Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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O SORTILÉGIO DO INSTANTE

Por Maura Voltarelli
Especial para o Educação Política

O instante e a perfeita reflexividade entre os elementos da imagem de Cartier-Bresson

O instante e a perfeita reflexividade entre os elementos da imagem de Cartier-Bresson

Cartier-Bresson já dizia que a fotografia é a exploração do instante, de tudo que um intervalo de tempo, com seus movimentos, cenários e cores pode produzir de incrível e único. A fotografia, neste sentido, conquista a sua natureza que não é a de ser simples reprodução do real, mas uma forma de recriá-lo, como fazem todas as outras artes.

O blog Pêssega d’Oro reuniu 50 fotos, tiradas por diferentes pessoas em vários lugares do mundo, que capturam justamente os sortilégios do instante, as surpresas, as revelações e o improvável que este pode produzir. Um pouco de sorte e muito de talento colocaram esses fotógrafos no lugar certo, no momento certo, reafirmando a velha frase de que tudo parece ser mesmo uma questão de ponto de vista!

Imagem: http://www.pessegadoro.com

Imagem: http://www.pessegadoro.com

Imagem: http://www.pessegadoro.com

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Mais fotos em http://www.pessegadoro.com/2012/09/click-perfeito-50-fotos.html?spref=fb

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O CORPO É A PAISAGEM

Por Maura Voltarelli

Pequenos bonecos encostados em um seio que ganha aspectos de montanha, cavaleiros a atravessar as costas que de repente são pequenos planaltos, o cavaleiro alojado na cintura, o carro a percorrer as curvas dos quadris, as nádegas como montanhas, os seios sustentando a corda por onde passa a equilibrista, o buraco da piscina no buraco do umbigo, o umbigo que também é rio onde se pesca, as costas por onde se escorrega, qualquer conjunto de palavras será pouco diante do simples olhar as fotografias de Allan Teger, autor desta série que abaixo mostramos chamada “Bodyscapes”.

O artista, no suporte do preto e branco, transforma o corpo humano em belas paisagens, em inesperados lugares. O resultado é bonito, erótico, inusitado. Uma valorização do corpo e da arte, e talvez uma lembrança de que um está sempre ligado ao outro.

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Link de acesso para mais trabalhos de Allan Teger

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O MUNDO DAS REDES SOCIAIS AJUDOU A CRIAR A ERA DAS IMAGENS EM QUE VALE MAIS REGISTRAR PARA MOSTRAR DO QUE VIVER

A fotografia não existe mais para lembrar, mas para esquecer

A fotografia não existe mais para lembrar, mas para esquecer

Mallarmé, o mais lógico dos estetas do século XIX, disse que tudo no mundo existe para terminar num livro. Hoje, tudo existe para terminar numa foto.”
(Susan Sontag. “Sobre fotografia”)

Da Carta Capital

Clicar, em vez de viver, tornou-se norma
Por Marsílea Gombata

Em meio ao burburinho da sala onde fica o quadro Mona Lisa, no Museu do Louvre, em Paris, o fotógrafo Fabio Seixo percebeu algo não exatamente errado, mas exagerado. Os visitantes se espremiam para disparar os flashs da máquina e ter a foto de uma das imagens mais intrigantes e conhecidas do mundo. A guerra para fotografar a musa enigmática imortalizada por Leonardo da Vinci revelava, ali, algo maior: a necessidade de se vivenciar, por meio da foto, a experiência do presente.

“É uma imagem tão icônica quanto aquela de Che Guevara (feita por Alberto Korda em 1960). Pensei: ‘Nossa, que loucura. Será que as pessoas não conhecem a Mona Lisa?’ Então tive um estalo e vi que elas, na verdade, viajam muito mais para marcar território e dizer que estiveram lá do que para curtir a viagem”, reflete.

A experiência em 2005 fez germinar uma semente batizada de Photoland. O projeto, que tem pretensão de virar livro depois de ter ganho exposições no Rio de Janeiro e espaço no festival Paraty em Foco, busca refletir de que modo o ato de fotografar se tornou mais importante do que a vivência e como, em uma espécie de compulsão, ganha fôlego no fértil terreno da tecnologia digital. “Quando você está na Torre Eiffel, se fotografa ali e posta essa imagem, está afirmando sua presença nesse lugar, dizendo que esteve lá”, fala o autor sobre o que considera uma experiência narcisista. “A câmera é um anteparo entre você e as coisas. Então, quando se fotografa, deixa-se de viver o presente para vivenciar a experiência de estar fotografando.”

