Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: especulação imobiliária

INCÊNDIOS SELETIVOS: FAVELAS EM ÁREAS VALORIZADAS PEGAM MAIS FOGO DO QUE FAVELAS EM REGIÕES DESVALORIZADAS

Fatalidade ou Crime?

Da Carta Capital
Crianças expulsas por incêndio na favela Moinho
“João Finazzi, pesquisador do Programa de Educação Tutorial do curso de Relações Internacionais da PUC-SP, recentemente publicou um artigo que comprova o que boa parte dos urbanistas denuncia há tempos. Primeiro, ele verificou a distribuição das mais de 1,5 mil favelas existentes no território paulistano. Depois, mapeou as ocorrências de incêndio mais recentes (São Miguel, Alba, Buraco Quente, Piolho, Paraisópolis, Vila Prudente, Humaitá, Areão e Presidente Wilson). O episódio na favela do Moinho só ficou de fora porque o artigo foi escrito antes da tragédia. Conclusão: as chamas atingiram regiões que concentram apenas 7,28% das favelas da cidade. Em outras áreas, que concentram mais de 21% dos assentamentos irregulares da capital, como Capão Redondo, Jardim Ângela, Campo Limpo e Grajaú, nenhum incêndio foi registrado.
O estudo, coordenado pelo professor Paulo Pereira, identificou ainda que as áreas atingidas pelos incêndios sofreram grande valorização imobiliária entre 2009 e novembro de 2011, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). “Todas as nove favelas citadas estão em regiões de valorização imobiliária: Piolho (Campo Belo, 113%), Vila Prudente (ao lado do Sacomã, 149%) e Presidente Wilson (a única favela do Cambuci, 117%). Sem contar com Humaitá e Areião, situadas na valorizada Marginal Pinheiros, e a já conhecida Paraisópolis, vizinha incômoda do rico bairro do Morumbi”, afirma Finazzi. “Onde não houve incêndio, a valorização imobiliária foi bem menor nos últimos anos, em alguns casos até decrescente, como Grajaú (-25,7%) e Cidade Dutra (-9%)”. (Veja Texto integral na Carta Capital)
Leia mais em Educação Política:

SEM PLANEJAMENTO HÁ 6 ANOS, CAMPINAS TEM TRÂNSITO CAÓTICO DEVIDO À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, DIZ ARLEI MEDEIROS

Na segunda parte da entrevista com o candidato do Psol à prefeitura de Campinas, Arlei Medeiros, o tema é o caos provocado no trânsito com a velha conhecida especulação imobiliária. A liberação de grandes condomínios em bairros já populosos implicam gastos futuros volumosos para que a prefeitura melhore o trânsito, que já é atualmente ruim.

Veja também a primeira parte da entrevista, sobre reciclagem e coleta de lixo.

Veja mais em Educação Política:

AÇÕES DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE EXPÕEM OS PROBLEMAS ENFRENTADOS PELA POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA DIANTE DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA EM SÃO PAULO

Irracionalidade paulistana

Cerca de 800 mil pessoas estariam na fila por moradia popular na cidade de São Paulo, segundo dados da prefeitura municipal. Essas 800 mil pessoas ora ocupam prédios abandonados no centro da cidade, ora se instalam nas ruas, ora são depositadas em abrigos até que o poder público resolva o que fazer com elas.

As últimas ações de reintegração de posse na metrópole paulista escancararam o cenário de abandono em que essas pessoas se encontram. Expulsas de um prédio abandonado na esquina das avenidas São João e Ipiranga; e de um edifício na rua Conselheiro Nébias, as famílias acamparam durante dez dias na calçada da avenida São João até serem removidas para um abrigo do bairro do Bom Retiro, onde seriam cadastradas em programas habitacionais municipais.

No entanto, logo nos primeiros dias, a costumeira lentidão das decisões por parte do poder público fez com que as famílias novamente ficassem incertas em relação ao seu futuro e passassem a considerar a possibilidade de voltar às ruas caso nada de efetivo fosse feito em relação à sua situação.

O drama dos sem-teto paulistanos vai longe. Em notícia publicada pela Carta Maior, Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e professor-doutor em assuntos de Habitação Urbana pela FAU-USP, diz que “projetos urbanos, projetos viários e crescimento que, em tese, seriam positivos, têm como consequência a expulsão dos mais pobres, não somente por via direta (como remoções de ocupação), mas também indireta, (preços e custo de vida)”.

