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CLÍNICAS PSIQUIÁTRICAS E ASILOS EM FRANCO DA ROCHA ESTÃO SOB INVESTIGAÇÃO DEPOIS DE DENÚNCIAS FEITAS PELA POPULAÇÃO

A reforma psiquiátrica não silenciou todos os gritos...

Franco da Rocha, na grande São Paulo, ficou conhecida como a cidade que abrigou um dos maiores hospitais psiquiátricos do país, o Juquery. Hoje, pós-reforma psiquiátrica, e com o fechamento de boa parte dos manicômios, as clínicas clandestinas proliferam na região e boa parte da população não recebe atendimento médico adequado.

Catorze clínicas e azilos psiquiátricos estão sob investigação do Ministério Público depois de terem sido alvo de denúncias de maus-tratos e ilegalidade feitas pela população. De todas as clínicas denunciadas, duas já foram fechadas e cinco interditadas, mas dessas últimas, duas continuam funcionando porque os pacientes internados não têm para onde ir.

Essa situação revela uma deficiência quando se fala em política de tratamento para portadores de transtorno mental. Com a reforma psiquiátrica, métodos alternativos de tratamento à internação constante e prolongada não foram criados. Com isso, de um lado, as famílias não sabem o que fazer com seus doentes, de outro,  pessoas que nunca foram médicos ou tiveram qualquer experiência na área, decidem abrir clínicas sem qualquer tipo de autorização legal, prestando um atendimento médico de fachada e recebendo o dinheiro das aposentadorias dos internos.

Em qualquer um dos casos, quem sai perdendo é o portador de transtorno mental que não tem acesso a um tratamento digno e realmente coerente com os termos da reforma psiquiátrica. Casos em que o paciente ainda é amarrado – como ocorrem nessas clínicas- remontam às épocas mais obscuras do tratamento da doença mental e revelam que o grito do desatinado, como bem colocou Foucault em sua História da Loucura, ainda está ecoando em novos e velhos muros à espera de que alguém o escute de fato.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

MP investiga clínicas psiquiátricas clandestinas em Franco da Rocha
Por Daniel Mello e Vinicius Konchinski

São Paulo – Após denúncias da população, catorze clínicas psiquiátricas e asilos para idosos de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, estão sendo investigados pelo Ministério Público (MP). Inquéritos civis apuram suspeitas de irregularidades na documentação dos estabelecimentos e de maus-tratos a internos.

Desde o início das investigações, quatro clínicas entraram em processo de regularização, duas fecharam e cinco foram interditadas. Dessas, duas continuam funcionando enquanto não há local para a transferência dos pacientes.

Responsável pelos inquéritos abertos no ano passado, a promotora de Saúde e Política para Idosos, Ana Paula Ferrari Ambra, visitou as clínicas sob investigação. Em operação conjunta com a prefeitura de Franco da Rocha, ela constatou as instalações precárias e o tratamento inadequado em alguns estabelecimentos.

“Encontramos um doente amarrado em uma das clínicas”, disse. “Em outra, encontramos fezes dentro de um balde, o que mostra a falta de estrutura do local.”

Segundo a promotora, as clínicas e asilos também funcionam sem qualquer licença ou alvará, e sem equipe profissional adequada. “Essas clínicas foram abertas por pessoas comuns, sem formação, que viram isso como uma oportunidade de renda”, explicou. “Elas prestam o atendimento e recebem a aposentadoria, a que os doentes ou os idosos têm direito, como pagamento”, acrescentou. (Texto completo)

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