Educação Política

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VÍDEO: MESTRES DO RENASCIMENTO ITALIANO

CORPÓREA, INTELIGENTE, LIVRE: AS METAMORFOSES DE MARIA MARTINS

"O Impossível"

“O Impossível”

Por Maura Voltarelli
Especial para o Educação Política

O Impossível. Duas criaturas estranhas, um homem, uma mulher, desenho de seios, costas, pernas, formas distorcidas, quase derretidas. Uma atração e, ao mesmo tempo, uma repulsa mútua. As garras lançadas anunciam a tragédia do contato. Mergulha-se na violência da impossibilidade de qualquer relação carnal, pois anuncia-se a iminência do perigo.

Formas ousadas, sensuais, ancestrais. Assim é a arte da escultora brasileira Maria Martins. Com prestígio no cenário artístico nacional foi no exterior, entretanto, que sua arte mais se destacou, sendo logo “adotada” por um movimento que se reconheceu nas suas formas livres: o surrealismo.

De volta ao cenário nacional, Maria, que também foi escritora, desenhista, pintora e musicista, ganha uma mostra no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) do dia 12 de julho  a 15 de setembro de 2013. Sob curadoria da escritora e pesquisadora Veronica Stigger, que possui estudos sobre a obra de Maria Martins, a mostra do MAM é uma das maiores já realizadas sobre a artista. “São mais de 30 esculturas, a maioria em bronze, distribuídas em cinco núcleos – Trópicos, Lianas, Deusas e Monstros, Cantos e Esqueletos -, que são determinados mais pela comunicação formal do que propriamente por uma ordem cronológica. A exposição reúne também livros, artigos, obras bidimensionais em papel e cerâmicas de parede”.

A mostra, cujo nome é “Metamorfoses”, procura mostrar justamente o que muda no decorrer do trabalho da artista. A grande mudança, de um núcleo a outro, vai sendo a representação dos corpos. De nítidos e separados de outros elementos, como a natureza, eles vão, cada vez mais, confundindo-se com eles, borrando-se dentro e fora de si, até que, na utopia da forma final, resta apenas o esqueleto. Na série “Cantos”, há uma referência  aos cantos de Zaratustra, de Nietzsche.

São metamorfoses que, de certa forma, também foram acompanhando a vida da artista. Filha de família tradicional, Maria Martins casou-se, pela segunda vez, com o embaixador Carlos Martins, com quem mantinha um relacionamento aberto. Vivia sob certa dualidade. De um lado, o tédio dos papéis sociais da mulher do embaixador, de outro, desejos insaciáveis, uma vontade de vida e liberdade apenas confessada em suas obras, e que transparecia em alguns episódios como o romance com Marcel Duchamp, marcado por uma impossibilidade de contato retratada na escultura “O Impossível”, e também em obras do próprio Duchamp.

Maria Martins

Maria Martins

Maria Martins teria feito coisas impensáveis para uma mulher de sua época. Corpórea, inteligente, livre, a forte personalidade da mulher parece ter se refletido na obra. Por isso os traços tão fortes, a ferocidade do domínio da forma que interroga o próprio domínio, o caráter selvagem inerente ao primitivo. Suas esculturas gritam enquanto mudam. E fazem gritar algo em nós. Algo antigo.

Definida, por ela mesma, como “o meio-dia pleno da noite tropical”, sua obra mergulha no tropicalismo sendo, ao mesmo tempo, de dentro da noite o ponto máximo de luz. Os trópicos têm, neste sentido, um papel decisivo, também conferem o calor, a vivacidade, a energia de suas formas e personagens.

Uma artista ainda por se descobrir e uma artista a ser redescoberta, cuja arte, de tão inovadora, não se enquadra em nenhum movimento artístico. A mostra do MAM pretende quebrar o silêncio recente em torno da artista, atuando em favor dessa redescoberta mais do que necessária. Silêncio que Veronica atribui a um certo preconceito.

“É uma reação à maneira como ela expõe aquilo que, na mulher, a sociedade gostaria que permanecesse escondido, como o desejo, ou a vulva”, diz a curadora. “Não se perdoa uma mulher por ser inteligente demais, corpórea demais, livre demais –ainda mais tudo ao mesmo tempo.”

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COM TRABALHOS QUE VÃO DO FANTÁSTICO À CRÍTICA SOCIAL, O GRAVURISTA RUBEM GRILO GANHA MOSTRA NO RIO DE JANEIRO

Influenciado pelos traços fortes e próximos da naturalidade do desenho que marcam a obra de Oswaldo Goeldi, o gravurista Rubem Grilo é autor de uma obra que combina uma criação personalista com um tom de crítica social. Da riqueza de traços até a valorização de um objeto no espaço do desenho, a fase inicial de Rubem Grilo é marcada pelo aspecto mágico e fantástico das criações, representado pela série Marionetes, de 1974, e também pela sua postura política em Natividade.

Nos anos 70, Rubem Grilo também atuou como ilustrador em jornais conhecidos pela crítica social e engajamento político em uma época onde a liberdade de expressão no Brasil era limitada, para não dizer quase nula. Entre os jornais que receberam ilustrações de Grilo estão o Opinião, Movimento e o Pasquim.

A passagem pelos jornais e o percurso posterior de sua obra deixam ver a sensibilidade do artista para o social. Já nos anos 80, ele cria a série Fast Food e, no cenário contemporâneo, retoma algumas referências do passado que conferem certo tom lírico aos trabalhos de Tratador de Pássaros, Desencaixe e O Vidente.