Isso acontece, segundo ele, porque não há uma política fundiária para conter a especulação imobiliária provocada por uma alta valorização da terra urbana diante de um cenário de crescimento acelerado da economia e de investimentos feitos na área imobiliária. Diante desse valorização, “as políticas habitacionais, embora com recursos, acabaram por não responder às necessidades”, diz o secretário.

Sem contar que a cidade de São Paulo vive um dilema em função do seu tamanho e da falta de terras disponíveis. Não há também uma regulamentação por parte do governo municipal do uso do solo paulistano e, com isso, o que se vê é uma cidade com milhares de prédios, apartamentos e terrenos vazios, e milhares de famílias sem ter onde morar. Fenômenos típicos da irracionalidade paulistana em toda sua fantasia de progresso e dificuldade de enfrentar o real.

Veja trecho de texto sobre o assunto:

Habitação: especulação e moradia
Grandes obras de planejamento urbano destituídas de uma política fundiária para conter a especulação imobiliária resultam na expulsão dos mais pobres. “Projetos urbanos, projetos viários e crescimento que, em tese, seriam positivos, têm como conseqüência a expulsão dos mais pobres, não somente por via direta (como remoções de ocupação), mas também indireta, (preços e custo de vida)”, diz Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.

Por Caio Sarack

São Paulo – O crescimento acelerado da economia e os investimentos feitos na área imobiliária, inclusive os feitos pelo governo federal para as classes de menor renda, tiveram também seu efeito colateral, segundo análise do secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Nabil Georges Bonduki, professor-doutor em assuntos de Habitação Urbana pela FAU-USP: uma alta valorização da terra urbana, que acabam provocando uma forte especulação imobiliária e anulando os efeitos de políticas habitacionais para a população de baixa renda.

“O país voltou a crescer, voltou a investir em áreas importantes, transporte e outras coisas, inclusive habitação. Urbanização das favelas é um bom exemplo. O que acabou acontecendo, no entanto, foi uma valorização exagerada da terra e as políticas habitacionais, embora com recursos, acabaram por não responder as necessidades”, afirma Bonduki.

Grandes obras de planejamento urbano destituídas de uma política fundiária para conter a especulação imobiliária resultam na expulsão dos mais pobres. “Projetos urbanos, projetos viários e crescimento que, em tese, seriam positivos, têm como conseqüência a expulsão dos mais pobres, não somente por via direta (como remoções de ocupação), mas também indireta, (preços e custo de vida)”, diz Nabil Bonduki. “A procura de terras por pessoas de renda mais alta, criou uma dificuldade de atender a demanda popular”, conclui.

Acontecimentos como os incêndios de favelas em São Paulo são colocados pelo professor como resultado de uma disputa por terras no mercado imobiliário. “O problema de habitação na cidade de São Paulo se agrava por conta do tamanho da cidade e indisponibilidade de terra, sem contar superaquecimento do mercado imobiliário”, afirma. Programas federais acabam não respondendo ao déficit habitacional específico da maior capital do país, pois a cidade convive com particularidades que devem ser levadas em consideração na procura de saídas.

“Por exemplo, o programa Minha Casa, Minha Vida, em outras cidades, acaba localizando os conjuntos na periferia; em São Paulo, isso fica mais difícil. Aqui tem o problema dos mananciais, das grandes distâncias e de uma disputa da terra para habitação da periferia com condomínios fechados”. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

SERRA NO BANDEJÃO: QUANDO UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS…
DILMA NÃO CONCORDA COM ANISTIA PARA POLICIAIS QUE COMETERAM CRIMES DURANTE A PARALISAÇÃO EM SALVADOR, “AÍ VIRA UM PAÍS SEM REGRA”, DISSE A PRESIDENTE
CLIMA DE GUERRA: POLICIAIS MILITARES SEGUEM OCUPAÇÃO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA E FAZEM EXIGÊNCIAS AO GOVERNO PARA DAR FIM À PARALISAÇÃO
QUEM É CELSO RUSSOMANNO? ÚLTIMA PESQUISA DATAFOLHA NÃO ESCLARECE QUEM LIDERA AS ELEIÇÕES EM SÃO PAULO
%d blogueiros gostam disto: