Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: Europa

ANTÔNIO PATRIOTA E O ITAMARATY ENVERGONHAM O BRASIL DIANTE DA COVARDIA EUROPÉIA COM O AVIÃO DE EVO MORALES

Patriota: mais um problema sério do governo Dilma Rousseff

Patriota: mais um problema sério do governo Dilma Rousseff

Itamaraty envergonha o Brasil

Do OperaMundi

Até o presente momento, o chanceler Antonio Patriota e sua equipe continuam calados diante da agressão sofrida por Evo Morales. O avião do presidente boliviano foi impedido de pousar em Portugal, Espanha, Itália e França, sob suspeita de estar transportando o ex-espião norte-americano Edward Snowden. Os governos desses países, ajoelhados diante da pressão de Washington, violaram os mais comezinhos direitos internacionais.

Mas o Itamaraty está em silêncio. Ao contrário das demais nações integrantes do Mercosul e da Unasul, o Brasil ainda não ergueu sua voz em protesto contra a agressão imperialista sofrida pelo presidente de um país irmão. Talvez o faça logo mais, assim se espera. Predomina, por ora, o papel de retaguarda quase sempre sugerido ao governo pelo conservadorismo que continua predominando na chancelaria.

A diplomacia brasileira, aliás, desde o princípio vem se comportando, sobre o caso Snowden, de forma pusilânime. Logo de cara rechaçou, em declaração pública, a mera análise do pedido de asilo político solicitado pelo homem que desmascarou a rede ilegal de espionagem dos Estados Unidos em todo o planeta.

Vale lembrar que o Itamaraty, por outro lado, não piscou o olho para oficializar refúgio ao senador boliviano Roger Pinto, um oposicionista que responde a mais de vinte processos por corrupção e narcotráfico. O ministro de Relações Exteriores tem se dedicado a pressionar o governo boliviano para conceder salvo-conduto a esse parlamentar, que se encontra foragido na embaixada brasileira em La Paz.(Texto Completo)

Veja mais:

EFEITO NEOLIBERAL: IMPOSTO DO QUARTO VAZIO PROVOCA A MORTE DE UMA SENHORA DE 53 ANOS NA INGLATERRA

Ingleses protestam contra o "imposto do dormitório"

Ingleses protestam contra o “imposto do dormitório”

Esses são os resultados da política de austeridade neoliberal que vem sendo implantada na Europa.

Cobranças absurdas, como a do imposto do quarto vazio na Inglaterra, e cortes em serviços públicos essenciais, como saúde e educação, têm levado pessoas à morte.

Como mostra Cynara Menezes neste texto, os pobres são quem sempre acaba pagando a conta pela ambição de concentração de renda e enriquecimento irresponsável de poucos, baseado no desmantelamento do público em benefício do privado.

Horrores do neoliberalismo: avó inglesa se mata por não poder pagar “imposto do dormitório”

Por Cynara Menezes

(protesto contra o imposto do dormitório na Inglaterra)

Quem paga a conta da crise na Europa? Os pobres, claro. Assim como vem acontecendo na Espanha, onde tem gente se matando por conta dos despejos promovidos pelos bancos, agora é na Inglaterra que começam a aparecer suicidas por questões econômicas. No último dia 4 de maio, Stephanie Botrill, de 53 anos, deu fim à própria vida porque não podia pagar uma nova taxa instituída pelo governo conservador de David Cameron: o “imposto do dormitório” (bedroom tax). Trata-se de um imposto bizarro que vai atingir sobretudo os mais carentes, porque é direcionado às casas e apartamentos administrados pelas prefeituras, onde moram as famílias de baixa renda, pagando aluguel.

Com o novo imposto, as pessoas que vivem nestas casas terão de pagar uma taxa extra de 10 libras semanais por quarto desocupado. Ou seja, se seu filho saiu de casa, você precisa dar uma grana ao governo por isso. Estima-se que mais de 220 mil famílias serão atingidas pelos cortes impostos por Cameron nos benefícios sociais. O primeiro-ministro já passou o facão na educação, saúde e segurança e agora chega à moradia. Obviamente as novas regras têm provocado protestos no país. Sindicatos, oposição e até líderes religiosos se uniram sobretudo contra o malfadado imposto do dormitório, que começou a vigorar no dia 1 de abril.

