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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Relatos Selvagens, filme argentino, é com certeza um dos melhores do ano

O Cine Topázio, que deve fechar as portas no Shopping Prado, em Campinas, está exibindo provavelmente o melhor filme do ano. O longa argentino Relatos Selvagens, de Damián Szifron, expõe o ser humana More…

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ELENA: O SONHO AMERICANO MATOU A FILHA DO COMUNISTA?

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA É O QUE SINTETIZA A NOVA VERSÃO PARA O CINEMA DO CLÁSSICO DE TOLSTÓI “ANNA KARENINA”

Versão para o cinema de 2012

Cena de “Anna Karenina”, versão 2012

Por Maura Voltarelli

Na primeira cena, o que se vê é o título do filme sobre a cortina de um palco de teatro. Como se quem assiste fosse avisado de que um espetáculo teatral estivesse para começar. O teatro anuncia a sua presença e essa será constante ao longo de toda versão do diretor Joe Wright para o monumental romance de Tolstói Anna Karenina.

O diálogo com o teatro, o caráter performático dos atores e das cenas iniciais, os movimentos muitas vezes nauseantes da câmera, os giros, os detalhes, as cores, tudo faz de Anna Karenina uma incrível experiência estética, e, embora o filme tenha muitos pontos discutíveis, este é aparente pacífico.

A inovação da montagem é tanta que lembra um pouco o Lars Von Trier de Dogville, com o seu cenário em forma de maquete, objetos, cenas e atores sendo ali manipulados. A direção de arte impecável, a beleza dos figurinos, dos cenários, a inovação no trato da imagem e a exploração de todas as suas possibilidades também lembra um pouco o estilo do diretor Luis Fernando Carvalho em filmes belíssimos como Lavoura Arcaica, onde a beleza das imagens solta um suspiro extasiante.

Se na experiência estética, essa versão acerta, não parece acontecer o mesmo com a escolha dos atores para representar os personagens do romance. O principal erro ocorre com a escolha do ator Aaron Taylor-Johnson para interpretar o conde Vronsky, amante de Anna na história.

Anna e Vronsky na versão de 1997

Anna e Vronsky na versão de 1997

Nesta versão, o amante de Anna parece um tipo “almofadinha”, afetado, que age simplesmente por capricho. Sua paixão por Anna, que no romance aparece de forma bem mais intensa, no filme é quase nula, não chega a atingir quem assiste. Da mesma forma, o conde Vronsky que aparece no filme não parece ser o tipo de homem por quem Anna se apaixonaria, deixando para trás o marido e o filho em pleno século XIX.

Em relação à escolha de Keira Knightley para interpretar Anna Karenina, a atriz pode não ser a melhor imagem da heroína mais conhecida do escritor russo, mas está lindíssima na versão. A beleza é tão expressiva que deixou faltar um pouco uma das principais características da personagem: sua melancolia grave e doce, que se alterna com seu espírito alegre, naturalmente livre. Keira deixa transparecer a alegria de Anna, mas não deixa vir à tona seu tom melancólico. Este surge apenas no fim, de forma apressada, sem naturalidade, abortando assim a possibilidade do espectador realmente se emocionar com os momentos finais que, no livro, são dosados pelo desespero trágico e também pela conversa com a loucura.

Já o marido de Anna, bem interpretado por Jude Law, está bonzinho demais. Quem leu o livro praticamente não o reconhece. Alexei Karenin, apaixonado por Anna até o fim, e magoado justamente por esse amor constante e ao mesmo tempo fonte de sua vergonha e desmoralização pública, faz de tudo para tornar as coisas ainda mais difíceis para Anna, pois talvez essa seja a forma de tornar as coisas um pouco mais fáceis para ele. A negação do divórcio e a proibição de que Anna continuasse a ver o filho são golpes de Karenin que atingem em cheio a lucidez de Anna. No filme, isso não fica tão claro. Karenin aparece como generoso e Anna como caprichosa.

Os coadjuvantes estão ótimos. Stiva provoca risos na plateia e ganha tons performáticos que evocam de fato o personagem do livro. Já sua esposa, Dolly, aparece tão doce quanto no romance. A personagem vive um momento bastante feliz no filme quando conversa com Anna naturalmente em um local público, enquanto todas as outras pessoas riem, cochicham e falam dela pelas costas. A interpretação da atriz nesta cena é tão natural e destoante do que então se via que atinge o espectador naquele que é um dos pontos essenciais do romance: a denúncia da hipocrisia da sociedade burguesa da época.

