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MODELO NEOLIBERAL DE MILTON FRIEDMAN PODE TER CHEGADO AO FIM NO BNDES DE LUCIANO COUTINHO

Será o fim do neoliberalismo no BNDES?

Será o fim do neoliberalismo no BNDES?

Inflação resistente, concentração de capital, aumento dos juros e piora na balança comercial. Esse é o cenário que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ajudou a construir no Brasil nos últimos anos com sua política que parece ter saído do neoliberalismo do consenso de Washington. Enquanto os governos Lula/Dilma avançavam na distribuição de renda, o BNDES comandado por Luciano Coutinho, concentrava empresas e capital.

Nos últimos anos, o banco torrou dinheiro público para financiar a concentração do mercado, ao formar grandes grupos como os frigoríficos JBS e Marfrig, Fibria (papel), OI (telecomunicação), Brasil Foods (Sadia/Perdigão) e LBR (laticínios). A aposta, como já era de se esperar, foi um fiasco para o banco e para o Brasil. Apenas esses seis conglomerados pegaram do banco R$ 13 bilhões para concentrar renda e capital. E nesse valor não está computado o juro abaixo do mercado, conforme informação de Samantha Maia, em reportagem da Carta Capital.

A ilusão do banco era incentivar as exportações, mas obviamente deu tudo errado. O número de empresas exportadoras diminuiu com essa concentração e com problemas externos. O banco que teve um lucro via BNDESpar de R$ 4,3 bilhões em 2011 caiu para R$ 298 milhões no ano passado. Além disso, esses grandes conglomerados cresceram demais, se endividaram e o banco está correndo o risco de tomar enormes prejuízos junto com o povo brasileiro, que vai pagar a conta. Sem contar o número de demitidos que acontecem quando há concentração de capital. Se o BNDES fosse uma empresa, Luciano Coutinho, já teria sido demitido. Não é, e isso explica um pouco as dificuldades do governo Dilma Rousseff com a inflação, os juros e a balança comercial.

A reportagem de Samantha Maia diz que o banco decidiu mudar de rumo depois de tantos erros e pretende investir em empresas com potencial tecnológico. Essa ideia é um grande acerto, mas não deveria ser só isso. O BNDES deveria ser o cérebro da ação prática da política econômica do governo federal, atuando junto com o Banco Central no combate à inflação, na redução dos juros e dinamização da economia brasileira.

Com todo o arsenal de dados e informações disponíveis no governo, é possível fomentar investimentos em áreas de inflação resistente, multiplicando o número de empresas que produzem itens inflacionados ou itens de dependência tecnológica (e não o contrário, concentrando o mercado com o financiamento de fusões e aquisições).

Outra aposta de combate à inflação é a multiplicação de médias empresas que utilizam matéria-prima agrícola de consumo das famílias brasileiras ou financiando empresas e cooperativas de agricultores. Há uma infinidade de atuações que o banco poderia desenvolver com os dados presentes no próprio governo a fim de contribuir com o desenvolvimento não só econômico, mas também social do país.

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FUSÃO DE GRANDES EMPRESAS ESTÁ NA RAIZ DA CRISE ECONÔMICA QUE ABATE OS ESTADOS UNIDOS E A UNIÃO EUROPÉIA

O capitalismo precisa ser um pouco socialista para sobreviver. Parece um paradoxo, mas não é. O capitalismo é um sistema que tende, organicamente, à concentração de renda na mãos de poucos e, com renda cada vez mais concentrada,o sistema fica engessado e vulnerável  a crises.

Essa característica do sistema dá uma grande importância à questão política e aos governantes. São os Estados-nações que, ao redistribuir a renda, teriam um papel importante para a manutenção do capitalismo e para aumentar o seu dinamismo.

 Essa é a situação atual do Brasil, bastou o governo de Lula, num período de 8 anos, distribuir um pouco a renda, para que a economia deslanchasse. Quanto mais distribuída a renda na sociedade, mais dinamizado fica o capitalismo porque passa a ser alimentada toda uma rede de pequenos empreendedores que beneficiam grande parte da sociedade.

Na Europa e Estados Unidos dos últimos 20 anos, desde os anos 90, houve uma escandalosa concentração de poder e riqueza, um período de grandes fusões e aquisições de empresas menores ou com dívidas por empresas maiores. Para piorar, o governo Busch retirou imposto dos mais ricos.

Quando se concentra a renda em um sistema financeiro expressivo como é atualmente, além da falta de dinamismo no capital, há também um grande risco sistêmico de crise, que pode ocorrer em qualquer setor. Se um banco é muito grande, tem 30% do mercado, e tem uma administração irresponsável, gera uma grande crise no país. Se o mercado é controlado por uma grande empresa de alimentação e os produtos são contaminados, pode gerar um estrago sem controle na saúde das pessoas e na economia do país, se somente algumas empresas controlam a distribuição de internet banda larga, o país fica refém dessas empresas, impedindo o desenvolvimento de outros setores da economia.

A fusão de empresas para o bem dos liberais, deveria ser proibida. Mais que isso, usar dinheiro público, como do BNDES, para financiar aquisição e fusão de empresas deveria ser considerado crime. Aí se pergunta: então não teremos grandes empresas, players globais? Claro que não, porque isso é a pior coisa que existe para o sistema e para a sociedade. O próprio nome diz: ao se tornarem “jogadores globais”, as empresas abandonam o sistema de mercado e entram num processo de intervenção. São empresas que deveriam se chamar de interventoras globais. A competição se torna desleal com a população e com outras empresas. Financiar a construção de empresas interventoras globais com o dinheiro público é algo escandaloso.

Os players globais deveriam ser sobretaxados no Brasil caso entrassem aqui com capacidade para quebrar pequenas empresas. Esse taxa deveria financiar a aplicação de pequenas e médias empresas. Uma grande empresa, com poder de mercado, só poderia existir como estatal,  de modo que o governo possa interferir e usar a empresa para ajustar o mercado e promover o desenvolvimento. Como é o caso da Petrobrás.  É importante que se crie empresas estatais eficientes e com um controle de gestão público.

O Brasil também promoveu grandes fusões nos últimos 20 anos, durante o governo FHC, e as coisas pioraram muito. Quanto mais fusão ou aquisição de empresas de modo a controlar um setor do mercado, pior para a população e para o país. O Brasil, paradoxalmente, melhorou nos últimos anos porque havia uma demanda muito grande para o consumo, uma massa populacional, que estava e ainda está fora do mercado formal, com grande potencial de consumo. Mas a situação é diferente nos países da Europa e Estados Unidos que enfrentam essa crise do capitalismo.

Um dia, dar dinheiro público para uma empresa comprar outra deverá ser considerado corrupção.

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NAS DEMOCRACIAS CONTEMPORÂNEAS, CONSCIÊNCIA DE RENDA SE TORNA MUITO MAIS IMPORTANTE DO QUE A CONSCIÊNCIA DE CLASSE
PILANTRAGEM INACREDITÁVEL DA MÍDIA: MERCADO QUER INTERFERIR NOS JUROS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO E O POVO QUE SE EXPLODA
GOVERNO DILMA SE ENROSCA NO POSITIVISMO ENSANDECIDO DA GRANDE MÍDIA; AUGUSTE COMTE É O PATRONO DA IMPRENSA BRASILEIRA
OLIGOPÓLIO TOTAL: APENAS QUATRO EMPRESAS CONTROLAM 90% DA BANDA LARGA DO BRASIL
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