Stephanie Botrill, que criou os dois filhos como mãe solteira, estava triste por ter que deixar a casa onde viveu durante 18 anos porque não tinha como pagar o imposto. Como os filhos cresceram e foram morar sozinhos, ela teria que pagar, pelos dois quartos vazios, 80 libras a mais por mês (cerca de 245 reais), algo impensável em seu apertado orçamento. Já tinha até empacotado as coisas para ir embora quando tomou a decisão de se matar. Em um bilhete ao filho, Steven, de 27 anos, Stephanie deixa muito claras as razões para o ato desesperado: “Não se culpe porque terminei com a minha vida. Os únicos responsáveis estão no governo”.

Como no Brasil, os jornais ingleses também têm a tradição de não noticiar suicídios, mas, neste caso, como envolvia políticas públicas, abriram uma exceção. Integrantes do gabinete de Cameron tentaram minimizar o caso. Um ministro lamentou a morte “trágica”, mas disse ser “errado” conectá-la às políticas do governo, como se a própria Stephanie não tivesse feito isso em sua carta suicida.

O que mais me impressiona, além da crueldade destas leis supostamente para “resolver” a crise (eu duvido), é a possibilidade de se instaurar no país uma sociedade policialesca a la 1984 de George Orwell –ou à moda do regime stalinista que o livro criticava. Quem vai denunciar os moradores que têm quartos sobrando? Haverá dedos-duros oficiais? Eles serão premiados? Se for feita pelo governo, como será esta vigilância? Todo mês irá um fiscal às casas para verificar quantas pessoas estão lá morando? E o que é pior: para onde irão as pessoas que não podem pagar o imposto do dormitório, como Stephanie? Tristes tempos. (Texto original)

Leia mais em Educação Política:

INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA FAZ O BRASILEIRO GASTAR ATÉ O DOBRO DE COMBUSTÍVEL DO QUE GASTA O MOTORISTA EUROPEU

Foto: Rudolf Stricker - GNU

Punto é um dos carros que bebe no Brasil e é econômico na Europa

Apesar da modernização dos últimos anos, as carroças da indústria automobilística brasileira continuam sendo fabricadas. Mais do que isso, a população do Brasil paga mais, não só pelo automóvel, mas também pelo consumo de combusítvel.

O carro do brasileiro, seja trabalhador ou empresário, chega a consumir o dobro de combustível do que o mesmo modelo vendido na Europa.

Resumindo: o brasileiro paga mais caro por um carro pior e ainda polui mais. Mesmo descontando os impostos. É incrível!

Segundo matéria publicada recentemente na Carta Capital, sobre os incentivos do novo regime automotivo, que estimula a inovação, o repórter Samatha Maia anota:

“O nível de eficiência que as empresas devem alcançar em 2017, de 17,26 quilômetros rodados por litro de gasolina, por exemplo, é menor do que o praticado na Europa. De acordo com levantamento da consultoria IHS em 2010, um Fiat Punto 1.4 produzido no Brasil fazia 14,8 km/l de gasolina, enquanto o mesmo modelo fabricado na Inglaterra tinha rendimento de 22,2 km/l. A comparação realizada com modelos de outras marcas mostra a mesma desvantagem do automóvel brasileiro. O Ford Fiesta 1.0, que no Brasil rodava 10,8 km/l, na Inglaterra fazia 21,8 km/l, assim como o Fox, da Volkswagen, com rendimento de 15,5 km/l de gasolina no modelo brasileiro, enquanto seu similar inglês fazia 19,7 km/l.”

Veja mais em Educação Política:

POPULAÇÃO DA ISLÂNDIA DECIDIU ENFRENTAR OS BANQUEIROS QUE QUEBRARAM O PAÍS E FIZERAM NOVA CONSTITUIÇÃO

O referendum islandês e os silêncios da mídia

Por Mauro Santayana / Carta Maior
Sede do Lehman Brothers nos EUA
Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem (20/10) , com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais. A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 qm2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.
Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.
Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.
A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades – pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.
A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo. Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado ontem.
Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.
Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.
Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.

Veja mais em Educação Política:

A REVOLUÇÃO NA ISLÂNDIA NÃO FOI E NEM SERÁ TELEVISIONADA, NEM PUBLICADA, NEM ‘RADIOFONIZADA’

DROGADOS PELO DINHEIRO: FISSURA DE SUPER-RICOS SUSTENTA A MISÉRIA DO MUNDO E ABALA AS ECONOMIAS DOS EUA E DA EUROPA

Teste seu vício: o que isso lhe provoca?

Nos últimos tempos, temos visto no Brasil muitas reportagens sobre os milionários, os mega ricos, os super-ricos. O sucesso econômico do país com o governo do ex-presidente Lula consolidou alguns impérios financeiros pessoais e de grupos econômicos. Isso fez com que um grupo de pessoas, ainda que seleto, pudesse usufruir do mais alto luxo e extravagância. O patrimônio dessas pessoas pode atingir 100 milhões de dólares.

Esse processo não foi diferente na Europa e Estados Unidos, que já garantiam há algum tempo essa cultura do dinheiro sem limite. Mas essa cultura neoliberal pelo enriquecimento sem freio, esse culto ao dinheiro, tem se transformado num grande clube da destruição. Apesar de gerar prazer extasiante para seus viciados, a falta de regras e controles do Estado têm arrasado a economia de vários países. Nesta semana,  por exemplo, os bancos espanhóis vão receber 100 bilhões de euros!

Os super-ricos, os altos executivos de bancos e seus lucros sem controle, os corruptores do sistema político, os manipuladores de má fé de produtos industriais para baratear custos e aumentar o lucro e os ruralistas que se beneficiam de trabalho escravo são alguns drogados pelo dinheiro. 

Essa cultura, que abalou a estrutura da maior economia mundial, os EUA, e do continente mais próspero, a Europa, está imbuída de sentidos falsos e cínicos. Um deles é de que “o mundo é dos espertos”, “todo mundo rouba”, “o importante é levar vantagem”, “política é assim mesmo” etc etc etc. Esse mesmo pensamento é associado à ideologia que combate o fantasma do comunismo. Contra esse fantasma, tudo pode. É a ideologia da extrema-direita, que foi eficiente para combater os comunistas durante a guerra fria e hoje se tornou uma tragédia e uma farsa, replicadas pela mídia.

Esse substrato cultural sustentou as políticas de desregulamentação econômica da Europa e EUA. Nesse bonde, as redes de rádio, TV e Jornais serviram de sustentação espalhando o medo ideológico e avalizando mega fusões de empresas controladoras de mercado. Isso tem destruído a economia de países para manter intactos os drogados pelo dinheiro, também conhecido como “o mercado”, os grandes apostadores das bolsas, os grandes compradores de ações, os grandes corruptores do sistemas, os grandes falsificadores de produtos de mega empresas etc.

A fissura pelo dinheiro se tornou uma droga tão pesada que permitiu o rompimento dos laços societários, da vida em comunidade, da vida em uma cidade, de uma nação. Nesse panorama, não há sequer pudor em se associar a criminosos, corruptores, assassinos, espiões, usurpadores e escravocratas.

A busca pela manutenção ideológica do vício do ganho financeiro permite o vale tudo, da mesma forma como age o garoto pobre que rouba casas, carros, pessoas e mata para poder se drogar e viver uma bela noite de delírio.

Leia mais em Educação Política:

NO PAÍS DOS RURALISTAS, A ESCRAVIDÃO É SEM FIM: FAZENDEIROS SÃO ACUSADOS PELA TERCEIRA VEZ POR USO DE TRABALHO ESCRAVO
SERÁ A TERCEIRA VIA? AÇÃO DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF SOBRE JUROS BANCÁRIOS ABRE CAMINHO PARA O BRASIL ESTABELECER UM NOVO PROJETO POLÍTICO-ECONÔMICO
SISTEMA POLÍTICO-ECONÔMICO CAPITALISTA VIGENTE É TÃO INJUSTO QUE ATÉ OS MILIONÁRIOS ESTÃO PEDINDO PARA SEREM TAXADOS
PROJETO FUNDAMENTAL: APENAS 600 BRASILEIROS AFORTUNADOS PODEM CONTRIBUIR COM R$ 10 BILHÕES POR ANO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

POLÍTICO INDIGNADO: É IMORAL PEDIR QUE CIDADÃOS PAGUEM A CONTA DE BANCOS E POLÍTICOS FALIDOS

PESQUISA REVELA QUE GRUPOS XENÓFOBOS LIGADOS A MOVIMENTOS POPULISTAS TENDEM A CRESCER NA EUROPA

O Bloc Identitaire (França) está entre os grupos pesquisados

O estudo The New Face of Digital Populism (O Novo Rosto do Populismo Digital, em tradução livre), realizado pela organização independente britânica Demos, revela uma ligação até agora pouco conhecida: a dos movimentos e partidos populistas, ou ultradireitistas, que geralmente se organizam à margem da sociedade e visam representar lemas conservadores das classes menos favorecidas, com ideias contrárias à imigração e o multiculturalismo.

Esses grupos têm algumas semelhanças com os recentes movimentos dos “indignados” e do “Occupy Wall Street”, no entanto, as semelhanças são apenas econômicas. Os populistas também são contra governos, sistemas de Justiça e as elites política e financeira que controlam boa parte do mundo ocidental, mas, vão além da insatisfação com o sistema capitalista moderno e acrescentam ao seu discurso ideias xenófobas, típicas da direita conservadora.

Neste ponto é que reside a linha tênue que separa os movimentos sociais de cunho democrático que acontecem atualmente e outros movimentos internamente mais radicais, mas que empresta a ambos certo tom populista que faz com que se confunda um com o outro.

O mais preocupante é que esses grupos populistas que representam o que há de mais retrógrado em convivência plural e democrática começam a ganhar cada vez mais adeptos em redes sociais, em sua maioria jovens, e a contaminar o discurso de muitos governos europeus.

Segundo Birdwell, autor da pesquisa, Nicolas Sarkozy, Ângela Merkel e David Cameron já adotaram o antimulticulturalismo, uma ação que reflete a retórica populista. “Conforme os políticos de destaque começam a adotar essas retóricas, vê-se o impacto que esses grupos podem ter”, diz o pesquisador.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Carta Capital:

‘Grupos xenófobos devem crescer ainda mais’, diz pesquisador britânico
Por Gabriel Bonis

Os movimentos e partidos populistas, ou ultradireitistas, ganharam força na Europa Ocidental na última década por meio de discursos personificados contra, entre outros temas, a imigração e o multiculturalismo. Hoje, esses grupos avançam e conquistam adeptos divulgando sua ideologia nas redes sociais. É essa ligação quase desconhecida que o estudo The New Face of Digital Populism (O Novo Rosto do Populismo Digital, em tradução livre), realizado pela organização independente britânica Demos, analisa.

O levantamento pediu a simpatizantes de grupos populistas, que geralmente se organizam à margem da sociedade e visam representar lemas conservadores das classes menos favorecidas, de 11 países europeus para preencherem um questionário.

As mais de 10 mil respostas indicaram, segundo o instituto, o descontentamento desta parcela da população com governos, sistemas de Justiça e as elites política e financeira do continente. Aspectos semelhantes à onda de manifestações internacionais contra o neoliberalismo, liderada por jovens lembrados como “os indignados”.

“Os movimentos ‘Occupy’ [Ocupar Wall Street, por exemplo] têm semelhanças com esses grupos no sentido em que ambos são populistas, desafeiçoados das elites e advogam contra os sistemas político e financeiro”, diz Jonathan Birdwell, pesquisador sênior do Demos e um dos autores do estudo, em entrevista a CartaCapital.

No entanto, as similaridades entre os grupos resumem-se apenas aos aspectos econômicos citados acima, aponta Birdwell. Segundo ele, os 14 grupos analisados, entre eles o Bloc Identitaire (França), CasaPound (Itália) e English Defence League (Reino Unido), vão além da insatisfação com o sistema capitalista moderno e acrescentam ao seu discurso ideias xenófobas, típicas da direita conservadora. Algo que pôde ser captado na pesquisa, pois os entrevistados mostraram-se contra imigração, o Islã e o multiculturalismo, por avaliarem que sua identidade nacional estaria ameaçada. “Mesmo assim é significante o fato de assistirmos ao surgimento de movimentos populistas em ambos os lados.” (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

A REVOLUÇÃO MUNDIAL ESTÁ VINDO: INDIGNADOS SE ESPALHAM PELO MUNDO E DIZEM NÃO A TODO UM MODELO DE FUNCIONAMENTO DA ECONOMIA MUNDIAL
A UTOPIA QUE NOS FAZ CAMINHAR: UM ELOGIO AO DELÍRIO, À IMPERFEIÇÃO E AO TEMPO PRESENTE, POR EDUARDO GALEANO
WALL STREET É NOSSA RUA: JOVENS AFETADOS PELA CRISE FINANCEIRA MUNDIAL PROTESTAM NO CENTRO DO CAPITALISMO E PEDEM FIM DA CORRPUÇÃO E ESPECULAÇÃO FINANCEIRA
CHIMAMANDA ADICHIE: “NÃO HÁ UMA ÚNICA HISTÓRIA”

FUSÃO DE GRANDES EMPRESAS ESTÁ NA RAIZ DA CRISE ECONÔMICA QUE ABATE OS ESTADOS UNIDOS E A UNIÃO EUROPÉIA

O capitalismo precisa ser um pouco socialista para sobreviver. Parece um paradoxo, mas não é. O capitalismo é um sistema que tende, organicamente, à concentração de renda na mãos de poucos e, com renda cada vez mais concentrada,o sistema fica engessado e vulnerável  a crises.

Essa característica do sistema dá uma grande importância à questão política e aos governantes. São os Estados-nações que, ao redistribuir a renda, teriam um papel importante para a manutenção do capitalismo e para aumentar o seu dinamismo.

 Essa é a situação atual do Brasil, bastou o governo de Lula, num período de 8 anos, distribuir um pouco a renda, para que a economia deslanchasse. Quanto mais distribuída a renda na sociedade, mais dinamizado fica o capitalismo porque passa a ser alimentada toda uma rede de pequenos empreendedores que beneficiam grande parte da sociedade.

Na Europa e Estados Unidos dos últimos 20 anos, desde os anos 90, houve uma escandalosa concentração de poder e riqueza, um período de grandes fusões e aquisições de empresas menores ou com dívidas por empresas maiores. Para piorar, o governo Busch retirou imposto dos mais ricos.

Quando se concentra a renda em um sistema financeiro expressivo como é atualmente, além da falta de dinamismo no capital, há também um grande risco sistêmico de crise, que pode ocorrer em qualquer setor. Se um banco é muito grande, tem 30% do mercado, e tem uma administração irresponsável, gera uma grande crise no país. Se o mercado é controlado por uma grande empresa de alimentação e os produtos são contaminados, pode gerar um estrago sem controle na saúde das pessoas e na economia do país, se somente algumas empresas controlam a distribuição de internet banda larga, o país fica refém dessas empresas, impedindo o desenvolvimento de outros setores da economia.

A fusão de empresas para o bem dos liberais, deveria ser proibida. Mais que isso, usar dinheiro público, como do BNDES, para financiar aquisição e fusão de empresas deveria ser considerado crime. Aí se pergunta: então não teremos grandes empresas, players globais? Claro que não, porque isso é a pior coisa que existe para o sistema e para a sociedade. O próprio nome diz: ao se tornarem “jogadores globais”, as empresas abandonam o sistema de mercado e entram num processo de intervenção. São empresas que deveriam se chamar de interventoras globais. A competição se torna desleal com a população e com outras empresas. Financiar a construção de empresas interventoras globais com o dinheiro público é algo escandaloso.

Os players globais deveriam ser sobretaxados no Brasil caso entrassem aqui com capacidade para quebrar pequenas empresas. Esse taxa deveria financiar a aplicação de pequenas e médias empresas. Uma grande empresa, com poder de mercado, só poderia existir como estatal,  de modo que o governo possa interferir e usar a empresa para ajustar o mercado e promover o desenvolvimento. Como é o caso da Petrobrás.  É importante que se crie empresas estatais eficientes e com um controle de gestão público.

O Brasil também promoveu grandes fusões nos últimos 20 anos, durante o governo FHC, e as coisas pioraram muito. Quanto mais fusão ou aquisição de empresas de modo a controlar um setor do mercado, pior para a população e para o país. O Brasil, paradoxalmente, melhorou nos últimos anos porque havia uma demanda muito grande para o consumo, uma massa populacional, que estava e ainda está fora do mercado formal, com grande potencial de consumo. Mas a situação é diferente nos países da Europa e Estados Unidos que enfrentam essa crise do capitalismo.

Um dia, dar dinheiro público para uma empresa comprar outra deverá ser considerado corrupção.