Greta Garbo, a primeira a viver no cinema a heroína de Tolstói

Greta Garbo, a primeira a viver no cinema a heroína de Tolstói

Anna sofre no livro, e isso de certa forma se deixa ver nessa versão, todo tipo de preconceito da sociedade de sua época por ser a mulher que traiu o marido, um influente político russo, e deixou seu mundo para viver uma paixão arrebatadora com um oficial do exército. Sofre as consequências por ter quebrado as regras, por ter se apaixonado.

Este é o núcleo central da história, que sempre ganha destaque em todas as versões do livro para o cinema. Paralelamente a ele, no entanto, há uma outra célula do romance que aborda a vida no campo, as questões da agricultura russa da época, do trabalho escravo, das relações de propriedade e, principalmente, discute o ideal do que seria uma vida feliz.

A resposta para essa pergunta acontece no livro no mesmo momento em que se desenrola o desfecho da história de amor e transgressão de Anna. O grande lance de Tolstói é cruzar os significados de uma coisa e outra de modo que a tragédia que é encenada em um palco, seja respondida em outro. Se Anna paga um preço alto por tentar ser livre em um contexto onde para a mulher não era reservado muita coisa, a resposta dada por Tolstói às aflições humanas, sejam elas de homens ou mulheres, invadidas pelo dilema do moral e do amoral, do certo e do errado, da liberdade ou da convenção, é de que a felicidade estaria nas coisas simples, no lugar originário.

Keira como Anna Karenina

Keira como Anna Karenina

Para os que dizem que a história do adultério de Anna Karenina já está ultrapassada em uma sociedade “livre” como a do século XXI, eu diria que a história nem de longe está ultrapassada. Não só por que o drama de Anna vai muito além de uma simples traição, mas envolve diversos outros aspectos que até hoje rondam o universo feminino, como também porque o que está em questão na obra de Tolstói é o preconceito burguês contra qualquer ato que simplesmente fuja da norma, e esse preconceito está atualmente mais presente do que nunca. Basta olhar os bons (e poucos) jornais.

Por isso, Anna Karenina continua tão atual. Por isso o romance já teve cinco, contando esta última, montagens para o cinema. E, em cada uma, novas Annas nos emocionam, nos revelam um traço de coragem que persiste até o fim, e denunciam a hipocrisia que sempre germina neste nosso oceano, às vezes sombrio e sempre misterioso, do social.

Edição com tradução direta do russo

Edição da Cosac Naify com tradução direta do russo

Filmar uma grande obra literária, vale dizer, nunca é fácil, e comparações entre livro e filme sempre acabam um tanto injustas pois os suportes são diferentes. O filme nem sempre dá conta da densidade literária do livro, histórias surgem apressadas e, muitas vezes, não há aquele tempo que as páginas fornecem para desenvolver o personagem e entregá-lo em toda sua complexidade nas mãos do leitor.

Esta versão de Anna Karenina não emociona tanto quanto a leitura do romance, no entanto, traz algo que Tolstói, dispondo apenas do papel e da tinta, jamais poderia realizar: a exploração do universo fascinante da imagem, o transporte para o mundo do teatro, a magia de tons, músicas, movimentos e sensações combinados para recontar uma bela história.

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LEITOR DA REVISTA VEJA É RIDICULARIZADO EM CENA DO FILME ‘O SOM AO REDOR’, QUE ESTÁ EM CARTAZ NAS TELAS DE CINEMA DO BRASIL

Lapso de cena do filme O som ao redor

Lapso de cena do filme O som ao redor

Já virou chacota nacional. Até nas telas de cinema os leitores da revista Veja, da editora Abril, estão sendo ridicularizados. É caso do filme O som ao redor, que está em cartaz pelo Brasil e que foi lançado este mês de janeiro.

O filme, que trata do cotidiano da classe média, tem uma cena hilariante sobre uma reunião de condomínio. Nela, uma das moradoras reclama do porteiro e diz que sua revista Veja “está chegando sem o plástico”.  A personagem, que esbanja arrogância e petulância, faz a plateia rir da situação. Muita coragem do diretor, Kleber Mendonça Filho, que pode em breve ser uma vítima dos assassinatos de reputação que existem na imprensa brasileira.

O filme é honesto e foge do tempo e da estética presentes nos filmes da Globo ou norte-americanos. Recheado de suspenses e humor, o tempo chega a se arrastar próximo ao final, mas nada que atrapalhe a boa experiência de sair do lugar comum dos filmes demasiadamente comerciais. Além disso, o diretor traz momentos ricos quando joga em signos e imagens referências ao próprio cinema, ao mesmo tempo em que retoma lembranças e saudades dos personagens da trama. Destaque para a angústia, o vazio e a tormenta sensual nas cenas da atriz Maeve Jinkings.

