Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Políticas de direita do PT gera ainda mais ódio em partidários da direita brasileira

O PT (Partido dos Trabalhadores) é um partido que nasceu renovando a esquerda brasileira no final dos anos 70 e início dos anos 80, mas ao chegar ao governo federal realiza uma agenda liberal e de direita desde More…

GLOBO E OS PROTESTOS: VÍDEO EXPLICATIVO E DIVERTIDO PARA QUEM ESTÁ MUITO PERDIDO

ESQUERDA ARCAICA TRANSFORMA YOANI SANCHEZ NO QUE ELA NÃO É E FAZ A FESTA NO BATALHÃO DO JAIR BOLSONARO

Charge:  LailsonNão são os EUA que financiam Yoani; é Cuba e a esquerda arcaica

Por Cynara Meneses/Socialista Morena

Tão risível quanto achar que aqueles meninos militantes de movimento estudantil que fizeram protestos são “orquestrados por Cuba”, como perpetraram alguns jornalistas brasileiros, é achar que é culpa dos Estados Unidos que Yoani Sánchez, uma mera blogueira, tenha se tornado a principal voz da oposição ao regime dos Castro. Sorry, mas a história não é bem essa.

Imaginem se eu, aqui no meu blog, começasse a falar mal do Brasil (como, felizmente, estamos livres para fazer em nosso país). Que não existe liberdade de expressão, que a internet é lenta, que as pessoas não podem protestar na rua livremente, que as condições de vida no país são precárias, coisas do tipo. Daí o governo Dilma Rousseff começa a me perseguir. Vigia meus passos e me impede de sair do país, por exemplo, o que passo a denunciar com frequência. O que aconteceria? Obviamente eu, uma simples blogueirinha, me tornaria cada vez mais conhecida. Viraria a vítima do governo de esquerda mau.

Agora imaginem se em Cuba, como em qualquer país comunista desde a revolução de 1917 na Rússia, não fosse proibido divergir, este erro crasso da esquerda mundial. Se em Cuba qualquer pessoa pudesse abrir um blog ou fazer um jornal alternativo e criticar o governo, porque sim. Porque acha ruim a forma como se “elege” o presidente ou porque acha que o governo deveria dar menos açúcar e mais arroz na provisão que os habitantes do país recebem. Ou, sei lá, simplesmente porque pensa “hay gobierno, soy contra”. Yoani Sánchez seria a blogueira mais famosa de Cuba ou apenas uma a mais?

E se o governo cubano tivesse deixado Yoani viajar na primeira de suas 20 tentativas? Será que se falaria tanto dela fora da ilha? Será que conseguiria tantos adeptos à sua causa ao redor do mundo? Quantos ecoaram sua voz de protesto contra a “prisão” em que vivia? Qual foi o raio de alcance de seu pedido de resgate? Através da internet, como milhões de mensagens atiradas ao mar em garrafas virtuais, enquanto Yoani permanecia em Cuba, sua queixa chegava a toda parte. Injustiças costumam atrair a solidariedade de muitos. E era uma injustiça que não a deixassem exercer seu sagrado direito de ir e vir. Ou não?

Na noite de segunda-feira 18, em Feira de Santana, na Bahia, cerca de 100 pessoas se reuniam para assistir a um documentário sobre a blogueira cubana quando a sala onde seria exibido o filme foi invadida por militantes de esquerda histéricos, que acabaram por encurralar a moça numa sala durante 40 minutos aos gritos de “traidora!”. O senador Eduardo Suplicy teve que interceder energicamente para acalmar a turba furiosa e permitir que Yoani Sánchez pudesse falar com a plateia. De forma educada, sem alterar o tom de voz, ela respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas, inclusive pelos manifestantes contrários à sua presença no Brasil. Quem se saiu bem desse episódio?

Graças à superexposição na mídia que o protesto desrespeitoso e intolerante rendeu, na noite seguinte, em vez dos gatos pingados da véspera, quase 2 mil pessoas lotaram um auditório para escutar Yoani. Gente que mal compreendia o espanhol falado pela jornalista, mas que aplaudia entusiasticamente cada frase que ela pronunciava. Os estudantes mudaram seu comportamento e dedicaram-se a se inscrever para um misto de pergunta/discurso pró-Cuba no debate, mas era tarde: a antipatia que geraram com a manifestação se fez notar. As pessoas que foram ouvir a cubana vaiavam em coro os mesmos que a tinham vaiado antes. Um rapaz foi brindado com um urro de “palhaço! palhaço! palhaço!” uníssono no salão.

Será que se tivessem feito uma manifestação educada e deixado Yoani Sánchez expor seu pensamento de forma democrática, os militantes juvenis teriam atraído tamanha atenção dos habitantes de Feira de Santana para uma blogueira cubana? Mas e a mídia, vocês me perguntarão, também não teve o seu papel, insuflando Yoani, dando-lhe espaço e colunas em jornais? Ora, o que vocês esperam da “mídia burguesa”? Que ela dê espaço a revolucionários de esquerda favoráveis ao socialismo? Obviamente a imprensa adorou a confusão toda, perfeita para pespegar o rótulo de trogloditas antidemocráticos que tanto adora carimbar na esquerda –neste caso, com sua própria ajuda.

É cômodo acreditar que Yoani ataca Cuba porque é financiada pelos Estados Unidos e não porque tem críticas reais ao regime. Pode ser que ela receba mesmo dinheiro norte-americano, quem sabe? Mas quem a financia de fato é Cuba e a esquerda arcaica que ainda não perceberam, 22 anos após o fim da União Soviética, que cercear a liberdade de expressão de quem quer que seja é sua pior anti-propaganda.

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A OPOSIÇÃO ESQUERDA E DIREITA FICOU SIMPLISTA E A POLÍTICA MAIS COMPLEXA E DIFÍCIL DE ENTENDER EM TEMPOS DE IDEOLOGIAS IMPURAS

Que tal comer um Mc na China?

Os conceitos de direita e esquerda estão sujos, imprecisos, confusos. Há tempo que estudiosos não pensam a realidade de forma dicotômica, como se esquerda e direita fossem caixas fechadas, fáceis de compreender. No entanto, os conceitos de esquerda e direita continuam importantes para entender a realidade e compreender a atuação de um político ou de um partido político, principalmente no âmbito econômico da administração pública.

Assim, faz algum sentido falar em esquerda e direita quando se fala em privatização, participação do estado, investimentos sociais e outros. Mas já não servem mais como categorias de análise da realidade, como conceitos para explicá-la.

Hoje a afirmação de que o PT é um partido de esquerda é problemático, mas falar que o PSDB é de direita não é tão problemático. Isso porque o PT usa instrumentos e discurso da esquerda e da direita para governar. Aliás, a fundação do PT é resultado justamente da revisão histórica mundial dos rumos do comunismo. Já o PSDB usa principalmente recursos e discurso conservador da direita, vide a incapacidade de lidar com a violência em São Paulo. Problema da segurança pública, da moradia etc são exclusivamente casos de polícia.

Falar que a China é um país comunista e de esquerda é realmente desconhecer a política e a história. A China é uma das mais horrorosas hierarquias que a direita poderia construir. Um capitalismo perverso totalmente controlado e com liberdade política bastante restrita. É a velha máxima de que quando se vai muito para a esquerda se chega na direita.

O perigo na China não é para o capitalismo, mas para a liberdade individual. EUA e China disputam o globo como impérios capitalistas. O discurso do medo e o discurso do terror proferido por direitistas contra o comunismo nas últimas décadas foi o fantasma que construiu a sociedade da violência e da desigualdade sem fim, como a brasileira. No entanto, qualquer crítica ou avanço contra a desigualdade social e econômica é associado ao risco de um possível comuno-capitalismo, como o Chinês ou outros países semelhantes. A categoria de análise da esquerda e direita parou na década de 60 século passado e não avançou mais, agora virou ideologia.

Hoje a realidade está bastante complexa, ainda que esquerda e direita sejam referências de políticas importantes. Falar em perigo do comunismo hoje em dia soa a delírio esquizofrênico de quem tem muito a esconder por debaixo do pano capitalista da desigualdade. Transferir o discurso para a personificação dos políticos, dizendo que não importa o partido, mas a pessoa, também é uma análise tacanha, udenista. Existem informações importantes e inegáveis na associação partidária,histórica e ideológica, principalmente quando ela se disfarça de não-ideológica.

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HELOÍSA HELENA E PSOL: ESPECTRO POLÍTICO GIRA EM EIXO DE 360 GRAUS

O espectro das nossas posições políticas está definido por um eixo de 360 graus. Quando se vai muito para a direita, pode-se chegar próximo do socialismo (como se vê no caso de alguns países avançados economicamente na Europa).  Mas também quando se vai muito para a esquerda, pode-se chegar na direita. É o caso da Heloísa Helena e do Psol, pelo menos nessas imagens abaixo. Veja duas imagens do site do Tudo Em Cima, do André Lux. Com certeza, dizem mais do que mil palavras.

A posição politica em 360 graus

Teste: identifique os felizes ao lado de Heloísa Helena

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ATÉ QUE ENFIM UM PARTIDO POLÍTICO ENTRA NA LUTA CONTRA O ESTADO JURÍDICO-POLICIAL INSTAURADO PELO SUPREMO

PSOL JÁ DEU A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A VITÓRIA DE KASSAB EM SÃO PAULO E DE SERRA EM 2010

CADÊ O PT? CADÊ O PSDB? TÁ TODO MUNDO QUIETINHO!!!

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