Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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PRODUTORA DE PINGA YPIÓCA PROCESSA JORNALISTA E TAMBÉM MOVEU AÇÃO CONTRA PROFESSOR QUE FEZ PESQUISA SOBRE POLUIÇÃO

Intervozes publica nota de solidariedade ao jornalista Daniel Fonsêca

Do Barão de Itararé
Produção de cana-de-açúcar teria contaminado lençol freático
O Coletivo Intervozes, que integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), publicou nesta segunda-feira (5) uma nota de solidariedade ao jornalista Daniel Fônseca. Membro do coletivo, Fônseca está sendo acusado de injúria, calúnia e difamação pela empresa Ypióca; em um seminário e em um artigo que sequer chegou a ser publicado, ele denuncia que a empresa utiliza água da Lagoa Encantanda (sagrada para o povo Jenipapo-Kanindé) para alimentar a monocultura da cana-de-açúcar, além de poluir o lençol freático com dejetos industriais.
O professor da Universidade Federal do Ceará, Jeovah Meireles, é co-autor do artigo e também está sendo processado pela empresa. A audiência do julgamento do processo ocorre no dia 6 de novembro. Em nota, o Intervozes afirma que, ao judicializar o conflito social e tentar calar manifestos, artigos e produções jornalísticas, a Ypióca age contra a democracia, a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão da população brasileira.
Confira a íntegra do texto:
O Intervozes se manifesta contra a criminalização que a empresa de bebidas Ypióca está promovendo com o jornalista e militante do coletivo Daniel Fonsêca
O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social se solidariza com o jornalista e militante do coletivo Daniel Fonsêca no processo de criminalização que está sofrendo pela empresa de bebidas Ypióca.
No dia 6 de novembro de 2012, ocorre a audiência de julgamento do processo que a empresa move contra Daniel Fonsêca desde 2007, acusando-o de injúria, calúnia e difamação por se manifestar em defesa dos direitos dos índios Jenipapo-Kanindé e da preservação da região da Lagoa da Encantada, em Aquiraz (CE).
A Ypióca processou Daniel e o professor da Universidade Federal do Ceará Jeovah Meireles, em processos distintos – após declarações feitas em um seminário e pela produção de um artigo que sequer chegou a ser publicado – por eles terem relatado que a empresa utiliza água da Lagoa Encantada (sagrada para o povo Jenipapo-Kanindé) para alimentar seus 4.000 hectares de monocultura de cana para a produção de cachaça, além de poluir o lençol freático com os descartes do processo industrial de fabricação. O processo contra o professor foi finalizado em 2010. 
Ações com esse caráter representam a judicialização de conflitos sociais na tentativa de intimidar a divulgação de manifestos, pesquisas e produções jornalísticas que defendam direitos fundamentais violados pela ação de empresas ou de governos. A Ypióca tenta, assim, impedir a produção acadêmica e jornalística sobre sua atuação no país, agindo contra a democracia, a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão da população brasileira.
O Intervozes reafirma seu compromisso com a defesa das liberdades de expressão, de organização e de manifestação e do livre exercício dos profissionais de comunicação.
Brasília, 5 de novembro de 2012.
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

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RICHARD SENNET: A INSTABILIDADE PRETENDE SER NORMAL NO VIGOROSO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO

Durante a maior parte da história humana, as pessoas têm aceito o fato de que suas vidas mudarão de repente devido a guerras, fomes ou outros desastres, e de que terão de improvisar para sobreviver. Nossos pais e avós viveram em grande ansiedade em 1940, depois de suportarem o naufrágio da Grande Depressão, e enfrentando a iminente perspectiva de uma guerra mundial.

O que é singular na incerteza hoje é que ela existe sem qualquer desastre histórico iminente; ao contrário, está entremeada nas práticas cotidianas de um vigoroso capitalismo. A instabilidade pretende ser normal, o empresário de Schumpeter aparecendo como o Homem Comum ideal. Talvez a corrosão de caráteres seja uma consequência inevitável. [A frase]  “Não há mais longo prazo” desorienta a ação a longo prazo, afroxa os laços de confiança e compromisso e divorcia a vontade do comportamento.

Richard Sennet, em A Corrosão do Caráter (Record, 2009)

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Teto de escola estadual aos pedaços: visão empresarial

Uma recente reportagem da revista Carta Capital mostra de forma evidente porque a oposição está perdida.

Achava-se que o PSDB tinha algum conteúdo, mas é oco por dentro. Vejam os discursos do Aécio Neves no Senado, relembre a campanha suja de José Serra. É o vazio político.

A educação e a saúde continuam péssimas no Brasil, com o sistema público sendo privatizado, e o PSDB não consegue fazer uma crítica consistente.

Na verdade, a oposição está perdida porque nunca foi oposição, nunca teve utopia. Sempre comandou, ou melhor, mandou. Quando precisou falar em nome da população, ficou perdida. Não tem o que dizer.

Mas voltemos à reportagem da Carta Capital sobre a educação em São Paulo, estado governado há 16 anos pelo PSDB.