Abaixo a atriz Maeve Jinkings convida para o filme:

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WALMOR CHAGAS E EVA WILMA TÊM PAPÉIS MARCANTES EM SÃO PAULO SOCIEDADE ANÔNIMA, UMA OBRA-PRIMA DE LUIZ SÉRGIO PERSON

Walmor Chagas

Walmor Chagas

Em homenagem ao ator Walmor Chagas, que morreu ontem, vale rever a interpretação memorável no filme São Paulo Sociedade Anônima (1965), uma obra-prima do diretor Luiz Sérgio Person. No filme, tudo parece ter sido bem elaborado e encaixado para mostrar a mudança social provocada pela urbanização e, principalmente, pela industrialização dos anos 50 e 60.

São Paulo SA traz um tom amargo e existencilista no personagem Carlos, de Walmor Chagas, que conduz a narrativa. Mas, ao lado de Walmor, Eva Wilma também mostra todo seu talento como atriz. Os dois atores dão ainda mais valor à obra de Person. Uma película preto e branco que vale a pena.

Abaixo filme completo:

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MOBILIZAÇÃO BUSCA APOIO PARA CONTAR A HISTÓRIA DOS MALUCOS DE ESTRADAS, OS CONHECIDOS MOCHILEIROS DE TRADIÇÃO HIPPIE

FILME XINGU RESGATA A HISTÓRIA DOS IRMÃOS VILLAS BOAS QUE, DIANTE DO ÍNDIO, TRANSFORMARAM REALIDADE EM CONSCIÊNCIA

Atriz Danielle Soprano, personagem sobrevivente do Xingu

Atriz Danielle Soprano, personagem sobrevivente do filme Xingu

O filme Xingu, dirigido por Cao Hamburguer, é mais do que necessário para se entender o Brasil e resgatar a memória dos irmãos Villas Boas. E isso parece ter sido respeitado pela produtora O2, do cineasta Fernando Meireles. O filme faz jus à inigualável trajetória dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas.

Sob uma narrativa envolvente, com belas imagens e dramas, há a sensibilidade e inteligência dos irmãos que vão se construindo diante da tragédia eminente dos povos indígenas. Eles transformam suas próprias consciências ao tomarem contato com os indígenas, sua cultura, suas vidas.

O sucesso da empreitada dos irmãos Villas Boas talvez tenha sido o fato de serem irmãos e trabalharem como uma equipe. Havia o político, o engajado, o encantado. Eles se subsidiaram em uma história que já tentava compreender e proteger os povos indígenas na pragmática de Marechal Cândido Rondon, intelectualidade de Darcy Ribeiro e na vida de muitos outros.

A construção do Parque Indígena do Xingu fez exatamente o que eles previam, deixar mais lentamente a destruição provocada pela cultura dos homens brancos. “O branco é o inimigo”, diz Cláudio Villas Boas em um belo momento paradoxal do filme. Depois de décadas, depois de tanta urbanização da vida, o Xingu ainda continua preservado, mas não por muito tempo. O Parque está cada vez mais ameaçado nas nascentes dos rios e na destruição das florestas no entorno.

A destruição dos povos indígenas continua, vide a situação recente dos Guarani-kaiowás. O Xingu está se transformando em uma ilha que guarda a história desses brancos de alma indígena de que o Brasil haverá de se orgulhar ainda mais.

Veja um documentário de Paula Saldanha sobre os 50 anos do Parque Xingu e que contém uma entrevista com Orlando Villas Boas.

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O BANHEIRO DO PAPA É UMA REPRESENTAÇÃO POÉTICA DA RELAÇÃO TRÁGICA E CÔMICA ENTRE A GRANDE MÍDIA E O POVO

Cena do filme O banheiro do Papa

O sonho é realidade em O banheiro do Papa

O banheiro do Papa, filme de 2007, foi consagrado como melhor filme em vários festivais e com toda a razão. O filme é belíssimo e conjuga em personagens, em  interpretações impecáveis, o fantástico do sonho e o trágico do cotidiano. O banheiro do Papa é um bom título, mas o filme também poderia se chamar  O mundo de Beto, que é o personagem principal. Isto porque o banheiro do papa parece ser apenas mais uma criação da fantástica mente desse personagem, interpretado de forma incrível por Cesar Troncoso.

Mas não só ele, a interpretação de Virginia Méndes, como uma mulher vivendo o mundo real, é de uma beleza crua estarrecedora. Há no casal uma relação mítica entre o feminino racional, apolíneo, e o masculino imaginário (dionisíaco).  E esse conflito entre dois mundos, o real e o fantástico, parece povoar todas as imagens do filme, que se estabelecem a partir das notícias veiculadas pelo jornal e pelo rádio. E isso acomete de forma mágica em todas as interpretações, num impressionante trabalho de conjunto. Os personagens parecem viver um documentário sobre suas próprias vidas.