Leia mais em Temas Capitais:

NAS DEMOCRACIAS CONTEMPORÂNEAS, CONSCIÊNCIA DE RENDA SE TORNA MUITO MAIS IMPORTANTE DO QUE A CONSCIÊNCIA DE CLASSE
PILANTRAGEM INACREDITÁVEL DA MÍDIA: MERCADO QUER INTERFERIR NOS JUROS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO E O POVO QUE SE EXPLODA
GOVERNO DILMA SE ENROSCA NO POSITIVISMO ENSANDECIDO DA GRANDE MÍDIA; AUGUSTE COMTE É O PATRONO DA IMPRENSA BRASILEIRA
OLIGOPÓLIO TOTAL: APENAS QUATRO EMPRESAS CONTROLAM 90% DA BANDA LARGA DO BRASIL

PARA EX-PRESIDENTE DE PORTUGAL, A FAMÍLIA SOCIALISTA, E SÓ ELA, PODE DEVOLVER O RUMO E A CORAGEM À EUROPA

Retrato do velho continente em um novo mundo

Ótimo artigo do ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal, Mário Soares, publicado na revista Carta Capital, revela a atual conjuntura política e social de uma Europa que foi palco das principais transformações da era moderna, que gestou ideias e diferentes formas de ver e entender a geopolítica mundial; e que hoje encontra-se quase que à deriva, sutilmente desorientada diante das urgências da atualidade.

O ponto de vista do autor, o breve, porém suficiente resgate histórico feito por ele e a discussão sobre a situação atual são interessantes para refletir e pensar o mundo hoje e para os próximos anos.

Do socialismo democrático, passando pela democracia-cristã até a hegemonia do neoliberalismo norte-americano em solo europeu, o artigo aponta alternativas de uma nova oportunidade para o socialismo democrático, lembrando como este, se for capaz de se renovar e adaptar-se às mudanças contemporâneas nos diferentes campos da atividade humana, pode responder às principais questões da atualidade.

Dentre elas, lutar por justiça, redução das desigualdades sociais, retomar valores éticos, dignificar o trabalho e, principalmente, fazer renascer aquele sentimento de utopia tão saudável para que as nações progridam, acreditem e lutem por uma realidade melhor.

Em lúcidas palavras, o artigo chama de volta a família socialista européia para que a Europa recupere o rumo e a coragem de ser quem sempre foi no cenário internacional e para que espécies perversas de populismo não voltem a ganhar terreno no velho mundo.

Vale a leitura! Veja trecho:

O mundo está em rapidíssima transformação e a União Europeia, nos últimos anos, perdeu a orientação
Por Mario Soares

Lisboa, Portugal, fevereiro/2011 – Na década de 1970, a Europa era governada pela família do socialismo democrático, ou, como o chamávamos, do socialismo em liberdade (socialistas, social-democratas e trabalhistas) e pela família democrata-cristã, que era essencialmente europeísta e partidária da doutrina social da Igreja Católica.

Após o colapso do comunismo e a chegada do neoliberalismo norte-americano, as duas famílias, de acordo com os sinais do tempo, se deixaram convencer pela “terceira via” e pelo domínio dos mercados que têm como único valor o dinheiro e não as pessoas.

Resultado: a maior parte dos partidos da área socialista perdeu o poder, já que para os que preferem um governo de direita é mais lógico votar nos conservadores, enquanto os democrata-cristãos, salvo raras exceções, se esqueceram da doutrina social da Igreja e, transformados em Partidos Populares, colocaram-se na direita do espectro político. As duas famílias perderam a influência que tiveram em seus bons tempos, e em alguns países europeus pura e simplesmente desapareceram. Eram os anos nos quais os especialistas políticos norte-americanos proclamavam o “fim da história” e a “morte das ideologias” (com exceção, claro, da neoliberal). (Texto Completo)

Leia mais em Educação Política:

CONCERTO ABRE ATIVIDADES CULTURAIS DA CASA DO LAGO PARA 2011
A FILOSOFIA DE MILLÔR FERNANDES, EM 38 MÁXIMAS BEM HUMORADAS
A LÓGICA DOS MUROS VENCE O TEMPO E SEGUE DIVIDINDO POVOS E AFASTANDO REAIS CHANCES DE PAZ
DIRIGENTES POLÍTICOS OCIDENTAIS E ISRAELITAS ESCONDEM UM PROFUNDO ÓDIO À DEMOCRACIA, DIZ NOAM CHOMSKY
%d blogueiros gostam disto: