugares da cidade

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COMISSÃO DO SENADO APROVA PROJETO QUE TORNA CRIME HEDIONDO O DESVIO DE VERBA DA EDUCAÇÃO E DA SAÚDE

Aprovado projeto que torna crime hediondo desvio de verbas da educação e saúde

Senadores: desvio de verba para educação e saúde pode se tornar crime hediondo

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou agora há pouco o parecer favorável do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) ao projeto de lei que que considera crime hediondo o desvio de verbas destinadas a programas de educação e saúde (PLS 676/2011).

A matéria segue agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde receberá decisão terminativa.

A CE, que já aprovou três dos 14 itens da pauta desta terça-feira, continua reunida na sala 15 da Ala Alexandre Costa. (Agência Senado)

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TRABALHADOR DA EMPRESA ULTRASERV PEGA COMIDA NO LIXO NO CENTRO DE PESQUISA DA PETROBRÁS E VAI PARA A CADEIA
FISCALIZAÇÃO RESGATA 56 PESSOAS EM TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO EM FAZENDA DE IRMÃO DA SENADORA KÁTIA ABREU
TV EDUCAÇÃO POLÍTICA: BLOG EDUCAÇÃO POLÍTICA TERÁ EM BREVE ENTREVISTAS EM VÍDEO

DILMA ROUSSEFF VAI PRA CIMA DOS PREFEITOS E DIZ QUE TEM DINHEIRO PARA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL PARA AS ESCOLAS PÚBLICAS DE TODO O BRASIL

Dilma promete dinheiro para tempo integral em todo o país

Depois de forçar os bancos a baixar os juros, Dilma Rousseff vai para cima dos prefeitos brasileiros, principalmente aqueles que não investem em educação de forma adequada. Publicidade oficial diz que toda a escola do Brasil tem condições de ter ensino integral e que o Ministério da Educação tem dinheiro para isso.

Então…, cidade que não tem escola pública com tempo integral é porque o prefeito é incompetente e não tem interesse em investir em educação. Em época de eleições municipais e de reeleição, não há tema melhor.

Veja vídeo em que o governo Dilma Rousseff afirma, de certa forma, que as prefeituras precisam se mexer e que tem dinheiro para educação integral. A propaganda está passando em emissoras de televisão no Brasil.

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OS MELHORES TEXTOS DO BLOG EDUCAÇÃO POLÍTICA FORAM REUNIDOS, REVISADOS E EDITADOS NO LIVRO ‘A ESBÓRNIA DAS PAPILAS GUSTATIVAS’

ESSA É A BANDEIRA PARA AS ELEIÇÕES: PROJETO DE LEI PODERIA ATRELAR SALÁRIO DE PROFESSOR E DE MÉDICO DO SERVIÇO PÚBLICO AO DO PARLAMENTAR

BRASIL PRECISA DE 20% DO PIB EM EDUCAÇÃO E NÃO 10%! PESQUISA DIZ QUE 74% DA POPULAÇÃO NÃO SÃO PLENAMENTE ALFABETIZADOS

O BRASIL TEM UMA DÍVIDA COM A EDUCAÇÃO: UMA NAÇÃO SE CONSTRÓI COM INVESTIMENTO MACIÇO NA EDUCAÇÃO E NA CULTURA DO SEU POVO

ESSA É A BANDEIRA PARA AS ELEIÇÕES: PROJETO DE LEI PODERIA ATRELAR SALÁRIO DE PROFESSOR E DE MÉDICO DO SERVIÇO PÚBLICO AO DO PARLAMENTAR

Atrelar salários de professor e médico pode mudar a sociedade

Os brasileiros já conseguiram um projeto importante que foi a lei da ficha limpa, mas o Brasil precisa de uma ainda mais importante: uma lei que atrele o salário de professores e médicos dos serviços públicos ao dos parlamentares, sejam vereadores, deputados estaduais ou deputados federais. Em época de eleições, seria uma boa ideia a se discutir

A legislação seria muito simples, por exemplo, um professor municipal não pode receber menos do que 40% do custo de um vereador (incluindo salários e bonificações do cargo) e um médico do serviço municipal de saúde não poderia receber menos do que 50% do custo de um vereador.

Da mesma forma deveria ocorrer com os professores e os médicos estaduais ou federais em relação ao deputado estadual e ao deputado federal, respectivamente. As porcentagens iniciais poderiam ser outras, dependendo da situação de cada município, estado ou da federação. Assim, toda a vez que for votado benefícios para vereadores e deputados, a folha de pagamento de professores e médicos também aumentaria automaticamente.

Isso não impediria que  professores e médicos recebessem aumento sem aumento dos parlamentares. O salários de médicos e professores poderia ser maior do que a porcentagem do salário do parlamentar, mas nunca menor. Essa medida teria um duplo benefício para a sociedade. Melhoraria as condições de vida de médicos e professores do serviço público, que são categorias fundamentais para uma sociedade avançar econômica e socialmente e, possivelmente, evitaria aumentos abusivos de parlamentares, visto que isso afetaria as contas públicas.

Essa é uma grande bandeira: salário de professor e médico atrelado ao do parlamentar.

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BRASIL PRECISA DE 20% DO PIB EM EDUCAÇÃO E NÃO 10%! PESQUISA DIZ QUE 74% DA POPULAÇÃO NÃO SÃO PLENAMENTE ALFABETIZADOS

Educação precisa de 20% do PIB e revolução pedagógica

Recentemente a Câmara aprovou o investimento de 10% do PIB (soma das riquezas do país) em educação dentro dos próximos anos. O ministro da fazenda, Guido Mantega, acha que é muito, mas na verdade é muito pouco.

O Brasil precisa de uma revolução na educação, precisa de pelo menos 20% do PIB em educação. Nem as pessoas que passam pelo ensino médio e nem os que estão na faculdade são considerados plenamente alfabetizados.

Pelo menos, é isso que constata uma pesquisa recente. É uma catástrofe política. Investir em educação significa transferir renda e fazer um país menos desigual. Veja matéria da Agência Brasil abaixo:

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10% DO PIB NA EDUCAÇÃO NÃO RESOLVE SE DINHEIRO FOR PARA AS EMPREITEIRAS E NÃO PARA OS PROFESSORES E ALUNOS
PAULO FREIRE: SOU PROFESSOR A FAVOR DA LUTA CONSTANTE CONTRA QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO E CONTRA A DOMINAÇÃO ECONÔMICA

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas e 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. É o que apontam os resultados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, pesquisa produzida pelo Instituto Paulo Montenegro e a organização não governamental Ação Educativa.

A pesquisa avalia, de forma amostral, por meio de entrevistas e um teste cognitivo, a capacidade de leitura e compreensão de textos e outras tarefas básicas que dependem do domínio da leitura e escrita. A partir dos resultados, a população é dividida em quatro grupos: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar, alfabetizados em nível básico e plenamente alfabetizados.

Os resultados da última edição do Inaf mostram que apenas 26% da população podem ser consideradas plenamente alfabetizadas – mesmo patamar verificado em 2001, quando o indicador foi calculado pela primeira vez. Os chamados analfabetos funcionais representam 27% e a maior parte (47%) da população apresenta um nível de alfabetização básico.

“Os resultados evidenciam que o Brasil já avançou, principalmente nos níveis iniciais do alfabetismo, mas não conseguiu progressos visíveis no alcance do pleno domínio de habilidades que são hoje condição imprescindível para a inserção plena na sociedade letrada”, aponta o relatório do Inaf 2011-2012. (Texto integral)

O BRASIL TEM UMA DÍVIDA COM A EDUCAÇÃO: UMA NAÇÃO SE CONSTRÓI COM INVESTIMENTO MACIÇO NA EDUCAÇÃO E NA CULTURA DO SEU POVO

Educação Política você faz

Investimento em educação vai quebrar o Brasil

Por: Juliocmcardoso

Guido, educação é investimento ou gasto?

A Câmara Federal aprovou, em 26/06/2012, por unanimidade – e agora a matéria está sendo analisada no Senado – o Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê, entre outras metas educacionais, investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, a ser alcançado no prazo de dez anos. O texto aprovado determina que sejam ampliados os atuais recursos de 5,1% do PIB para 7% no prazo de cinco anos até atingir os 10% ao fim da vigência do plano.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou, dia 4, as medidas aprovadas pelo Congresso. “Isso coloca em risco as contas públicas. Isso vai quebrar o Estado brasileiro”, disse durante o Seminário Econômico Fiesp-Lide, em São Paulo. Explicou o ministro que o país caminha em 2012 para um dos menores déficits fiscais de toda a série histórica, em torno de 1,4% do PIB, bem como que “É com solidez fiscal que se abre espaço para reduzir os juros. Nossa dívida líquida em 35% do PIB é a menor de todos os tempos. Nossa situação fiscal é bastante sólida”.
Causa perplexidade a forma como o ministro Guido Mantega trata a educação no Brasil, quando deveria ser a primeira preocupação dos governos. Investimento em educação não se mede como gastos, senhor ministro. A preocupação com a educação deveria ser um projeto de curto, médio e longo prazo de qualquer governo nacional e a principal prioridade das plataformas governamentais. E o Congresso Nacional está muito certo em aprovar medidas positivas direcionadas ao fortalecimento de nossa educação.
Não se constrói nem se reedifica uma nação sem investimento maciço na educação e cultura de seu povo. O Brasil tem uma dívida com a sua educação que precisa ser purgada não com retóricas ou tergiversações, mas com medidas efetivas que possam responsabilizar qualquer governo.
Ora bolas, que risco poderá comprometer a nossa solidez fiscal com a canalização de recursos para o fortalecimento da escola que irá produzir os alicerces de nossa estrutura social, financeira, econômica etc.? O país poderá quebrar por outras razões, mas não por investimentos educacionais.
Quanto se gasta inutilmente com a manutenção ostentosa dos Três Poderes, em Brasília: salários fabulosos, mordomias, privilégios e tudo o mais? Não se vê do governo federal uma prestação de contas à sociedade do que é arrecadado e onde o dinheiro está sendo aplicado. Por exemplo, não existe no plano federal um índice único de reajuste salarial nos Três Poderes. Por quê? A Constituição Federal no Art.37-X determina uniformidade de índice de reajuste salarial. Agora mesmo os servidores sem concurso dos gabinetes de deputados federais foram reajustados em 30%.
Se o Congresso, acossado pelas críticas sociais, não fizer a sua parte tornando o Plano Nacional de Educação mais consentâneo com as necessidades educacionais, quando o governo tomaria medidas realistas, se ele está mais preocupado em vender a imagem de um Brasil robusto, de solidez fiscal, etc., enquanto graves problemas sociais e educacionais não são combatidos com a competência devida? Não adianta apresentar o doente todo maquiado de cor saudável se o seu organismo não está funcionando bem.

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O que quebrará o país?

Por Vladimir Safatle/ Carta Capital

Estudantes protestam por 10% para educação

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nos últimos dias que a elevação dos gastos com a educação ao patamar de 10% do Orçamento nacional poderia quebrar o País. Sua colocação vem em má hora. Ele deveria dizer, ao contrário, que a perpetuação dos gastos em educação no nível atual quebrará a Nação.

Neste exato momento, o Brasil assiste a praticamente todas as universidades federais em greve. Uma greve que não pede apenas melhores salários para o quadro de professores e funcionários, mas investimentos mais rápidos em infraestrutura. Com a expansão do ensino universitário federal, as demandas de recurso serão cada vez mais crescentes e necessárias. Isto se quisermos ficar apenas no âmbito das universidades públicas.

Por trás de declarações como as do ministro, esconde-se a incompreensão do que é o próximo desafio do desenvolvimento nacional. Se o Brasil quiser oferecer educação pública e de qualidade para todos precisará investir mais do que até agora foi feito. Precisamos resolver, ao mesmo tempo, problemas do século XIX (como o analfabetismo e o subletrismo) e problemas do século XXI (como subvenção para laboratórios universitários de pesquisa e internacionalização de sua produção acadêmica). Por isto, nada adianta querer comparar o nível de gasto do Brasil com o de países com sistema educacional consolidado como Alemanha, França e outros. Os desafios brasileiros são mais complexos e onerosos.(Texto completo)

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Estudantes lutaram por 10% para educação

A  Comissão Especial da Câmara aprovou a aplicação de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do país em educação. Atualmente, o Brasil investe 5,1% do PIB em educação. A proposta original do PNE (Plano Nacional de Educação) enviada pelo governo propunha uma meta de 7% do PIB. Após negociações, o patamar foi revisto para 8%, mas essa proposta foi recusada pelos parlamentares que compõem a comissão especial que analisa o projeto. Agora, o texto vai direto para o Senado e depois para sanção da presidenta Dilma Rousseff.

A educação precisa de um investimento pesado nos próximos anos e esses 10% deveriam ser uma bandeira do governo Dilma Rousseff e não algo difícil de se realizar, como afirmou o ministro Aloízio Mercadante.

As secretarias de Educação dos municípios e dos estados deveriam se transformar na porta de entrada de políticas sociais. É pela escola que se chega até às famílias com maior dificuldade financeira, em situação de risco, situação de violência etc. São as secretarias de educação que deveriam coordenar um esforço multidisciplinar (inter-secretarias) de prevenção e atuação na saúde, segurança pública, moradia e outros.

As secretarias de Educação deveriam se transformar em eixos norteadores das políticas públicas. A violência, por exemplo, só vai cair quando as cidades acompanharem e darem uma assistência efetiva para crianças do nascimento até o fim do ensino médio, reconhecendo que o problema da violência está antes nas famílias, nos bairros ou nas comunidades.

Em outras palavras, o dinheiro da educação deve ser investido na concepção global de educação, na formação e salário dos professores e no aluno. Isso porque não adianta colocar dinheiro na educação se este for parar nas mãos de empreiteiras que prestam péssimos e caros serviços.

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4 MILHÕES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES TRABALHAM NO BRASIL, PRINCIPAIS CAUSAS CONTINUAM SENDO A POBREZA E A BAIXA ESCOLARIDADE DAS FAMÍLIAS

Até 2015, o Brasil espera acabar com o trabalho infantil, mas o caminho parece longo

Os números do trabalho infantil no Brasil continuam altos. “Nos primeiros cinco meses do ano, operações comandadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 2.275 crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. Essas pessoas são parte das 4 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no País”, diz notícia publicada pela Carta Capital.

A região que tem mais crianças e adolescentes trabalhando é a região Nordeste e as causas do problema continuam sendo a pobreza e a baixa escolaridade das famílias. Muitas famílias, principalmente na zona rural, não consideram a escola uma alternativa viável, diz a secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa Oliveira.

Nas zonas rurais geralmente o acesso à educação é bem mais difícil e a situação das escolas (infraestrutura, professores), também é bem mais precária. Por isso, as crianças acabam trabalhando ao invés de estudar. Nestes casos, a educação, para dizer de forma direta, não compensa.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Brasil tem mais de 4 milhões de crianças e adolescentes trabalhando
Por Marcelo Pellegrini

Há dez anos as Nações Unidas celebram, no dia 12 de junho, o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. No Brasil, não há muitos motivos para comemorar. Nos primeiros cinco meses do ano, operações comandadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 2.275 crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. Essas pessoas são parte das 4 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no País.

De acordo com o chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE, Luiz Henrique Lopes, a região Nordeste lidera as autuações do MTE em 2012, com 48% dos afastamentos, seguida pela região Centro-Oeste (24%), Norte (13), Sudeste (8%) e Sul (7%).

O percentual do ranking das regiões brasileiras está relacionado com a atividade econômica e com os níveis de renda e escolariadade.

De acordo com a secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa Oliveira, a pobreza e a baixa escolaridade das famílias estão entre as principais causas do trabalho infantil no País. Segundo ela, o principal motivo para que as crianças permaneçam trabalhando é o fato de as famílias não considerarem a escola uma alternativa viável. “Principalmente na área rural, há uma grande precariedade educacional, acrescida da precariedade no transporte para que essas crianças cheguem à escola”, diz Isa. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no mundo, 59% do trabalho infantil encontra-se na zona rural.

Prevenção

Apesar da legislação brasileira proibir qualquer forma de trabalho exercido por crianças com idade entre 5 a 14 anos, este tipo de prática ainda é comum. Hoje, 1,4 milhão de crianças brasileiras de 5 a 14 anos trabalham. Em estados como a Bahia, o Piauí e o Maranhão o percentual de menores no trabalho chega a cerca de 17%, segundo a OIT. (Texto completo)

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O Brasil está atrasado quando o assunto é a implementação de políticas de regulação no campo da publicidade infantil, diz a professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, que coordena o grupo de pesquisa da relação infância, adolescência e mídia da instituição.

Doutora em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Inês disse, em notícia publicada pela Agência Brasil, que “é preciso haver maior reflexão e mobilização da sociedade brasileira para exigir leis que protejam crianças e adolescentes dos “efeitos nocivos” que o marketing direcionado a eles tem”.

Ela explicou que as propagandas direcionadas ao público infantil geralmente se utilizam de técnicas de persuasão e sedução que as crianças ainda não são capazes de compreender, neste sentido, elas estariam sendo enganadas à medida que são expostas a uma mensagem cujos mecanismos próprios de construção lhes escapam.

Inês dá exemplo de países que proibiram ou, ao menos, regulamentaram a publicidade infantil e diz que o Brasil deveria fazer o mesmo. A professora cita a Alemanha em que toda publicidade é dirigida aos pais e onde não há peças publicitárias nos horários infantis. Em países como a Suécia, a propaganda infantil é totalmente proibida.

São países democráticos, como lembra a notícia, mas que entendem que uma criança de até 8 anos não compreende o que são técnicas de convencimento, por exemplo, e recebem o conteúdo publicitário sem qualquer tipo de filtro. Vale dizer que assim como no projeto de regular a mídia, ao regular a publicidade infantil ou mesmo proibi-la não há qualquer espécie de censura à liberdade de expressão.

O que existe no caso da regulação da mídia é a garantia de qualidade e diversidade da programação e, no caso da propaganda infantil, o mínimo de respeito necessário à infância. Em um mundo inegavelmente consumista onde as vozes da publicidade são das mais poderosas e até sufocantes é no mínimo uma atitude de bom senso deixar que as crianças decidam por conta própria o que querem ter e ser!

Brasil está atrasado na implantação de políticas de regulação da publicidade infantil, diz especialista
Por Thais Leitão

Rio de Janeiro – O Brasil está muito atrasado em relação a outros países quando o assunto é implementação de políticas de regulação no campo da publicidade infantil. A avaliação é da professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, que coordena o grupo de pesquisa da relação infância, adolescência e mídia da instituição.

A especialista, que também é doutora em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acredita que é preciso haver maior reflexão e mobilização da sociedade brasileira para exigir leis que protejam crianças e adolescentes dos “efeitos nocivos” que o marketing direcionado a eles tem. “As propagandas voltadas para crianças são em geral abusivas porque utilizam estratégias de persuasão que elas não são capazes de identificar, então estão sendo enganadas”, disse.

Inês Vitorino acredita que o Brasil deve seguir o exemplo de países que adotaram modelos que proíbem a publicidade infantil ou regulamentam a atividade de forma específica. “Na Alemanha, por exemplo, toda a publicidade é dirigida aos pais e nos horários infantis não há qualquer publicidade. Na província do Québec, no Canadá, e na Suécia, a publicidade infantil é inteiramente proibida. São países de tradição democrática, mas optaram por esse caminho com base no princípio norteador que a criança até 7 ou 8 anos não tem sequer a clareza do conteúdo persuasivo. Ela assiste à publicidade e não tem compreensão de que ali há uma oferta de venda”, explicou.

A especialista ressaltou, ainda, que por meio da publicidade são apresentados conceitos e valores, como níveis de competitividade e desqualificação de pessoas pela falta de posse de determinados produtos, com os quais a criança não está preparada para lidar. “Sem maturidade para lidar com esse tipo de situação, a criança sofre problemas de autoestima e conflitos familiares, porque ela passa a pedir aos pais coisas que muitos deles não têm condições de comprar”, ressaltou.

A professora da UFC citou ainda outra situação considerada por ela um problema familiar, que é a influência de crianças e adolescentes nas compras da casa. De acordo com ela, dados colhidos por um instituto de pesquisa brasileiro, em 2007, constataram que, no Brasil, 45% de crianças e adolescentes entre 8 e 14 anos opinam sobre a compra de carros pela família, 60% influem sobre a aquisição de celulares e 61% sobre a de computadores. Em consequência, a consultoria concluiu que 80% das marcas devem incluir o público formado por crianças e adolescentes nas suas estratégias de marketing. (Texto completo)

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EDUCAÇÃO EM GREVE: PROFESSORES DE 48 INSTITUIÇÕES ESTÃO PARALISADOS E PEDEM REVISÃO DO PLANO DE CARREIRAS

Da Agência Brasil

Greve dos professores das universidades federais já atinge 48 instituições
Por Roberta Lopes

Brasília – A greve das instituições federais de ensino já atinge 46 universidades federais e mais dois institutos de ensino tecnológico, segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

A principal reivindicação dos docentes é a revisão do plano de carreiras. O sindicato defende que o atual modelo não permite uma evolução satisfatória do professor ao longo da profissão. A greve já dura mais de 15 dias.

No ano passado, o governo fechou um acordo com a categoria. Ele previa a revisão do plano de carreiras para 2013, além de um aumento de 4%, a partir de março, e a incorporação de gratificações. Os dois últimos pontos já foram concedidos, mas o novo plano continua pendente.

Na última semana, o comando de greve tinha uma reunião de negociação marcada no Ministério do Planejamento, mas o encontro foi adiado pelo próprio governo. O sindicato diz que não recebeu nenhuma justificativa para o cancelamento da reunião. O ministério informou, por meio da assessoria de imprensa, que o encontro foi apenas adiado por razões de “agenda” e será remarcado. (Texto completo)

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Para Shecaira, um dos professores que participa do movimento,  “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”

Por ser uma das universidades onde os trabalhadores e estudantes foram amplamente perseguidos durante a Ditadura Militar no Brasil e por ainda guardar resquícios desse período, haja vista a forma autoritária e na maioria das vezes conservadora com que a USP tem tratado as questões sociais dentro do seu campus, funcionários, professores e estudantes pedem uma Comissão da Verdade na universidade para investigar e trazer à tona todos os crimes cometidos durante o governo repressivo e autoritário dos militares no espaço da Universidade de São Paulo.

Um abaixo-assinado foi lançado na última semana pedindo a instalação da Comissão da Verdade na universidade. A ação, encabeçada por juristas, que culminou no Fórum Aberto pela Democratização da USP, pretende “somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário”, diz notícia publicada pela Carta Maior.

A discussão na USP evidencia como a Comissão da Verdade em nível nacional está influenciando a formação de comissões estaduais, municipais e inclusive no espaço da universidade o que soa como positivo quando se pensa que a periferia vem para reforçar o movimento central em uma relação onde ambos se alimentam e se fortaleçem.

Além disso, investigar e trazer à tona os crimes da ditadura cometidos na USP, faz total sentido já que a primeira ação de todo e qualquer regime autoritário e regressivo, no sentido negativo da palavra, é calar o conhecimento, tornar muda a consciência crítica, por isso a USP foi tão perseguida naqueles anos e o fato de ela ainda se mostrar autoritária talvez seja justamente um sinal de que a liberdade e o conhecimento para alguns ainda continua sendo nem um pouco interessante.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Professores, estudantes e funcionários pedem Comissão da Verdade na USP
Fórum Aberto pela Democratização lembra que USP foi uma das universidades em que trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos na ditadura, e que, por guardar resquícios daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência. “Professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, defendeu Fábio Konder Comparato.

Por Fábio Nassif

São Paulo – O Pátio das Arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi palco do ato de lançamento de um abaixo-assinado para instalação da Comissão da Verdade na universidade. A atividade encabeçada por juristas nesta quinta-feira (25) lembrou que a USP foi uma das universidades em que os trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos durante a ditadura, e que, por guardar resquícios regimentais daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência diante dos movimentos lá organizados.

A ideia do Fórum Aberto pela Democratização da USP, que reúne representações dos três setores, organizações políticas e entidades de direitos humanos, é somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário.

Formado na USP, Fábio Konder Comparato disse que a Comissão da Verdade nacional deve ser ajudada por comissões estaduais, municipais ou setoriais, como é o caso da universidade. Em sua opinião, a comissão da USP deve trabalhar com total independência. “Os professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, disse o professor.

“É preciso que nós saibamos enfrentar esta verdade difícil que é a verdade do desrespeito sistemático à dignidade da pessoa humana”, afirmou Comparato, que também criticou a repressão na USP dos dias atuais. “O regime disciplinar da universidade que continua em vigor foi estabelecido em 1972. Para os jovens isso pode não significar nada. Para nós que vivemos aquele período, significa o período mais sangrento do regime empresarial-militar. Era o Governo do general Médici”, disse, reforçando o papel da memória para não repetição do passado.

O professor de direito penal, Sérgio Salomão Shecaira, afirmou que “a Comissão da Verdade propiciará, no âmbito da USP, sabermos quem é que foi cassado pelo AI-5 e por que o decreto 477 permitia afastamento de estudantes”. “Esse decreto tem ainda um entulho autoritário que é uma cópia – me perdoem – cuspida e escarrada do 477, que é de 72, e que permite os detentores da USP processarem alunos da nossa universidade”, disse. Atualmente, 51 estudantes estão sofrendo processos administrativos e podem ser “eliminados”, de acordo com o regimento da USP.

O atual reitor da universidade, João Grandino Rodas, foi diretor da Faculdade de Direito antes de assumir o atual posto. Shecaira acredita que “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”, e repetiu aos jovens presentes na plateia que “para nós, o Magnífico reitor será sempre persona non grata”. (Texto completo)

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Paulo Freire: “minha prática exige de mim uma definição”

“Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.
Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê.
Não posso ser professor a favor simplesmente do homem ou da humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa.
Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos alunos, não canso de me admirar.” 
(Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 2011)

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Patrono da educação brasileira

No último dia 16/04, o Diário Oficial da União publicou uma lei que declara o educador e filósofo Paulo Freire como patrono da educação brasileira. Paulo Freire se tornou conhecido por sua pedagogia que acredita, dentre outras coisas, na capacidade do aluno, ou educando, como ele diz, de alcançar o conhecimento traçando para isso o seu próprio caminho, sem necessariaente seguir um já previamente concebido.

Além de uma prática de autonomia, Freire acredita em uma educação do mundo e no mundo, onde homem e mundo, professor, aluno, estão todos conectados em uma relação onde não há superioridade ou inferioridade e sim potencialidades iguais, tanto para quem ensina, quanto para quem aprende, ou melhor, para aqueles que ensinam e aprendem no mesmo espaço de construção.

Veja notícia sobre o assunto publicada pela Agência Brasil:

Publicada lei que declara Paulo Freire patrono da educação brasileira
Por Christina Machado

Brasília – O Diário Oficial da União publica hoje (16) a lei que declara o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira. O projeto de lei foi aprovado no início de março pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em decisão terminativa, por unanimidade.

Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) foi educador e filósofo. Considerado um dos principais pensadores da história da pedagogia mundial, influenciou o movimento chamado pedagogia crítica. Sua prática didática fundamentava-se na crença de que o estudante assimilaria o objeto de análise fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído.

Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Foi preso em 1964, exilou-se depois no Chile e percorreu diversos países, sempre levando seu modelo de alfabetização, antes de retornar ao Brasil em 1979, após a publicação da Lei da Anistia. (Texto completo)

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AMEAÇAS CONTRA ALUNOS PUBLICADAS NA INTERNET GERAM CLIMA DE TENSÃO E INSEGURANÇA NA UNB

Intolerância nas redes sociais

Ameaças de intolerância racial, religiosa e de gênero contra alunos de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB) começaram a ser postadas na internet durante as férias de janeiro. Na ocasião, uma investigação conjunta das polícias Civil, Militar e Federal prendeu dois suspeitos após terem postado mensagens que convocavam seguidores para a sua causa.

Na última sexta-feira, (13/04), os corredores do prédio onde acontecem grande parte das aulas do curso de Ciências Sociais amanheceram vazios. Alunos e professores decidiram não ir à Universidade depois que novas mensagens foram publicadas na internet com ameaças contra os estudantes. Os textos diziam que a Universidade sofreria um atentado no referido dia 13 de abril, como mostra notícia publicada pelo Correio Braziliense.

Como não poderia deixar de ser, as mensagens espalharam medo e insegurança entre alunos e funcionários e cada departamento passou a decidir individualmente como tratar da questão, abonando faltas e suspendendo aulas. A situação é quase de terror e revela como a internet pode ser usada tanto como ferramenta de mobilização construtiva, quanto destrutiva.

Além do dilema da atuação na rede, o episódio da UnB, assim como outros episódios de violência e intolerância em escolas e universidades do mundo, também revela como o próprio espaço da universidade, um lugar de troca, aprendizado e convivência democrática, algumas vezes termina por se tornar um palco para externar sentimentos de intolerância e preconceito que são justamente o oposto do que realmente constitui o espírito de universidade e de educação, em última instância.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

UnB suspende aulas em alguns cursos após ameaças contra alunos
Por Saulo Araújo

Os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC) Norte na Universidade de Brasília (UnB) amanheceram mais vazios nesta sexta-feira (13/4). Grande parte dos alunos não apareceu para as aulas nesta manhã, depois que mensagens foram publicadas na internet com ameaças contra os estudantes. Os textos diziam que a universidade sofreria um atentado hoje, dia 13 de abril. O ICC fica no prédio central do câmpus do Plano Piloto e abriga grande parte das aulas dos cursos de Ciências Sociais.

Diante das ameaças e do medo que ronda estudantes e funcionários, cada Departamento está lidando com o problema da maneira que considera mais adequada. A Faculdade de Comunicação está abonando as faltas dos alunos que decidiram ficar em casa por questão de segurança, e os professores que estão se sentindo inseguros estão optando por não dar aula. Algumas turmas estão vazias, com apenas cinco alunos em sala.

Os cursos de Sociologia e Antropologia suspenderam as aulas durante todo o dia de hoje. Os professores do Instituto de Psicologia estão reunidos para decidir se suspendem ou não as aulas e na faculdade de Comunicação seis professores dispensaram os alunos em virtude dessas ameaças.

A assessoria de comunicação social da UnB informou que as três polícias foram acionadas, a Polícia Civil, Militar e também a Polícia Federal. Ainda segundo a assessoria, vários agentes estão rondando o campus à paisana a procura de suspeitos. Os agentes já fizeram uma varredura em vários pontos da instituição, principalmente nesses cursos onde as ameaças são mais constantes, para ver se encontravam vestígios de possíveis ataques. (Texto completo)

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Pós-graduandos: quatro anos sem reajuste

Na última quinta-feira (29/03), estudantes de pós-graduação de universidades de todo país organizaram um protesto utilizando o twitter e fazendo panfletagens e aulas públicas durante o dia para denunciar a falta de reajuste nas bolsas de pós-graduação, que, há pelo menos quatro anos, não têm o valor atualizado pelo governo federal.

As bolsas oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) giram em torno de R$ 1,2 mil para o estudante de mestrado e R$ 1,8 mil para o de doutorado.