A história, nesse sentido, tem como pano de fundo uma relação perversa, mas que é tratada na maioria das vezes de forma poética e cômica, entre a população mais pobre e os meios de comunicação de massa, a grande mídia, principalmente a televisão. Essa relação faz com que o filme saia da condição primorosa de enredo e belas imagens para se traduzir em uma história imaginária. O real captado pela câmera é o ingresso para a viagem da mente humana.

Ao final do filme, que é baseado em uma história real, os diretores César Charlone e Enrique Fernández colocam alguns números estatísticos da visita do Papa João Paulo II à cidade de Melo, no Uruguai, onde se passa a história. Nesse momento, percebe-se o tamanho da relação entre mídia e imaginário popular, o tamanho da tragédia, o tamanho do destino humano.

Veja trailer:

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O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO, DE JOÃO DO RIO, EM ADAPTAÇÃO MUITO LOUCA E FUTURISTA DO DIRETOR CARLOS CANELA

APESAR DA RETOMADA, A CINEMATOGRAFIA BRASILEIRA SE DESFAZ QUANDO A GLOBO JOGA NA TELA GRANDE A ESTÉTICA DA TV, DIZ BODSTEIN

O professor Celso Bodstein, da PUC-Campinas e da Unicamp, em entrevista à TV Educação Política, afirma que o cinema feito a partir da estética televisiva tem pouco a acrescentar ao cinema brasileiro. Para ele, esse tipo de produção costuma dar grande bilheteria, mas faz as pessoas se envolverem com a sétima arte apenas no campo da diversão.

O professor também fala do renascimento do documentário, que vive um momento diferente da ficção, com uma produção mais livre e esteticamente mais forte. Veja abaixo:

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SENSACIONAL, FILME PAREDES NUAS DE UGO GIORGETTI TRATA DA QUEDA DE UM GRANDE CORRUPTO E DO VÍCIO PELO DINHEIRO

O prazer do dinheiro é tema de Paredes Nuas

Paredes Nuas, de Ugo Giorgetti, é um belo exemplar de como um bom texto e ótimos atores transformam um pequeno filme em um grande cinema. Giorgetti trata da queda de um corrupto e das consequências que essa queda provoca na vida das pessoas que sobrevivem em torno dele.

O melhor do filme, que tem duração de apenas 52 minutos, é o elenco, que segura o filme com interpretações de forte intensidade teatral e muita experiência profissional. No roteiro, o que chama a atenção é, ao final da história, a associação entre a vida de luxo propiciada pela corrupção como um vício provocado pelo dinheiro. Esse vício pelo dinheiro, essa idolatria pelo luxo e marcas, é tratado como análogo às consequências provocadas pelas drogas químicas mais pesadas em viciados. 

Para se chegar ao dinheiro, de forma mais rápida, tem-se a corrupção como algo inevitável, como algo entendido moralmente pelo viciado como natural na sociedade, ou seja: “todo mundo faz” e “se ele não fizer, outros farão”. E é principalmente na corrupção que o dinheiro precisa ser gasto com luxo e extravagâncias, visto que não pode ser declarado sem uma devida lavagem financeira. Da mesma forma, o mercado do vício e dos preços absurdos são sustentados pela capacidade de grandes empresas de burlar o sistema de pagamento de impostos. Muitos indivíduos, que giram em torno de políticos e governos, pagam qualquer preço para ter o prazer provocado pelo excesso de dinheiro. Eles sabem que há riscos, mas se deleitam no êxtase do consumo e do status.

A diferença é que o vício não destrói o corpo do indivíduo que consome o dinheiro em excesso orgiástico, mas os corpos dos indivíduos que partilham com ele a vida na mesma sociedade. O dinheiro deixa de ser aplicado em benefício de toda a comunidade e passa a ser utilizado por um viciado e seus dependentes familiares e funcionários. Em nome da liberdade individual, o vício pelo dinheiro tornou-se sem limites e destrói a vida de milhares de pessoas que ficam sem acesso a boas condições de moradia, saúde, educação e cultura.

No filme, a atriz Juliana Galdino, vive a esposa do corrupto preso e é nela que se expressa a incapacidade de se viver sem a possibilidade de ter as doses diárias da extravagância provocada no ego pelo poder financeiro. Essa pequena película torna-se assim um filme essencial no Brasil de hoje. Veja trailler abaixo:

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FOTÓGRAFO CHRIS JORDAN MOSTRA O ESPELHO DA SOCIEDADE EM QUE VIVEMOS NOS FILHOTES DE ALBATROZ DE ILHA DO PACÍFICO

PINA, DE WIN WENDERS, EXPÕE NA ARTE DA DANÇA UMA ALEMANHA AFETIVA E HETEROGÊNEA EM CORES E RAÇAS

Pina: uma Alemanha do amor e da tolerância

O filme Pina, de Win Wenders, sobre a bailarina e coreógrafa Pina Bausch, é de um amor intenso que se constrói a arte da dança.