Foi a possibilidade de mergulhar no universo da escrita com luz que lhe permitiu a reflexão sobre essa dinâmica. O fotógrafo nascido no Rio de Janeiro tem contato com o ofício desde a infância, quando frequentava a redação da extinta Iris Foto, revista histórica com auge nos anos 1970 e 1980, cuja editora era da família de sua tia. Ao concluir a faculdade de jornalismo, não teve dúvida sobre qual caminho seguir e foi trabalhar como fotógrafo de jornal diário. A experiência durou cinco anos. Em 2004, tornou-se autônomo.

Ao refletir sobre a experiência do mundo da fotografia digital atrelada ao narcisismo, existe a intenção de transformar o ato de fotografar em paisagem. A fotografia passa a fazer o papel da natureza, instaurando-se como realidade física. Seixo observa que a intenção de debater os fotógrafos amadores em ação como se fossem paisagem vem da própria imagem autobiográfica. Até que ponto o autor da foto faz parte da cena? “Nesse ato, acabamos perdendo a paisagem. É como se ela não tivesse importância e nós nos tornássemos a própria.”

Na fotografia da fotografia, os cartões-postais não são a Torre Eiffel, o Coliseu, o Empire State Building ou o Buckingham Palace. São, no lugar, quem ali esteve na busca por um arquivo fotográfico cada vez mais amplo. Os traços sobre a necessidade de ser visto são propositais na obra. “O projeto esbarra na questão da visibilidade. Não basta ser um bom médico, um bom professor ou um bom jornalista se você não estiver referendado pelos dispositivos de visibilidade, como mídia e redes sociais”, analisa. “Isso, paradoxalmente, denota o quanto estamos nos tornando uma fotografia de nós mesmos. Não sabemos mais quando estamos posando ou sendo natural. É como se estivéssemos o tempo todo representando um personagem”. (Texto completo)

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Erundina já esteve ao lado de Orestes Quércia e Michel Temer

Paulo Maluf (PP) pode ser um grande corrupto, como nos levam a crer as investigações já realizadas no Brasil e também por estar na lista de procurados da Interpol (Polícia Internacional).

Mas há de se convir que ainda mantém uma habilidade política inacreditável. Com uma única fotografia, ao lado do ex-presidente Lula e do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, ele conseguiu retirar Luíza Erundina da disputa e fortalecer a importância do PP na coligação com o PT.

Maluf atualmente está muito longe de ter a importância que já teve na política brasileira. Ele já foi líder de um dos maiores partidos do país, o PDS, com direito à candidatura à presidência do Brasil. Hoje pertence a um partido nanico, que negocia espaço político secundário, e consegue no máximo se eleger deputado graças ao reduto paulista. A aliança com o PT seria mais uma aliança como qualquer outra, não fosse a fotografia que irritou Erundina e a tirou do cargo de vice-prefeita.

Maluf conseguiu, com a fotografia, ganhar espaço na aliança ao dar visibilidade política ao PP e excluir o nome de Erundina, que poderia levar o governo petista a políticas sociais mais ativas no jogo interno da prefeitura. Erundina abriu caminho para Maluf, principalmente porque já esteve ligada a Orestes Quércia.

Do lado do PT, o ex-presidente Lula estaria apostando todas as fichas na capacidade da população de distinguir entre o programa de um possível governo Haddad-Erundina (PT-PSB) e o apoio político de Paulo Maluf. Erundina, pelo menos, não entendeu assim.

É sempre ruim ter o apoio de alguém como Maluf, pelo seu histórico, mas Lula sabe que há em São Paulo uma resistência muito grande dos votos conservadores.

O fato é que estão dando muito importância para Paulo Maluf, um político que nem de longe tem a força que já teve em São Paulo. Maluf tem um reduto político pequeno e algum tempo na TV, mais nada.

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A NATUREZA NA IMAGEM: TRABALHO FOTOGRÁFICO REVELA BELEZA DO CERRADO E REFLETE SOBRE OS EFEITOS DAS QUEIMADAS NA REGIÃO DO JALAPÃO

Por Maura Voltarelli

“As atitudes dos homens só podem ser avaliadas pelos próprios homens. A natureza tem a sua própria dinâmica, contudo diante de ações humanas negativas, o cerrado reage na mesma medida, pode provocar efeitos irreversíveis, e nesta situação o homem é prejudicado diretamente”.

