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EQUIPE DE FISCALIZAÇÃO LIBERTA 15 PESSOAS QUE PRODUZIAM ROUPAS PARA A ESPANHOLA ZARA EM SITUAÇÃO DE ESCRAVIDÃO

A vitrine pelo outro lado

As operações de fiscalização e combate ao trabalho escravo mostram, com cada vez mais frequência,  que este está presente não só em regiões pobres e em propriedades rurais pelo interior do país, como também nas grandes cidades, em plena capital paulista, o principal centro urbano, econômico e industrial do Brasil.

A ação de fiscalização e combate também revela à população que a escravidão na contemporaneidade está mais próxima dos cidadãos do que eles imaginam. Uma roupa comprada nos shoppings centers, em lojas conceituadas e caras, por exemplo, pode ter sido produzida por um trabalhador mantido em situação de escravidão.

O caso da marca espanhola Zara é exemplar em relação a isso. Em sua mais recente operação vinculada ao Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano da SRTE/SP que rastreia a cadeia produtiva das confecções; a equipe de fiscalização trabalhista encontrou 15 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos trabalhando em situação de escravidão em oficinas subcontratadas de uma das principais “fornecedoras” da rede.

O cenário encontrado pela fiscalização incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade. E é essa a sujeira escondida embaixo das belas e finas roupas que o consumidor vê nas vitrines. É essa a realidade que o Brasil esconde, renegando enquanto, na verdade, apenas se confirmam as marcas deixadas pela sua própria história.

Veja texto com mais detalhes publicado pelo Repórter Brasil:

Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava
Em recente operação que fiscalizou oficinas subcontratadas de fabricante de roupas da Zara, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, foram libertadas de trabalho escravo contemporâneo em plena capital paulista
Por Bianca Pyl e Maurício Hashizume

São Paulo (SP) – Nem uma, nem duas. Por três vezes, equipes de fiscalização trabalhista flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.

Na mais recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais “fornecedoras” da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte.

A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) – que culminou na inspeção realizada no final de junho – se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes; parte do grupo costurava calças da Zara.

“Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor”, coloca Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização. Foi a maior operação do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano da SRTE/SP, desde que começou os trabalhos de rastreamento de cadeias produtivas a partir da criação do Pacto Contra a Precarização e Pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções.

A ação, complementa Giuliana, serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, por meio dos hábitos de consumo. “Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo”. (Texto completo)

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TRABALHADORES NORDESTINOS SÃO VÍTIMAS DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL EM FAZENDA NO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL

Os colchões para as camas tinham que ser comprados pelos próprios trabalhadores e custavam R$ 150,00 na cantina da fazenda

Modernização conservadora

Depois de Roraima agora é a vez do Mato Grosso do Sul: 14 trabalhadores aliciados para trabalhar em fazenda no estado não recebiam salários há aproximadamente três meses, corriam risco de contaminação, viviam em uma situação de total descaso e abandono e trabalhavam em um sistema que remonta ao tempo do Brasil Império; quando o trabalhador imigrante ficava preso à terra por dívidas contraídas ao consumir produtos na venda das antigas fazendas produtoras de café

Migrantes nordestinos são escravizados em Mato Grosso do Sul
Por Bianca Pyl/Repórter Brasil

Recrutados para “limpar” a área e formar pastagem, trabalhadores aliciados pela empreiteira Sadomil Empreitadas entre novembro de 2009 e março de 2010 nos estados nordestinos do Maranhão, Piauí e Pernambuco foram libertados da Fazenda 3R, no município de Figueirão (MS).

O grupo de 14 pessoas foi encontrado em condições análogas à escravidão junto com um casal local e um adolescente de 16 anos, morador de Campo Grande (MS), pela comitiva formada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pela Comissão Permanente de Investigação e Fiscalização das Condições de Trabalho em Mato Grosso do Sul (CPI/FCT). Ocorrida entre 18 e 19 de agosto, a operação foi motivada por uma denúncia feita à PRF. A propriedade pertence à Itararé Administração e Participação Ltda. e possui cerca de 10 mil hectares de extensão.

De acordo a procuradora Simone, os alojamentos eram barracos de lona preta. As camas era feitas de forma improvisadas. Os empregados tinham que comprar os próprios colchões, que custavam R$ 150 na cantina. “Eram colhões de espuma, finos e fora dos padrões de densidade mínima”.

Não havia instalações sanitárias no local, só uma fossa cavada há pouco mais de um mês pelos próprios trabalhadores. Os empregados tomavam banho em uma bica da represa, mesma fonte em que o gado bovino saciava a sede e da qual era retirada a água para consumo e preparo dos alimentos. (Texto Completo)

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