É o cinema de um alemão (Wenders) sobre uma coreógrafa e bailarina alemã (Pina) que exulta sentimentos de afeto e beleza estética. A heterogeneidade dos bailarinos, que parecem representar um mundo inteiro em cores, fisionomia e olhares, expõe de forma avassaladora uma Alemanha fora dos padrões esterotipados.
Ao fazer, de forma muito feliz uma adaptação da dança ao cinema, Win Wenders permitiu que a companhia, que foi montada por Pina e seus bailarinos mais próximos, fizesse explodir uma Alemanha da tolerância, da integração, da heterogeneidade, da igualdade e da liberdade poética.

Isso não é dito em nenhum momento do filme, nem a Alemanha tem qualquer relação, exceto tomadas urbanas de Wuppertal. Mas é justamente nessa arte afetiva e miscigenada que está a beleza e a força do filme.

No corpo de Pina e no olhar de Win Wenders tem-se uma multiplicidade de bailarinos com força estética de alto padrão. Negros, brancos, asiáticos, ameríndios estão iguais, homens e mulheres, em um sonho de dança e vida.

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LUCIANO COUTINHO, DO BNDES, PRECISA VER O FILME TRABALHO INTERNO (Inside job), DE CHARLES FERGUSON, SOBRE A CRISE DE 2008

O filme fala sobre a crise que afeta o mundo até hoje. No começo é um pouco pesado, mas o documentário cresce e explica a receita dos Estados Unidos para aumentar a desigualdade social e gerar uma crise mundial: tirar do pobre e dar para o rico. Fantástico.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) deveria assistir para ver o que acontece quando se cria mega empresas. É o fim.

Veja abaixo versão integral, legendado em português.

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FILME “JESUS ERA COMUNISTA” FAZ SUCESSO EM FESTIVAIS, GERA POLÊMICA NOS EUA E CITA DOM HELDER CÂMARA

Cartaz do filme

Vi no blog do Saraiva

Quando os tempos estão difíceis, parece que a religião volta a ficar popular. Enquanto o mundo está em turbulência, com os mercados econômicos parecendo entrar em colapso e o meio-ambiente degradado, Jesus volta a ser o centro da atenção.

O premiado ator Matthew Modine já participou de filmes de sucesso no cinema e de séries televisivas. No momento ele está envolvido nas gravações do novo filme sobre Batman. Entre uma filmagem e outra, ele produziu um curta-metragem de 15 minutos que mostra o Filho de Deus como um líder socialista, oferecendo um argumento convincente em favor dos pobres.

Modine escolheu um título polêmico: “Jesus era um comunista”. Seu filme  oferece uma discussão das mensagens do Novo Testamento no contexto da pobreza, da poluição e da agitação política.

Selecionado para participar de vários festivais de cinema em todo o mundo, a discussão que o veterano ator propõe já está chamando atenção. O movimento político direitista Tea Party tem usado a Bíblia como seu “cabo eleitoral e justificativa para mudanças na política”. Sites cristãos como o Truth Vanguard já fizeram pesadas críticas ao curta metragem.

O filme de Modine parece ter um endereço certo. Algumas semanas atrás, o movimento “Ocupar Wall Street” iniciou um debate sobre a relação entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade. Rapidamente iniciativas similares se espalharam por vários lugares do mundo.

Vários meios de comunicação compraram a iniciativa com o início do Cristianismo, quando a igualdade entre todos os homens ajudou a desfazer a estrutura social do antigo Império Romano. Imediatamente líderes religiosos e teólogos começaram a debater o tema. Enquanto alguns apoiaram a ideia dizendo que Jesus estaria ao lado dos que ocuparam Wall Street, outros criticaram veementemente, afirmando que a revolução que Jesus queria nada tinha a ver com distribuição de renda.

Embora o filme não tenha sido exibido comercialmente, o site do filme traz a seguinte mensagem: “Sua revolução implicava em uma mudança dramática na forma como as pessoas pensavam. O pensamento progressista e liberal de Jesus se espalhou por todo o Império dominante. Sem exército e sem armas, Ele levou as pessoas a uma nova direção e uma forma mais humana de pensar, com sua filosofia de amor e perdão. Estas são as ideias defendidas neste exato momento pelos protestos em Nova York e por milhares de norte-americano através dos Estados Unidos”.

Falando sobre o curta, Modine explica: “Embora o título seja propositadamente provocativo, é importante às pessoas entenderem que o filme não é um ataque a Jesus ou à fé cristã e nem mesmo uma apologia ao comunismo. Trata-se de um filme com uma mensagem muito positiva, de responsabilidade e de esperança”.

Durante uma entrevista, no lançamento do filme semana passada, Modine foi mais longe: “O movimento Ocupar Wall Street não tem uma só voz, um líder. Essa é uma extraordinária demonstração de liberdade civil e de democracia. Mas acho que se houvesse um homem barbudo, de pés descalços falando sobre paz, liberdade, amor e virasse a mesa dos especuladores de Wall Street acabou ele seria crucificado pela mídia. O prefeito exigiria sua prisão. [Alguns meios de comunicação] iria incitar o ódio contra ele e declará-lo uma ameaça para o capitalismo”.

Vindo de uma família muito religiosa, o diretor explica porque os ensinamentos de Jesus o motivaram: “Estou preocupado com os eventos que ocorrem em todo o mundo. A população chegou aos 7 bilhões. Existe muita fome no mundo. Há escassez de água potável. A poluição ameaça o meio-ambiente. Vemos os dos resíduos nucleares. Mudanças climáticas em todo o mundo… Há tanta confusão, culpa e falta de responsabilidade no mundo de hoje. Muitas guerras e assassinatos usam como justificativa o nome de Deus. Não foi isso o que Jesus ensinou”

Confira um trailer do filme que curiosamente inicia com a declaração do teólogo brasileiro Dom Elder Câmara “Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista”.

Mais informações sobre o filme no site www.jesuswasacommiefilm.com (do Gospel Prime)

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TRAGICÔMICO: POLÍCIA DO RIO DE JANEIRO REPRIME ATÉ PROTESTO EM FORMATO DE MISSA NA VISITA DE BARACK OBAMA

A cena do vídeo abaixo é trágica e ao mesmo tempo tem uma certa comicidade. No vídeo, manifestantes ficam numa espécie de missa contra a visita de Obama ao Brasil. Ao final, uma violenta ação da polícia contra a “oração política”.

O vídeo me lembrou uma cena do filme Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, em que trabalhadores rurais viram uma massa de manobra na mão de alguns líderes.

Para variar, a polícia do Rio reprime até manifestação em formato missa. Polícia do Rio foi subserviente.

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O CLOSET, FILME FRANCÊS, DE FRANCIS VEBER, COM GERARD DEPARDIEU E DANIEL AUTEUIL, É HILARIANTE PELA TENSÃO DO INUSITADO

O filme O Closet (2001), de Francis Veber, é engraçado pela própria situação de tensão montada na vida cotidiana de um personagem que todos consideram sem graça, a mulher o abandonou, o filho não quer vê-lo e ele está na lista dos demitidos da empresa. O filme é uma sátira às relações de trabalho e possui um roteiro que garante diversão em apenas 1h30.

A tensão das situações cotidianas é alimentada pelas ótimas atuações de Gerárd Depardieu, Daniel Auteuil, Thierry Lhermitte e a bela  Michèle Laroque. Não só os quatro atores principais, mas todo um elenco dirigido sem exagero, apesar de algumas situações absurdas, mas totalmente factíveis.

Veja trailer, mas não encontrei legendado.

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UMA HISTÓRIA ENFADONHA, DE ANTON TCHEKHOV, É DE UMA BELEZA SINGULAR E ATEMPORAL

RUSSELL CROWE JÁ SABE QUE NA BLOGOSFERA HÁ UM EXÉRCITO DE ROBIN HOOD CONTRA A DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO DA MÍDIA

Blogosfera revive o espírito de Robin Hood

A blogosfera deu voz a um exército de Robin Hood. Não um exército disciplinado como no quartel militar. Um exército anárquico e irregular, mas tremendamente inseridos no espírito de justiça social de Robin Hood. A grande mídia não está mais sozinha e o ator do filme Robin Hood, Russell Crowe, parece saber disso quando afirmou que Robin Hood hoje estaria lutando contra a mídia.

Esse exército atua em todas as esferas do pensamento. Alguns atuam mais na política, outros na cultura, no direito e principalmente como interlocutores da grande mídia. Mas o drama da mídia atualmente não são as críticas da blogosfera, mas as críticas consistentes, preparadas e bem fundamentadas da blogosfera. Há talvez milhares de pessoas que foram excluídas pela mídia do debate público, seja por motivos ideológicos ou por falta de espaço.

Na blogosfera, o espaço é infinito, não há limite, não há manuais. Cada um apresenta sua própria experiência de vida, seus conhecimentos, seus erros e acertos. É um mundo lírico e bélico ao mesmo tempo.

