Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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VISTAM AS MÁSCARAS, É CARNAVAL! ELIS E CHICO CANTAM NOITE DOS MASCARADOS

 

Noite dos Mascarados
Chico Buarque

– Quem é você?
– Adivinha, se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

– Quem é você, diga logo…
– Que eu quero saber o seu jogo…
– Que eu quero morrer no seu bloco…
– Que eu quero me arder no seu fogo.

– Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
– O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
– Eu tenho um pandeiro.
– Só quero um violão.
– Eu nado em dinheiro.
– Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
– Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
– Eu sou tão menina…
– Meu tempo passou…
– Eu sou Colombina!
– Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

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A ATIVISTA POR TRÁS DA ARTISTA, ENCONTROS ENTRE ELIS REGINA E A HISTÓRIA POLÍTICA DO BRASIL

Artista ativista!

Em ótimo texto escrito por Sérgio Luz, publicado originalmente no Blog  Mania de História e repercutido pela revista Carta Capital, é revelada ao leitor um pouco da vivência política da “Pimentinha”, como chamava Vinicius de Moraes ou Elis Regina, como a maioria dos brasileiros conhece. O talento musical de Elis muitas vezes cruzou o caminho da história política do Brasil e o interessante do texto é justamente mostrar esses momentos de forma consistente e original.

O autor começa falando de como é raro alguém passar da morte para a vida, no entanto, revela que durante a ditadura militar aconteceu um pouco de tudo nesse país. Elis, por exemplo, foi enterrada pelo cartunista Henfil, ao lado de outros nomes que ele considerava responsáveis por fazer a propaganda do autoritário governo dos militares. Isso se deu depois que Elis apareceu na gravação de uma chamada veiculada em todas as TVs, conclamando o povo a cantar o Hino Nacional no dia 7 de setembro de 1972, uma data explorada ao máximo pelos militares. Ao lado dela, outros artistas que apareceram na TV também foram enterrados.

Os anos eram de chumbo e Henfil tinha suas desconfianças e exageros, o fato é que, como revela o texto, do inferno pra onde fora enviada, Elis alcança o paraíso quando tem o nome associado à campanha pela Lei da Anistia, quando uma das canções interpretadas por ela, O Bêbado e a Equilibrista, composta por Aldir Blanc e João Bosco, pedia justamente a volta do irmão do Henfil, ou seja, o sociólogo Betinho, que estava exilado, fugindo da perseguição dos militares e esperando apenas pela anistia para poder voltar ao Brasil.

Por fim, um pouco mais contemporâneos, Elis assegura sua presença no Paraíso da história quando lidera um grupo de artistas de esquerda (Fagner, Belchior, Gonzaguinha, João Bosco, Macalé e Carlinhos Vergueiro, entre outros), em vários shows feitos com o objetivo de levantar dinheiro para o Fundo da Greve do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no ABC paulista, em 1979. Escondido aí no meio já estava o nome de Luíz Inácio Lula da Silva.

Nesse caminho, o texto vai ligando música e história política, passando pela ditadura e pelo governo mais popular da história do país. E no meio de tudo isso, lá estava ela, uma Elis não tão conhecida que, por trás da expressiva e única voz, demonstrava uma alma tão forte e intensa quanto cada uma das sua brilhantes interpretações! E assim, fatos e composições vão se cruzando para ajudar a ler um pouco mais da bela partitura em que brilhou a vida desta grande artista e grande mulher brasileira!

Vale a leitura! Segue trecho e vídeo com a música que se tornou o hino oficial da luta pela Anistia no Brasil:

Elis Regina, ditadura e Lula
Em 36 anos de vida, a cantora gravou 27 LPs, 14 compactos simples e seis duplos. Um total de quatro milhões de cópias vendidas

Por Sérgio Luz

Sair da vida para um cemitério, é comum, acontece com todo mundo. Mas sair de um cemitério para a vida, só mesmo simbolicamente. Pois foi o que aconteceu com uma gaúcha chamada Elis Regina Carvalho Costa que, em 36 anos de vida, gravou 27 LPs, 14 compactos simples e seis duplos, que venderam um total de quatro milhões de cópias – um número até hoje impressionante.

Em poucos anos, Elis sai do Inferno para o Paraíso. Ao Inferno, ela chega ao ser “enterrada” no Cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô – para onde o cartunista Henfil, no semanário O Pasquim, mandava pessoas que, na opinião dele, colaboravam com a ditadura militar no início da década de 70. Ao Paraíso, Elis ascende ao liderar um grupo de artistas de esquerda (Fagner, Belchior, Gonzaguinha, João Bosco, Macalé e Carlinhos Vergueiro, entre outros), que faz vários shows para levantar dinheiro para o Fundo da Greve do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no ABC paulista, em 1979.

Essa vivência política é um lado pouco conhecido de Elis Regina que, aos 18 anos, foi sozinha para o Rio de Janeiro, onde chegou a morar num quarto-e-sala na Rua Barata Ribeiro, 200, em Copacabana (um prédio tipo balança-mas-não-cai, celebrizado numa peça de teatro, “Um Edifício Chamado 200”, de Paulo Pontes). (Texto Completo)

 

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.
Meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar…

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