É na costura tênue entre as relações do homem com a natureza, da natureza com o homem e deste último com as possibilidades de arte e captura poética que a artista, antropóloga e professora universitária Silvia Helena Cardoso desenvolveu sua tese de doutorado pelo Instituto de Artes (IA) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que resultou no livro de fotografias Estrada, Paisagem e Capim, onde ela realiza um retrato poético e social do Jalapão, região de cerrado localizada no estado do Tocantins.

Ao perceber na paisagem do cerrado qualquer coisa que ia além da beleza aparente, Silvia decidiu pensar esse sentimento como matéria de criação e também como forma de conhecimento. Trabalhando a subjetividade como estrutura poética, as fotografias traduzem um pouco as sensações provocadas no homem – a partir do olhar da artista – pela paisagem. Tem-se assim quase que duas estéticas superpostas: a da fotografia, com suas formas, ângulos, luzes e tons, e a do cerrado, com seus horizontes distantes e profundos que, como diz Silvia, lembram uma paisagem desértica e, por isso, solicitam do homem uma espécie de viagem interior rumo a memórias e lugares também distantes e profundos.

O trabalho de Silvia, no entanto, fez da beleza do Jalapão objeto de reflexão e denúncia social no que diz respeito às queimadas que assolam a região, modificam o cenário e expõem os termos em que se dá a relação do homem com a natureza, projetando-a de uma visão específica (cerrado brasileiro) para uma visão geral (homem no mundo). Mesmo reconhecendo que as queimadas são um meio de sobrevivência da população local, Silvia lembra que com a destruição do bioma cerrado “o homem perde a oportunidade de conhecê-lo e viver de forma diferenciada; e a natureza deixa de existir, tornando a vida humana também inexistente“.

Em entrevista concedida ao blog Educação Política, a artista que registrou as cenas do cerrado brasileiro inspirando-se em nomes como Guimarães Rosa e seu Grande Sertão: Veredas diz que “é preciso muita educação para modificar tal desintegração entre o homem e o cerrado especificamente”. Seu trabalho faz ver o quanto se perde com essa desintegração. Em um mundo onde tudo é e não é, preservar a relação com a natureza aparece como uma forma de ser nas fotografias de Silvia, seja por meio da expressão artística que ela, natureza, possa inspirar, seja pelo processo de reencontro consigo mesmo que ela sutilmente desencadeia.

Agência Educação Política: A viagem ao Jalapão, área de cerrado no estado do Tocantins, deu origem a um trabalho poético que você realizou a partir de fotografias da região e que resultou no livro Estrada, Paisagem e Capim, composto por 72 imagens entre as cinco mil imagens capturadas originalmente. O registro fotográfico do Jalapão também constituiu a sua tese de doutorado na qual você procurou desenvolver um trabalho poético em que a subjetividade é pensada como conhecimento e como matéria poética. A fotografia recorta o instante, assim como também recorta a paisagem. A forma de olhar, neste sentido, faz toda diferença e aí, de fato, a subjetividade surge como matéria poética. De que forma o Jalapão e a paisagem do cerrado foi olhada por você?

Estrada, Paisagem e Capim: da série Estrada

Silvia Helena Cardoso: A paisagem no Jalapão não foi só olhada, observada. Especialmente na primeira viagem em julho de 2006, a paisagem foi sentida. Percebi ali qualquer coisa para além da beleza aparente. Senti o lugar, mas não sabia exatamente o que era o sentimento, como entende-lo, como defini-lo, se é que existe uma definição objetiva para isso. De qualquer forma, penso este sentimento como matéria de criação e também como forma de conhecimento.