A blogosfera parece ter tirado da inércia uma quantidade imensa de pessoas, que talvez um dia tenham sido militantes nas ruas por uma utopia social, uma crença política. Mas as obrigações do cotidiano, a expansão das cidades, as distâncias e o trabalho inviabilizaram uma militância prática, mas não anularam a utopia presente da consciência. A blogosfera permite uma militância dentro dos limites de cada um, precisa, rápida, naquilo que mais lhe interessa, mais lhe atrai, mais lhe convém. Basta meia hora por dia, uma hora por semana.  O tempo e horário cada um decide de acordo com a sua vida e suas possibilidades.

O importante é que a blogosfera parece fazer renascer o desejo e o sonho de uma nova utopia, de um Brasil mais justo e igualitário, de um Brasil com condições de criar uma sociedade em que as pessoas possam viver suas potencialidades, seus sonhos.

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Filme ganhou Palma de Ouro em Cannes

O filme Entre os muros da escola (França, 2008), dirigido por Laurent Cantet, foi muito divulgado como um filme que trata da dificuldade de uma escola pública da periferia de Paris em lidar com seus indisciplinados alunos filhos de imigrantes.

Nada mais falso para quem assiste ao filme. Os alunos estão mais para inteligentes e críticos em relação à escola do que para indisciplinados, ainda que a indisciplina esteja presente.

Mas a grande questão do filme não é essa, não é a indisciplina e a imigração. Essa é uma visão eurocêntrica e elitista que não é evidente na narrativa. Pelo contrário, o filme deixa claro, explicitamente, a incapacidade da escola em resolver os seus próprios problemas. A escola lida com alunos globalizados (provenientes de culturas diversas) do século 21 da mesma forma que lidou com os alunos provincianos (monoculturais) do século 19.

Entre os muros da escola há um diretor empolado, professores fúteis, discussões inúteis e reuniões tão enfadonhas que até o público do filme não aguenta. O filme mostra que a escola transformou-se em um tribunal, em um espaço de jugo e não de pensamento. Ela se isolou em uma fortaleza de conceitos retóricos e ineficientes. Daí talvez porque o título do filme fale sobre os muros.

O diretor Laurent Cantet diz mais do que pode nos parecer, mas o enredo deixa claro que, mesmo nos países do primeiro mundo, a escola foi abandonada pelo Estado, está isolada e ilhada entre muros de uma tradição que não dá conta da realidade.

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Noel, poeta da vila, mostra a simplicidade da personalidade do poeta

O filme Noel, poeta da vila, de Ricardo Van Steen, tem um valor primordial de reconstituir a vida de um poeta do samba carioca, Noel Rosa, em uma época de poucos recursos visuais.

Noel Rosa é uma referência da música popular brasileira que surge nos anos 30 e até hoje tem seus sambas gravados por grandes intérpretes. Morto aos 26 anos, o poeta como era chamado, fazia versos simples, com humor e bem cuidados, mas que falavam diretamente a alma do carioca e do brasileiro.

Distante do nosso tempo, em uma sociedade e em uma cultura bastante diferente da atual, Noel no filme de Van Steen é um malandro honesto, comum. O filme não força o roteiro para criar personagens extravagantes para dar bilheteria e comentários. O grande valor do filme está em apostar na música e numa fidelidade à vida cotidiana carioca da primeira metade do século.  Noel é um sujeito normal que é mais levado pela vida do que um condutor do seu destino.

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Queime depois de ler: um hiato nos diálogos

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O filme Queime depois de ler, dos irmãos Joel e Ethan Coen, traz numa única fita uma seleção de consagrados atores como Brad Pitt, George Clooney e John Malkovich. Isso só contribui para um filme em que o engraçado está no abismo presente nos diálogos entre os personagens corporalmente caricatos e personagens excessivamente naturalistas.

Esse hiato entre dois tipos de interpretação carrega o que há de mais hilariante no filme.

A trama é desencadeada pela mente estúpida da personagem Linda (Frances McDormand) que carrega para a realidade a fantasia de sua necessidade de cirurgias plástica para ficar mais atraente aos homens.

Em vários momentos do filme, o diálogo entre personagens caricatos e personagens naturalistas está perturbando o espectador. Isso acontece, por exemplo, logo no início quando a personagem Linda faz a consulta médica para a cirurgia. A personagem de Linda está alucinada e o médico responde como se estivesse num documentário. Esse estranhamento é levado por todo filme até o momento em que se tem o absurdo diálogo final entre os agendes da CIA.

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Selton Mello e elenco de Jean Charles

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O filme Jean Charles tinha tudo para ser exclusivamente comercial se não tivesse caído em boas mãos. O filme se propôs a contar a história do emigrante brasileiro que em 2005 foi morto pela polícia britânica, uma história abusivamente explorada pela grande mídia.

Há no filme as atuações monstruosas de Selton Mello e Luís Miranda. Selton Mello carrega o filme, por ser o protagonista, mas também pelo retorno nos excessos dramáticos de Miranda.

Mas o segredo do filme, que não deixa de ser uma história para ter grande público, é a direção. Henrique Goldman parece estabelecer uma alternância de modulação nas interpretações.

A narrativa que muitas vezes parece filme caseiro, com interpretações quase que naturais, como se fosse um documentário, cresce de repente em uma sequência de dramaticidade. O melhor é que pega o público de surpresa, mesmo se tratando de uma história tantas vezes já contata pelo jornalismo.

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Anjos do Sol, filme de 2006 de Rudi Lagemann, nos abarca com uma tristeza profunda. Uma tristeza da alma, de um passado, de um futuro, de um presente vazio. Uma tristeza de um povo, não de um indivíduo ou de uma mulher. Uma tristeza que talvez não esteja tão presente na narrativa, mas além da narrativa, no ambiente que nos cerca, na política, na economia, na cultura brasileira.

O filme é tenso e angustiante, como deve ser um bom filme, mas é também um momento especial do ator Antônio Calloni, que parece incorporar o personagem em sua consciência predatória e coronelista.  A liberdade é não ter escolha, não ter vida, a liberdade é o objeto.

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cartaz de Árido Movie

Cartaz do Árido Movie

Árido Movie, filme de 2005 de Lírio Ferreira, possui cenas que mostram o Nordeste com uma beleza hollywoodiana. A fotografia do filme recria um sertão que quase nunca se vê no cinema: a vegetação, a paisagem e o horizonte entre cores, pedras e montanhas.

O roteiro também segue uma linha hollywodiana, o que garante tensão e diversão, mas que ao mesmo tempo trata de questões bem brasileiras, como o coronelismo. A trilha sonora e o bom elenco completam esse belo filme, tenso e com momentos de profundo lirismo.

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O filme Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, 2005)  reúne oito diretores em uma dramática e sensível tradução da infância neste mundo contemporâneo que alguns (bem remunerados) julgam ser o melhor dos mundos e por isso se calam.

Diretores de vários países, inclusive Brasil com Kátia Lund, narram formas de uma infância que foi abandonada a própria sorte. Uma realidade muito presente no Brasil, mas parece ser uma epidemia mundial. Uma infância que não tem tempo para brincadeiras, mas vive a realidade do adulto como se fosse criança. Um mundo dúbio e insano entre sobreviver e viver.

Apesar de histórias diferentes, há uma unidade nos oito curtas, que mantém a qualidade cinematográfica: os curtas tentam fugir de estereótipos e clichês para poder ver melhor.

É preciso ter coragem para encarar a inf ância que cresceu sem seu tempo.

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Kais Nashef em Paradise Now

Kais Nashef em Paradise Now

É difícil entender o que move o ódio sem fim entre palestinos e israelenses, mas a cada conflito, com crianças palestinas mortas, novos ódios são alimentados.

Esse conflito, que nos últimos dias, provocou a morte de centenas de palestinos, é o pano de fundo do filme Paradise Now, do diretor Heny Abu-Assad. O filme, que ganhou vários prêmios, é realmente belo, dramático e sensível. Em meio ao conflito, o filme traz o drama de dois jovens palestinos incumbidos de serem homens-bombas em Israel. Em meio a trama, uma atuação expressiva e calada do ator Kais Nashef e a beleza de Lubna Azabal. Sem fazer um único discurso, o filme é um libelo a favor da vida.

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O filme Doces Poderes (1996) é um bom filme para jornalistas politicamente conscientes. Isso porque o filme, estrelado por Marisa Orth, Antônio Fagundes, Ségio Augusto, Tuca Andrada, Sérgio Mamberti e outros realmente não está fechado em busca de concepções ou orientações ideológicas. O filme parece, apesar de ser uma narrativa ficcional, uma bela reportagem sobre a consciência do jornalista de televisão que embarca em campanhas publicitárias. Uma bela reportagem porque parece querer apresentar uma versão fiel de uma realidade que não se pode ver na mídia.

É um bom filme para jornalistas politicamente conscientes justamente por sua liberdade narrativa e cinematógráfica. A melancolia dos perdedores do filme é algo que pode se tornar um apelo à falta de ética na profissão. No entanto, a diretora Lucia Murat parece buscar a profundidade e não o discurso ou a resignação. A melancolia dos perdedores é um alívio para a alma, um recomeçar.

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