A matéria mostra que a prática pedagógica foi privatizada e transformada numa relação empresarial, com bônus para “professores aprovadores”. É como se a escola fosse uma fábrica, uma pequena empresa.

Ao mesmo tempo, as construções e reformas de escolas são uma bandalheira, não há nada de empresarial, a não ser a corrupção. As escolas são construídas ou reformadas e depois de um ou dois anos já estão deploráveis. É incrível: pedagogia empresarial para professor e aluno e capitalismo da mãe Joana para empresários do partido. Esse é o PSDB, o vazio.

Veja trecho da reportagem da Carta Capital:

Especialista em avaliação, Luiz Carlos de Freitas, professor de Educação da Unicamp, contesta a própria existência da bonificação na educação pública. “Os reformadores empresariais acreditam que a educação é uma atividade como qualquer outra, passível de ser administrada pelos critérios da iniciativa privada. Ocorre que, no mercado, há ganhadores e perdedores, e os ganhadores não têm de se preocupar com os perdedores”, afirma. “No sistema de bônus, os testes ganham relevância extraordinária e acabam por corromper o processo social que tentam monitorar. Recentemente, Beverly Hall, superintendente do sistema educacional de Atlanta, na Geórgia (EUA), foi demitida após uma investigação que identificou fraude na avaliação de 58 escolas públicas. Em Nova York, John Klein deixou o cargo de superintendente, em junho de 2010, quando se descobriu que as altas notas que os alunos tiravam nas escolas estavam infladas. A escola não é uma pequena empresa.” (Texto Integral)

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LEI DE INOVAÇÃO E NÚCLEOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA FAZEM BRASIL DAR UM SALTO NA PARCEIRIA ENTRE UNIVERSIDADE E EMPRESA

 

Expansão de núcleos de universidades e institutos que são porta de entrada para empresa faz disparar receita vinda de parcerias

Do Inovação Unicamp

Em 2006, o licenciamento de tecnologias, as parcerias em projetos de pesquisa, a inovação e a prestação de serviços geraram receitas de R$ 810 mil para universidades e institutos públicos e privados no Brasil. Em 2008, o número pulou para R$ 13,1 milhões. Para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a razão do aumento está na expansão dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), de 19 em 2006, para 75 em 2008. Os NITs são estruturas que a Lei de Inovação (10.973/2004) obriga as instituições de ensino e pesquisa públicas a criar, como porta de entrada para a empresa. É de responsabilidade do NIT atuar na política de propriedade intelectual das instituições científicas e tecnológicas (ICTs) do setor público e na realização das parcerias destas com a iniciativa privada. Esses números se referem às 43 instituições que enviaram seus relatórios para o ministério em 2006 e às 101 que fizeram o mesmo em 2008, em um universo de 300 existentes no País. Nem todas as ICTs que enviaram relatórios (outra obrigação estabelecida pela Lei de Inovação) já formaram seus núcleos de inovação. Os dados foram apresentados por Reinaldo Danna, coordenador geral de inovação tecnológica do MCT, no segundo dia do III Encontro do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec), que aconteceu na última semana de abril em Campinas (SP). O encontro discutiu os cinco anos da existência da Lei de Inovação. O Fortec reúne os profissionais das ICTs responsáveis pelas políticas de inovação e as iniciativas relacionadas a propriedade intelectual e transferência de tecnologia. Conta com 120 associados nas cinco regiões brasileiras. A previsão da Lei de Inovação Segundo o artigo 17 da Lei de Inovação, as ICTs devem preencher e enviar um relatório que traga informações sobre sua política de propriedade industrial, criações desenvolvidas, proteções adquiridas e concedidas e contratos de licenciamento ou transferência tecnológica firmados. O balanço apresentado tem base nesses relatórios. Dana apresentou dados que discriminam o tipo de licenciamento e o recurso obtido em cada um. Com os licenciamentos feitos com exclusividade, ou seja, em que a empresa parceira é a única que pode explorar a tecnologia licenciada, as ICTs conseguiram R$ 595 mil em 2006; e R$ 4,5 milhões em 2008. Os licenciamentos sem exclusividade mobilizaram menos recursos: R$ 100 mil em 2006 e R$ 933 mil em 2008. No balanço, há também a categoria “outras formas de licenciamento”, que trata de projetos feitos em parceria com as empresas e da prestação de serviços. Essa categoria ganhou maior importância ao longo dos anos. Em 2006, as ICTs conseguiram R$ 115 milhões com essas formas de cooperação. Em 2008, foram R$ 7,7 milhões. “Essa informação mostra que as empresas não dão tanta prioridade ao licenciamento exclusivo como se imagina”, destacou ele. As patentes das ICTs Danna também mostrou o número de patentes pedidas e concedidas às ICTs em 2008. Das 101 ICTs que informaram sobre suas atividades em 2008 ao MCT, 67 pediram proteção intelectual para suas tecnologias e 31 obtiveram patentes nesse ano. Foram feitos 1.035 depósitos de patentes no ano passado, 987 no Brasil e 88 no exterior. No mesmo período, 148 patentes foram concedidas às ICTs, 128 no País e 20 no exterior. (Texto integral no site Inovação Unicamp)

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