AEP: Ao comentar o seu trabalho, você disse que a beleza do Jalapão presenciada em um primeiro momento deslocou-se para uma espécie de melancolia provocada pelo encontro com um cenário agredido pelas queimadas. A melancolia seria assim uma das faces da beleza? Uma complementaria a outra de modo que da beleza mais profunda, também pudesse se fazer ouvir as vozes da tristeza ou da angústia?
Silvia: A melancolia, acredito, é uma sensação de tristeza, especialmente quando não temos alternativas diante do que é imposto. No Jalapão, a beleza está lá, é forte e marcante, é uma característica do lugar, contudo, o cerrado é constantemente ameaçado pelas queimadas. As queimadas são ações dos homens. O fogo natural, aquele que aparece sem a presença do homem, é difícil de acontecer. Portanto, as queimadas são resultados de ações equivocadas, tais como, colocar o fogo no solo como forma de prepará-lo para a próxima roça; ou mesmo atear fogo para limpar – tirar árvores e plantas – de um pedaço de terra. Por outro lado, quando você está no cerrado que é uma paisagem que lembra o deserto, não é deserto, mas lembra o deserto, especialmente porque a densidade populacional é pequena e o horizonte é distante e profundo, e leva para uma espécie de viagem interior, o homem toma contato com sensações de outros momentos da sua própria vida.

AEP: No seu retrato e relato poético do Jalapão a presença do homem parece ser marcante, não só pelo conhecimento oferecido pelas histórias orais narradas por moradores do Jalapão e que fazem parte do imaginário coletivo do local, como também pela presença do homem na natureza como destruidor em razão das queimadas que assolam a região. Como você descreveria a partir da sua experiência com a fauna e flora do Jalapão, a relação do homem com a paisagem na atualidade? Haveria uma presença do homem que integra a paisagem e outra que a desintegra?
Silvia: O homem precisa do lugar, do meio ambiente, enfim, o homem do cerrado precisa do lugar, em certa medida sabe que a sua presença também é um fator de mudança da própria natureza; o homem jalapoeiro reconhece a beleza do lugar, mas também tem que sobreviver e tal sobrevivência leva muitas vezes a condutas distantes da preservação da natureza. É preciso muita educação para modificar tal desintegração entre homem e a natureza, e o cerrado especificamente.

Estrada, Paisagem e Capim: da série Resistência

AEP: Você também comentou que apesar do Jalapão não ser totalmente desértico “a imensidão do cerrado é tão profunda e oceânica a ponto de promover uma viagem interna, necessária ao artista”. As paisagens desérticas são vistas pela crença humana como provocadoras de questionamentos e de mudanças no homem, ditando seus destinos e tendo mais poder sobre sua vida do que ele mesmo. Sendo assim, invertendo a pergunta anterior, qual a relação que a paisagem pode estabelecer com o homem? Ela é capaz de salvá-lo ou condená-lo? Ela tira ou recoloca máscaras? Ou ela faz tudo ao mesmo tempo?
Silvia: Então, a paisagem está lá, perto e longe, está quieta, silenciosa, muda muito lentamente. Por outro lado, a paisagem é uma construção cultural, você pode vê-la a partir do seu próprio olhar e sensação, cada homem tem um repertório próprio, uma espécie de ferramenta, que filtra o que está diante dos olhos. Se o homem tem certa disposição a olhar e sentir a paisagem como ela se apresenta, este mesmo homem pode estabelecer uma conexão com ele próprio, a paisagem assim é um elemento detonador deste encontro.
As atitudes dos homens só podem ser avaliadas pelos próprios homens. A natureza tem a sua própria dinâmica, contudo diante de ações humanas negativas, o cerrado reage na mesma medida, pode provocar efeitos irreversíveis, e nesta situação o homem é prejudicado diretamente. Não é uma questão de salvação ou condenação, mas numa situação de desaparecimento do bioma cerrado, o homem perde a oportunidade de conhece-lo e viver de forma diferenciada; e a natureza deixa de existir tornando a vida humana também inexistente.

Estrada, Paisagem e Capim: da série Terra em extinção

AEP: Em sua opinião, a natureza representa uma possibilidade de permanência em um mundo de tantas fugas? Ela teria relações com a fotografia que, a seu modo e guardadas as devidas proporções, de certa forma também permanece em tempo e memória?
Silvia: Sim, a natureza é uma aliada do próprio homem, não o contrário; a natureza talvez é mais amiga do homem do que o próprio homem. Ela é como um templo onde o homem toma contato consigo mesmo.
A fotografia é uma expressão, uma linguagem, que traz o olhar de quem a fez. Quando um fotógrafo escolhe um lugar para trabalha-lo fotograficamente, não pensa num primeiro momento em memória, história, mas em mostrar certas particularidades, no meu trabalho, por exemplo, a beleza jalapoeira. Contudo, a fotografia é um objeto que pode ser considerado história, memória e marca de um tempo a partir de um trabalho poético visual. Os artistas e suas obras deixam suas marcas e propõem discussões a partir de seus trabalhos.

AEP: Jalapão em uma palavra…
Silvia: Beleza

AEP: Jalapão em uma imagem…
Silvia: Paisagem

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Estrada, Paisagem e Capim: da série Imensidão

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Degraus, 1930, Aleksandr Ródtchenko/Moscow House of Photography Museum

Em ângulos peculiares e inusitados, com uma estética própria que combinava a experimentação a certa preocupação documental, as fotografias do artista russo Aleksandr Ródtchenko (1891-1956) desencadearam uma verdadeira revolução na arte de capturar o real por meio das lentes fotográficas. Um dos grandes inovadores da arte de vanguarda do século XX e um dos líderes do construtivismo russo, o fotógrafo conviveu com artistas como o poeta Maiakóvski, que ganhou do primeiro um conjunto de famosos retratos.

Os retratos de Maiakóvski fazem parte das cerca de 300 obras que compõem a mostra organizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo e pelo Instituto Moreira Salles em homenagem  a este russo que além da arte de fotografar, também se destacou como pintor, escultor e designer gráfico.

A exposição traz um pouco das variadas técnicas e das diferentes características do seu trabalho inovador e autêntico que ia desde fotomontagens e reportagens, estudos arquitetônicos e retratos de seu círculo familiar e artístico; até o princípio de fotografar a partir de pontos altos e baixos, criando os famosos “ângulos de Ródtchenko”.

O interessante é perceber que o cárater documental e a preocupação em refletir o real por meio de sua arte, fizeram com que boa parte das fotografias de Ródtchenko servissem como um retrato da vida política e social da União Soviética em seu período inaugural, dos anos de Lênin até o regime repressor iniciado por Stálin. Esse percurso histórico ainda vive, de certa forma, por meio de suas fotografias que o guardaram com o revestimento estético da arte e com a sensibilidade dos “olhos matinais” (maneira peculiar de ver o mundo), como dizia o fotógrafo que ficou conhecido, como não poderia deixar de ser, como fotógrafo da Revolução Russa.

A exposição fica em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo até 1º de maio, de terça a domingo, das 10h às 18h.

Reunião para uma manifestação, 1928, Aleksandr Ródtchenko/ Moscow House of Photography Museum

Retrato do poeta Vladímir Maiakóvski, 1924, Aleksandr Ródtchenko/ Moscow House of Photography Museum

Retrato da mãe, 1924. Coleção particular, Aleksandr Ródtchenko/V. Stepanova Archive

Moça com uma Leica, 1934, Aleksandr Ródtchenko/ Moscow House of Photography Museum

GRACIELA ITURBIDE: UMA FOTÓGRAFA DE CENAS DURAS TRADUZIDAS COM DELICADEZA

A Pinacoteca do Estado de São Paulo traz até o próximo dia 30 de janeiro uma retrospectiva com cerca de 80 trabalhos da fotógrafa mexicana Graciela Iturbide realizados ao longos dos últimos 40 anos. As fotos de Graciela chamam atenção por irem além do mero olhar “etnológico” ou documental sobre a cultura e as festas do povo mexicano.

Seus retratos trazem cenas duras que, no entanto, são enquadradas com delicadeza, revestidas de uma estética limpa e original. Além disso, a força das cenas e da realidade fala por si só e faz transbordar de beleza e multiplicidade cultural o papel fotográfico.

As fotografias vão muito além das próprias fotografias, elas traduzem uma mulher, um homem, um olhar, um vazio…Revelam rostos e máscaras, as facetas de um México cheio de uma realidade que pulsa a espera de ser registrada.

Abaixo, vídeo com uma animação baseada nas fotografias de Graciela. Já fica um pouco do gostinho pra quem não puder ir à Pinacoteca!

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LUGARES ESTRANHOS E QUIETOS, EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS DO CINEASTA WIM WENDERS NO MASP


O Masp (Museu de Arte de São Paulo) traz até o dia nove de janeiro de 2011 uma série de 23 fotografias tiradas em diferentes partes do mundo pelo cineasta alemão Wim Wenders. As fotos tiradas em Israel, na Armênia, no Japão, nos Estados Unidos e até no Brasil lembram muito as cenas dos fimes dirigidos pelo cineasta. Entre eles estão Buena Vista Social Club, Asas do Desejo e Paris, Texas, premiado no Festival de Cannes em 1984 com a Palma de Ouro.

São fotos silenciosas, misteriosas, que carregam certo ar de estranhamento e exploram os detalhes nem sempre vistos das paisagens urbanas e das estradas, ou seja, o instante fotográfico de Wenders tem muito em comum com seu instante cinematográfico, a mesma estética que marca suas cenas é preservada em cada uma de suas fotos.

Um ótima oportunidade para conhecer um pouco mais da sensibilidade do cineasta alemão diante das cenas da realidade, agora por meio de outro suporte que dialoga muito com o cinema: a fotografia. Além disso, uma ótima chance de refletir sobre espaços e lugares, silêncios e olhares, uma oportunidade de refletir sobre o lugar do homem na paisagem, e sobre o lugar da paisagem no homem.

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Imagine o sossego de uma rede em plena Av. Paulista, em meio à correria dos carros, à multidão de pessoas, ao movimento frenético do dia-a-dia! Pense em tantas outras cenas inesperadas no contexto da cidade de São Paulo como um churrasco com direito a piscina em pleno Minhocão e, ainda, uma pescaria no “transparente” Rio Tietê.

Foi buscando subverter a paisagem corriqueira da metrópole paulista por meio de elementos e cenas que não fazem parte do seu cotidiano ou realidade habitual, que um grupo de fotógrafas decidiu fazer pequenas intervenções na paisagem da cidade e o resultado pode ser conferido na exposição A Realidade Maravilhosa que estreia nesta sexta-feira (10), no Espaço Cultural Serralheria.

O sossego em meio ao movimento!

Aline Lata, Luiza Sigulem, Andrea Berteli e Vanessa Bumbeers apresentam uma série de fotografias que chamam a atenção pelo inesperado nelas contido, pela surpresa diante de cenas que, não fosse a liberdade criativa e o apuro estético da arte, jamais percorreriam nossos olhos já contaminados pela pressa, pela superficialidade das relações, pela vertigem de um mundo anônimo e moderno, próximo e distante, levado às ultimas consequências em uma cidade como São Paulo.

Por isso, o trabalho das fotógrafas é tão interessante e inovador. Por chamar a atenção para hábitos esquecidos que, de repente, na sutileza do instante fotográfico, invadem a alma, modificam a memória, alteram a percepção! Aí reside um dos verdadeiros sentidos da fotografia, imortalizar o essencial no real, mesmo que a cena não seja uma reprodução fiel deste, o importante é que ela o represente de forma que a ficção seja a melhor forma de dizer a verdade!

A exposição A Realidade Maravilhosa fica em cartaz até o dia 18 de dezembro e a entrada é gratuita!

Serviço:
Exposição fotográfica A Realidade Maravilhosa
Abertura: 10 de dezembro, às 21h horas
Visitação até dia 18 de dezembro
Sexta e sábado das 21h às 0h30. Domingo das 16h às 22h.
Local: Espaço Cultural Serralheria
Rua Guaicurus, 857, Lapa – São Paulo (SP)
Entrada gratuita
Informações: (11)8538-8408 

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CRIATIVA RELEITURA DE IMAGENS CLÁSSICAS FASCINAM PELA SIMPLICIDADE E GRAÇA

Qual a melhor forma de reler imagens clássicas? Como representá-las de forma que se resgate aquilo que elas têm de mais essencial e, ao mesmo tempo, não se caia em uma imitação barata? Talvez a resposta tenha algo a ver com criatividade e saber olhar à sua volta, percebendo a beleza das coisas simples!

Aceitando o desafio, o programador de computador e fotógrafo britânico Mike Stimpson usou bonequinhos Lego para reler algumas imagens que se tornaram célebres, mundialmente conhecidas e comentadas por todos.

O resultado é cheio de graça e dotado do frescor do novo, afinal, o que vem do eterno, e não do velho, sempre permanece jovem!

Almoço da vertigem protagonizado por 11 operários que construíram um arranha-céu em Nova York. A cena entrou para a história nas lentes de Charles Ebbets, em 1932, e avança na pós modernidade com os bonecos de Mike.