Levando em conta que o reajuste nos valores não acontece há quatro anos e que, em contrapartida, os outros setores de serviços tiveram seus valores devidamente ajustados, o estudante de pós-graduação é obrigado a fazer sacrifícios pessoais para continuar suas pesquisas, diz notícia publicada pelo Terra, e arcar com as suas desposas pessoais e também de formação, o que inclui cursos, livros, material, e uma série de outras coisas.

A notícia do Terra cita ainda que a Capes informou, por meio de sua assessoria, que considera legítima a demanda dos estudantes, mas que a decisão não depende só da Agência, além disso, eles alegam que apesar do valor das bolsas não ter aumentado, a quantidade de bolsas concedidas aumentou de 2008 pra cá.

No entanto, a quantidade de bolsas não aumentou para todas as áreas. Inclusive, depois que a presidente Dilma Rousseff assinou um decreto dizendo que a prioridade no incentivo à pesquisa no Brasil será para as áreas de ciência e tecnologia, a área das ciências humanas, por exemplo, saiu sensivelmente prejudicada.

Sem contar que, se fizermos uma comparação, veremos que o valor das bolsas concedidas pelas agências que financiam a pesquisa em nível estadual é maior e possui muito mais benefícios do que a bolsa do governo federal. Diante desse cenário, os estudantes têm mesmo que se organizar, pois parece que em um país que quer ser visto como desenvolvido, a pesquisa e a educação não parecem estar recebendo a atenção que merecem.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Sem reajuste há 4 anos, alunos de pós-graduação fazem protesto
Da Redação do Terra

Estudantes de universidades de todo o País realizam um protesto nesta quinta-feira para cobrar do governo federal o reajuste das bolsas de pós-graduação. O valor pago aos estudantes de mestrado e doutorado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é o mesmo há quatro anos.

Segundo a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), o valor das bolsas está totalmente defasado e obriga os estudantes a sacrifícios pessoais para continuarem suas pesquisas. “Para se dedicarem exclusivamente aos estudos, os pós-graduandos contam apenas com o valor da bolsa para se manter e investir em sua formação, o que torna os atuais valores insuficientes”. Para mestrado, a bolsa é de R$ 1,2 mil e para doutorado o valor fica em R$ 1,8 mil.

Durante o dia, os estudantes de diversas universidades fazem panfletagens e aulas públicas. A partir das 16h foi agendado uma mobilização no microblog Twitter para divulgar a demanda dos estudantes. (Texto completo)

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Projeto educacional do MST vem dando certo no campo

Em uma sociedade onde, infelizmente, o acesso à cultura e educação de qualidade chega para poucos, uma escola do MST, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, dirigida por militantes e com professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, conquistou a melhor nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em comparação com as outras escolas da cidade.

O fato obviamente não teve muito destaque na mídia, tampouco na política local, o que não é surpresa diante de um cenário marcado por fortes cargas de preconceito ideológico que não valoriza o protagonismo popular e as iniciativas que dão certo, mesmo contra todas as expectativas.

A educação no campo, de forma geral, vive um sério período de crise. Nas escolas faltam professores, material didático e até os próprios alunos que, na maioria das vezes, não conseguem chegar à escola. Diante dessa realidade, projetos educacionais que dão certo no campo, caso dessa escola de Abelardo Luz deveriam ser reproduzidos e valorizados em tudo aquilo que propõe de novo e eficaz na prática educacional.

Não se trata de fazer apologia ao projeto educacional do MST e sim de reconhcer uma experiência que vem dando certo, mesmo com tantas dificuldades. Muitos dizem que as escolas do MST servem a uma ideologia e “doutrinam os alunos”, no entanto, o sucesso dos alunos do município de SC no Enem revela que, em última instância, a qualidade de um ensino vai muito além da questão ideológica, mesmo porque ideologia sempre existe, e as piores são aquelas que se disfarçam sob uma aparente neutralidade.

O importante é desenvolver diferentes formas de pensar e a capacidade de escolher, por conta própria, como agir diante da realidade social. E se os alunos conseguem um bom desempenho em exames de avalização, já estão neste caminho.

Veja trecho da notícia publicada no Portal do MST:

Escola do MST tem a melhor nota no Enem em Abelardo Luz
Por Ernesto Puhl
Do Jornal Sem Terra

Na Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. A escola é dirigida por militantes do MST e professores
indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1418 famílias, morando em 23 assentamentos.

A escola foi destaque no Exame Nacional do Ensino médio (Enem) de 2009, divulgado na pagina oficial do Enem. Ocupou a primeira posição no município, com uma nota de 505,69. Para muitos, esses dados não são mais do que um conjunto de números que indicam certo resultado, mas para nós, que vivemos neste espaço social, é uma grande conquista.

No entanto, essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação.

A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e do êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são para uma pequena elite. (Texto completo)

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