Os trabalhos de Grilo podem ser vistos em exposição no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, até 5 de maio. No total são 123 trabalhos que permitem conhecer cada uma de suas fases. Neste link, um pouco mais sobre a trajetória do artista.

Rubem Grilo, da série Fast Food

Rubem Grilo, da série Fast Food

 

Rubem Grilo, O Tratador de Pássaros

Rubem Grilo, O Tratador de Pássaros

Rubem Grilo, Cosmos

Rubem Grilo, Cosmos

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CINEMATECA BRASILEIRA SEDIA A MOSTRA “QUERO SER MARILYN MONROE” COM TRABALHOS DE CARTIER-BRESSON E ANDY WARHOL

Quem nunca quis ser Marilyn Monroe por pelo menos um instante, segundo que seja. É apostando no poder simbólico da atriz mais icônica do cinema americano que a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, sedia a maior e mais completa exposição sobre a atriz. “Quero Ser Marilyn Monroe!” traz fotos, pinturas e filmes que retratam Marilyn em diversos ângulos e sob particulares pontos de vista.

Nomes como Andy Warhol, Peter Blake, Cecil Beaton e Henri Cartier-Bresson fazem parte da mostra que homenageia o cinquentenário de sua morte e fica em cartaz até dia 1º de abril. Os filmes mais importantes da carreira da atriz também serão exibidos e o público poderá ver na tela e em retratos uma das mulheres mais relevantes dos últimos anos que imprimiu sua imagem no imaginário coletivo com cenas como a do vestido branco voando e, sem dúvida, conquistou um poder para além do político, que habita o território sem limites do abstrato.

Veja mais informações no site da revista Cult

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GRAFFITI TEM EXIBIÇÃO NO MUBE E ESTILO GANHA CADA VEZ MAIS ESPAÇO NO CIRCUITO ARTÍSTICO MUNDIAL

Fermata, Osgemeos

O graffiti, estilo conhecido por suas cores vibrantes, traços e formas originais, nasceu como genuína arte de rua, colorindo um pouco o cinza dominante nas cenas das grandes metrópoles. Muitas vezes invisível, outras merecedor de um instante da atenção dos apressados seres modernos, o estilo foi atraindo a atenção de críticos e ganhando cada vez mais sofisticação, sem perder a sua essência urbana.

Atualmente duas exposições de graffites acontecem no cenário artístico nacional e uma delas ganha projeção internacional.

A primeira é a exposição Fermata que fica no Museu Vale, em Vila Velha (ES), até hoje, 12 de novembro, e traz obras dos artistas plásticos Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como Osgemeos. O termo italiano fermata refere-se ao prolongamento de um nota musical e foi incorporado pelos artistas ou grafiteiros, como também são conhecidos, para simbolizar intervalos do pensamento sonoro ou a experiência particular dos artistas vivenciada quando ao desenharem uma cachoeira, eles escutam o barulho das águas caindo, por exemplo.

No Mube, Graffiti Fine Art

Além da exposição de Osgemeos, o Mube (Museu Brasileiro de Escultura) segue até 20 de novembro com a mostra Graffiti Fine Art que, em sua décima edição, exibirá trabalhos de arte de dezoito grafiteiros, entre franceses e belgas que trarão peças de seus acervos.

A mostra faz parte de um intercâmbio internacional, o Projeto Kosmo Art Tour, que promoveu encontros e exposições de graffiti nas cidades de Amsterdã, Bruxelas e Bagnolet em 2009 e 2010. Todo esse movimento artístico em torno do graffiti apenas demonstra como o estilo vem garantindo seu espaço nos tradicionais museus e galerias, reforçando a essencial conexão entre mundo e arte.

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O MUNDO MÁGICO DE ESCHER NO BRASIL

Ao ouvir o nome, ele pode soar estranho ou distante, mas basta estar diante de uma de suas obras para reconhecer o estilo, a exuberante criatividade, a ousadia, a lucidez dos princípios matemáticos, o jogo de ilusões de óptica, a aventura estética da percepção e da forma.

É com um pouco de tudo isso que se faz o holândes Mauritius Cornelis Escher, artista gráfico famoso pelas suas escadas que não levam a lugar algum, pelos seus peixes que viram pássaros, pelo seu lagarto que não se revela lagarto, pelos seus homens que subvertem a relatividade e exploram o infinito, pelos seus múltiplos rostos que nascem e se transformam dentro deles mesmos.

Transformação ou metamorfose é outra palavra de ordem nos trabalhos deste artista que não levava jeito para os estudos e, por isso, foi posto pelos pais em uma escola de arte e arquitetura onde o Escher original e revolucionário descobriu-se a si mesmo e ao mundo.

O Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro recebe atualmente a maior exposição já dedicada ao artista no Brasil. São cerca de 92 obras, entre gravuras originais e desenhos, incluindo todos os trabalhos mais conhecidos do artista. A exposição segue até dia 27 de março. Mais informações na página do CCBB – RJ.

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A FOTOGRAFIA QUE REFAZ O REAL

A exposição Ver de Perto (mas também pode ser Verde Perto), de Neander Heringer, é belíssima por construir sentido em uma fotografia que extrapola o real. O fotógrafo nos faz enxergar o que não se pode ver no cotidiano; trabalha para que a câmera seja capaz de nos fazer ver além das nossas limitações visuais. A lente do fotógrafo às vezes nos coloca do tamanho de uma formiga ou cria uma capacidade de cores impensável em outros tempos não tecnológicos.

Para ver as fotografias na internet ou informações sobre exposição, clique no site  Verdeperto.net

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