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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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AUMENTA O NÚMERO DE DESASTRES NATURAIS E A POPULAÇÃO POBRE CONTINUA NO EPICENTRO DA QUESTÃO

Cenas que se tornam cada vez mais frequentes ao redor do mundo

Um estudo da organização humanitária britânica Oxfam revelou que o número de desastres naturais registrado anualmente nos países mais pobres do mundo mais que triplicou desde 1980, como mostra notícia publicada pela Agência Brasil. Fenômenos como terremotos, furacões e erupções vulcânicas praticamente permanceram constantes, o aumento se deu mais em relação ao número de enchentes e tempestades.

Sem dúvida, uma das razões apontadas para o aumento das tempestades foi as mudanças climáticas, por isso, a previsão é de que a situação se agrave no futuro. Em todo esse processo, a população mais atingida é a de baixa renda, isso porque os países mais pobres se tornam mais vulneráveis devido à falta de investimentos na prevenção de desastres, à má administração, dentre outras peculiaridades que fazem com que as tempestades causem ostensivos desastres nestes locais do mundo.

No entanto, cada vez mais pessoas estão na mira dos desastres naturais e, se as coisas continuarem como estão, a tendência é que poucos escapem das tempestades que ainda vêm por aí. Por isso, o mais importante é rever as posições diante das mudanças climáticas e, principalmente, trabalhar no sentido de reduzir a pobreza, caso contrário, as consequências serão de fato trágicas.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela Agência Brasil:

Número de desastres naturais triplicou desde 1980, diz ONG britânica
Da BBC Brasil

Brasília – O número de desastres naturais registrado anualmente nos países mais pobres do mundo mais que triplicou desde 1980, de acordo com um estudo da organização humanitária britânica Oxfam. Segundo a organização, a média de desastres anuais passou de 133 para 350, nas últimos três décadas, com base em dados de 140 países.

A análise concluiu que enquanto a ocorrência de desastres relacionados a eventos geofísicos – como terremotos, furacões e erupções vulcânicas – permaneceu praticamente constante, as catástrofes provocadas por enchentes e tempestades cresceram significativamente.

O resultado se deve principalmente ao aumento dramático do número de enchentes em todas as regiões do planeta e, em menor grau, à ocorrência de mais tempestades na África e nas Américas do Sul e Central. Steve Jennings, autor do estudo, afirmou que uma das razões do crescimento foi o impacto das mudanças climáticas.

“Desastres ligados ao clima estão se tornando cada vez mais comuns e a situação deve se agravar no futuro à medida que as mudanças climáticas intensificam ainda mais as catástrofes naturais”, afirmou Jennings. “Mas é preciso deixar claro que não há nada de natural no fato de as pessoas pobres estarem na linha de frente das mudanças climáticas. Pobreza, má administração, investimentos precários em prevenção de desastres – tudo isso as deixa mais vulneráveis.” (Texto completo)

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TRAGÉDIA NO RIO DE JANEIRO EXPÕE FRAGILIDADE DA COBERTURA JORNALÍSTICA REALIZADA PELA GRANDE MÍDIA

Deslizamento de terra em Nova Friburgo (RJ) que totaliza maior número de mortos

A recente tragédia que atingiu cidades da região serrana do Rio de Janeiro, transformando a paisagem em um quase eterno desmanchar de terra e lama encoberto por inacreditáveis volumes de água, tem sensibilizado a opinião pública e, como não poderia deixar de ser, servido de prato cheio para as coberturas especiais da grande mídia.

É visível para qualquer um a gravidade do ocorrido. Pessoas perdendo tudo o que têm, vendo parentes soterrados ou simplesmente levados pela água sem que elas possam fazer nada. Poucas coisas devem ser mais doloridas, é quase um perder-se de si mesmo, sentimento que acompanha a violência intrínseca às tragédias. No entanto, essas situações em que o humano é exposto em toda sua íncrível limitação diante da natureza e diante das suas próprias certezas, representa um grande desafio à cobertura jornalística. Desafio não no sentido da dificuldade inerente a qualquer cobertura de catástrofes por parte dos jornalistas, mas no sentido de realizar uma cobertura com menos demagogia, sensacionalismo, feita com mais naturalidade, realismo e inteligência.

A grande mídia explora em demasia o assunto, afoga os olhos e ouvidos do leitor com cenas que parecem não ter fim e depoimentos fortes de pessoas que parecem apenas soltar palavras aleatórias, posto que o sofrimento quando é grande provoca uma espécie de anestesiamento que faz dizer, mas não faz falar de fato. É quase como um dizer mudo acompanhado por olhos vazios e perdidos.

Acontecimentos como as enchentes e mortes na região serrana do Rio, demonstram como a cobertura jornalística de eventos dramáticos ainda tem muito o que evoluir. Recente texto, reproduzido pelo site da revista Carta Capital e publicado originalmente no site da Envolverde, aborda justamente essa questão e lembra o público da importância que existe em buscar as reais causas de tragédias como essa e pensar nas efetivas e possíveis soluções e prevenções desse tipo de problema. Temas que passaram ao largo das espetaculares coberturas midiáticas!

Veja trecho:

Menos demagogia para alcançar as causas do desastre
Por Aspásia Camargo

O pesadelo retorna, e redobrado, com as chuvas de verão. Sempre as mesmas desgraças. E tratadas com a mesma negligência. Em geral, existe um grande interesse pelas vítimas e suas perdas e nenhuma atenção às causas de tais calamidades. Mas agora parece que a opinião pública acordou de seu longo torpor e começa a se interessar por uma solução mais racional e adequada. Vamos ter que levar a sério o aumento de frequência e intensificação das chuvas, provocado pelas mudanças climáticas.

As recomendações da Conferência das Partes da ONU são claras: aplicar o princípio da “mitigação” para eliminar as causas do aquecimento global; e o da “adaptação” para fortalecer a proteção física das áreas vulneráveis, já identificadas pelo meteorologista Carlos Nobre. Tese de mestrado defendida na UFF pela médica bombeira Edna Maria de Queiroz revela que 60% das catástrofes naturais são de origem hídrica – enchentes e deslizamentos -, mas até agora nada fizemos para planejar ações de controle e prevenção nas bacias hidrográficas, evitando o assoreamento e protegendo as matas ciliares dos rios.

A urbe se expandiu aprisionando e desprezando a natureza – precisamos nos reconciliar com ela. As cidades sustentáveis são hoje parte de uma nova agenda civilizatória, exigindo mais segurança, melhor circulação, menos desperdício e mais qualidade de vida. A impermeabilização do solo tem efeitos nefastos que podem ser mitigados com a multiplicação das áreas verdes e garantia de vegetação nas encostas. (Texto Completo)

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Desmatamento facilita o desmoronamento

Desmatamento facilita o desmoronamento

A conta do desmatamento e da total falta de preocupação com o meio ambiente já está chegando. Quem vai pagar é todo mundo.

Alguns, infelizmente, acabam pagando com a própria vida. Geralmente são as pessoas mais pobres, que vivem em situações de risco.

Mas todos perdem. Santa Catarina é um exemplo de que todos perdem, do Brasil inteiro.

Ecossistema, não dá mais para ignorá-lo.

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