Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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SOMBRAS QUE GUARDAM A LUZ: A OBRA DE UM FOTÓGRAFO QUE FOTOGRAFA PARA ENXERGAR

Da Agência Educação Política

Fotografar uma realidade que não se vê. Enquadrar uma cena que apenas se imagina. Escolher o melhor ângulo apenas por instinto, por uma incrível sensibilidade. Assim se faz o fotógrafo naturalizado francês Evgen Bavcar que se intitula como “Eros da Fotografia”, baseado no mito grego de Eros, filho de Afrodite, que não podia olhar para sua amada Psiquê e apenas se encontrava com ela ao anoitecer, envolto pela completa escuridão.

Bavcar doutorou-se em Filosofia Estética pela Sorbonne, já realizou mais de 80 exposições em diversos países e teve seus trabalhos como grande inspiração para filmes como Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho.

A técnica de Bavcar foi desenvolvida a partir de suas experiências pessoais com a ajuda da irmã e, aos poucos, ele foi desenvolvendo um estilo bastante peculiar e belo de fotografar. As imagens por ele retratadas sempre saem de um fundo escuro e contrastam com ele por uma composição de luz. O fotógrafo explora em seu trabalho nada mais nada menos do que a alma da fotografia: a luz.

Não é por acaso que muitos dizem que o fotógrafo é um poeta que troca as palavras pela luz. Ao compor seu trabalho sobre a estética da escuridão da qual irradia a luz, Bavcar faz uma espécie de diálogo com a sua própria condição. É como se da escuridão habitada por ele saltassem sopros de luz que correspondem às suas fotografias. A fotografia é, portanto, a luz que o resgata da escuridão.

As descrição feitas por outras pessoas fazem com que o fotógrafo conheça sua obra que é considerada por ele como fruto de suas imagens interiores. O fotógrafo de origem eslovaca se diz um apaixonado pelo Brasil e intenso imaginador das paisagens brasileiras. O livro Memória do Brasil que chega ao Brasil pela Editora Cosac & Naify, reúne justamente textos e imagens produzidos durante suas viagens e experiências pelo país que, segundo ele, precisa ser mais conhecido no seu interior, onde realmente se forma a síntese nacional.

Os trabalhos do fotógrafo trazem uma estética própria, clássica, limpa. Eles trabalham com as situações limites que configuram a pureza do preto e branco. Por isso são tão belos e enigmáticos ao capturar os instantes de uma realidade que pode até parecer rodeada por sombras, mas que, por trás delas, guarda a luz!

Vi no site da Revista Cult

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