O inesquecível beijo em plena Times Square para festejar o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 foi registrado por Alfred Eisenstaedt e agora foi materializado em corpos de brinquedo que, em um exercício de personificação, vivem a mesma emoção!

O Soldado Tombando, 1936, foto de Robert Capa que virou símbolo da Guerra Civil Espanhola e da luta contra o autoritarismo também ganou sua releitura.

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SOMBRAS QUE GUARDAM A LUZ: A OBRA DE UM FOTÓGRAFO QUE FOTOGRAFA PARA ENXERGAR

Da Agência Educação Política

Fotografar uma realidade que não se vê. Enquadrar uma cena que apenas se imagina. Escolher o melhor ângulo apenas por instinto, por uma incrível sensibilidade. Assim se faz o fotógrafo naturalizado francês Evgen Bavcar que se intitula como “Eros da Fotografia”, baseado no mito grego de Eros, filho de Afrodite, que não podia olhar para sua amada Psiquê e apenas se encontrava com ela ao anoitecer, envolto pela completa escuridão.

Bavcar doutorou-se em Filosofia Estética pela Sorbonne, já realizou mais de 80 exposições em diversos países e teve seus trabalhos como grande inspiração para filmes como Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho.

A técnica de Bavcar foi desenvolvida a partir de suas experiências pessoais com a ajuda da irmã e, aos poucos, ele foi desenvolvendo um estilo bastante peculiar e belo de fotografar. As imagens por ele retratadas sempre saem de um fundo escuro e contrastam com ele por uma composição de luz. O fotógrafo explora em seu trabalho nada mais nada menos do que a alma da fotografia: a luz.

Não é por acaso que muitos dizem que o fotógrafo é um poeta que troca as palavras pela luz. Ao compor seu trabalho sobre a estética da escuridão da qual irradia a luz, Bavcar faz uma espécie de diálogo com a sua própria condição. É como se da escuridão habitada por ele saltassem sopros de luz que correspondem às suas fotografias. A fotografia é, portanto, a luz que o resgata da escuridão.

As descrição feitas por outras pessoas fazem com que o fotógrafo conheça sua obra que é considerada por ele como fruto de suas imagens interiores. O fotógrafo de origem eslovaca se diz um apaixonado pelo Brasil e intenso imaginador das paisagens brasileiras. O livro Memória do Brasil que chega ao Brasil pela Editora Cosac & Naify, reúne justamente textos e imagens produzidos durante suas viagens e experiências pelo país que, segundo ele, precisa ser mais conhecido no seu interior, onde realmente se forma a síntese nacional.

Os trabalhos do fotógrafo trazem uma estética própria, clássica, limpa. Eles trabalham com as situações limites que configuram a pureza do preto e branco. Por isso são tão belos e enigmáticos ao capturar os instantes de uma realidade que pode até parecer rodeada por sombras, mas que, por trás delas, guarda a luz!

Vi no site da Revista Cult

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FAVELA DO MOINHO FOI PALCO DE AÇÃO CULTURAL QUE LEVOU FOTOGRAFIA, MÚSICA E GRAFITE AO CENTRO DE SP

 

A vida é um moinho, ela roda, roda, infinita, é ela toda um ciclo!

 

Da Agência Educação Política

A Favela do Moinho, assim como tantas outras favelas espalhadas pelo país, tem tudo que as outras costumam ter: esgoto a céu aberto, barracos de madeira, falta de água e um disseminado estado de violência. A diferença em relação às outras, no entanto, está na localização. A favela do Moinho fica em pleno centro da cidade de São Paulo, a três quilômetros da Praça da Sé e da Prefeitura Municipal, ou seja, bem debaixo do “nariz do poder público” que insiste em se fazer tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante da realidade do local.

Na última semana do mês de julho, uma jornalista de apenas 22 anos reuniu um grupo de artistas e promoveu uma semana cultural na favela com muita música, pintura e arte de forma geral. Foi a oportunidade que muitas crianças tiveram de pintar alguns de seus sonhos com o grafite, de ouvir uma música social que retrata um pouco dos seus problemas, de sentir que existem outras coisas pelas quais a vida vale a pena ser vivida!

Um exemplo de cidadania que mostra como, na realidade, é o povo que se solidariza com o próprio povo. O governo continua ali, a apenas alguns quilômetros de distância física e a um infinito de distância humana e social, fingindo que não vê!

Ação cultural leva fotografia, grafite e rap a uma favela em pleno centro de São Paulo
Rede Brasil Atual
Por Gisele Coutinho

Uma favela com 900 famílias, cerca de 4.500 pessoas. Barracos de madeira em meio a prédios abandonados, espremidos entre duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O esgoto é a céu aberto, falta água, energia elétrica, faltam condições básicas de saneamento.

A favela do Moinho tem todos os problemas típicos da periferia da capital paulistana – a diferença é que está em plena região central, no Bom Retiro, embaixo do viaduto Orlando Murgel, a três quilômetros da Praça da Sé e da sede da prefeitura.

Esse foi o palco de uma ação de cidadania que a jornalista e produtora Yara Morais, de 22 anos, produziu na última semana de julho para chamar atenção sobre o problema da falta de água.

Com ingressos na forma de alimentos e roupas, Yara reuniu artistas, jornalistas, fotógrafos, integrantes do movimento hip hop, grafiteiros e rappers como Kamau, Du Bronx, Emicida, Crônica Mendes, Sandrão do RZO, o grupo Consciência Humana e o poeta Sergio Vaz.

Nem o frio, muito frio, atrapalhou as crianças do Moinho. Com ajuda dos grafiteiros, elas desenharam seus sonhos nos muros de um terraço de prédio abandonado, local da festa-protesto. Na escadaria que dava acesso à festa, muita fumaça vinha do prédio inacabado e abandonado, das fogueiras que serviam tanto para cozinhar como para tornar o frio mais suportável. (Texto Completo)

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ÁRIDO MOVIE: O SERTÃO VAI VIRAR HOLLYWOOD OU HOLLYWOOD VAI VIRAR SERTÃO

cartaz de Árido Movie

Cartaz do Árido Movie

Árido Movie, filme de 2005 de Lírio Ferreira, possui cenas que mostram o Nordeste com uma beleza hollywoodiana. A fotografia do filme recria um sertão que quase nunca se vê no cinema: a vegetação, a paisagem e o horizonte entre cores, pedras e montanhas.

O roteiro também segue uma linha hollywodiana, o que garante tensão e diversão, mas que ao mesmo tempo trata de questões bem brasileiras, como o coronelismo. A trilha sonora e o bom elenco completam esse belo filme, tenso e com momentos de profundo lirismo.

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HELOÍSA HELENA E PSOL: ESPECTRO POLÍTICO GIRA EM EIXO DE 360 GRAUS

O espectro das nossas posições políticas está definido por um eixo de 360 graus. Quando se vai muito para a direita, pode-se chegar próximo do socialismo (como se vê no caso de alguns países avançados economicamente na Europa).  Mas também quando se vai muito para a esquerda, pode-se chegar na direita. É o caso da Heloísa Helena e do Psol, pelo menos nessas imagens abaixo. Veja duas imagens do site do Tudo Em Cima, do André Lux. Com certeza, dizem mais do que mil palavras.

A posição politica em 360 graus

Teste: identifique os felizes ao lado de Heloísa Helena

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CADÊ O PT? CADÊ O PSDB? TÁ TODO MUNDO QUIETINHO!!!

ALICE RUIZ PARTICIPA DE SARAU EM EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA SOBRE CUBA

Alice Ruiz é autora da genial Milágrimas em parceria com Itamar Assumpção

Alice Ruiz é autora da genial Milágrimas em parceria com Itamar Assumpção

A exposição de fotografia de Jamile Abdalla, entitulada Sob o Sol do Caribe, será aberta dia 16 deste mês no Alphaville Tenis Clube, em Barueri.

A exposição, que retrata uma Cuba de muitas cores, ficará aberta até o dia 28.

A abertura terá um sarau, a partir das 19h, com a participação da poetisa Alice Ruiz. Além da poesia, Alice tem ótimas letras em parceria com Itamar Assumpção, Zeca Baleiro, Alzira Espíndola e outros.

Impossível não dizer que Alice Ruiz é autora de Milágrimas em parceria com Itamar. Vale a pena ouvir essa obra-prima que inspirou um espetáculo de Ivaldo Bertazzo.

Veja as fotos e as cores de Cuba no site da Pandora

Visite o site de Alice Ruiz

Veja abaixo Milágrimas com Zélia Duncan.

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